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segunda-feira, setembro 22, 2014

AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II – DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES

Antes de ser um elemento de composição etnográfica, no sentido decorativo, a algibeira foi uma bolsa de uso popular. Simples, sem lantejoulas ou bordados, eram sobretudo peças utilitárias, quer no dia-a-dia, como em dias de especial veneração.

Este artigo é a continuação da abordagem a este tema iniciado em AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I – MINHO, passando a apresentar exemplares provenientes das coleções do Museu Nacional do Traje e da Moda (Lisboa) e Museu da Terra de Miranda.

MUSEU NACIONAL DO TRAJE E DA MODA (Lisboa)

Local de Execução: Porto
Datação: Sem data na ficha
Matéria: Lã azul escura; lã castanha; algodão vermelho; algodão amarelo.
Dimensões (cm): altura: 26; largura: 16;
Descrição: Algibeira de traje de Varina, de tecido de lã azul escura guarnecida com fita de lã castanha. Na parte da frente, aplicação de fita sarjada vermelha formando quadrado e fita de algodão amarelo (grega) formando decoração geométrica. Na parte superior da algibeira, aplicação de tira do mesmo tecido, guarnecida com fita de lã castanha e com aplicações de fita de algodão amarelo, formando bico na frente e apertando na parte superior da abertura com mola de metal pobre pintado de preto.
Proveniência: Porto – Doação de Madalena Pagani Furtado

MUSEU DA TERRA DE MIRANDA (Miranda do Douro)

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão e adamascado
Dimensões (cm): altura: 21; largura: 15;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã azul. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em adamascado bege. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão amarela, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido preto com motivos florais. A algibeira é ainda bordada na frente em lã vermelha e amarela, formando motivos florais.
Proveniência: Miranda do Douro

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão e adamascado
Dimensões (cm): altura: 20; largura: 14;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã azul. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em adamascado vermelho. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão amarela, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido preto e branco.
A algibeira é ainda bordada na frente em lã branca e rosa formando motivos florais.
Proveniência: Miranda do Douro


Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã e algodão.
Técnica: Técnica do picado. Utilizado nas Capas de Honras.
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 18;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã verde. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango também verde. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão verde, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão amarelo e roxo. A algibeira é ainda bordada na frente, na técnica do picado em tom preto, e, bordada com fio de lã vermelho e amarelo, formando motivos florais.
Proveniência: Miranda do Douro

Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã e algodão.
Técnica: Técnica do picado. Utilizado nas Capas de Honras.
Dimensões (cm): altura: 24; largura: 15,5;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã verde. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango também verde. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão preto, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão castanho e branco. A algibeira é ainda bordada na frente, na técnica do picado, em tom castanho.
Proveniência: Miranda do Douro
 

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão e veludo.
Dimensões (cm): altura: 25; largura: 18;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã amarela. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em veludo preto e em adamascado azul. O losango é contornado por uma fita vermelha, a algibeira por uma fita azul e outra vermelha na parte superior pendendo a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão castanho e cinza. A algibeira é ainda bordada na frente, com fio de lã preto e verde.
Proveniência: Miranda do Douro


Datação: XX d.C.
Matéria: Lã e algodão.
Técnica: Técnica do picado. Utilizado nas Capas de Honras.
Dimensões (cm): altura: 24,5; largura: 16,5;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã vermelha. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango também vermelho. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão vermelho, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão vermelho. A algibeira é ainda bordada na frente, na técnica do picado em tom preto, e, bordada a fio de lã verde e branco na parte inferior do losango.
Proveniência: Miranda do Douro

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão, tafetá, veludo e adamascado.
Dimensões (cm): altura: 29; largura: 20,5;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã vermelha. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em veludo preto e adamascado beje. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão verde, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido tafetá verde. A algibeira é ainda bordada na frente com fio de lã amarelo, azul e rosa.
Proveniência: Miranda do Douro

 
 
Datação: XX d.C.
Matéria: Algodão e pano linho.
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 18;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em algodão azul. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em pano linho. O losango é contornado por uma fita de algodão preto e rosa, a algibeira é contornada por uma fita vermelha, cujas pontas pretas são utilizadas para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de pano linho. A algibeira tem ainda aplicada uma renda contornando o losango.
Proveniência: Doação da artesã Adília Rosa Moreno

 
 
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Algibeira - Minho

quarta-feira, julho 03, 2013

TRAJE DE DOMINGAR OU DE FESTA DAS TERRAS DA MAIA - DOURO LITORAL


Até 1843, as antigas Terras da Maia comportavam 74 freguesias compreendidas entre o Oceano Atlântico e o Monte Córdova (Santo Tirso), do Rio Ave à Foz do Douro, passando por Nevogilde, Cedofeita, Paranhos, Gondomar, Ermesinde, Santa Maria da Reguenga, Santo Tirso, Macieira da Maia a Azurara.

