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quarta-feira, junho 22, 2011

Participantes da Exposição Nacional do Trajo ao Vivo

Tendo em consideração o magnifico espectáculo a que assisti em Porto de Mós, pareceu-me que se deveria referenciar os grupos participantes.

A FFP fez-me o favor de remeter a relação dos grupos que participaram, o qual agradeço, aproveitando para felicitar os elementos do 74 ranchos presentes pelo extraordinário trabalho que têm feito em prol da defesa do património cultural português.
Aqui fica a listagem deste grupos e a região que representam.
Bem hajam!


Grupo Folclórico Casa do Povo de Arões
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico de S. Martinho do Campo
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico de Santa Cristina do Couto
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande
Baixo Minho - Ave
Rancho Etnográfico de Santa Maria de Negrelos
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico "As Ceifeirinhas do Vale Mesio"
Entre Douro e Minho
Rancho Folclórico de Aldeia Nova
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico de Gens
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico de Zebreiros
Douro Litoral - Norte
Rancho Típico de S. Mamede de Infesta
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico da Ass. Cult. e Desp. de Mindelo
Douro Litoral - Norte
Grupo Folclórico das Terras da Feira - Casa da Gaia
Douro Litoral - Centro
Grupo Etnográfico de Sandim (Casa da Eira)
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico "As Lavradeiras de Pedroso"
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico "As Trigueirinhas do Pisão"
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Canelas
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Canidelo
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Stª Maria do Olival
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de S. Tiago de Silvalde
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico e Cultural de Nª Senhora do Monte de Pedroso
Douro Litoral - Centro
Rancho Regional Recordar é Viver de Paramos
Douro Litoral - Centro
Grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira
Douro Litoral - Sul
Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão da Feira
Douro Litoral - Sul
Rancho Folclórico de Gouxaria
Ribatejo
Grupo Etnográfico Danças e Cantares de Alverca do Ribatejo
Ribatejo
Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermêdo e Mato
Douro Litoral - Sul
Grupo Folclórico "As Lavradeiras de S. João de Ver"
Douro Litoral - Sul
Grupo Folclórico de Palmaz
Douro Litoral - Sul
Rancho Folclórico "As Florinhas" de Caldas de S. Jorge
Douro Litoral - Sul
Grupo de Danças e Cantares de Cortegaça
Beira Litoral - Vareira
Grupo de Danças e Cantares de S. Pedro de Maceda
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "As Tricanas de Ovar"
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "O Cancioneiro de Ovar"
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "Os Fogueteiros de Arada"
Beira Litoral - Vareira
Rancho Folclórico "Os Camponeses da Beira-Ria"
Beira Litoral - Vareira
Rancho Folclórico da Ribeira de Ovar
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclore Danças e Cantares do Fial
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo Folclórico Cultural e Recreativo de Albergaria-a-Velha
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo Folclórico e Etnográfico de Albergaria-a-Velha
Beira Litoral - Baixo Vouga
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Angeja
Beira Litoral - Baixo Vouga
Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo de Folclore do Melriçal
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico Camponeses do Mondego
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Rancho Folclórico e Etnográfico Zagalho e Vale do Conde
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Etnográfico da Região da Lousã - GERL
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico Danças e Cantares da Ass. Cult. Vilarinho
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Espariz
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Ponte de Sor
Alentejo
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Redondo
Alentejo
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Tábua
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico de Gouveia
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico de Boidobra
Beira Baixa
Rancho da Região de Leiria
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "As Lavadeiras do Vale do Lena"
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "As Tecedeiras" de Bidoeira de Cima
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "Flores Verde Pinho" do Coimbrão
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Alegrias do Campo de Carnide
Alta Estremadura
Rancho Folclórico da Sociedade Recreativa Cabeça Veada
Alta Estremadura
Rancho Folclórico de S. Guilherme
Alta Estremadura
Rancho Folclórico do Penedo
Alta Estremadura
Rancho Folclórico dos Moleanos
Alta Estremadura
Rancho Folclórico dos Soutos da Caranguejeira
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Peixeiras da Vieira
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Rosas do Lena
Alta Estremadura
Rancho Folclórico da Freguesia de Pussos
Alta Estremadura
Rancho Folclórico de Mira de Aire
Alta Estremadura
Rancho Folclórico e Etnográfico de Casais de Revelhos
Templários
Grupo Folclórico "Os Camponeses" D. Maria
Estremadura Centro - Saloia
Grupo Folclórico "Os Saloios" da Póvoa da Galega
Estremadura Centro - Saloia
Rancho Folclórico "As Lavadeiras" do Sabugo
Estremadura Centro - Saloia
Rancho Folclórico e Etnográfico "Danças e Cantares" da Mugideira
Estremadura Centro - Saloia
Rancho Folclórico São Miguel do Milharado
Estremadura Centro - Saloia

segunda-feira, setembro 22, 2014

AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II – DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES

Antes de ser um elemento de composição etnográfica, no sentido decorativo, a algibeira foi uma bolsa de uso popular. Simples, sem lantejoulas ou bordados, eram sobretudo peças utilitárias, quer no dia-a-dia, como em dias de especial veneração.

