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segunda-feira, abril 04, 2011

O uso de chapéu

O chapéu surgiu para a protecção da cabeça, ainda nos povos primitivos da pré-história, das intempéries climáticas (sol escaldante, frio, chuva), como prerrogativa masculina - sendo o homem o responsável pela defesa da tribo ou do clã, sendo depois estendido para a caracterização dos níveis sociais: os reis usavam coroas, os sacerdotes a mitra e os guerreiros o elmo. Cerca de 3000 a.C., na Mesopotâmia, surgem os chapéus que trazem um misto de elmo com capuz, que uns mil anos depois (2.000 a.C.) evoluem para um formato mais aprimorado. Torna-se, neste mesmo período, um adereço de dignidade, nobiliárquica, militar e sacerdotal do Antigo Egipto. O primeiro chapéu que encontra em suas formas mais semelhantes com o formato "clássico" (ou seja, contendo as partes principais do adorno), é o pétaso grego um tipo de chapéu usado pelos antigos gregos e romanos, de abas largas e copa pouco elevada, feito normalmente de feltro de lã, couro ou palha. Era usado principalmente por fazendeiros e viajantes da Antiguidade, e era considerado como uma vestimenta tipicamente rural. O píleo era a versão sem abas do pétaso. O uso de chapéu foi estudado por José Leite de Vasconcelos e descrito em “ETNOGRAFIA PORTUGUESA" - Livro III.


Entre Douro e Minho


De palha centeia para o sol (Baião); bordado, de palha, feito em Fafe: tem as abas com dobras alternadas (dobradas à maneira de ziguezague), o que lhe dá um aspecto de recorte; a copa é revestida de cordões entrançados e com uma espécie de botões também de trança, coloridos; às vezes têm umas estrelas de palha de cor; o chapéu de palha, tão querido da gente da Beira e de Entre Douro e Minho, creio que é desconhecido no Alentejo e no Algarve: um meridional julgar-se-ia descido da sua dignidade se pusesse na cabeça esse emblema do ratinho e do galego (galego, como os do sul chamam aos do norte); em Melgaço e na Cerveira vi os homens nas feiras com chapéus de pano; antigamente, talvez no início do século passado, o trajo domingueiro dos homens do Alto Minho incluía o chapéu de copa alta (cilíndrico como o chapéu alto, mas mais baixo), achatado em cima e de aba redonda; em 1928, um informador de mais de 80 anos, de Arcos de Valdevez, disse-me que noutros tempos os homens usavam carapuça a par de chapéu grosso; e também outrora as moças de Ermesinde usavam chapéus enfeitados à moda das senhoras (H. Beça, Ermesinde, p.90, Porto, 1921)

Trás-os-Montes

Chapéu de aba larga é luxo dos pimpões da Lombada; de palha, com fita colorida ou coberto com pingentes de palha na orla das abas (Vila Pouca de Aguiar).


Beira

Em Santa Comba Dão, os homens só usam chapéu de pano, não de palha. As mulheres, do campo, usam chapéu de homem, quando já estão velhos, e às vezes chapéus novos de palha. Os homens, na Guarda, usam chapéus de pano, à gandaresa. Os chapéus à gandaresa são feitos em S. João da Madeira, concelho de Oliveira de Azeméis; também lá se fabricam os chapéus à Vieira ou vieireiros, sendo os nomes provenientes da Gândara e da Vieira, onde são usados. Têm marca de papel, por dentro, onde está escrito «S. João da Madeira» ou «chapéu de 1ª», e também os há de «2ª», mais ordinários e mais baratos. Também em S. João da Madeira fabricam chapéus à camponesa, de aba larga, de pano grosso e com peninha de cor. As mulheres de Aveiro usavam antigamente chapéus desabados, maiores do que os de hoje, que são pequenos, como bonés; havia três espécies de abas: a grande, já desaparecida (Requeixo), a média, ainda usada pelas impilhadeiras, e a pequena, usada pela mulheres do campo, que também trazem chapéus como os dos homens. Em Soure, os homens só usam chapéus de pano. Os da Guarda usam chapéus de palha nas malhas, mas quando vão à cidade levam-nos de pano, desabado. Em Castendo (1896) usam chapéus de pano; em Castelo Branco (1916), chapéu de papöla, de aba larga; em Celorico da Beira, «àbeiro» por causa da aba larga; na Rapa, os homens, no serviço do campo, usam-nos de palha, no Verão, mas quando vão à caça, levam-nos de pano, feitos lá na terra. No concelho do Sabugal, usam chapéus modernos, ou de abas largas. No concelho de Arganil, não se usa chapéu de palha: se alguém aparecesse com ele, corriam-no logo; só às vezes, muito raramente, no Verão; usam sempre chapéu de feltro. Na Anadia, as mulheres usam chapéu pequeno, preto, redondo, com pena preta; as Ovarinas usam chapéu redondo, de aba larga e horizontal (em 1920), e as da Feira chapelinho preto, no alto da cabeça. O chapéu das mulheres de Cantanhede é como o das Ovarinas, tanto as de idade, como as novas, mas os destas são mais apurados e menores, e também redondos (1916).