Na Maia o traje de domingar ou de festa era por excelência o mais representativo pelo negro das saias de baetão com barra de veludo. Junto ao corpo saias brancas de linho rendadas, culotes e as meias feitas à mão e rendadas que não deixavam mostrar um milímetro do seu corpo.

Sobre todas estas saias caía um avental comprido adornado na barra com rendas de algodão da mesma cor e, por vezes um ou outro vidrilho em contraste com as blusas brancas de linho alvo de neve com colete estampado de pequenas flores coloridas, ajustado a corpo, cobrindo-se com um belo e colorido lenço de merino vermelho ou amarelo, verde ou azul e por vezes castanho.

Na cabeça a mulher maiata cobria-se com maravilhosos lenços ora de seda, bibinete ou filó de três pontas soltas sobreposto com um chapeuzinho de feltro de veludo de aba revirada e redondo, adornado com um pequeno espelho, tinha também duas fitas pretas com breu caindo sobre o lenço branco bordado à mão.
 
Nas orelhas as libras de cavalinho e arrecadas de ouro.

quarta-feira, junho 22, 2011

Participantes da Exposição Nacional do Trajo ao Vivo

Tendo em consideração o magnifico espectáculo a que assisti em Porto de Mós, pareceu-me que se deveria referenciar os grupos participantes.

A FFP fez-me o favor de remeter a relação dos grupos que participaram, o qual agradeço, aproveitando para felicitar os elementos do 74 ranchos presentes pelo extraordinário trabalho que têm feito em prol da defesa do património cultural português.
Aqui fica a listagem deste grupos e a região que representam.
Bem hajam!


Grupo Folclórico Casa do Povo de Arões
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico de S. Martinho do Campo
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico de Santa Cristina do Couto
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande
Baixo Minho - Ave
Rancho Etnográfico de Santa Maria de Negrelos
Baixo Minho - Ave
Grupo Folclórico "As Ceifeirinhas do Vale Mesio"
Entre Douro e Minho
Rancho Folclórico de Aldeia Nova
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico de Gens
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico de Zebreiros
Douro Litoral - Norte
Rancho Típico de S. Mamede de Infesta
Douro Litoral - Norte
Rancho Folclórico da Ass. Cult. e Desp. de Mindelo
Douro Litoral - Norte
Grupo Folclórico das Terras da Feira - Casa da Gaia
Douro Litoral - Centro
Grupo Etnográfico de Sandim (Casa da Eira)
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico "As Lavradeiras de Pedroso"
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico "As Trigueirinhas do Pisão"
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Canelas
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Canidelo
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Stª Maria do Olival
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico de S. Tiago de Silvalde
Douro Litoral - Centro
Rancho Folclórico e Cultural de Nª Senhora do Monte de Pedroso
Douro Litoral - Centro
Rancho Regional Recordar é Viver de Paramos
Douro Litoral - Centro
Grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira
Douro Litoral - Sul
Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão da Feira
Douro Litoral - Sul
Rancho Folclórico de Gouxaria
Ribatejo
Grupo Etnográfico Danças e Cantares de Alverca do Ribatejo
Ribatejo
Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermêdo e Mato
Douro Litoral - Sul
Grupo Folclórico "As Lavradeiras de S. João de Ver"
Douro Litoral - Sul
Grupo Folclórico de Palmaz
Douro Litoral - Sul
Rancho Folclórico "As Florinhas" de Caldas de S. Jorge
Douro Litoral - Sul
Grupo de Danças e Cantares de Cortegaça
Beira Litoral - Vareira
Grupo de Danças e Cantares de S. Pedro de Maceda
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "As Tricanas de Ovar"
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "O Cancioneiro de Ovar"
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclórico "Os Fogueteiros de Arada"
Beira Litoral - Vareira
Rancho Folclórico "Os Camponeses da Beira-Ria"
Beira Litoral - Vareira
Rancho Folclórico da Ribeira de Ovar
Beira Litoral - Vareira
Grupo Folclore Danças e Cantares do Fial
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo Folclórico Cultural e Recreativo de Albergaria-a-Velha
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo Folclórico e Etnográfico de Albergaria-a-Velha
Beira Litoral - Baixo Vouga
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Angeja
Beira Litoral - Baixo Vouga
Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores
Beira Litoral - Baixo Vouga
Grupo de Folclore do Melriçal
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico Camponeses do Mondego
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Rancho Folclórico e Etnográfico Zagalho e Vale do Conde
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Etnográfico da Região da Lousã - GERL
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Grupo Folclórico Danças e Cantares da Ass. Cult. Vilarinho
Beira Litoral - Gândara, Bairrada e Mondego
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Espariz
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Ponte de Sor
Alentejo
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Redondo
Alentejo
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Tábua
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico de Gouveia
Beira Alta - Serrana
Rancho Folclórico de Boidobra
Beira Baixa
Rancho da Região de Leiria
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "As Lavadeiras do Vale do Lena"
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "As Tecedeiras" de Bidoeira de Cima
Alta Estremadura
Rancho Folclórico "Flores Verde Pinho" do Coimbrão
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Alegrias do Campo de Carnide
Alta Estremadura
Rancho Folclórico da Sociedade Recreativa Cabeça Veada
Alta Estremadura
Rancho Folclórico de S. Guilherme
Alta Estremadura
Rancho Folclórico do Penedo
Alta Estremadura
Rancho Folclórico dos Moleanos
Alta Estremadura
Rancho Folclórico dos Soutos da Caranguejeira
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Peixeiras da Vieira
Alta Estremadura
Rancho Folclórico Rosas do Lena
Alta Estremadura
Rancho Folclórico da Freguesia de Pussos
Alta Estremadura
Rancho Folclórico de Mira de Aire
Alta Estremadura
Rancho Folclórico e Etnográfico de Casais de Revelhos
Templários
Grupo Folclórico "Os Camponeses" D. Maria
Estremadura Centro - Saloia
Grupo Folclórico "Os Saloios" da Póvoa da Galega
Estremadura Centro - Saloia
Rancho Folclórico "As Lavadeiras" do Sabugo
Estremadura Centro - Saloia
Rancho Folclórico e Etnográfico "Danças e Cantares" da Mugideira
Estremadura Centro - Saloia
Rancho Folclórico São Miguel do Milharado
Estremadura Centro - Saloia