Este artigo é a continuação da abordagem a este tema iniciado em AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I – MINHO, passando a apresentar exemplares provenientes das coleções do Museu Nacional do Traje e da Moda (Lisboa) e Museu da Terra de Miranda.

MUSEU NACIONAL DO TRAJE E DA MODA (Lisboa)

Local de Execução: Porto
Datação: Sem data na ficha
Matéria: Lã azul escura; lã castanha; algodão vermelho; algodão amarelo.
Dimensões (cm): altura: 26; largura: 16;
Descrição: Algibeira de traje de Varina, de tecido de lã azul escura guarnecida com fita de lã castanha. Na parte da frente, aplicação de fita sarjada vermelha formando quadrado e fita de algodão amarelo (grega) formando decoração geométrica. Na parte superior da algibeira, aplicação de tira do mesmo tecido, guarnecida com fita de lã castanha e com aplicações de fita de algodão amarelo, formando bico na frente e apertando na parte superior da abertura com mola de metal pobre pintado de preto.
Proveniência: Porto – Doação de Madalena Pagani Furtado

MUSEU DA TERRA DE MIRANDA (Miranda do Douro)

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão e adamascado
Dimensões (cm): altura: 21; largura: 15;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã azul. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em adamascado bege. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão amarela, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido preto com motivos florais. A algibeira é ainda bordada na frente em lã vermelha e amarela, formando motivos florais.
Proveniência: Miranda do Douro

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão e adamascado
Dimensões (cm): altura: 20; largura: 14;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã azul. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em adamascado vermelho. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão amarela, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido preto e branco.
A algibeira é ainda bordada na frente em lã branca e rosa formando motivos florais.
Proveniência: Miranda do Douro


Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã e algodão.
Técnica: Técnica do picado. Utilizado nas Capas de Honras.
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 18;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã verde. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango também verde. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão verde, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão amarelo e roxo. A algibeira é ainda bordada na frente, na técnica do picado em tom preto, e, bordada com fio de lã vermelho e amarelo, formando motivos florais.
Proveniência: Miranda do Douro

Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã e algodão.
Técnica: Técnica do picado. Utilizado nas Capas de Honras.
Dimensões (cm): altura: 24; largura: 15,5;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã verde. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango também verde. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão preto, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão castanho e branco. A algibeira é ainda bordada na frente, na técnica do picado, em tom castanho.
Proveniência: Miranda do Douro
 

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão e veludo.
Dimensões (cm): altura: 25; largura: 18;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã amarela. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em veludo preto e em adamascado azul. O losango é contornado por uma fita vermelha, a algibeira por uma fita azul e outra vermelha na parte superior pendendo a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão castanho e cinza. A algibeira é ainda bordada na frente, com fio de lã preto e verde.
Proveniência: Miranda do Douro


Datação: XX d.C.
Matéria: Lã e algodão.
Técnica: Técnica do picado. Utilizado nas Capas de Honras.
Dimensões (cm): altura: 24,5; largura: 16,5;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã vermelha. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango também vermelho. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão vermelho, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão vermelho. A algibeira é ainda bordada na frente, na técnica do picado em tom preto, e, bordada a fio de lã verde e branco na parte inferior do losango.
Proveniência: Miranda do Douro

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão, tafetá, veludo e adamascado.
Dimensões (cm): altura: 29; largura: 20,5;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã vermelha. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em veludo preto e adamascado beje. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão verde, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido tafetá verde. A algibeira é ainda bordada na frente com fio de lã amarelo, azul e rosa.
Proveniência: Miranda do Douro

 
 
Datação: XX d.C.
Matéria: Algodão e pano linho.
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 18;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em algodão azul. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em pano linho. O losango é contornado por uma fita de algodão preto e rosa, a algibeira é contornada por uma fita vermelha, cujas pontas pretas são utilizadas para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de pano linho. A algibeira tem ainda aplicada uma renda contornando o losango.
Proveniência: Doação da artesã Adília Rosa Moreno

 
 
Outros artigos relacionados:
AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I– MINHO
Algibeira - Minho

sábado, janeiro 12, 2008

Imagens do Douro


A revista Evasões publicou, conjuntamente com o seu número de Outubro de 2007, um suplemento sobre o Douro. Neste encontram-se algumas fotografias de dois fotógrafos que registaram em imagem o quotidiano do Douro do final do sec.XIX e inicio do séc. XX, Emílio Biel e Domingos Alvão.