Estremadura e Ribatejo

Chapelinho preto e redondo das mulheres do campo, de Leiria; algumas metem lenços entre as abas e a copa; uma ou outra velha traz um chapéu de pena, de homem; são curiosas as filas de vendedeiras, cada uma com o seu chapelinho preto, de pé ou sentadas, com as coisas para venda diante delas; do lenço, que usam sob o chapéu, as pontas caem sobre as costas (1918). Os camponeses do Ribatejo, no Inverno, usam chapéu em lugar de barrete. Os homens de Óbidos usam chapéu «d’aba-tela» ou à «toireira» (domingueiro) e no Verão chapéu de palha. Em Lisboa, quando, por brincadeira ou acaso, uma menina solteira põe na cabeça o chapéu de um rapaz solteiro ou de um homem casado, e se quiser casar, tem de dar um beijo no dono do chapéu.

Alentejo

O chapéu usado sobre o lenço, pelas mulheres de luto (Moura, etc.); de cortiça, feito por pastores (serra de Grândola); Alcácer do Sal; grosseiro, largo, com borla (concelhos de Portalegre, Portel, Nisa, Crato, Vidigueira); de Braga ou de S. João da Madeira, preto com uma borla (Alandroal); desabado (aguadeiro) de pano, em 1896; em Tolosa, as mulheres usam-no sobre o lenço, quando trabalham no campo, por vezes enfeitado com flores e fitas.

Algarve Chapéu de pano grosseiro, pelos homens (Portimão) e Monchique (1917), e, antigamente, desabado, com borla; de pano, pelas mulheres, sobre o lenço da cabeça, não só de jornada, mas a trabalharem à porta, e as crianças também põem; «O costume faz tudo», disse-me uma mulher do campo, ao notar-lhe eu o uso do chapéu de homem, na cabeça; compram-no elas e trazem-no sempre, tirando-o apenas para cumprimentarem, como os homens, creio eu (Portimão). Põem-no no campo as mulheres, quer casadas quer solteiras, mas estas, quando vão à vila, tiram-no para não parecerem casadas e poderem mais facilmente arranjar noivo.


Açores
Chapéu de copa pequeníssima e aba larga, com fita de cor, posto sobre um lenço (Pico); de palha (Faial); na ilha de S. Jorge «não há mulheres do campo. São tudo senhoras: tudo usa chapéu--- As criadas usam chapéu.» (De uma carta particular, escrita de Velas.)

