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quarta-feira, junho 27, 2012

Chapéu de Alcains – Castelo Branco – Beira Baixa

Quem, há uma dúzia de anos, atravessasse os campos de Idanha-a-Nova ou percorresse muitas aldeias do distrito de Castelo Branco, notaria que as gentes do povo, os que mourejam de sol a sol, usavam, geralmente, pesados chapéus de lã, de abas largas e copa baixa, os bem conhecidos chapéus de Alcains, do custo de nove vinténs.

Veio a guerra (1914-1918), e o turbilhão de transformações que ela devia operar, os pobres àbeiros quase desapareceram, sendo já hoje muitos raros, mesmo na arraia de Idanha.

- Origem da indústria? Motivo da decadência?

Não se conhece a origem nem a data exacta da instalação do fabrico. Pelo depoimento de pessoas da localidade, creio poder afirmar que ela vem de tempos distantes, e que, não há muito ainda, empregava mais de uma dúzia de industriais.

Porque decaiu então esta indústria, se outras, como o linho, criaram, com a guerra, novos alentos e arregimentaram novas tecedeiras?

Os chapéus de Alcains são feitos exclusivamente de lã, e esta subiu a preços incomportáveis.

Os compradores, gente simples do campo, fugindo à carestia e levados na onda do luxo, começaram a desprezá-los. Os chapéus de lã de Alcains mal puderam, por isso, resistir à concorrência dos de feltro.

- Processo de fabrico?

Os chapéus de Alcains são feitos, como se disse de lã, exclusivamente de lã, comprada na região, que, depois de lavada, escarameada, cardada, em-arcada e bastida, é levada à cabeça (forma de azinho do feitio de uma cabeça).

Na operação de lavagem, não vale falar por ser bem conhecida.

Escaramear consiste em separar e desfazer os aglomerados de lã.

Cardar o mesmo é passar a lã por entre as cardas, - placas de bicos de aço muito afiados e muito juntos. A cardação é feita no burrinho, banco com uma carda fixa onde o cardador se senta e manobra, com as mãos, em movimento regular e continuo, de encontro à caixa fixa, uma carda móvel.

Em-arcar consiste em desfiar ainda mais a lã separando-a bem e tornando-a fofa e leve. A em-arcação é feita com uma vara de madeira, de pouco mais de dois metros, que tem presa às extremidades uma corda em forma de aro, espécie de arco de rabeca. Preso, o arco, ao teto e suspenso sobre uma mesa, o chapeleiro estica a corda, entrelaça nela a lã e fá-la saltar, uma e muitas vezes, até a lã, ficar fofa, muito leve, bem separada e desfiada.

Bastir equivale a empastar ou fazer a papa.

A lã é deitada numa plancha (grande bacia de folha de cobre de 60 a 65 centímetros de diâmetro e 15 de profundidade) e ali embebida em água. Acesa uma fornalha por debaixo da plancha, a lã toma, com o aquecimento e consequente evaporação de água, a forma pastosa.

A pasta é levada para a cabeça, o chapeleiro, passa sobre ele, vezes em conto, o ferro de passar e o chapéu fica assim moldado.

Enxuto, em seguida, ao sol, debruado e forrado com um pobre forro de chita de várias cores, vai para o mercado, e do mercado para as maiores inclemências do calor e do temporal, proteger e abrigar tantos que, de sol a sol, mourejam na conquista do pão de cada dia.

Texto de Jaime Lopes Dias in Tradições e Costumes da Beira

terça-feira, novembro 29, 2011

Xailes usados no início do sec.XX

Não sendo exaustivo, até pela enorme variedade existente, deixo de seguida alguns exemplos de xailes que foram usados no início do sec.XX.


Xaile de Flanela – Em lã cardada, em preto, azul e castanho, xaile popular de agasalho.
Xaile Mescla – Liso em sarja de lã fios de várias cores, xaile popular.
Xaile Africano – Fio cardado fazendo relevos, com predomínio do preto e cinzento, xaile de agasalho.
Xaile Barra de Cetim ou Barrinhas – Xaile de lã fina com barra em ponto de cetim, franja torcida ou franja em cadeia de cor preta, havendo de muitas cores. Xaile popular de todo o país.




Xaile Barra Azul – Liso ou em ponto de sarja, franja em nós, fundo escuro normalmente urdido em castanho e trama em preto, as barras eram em azul muito vivo, xaile popular, característico da zona Centro do país.
Xaile Double – De sarja em lã cardada, face principal em preto e outra de cor diversa, xaile popular de agasalho no nosso país.
Xaile de Cercadura – De lã cardada em ponto de sarja, a barra de fios de borbotos ou argolas, em preto e de cores, xaile popular para senhora de meia-idade.
Xaile Xadrez – Feito em estambre (fio de lã penteada) em seda natural, em xadrez, franja torcida, em preto ou de varias cores, xaile da classe média.