sexta-feira, outubro 31, 2008

Tamancos e Socos - Entre Douro e Minho

Segundo alguns autores, terá sido na região de Entre Douro e Minho a área primitiva do aparecimento do calçado de pau em Portugal.
Existiu em Guimarães uma confraria dos sapateiros, sob a evocação de Santa Maria, cuja constância no tempo vem desde o século XIII e se projectara numa continuidade admirável sob o título abreviado de Irmandade de S. Crispim, tendo sido fundada em 1315 pelos sapateiros João Baião e Pedro Baião.
Uma sátira em verso do séc. XVIII, que define os habitantes de Entre Douro e Minho, faz-se referência ao calçado de pau.
“Homem de Entre Douro e Minho
Calça de pau e veste linho,
Bebe vinho de enforcado,
Traz o porco escangado,
Foge dele como do diabo.”
Se bem que em tempos passados o povo tivesse andado descalço, este calçado impunha-se como meio de protecção na realização de alguns trabalhos agrícolas, tendo por isso os seus melhores defensores na gente da lavoura.
Feito de pau de amieiro e um pouco de couro, este calçado humilde tem também a sua história.
Popularmente, os tamancos têm as designações de socos e taroucos. Se a pessoa que os usava era uma mulher, os tamancos eram designados por tamancas, os socos por socas, e os taroucos passavam a ser taroucas.
A propósito deste assunto, José Leite de Vasconcelos, o mestre da etnologia, refere que “as mulheres usam tamancas ou socas, que são menores e mais apuradas do que os tamancos, mas com sola de madeira”.
De qualquer forma, o tamanco era mais usado pelo homem e o soco mais usual na mulher, sendo inquestionável que este foi o calçado dos pobres, sem esquecer que também os ricos o usaram em muitas emergências do tempo e da fortuna.
As próprias condições físicas do terreno foram as inspiradoras do artífice tamanqueiro. Nas terras do litoral, o pau do tamanco é raso. No interior, o tamanco começa a arquear a biqueira. Já nas terras bravas das serras, o tamanco arqueia ainda mais, cingindo o couro mais ao pé, para melhor se acomodar ao terreno e à marcha.