Pela sua riqueza etnográfica não quis deixar de colocar à vossa disposição algumas dessas imagens e deixa-vos uma breve biografia destes dois homens.

Carl Emil Biel, que após a sua vinda para Portugal passou a usar o nome de Carlos Emílio Biel, nasceu na Alemanha a 18 de Setembro de 1838 e faleceu no nosso país com quase 77 anos, depois de uma vida surpreendentemente activa e interessante, passada sobretudo na cidade do Porto. O uso industrial da fototipia, introduzida em Portugal por Carlos Relvas, foi possivelmente a área onde a actividade empresarial de Emílio Biel mais se distinguiu, facto a que não terá com certeza sido alheio o seu interesse pela fotografia. À época em que o Bilhete Postal Ilustrado (BPI) iniciou no nosso país a sua idade de ouro, Emílio Biel dispunha assim já de uma elevada sensibilidade artística, à qual se associavam todos os recursos técnicos necessários para lhe permitir converter-se num dos nossos principais editores . Tendo produzido cerca de 500 BPI, dos quais pelo menos cerca de metade dizem respeito à cidade do Porto.

Domingos do Espírito Santo Alvão, “Nasceu no Porto em 1869, no campo da regeneração, no seio de uma família da nova burguesia.
Iniciou a sua actividade na Casa Biel (de Emílio Biel), e, depois de um breve estágio por Madrid, entra como operador-gerente para o estabelecimento do capitalista Leopoldo Cyrne, o Foto-Velo Clube, situado na rua de Santa Catarina, n.º 120. Em 1903 estabelece a sua própria casa no Velo-clube, que passaria então a chamar-se «Fotografia Alvão».

Além de ter sido o fotógrafo oficial das grandes empresas e instituições e do próprio Estado, foi várias vezes distinguido nacional e internacionalmente, é considerado um dos maiores fotógrafos do século XX. Nas suas imagens utiliza o grande plano como enquadramentos médios e aproximados, numa óptica de retratismo/documentarismo muito em voga na época.” (CVRVV, Ed. Internet).








Fonte bibliográfica:
Suplemento “Douro” da revista Evasões nº 114 de Outubro de 2007

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sexta-feira, outubro 31, 2008

Tamancos e Socos - Entre Douro e Minho

Segundo alguns autores, terá sido na região de Entre Douro e Minho a área primitiva do aparecimento do calçado de pau em Portugal.
Existiu em Guimarães uma confraria dos sapateiros, sob a evocação de Santa Maria, cuja constância no tempo vem desde o século XIII e se projectara numa continuidade admirável sob o título abreviado de Irmandade de S. Crispim, tendo sido fundada em 1315 pelos sapateiros João Baião e Pedro Baião.
Uma sátira em verso do séc. XVIII, que define os habitantes de Entre Douro e Minho, faz-se referência ao calçado de pau.
“Homem de Entre Douro e Minho
Calça de pau e veste linho,
Bebe vinho de enforcado,
Traz o porco escangado,
Foge dele como do diabo.”
Se bem que em tempos passados o povo tivesse andado descalço, este calçado impunha-se como meio de protecção na realização de alguns trabalhos agrícolas, tendo por isso os seus melhores defensores na gente da lavoura.
Feito de pau de amieiro e um pouco de couro, este calçado humilde tem também a sua história.
Popularmente, os tamancos têm as designações de socos e taroucos. Se a pessoa que os usava era uma mulher, os tamancos eram designados por tamancas, os socos por socas, e os taroucos passavam a ser taroucas.
A propósito deste assunto, José Leite de Vasconcelos, o mestre da etnologia, refere que “as mulheres usam tamancas ou socas, que são menores e mais apuradas do que os tamancos, mas com sola de madeira”.
De qualquer forma, o tamanco era mais usado pelo homem e o soco mais usual na mulher, sendo inquestionável que este foi o calçado dos pobres, sem esquecer que também os ricos o usaram em muitas emergências do tempo e da fortuna.
As próprias condições físicas do terreno foram as inspiradoras do artífice tamanqueiro. Nas terras do litoral, o pau do tamanco é raso. No interior, o tamanco começa a arquear a biqueira. Já nas terras bravas das serras, o tamanco arqueia ainda mais, cingindo o couro mais ao pé, para melhor se acomodar ao terreno e à marcha.

