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segunda-feira, agosto 11, 2014

SOCOS DOS AÇORES


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido; Flanela (lã); Madeira (loureiro); Couro; Metal; Plástico (?)
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8; comprimento: 26;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira de loureiro. Este é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado; o enfranque esguio e em descontinuidade com a pata. O enfranque de um dos socos refere, escrito a esferográfica de cor azul: "Ilha Terceira / Angra do Heroísmo"; o outro soco, na mesma zona, refere: "madeira de loiro". A pata do primeiro soco refere ainda: "galochas para luto (?)". Apresenta umas gáspeas, que reduzem progressivamente a sua altura até à zona da calcanheira, em flanela de lã de cor preta. Estas são pregadas ao rasto por intermédio de uma fina fita de couro de cor branca. A orla superior das gáspeas é debruada por uma fita de lã de cor preta. Abaixo desta fita, à frente, surge a aplicação transversal de uma outra fita em plástico da mesma cor, cravada, ao centro, com três ilhós metálicas. A biqueira apresenta uma aplicação triangular da mesma fita.

Proveniência: Portugal / Angra do Heroísmo

 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira (cedro); Couro; Metal
Dimensões (cm): altura: 8; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira de loureiro. Este é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é alto e levemente afunilado; o enfranque esguio e em descontinuidade com a pata. O enfranque de um dos socos refere, escrito a esferográfica de cor azul: "Galochas de homem / madeira de cedro". Apresenta umas gáspeas, que reduzem progressivamente a sua altura até à zona da calcanheira, em couro de tom amarelado. Estas são pregadas ao rasto por intermédio de uma fina fita de couro de cor branca. A orla superior das gáspeas é debruada por uma fita semelhante. Abaixo desta fita, à frente, surge a aplicação transversal de uma outra fita do mesmo material e cor das gáspeas, cravada, ao centro, com três ilhós metálicas. A biqueira apresenta uma aplicação triangular da mesma fita, ponteado à máquina.

Proveniência: Portugal / Angra do Heroísmo



Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Tecido (algodão?); Madeira; Couro; Metal; Policromia; Plástico (?)

Dimensões (cm): altura: 6; largura: 7; comprimento: 25;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira. Este é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é esguio e em descontinuidade com a pata. Nesta zona, no soco direito, apresenta, escrito a esferográfica, "galochas / (?) para raparigas / (?) Ribeirinha". Toda a superfície é envernizada. As faces laterais do rasto são pintadas a cor roxa. Apresenta umas gáspeas reduzidas à parte da frente do pé, presas ao rasto através de uma fita de couro branco, pregada de espaço a espaço. As gáspeas são em tecido de algodão de cor branca, estampado, longitudinalmente, com listas de cor preta e motivos florais de cor preta, vermelha e verde. A orla das gáspeas é debruada por uma fita de lã de cor vermelha. São adornadas com três aplicações de uma fita de plástico de cor vermelha. Duas diagonais e um pequeno triângulo na biqueira.

Proveniência: Portugal / Angra do Heroísmo

 
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Sarja (algodão); Madeira (cedro); Couro; Metal

Dimensões (cm): altura: 9; largura: 7; comprimento: 26;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira de cedro. Este é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado; o enfranque esguio e em continuidade com a pata. Toda a superfície é envernizada. Apresenta umas gáspeas reduzidas à parte da frente do pé, em sarja de algodão de cor preta, debruado nas orlas a couro de cor branca. A zona da biqueira é recortada, deixando uma pequena abertura. No peito do pé, as gáspeas são bordadas a fio de algodão de cor azul, verde, roxa, amarela e vermelha, com motivos florais. As gáspeas são unidas ao rasto através de uma fina fita de couro pregada de espaço a espaço.

Proveniência: Angra do Heroísmo / Altares



Fontes:
www.matriznet.imc-ip.pt
Museu Nacional de Etnologia
Trajar do Povo em Portugal

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sexta-feira, julho 25, 2014

Socos Femininos do Algarve


Estes socos fazem parte de um conjunto de objetos que o Museu Nacional de Etnologia possui no seu acervo da região do Algarve, recolhidos, de uma forma geral, a José Cavaco Vieira, na freguesia de Alte, concelho de Loulé.


Par de Socos com rasto em madeira, constituído por salto, enfranque e pata.
O salto é largo, assim como o enfranque, que apresenta uma descontinuidade com a pata.
A parte de cima dos socos é feita separadamente.
A base é de couro de cor castanha. Na zona da palmilha, o couro estende-se um pouco para os lados. É depois virado para fora e pregado, de espaço a espaço, ao rasto.
As gáspeas são em tecido de lã de cor cinzenta, fechado no calcanhar. Apresentam um quadriculado de cor branca, verde e azul. À frente, apresenta a aplicação de um retângulo de pele de animal, com pelo de cor castanha.
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Material: Tecido (lã); Fibras animais; Madeira; Couro; Metal (ferro)
Dimensões (cm): altura: 11; largura: 9; comprimento: 25;

Fontes:
Museu Nacional de Etnologia

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segunda-feira, julho 21, 2014

Calçado popular


Botas de Cano - Matosinhos
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira; Metal (ferro); Cabedal

Dimensões (cm): altura: 53; largura: 17; comprimento: 31;

Descrição: Botas (par) de cano alto e rasto em madeira; e gáspea, talão e pala de cabedal de cor acastanhada. O rasto apresenta vestígios de tingimento a cor vermelha. É constituído por salto, enfranque e pata. O salto é baixo e apresenta, a ladear os contornos exteriores formando espécie de ferradura, uma aplicação de tira de sola de cor preta, semeada com cardas de ferro justapostas às suas extremidades. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta, apresenta três aplicações de sola: duas de lado e uma, à frente, com os contornos da biqueira. São todas semeadas com cardas de ferro, de formato circular. A unir o rasto à gáspea e ao talão, uma banda de sola de cor preta, pregada de espaço a espaço por pregos metálicos de cabeça pequena batida. Na zona da biqueira, apresenta, em vez desta banda, uma outra, de formato semicircular, que a cobre e à dianteira do rasto. A gáspea e o talão, embora simétricos, são de igual formato, apresentando uma boca que forma um lóbulo ao centro. A esta boca está costurado um cano do mesmo material, que estende até acima dos joelhos, formando uma pala - um grande lóbulo na parte dianteira. A costura é visível através de duas fileiras executadas a linha de cor branca, nos contornos superiores das gáspeas. O cano é feito de uma só peça de cabedal, sendo que é cosido, longitudinalmente, do lado interior da bota a linha de cor branca. Na extremidade superior de tal costura, e na do lado oposto a esta, espécie de presilha de cabedal. As presilhas do lado interior da bota, apresentam um anel feito em corda.