As oficinas dos tamanqueiros situavam-se sobretudo nas recônditas aldeias. O tamanqueiro talhava as peles (de couro para os socos de homem e de crute para os socos de mulher), e pregava-as aos paus. Utilizava moldes de cartão grosso para cortar as peles e uma forma para fixar o cabedal ao pau de amieiro através de tachas. O artífice percorria as aldeias em busca do amieiros, que só podia ser cortado nas quadras da lua. O fabrico do tamanco era sobretudo um trabalho de Inverno, pois aproveitavam as Feiras de Verão para vender os seus produtos.
Os socos não eram só para uso no trabalho, mas também aos domingos, dias de festa e mesmo para certos actos de maior importância, como casamentos. No caso dos actos cerimoniosos, eram muitas vezes usados socos feitos de melhores matérias e acabamentos mais luxuosos, mas como eram dispendiosos apenas estavam ao alcance de uma pequena minoria. Ainda assim, muitas vezes durante o trajecto para um acto cerimonioso ou na deslocação para uma povoação, o soco era mantido debaixo do braço para não se estragar e só à chegada o calçavam.
A seguir descrevem-se alguns tipos de socos:


Soca Curta – Soca de bico arredondado, salto baixo, e em que as pontas dos “cortes” terminam próximo da quina do salto. Os paus podem ser pintados de preto ou à cor natural, sendo forrada no interior. Este é um modelo muito popular mesmo noutras regiões.
Soca Inteira – É um tipo de soca, de mulher, mais fechada, em que as “orelhas” dos “cortes” se juntam atrás sobre o salto, ficando acima deste cerca de 2 cm. O bico é arredondado e o salto alto. Sendo forrada internamente com uma palmilha.

Soco Rebelo – As orelhas dos cortes são mais altas do que no soco poveiro, juntando-se atrás sem se sobreporem. Neste tipo de soco, a forma é metida a maço e os cortes batidos e alisados com o cabo do martelo, a fim de se conseguir a curvatura do bico, que é a sua principal característica.

Soco Poveiro – É o soco, para homem, mais vulgar da região. O seu nome deve-se a ter sido a Póvoa do Varzim o seu presumível difusor. Soco de ponta redonda, em que as orelhas dos cortes se juntam atrás sem se sobreporem, ficando acima do salto cerca de 3 cm. É mais aberto que o soco rebelo. Como todo o tipo de soco para homem, o pau é de cor natural e sem palmilha no interior.
Chanca Rebela ou de Ponte de Lima – Fabrica-se de couro atanado dividido em duas peças denominadas “gáspea com biqueira” e “cano” ou “talão”. O “cano” ou “talão” é sobreposto à “gáspea”, fechando a frente através de um cordão de couro. A ponta é bicuda e um pouco arredondada. Antigamente eram feitas a partir do aproveitamento da botas velhas, às quais mandavam aplicar os paus.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Trajos populares de Pardilhó - Estarreja

O trajo que vemos corresponde ao «vendedor de aves de Pardilhó», hoje representado pelo grupo etnográfico Danças d’Aldeia, de Pardilhó, e pelos Camponeses da Beira Ria, do Bunheiro. O vendedor de aves deslocava-se a pé ao Porto e, certamente, a localidades mais próximas de nós, para vender a sua caça. Mas que aves seriam aquelas? Os autores dos trabalhos publicados até à primeira metade do século XX falam na pardilheira, à qual também chamavam de pardilho, que pela descrição feita dever-se-á tratar do marrequinho (Anas Creca), na nossa região também conhecido por marreca ou marrequinha. É a ideia que podemos adiantar pela informação que nos deu o nosso amigo Paulo Santos. Aquela ave abundava na nossa ria no antigamente, embora não possamos hoje dizer o mesmo, e talvez fosse caçada à noite com redes. Poderia tratar-se de igual modo de pardais e é possível que venha daí a alcunha de “pardaleiro” em Pardilhó.
O original da fig. 1 aqui publicada, legendado como «Marchand de volaille de Pardilho», foi encontrado pelo Padre António Ruela e Silva num alfarrabista de Paris, há mais ou menos trinta anos. A figura avulsa pertence hoje ao nosso amigo Eng. José Ruela e Silva, que gentilmente no-la emprestou, e faz parte de uma vasta colecção francesa, editada em quatro volumes de 1843-1844, todos recheados de figuras coloridas, correspondendo o primeiro volume ao continente europeu. Estes volumes, cujo autor foi Auguste Wahlen, foram baptizados de «Moeurs, usages et costumes de tous les peuples du monde, d’après des documents authentiques et les voyages les plus récents» (Bruxelas, «Librairie historique-artistique»). Existe uma tradução portuguesa por Francisco Ludovino de Sousa Freitas Sampaio, com o nome de «Costumes usos e trajos de todos os povos do mundo em face de documentos authenticos e das mais recentes viagens», Lisboa, Imp. Lusitana, 1872-1878.
Entre as muitas dezenas de gravuras desta colecção, todas elas fora do texto e coloridas, há apenas três de Portugal: o vendedor de aves de Pardilhó, Ovarina, e Mulheres de Miranda (do Douro). O Dr. Rocha Madahil faz referência a esta colecção e ao respectivo vendedor de aves no seu trabalho «Alguns aspectos do trajo popular da Beira Litoral», que publicou-se no «Arquivo do Distrito de Aveiro» a partir de 1938, nos volumes IV (pág. 145 e ss. e 213 e ss.), V (pág. 59 e ss. e 247 e ss.) e VII (pág. 115 e ss.), e em separata em 1941. O Museu de Ovar entendeu numa das suas múltiplas publicações, e bem, reeditar este trabalho do insigne investigador regionalista que é o Dr. Rocha Madahil, em 1992. É ele quem nos diz ainda que o vendedor de aves de Pardilhó «documenta a sua evolução última com as manaias dos marnotos das marinhas da Ria de Aveiro».