As oficinas dos tamanqueiros situavam-se sobretudo nas recônditas aldeias. O tamanqueiro talhava as peles (de couro para os socos de homem e de crute para os socos de mulher), e pregava-as aos paus. Utilizava moldes de cartão grosso para cortar as peles e uma forma para fixar o cabedal ao pau de amieiro através de tachas. O artífice percorria as aldeias em busca do amieiros, que só podia ser cortado nas quadras da lua. O fabrico do tamanco era sobretudo um trabalho de Inverno, pois aproveitavam as Feiras de Verão para vender os seus produtos.
Os socos não eram só para uso no trabalho, mas também aos domingos, dias de festa e mesmo para certos actos de maior importância, como casamentos. No caso dos actos cerimoniosos, eram muitas vezes usados socos feitos de melhores matérias e acabamentos mais luxuosos, mas como eram dispendiosos apenas estavam ao alcance de uma pequena minoria. Ainda assim, muitas vezes durante o trajecto para um acto cerimonioso ou na deslocação para uma povoação, o soco era mantido debaixo do braço para não se estragar e só à chegada o calçavam.
A seguir descrevem-se alguns tipos de socos:


Soca Curta – Soca de bico arredondado, salto baixo, e em que as pontas dos “cortes” terminam próximo da quina do salto. Os paus podem ser pintados de preto ou à cor natural, sendo forrada no interior. Este é um modelo muito popular mesmo noutras regiões.
Soca Inteira – É um tipo de soca, de mulher, mais fechada, em que as “orelhas” dos “cortes” se juntam atrás sobre o salto, ficando acima deste cerca de 2 cm. O bico é arredondado e o salto alto. Sendo forrada internamente com uma palmilha.

Soco Rebelo – As orelhas dos cortes são mais altas do que no soco poveiro, juntando-se atrás sem se sobreporem. Neste tipo de soco, a forma é metida a maço e os cortes batidos e alisados com o cabo do martelo, a fim de se conseguir a curvatura do bico, que é a sua principal característica.

Soco Poveiro – É o soco, para homem, mais vulgar da região. O seu nome deve-se a ter sido a Póvoa do Varzim o seu presumível difusor. Soco de ponta redonda, em que as orelhas dos cortes se juntam atrás sem se sobreporem, ficando acima do salto cerca de 3 cm. É mais aberto que o soco rebelo. Como todo o tipo de soco para homem, o pau é de cor natural e sem palmilha no interior.
Chanca Rebela ou de Ponte de Lima – Fabrica-se de couro atanado dividido em duas peças denominadas “gáspea com biqueira” e “cano” ou “talão”. O “cano” ou “talão” é sobreposto à “gáspea”, fechando a frente através de um cordão de couro. A ponta é bicuda e um pouco arredondada. Antigamente eram feitas a partir do aproveitamento da botas velhas, às quais mandavam aplicar os paus.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Douro e Trás-os-Montes

Traje Domingueiro Feminino do Alto-Douro
Este traje compõe-se de blusa, saia e avental de formato semelhante ao traje domingueiro do Minho, sendo de realçar a configuração do colete. As cavas são profundas e o decote generoso, deixando antever o peito da camisa e a forma de ajuste por atilhos remete para a função de espartilho. No entanto, os “rabos” remetem este colete para uma origem barroca. O avental e a saia são decorados com finas rendas e fitas de veludo. O conjunto é acompanhado de um lenço branco e de um chapéu de veludo. Calça meias de renda brancas e chinelas de couro pretas.
A utilizadora deste traje é sem dúvida uma mulher de posses, pois adorna-se com fios, cordões e brincos de ouro e preciosas rendas e veludos, que em contrate com a severidade do negro mostram a figura de uma mulher habituada a gerir os seus haveres.