Xaile de Barra de Seda – Corpo em estambre e barra de seda, a barra era formada por vários desenhos representando motivos populares, em preto e de outras cores, xaile de cerimónia da classe média, este xaile também podia ser fabricado em fio de algodão.


Xaile de Seda – xaile em seda lavrada, em preto e de outras cores, xaile de cerimónia da classe média, este xaile também podia ser fabricado em fio de algodão.


Xaile de Argolinha – Em argolinha a urdir, em varias cores, xaile popular domingueiro, era um xaile caro e único vendido a peso, era usado por todo o país e muito na moda na Beira Alta.
Xaile de Argola Liso – Lã cardada a urdir, a tramar fio cardado e argola, em preto, argola pode ser preta ou de várias as cores, xaile popular, muito grosso e pesado, usado nas regiões nortenhas ou na beira-mar.
Xaile Feltrado – De lã cardada; pêlos aveludados lisos, em várias cores, xaile de agasalho, as senhoras usavam-no muito nos serviços caseiros e agrícolas. Trata-se de um xaile de lã, muito industrializado e utilizado por todo o país. Também conhecido por Xaile dos Pirinéus e em Coimbra como xaile “camotex”.


Xaile de Relevo - Lã cardada, muito áspero, duas faces, ambas em preto, ou uma preta e a outra em verde, azul e castanho, xailes populares mais para senhoras de classe média, xaile muito caro, xaile muito usado no norte do país e zonas mais frias. Em Coimbra existe é conhecido por “montanhac”.


Xaile Manta – Lã merina em ponto de tafetá, não tem franjas é de vários tipos de xadrez em preto e branco, xaile domingueiro e de romaria usado mais nas mulheres casadas.
Xaile de Linha – Era urdido com fio na trama em lã cardada ou penteada, em preto, xaile pesado e duro para as raparigas e mulheres de posição média.
Xaile de Sarja – Liso em ponto de sarja, franja torcida, inicialmente, só em preto, depois outras cores e em xadrez, xaile muito popular e vendido por todo o país
Xaile Primavera – Estambre a tramar e seda a urdir, ou de algodão e seda, de franja cadiada muito entrelaçado, em várias cores e desenhos, com predomínio do xadrez em preto e branco, xaile domingueiro das raparigas da zona de Coimbra e Aveiro, normalmente utilizado na primavera, dai o seu nome.
Xaile Tricana – Lã merina estrangeira, franjas de seda muito compridas e entrelaçadas, vários desenhos e várias cores, sobretudo cores garridas, xaile de romaria muito usado na zona centro do nosso país.
Xaile Chinês – Denominação atribuída genericamente aos xaile que reproduzem motivos orientais, sendo estampados ou tecidos.
O xaile estampado normalmente tem como base um xaile de merino. No xaile tecido, os motivos resultam da utilização de fios chinés tanto na teia como na trama. São fios que sofreram diferentes colorações por tinto ou por estampagem.

Xaile Chinês Tecido



Xaile Chinês Estampado



Xaile de Merino – Em estambre de lã estrangeira, preto de cerimónia, muito usado nos casamentos, missa e dias de festa e no luto, xaile caro, usado pelas senhorasde meia-idade.


Xaile Tapete – Em seda natural ou em fio de estambre, muito lavrado, cheio de desenhos e cores representando animais, folhas, flores, frutos, e combinações geométricas, usado pelas senhoras da cidade de classe aburguesada, ou para ornamentação de salas.


Xaile Fantasia – xailes bordados a seda ou cetim sobre tecido de lã, merino ou outra, sobretudo
com motivos florais. Muito utilizados na região riana da Beira Baixa e Alto Alentejo, nomeadamente, Idanha-a-Nova, Alpalhão e Nisa. No Alto Alentejo era utilizado em ocasiões diferentes, conforme o uso da localidade. Em algumas localidades era apenas utilizado no Carnaval, outras, era uma peça de adorno para dias especiais e mesmo complemento do trajo da noiva. Existem ainda xailes de fantasia estampados. Na região centro um dos mias conhecidos é o xaile penas de pavão, por ser esse o motivo da estampa.




Xaile Pêlo de Rato – Xaile em pêlo de seda que faz lembrar o pelo de um rato, muito lustroso, podendo ser liso ou lavrado. Existindo em castanho, preto e cinzento. Franjado comprido de seda torneada.

quarta-feira, junho 22, 2011

Participantes da Exposição Nacional do Trajo ao Vivo

Tendo em consideração o magnifico espectáculo a que assisti em Porto de Mós, pareceu-me que se deveria referenciar os grupos participantes.