Bibliografia: "ETNOGRAFIA PORTUGUESA" - Livro III - José Leite de Vasconcelos
Fonte: Blog do Portal do Folclore

quinta-feira, agosto 27, 2009

Os Avieiros – Salvaterra de Magos - Ribatejo

Desde sempre o rio Tejo, atraiu muitos pescadores vindos de longe. Gente do mar, que de Inverno não conseguiam ganhar o seu sustento devido à bravura das ondas, viam o seu ganha pão ser recusado pelo mar, enquanto que no rio Tejo, rico em espécies lucrativas, da qual se destacava o sável, várias famílias rumam ao sul, em busca de sustento.
Destas migrações internas, que surgiram nos finais do séc. XIX, destacam-se duas de origens geográficas diferentes: os varinos, vindos da região de Ovar, Estarreja e Murtosa e os avieiros originários da Vieira de Leiria.
Situada na margem esquerda do rio Tejo, a escassos quilómetros da vila de Salvaterra de Magos, encontramos a pequena aldeia do Escaroupim. Curioso povoado habitado pelos descendentes de uma das mais peculiares migrações internas, que Portugal assistiu - os avieiros.
Estes nómadas do rio, como afirmou Alves Redol, são baptizados de avieiros, que é um gentílico extraído da sua terra de origem, Vieira de Leiria.
Em Vieira de Leiria durante o Inverno, o mar é tão revolto e os ventos violentos impediam que os barcos entrassem no mar. Privados da sua actividade principal, os avieiros tiveram que dedicar-se a outros trabalhos. Uns eram contratados pelas serrações instaladas nos pinhais vizinhos, outros deixam a sua terra de origem e partem em direcção ao Tejo, onde a safra do sável, lhes dava uma ilusão de uma vida melhor.
Não está definida uma data para esta migração, a única certeza que temos é que em dada altura, os pescadores da Vieira de Leiria, começaram a emigrar para o Tejo, e que durante anos, muitas famílias viveram uma vida repartida entre o rio e o mar. Partiam para o Tejo de comboio, mas os primeiros vieram nos seus próprios barcos.




Ficavam nos meses de Inverno a percorrer o Tejo e a suportar uma vida que era dura e difícil, como afirma Maria Micaela Soares: “(..) vinham em Novembro, trazidos pela penúria. Anónimos e tímidos se achegavam às margens do Tejo. Na época de vaivém entre a praia e a lezíria, moravam nas pequenas embarcações de proa alta, quer durante a faina, quer acostado. O barco era o berço, a câmara nupcial, a oficina e a tumba”.
A sua vinda para as terras de borda-d'água, não foi fácil porque “quando os avieiros chegaram à lezíria, encontraram já o rio sulcado de barcos, alguns maiores que os seus, e que eram conduzidas igualmente por pescadores que povoavam o Tejo, chamavam os da terra varinos.
Eles entre si designavam-se simplesmente pescadores, em oposição aos trabalhadores da terra. Os avieiros apelidaram-nos de Murtoseiros, qualquer que fosse o seu ponto de origem. Esta era, na sua maioria, a Murtosa, mas também vinham de Ovar e da Estarreja. Esses grupos, que haviam seguido na esteira do sável, fixaram-se nos extremos dos povoados ribeirinhos, junto às praias.
Alugavam as casas da beira-rio, onde habitavam várias famílias, para o aluguer ser mais acessível”.
Havia uma rivalidade entre ambos, o que provocava grandes rixas. Os varinos acusavam os avieiros de terem contribuído para a decadência da sua actividade piscatória, através da concorrência desleal das redes, os avieiros por sua vez também os acusavam de usarem este tipo de redes. O certo é que estes dois grupos não mantinham relações muito cordiais.
Com o passar dos tempos, o processo migratório cessa e acabam por se fixar nas margens no Rio Tejo, o nomadismo acaba e sedentarizam-se. Com a fixação definitiva, surge a necessidade de encontrar um domicílio mais estável, resistente e confortável. Pouco a pouco conquistam as margens do rio Tejo e começam a erguer pequenas barracas totalmente construídas em caniço, dado que este crescia de forma espontânea pelos valados.