Sapatos Homem - Algarve
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Sola; Calfe; Metal

Dimensões (cm): altura: 8; largura: 10; comprimento: 27,5;

Descrição: Sapatos (par) com rasto em sola. Este apresenta um salto baixo, constituído por duas camadas de sola pregadas e coladas. A parte superior dos sapatos é constituída por gáspeas, talão e biqueira. Todas estas peças são em calfe de vitela de cor preta. As gáspeas estendem-se sobre o peito do pé, formando, nesta zona, uma língua. O talão percorre a zona do calcanhar, diminuindo a sua altura, e formando duas orelhas que se sobrepõem à língua das gáspeas. Estas apresentam três furos, dados longitudinalmente, por onde passa um atacador de cor preta. A biqueira, do mesmo material, forma uma meia-lua de orla ponteada à máquina e furada em pequenos círculos, de espaço a espaço. O interior dos sapatos é forrado a couro, apresentando também, sobre o rasto, uma palmilha em couro de cor branca.
Proveniência: Faro / Loulé / Alte.



Botas - Baixo Alentejo
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Couro; Borracha; Metal

Dimensões (cm): altura: 27; largura: 10; comprimento: 25;

Descrição: Botas (par) com rasto em couro, constituído por salto, enfranque e pata.

O salto é alto e afunilado. É forrado a borracha de cor preta, à qual estão aplicados vários pregos metálicos. O enfranque é esguio e a pata de bico ligeiramente levantado. Esta zona é completamente recoberta de pregos metálicos. Pregadas ao rasto surgem as gáspeas de couro. A elas, na orla interior, está aplicado, por dentro, um talão alto, formando um cano. Este é aberto longitudinalmente, à frente, ao centro. Apresenta, em cada aba quinze ilhós metálicas. Por entre as abas, surge uma língua de couro que está aplicada na extremidade inferior da abertura, por baixo do talão e das gáspeas.
Proveniência: Beja /Serpa

 
Botas da Pesca do Bacalhau
Datação: XX d.C.

Matéria: Cabedal e madeira

Dimensões (cm): altura: 58;

Descrição: Par de botas que cobrem o pé e parte da perna até aos joelhos.

Origem / Historial: Estas botas de bacalhoeiro pertenceram ao pescador Armando Bizarro Valverde, da Nazaré. Era o calçado que os pescadores usavam quando escalavam o bacalhau.
 
Proveniência: Nazaré.
 
 
 
 
Fontes:
Museu de Arte Popular.
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quarta-feira, abril 09, 2014

Chancas


Chancas de Coimbra
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira; Metal; Cabedal

Dimensões (cm): altura: 16,5; largura: 13,3; comprimento: 29;

Descrição: Chancas (par) de rasto em madeira e gáspea, talão e cano, de cabedal de cor acastanhada. O rasto é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é baixo e afunilado. Apresenta cinco cardas de ferro, espalhadas pelos limites do topo do salto, em círculo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta, espalhadas pelos seus limites e semeadas no interior, cardas de ferro. A unir o rasto à gáspea, ao talão e ao cano, uma banda de cabedal de cor castanha, pregada de espaço a espaço por pregos metálicos de cabeça larga batida. Na zona da biqueira, esta banda forma espécie de meia-lua protectora. Na chanca do lado esquerdo, surge, na metade do lado direito, vindo do início da pata até meio da biqueira, uma barra de ferro, sobreposta à madeira do rasto e à tira de cabedal, seguindo os contornos desta, mas com menor amplitude na biqueira. É presa à madeira por meio de quatro pregos, igualmente espaçados. A gáspea apresenta, na chanca do lado direito, justapostas à biqueira, duas tiras de sola de cor preta, pregadas em cada lado, ao rasto, com pregos metálicos. Ambas as chancas apresentam língua, que se sobrepõe ao pé. Termina com os cantos arredondados a meio do enfranque. Um pouco antes de tal terminação, pela parte de dentro, inicia-se o talão. Este é subido, cobrindo toda a zona do calcanhar. Sobre a totalidade do talão e parte da gáspea, surge um cano baixo, de duas peças cosidas entre si, atrás, por meio de uma terceira tira muito fina do mesmo material, disposta no sentido da altura. É aberto à frente, ao centro. O corte frontal do cano forma uma espécie de aba de limites arredondados, uma de cada lado da língua da gáspea. A extremidade inferior de tais abas forma um bico. Este é coincidente com o ponto a 2/3 da largura, e metade do comprimento da gáspea. De tal vértice, segue um arco côncavo descendente até tocar o rasto, ponto este que é coincidente com o início da gáspea. As abas do cano são atravessadas por seis ilhós, dispostas equidistantes, no sentido da altura. Tais ilhós são atravessadas por uma fina fita de cabedal - atacadores. Alinhada com a abertura do cano, mas no lado oposto, uma presilha em laço. Sobre o cano, na parte de trás da chanca, vindo do rasto até cerca de 2/3 da altura, um segundo talão, de formato hiperbólico.
 