A FFP fez-me o favor de remeter a relação dos grupos que participaram, o qual agradeço, aproveitando para felicitar os elementos do 74 ranchos presentes pelo extraordinário trabalho que têm feito em prol da defesa do património cultural português.
Aqui fica a listagem deste grupos e a região que representam.
Bem hajam!


Grupo Folclórico Casa do Povo de Arões
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico de S. Martinho do Campo
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico de Santa Cristina do Couto
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande
Baixo Minho - Ave
Rancho Etnográfico de Santa Maria de Negrelos
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico "As Ceifeirinhas do Vale Mesio"
Entre Douro e Minho
Rancho Folclórico de Aldeia Nova
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico de Gens
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico de Zebreiros
Douro Litoral - Norte
Rancho Típico de S. Mamede de Infesta
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico da Ass. Cult. e Desp. de Mindelo
Douro Litoral - Norte
Grupo Folclórico das Terras da Feira - Casa da Gaia
Douro Litoral - Centro
Grupo Etnográfico de Sandim (Casa da Eira)
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico "As Lavradeiras de Pedroso"
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico "As Trigueirinhas do Pisão"
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Canelas
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Canidelo
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Stª Maria do Olival
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de S. Tiago de Silvalde
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico e Cultural de Nª Senhora do Monte de Pedroso
Douro Litoral - Centro
Rancho Regional Recordar é Viver de Paramos
Douro Litoral - Centro
Grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira
Douro Litoral - Sul
Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão da Feira
Douro Litoral - Sul
Rancho Folclórico de Gouxaria
Ribatejo
Grupo Etnográfico Danças e Cantares de Alverca do Ribatejo
Ribatejo
Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermêdo e Mato
Douro Litoral - Sul
Grupo Folclórico "As Lavradeiras de S. João de Ver"
Douro Litoral - Sul
Grupo Folclórico de Palmaz
Douro Litoral - Sul
Rancho Folclórico "As Florinhas" de Caldas de S. Jorge
Douro Litoral - Sul
Grupo de Danças e Cantares de Cortegaça
Beira Litoral - Vareira
Grupo de Danças e Cantares de S. Pedro de Maceda
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "As Tricanas de Ovar"
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "O Cancioneiro de Ovar"
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "Os Fogueteiros de Arada"
Beira Litoral - Vareira
Rancho Folclórico "Os Camponeses da Beira-Ria"
Beira Litoral - Vareira
Rancho Folclórico da Ribeira de Ovar
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclore Danças e Cantares do Fial
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo Folclórico Cultural e Recreativo de Albergaria-a-Velha
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo Folclórico e Etnográfico de Albergaria-a-Velha
Beira Litoral - Baixo Vouga
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Angeja
Beira Litoral - Baixo Vouga
Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo de Folclore do Melriçal
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico Camponeses do Mondego
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Rancho Folclórico e Etnográfico Zagalho e Vale do Conde
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Etnográfico da Região da Lousã - GERL
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico Danças e Cantares da Ass. Cult. Vilarinho
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Espariz
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Ponte de Sor
Alentejo
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Redondo
Alentejo
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Tábua
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico de Gouveia
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico de Boidobra
Beira Baixa
Rancho da Região de Leiria
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "As Lavadeiras do Vale do Lena"
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "As Tecedeiras" de Bidoeira de Cima
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "Flores Verde Pinho" do Coimbrão
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Alegrias do Campo de Carnide
Alta Estremadura
Rancho Folclórico da Sociedade Recreativa Cabeça Veada
Alta Estremadura
Rancho Folclórico de S. Guilherme
Alta Estremadura
Rancho Folclórico do Penedo
Alta Estremadura
Rancho Folclórico dos Moleanos
Alta Estremadura
Rancho Folclórico dos Soutos da Caranguejeira
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Peixeiras da Vieira
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Rosas do Lena
Alta Estremadura
Rancho Folclórico da Freguesia de Pussos
Alta Estremadura
Rancho Folclórico de Mira de Aire
Alta Estremadura
Rancho Folclórico e Etnográfico de Casais de Revelhos
Templários
Grupo Folclórico "Os Camponeses" D. Maria
Estremadura Centro - Saloia
Grupo Folclórico "Os Saloios" da Póvoa da Galega
Estremadura Centro - Saloia
Rancho Folclórico "As Lavadeiras" do Sabugo
Estremadura Centro - Saloia
Rancho Folclórico e Etnográfico "Danças e Cantares" da Mugideira
Estremadura Centro - Saloia
Rancho Folclórico São Miguel do Milharado
Estremadura Centro - Saloia

sábado, janeiro 15, 2011

Lavradores Ricos – Perre – Minho

Este traje é apresentado pelo Grupo de Danças e Cantares de Perre, pertencente ao Concelho de Viana do Castelo.
Francisco Sampaio esta povoação assim:
“Falar de Perre, é falar de terras de grandes lavradores, dos melhores bois da matança da Páscoa, que abasteciam os talhos de Viana (…), de colheitas de vinho tinto que ultrapassam as três mil pipas, de gente séria, trabalhadora.... Terra de morgados e “mordomias”, casas fartas, boas lavouras, de bons campos e ramadas baixas, a significar tulhas e adegas cheias...”

