É bastante difícil determinar com exactidão a data e as origens dos Bordados de Filé. Há quem diga que é tão antigo como o homem. O “filé” pode ser distinguido entre o “filé” simples e o “filé” bordado. O “filé” simples é uma simples rede constituída por nós, pelo que também é chamada de rede de nó e executa-se da mesma maneira que a rede dos pescadores, que aliás muitas pessoas afirmam que lhe serviu de modelo. Já na antiguidade os egípcios bordavam “filé” simples com pérolas de vidro. Podemos encontrar nos nossos dias, na ala Egípcia do Museu Louvre, trabalhos desta época e com esta técnica.
O “filé” foi bordado ainda noutras partes do globo, por exemplo na Pérsia onde este era bordado a ouro e prata sobre tecidos de seda.
Em Itália foram também encontrados bordados de “filé” no espólio de Dª Catarina de Médicis que tinha grande apreço por este tipo de bordados, assim como no de suas filhas e de suas criadas que passavam grande parte dos dias dedicada ao bordado de quadros em “filé”.
Foram descobertos no seu espólio cerca de 381 quadros deste num cofre e 538 noutro. Quando falamos dos bordados na freguesia de Pombeiro e que podemos apreciar ao longo da estrada nacional que liga Felgueiras a Guimarães, estamo-nos a referir ao “filé” bordado que utiliza o “filé” simples como suporte a um bordado a fio de linho, de algodão ou de seda, em que certos quadrados da rede são tapados de acordo com o desenho que se escolheu.
Em Felgueiras pensa-se que tudo teve origem em trabalhos bordados com cerca de duzentos anos que pertenciam ao Mosteiro de Pombeiro. Alguns destes panos serviam como decoração aos altares.
Na região, actualmente existem poucas bordadeiras do “filé”.
Antigamente chegaram a existir cerca de setenta a oitenta bordadeiras, mas ao longo dos tempos vários factores condicionaram esta arte em vias de extinção. As fábricas de calçado absorveram quase toda a mão-de-obra da região, e o trabalho mal pago das bordadeiras ajudaram ao abandono das pessoas nesta arte.
A bordadeira começava a aprender ainda menina, com oito ou nove anos. Primeiro, só dois tipos de pontos, e só depois, todos os outros.
Antigamente os trabalhos eram expostos ao longo da estrada, e vendiam-se muito bem mas, nos dias de hoje, o “filé” tem tendência a terminar. Não existe nenhum incentivo para salvaguardar estes bordados nem por parte do governo nem da Câmara Municipal o que leva muitas mulheres a deixar de bordar.
Actualmente utilizam-se debuxos de trabalhos antigos, mas vão sendo introduzidos novos desenhos.
Actualmente são efectuados trabalhos de todo o género, cortinas, toalhas de mesa, colchas, rendas para lençóis e até roupas, no entanto, os trabalhos mais executados antigamente eram de facto as rendas para os lençóis e travesseiros e as rendas para os aventais, punhos e palas para as criadas dos senhores das casas mais abastadas.
TÉCNICA DOS BORDADOS DE FILÉ
Os Bordados de Filé não são como os outros bordados. Nos outros bordados as riscadeiras riscam o desenho e depois as bordadeiras bordam, mas no Bordado de Filé, a bordadeira tem como base do trabalho, uma rede. Essa rede é parecida com a rede de pescador, mas é feita com fio de algodão. As redes são feitas geralmente com fio cru ou de cor branca, dependendo dos trabalhos, mas em casos específicos podem ter outras cores. Esta rede tem de ter o tamanho do trabalho que se pretende realizar, e é feita com pequenos quadrados que variam também em conformidade com o trabalho pretendido. Por exemplo (três quadrados ao centímetro) ou (um quadrado ao centímetro). A espessura do fio de algodão também conta para os diferentes tipos de trabalho em “filé”.
Um trabalho bordado em “filé” pode incluir vários pontos, mas os pontos mais utilizados são o cerejido, o ponto a cheio, o ponto russo, o ponto de neve, o ponto formiga, o ponto de cruz, o ponto de estrelas, o ponto lérias, o ponto de argola, o ponto de olho de rola, e vários pontos de fantasia.
As redes dos trabalhos são presas com pequenas taxas em bastidores de madeira no tamanho da peça a realizar onde são bordadas e posteriormente retiradas.