Sempre que as condições económicas o permitiam, começavam a adquirir madeira, comprando por vezes uma tábua por semana e aos poucos iam edificando a sua habitação. A aldeia do Escaroupim nasce desta forma, tomando uma configuração muito irregular tal como a vida dos avieiros, as casas forma levantadas aos solavancos conforme as suas posses. Contrastando com a casa ribatejana, a habitação avieira é assente em pilares devido às cheias ocasionais do Tejo, é feita em madeira, pois é o único material que a Capitania do Porto de Lisboa e a Hidráulica permite. Enquanto que a casa ribatejana é normalmente caiada, a do avieiro é pintada com cores alegres onde se destaca o verde, o vermelho e o azul, disfarçando desta forma as amarguras da sua vida. Este tipo de habitação é idêntico aos palheiros da Praia da Vieira.
O Tejo era a sua vida, o rio fê-los viver décadas de isolamento de costas voltadas para a lezíria, dado que estes não os “aceitavam” por serem diferentes, as raízes culturais dos avieiros não estão no Ribatejo, mas sim na terra dos seus pais e avós - a Vieira de Leiria.

A MULHER AVIEIRA
A mulher teve um papel muito importante na família avieira, para além de mãe e esposa, era também a “camarada” do pescador. Era ela quem remava e controlava o barco, enquanto o homem lançava as redes, ajudava também no conserto nas redes.
Após a pescaria fazia grandes caminhadas, de freguesia em freguesia, com a canastra à cabeça para vender o pescado, descalça sobre a geada ou debaixo do sol escaldante.
Apesar da fixação na lezíria ribatejana, a mulher avieira conservou genuinamente o seu traje de origem. Vejamos a descrição deste, segundo uma descrição de Maria Micaela Soares “(...) elas conservam puras muitas das suas tradições, com especial relevo para o vestir. Usam saia e blusa - a que a mais velha chama “casaco”, sendo aquela muito rodada ou em pregas miúdas. De tecido diferente, conforme a estação do ano, a saia tende sempre para o xadrez castanho-amarelado, embora se vejam também de cores muito garridas.
O “casaco” tem sempre manga comprida, é bastante colorido e muito enfeitado, com rendas ou bordados, mesmo nas menos jovens (...).
Também não dispensa o avental, bastante rodado, estimando muito os de riscas largas, de quadradinhos miúdos ou de cor lisa, bordados. Usa-o no trabalho do rio, doméstico, agrícola ou nas festas.
Na cabeça, a avieira mais idosa não prescinde do lenço, posto com pontas ao alto, à rodada-cabeça, caído pelos ombros, atado atrás. Só dentro da casa e nos grandes calores estivais o retira e, mesmo assim, se alguém chega à porta, repõe-no imediatamente, que não parecia bem sem ele. Faz parte do decoro da sua apresentação. Quando de luto, nem em casa o afasta.
Interiormente as mais velhas trazem ainda camisa com “ombrêras”, além da saia branca de baixo, tudo com rendas.
Grande anseio de todas é a posse de um cordão e grandes medalhas, que ostentam mesmo sobre fatos de luto (...)”.

O HOMEM AVIEIRO
Trajo do avieiro, também nos reporta para a sua área geográfica da Vieira de Leiria “de camisa axadrezada, em tons castanhos e amarelos, de preferência e não já de pano-cru; calça de fazenda ou de cotim, arregaçada, tal como a ceroula interior, ou largas bragas de zuarte, antigamente,mas de ganga hoje; boina de pala curta em vez de barrete de outrora, em geral preto, mas que também fora azul ou vermelho, com ou sem borla, cinto de cabedal ou mero cordão, pela cinta preta de outros tempos, camisolas e casacos de malha ou de tecido grosso a destronarem o gabão de capucha e farto cabeção, pés de descalço sempre - eis o velho avieiro”.

Bibliografia: Maria Micaela Soares, “Mulheres da Estremadura” In Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa

Rancho Folclórico "Os Avieiros" do Escaroupim (Página Provisória)

domingo, julho 05, 2009

Descarregador de peixe – Setúbal - Estremadura

De passagem por Setúbal não podia perder o 33º Festival Nacional de Folclore organizado pelo Rancho de Praias do Sado, que decorreu ontem, dia 4. Um espectáculo maravilhoso, num auditório extraordinário e com um público entusiasta.