Traje masculino de Miranda do Douro
Composto por jaleca, calção, colete e polainas de saragoça castanha e preta, adornado por botões metálico ou de madeira. Trata-se de um traje de extraordinário requinte, nomeadamente no corte dos calções, onde a braguilha é encoberta por um alçapão de influência setecentista e a utilização de polainas, hábito que caiu em desuso na segunda metade do sec. XIX. O conjunto é ainda acompanhado por um amplo chapéu de feltro preto e por uma camisa de linho de cor natural.
O seu utilizador seria sem dúvida um homem abastado, pelo que deveria completar o conjunto com uma Capa de Honras de Miranda do Douro.

quinta-feira, outubro 29, 2015

Saiote (Saia de dentro ou Saia exterior em ocasiões festivas) – Trás-os-Montes

O saiote constituía uma das peças do trajar da mulher de Trás-os-Montes. É diferente do que geralmente se conhece como saiote, ou seja uma saia branca interior de linho ou algodão. A essa peça dá-se o nome em Trás-os-Montes de “Enágua” que é uma saia interior branca, de linho, ou então a parte baixa das camisas de linho femininas que antigamente chegavam ao joelho ou inclusive mais abaixo.
O saiote propriamente dito é uma saia igual à saia exterior, a diferença está em que o dito saiote era sempre de cores garridas (vermelho, azul, verde, amarelo, laranja etc..) e costumava ser exibido como saia de fora pelas raparigas jovens principalmente em ocasiões festivas.
De lã grossa, costumava ser feito de baeta ou burel tingido em casa e era engalanado, quando servia para um dia de festa, com fitas de veludo, saragoça preta picada (picado) ou bordados de lã.
Era usada todo o ano, fosse inverno ou verão e uma das suas funções seria a de realçar e aumentar as ancas femininas, padrão de beleza na época. Uma mulher com posses usava além da enágua um, dois ou até mais saiotes de lã. Por cima destes a saia de fora, de saragoça, estamenha ou burel geralmente de cores mais escuras (preto ou roxo).
 
Fonte: Rui Magalhães

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segunda-feira, setembro 28, 2015

Trajes Femininos de ir á missa - Nordeste Transmontano


Traje de mulher abastada

Mantilha de Saragoça preta
Lenço de lã estampado com franjas
Camisa de linho
Colete/ Justilho de brocado de seda estampado
Faixa de Lã vermelha bordada em lã (dentro do colete) envolvendo o busto
Saiote de linho (enáguas)
Saiote de baeta verde com fitas de veludo
Saia de fora em saragoça preta com fitas de veludo
Avental (Mandil) de seda lavrada com aplicação de veludo roxo
Sapatos pretos
Argolas de ouro
Colar de contas filigranadas de ouro com cruz de ouro
 

Traje de mulher (com menos posses)

Lenço de lã estampada
Xaile de lã
Camisa de linho
Colete/Justilho de linho
Faixa de Lã vermelha (dentro do colete) envolvendo o busto
Saiote de linho (enáguas)
Saiote amarelo de baeta com bordados em lã
Saia de fora de burel verde sem ornamentos
Avental (Mandil) de burel castanho
Meias de lã
Botas de pele de borrego
Colar de contas de coral vermelho com cruz de prata

Fonte: Rui Magalhães

Outros artigos relacionados:
Trás-os-Montes - contextualização histórica ecultural; Caretos de Podence; Miranda do Douro; A Coroça; Trajo Feminino deMiranda do Douro; AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II; Capa de Honra de Mirandado Douro; Traje deFesta de Rio de Onor – Bragança;

sábado, setembro 12, 2015

Traje de Festa de Rio de Onor - Bragança


Homem:
Camisa de Linho (Camissa de Linho)
Colete (Jaleco) de Saragoça Preta. Nas costas tecido de estopa com picados em Saragoça.
Calção de alçapão (Pantalonas de alçapon) de Burel Castanho.
Meias de algodão
Botas com Sola de Madeira (Socos/Cholas)
Chapéu (Sombreiro) com fita de Seda

 

 
 
Mulher:
Lenço (Pano) de Lã estampada
Camisa de Linho (Camissa de Linho)
Colete de Brocado Preto (Justilho)
Faixa de Lã vermelha (dentro do colete) envolvendo o busto
Avental (Mandil) de burel com bordados em lã
Saia de Baieta de lã Roxa, com fitas de veludo
Saiote interior de lã vermelha
Algibeira de lã amarela com picado em tecido preto (faltriqueira)
Sapato Preto
Colar de contas de azeviche preto com cruz de prata
Complemento - Pandeireta para animar os bailes

Nota: Os nomes a negrito encontram-se em dialecto de Rio de Onor.