Os Bordados de Filé geralmente utilizam um ponto de cercadura chamado de remate, que evita o remate de outra forma, sendo necessário apenas no final do trabalho, cortar com uma tesoura alguns fios que prendiam a rede ao bastidor.
O “filé” foi bordado ainda noutras partes do globo, por exemplo na Pérsia onde este era bordado a ouro e prata sobre tecidos de seda.Em Itália foram também encontrados bordados de “filé” no espólio de Dª Catarina de Médicis que tinha grande apreço por este tipo de bordados, assim como no de suas filhas e de suas criadas que passavam grande parte dos dias dedicada ao bordado de quadros em “filé”.
Foram descobertos no seu espólio cerca de 381 quadros deste num cofre e 538 noutro. Quando falamos dos bordados na freguesia de Pombeiro e que podemos apreciar ao longo da estrada nacional que liga Felgueiras a Guimarães, estamo-nos a referir ao “filé” bordado que utiliza o “filé” simples como suporte a um bordado a fio de linho, de algodão ou de seda, em que certos quadrados da rede são tapados de acordo com o desenho que se escolheu.
Em Felgueiras pensa-se que tudo teve origem em trabalhos bordados com cerca de duzentos anos que pertenciam ao Mosteiro de Pombeiro. Alguns destes panos serviam como decoração aos altares.
Na região, actualmente existem poucas bordadeiras do “filé”.
Antigamente chegaram a existir cerca de setenta a oitenta bordadeiras, mas ao longo dos tempos vários factores condicionaram esta arte em vias de extinção. As fábricas de calçado absorveram quase toda a mão-de-obra da região, e o trabalho mal pago das bordadeiras ajudaram ao abandono das pessoas nesta arte.
A bordadeira começava a aprender ainda menina, com oito ou nove anos. Primeiro, só dois tipos de pontos, e só depois, todos os outros.
Antigamente os trabalhos eram expostos ao longo da estrada, e vendiam-se muito bem mas, nos dias de hoje, o “filé” tem tendência a terminar. Não existe nenhum incentivo para salvaguardar estes bordados nem por parte do governo nem da Câmara Municipal o que leva muitas mulheres a deixar de bordar.
Actualmente utilizam-se debuxos de trabalhos antigos, mas vão sendo introduzidos novos desenhos.
Actualmente são efectuados trabalhos de todo o género, cortinas, toalhas de mesa, colchas, rendas para lençóis e até roupas, no entanto, os trabalhos mais executados antigamente eram de facto as rendas para os lençóis e travesseiros e as rendas para os aventais, punhos e palas para as criadas dos senhores das casas mais abastadas.
TÉCNICA DOS BORDADOS DE FILÉ
Os Bordados de Filé não são como os outros bordados. Nos outros bordados as riscadeiras riscam o desenho e depois as bordadeiras bordam, mas no Bordado de Filé, a bordadeira tem como base do trabalho, uma rede. Essa rede é parecida com a rede de pescador, mas é feita com fio de algodão. As redes são feitas geralmente com fio cru ou de cor branca, dependendo dos trabalhos, mas em casos específicos podem ter outras cores. Esta rede tem de ter o tamanho do trabalho que se pretende realizar, e é feita com pequenos quadrados que variam também em conformidade com o trabalho pretendido. Por exemplo (três quadrados ao centímetro) ou (um quadrado ao centímetro). A espessura do fio de algodão também conta para os diferentes tipos de trabalho em “filé”.
Um trabalho bordado em “filé” pode incluir vários pontos, mas os pontos mais utilizados são o cerejido, o ponto a cheio, o ponto russo, o ponto de neve, o ponto formiga, o ponto de cruz, o ponto de estrelas, o ponto lérias, o ponto de argola, o ponto de olho de rola, e vários pontos de fantasia.As redes dos trabalhos são presas com pequenas taxas em bastidores de madeira no tamanho da peça a realizar onde são bordadas e posteriormente retiradas.
Os Bordados de Filé geralmente utilizam um ponto de cercadura chamado de remate, que evita o remate de outra forma, sendo necessário apenas no final do trabalho, cortar com uma tesoura alguns fios que prendiam a rede ao bastidor.
Referência Bibliográfica:
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006