Confesso que gostei tanto do que vi e ouvi, que me apeteceu homenagear esse grupo e essa cidade falando de um dos seus trajes mais simbólicos – o Descarregador de Peixe.

Tentei encontrar uma descrição deste traje mas não consegui, pelo que a exposição seguinte resulta apenas da minha observação, se algum dos leitores pretender acrescentar algo agradeço.

O traje do descarregador de peixe é composto por umas calças curtas e um casaco de cotim, veste ainda uma camisa de riscado. Na cabeça usa o seu principal instrumento de trabalho e o objecto que marca a sua actividade, um chapéu metálico de forma circular, com aba larga e profunda, sobre o qual transporta as canastras de pescado. Para proteger a cabeça da rigidez do metal, utiliza um lenço que amarra na nuca.

Anda descalço, pois a actividade assim o obrigam.

Noutras regiões e em actividades idênticas, havia o costume do peixe que caísse nestes chapéus reverteria a favor do descarregador, daí o andar bamboleante que adoptavam, não sei se é esse o caso, mas gostava de conhecer mais.

quinta-feira, julho 24, 2008

Gravura de um Almocreve

Neste blog já descrevi o trajo do Almocreve da Estremadura, mas recentemente descobri uma gravura de um grande artista plástico português, que retratou delicadamente um almocreve dessa região – Rafael Bordalo Pinheiro.


O autor do Zé Povinho que se veio a tornar num símbolo do povo português, foi um desenhador e aguarelista, ilustrador português, de obra vasta dispersa por largas dezenas de livros e publicações, precursor do cartaz artístico em Portugal, decorador, caricaturista político e social, jornalista, ceramista e professor.


terça-feira, abril 22, 2008

Vendedeira de Melancias – Estremadura

O trajo que vos apresento é a recriação de uma gravura de meados do secXIX, retratando uma vendedeira de melancias em Setúbal.

O trajo é composto por casaquinha de tecido de lã verde, com gola, frentes justas e abotoadas, mangas compridas, justas com punho virado. Sobre a gola, frentes e punhos, vivo de cor clara. Saia comprida de lã castanha, franzida na cintura.

Avental de tecido de algodão cor de laranja cobrindo toda a frente da saia. Algibeira escondida entre a saia e o avental.

Na cabeça, lenço de algodão branco, com as pontas soltas, preso pelo chapéu de feltro de abas arredondadas.

Calça meias e sapatos de couro.

Fonte: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas

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sexta-feira, fevereiro 15, 2008

O modo de usar o lenço – Leiria – Estremadura

O trajo, no seu todo, não é mais que o conjunto das partes, ou seja, é composto por vários elementos que em separado dificilmente nos conseguem dizer algo sobre o modo, quem ou quando se usava. Quem estuda trajos, muitas vezes, baseia o seu trabalho em imagens antigas, com muita ausência de pormenor e que, não poucas vezes, deixam mais duvidas que certezas. As imagens que vos apresento, encontrei-as na Internet e são reproduções de postais da do Turismo de Leiria, representam duas formas de pôr o lenço com o chapéu na região de Leiria e são esclarecedoras quanto ao modo de usar. São estudos de lenços de Anjos Teixeira, datados de 1942 e 1950, que pela riqueza de pormenor merecem ser apreciados.

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terça-feira, fevereiro 12, 2008

Almocreve ou Azemel – Batalha – Estremadura

Os almocreves ou azemeis, do árabe "az-zammal" (o que impele), e que significa condutor de azémolas (besta de carga), eram pessoas que conduziam animais de carga e/ou mercadorias de uma terra para outra.

Numa época de comunicações limitadas, os almocreves eram essenciais como agentes de comunicação inter-comunitária (além de serem indispensáveis ao abastecimento de bens às vilas e cidades). De entre as rotas de abastecimento mais importantes, destaque para as que levavam os almocreves a transportar peixe para o interior e, no sentido inverso, cereais. Não confundir almocreves com mercadores, pois que na maior parte das vezes os bens que transportavam não eram propriedade sua, embora fosse comum um almocreve ser também mercador.