Fonte: Rui Magalhães
 
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segunda-feira, agosto 12, 2013

O Ouro no Traje da Mulher – Entre Douro e Minho


O ouro que cada mulher ostentava, conforme a sua quantidade, indicava o seu estatuto social.
A joalharia portuguesa era um adorno complementar do traje. Num mundo de constantes flutuações políticas e económicas, a posse do ouro era tida, a par da terra, como o único investimento passível de ser transmitido de geração em geração.
“O povo dizia: “roupa quanta rompas, terra quanta vejas e ouro quanto possas”.
Os brincos são verdadeiros pontos de luz que iluminam, realçam e embelezam o rosto da mulher.
No passado, nenhuma mulher tinha sequer a veleidade de se apresentar em público sem brincos. Aliás, ninguém a desculpava. O povo era até cruel e impiedoso com ela. Mulher sem brincos não passava de uma “mulher fanada”. Por mais humilde e pobre que fosse, a mulher jamais se atreveria, quer no seu dia-a-dia, quer em dias de festa, feira e romaria a sair à rua sem eles. Apenas existia alguma compreensão e benevolência para a falta de brincos se, eventualmente, estes tivessem sido oferecidos, em momentos de grande angústia e desespero, a alguma divindade para cumprimento de qualquer promessa. Mesmo assim, a tolerância era relativa e muito curta no tempo. A mulher tinha que providenciar no sentido de adquirir de novo este importante adorno.
Na figura abaixo visualizam-se alguns dos brincos mais usados na região Entre Douro e Minho, destacando-se, em primeiro lugar, as arrecadas à carniceira. Rapariga que se prezasse, removia “mundos e fundos” para poder adquirir o popular traje à lavradeira, que envergava em grandes ocasiões, mas jamais o exibia sem colocar nas orelhas as avantajadas e vistosas arrecadas à carniceira.

As arrecadas à carniceira, também chamadas argolas de Barcelos ou de Cigana, muito em uso, especialmente nessa região. Estas peças começaram a ser muito divulgadas a partir do princípio deste século, em especial pelas mulheres dos talhantes (daí o seu nome) daquela cidade, atestando a sua situação económica com tamanhos que atingiam, por vezes, dimensões desproporcionadas. São peças ocas, de ouro polido com canovão de secção quadrada, de ganchos, com grande incorporação de mão-de-obra.

Arrecada à Carniceira

As arrecadas são as peças com antepassados mais antigos, aproximadamente 2.500 anos e com os mesmos motivos amuléticos. Forma lunular na “janela” ou “pelicano” na parte próxima dos ganchos; pequenas calotas côncavas dispersas (chocalhos afugentadores de maus espíritos); “SS” de filigrana (estilização de pássaros voando); triângulo invertido como remate (símbolo da fertilidade). São peças manuais em filigrana.

Arrecadas



Os brincos de meia libra refletem a utilização de moedas como adorno, não só como pendentes de cordões mas também das orelhas, sendo normalmente utilizadas libras ou meias libras.



Brincos de Meia Libra

Sendo assim, é imperioso que todos os agrupamentos folclóricos jamais olvidem este pormenor: no trabalho, a mulher não ostentava quaisquer elementos em ouro, mas os brincos jamais se separavam dela em todas as situações.

Fontes:
Conselho Técnico de Entre Douro e Minho
Viana Social e Cultural



terça-feira, março 06, 2012

Chapéu de Palha – Entre Douro e Minho

As diferentes regiões do país terão, certamente, os seus próprios modelos de chapéus, confecionados a partir da palha do centeio. Naturalmente que a nossa região também tem o seu modelo tipo de chapéu que, salvo um ou outro pormenor diferenciado entre terras mais afastadas, mas pouco relevante, se assemelha em todas elas.
A figura abaixo mostra-nos o tipo de chapéu, tanto masculino, como feminino, mais comum de Entre Douro e Minho.
Estes dois tipos de chapéu digamos que têm a mesma estética, todavia, existem algumas diferenças entre eles: enquanto que o da mulher tem a aba recurvada para baixo, o do homem tem-na para cima. Por outro lado, a aba do chapéu do homem era sempre adornada na sua extremidade com trança de bordo aos bicos, o da mulher poderia ser, ou não.
Estes são os únicos tipos de chapéu usados pelo povo, quer se dedicasse à lavoura, quer a outras profissões.
Convém referir que existiam chapéus, também de abas largas, mas arredondadas, com fita acetinada em redor da copa e com as pontas a descair na retaguarda, porém estes chapéus eram ostentados apenas por gente mais afidalgada.
Em alguns casos até os bordavam com fios de lã colorida.
O chapéu seguinte à direita é um produto da “revolução” verificada na indústria de chapelaria efetuada na década de 50 do século XX.
Por se assemelhar ao chapéu de feltro usado na época, rapidamente se popularizou em todas as terras, contudo, convém alertar que a época que os ranchos representam é muito anterior a esta. Sendo assim, torna-se imperioso retirá-lo rapidamente de circulação nas exibições públicas de modo a não ser passada uma imagem errada relativa aos usos das terras que os ranchos representam.
Fonte: Conselho Técnico de Entre Douro e Minho
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quinta-feira, janeiro 26, 2012