Homem
Usava calças de alçapão brancas, de linho ou estopa, sem abertura mas com bolsos. Terminavam com folho, um pouco abaixo dos joelhos. A camisa era branca de linho e o colete era de fazenda preta.
Calçava tamancos com polainas de saragoça, nas pernas. Na cabeça usava um chapéu de feltro preto e faz-se acompanhar por um guarda-sol de barbas de baleia.

Mulher
A mulher usava uma saia de riscas tecida no tear, casaca de fazenda preta, e algibeira simples em tons escuros. Ao pescoço lenço de seda, e num dos braços transportava um cesto – com toalha bordada em “rechellier” – e que usava quando pela Páscoa ou Natal ia levar as ofertas ao Padre ou Médico da aldeia.
Em Perre foi moda as mulheres usarem cabelos curtos, deixando de colocar o lenço na cabeço, passando-o para o pescoço.

Fonte: Grupo de Danças e Cantares de Perre

terça-feira, dezembro 29, 2009

Mulher da cidade do Porto


A gravura é baseada em relato de viagem anterior a 1844: trajo citadino de arruar, predominando o preto da saia e do amplo manto de merino que recobre a cabeça e descai quase até à meia perna. Este manto parece constituir uma variante do modelo que então se usava na Ilha Terceira, Beira Baixa (Monsanto), alguns povoados do Alentejo e no sul de Espanha. A versão portuense não comporta entretela na zona da cabeça e não aperta na linha da cintura.

Fonte: http://virtualandmemories.blogspot.com/
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quarta-feira, março 12, 2008

Trajes de Cantanhede – Beira-Litoral

O Grupo Folclórico Cancioneiro de Cantanhede é um dos mais fiéis embaixadores da etnografia do Distrito de Coimbra, mais particularmente, da região Gândara – Bairrada, quer em Portugal, quer nas suas deslocações além fronteiras.

No pequeno filme que se segue, pode-se observar a riqueza e diversidade dos trajos desta região.



Site recomendado:
Grupo Folclórico Cancioneiro de Cantanhede

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domingo, fevereiro 03, 2008

Pescadores do Tejo - Ortiga – Beira Baixa


Ortiga é uma freguesia do Concelho de Mação e distrito de Santarém, encontrando-se na confluência de três províncias - Ribatejo, da Beira Baixa e do Alto Alentejo - soube fundir as três culturas e moldá-las com usos e costumes muito próprios, determinados sobretudo pela omnipresença do rio Tejo.

Os trajos desta região não eram muito ricos, já que a terra é pobre e o povo tinha magras posses, havendo no entanto alguma variedade, especialmente no trajo da mulher. A sua confecção é modesta e o corte simples, sóbrio e pouco colorido, apesar de bem cuidado, notando-se os tons escuros a condizer com a paisagem envolvente. De uma maneira geral, as mulheres sabiam costurar e por vezes os trajos que usavam durante muito tempo, iam sofrendo pequenas alterações e adaptações, de forma a serem aproveitados ao máximo, já que as posses eram poucas e não permitiam que se fizessem trajos novos com frequência.

O trajo que vos apresento é o dos Pescadores do rio Tejo, já que este serve de fronteira à freguesia e naturalmente influenciava a forma de viver das suas gentes.

O homem veste camisa de riscado, colete de cotim sem botões, calça de cotim, cinta preta, barrete preto e calça tamancos ou botas grosseiras.

A mulher veste blusa de riscado ou chita, saia de lã ou fazenda, avental de riscado e lenço de merino ou algodão. As saias de baixo eram em flanela ou algodão, calça meias de cordão sem pé e tamancos.