A vendedora de peixe de Pardilhó e Murtosa, obtemo-la na Biblioteca Nacional, e não fosse o surgir no interior da capa de «Murtosa Gente Nossa», de Lopes Pereira, pouco nítida e legendada meramente como «trajo antigo», sem qualquer referência à sua verdadeira origem, seria entre nós completamente desconhecida. A figura foi publicada em Paris, provavelmente em 1843, legendada como « Mde de poissons de Pardilhé et Murtoja», i.e Marchande de Poissons de Pardilhó et Murtosa, constituindo o número 81 da colecção do Musée Cosmopolite, que tem também a «femme d’Ovar» e o «Paysan de Murtosa», utilizados de igual modo por Macphail, de quem falaremos de seguida, na sua primeira colecção.

Dos dois vendedores João Macphail, que rapidamente terá tido conhecimento de existirem, fez uma reprodução mais ou menos aproximada. Deste tipógrafo lisboeta são célebres três colecções de litografias de trajos populares portugueses que, tendo merecido reparos vários na época em que se editaram, não deixam de ter o seu valor. Rocha Madahil dá-nos informações acerca de todas. A primeira colecção de estampas coloridas litografadas por Macphail data de 1841 e são dela conhecidas 18 figuras. Nova colecção sai logo em 1842, conhecendo-se desta 12 figuras. A terceira não tem data, embora Alberto Sousa lhe atribua 1843 (sem fundamento, segundo cremos), e constitui-se, que se saiba, de 17 figuras, sendo duas delas da Beira Litoral, o vendedor de aves – que estende também à Murtosa – e a vendedora de peixe.
As duas figuras que nos interessam da 3.ª série de Macphail (fig. 3) aparecem no trabalho de Alberto Sousa «O trajo popular em Portugal nos séculos XVI e XIX», de 1924, com as seguintes legendas:
«VAREIRO – Pardilhó e Murtosa – 1843
Barrete preto com orla vermelha, cabelo em compridas guedelhas, camisa aberta no peito, cinta vermelha, cuecas e colete azul com grandes botões de metal. Vende Caça.»
«VAREIRA – Pardilhó e Murtosa – 1843
Chapéu de abas largas, lenço branco pousando sobre a romeirinha preta, corpete vermelho com grandes botões prateados, saia azul apertada na cintura.»


Daquilo que de trajos populares respeitantes ao concelho Estarreja há notícia até ao final do século XIX não conhecemos mais nada. Por isso estas são as figuras de costumes mais antigas publicadas respeitantes ao concelho de Estarreja. Estando nós numa região de costumes tão diversificados, onde a Murtosa, vizinha e culturalmente próxima, surge tão frequentemente com trajos diversos em trabalhos como aqueles a que aludimos, o ter encontrado duas figuras de Pardilhó deu-nos alguma satisfação, só minimizada pela frustração de não haver mais nenhuma das outras seis freguesias do concelho. Se foram estes os trajos que aqui mais chamaram a atenção das colecções do século XIX, então talvez possamos dizer que estas duas figuras correspondem àquilo que de mais típico existe no concelho de Estarreja.


Fonte: Marco Pereira, 2002 In http://pardilho.planetaclix.pt/index.htm

quinta-feira, abril 10, 2008

A Leiteira – Silvade – Espinho – Douro Litoral

O Rancho Folclórico S. Tiago de Silvalde representa fielmente os usos e costumes tradicionais da sua terra, "Terras da Feira", inserida na Região do Douro Litoral.

O trajo que vos apresento deste grupo é o da Leiteira, usado na recolha e na venda do leite. Trata-se, portanto, de um trajo de trabalho.

A saia é de chita ou algodão, o avental, que cobria toda a frente da saia, era confeccionado no mesmo tecido.

A blusa é de chita e usa uma faixa preta à cinta, que aperta atrás.

Na cabeça, lenço de algodão, chapéu preto e rodilha.

Calça chinelos.

Para o transporte usava o Canado e o leite era vendido com o recurso a medidas (quartilho e meio quartilho).