Chancas
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira; Metal; Cabedal; Tecido

Dimensões (cm): altura: 16,5; largura: 10; comprimento: 27;

Descrição: Chancas (par) de rasto em madeira e gáspea e cano, de cabedal de cor acastanhada. O rasto é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é baixo. Apresenta vestígios de aplicação de sola (?) com as mesmas dimensões da área de aplicação, no topo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta, a contornar os seus limites externos, vestígios de espécie de ferradura em sola (?), pregada à madeira com pregos metálicos. A gáspea é unida ao rasto por meio de pregos metálicos de cabeça larga e batida, dispostos muito juntos. As orelhas são subidas, encontrando-se unidas ao centro da parte de trás da chanca. Sob as gáspeas, surge o cano, baixo. Apresenta atrás, ao centro, um pequeno talão trapezoidal, cuja aresta superior, a mais pequena, é presa à extremidade superior do cano por meio de uma ilhós e de um botão metálico. Desce daí, alargando-se até às orelhas. A parte da frente do cano, ao centro, é aberta até à junção com a gáspea. Apresenta de cada lado da abertura, sete ilhós equidistantes, colocadas no sentido da altura. Tais ilhós são atravessadas por um atacador de cor acastanhada. A parte de dentro do cano, é guarnecida com uma tira de cabedal, à volta da boca e de cada um dos lados da abertura. Sobre a boca, atrás, ao centro, uma presilha de cabedal. Sob a abertura, uma língua independente, de formato lobular.

Chancas de Seia/Sabugueiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira (amieiro); Metal; Couro

Dimensões (cm): altura: 18,5; largura: 9; comprimento: 26,5;

Descrição: Soco de rasto de madeira de amieiro e gáspea de couro atanado - curtido em casca de carvalho em pó conferindo-lhe uma cor creme escura. O rasto apresenta salto, enfranque e pata. O salto é alto. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico de formato redondo. A união entre rasto e gáspea é guarnecida com tira de cabedal pregada, equidistante, a toda a volta, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é muito subida, fazendo cano. É de uma única peça. Esta inicia-se no lado interior da chanca, junto ao início do enfranque. Daí, segue em arco convexo ascendente até ao centro da largura, de onde parte um corte rectilíneo para cima, constituindo uma das abas da abertura. Segue assim os contornos do rasto, indo terminar numa outra aba, justaposta à anterior. Esta extremidade, entra sob o arco inicial da outra extremidade, apresentando aí duas costuras espaçadas, executadas a linha grossa de cor castanha. Tais costuras seguem os contornos no arco e estendem-se até à abertura da chanca. Cada aba apresenta cinco furos dispostos equidistantes no sentido da altura. São atravessados por uma fina fita de couro - atacadores. Interiormente, surge uma língua, cosida sob a abertura da gáspea. Na extremidade oposta à abertura, junto à boca, ao centro, surge uma presilha no mesmo material, em laço. Na zona do calcanhar, um talão de formato semicircular, cosido superiormente à gáspea. Tal costura é executada a fio grosso de cor creme e é visível no exterior.

Chancas da Calheta
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira (cedro); Cabedal; Metal (ferro); Metal

Dimensões (cm): altura: 22; largura: 11; comprimento: 31;

Descrição: Chancas (par) com rasto em madeira de cedro. Este é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é contínuo com a pata, sendo esta de ponta levantada. Todo o perímetro do rasto é percorrido por uma espécie de ferradura de ferro, com cravos de espaço a espaço. Apresentam talão e gáspeas em cabedal branco. O talão é alto, afunilando à medida que se encaminha para a parte anterior do pé. Aí, divide-se em dois, formando duas abas. São ambas furadas com cinco ilhós metálicas, pelas quais passa um atacador do mesmo cabedal. A união entre gáspeas, talão e o rasto é efetuada por meio de uma tira de cabedal de cor castanha, pregada de espaço a espaço.

Fonte: O Trajar do Povo em Portugal
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sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Alpercatas - Açores


Local de Execução: Ilha do Pico
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Cabedal; Pneumático; Metal
Dimensões (cm): altura: 5; largura: 12; comprimento: 26;
Descrição: Alpercatas (par) com rasto em pneumático de cor preta. Sobre este, estende-se um rectângulo de cabedal, preso ao pneumático por meio de pregos metálicos. À sola estão presas correias de cabedal passadas, à frente, sobre os dedos, e atrás, sobre o calcanhar, enrolando depois na perna até à altura dos tornozelos.
Proveniência: Portugal / S. Roque do Pico / Santa Luzia.

 
Local de Execução: Ilha do Pico
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Cabedal; Pneumático; Metal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 13; comprimento: 30;

Descrição: Alpercatas (par) com rasto em pneumático de cor preta. Sobre este, estende-se um rectângulo de cabedal, preso ao pneumático por meio de pregos metálicos. À sola estão presas correias de cabedal passadas, à frente, sobre os dedos, e atrás, sobre o calcanhar, enrolando depois na perna até à altura dos tornozelos.
Proveniência: Portugal / Madalena / S. Caetano


Local de Execução: Açores
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Dimensões (cm): largura: 13,9; comprimento: 27;

Descrição: Sapato também designado por abarca ou albarca, com sola de forma retangular, com rebordo na frente levantado; tem quatro orifícios, pelos quais passam tiras de cabedal estreitas (atacas) que servem para segurar a sola à canela das pernas. Segundo João Afonso "O trajo nos Açores, subsídio para Estudos de Vestiaria Antiga ", O instituto Históricos da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, 1978, p 134 ... O rebordo não era característico na sapata terceirense, mas aparece já neste calçado, ainda muito apreciado do "homem do monte ". Antigamente abarca (MAR). Calçado rústico exclusivamente usado por gente do Pico. --- (MAP)

 
Fontes: www.matriznet.imc-ip.pt. e Museu de Arte Popular.