Fonte: Grupo Etnográfico e Folclórico da Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga

segunda-feira, novembro 12, 2007

Trajo de Sega ou Ceifa – Refugio – Beira Baixa

Sendo trajes de trabalho estão adaptados às tarefas a que se destinam, práticos, simples e confortáveis.
O trajo masculino é composto por camisa de riscado, com cós e peitilho aberto sobre o peito, manga comprida arregaçada. Calça de cotim azul-escuro e ceroulas de riscado azul-claro, ajustadas nos tornozelos com nastros. Na cabeça, lenço tabaqueiro de algodão vermelho, com pontas laterais sobre as abas do chapéu de feltro preto. Botas de bezerro. Transporta uma manta de retalhos e uma foice.
O traje feminino é constituído por blusa de algodão estampada, gola de bico, ajustada na frente com botões, manga comprida com punho.
Saiote de lã vermelho, debruado com fita preta, resguardado na frente por amplo avental de riscado, com bolso de chapa e refegos na orla. Algibeira de tecido estampado e chave suspensa na cintura. Calça meias de algodão e sapatos de ourelo.
Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
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terça-feira, novembro 06, 2007

O bordado de Castelo Branco – Beira Baixa











Os Bordados Tradicionais de Castelo Branco, antigamente designados por “bordados a frouxo”, caracterizam-se por um desenho muito próprio, identificável quer pelos motivos que utilizam quer pela forma de os desenhar.

A designação de hoje dada aos bordados, “Bordado de Castelo Branco”, foi criado em pleno séc. XX e teve como resultado associar este bordado à região de Castelo Branco. Estes trabalhos são realmente mais abundantes na região da Beira Baixa, no entanto, podemos também encontrar alguns exemplares, ainda que em menor número, em todo o território nacional e mesmo na Estremadura Espanhola.

É possível atribuir os exemplares mais antigos ao séc. XVII.

Parecem ter tido como finalidade, suprir a necessidade de providenciar uma cobertura. A produção caseira, para consumo caseiro, de peças têxteis era o modo de produção normal e quotidiano das populações, a cargo das mulheres. O gosto em ornamentar o têxtil, quer ainda no tear, quer já depois de tecido e mesmo confeccionado, é provavelmente tão antigo quanto a tecelagem. A utilização dessas peças, talvez tenha ocorrido, numa primeira fase, em momentos de festividade e, numa fase posterior, passaram a integrar o quotidiano familiar.

Os Bordados de Castelo Branco sempre tiveram o seu maior expoente nas colchas, possuindo um aspecto simbólico.

As raparigas, em idade de casar, enfeitavam o seu leito com as colchas de grande decoração e policromia junto à janela que dava para a rua onde passaria o rapaz, para que este a visse e, possivelmente, ficasse impressionado e enamorado.

Se por um lado estas peças faziam parte do enxoval das raparigas em idade de casar, elas foram utilizadas num primeiro momento, especialmente em dias de festa, para posteriormente serem elementos que começaram a integrar o quotidiano familiar.

Ao longo dos anos, a arte dos Bordados de Castelo Branco sofreu influências orientais com a inclusão de motivos persas, da Índia e da China, mas também consideráveis influências da Renascença, do Barroco dos brocados e damascos, para além da inventiva popular.

Os motivos bordados possuem uma simbologia muito própria. O pássaro bicéfalo representa Duas Almas Num Corpo Só; as albarradas a Família; as árvores a Vida; os dois pássaros os Desposados; a coroa real o sinal da Autoridade Patriarcal e os encadeados, a cadeia indestrutível do casamento.

Assim, os Cravos alegorizam o Homem; as rosas a Mulher; os lírios a Virgindade; os corações o Amor; as gavinhas a Amizade; a hera a firme Afeição; os jasmins a Virtude; o galo a Virilidade; as romãs e as pinhas a união e a solidariedade indissolúvel da Família; as frangas e os galaripos a Prole bendita e os lagartos, o amuleto da felicidade sempre muito desejada.

Nos nossos dias este trabalho é preservado pela Escola de Bordados Regionais, incorporada no Museu Tavares Proença Júnior, que vê o passado destes bordados como um património de grande importância e o qual deve ser preservado. No entanto, considera que a oficina – escola do museu não deve situar-se apenas num papel de era copista da produção passada, mas deverá ser um ponto de partida para a expressão rústica dos artesãos contemporâneos, caso contrário esse imobilismo poderia provocar a morte lenta desta tradição. Existe ainda a preocupação de não se provocarem rupturas abruptas e sem enquadramento, nos casos das alterações nos pormenores dos desenhos.

Se pensarmos que a capacidade criativa e expressiva dos bordados de Castelo Branco nasceu das antigas bordadeiras, então não poderemos asfixiar a capacidade criativa das bordadeiras contemporâneas.

A actual oficina – escola aposta numa criação de bordados que sejam ao mesmo tempo renovados e de qualidade.

Técnica dos bordados de castelo branco

Os bordados de Castelo Branco são efectuados em tecido de linho com bordados a fio de seda frouxo, isto é, que não foi torcido, com a ajuda de um bastidor circular. Os aros são encontrados em diversos tamanhos e são acolchoados, possuindo um suporte para mesa ou chão.