Lenços de Cabeça – Entre Douro e Minho

O hábito da mulher cobrir a cabeça vem de tempos imemoriais. Nas catacumbas (conjunto de corredores e quartos subterrâneos debaixo da cidade de Roma, onde os cristãos se escondiam na época da perseguição), existem muitos desenhos nas paredes feitos por esses mesmos cristãos, onde aparecem mulheres com a cabeça coberta por um véu. A própria Bíblia diz-nos em Coríntios: toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça porque é a mesma coisa que estivesse rapada (nua).
Talvez inspirados nos véus antigos terão nascido os lenços usados pelas mulheres durante séculos. A história dos lenços da cabeça é assim uma história antiga e cheia de curiosidades.
Há quem afirme que os lenços, tal como os conhecemos hoje, remontam ao tempo de D. João VI. Quando o barco em que seguia a família real fugida para o Brasil sofreu uma praga de piolhos, a futura rainha, Carlota Joaquina, foi obrigada a rapar os cabelos. Como naquele tempo uma princesa careca era algo inconcebível, ela passou a usar lenços para cobrir a cabeça, causando até alguma estranheza nos súbditos ao desembarcar no Brasil, porém, logo o hábito pegou e as mulheres começaram a imitá-la. Certamente que poderá tratar-se de uma história, contudo, o lenço da cabeça foi uma peça extremamente importante e fundamental da indumentária da mulher.
Sendo assim, sejam em que circunstâncias forem, as componentes de qualquer grupo ou rancho folclórico, jamais deverão abdicar do uso do lenço, seja nos trajes mais ricos, ou nos mais pobres e simples.

Lenços chineses
Os lenços chineses foram dos mais populares da região. Os agrupamentos de folclore devem apostar neste género de lenço e banir aqueles que não se identificam com as nossas gentes.
Certamente que a variedade de cores e desenhos outrora à venda, há largas décadas que desapareceram, porém, presentemente, existem algumas imitações no mercado especializado que poderão ajudar a remediar a falta de originais.

Lenços de merino
Os lenços de merino de lã, conjuntamente com os lenços chineses, foram largamente preferidos pelas mulheres do povo para se alindarem e botar figura em festas e romarias. As cores e os bordados eram ao gosto da pessoa que os utilizava.
Presentemente já não existe este tipo de tecido, contudo, a vaiela lisa (algo aparentada com o merino) poderá substituí-lo de modo a minorar a falta do tecido original.

Lenços de tapete
Os lenços de tapete fizeram as delicias das senhoras de Ente Douro e Minho, essencialmente em dias de cerimónia. De tecido adamascado e fundo escuro, pincelados com fartas ramagens de tonalidades variadas, eram os preferidos pelas raparigas no dia do seu noivado, já que lhes conferiam aquele ar sóbrio e recatado que a sociedade impunha às noivas da época. Há muitas dezenas de anos que deixaram de aparecer no mercado, mesmo assim, alguns tecidos adamascados vão sendo usados em sua substituição.

Lenços de seda
Ainda mais antigos que os lenços de tapete são os lenços de seda. Havia-os de todas as cores. Foram caindo em desuso e gradualmente substituídos pelos de tapete, embora coabitassem durante dezenas de anos. Eram os preferidos para botar figura em dias de maior pompa e circunstância.
Foram desaparecendo do mercado muito antes da década de 50 do século XX, mesmo assim, muitas senhoras que os possuíam não se desfizeram deles, preferiram guardá-los no fundo das suas arcas para mais tarde recordar.

Lenços franjados
Os lenços das grandes feiras de gado, de lançar flores sobre os noivos à saída da igreja e das grandes festas populares eram, sem dúvida, os lenços franjados, denominados em algumas terras por lenços de frocos e em outras por lenços de merino e maiatos. Certamente que não se usaram em todas as terras, mas na sua grande maioria sim. A tonalidade vermelha predominou, contudo, terras havia que preferiam outras cores como, o amarelo, o azul, o verde...

Lenços de trabalho
No seu quotidiano, as senhoras usavam lenços em tecido de baixa qualidade (quase sempre em algodão estampado) por serem mais baratos e mais adequados à função que desempenhavam. Certamente que os lenços de domingar ou outros, quando estavam gastos, poderiam ser usados no trabalho, contudo, para o dia a dia, haviam lenços apropriados. Mesmo estes lenços, quando novos, não raro, eram usados aos domingos e em outras situações que exigiam um maior cuidado na forma de vestir.