segunda-feira, setembro 10, 2012

1º Congresso Internacional de Folclore - Açores


Inscrições e informações: info@cofit.org

segunda-feira, janeiro 23, 2012

A CAPUCHA

De entre as peças de vestuário que apresentam simplicidade de feitio e riqueza de aplicação recorde-se a capucha, de que se ocupou José Júlio César, em Terra Portuguesa: «Nunca a fértil imaginação de alfaiate ou modista inventou peça de vestuário mais apropriada e útil. Não é fácil precisar bem a sua origem, mas tudo leva a crer que viesse do Oriente, sendo trazida à região pelos Árabes, se é que o modelo não foi extraído de alguma gravura, estampa ou desenho vindo dos Lugares Santos, o que é muito natural, portanto a capucha ainda hoje é precisamente o manto que, desde o princípio do Cristianismo, aparece cobrindo a maior parte das imagens. Apenas foi modificado o modelo, adaptando-lhe no cimo, na parte que há-de assentar na cabeça, uma semi-rodela de pano em forma de meia-lua.
É ordinariamente de burel, de fabrico caseiro, havendo-as, também, destinadas especialmente para os domingos e dias de festa, de uma espécie de saragoça preta, muito lustrosa, a que chamam briche. Usa-se na serra do Caramulo e em parte dos concelhos de Viseu, Vouzela, Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira, Castro Daire e em alguns pontos de Trás-os-Montes. Também se usa em alguns povos dos Açores, mas aí um pouco modificada na parte que cobre a
cabeça, que é em forma de capucho ou touca.
A sua utilidade é incomparável.
Se é preciso conduzir um carrego, de uma das pontas faz-se a rodilha, radoiça ou matula, para à cabeça o levar, como de toda ela faz a serrana boa e cómoda almofada que, ficando presa na cabeça, assenta entre os ombros, dando assim o melhor jeito para conduzir pesadas canastras ou enormes molhos de lenha, pastos ou outros fardos. Por esta forma levam os oleiros de Modelos a sua afamada e característica loiça preta aos confins do País e até á própria Espanha.
Do mesmo modo levam as serranas a Águeda e outros povos, a mais de 20km ou 30km, os afamados queijinhos do Caramulo.
Se precisam de levar cereais, hortaliças ou quaisquer outros objectos, e não têm à mão com que melhor os possam conduzir, sem a tirar da cabeça fazem de uma das pontas uma espécie de saca, e com grande facilidade se leva uma grande pontada, como por ali vulgarmente se diz. Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas, e
passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração. Serve também, enrolada ou torcida, ao comprido, para enfeixar coisas diversas, à maneira de corda ou atilho. Estendida no chão, sobre elas secam feijão, milho ou outros cereais. Se é preciso estender a toalha, para as frugais refeições em pleno campo, e não há perto lage ou relvado, a capucha
estira-se no solo, à guisa da mesa, evitando deste modo que a alva toalha vá sujar-se sobre a aterra.
De dia é excelente resguardo das chuvas, neve e granizo; de noite serve de manta na cama. Óptima capa para os rigores do tempo, aproveitam-na pelos dias de Estio para sobre ela se deitarem e, devidamente dobrada, pode servir de travesseira.
Numa das pontas levam, por vezes, a merenda, como no Outono a aproveitam para conduzir os ouriços dos castanheiros que encontram pelos montados.
E até pastores há que dela se têm servido para afugentar os lobos dos rebanhos, assegurando que não há lobo que, em assim vendo caminhar para ele, com o improvisado trapo, como no redondel para o toiro, não fuja desabridamente ou a sete pés, como por lá se diz. Tem ainda a vantagem de se ajustar bem ao corpo e escoar a água, como nenhum outro fato e de, especialmente os homens, poderem sobre ela assentarem o grosso e largo chapéu, para melhor livrarem a chuva da cara.»
Informações retiradas de "ETNOGRAFIA PORTUGUESA" - Livro III - José Leite de Vasconcelos
Fonte: Portal do Folclore Português

quarta-feira, junho 22, 2011

Participantes da Exposição Nacional do Trajo ao Vivo

Tendo em consideração o magnifico espectáculo a que assisti em Porto de Mós, pareceu-me que se deveria referenciar os grupos participantes.

A FFP fez-me o favor de remeter a relação dos grupos que participaram, o qual agradeço, aproveitando para felicitar os elementos do 74 ranchos presentes pelo extraordinário trabalho que têm feito em prol da defesa do património cultural português.
Aqui fica a listagem deste grupos e a região que representam.
Bem hajam!


Grupo Folclórico Casa do Povo de Arões
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico de S. Martinho do Campo
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico de Santa Cristina do Couto
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande
Baixo Minho - Ave
Rancho Etnográfico de Santa Maria de Negrelos
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico "As Ceifeirinhas do Vale Mesio"
Entre Douro e Minho
Rancho Folclórico de Aldeia Nova
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico de Gens
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico de Zebreiros
Douro Litoral - Norte
Rancho Típico de S. Mamede de Infesta
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico da Ass. Cult. e Desp. de Mindelo
Douro Litoral - Norte
Grupo Folclórico das Terras da Feira - Casa da Gaia
Douro Litoral - Centro
Grupo Etnográfico de Sandim (Casa da Eira)
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico "As Lavradeiras de Pedroso"
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico "As Trigueirinhas do Pisão"
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Canelas
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Canidelo
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Stª Maria do Olival
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de S. Tiago de Silvalde
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico e Cultural de Nª Senhora do Monte de Pedroso
Douro Litoral - Centro
Rancho Regional Recordar é Viver de Paramos
Douro Litoral - Centro
Grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira
Douro Litoral - Sul
Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão da Feira
Douro Litoral - Sul
Rancho Folclórico de Gouxaria
Ribatejo
Grupo Etnográfico Danças e Cantares de Alverca do Ribatejo
Ribatejo
Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermêdo e Mato
Douro Litoral - Sul
Grupo Folclórico "As Lavradeiras de S. João de Ver"
Douro Litoral - Sul
Grupo Folclórico de Palmaz
Douro Litoral - Sul
Rancho Folclórico "As Florinhas" de Caldas de S. Jorge
Douro Litoral - Sul
Grupo de Danças e Cantares de Cortegaça
Beira Litoral - Vareira
Grupo de Danças e Cantares de S. Pedro de Maceda
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "As Tricanas de Ovar"
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "O Cancioneiro de Ovar"
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "Os Fogueteiros de Arada"
Beira Litoral - Vareira
Rancho Folclórico "Os Camponeses da Beira-Ria"
Beira Litoral - Vareira
Rancho Folclórico da Ribeira de Ovar
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclore Danças e Cantares do Fial
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo Folclórico Cultural e Recreativo de Albergaria-a-Velha
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo Folclórico e Etnográfico de Albergaria-a-Velha
Beira Litoral - Baixo Vouga
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Angeja
Beira Litoral - Baixo Vouga
Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo de Folclore do Melriçal
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico Camponeses do Mondego
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Rancho Folclórico e Etnográfico Zagalho e Vale do Conde
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Etnográfico da Região da Lousã - GERL
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico Danças e Cantares da Ass. Cult. Vilarinho
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Espariz
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Ponte de Sor
Alentejo
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Redondo
Alentejo
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Tábua
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico de Gouveia
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico de Boidobra
Beira Baixa
Rancho da Região de Leiria
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "As Lavadeiras do Vale do Lena"
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "As Tecedeiras" de Bidoeira de Cima
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "Flores Verde Pinho" do Coimbrão
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Alegrias do Campo de Carnide
Alta Estremadura
Rancho Folclórico da Sociedade Recreativa Cabeça Veada
Alta Estremadura
Rancho Folclórico de S. Guilherme
Alta Estremadura
Rancho Folclórico do Penedo
Alta Estremadura
Rancho Folclórico dos Moleanos
Alta Estremadura
Rancho Folclórico dos Soutos da Caranguejeira
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Peixeiras da Vieira
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Rosas do Lena
Alta Estremadura
Rancho Folclórico da Freguesia de Pussos
Alta Estremadura
Rancho Folclórico de Mira de Aire
Alta Estremadura
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segunda-feira, abril 04, 2011