Estica-se o tecido no bastidor com um guardanapo de papel entre a argola exterior e o bordado, para que o arco não marque o tecido.

O ponto que mais se aplica nos bordados é o cheio frouxo ou “ponto largo”, também designado ponto de Castelo Branco, que mais não é que uma variante do “ponto de oriente” ou da “Hungria” ou de “Bolonha”. Aparece em todos os trabalhos, mas predomina nos de carácter popular acompanhado de outros mais simples. Torna-se económico porque cobre apenas a superfície superior.

A bordadeira enfia a agulha por baixo e estende o fio até à extremidade oposta. Prende o fio e regressa ao ponto de partida. Num movimento de vai e vem, cobre a superfície que deseja bordar.

No avesso ficam apenas os pontarecos que prendem a seda. Terminada esta operação, lança fios paralelos que distam aproximadamente um centímetro dos outros, no sentido perpendicular ao bordado. Estes fios são presos por pontos espaçados de meio centímetro. Denominam-se prisões e aqui uma alusão ao casamento que é a prisão de dois seres que se amam.

Outros pontos mais complexos e alguns de origem oriental, vão enriquecer as colchas híbridas e em especial as eruditas.

Os pontos mais conhecidos são: frouxo, pé de flor, atrás, cadeia, espinha, lançado, lançado espinhado, margarida, recorte simples, recorte contrariado, galo, galo travado, galo com variantes, nó, embutido, fundo, matiz, formiga, asna, coroa, pena, grilhão.

A aplicação dos pontos depende do gosto da bordadeira que procura equilibrá-los de modo a formar uma textura agradável.

Escolhidos os motivos simbólicos que vão preencher o campo e a barra, faz-se o seu desenho em folhas de papel vegetal. Como as colchas são de simetria binária, basta apenas fazer um desenho de um quarto da colcha.

Numa mesa comprida ou no chão estende-se o linho de origem caseira. Antigamente o pano era riscado a tinta, hoje emprega-se o papel químico de preferência amarelo porque deixa marcas suaves.

Seis bordadeiras, três de cada lado, bordam o linho segundo as cores e os pontos escolhidos.

Terminado o bastidor, desmancha-se e enrola-se a parte bordada, ficando a outra livre para se continuar o trabalho. Assim se vai procedendo até ficar pronta.

É novamente estendida sobre uma mesa ou no chão para se verificar se há algum engano que seja preciso corrigir.

Num tear apropriado uma das bordadeiras tece ainda uma franja que é aplicada depois de a colcha ser passada a ferro.

O trabalho fica concluído com a aplicação de um forro de chita.

A colcha dá muito trabalho e as seis bordadeiras demoram um mês ou mais a executar.

Referência Bibliográfica:
Silva, Paulo Fernando Teles de Lemos, Bordados Tradicionais Portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006
Bordado de Castelo Branco. Catálogo de Desenhos. Colchas I,
Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, Lisboa, IPM, 1992

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sábado, outubro 27, 2007

Trajo Domingueiro – Malpica do Tejo – Beira Baixo

Este é um traje de festa feminino da 1ª metade do século XX, onde se destaca a camisa com “folhadura e renda larga da moda velha” feita pelas mãos das mulheres.
A camisa é de linho de corte tradicional, isto é, com cabeção e fralda. Decote guarnecido com folhos de renda, caído sobre os ombros. Peitilho abotoado no centro, dec
orado com pregas e bainhas abertas e bainhas abertas. As mangas são largas e pregueadas na parte superior e bordadas junto aos punhos.
O colete de lã vermelho possui um grande decote quadrado e cavas profundas, sendo ajustado na frente com cordão e decorado com gregas de várias cores.

A saia de cima é de castorina vermelha, sem cós, mas com fita na cintura, ornamentada na orla com motivos florais recortados, cercadas de tecido preto, em forma de barra. Avental de sarja preta, com algibeira, decorado na orla com gregas de várias cores.
Na cabeça, lenço de algodão estampado com várias cores atado atrás e laço cor-de-rosa ao pescoço. Calça meias de algodão branco rendadas e sapatos pretos.
Ornamenta-se com argolas de ouro nas orelhas e cordões de ouro ao peito.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
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quarta-feira, outubro 24, 2007