Site recomendado: Rancho Folclórico S. Tiago de Silvalde

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terça-feira, janeiro 15, 2008

Trajo de Lavradeira Rica – Douro Litoral

As romarias eram, e ainda são, o local tradicional para o convívio e o encontro social, propicio ao cruzamento dos mais diversos estratos sociais em torno de uma devoção religiosa comum. Eram o evento ideal para cada romeiro exibir o seu melhor trajo, rico nos pormenores, revelador da sua condição social e das suas origens rurais ou citadinas.
No caso da lavradeira rica do Douro Litoral, poderá parecer que o seu trajo tem um papel secundário. O preto serve de fundo aos adornos de ouro e que são o símbolo da sua riqueza e estatuto social.
Este trajo é composto por camisa de algodão completamente oculta, excepto os folhos espreitando no decote e nos punhos. Casaquinha de seda lavrada (preta), cingida ao corpo formando uma aba de renda plissada, guarnecida com franzidos e galões (provavelmente, também vidrilhos), ajustada na frente com botões. Mangas compridas com decorações idênticas nos punhos. Saia de tecido idêntico ao da casaquinha, com ampla roda, pregueada na cintura e decorada na orla com um tecido diferente, presumivelmente veludo. Calça meias brancas e chinelas de verniz pretas. Na cabeça, lenço de seda e chapelinho ornado com plumas.
Do conjunto, destacam-se as peças de ouro típico da região, sobretudo, pela sua dimensão, uma cruz de malta presa a um cordão de três voltas.
Imagem: Revista “Ilustração”, nº 110, 1930-39
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sexta-feira, dezembro 07, 2007

Bordados de Filé - Felgueiras - Douro Litoral

É bastante difícil determinar com exactidão a data e as origens dos Bordados de Filé. Há quem diga que é tão antigo como o homem. O “filé” pode ser distinguido entre o “filé” simples e o “filé” bordado. O “filé” simples é uma simples rede constituída por nós, pelo que também é chamada de rede de nó e executa-se da mesma maneira que a rede dos pescadores, que aliás muitas pessoas afirmam que lhe serviu de modelo. Já na antiguidade os egípcios bordavam “filé” simples com pérolas de vidro. Podemos encontrar nos nossos dias, na ala Egípcia do Museu Louvre, trabalhos desta época e com esta técnica.
O “filé” foi bordado ainda noutras partes do globo, por exemplo na Pérsia onde este era bordado a ouro e prata sobre tecidos de seda.
Em Itália foram também encontrados bordados de “filé” no espólio de Dª Catarina de Médicis que tinha grande apreço por este tipo de bordados, assim como no de suas filhas e de suas criadas que passavam grande parte dos dias dedicada ao bordado de quadros em “filé”.
Foram descobertos no seu espólio cerca de 381 quadros deste num cofre e 538 noutro. Quando falamos dos bordados na freguesia de Pombeiro e que podemos apreciar ao longo da estrada nacional que liga Felgueiras a Guimarães, estamo-nos a referir ao “filé” bordado que utiliza o “filé” simples como suporte a um bordado a fio de linho, de algodão ou de seda, em que certos quadrados da rede são tapados de acordo com o desenho que se escolheu.
Em Felgueiras pensa-se que tudo teve origem em trabalhos bordados com cerca de duzentos anos que pertenciam ao Mosteiro de Pombeiro. Alguns destes panos serviam como decoração aos altares.
Na região, actualmente existem poucas bordadeiras do “filé”.
Antigamente chegaram a existir cerca de setenta a oitenta bordadeiras, mas ao longo dos tempos vários factores condicionaram esta arte em vias de extinção. As fábricas de calçado absorveram quase toda a mão-de-obra da região, e o trabalho mal pago das bordadeiras ajudaram ao abandono das pessoas nesta arte.
A bordadeira começava a aprender ainda menina, com oito ou nove anos. Primeiro, só dois tipos de pontos, e só depois, todos os outros.
Antigamente os trabalhos eram expostos ao longo da estrada, e vendiam-se muito bem mas, nos dias de hoje, o “filé” tem tendência a terminar. Não existe nenhum incentivo para salvaguardar estes bordados nem por parte do governo nem da Câmara Municipal o que leva muitas mulheres a deixar de bordar.
Actualmente utilizam-se debuxos de trabalhos antigos, mas vão sendo introduzidos novos desenhos.
Actualmente são efectuados trabalhos de todo o género, cortinas, toalhas de mesa, colchas, rendas para lençóis e até roupas, no entanto, os trabalhos mais executados antigamente eram de facto as rendas para os lençóis e travesseiros e as rendas para os aventais, punhos e palas para as criadas dos senhores das casas mais abastadas.