O uso de chapéu

O chapéu surgiu para a protecção da cabeça, ainda nos povos primitivos da pré-história, das intempéries climáticas (sol escaldante, frio, chuva), como prerrogativa masculina - sendo o homem o responsável pela defesa da tribo ou do clã, sendo depois estendido para a caracterização dos níveis sociais: os reis usavam coroas, os sacerdotes a mitra e os guerreiros o elmo. Cerca de 3000 a.C., na Mesopotâmia, surgem os chapéus que trazem um misto de elmo com capuz, que uns mil anos depois (2.000 a.C.) evoluem para um formato mais aprimorado. Torna-se, neste mesmo período, um adereço de dignidade, nobiliárquica, militar e sacerdotal do Antigo Egipto. O primeiro chapéu que encontra em suas formas mais semelhantes com o formato "clássico" (ou seja, contendo as partes principais do adorno), é o pétaso grego um tipo de chapéu usado pelos antigos gregos e romanos, de abas largas e copa pouco elevada, feito normalmente de feltro de lã, couro ou palha. Era usado principalmente por fazendeiros e viajantes da Antiguidade, e era considerado como uma vestimenta tipicamente rural. O píleo era a versão sem abas do pétaso. O uso de chapéu foi estudado por José Leite de Vasconcelos e descrito em “ETNOGRAFIA PORTUGUESA" - Livro III.


Entre Douro e Minho


De palha centeia para o sol (Baião); bordado, de palha, feito em Fafe: tem as abas com dobras alternadas (dobradas à maneira de ziguezague), o que lhe dá um aspecto de recorte; a copa é revestida de cordões entrançados e com uma espécie de botões também de trança, coloridos; às vezes têm umas estrelas de palha de cor; o chapéu de palha, tão querido da gente da Beira e de Entre Douro e Minho, creio que é desconhecido no Alentejo e no Algarve: um meridional julgar-se-ia descido da sua dignidade se pusesse na cabeça esse emblema do ratinho e do galego (galego, como os do sul chamam aos do norte); em Melgaço e na Cerveira vi os homens nas feiras com chapéus de pano; antigamente, talvez no início do século passado, o trajo domingueiro dos homens do Alto Minho incluía o chapéu de copa alta (cilíndrico como o chapéu alto, mas mais baixo), achatado em cima e de aba redonda; em 1928, um informador de mais de 80 anos, de Arcos de Valdevez, disse-me que noutros tempos os homens usavam carapuça a par de chapéu grosso; e também outrora as moças de Ermesinde usavam chapéus enfeitados à moda das senhoras (H. Beça, Ermesinde, p.90, Porto, 1921)

Trás-os-Montes

Chapéu de aba larga é luxo dos pimpões da Lombada; de palha, com fita colorida ou coberto com pingentes de palha na orla das abas (Vila Pouca de Aguiar).


Beira

Em Santa Comba Dão, os homens só usam chapéu de pano, não de palha. As mulheres, do campo, usam chapéu de homem, quando já estão velhos, e às vezes chapéus novos de palha. Os homens, na Guarda, usam chapéus de pano, à gandaresa. Os chapéus à gandaresa são feitos em S. João da Madeira, concelho de Oliveira de Azeméis; também lá se fabricam os chapéus à Vieira ou vieireiros, sendo os nomes provenientes da Gândara e da Vieira, onde são usados. Têm marca de papel, por dentro, onde está escrito «S. João da Madeira» ou «chapéu de 1ª», e também os há de «2ª», mais ordinários e mais baratos. Também em S. João da Madeira fabricam chapéus à camponesa, de aba larga, de pano grosso e com peninha de cor. As mulheres de Aveiro usavam antigamente chapéus desabados, maiores do que os de hoje, que são pequenos, como bonés; havia três espécies de abas: a grande, já desaparecida (Requeixo), a média, ainda usada pelas impilhadeiras, e a pequena, usada pela mulheres do campo, que também trazem chapéus como os dos homens. Em Soure, os homens só usam chapéus de pano. Os da Guarda usam chapéus de palha nas malhas, mas quando vão à cidade levam-nos de pano, desabado. Em Castendo (1896) usam chapéus de pano; em Castelo Branco (1916), chapéu de papöla, de aba larga; em Celorico da Beira, «àbeiro» por causa da aba larga; na Rapa, os homens, no serviço do campo, usam-nos de palha, no Verão, mas quando vão à caça, levam-nos de pano, feitos lá na terra. No concelho do Sabugal, usam chapéus modernos, ou de abas largas. No concelho de Arganil, não se usa chapéu de palha: se alguém aparecesse com ele, corriam-no logo; só às vezes, muito raramente, no Verão; usam sempre chapéu de feltro. Na Anadia, as mulheres usam chapéu pequeno, preto, redondo, com pena preta; as Ovarinas usam chapéu redondo, de aba larga e horizontal (em 1920), e as da Feira chapelinho preto, no alto da cabeça. O chapéu das mulheres de Cantanhede é como o das Ovarinas, tanto as de idade, como as novas, mas os destas são mais apurados e menores, e também redondos (1916).