Trajo Feminino – Miranda do Douro – Trás-os-Montes


Aparentemente sóbrio, este trajo esconde peças de intenso colorido no colete, na faixa e no saiote amarelo, vermelho, azul ou verde, com largos bordados e fitas aplicadas na orla. As raparigas gostavam de exibir o saiote como saia, tal como a algibeira presa na cintura, embora o usassem sobretudo no Inverno, só o mostravam quando levantavam a saia de fora, durante os trabalhos do campo. A mantilha, usada no tempo frio, nunca deixou de acompanhar as mulheres de respeito nas suas saídas à rua.
A mulher transmontana usa uma camisa de linho, de cós guarnecido de caneluras e mangas compridas com punho. Casaquinha de saragoça preta, justa ao corpo. Nas costas, sobre a linha da cintura, o rabicho. Colete de seda lavrada em tons policromados, aberto na frente, ajustado com cordão e ilhós. Entre o colete e a camisa, baixa de lã, aconchegando o busto. Saia de fora de saragoça preta, farta de roda, franzida na cintura, excepto na frente para evitar avolumar a barriga. Junto à orla, duas barras de veludo aplicadas. Na cabeça, lenço e mantilha de saragoça preta, descendo até meio da perna. Calça meias brancas rendadas e sapatos de bezerro apertados com ilhós e lingueta.
Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
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segunda-feira, outubro 22, 2007

Trajo “Arraiano” – Idanha-a-Nova – Beira Baixa

Este trajo é proveniente de uma região fronteiriça, entre Portugal e Espanha, com grandes tradições de contacto, sobretudo comercial. Sendo famosas as histórias do contrabando entre ambos países.
Era usado tanto pelas mulheres solteiras como pelas casadas em determinadas datas festivas.
Fazia também parte deste trajo uma casaca muito cintada, com peitilho de veludo pregueado de cor diferente. As mangas eram justas, com o punho enfeitado com folhos e rendas. Sobre a casaca, usava-se o xaile de caxemira.
Os xailes de caxemira, bordados manualmente a seda, formando motivos florais, e orla guarnecida de franjas de lã, que vinham antigamente de Espanha, foram mais tarde substituídos pelos estampados de Alcobaça.
A mulher usava blusa de algodão branco, abotoada na frente e decorada com rendas ou bordados. Saia de lã, com tons alegres e vivos, pregueada, excepto na frente (saia de barriga lisa) decorada com barras pretas. Sobre a saia, avental preto, decorado com bordados e galões.
Cruzado sobre o peito, um lenço florido com cores vivas, com as pontas caídas sobre as costas. Na cabeça, lenço de lã estampado, cruzado na nuca e atado na testa.
Calça meias rendadas brancas e sapatos ou chinelas.
Adornam as orelhas com argolas de ouro e ao pescoço usam a “coleira” que é a primeira peça de ouro, oferecida pelos pais.
Na imagem todas as mulheres usam um adufe. Trata-se de um instrumento de precursão de forma quadrangular, de armação em madeira e revestido a couro, que acompanha os cantares das mulheres beirãs.
O pequeno filme que se segue é exemplificativo da forma como se toca o adufe, acompanhado, neste caso, uma das canções mais emblemáticas da Beira Baixa, “Senhora do Almurtão”.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
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Beira-Baixa

terça-feira, setembro 11, 2007

Trajos e ir à feira (boieiros) – S. Pedro de Rates – Douro Litoral


As deslocações às feiras sempre se reverteram de grande importância. A possibilidade de efectuar bons negócios com a venda dos produtos da terra, investindo estes proventos na aquisição de bens que não produz, motivou desde sempre os homens. Era também uma forma de tomar contacto com as novidades, as noticias ou efectuar uma determinada compra, antevendo uma ocasião especial.
Estes trajos representam os boieiros de S.Pedro de Rates, freguesia do Concelho de Póvoa do Varzim, quando se deslocavam às feiras com o seu gado.
Neste conjunto, destaca-se no trajo da rapariga o tecido caseiro da saia e do avental, localmente conhecido por “trezes”. Esta designação ficou a dever-se às três fibras usadas na tecelagem, lã, linho e algodão. Também devido aos três pedais ou peanhas pertencentes ao tear onde era produzido. Quanto ao “chapéu de pano”, como era conhecido, embora sendo de feltro castanho ou preto, comprava-se na Póvoa do Varzim, numa chapelaria já desaparecida.
O homem veste uma camisa de linho, com colarete, aberta sobre o peito com pregas e carcela formando peitilho, manga comprida sem cavas, decorada com preguinhas miúdas na parte superior. Calças compridas de tecido preto, ajustadas na cintura com faixa preta. Colete do mesmo tecido, com bolsos. Cobre a cabeça com chapéu de feltro preto e calça sapatos da mesma cor.
A mulher veste camisa de linho branco, decote guarnecido com duplo folho bordado a branco, aberta no peito, manga comprida, bordada a branco no cimo e refegos junto ao pulso, terminando com folho. Saia de “trezes” com preguinhas junto à cintura e barra azul. Avental do mesmo tecido, franzido na cintura. Atada à cintura, por debaixo do avental, uma algibeira de tecido azul decorada com pespontos. Faixa preta sobre as ancas, arregaçando a saia e o avental.
Cruzado sobre o peito, lenço de lã estampado com motivos florais, policromados, terminado com franja vermelha. Na cabeça, lenço atado atrás sobreposto por “chapéu de pano” de copa baixa e aba larga. Sobre o peito pendem cordões e corações e nas orelhas pequenas argolas.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
Site recomendado:
Câmara Municipal de Póvoa do Varzim
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quinta-feira, julho 26, 2007