TÉCNICA DOS BORDADOS DE FILÉ
Os Bordados de Filé não são como os outros bordados. Nos outros bordados as riscadeiras riscam o desenho e depois as bordadeiras bordam, mas no Bordado de Filé, a bordadeira tem como base do trabalho, uma rede. Essa rede é parecida com a rede de pescador, mas é feita com fio de algodão. As redes são feitas geralmente com fio cru ou de cor branca, dependendo dos trabalhos, mas em casos específicos podem ter outras cores. Esta rede tem de ter o tamanho do trabalho que se pretende realizar, e é feita com pequenos quadrados que variam também em conformidade com o trabalho pretendido. Por exemplo (três quadrados ao centímetro) ou (um quadrado ao centímetro). A espessura do fio de algodão também conta para os diferentes tipos de trabalho em “filé”.
Um trabalho bordado em “filé” pode incluir vários pontos, mas os pontos mais utilizados são o cerejido, o ponto a cheio, o ponto russo, o ponto de neve, o ponto formiga, o ponto de cruz, o ponto de estrelas, o ponto lérias, o ponto de argola, o ponto de olho de rola, e vários pontos de fantasia.
As redes dos trabalhos são presas com pequenas taxas em bastidores de madeira no tamanho da peça a realizar onde são bordadas e posteriormente retiradas.
Os Bordados de Filé geralmente utilizam um ponto de cercadura chamado de remate, que evita o remate de outra forma, sendo necessário apenas no final do trabalho, cortar com uma tesoura alguns fios que prendiam a rede ao bastidor.
Referência Bibliográfica:
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006

terça-feira, setembro 11, 2007

Trajos e ir à feira (boieiros) – S. Pedro de Rates – Douro Litoral


As deslocações às feiras sempre se reverteram de grande importância. A possibilidade de efectuar bons negócios com a venda dos produtos da terra, investindo estes proventos na aquisição de bens que não produz, motivou desde sempre os homens. Era também uma forma de tomar contacto com as novidades, as noticias ou efectuar uma determinada compra, antevendo uma ocasião especial.
Estes trajos representam os boieiros de S.Pedro de Rates, freguesia do Concelho de Póvoa do Varzim, quando se deslocavam às feiras com o seu gado.
Neste conjunto, destaca-se no trajo da rapariga o tecido caseiro da saia e do avental, localmente conhecido por “trezes”. Esta designação ficou a dever-se às três fibras usadas na tecelagem, lã, linho e algodão. Também devido aos três pedais ou peanhas pertencentes ao tear onde era produzido. Quanto ao “chapéu de pano”, como era conhecido, embora sendo de feltro castanho ou preto, comprava-se na Póvoa do Varzim, numa chapelaria já desaparecida.
O homem veste uma camisa de linho, com colarete, aberta sobre o peito com pregas e carcela formando peitilho, manga comprida sem cavas, decorada com preguinhas miúdas na parte superior. Calças compridas de tecido preto, ajustadas na cintura com faixa preta. Colete do mesmo tecido, com bolsos. Cobre a cabeça com chapéu de feltro preto e calça sapatos da mesma cor.
A mulher veste camisa de linho branco, decote guarnecido com duplo folho bordado a branco, aberta no peito, manga comprida, bordada a branco no cimo e refegos junto ao pulso, terminando com folho. Saia de “trezes” com preguinhas junto à cintura e barra azul. Avental do mesmo tecido, franzido na cintura. Atada à cintura, por debaixo do avental, uma algibeira de tecido azul decorada com pespontos. Faixa preta sobre as ancas, arregaçando a saia e o avental.
Cruzado sobre o peito, lenço de lã estampado com motivos florais, policromados, terminado com franja vermelha. Na cabeça, lenço atado atrás sobreposto por “chapéu de pano” de copa baixa e aba larga. Sobre o peito pendem cordões e corações e nas orelhas pequenas argolas.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
Site recomendado:
Câmara Municipal de Póvoa do Varzim
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segunda-feira, agosto 13, 2007