Estremadura e Ribatejo

Chapelinho preto e redondo das mulheres do campo, de Leiria; algumas metem lenços entre as abas e a copa; uma ou outra velha traz um chapéu de pena, de homem; são curiosas as filas de vendedeiras, cada uma com o seu chapelinho preto, de pé ou sentadas, com as coisas para venda diante delas; do lenço, que usam sob o chapéu, as pontas caem sobre as costas (1918). Os camponeses do Ribatejo, no Inverno, usam chapéu em lugar de barrete. Os homens de Óbidos usam chapéu «d’aba-tela» ou à «toireira» (domingueiro) e no Verão chapéu de palha. Em Lisboa, quando, por brincadeira ou acaso, uma menina solteira põe na cabeça o chapéu de um rapaz solteiro ou de um homem casado, e se quiser casar, tem de dar um beijo no dono do chapéu.

Alentejo

O chapéu usado sobre o lenço, pelas mulheres de luto (Moura, etc.); de cortiça, feito por pastores (serra de Grândola); Alcácer do Sal; grosseiro, largo, com borla (concelhos de Portalegre, Portel, Nisa, Crato, Vidigueira); de Braga ou de S. João da Madeira, preto com uma borla (Alandroal); desabado (aguadeiro) de pano, em 1896; em Tolosa, as mulheres usam-no sobre o lenço, quando trabalham no campo, por vezes enfeitado com flores e fitas.

Algarve Chapéu de pano grosseiro, pelos homens (Portimão) e Monchique (1917), e, antigamente, desabado, com borla; de pano, pelas mulheres, sobre o lenço da cabeça, não só de jornada, mas a trabalharem à porta, e as crianças também põem; «O costume faz tudo», disse-me uma mulher do campo, ao notar-lhe eu o uso do chapéu de homem, na cabeça; compram-no elas e trazem-no sempre, tirando-o apenas para cumprimentarem, como os homens, creio eu (Portimão). Põem-no no campo as mulheres, quer casadas quer solteiras, mas estas, quando vão à vila, tiram-no para não parecerem casadas e poderem mais facilmente arranjar noivo.


Açores
Chapéu de copa pequeníssima e aba larga, com fita de cor, posto sobre um lenço (Pico); de palha (Faial); na ilha de S. Jorge «não há mulheres do campo. São tudo senhoras: tudo usa chapéu--- As criadas usam chapéu.» (De uma carta particular, escrita de Velas.)

Bibliografia: "ETNOGRAFIA PORTUGUESA" - Livro III - José Leite de Vasconcelos
Fonte: Blog do Portal do Folclore

terça-feira, julho 22, 2008

Os Romeiros da Quaresma – São Miguel - Açores

Na 4ª feira de cinzas dá-se início à Quaresma. Durante as 5 semanas que se seguem é comum ver nas estradas de São Miguel grupos de homens caminhando e rezando em voz alta. Estes peregrinos a que se dá o nome de Romeiros, saem às ruas da ilha todos os anos para reafirmar a sua fé e agradecer a Deus as graças concedidas.

A tradição terá surgidos em 1522, quando a primeira capital de São Miguel, Vila Franca do Campo foi sacudida por um forte tremor de terra. Seguiu-se uma erupção vulcânica em que dos 4.500 habitantes só sobreviveram 500. Quarenta anos mais tarde outro vulcão surgiu no local onde se situa a Lagoa do Fogo.

Desde então há registo de que todos os anos grupos de homens caminham orando à volta da ilha, cumprindo promessas, é sobretudo a rezar que os dias vão passando, rezar e caminhar.

Durante 1 semana estes homens carregam consigo apenas um saco com o essencial e vão pernoitando em igrejas, escolas ou casas de pessoas que se oferecem para receber os Romeiros. Por vezes as casas de folha (palha) são suficientes para passar a noite. Na casa em que são acolhidos é hábito lavarem-lhe os pés doridos.
O “procurador das almas” é quem fica para trás do cortejo, de modo a receber os pedidos de quem passa por eles na estrada. Os “irmãos” rezam, sendo o “mestre” quem sabe quais as orações apropriadas. O “contramestre” segue a meio do cortejo, na companhia do “lembrador das almas”, enquanto à frente os guias marcam o compasso, dão o ritmo de modo a facilitar a caminhada e a torna-la mais agradável a todos. Os irmãos mais pequenos caminham à frente e levam a cruz.

Trazem todos na mão o bordão de madeira e trajam hábitos tradicionais, carregados de simbolismo. Antigamente andavam descalços, actualmente, utilizam calçado mais confortável. O bordão é feito em pinho, à medida de cada irmão, o do mestre destaca-se dos restantes por possuir uma cruz na extremidade. O xaile representa o manto com que cobriram Jesus; o lenço representa a coroa de espinhos; a saca que transportam às costas representa a cruz e o terço é dedicado à Virgem Maria.

Quando regressam à paróquia, as irmandades despedem-se na chamada “despedida da salvação”, uma festa em que participam todos os habitantes da freguesia.

Passaram oito longos dias de caminhada e fé, de companheirismo e oração. Fecha-se o percurso em círculo no sentido dos ponteiros do relógio, como se uma viagem de eterno retorno se trata-se, uma volta à ilha, uma volta ao mundo.