Fonte: Conselho Técnico de Entre Douro e Minho

quinta-feira, abril 10, 2008

A Leiteira – Silvade – Espinho – Douro Litoral

O Rancho Folclórico S. Tiago de Silvalde representa fielmente os usos e costumes tradicionais da sua terra, "Terras da Feira", inserida na Região do Douro Litoral.

O trajo que vos apresento deste grupo é o da Leiteira, usado na recolha e na venda do leite. Trata-se, portanto, de um trajo de trabalho.

A saia é de chita ou algodão, o avental, que cobria toda a frente da saia, era confeccionado no mesmo tecido.

A blusa é de chita e usa uma faixa preta à cinta, que aperta atrás.

Na cabeça, lenço de algodão, chapéu preto e rodilha.

Calça chinelos.

Para o transporte usava o Canado e o leite era vendido com o recurso a medidas (quartilho e meio quartilho).

Site recomendado: Rancho Folclórico S. Tiago de Silvalde

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terça-feira, janeiro 15, 2008

Trajo de Lavradeira Rica – Douro Litoral

As romarias eram, e ainda são, o local tradicional para o convívio e o encontro social, propicio ao cruzamento dos mais diversos estratos sociais em torno de uma devoção religiosa comum. Eram o evento ideal para cada romeiro exibir o seu melhor trajo, rico nos pormenores, revelador da sua condição social e das suas origens rurais ou citadinas.
No caso da lavradeira rica do Douro Litoral, poderá parecer que o seu trajo tem um papel secundário. O preto serve de fundo aos adornos de ouro e que são o símbolo da sua riqueza e estatuto social.
Este trajo é composto por camisa de algodão completamente oculta, excepto os folhos espreitando no decote e nos punhos. Casaquinha de seda lavrada (preta), cingida ao corpo formando uma aba de renda plissada, guarnecida com franzidos e galões (provavelmente, também vidrilhos), ajustada na frente com botões. Mangas compridas com decorações idênticas nos punhos. Saia de tecido idêntico ao da casaquinha, com ampla roda, pregueada na cintura e decorada na orla com um tecido diferente, presumivelmente veludo. Calça meias brancas e chinelas de verniz pretas. Na cabeça, lenço de seda e chapelinho ornado com plumas.
Do conjunto, destacam-se as peças de ouro típico da região, sobretudo, pela sua dimensão, uma cruz de malta presa a um cordão de três voltas.
Imagem: Revista “Ilustração”, nº 110, 1930-39
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segunda-feira, novembro 02, 2015

TRAJE DE FESTA E DE COTIO – TRÁS-OS-MONTES


Traje de Festa
Lenço de lã estampado com franjas
Camisa de linho
Colete/ Justilho de brocado de seda preto
Faixa de Lã vermelha (dentro do colete) envolvendo o busto
Saiote de linho (enáguas)
Saia (Saiote) de baeta rosa escuro com fitas de veludo
Sapatos pretos
Brincos de ouro – Brincos de Fuso
Colar de contas filigranadas de ouro com cruz de ouro

 
Traje de Cotio (uso cotidiano)
Lenço de lã estampado
Camisa de linho
Colete/Justilho de linho
Faixa de Lã vermelha (dentro do colete) envolvendo o busto
Saiote de linho (enáguas)
Saiote amarelo de baeta com bordados em lã
Saia de fora de pano de lã preta
Avental (Mandil) de burel castanho
Meias de lã
Botas de pele de borrego
Colar de contas de azeviche preto

Fonte: Rui Magalhães

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quinta-feira, outubro 01, 2015

Trajes de Festa – Nordeste Transmontano

Mulher:
Lenço de lã estampado com franjas
Camisa de linho
Colete/ Justilho de brocado de seda estampado
Faixa de Lã vermelha bordada em lã (dentro do colete) envolvendo o busto
Saiote de linho (enágua)
Saiote de baeta verde com fitas de veludo
Saia de fora em saragoça preta com fitas de veludo
Avental (Mandil) de seda lavrada com aplicação de veludo roxo
Sapatos pretos com fita de seda
Argolas de ouro
Colar de contas filigranadas de ouro com cruz

Homem:
Camisa de Linho
Colete (Jaleco) de Burel (Pardo) na cor natural da lã. Nas costas tecido de estopa.
Calção de alçapão (Pantalonas de alçapon) de Burel (Pardo) na cor natural da lã.
Meias de algodão
Botas de bezerro
Chapéu (Sombreiro) com fita de Seda

Fonte: Rui Magalhães

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