Trajo de ida ao mar – Póvoa de Varzim – Douro Litoral

Estamos perante trajos de trabalho, onde os tecidos de lã têm uma grande predominância, quer como agasalho do corpo, quer como resistência à corrosão da água salgada.
O pescador usa camisa de tecido de lã aos quadrados. Como protecção suplementar, veste o colete de “lanchão”, tecido “encascado” com casca de salgueiro, forrado a “castorina” e ajustado na frente com atilhos feitos de fio de pesca. Protege a cabeça com “catalão” de lã. Calças de branqueta preta e ceroulas de tecido de lã axadrezado, apertadas com fita de nastro nos tornozelos. Anda descalço e transporta os apetrechos de pesca.
No trajo feminino, os tecidos de lã são também os preferidos para o colete e saia. A camisa, de corte tradicional, é de algodão branco, o colete de “berre”, tecido de lã vermelho, ajustado na frente com cordão. A saia é de “castorina” aos quadrados brancos e pretos, pregueada na cintura com macho na frente, soerguida com listão colorido. Lenço de algodão estampado, cruzado no peito e cachené na cabeça, atado atrás. Anda descalça.
Embora caiba ao homem ir ao mar, a sua companheira não se furta a ajuda-lo no transporte dos apetrechos da faina, carregando os mantimentos e as redes, e aguardando depois na praia o seu regresso.
O rapaz veste camisa aos quadrados de corte vulgar, calças pretas de tecido de lã e na cabeça usa uma boina de origem espanhola.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
Site recomendado:
Câmara Municipal de Póvoa do Varzim
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quinta-feira, julho 26, 2007

Traje de Luto – Póvoa do Varzim – Douro Litoral


No século XIX, seguiam-se regras severas para o traje de luto. Para parentes próximos, usava-se o preto durante meses ou até anos. Para parentes distantes, as roupas possuíam detalhes em preto. Quando o príncipe Alberto morreu, em 1861, a rainha Vitória enlutou-se e ajudou a promover uma grande voga de roupas pretas.
Na tradição popular portuguesa o luto era profundamente vivido e socialmente controlado.
Essa vivência fazia com que fossem colocados de lado os trajos mais vistosos, muitas vezes para o resto da vida, como aconteceu com o traje de branqueta da Póvoa do Varzim após o naufrágio de 1892, que enlutou a maioria das famílias dessa região, apenas sendo ressuscitado em 1936 por Santos Graça.
Durante o luto, o homem poveiro usava camisa ou camiseta preta. Se possuía fato preto, usava-o, quando o não tinha, punha o fato de trabalho mais escuro e colocava na cabeça um casaco pendurado pela cava interior de uma das mangas.
O uso do Gabão também era comum. Este era feito de tecido de lã castanha (saragoça) com cabeção, capuz e mangas compridas. Nas frentes, carcela e bolsos metidos a costura era pespontada a branco. Forro de branqueta. O capuz cobria não só a cabeça, mas ocultava o próprio rosto, resguardando-o de olhares estranhos.


A mulher usava casaco e saia pretos, lenço preto na cabeça, embiocado, e uma saia de costas, também preta, muito semelhante à saia de vestir, com pregas miúdas junto à cintura, embora mais curta e com menos roda. Colocada sobre a cabeça, envolve o corpo até à cintura.
O trajo de luto anulava praticamente a figura da mulher. Como sinal de tristeza profunda, de renúncia ao conforto e desprendimento dos bens materiais, esconde o rsoto dos olhares intrusos e anda descalça.

Fontes:
O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
O Traje do Litoral Português, Câmara Municipal da Nazaré – Museu Etnográfico e Arqueológico Dr. Joaquim Manso, 2003
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terça-feira, março 06, 2007

Trajes regionais portugueses em emissão filatélica


Os Trajes Regionais Portugueses são o tema de uma edição filatélica dos CTT de 2007. Dez novos selos de 30 cêntimos e um bloco com mais quatro selos, com o valor total de 1,20 euros mostram os trajes tradicionais de todas as regiões, do Minho até aos Açores.
A concepção gráfica desta emissão é de Vasco Marques, que utilizou fotografias de várias origens: Instituto Português de Museus, Museu de Arte Popular, Museu Nacional do Traje, Museu de Ovar e os fotógrafos Carlos Monteiro, Júlio Marques, Laura Castro Caldas, Paulo Cintra e Rui Cunha.
Nos selos dos CTT aparecem os trajes tradicionais das lavradeiras e das noivas do Minho, a capa de honras mirandesa e o vestuário dos Pauliteiros de Miranda, de Trás-os-Montes, e croça dos pastores trasmontanos e da Beira interior, uma capa e uma sobrecapa tecidas de palha que os protegem da chuva e da neve.Os restantes selos mostram uma camisola de pescador do Douro Litoral, as sete saias da Nazaré, o traje das mulheres algarvias do litoral, o capote alentejano e o vestuário dos campinos do Ribatejo.
O bloco filatélico integra quatro selos ilustrados com o vestuário tradicional dos camponeses da Beira Litoral e das camponesas do Ribatejo, o capote e capelo típico dos Açores e a viloa da Madeira.
Assim, através da filatelia, podemos divulgar os nossos trajes tradicionais e contribuir para a sua perpetuação.
Bem hajam pela ideia.