sexta-feira, maio 16, 2008

Bordados dos Açores

No arquipélago dos Açores podemos considerar três principais ilhas, no que respeita à produção de bordados autênticos e originais, que são a ilha de S. Miguel, a ilha Terceira e o Faial.
Não podemos dissociar a história dos Bordados dos Açores da sua própria história. O arquipélago era um ponto de paragem de rotas marítimas, onde se efectuavam trocas comerciais, e onde abundavam diferentes culturas e gentes de gostos diversificados; e o resultado do cruzamento dessa interculturalidade, imprimiu aos próprios bordados características específicas.
A origem vulcânica dos Açores marcou não só a sua paisagem e geografia humana como o carácter dos açorianos cuja religiosidade e acentuada tendência para a interioridade se devem à latente consciência de viverem sob a constante ameaça de tremores de terra, terramotos e inesperadas erupções vulcânicas. Os açorianos elegeram assim, como centros catedráticos dos seus medos e angústias a humanidade sofrida do Ecce-Homo e a volatilidade da Terceira Pessoa da S. Trindade sobre os quais alicerçaram o seu sistema de crenças. No tocante ao Senhor Santo Cristo, deverá referir-se que a imagem quinhentista foi sendo revestida ao longo dos anos e, nomeadamente a partir do século XVIII, por capas executadas em preciosos tecidos mas também bordadas em diversos materiais e camadas de jóias provenientes de sucessivas e constantes doações, sendo a mais antiga dessas capas, uma oferecida pela rainha Maria de Áustria, mulher de D. João V.
Os Bordados dos Açores chegaram de facto ao esplendor de serem bordados de diferentes materiais, incluindo a aplicação de jóias, exaltando e exibindo assim a crença religiosa no Senhor Santo Cristo. Mas o que é mais desconcertante e nos pode deixar admirados é o facto de tanto se poderem encontrar nestas ilhas exemplos deste tipo de bordados recobertos com elementos valiosíssimos, como podemos encontrar nos trabalhos bordados em tule com o mais pobre dos materiais encontrado na região, mais precisamente na ilha do Faial, a palha.
Os bordados foram manufacturados com toda a sua delicadeza e paciência por mulheres muitas vezes dentro de instituições religiosas ou em famílias em que predominava o modelo patriarcal.
A educação destas mulheres baseava-se em alguns conhecimentos rudimentares da escrita e da leitura, bastante instrução religiosa e uma actividade extremamente ligada ao seu sexo – a costura, os bordados ou a renda.
Relativamente ao traje civil, poderemos dizer que aqui encontramos o aparecimento do bordado a matiz, paralelamente verifica-se também o uso do bordado a branco.
Os suportes dos bordados da época eram a cassa e o cetim que estavam muito em moda no Continente, pelo que a existência de alguns exemplares nestas ilhas prova o acompanhamento da moda também pelos Açores.
A cassa era proveniente da Índia, enquanto que o cetim poderia ser tecido localmente já que a sua urdidura não exigia um saber complexo.
A extinção das ordens religiosas, em 1834, fez regressar a suas casas as freiras que continuaram a dar largas à sua criatividade na execução de bordados, doçaria e flores de papel, e que vieram a constituir uma das mais significativas vertentes das artes decorativas açorianas.
A ilha de S. Miguel é hoje um centro de uma indústria de bordados universalmente conhecida. Mas de todos os trabalhos de mãos, cultivados nessa e em outras ilhas dos Açores, nenhum existe que tão rapidamente tenha conquistado o gosto público feminino, como os bordados a matiz em dois tons de azul.
Os motivos característicos deste bordado azul – faiança são compostos por elementos florais assimétricos como os trevos, avencas, cravinas, ramos e algumas aves, inspirados na decoração da louça chinesa.
Na ilha Terceira, o bordado é caracterizado pela sua execução a branco sobre cambraia, algodão ou linho. Os desenhos destes bordados são essencialmente elementos florais, geométricos e figurativos.
Na ilha do Faial, encontramos os bordados mais peculiares e originais das ilhas que são os bordados de palha. A história lembra uma emigrante inglesa em 1850, que apareceu na ilha e usava um chapéu de seda bordado a palha. A sua divulgação logo foi feita por Joana E. Ferreira que descobriu a forma de bordar palha.
Este tipo original de bordados prosperaram por volta de 1939 e as matérias-primas eram fáceis de encontrar; uma agulha, um pedaço de tule e alguma palha eram o suficiente para dar forma a estes trabalhos tão singelos.
Os trabalhos baseavam-se inicialmente em véus, mas, com os tempos e com as mudanças que a igreja enfrentou, foi preciso inovar e reinventar, pelo que mais tarde se passou a fazer estolas e vestidos.
É interessante salientar que os bordados das artesãs têm sempre uma ligação com a fauna e flora da região onde são bordados, como o caso dos motivos baseados em espigas, cachos de uvas ou pequeninas flores, no caso destes bordados, ou então têm uma origem completamente externa por influência de outras culturas, onde geralmente encontramos com assiduidade a cultura oriental, como no caso dos bordados a matiz.

Fonte Bibliográfica:
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006

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quinta-feira, dezembro 20, 2007