Trajos da Eira – Boidobra – Beira Baixa

Estamos perante trajos de Verão, usados aquando da limpeza do cereal na eira. Os tecidos são simples e frescos, cobrindo todo o corpo, evitando que o pó entre em contacto com a pelo, causando irritações desagradáveis.
A mulher no trabalho da eira usa blusa de algodão riscado, com pequena gola em banda, abotoada à frente com botões, manga comprida com punho. Saia de tecido de algodão vermelho, franzida na cintura e protegida na frente por um avental comprido de algodão estampado, com bolsos.
Na cabeça usa um lenço de algodão estampado, com as pontas laterais atadas sobre o chapéu de palha de abas largas, calça socos com rasto de pau. São instrumentos de trabalho a pá e o forcado.

O homem veste camisa de algodão de manga comprida, ou, por vezes, apenas a camisola interior de malha. Veste calças de cotim em tons de azul, ajustadas na cintura pela faixa preta. Por debaixo das calças, veste ceroulas de tecido de algodão, ajustadas junto aos tornozelos com fita de nastro. Na cabeça, para proteger do impiedoso sol de Verão, chapéu de palha de aba larga e ao pescoço lenço tabaqueiro, que lembra a necessidade de limpar o suor do rosto durante o trabalho árduo.
Calça socas sem meias. Como instrumento de trabalho usa o malho e para aplacar a sede traz presa à cinta uma cabaça.

Fonte: Ribas, T., O Trajo Regional em Portugal, Difel, 2004

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sexta-feira, setembro 29, 2006

Trajes da Ilha da Madeira

A origem e a evolução do traje da Madeira é alvo de muitas especulações. Pensa-se que teve influências várias, quer nacionais, quer estrangeiras, nomeadamente minhotas, mouriscas, africanas e da Flandres. Existem diferentes trajes, sendo a distinção evidenciada pela região de origem, já que os microclimas existentes na ilha determinavam o tipo de vestuário.
No Funchal, em Machico e Santa Cruz, existia um tipo definido de vestuário feminino onde predomina a cor vermelha. A saia era de lã, de cor única ou listada, colete ou corpete vermelhos e uma carapuça azul completava esta indumentária. Na Ponta do Sol as mulheres usavam capas, sendo de cor vermelha para as casadas e solteiras e azuis para as viúvas.
Nas regiões altas, como na Ribeira Brava a forma de vestir era bem diferente. As raparigas usam saia preta com listas vermelhas ou pretas e amarelas, blusa branca, tipo polaca guarnecida de rendas e lenço vermelho. Uma saia igual é colocada aos ombros, servindo de capa. Usam também saia de lã de ovelha tingida de vermelho com listas horizontais ou de lã preta, igualmente com listas horizontais, típicas da freguesia da Serra d'Água. Vestiam saia e capa de bicos de baeta azul, características das zonas mais baixas, quando vinham à missa ao domingo. Por vezes utilizavam a saia ao contrário quando estavam em casa, voltando-a para o lado direito quando saíam. Também a maneira de vestir era distinta em relação ao seu estado civil. A mulher casada usava saia e capa de cor negra, listada a vermelho e complementada com um avental multicolor.
Ao longo dos anos o traje masculino não sofreu muitas alterações. Usavam calção branco com franzido sobre o joelho (com elástico ou com cós); a camisa de pregas, sendo o seu número muito variável, e podiam ser bordadas ou não. Nos últimos tempos era usada uma faixa do mesmo linho do calção, com as pontas franjadas e chegando à curva da perna. No entanto, este adorno era usado apenas pelos servidores de casas ricas.
Os homens das zonas serranas usavam o jaleco e calças de seriguilha castanha para o trabalho. Para a missa as calças, o colete ou o casaco eram de seriguilha preta. A camisa era de estopa para o trabalho e de linho fino para a missa. Na cabeça usavam barrete de lã de ovelha, branca ou castanha.
Tanto os homens como mulheres usavam botas, chamadas botachas ou bota-chã e eram feitas de pele de vaca curtida. A parte superior da bota era virada para fora e descia até ao tornozelo, sendo enfeitada com uma fita vermelha.