O NATAL NO ALGARVE

O Natal tem muitas tradições em Portugal. Muitas delas foram introduzidas a partir do sec. XIX, outras têm origens mais remotas. Em contraponto, ao Pai Natal, a tradição portuguesa está intimamente relacionado com o Presépio e o Culto ao Menino Jesus. Existem em diversas regiões, reminiscências de tradições anteriores ao presépio criado por S. Francisco de Assis. A tradição do presépio medieval em escadaria e com o Menino no trono, típica do Algarve, mas que também se pode encontrar na Ilha da Madeira, a chamada lapinha, construída com três ou mais passadas (degraus) e ornamentada com frutas e searinhas. Nos Açores, o presépio com o Menino em pé denomina-se altarinho, com searinhas a ornamentá-lo e, nas paredes da sala, ramos de laranjeira com laranjas. Mas também pode ser encontrado no Brasil e em quase todas as nações da América Central e do Sul.
De seguida, descrevo a tradição algarvia com base na obra do Pe. José da Cunha Duarte, Natal no Algarve: raízes medievais.
No século XIX, no barrocal algarvio, nove dias antes do Natal, preparava-se a casa para armar o presépio ou armar o Menino,
Revestia-se uma cómoda com uma toalha branca e com larga renda pendente. Em cima, colocava-se um pequeno trono em escadaria, que imitava o altar-mor da igreja. À medida que se elevava, os degraus eram mais estreitos. Outras vezes, colocavam-se as medidas de cereal, em escadaria, para se formar o trono. Este era coberto com um lençol ou toalhas de linho, com uma dobra de lençol de lindas rendas, com panos bordados pela dona da casa ou pelas filhas solteiras, onde abundavam motivos de cor azul e encarnada.
Construído o trono, começava-se por ornar o Menino. As searinhas, germinadas dentro de chávenas ou pires pequenos, eram colocadas, no trono, com arte.
O trono era ladeado de jarras com verdura, onde sobressaía a murta, o loureiro, o alecrim, a aroeira e a nespereira. Nas paredes da sala, onde estava armado o Menino, colocavam-se também ramos de laranjeira, com laranjas, de loureiro ou ainda de nespereira. Outras famílias faziam um arco de verdura, à frente do trono.
Finalmente, colocava-se o Menino. O vestidinho fora já cuidadosamente lavado e passado a ferro. Outras vezes, vestia-se o Menino de novo. Este era o encanto das crianças, que não se cansavam de olhar para Ele, apesar do seu aspecto não invocar grande piedade, pois fora feito por um vulgar artesão. A mãe preparava uma lamparina (copo com azeite e pavio com fios de linho) e colocava-a em cima de um pratinho, à frente do Menino.
Uma característica, muito peculiar do Barrocal, é ornamentar o trono com laranjas. Ao lado do presépio colocam-se também cachos de laranjas dependurados na parede. Na zona marítima de Olhão, nas primeiras décadas do século XX, as searinhas estavam dentro das latas de conserva de sardinha.
A presença das searinhas no presépio é compreendida pelo povo como uma bênção. São colocadas para o Menino “as abençoar” e para “dar muito pão às sementeiras”. Depois das festas, havia também o costume de colocar as searinhas no campo para crescerem porque estavam abençoadas. Mais tarde, o trigo recolhido era para mezinhas caseiras.
As imagens do Menino Jesus devem-se essencialmente aos pinta-santos ou faz-santos algarvios que surgiram no século XIX. Estes procuraram reproduzir as imagens dos imaginários, sobretudo o Menino Jesus e Jesus crucificado que, no Algarve, se chama Pai do Céu. A maioria das famílias algarvias, da zona do Barrocal e da Serra, no Sotavento, tinham em casa uma destas imagens. Era costume os pais oferecerem aos filhos, como prenda de casamento, a imagem do Menino Jesus e/ou do Pai do Céu, para ser colocada na casa de fora do novo lar. Na orla marítima, encontra-se a mesma tradição, sobretudo nos concelhos de Castro Marim e Tavira.

terça-feira, outubro 02, 2007

Trajos da Festa do Divino Espírito Santo – Ilha de São Jorge – Açores

As celebrações em honra do Divino Espírito Santo foram amplamente difundidas por intervenção da Rainha Santa Isabel que lançou as bases do que seria a Congregação do Espírito Santo, movimento de solidariedade cristã que em muitos lugares do reino absorveu as primitivas festas pagãs. O ponto alto das festividades que juntava ricos e pobres sem qualquer distinção ocorria no Domingo de Pentecostes, existindo relatos que referem uma refeição, “bôdo”, dados aos pobres no dia de Espírito Santo.
O espírito de solidariedade e o propósito de partilha fraterna, características desta refeição, dada a todos os necessitados, foram, sem dúvida, contributos fundamentais para a expansão e o enraizamento deste culto popular. No continente, a celebração do Espírito Santo mais conhecida é a Festa dos Tabuleiros em Tomar, mas esta devoção se espalhou pelas Ilhas da Madeira e dos Açores.
No arquipélago dos Açores, o culto do Espírito Santo revestiu-se de formas muito próprias, como erguer os impérios (pequenos edifícios, onde se realiza parte da festa e onde se expõem as insígnias próprias ao Espírito Santo).
No terreiro em frente a cada império tem lugar o “bôdo”, a grande refeição comum, intensamente participada não só pelos residentes locais, como pelos emigrantes que regressam anualmente para celebrar as festividades.
O trajo que de seguida se descreve é usado nos arraiais do Domingo do Divino Espírito Santo e no Domingo da Santíssima Trindade, em todos os impérios da Ilha de São Jorge.
O homem usa o seu trajo domingueiro, sobre este, coloca aos ombros uma toalha de algodão branca com rendas a toda a volta.
A toalha é dobrada de forma especial e sobre ela são colocados ramos de flores de papel, sendo a verdura geralmente natural.
Antigamente o fato era de boa baeta, hoje é de fabrico industrial normal. A camisa deve ser de pano alinhado branco. O colarinho é baixo e as mangas são franzidas nos punhos e fecham com um botão.
Este trajo é usado pelo «cavaleiro» e pelos «passeadores», que vão ao lado da bandeira. Existe também o «trinchante», o homem que está no império ajudando a fazer as ofertas do doce que é depois distribuído por todo o povo. Este serviço é denominado «Serviço da Coroa» e varia de freguesia para freguesia.
Existem lugares em que se colocam flores nas costas do casaco e laços de fita vermelha na toalha.
De realçar a primorosa renda utilizada nas toalhas, executada manualmente por mão hábeis e devotas.

Também às mulheres é atribuido um papel importante nas Festas do Divino Espírito Santo nos Açores. A rapariga que usa este trajo tem como função o transporte das oferendas, mais concretamente, dos bolos de «Véspera».
É composto por uma saia de quatro panos, avermelhada, confeccionado em tecido denominado “fiampua”. A saia possui um cós e uma abertura lateral.
É guarnecida, um pouco acima da baixa, com motivos a ponto de “repasso”. A blusa é de algodão estampado, com peitilho de decote redondo com cós alto, sobreposto pelas frentes e adornado por golas. As mangas são franzidas sobre os ombros e estreitas em baixo, alargando na parte superior. Na cabeça colocam uma toalha rectangular de linho, decorada com renda alta, caindo pendente sobre o tronco. Sobre esta é colocada uma carapuça de baeta azul, orlada a vermelho, com duas rosetas de seda sobre as orelhas.
Calça meias de lã branca e sapatos de sola de correola (espadana) com cortes de baeta bordada a pé-de-flor.
Transporta um pequeno cesto de vime, forrado com uma pequena toalha, onde são colocados os bolos de «Véspera», cozidos pela festa do Espírito Santo, ornamentados com flores naturais.
Referência Bibliográfica: Tomaz Ribas in O Trajo Regional em Portugal, Difel, 2004
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