Este traje, dos finais do século XVIII e princípios do século XIX, apresenta calções verdes com os folhos das ceroulas à vista. Botas de meio cano com espera no pé direito. Cinta violácea. Jaleco castanho, colete, camisa de linho com folhos. Chapéu minderico com borla na aba. Lenço debaixo do chapéu. Corrente de prata ou de ouro no colete com moedas pendentes. Varapau ferrado para conduzir os animais.
Site recomendado: Rancho Folclórico Rosas do Lena
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terça-feira, dezembro 11, 2007

Trajos Domingueiros Saloios – Estremadura


Aos domingos e dias de festa o povo gostava de se aperaltar com o que de melhor tinha, que não era muito, pelo que se reservava para esses dias um fatito melhor, que logo de seguida era cuidadosamente limpo e guardado, para que se não estragasse, pois só havia esse e pouco dinheiro para comprar ou fazer outro.

O trajo domingueiro masculino era composto por camisa branca em popeline, com peitilho em piquet, de manga comprida com punho, colete de fazenda preto sem bandas (as costas eram de fazenda aos quadrados de cor garrida), calça preta de cós alto com fivelas atrás, à boca-de-sino justa à bota e cinta preta. Jaqueta em fazenda preta com gola em veludo e alamares. Calçava botas de calfe preto. Usava barrete ou chapéu preto. Fazia-se acompanhar de um pau, “não fosse o diabo tece-las …”.
A rapariga veste casaquinha com gola de gargantilha, abotoada à frente com botões e machos atrás, manga comprida com punhos pretos. Saia comprida de armur sobre o saiote e os colotes de pano branco decorado com rendas. Calça meias de algodão e sapatos de atanado com atacadores. Na cabeça, lenço de cachené.

Os morgados eram pessoas de bens, abastados, viviam das terras que possuíam ou que arrendavam, portanto, podiam vestir um pouco melhor e exibir melhores adornos.
A mulher usava um lenço branco de seda lavrada na cabeça, casaco preto em seda lavrada de gola e bandas, com machos atrás e punhos de veludo, a saia era comprida do mesmo tecido. Blusa de seda branca, com folhos no peito e punhos rendados.
Como roupa interior, vestia saiote e colotes brancos com renda. Calça meias brancas de algodão e sapatos pretos de calfe.
Transporta bolsa de veludo preto, para guardar alguns valores e xaile preto de merino franjado, para se proteger do frio.
O homem, veste calças de fazenda de fantasia, à boca-de-sino, colete de astracã preto, jaqueta do mesmo material, com gola de veludo preto e alamares de seda. Camisa branca em popline com peitilho em nervuras. Ajusta a cintura com cinta de merino preta e na cabeça, chapéu preto de aba larga. Calça botas de cabedal preto.
Usa relógio de bolso, com corrente de prata.

Site recomendado:
Rancho das Lavadeiras do Sabugo
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terça-feira, novembro 27, 2007

Trajos de Trabalho Saloios – Estremadura

Os trajes que vos vou apresentar são cópias fiéis dos usados pelos nossos antepassados nos fins do séc. XIX até aos anos 20 / 30 do séc. XX na Região Saloia.
Estes são apresentados pelo
Rancho das Lavadeiras do Sabugo, o mais antigo representante das danças e cantares das Lavadeiras e Carroceiros do Concelho de Sintra.


Traje de trabalho de lavadeira
Já apresentei neste blog o traje de lavadeira quando se dirigia a Lisboa para receber e entregar roupa ás freguesas.
Este que agora vos descrevo era usado no trabalho, quando lavava a roupa nas ribeiras ou nos tanques da aldeia, assim, a mulher vestia blusa florida de chita com gola de gargantilha, abotoada na frente e manga comprida com punho.
Saia comprida de fazenda aos quadrados e avental de riscado. Por baixo, saiote e colotes de pano branco decorados com rendas, protegidos pelo saiote de riscadinho escuro.
Calça meias de algodão de cor escura e sapatos de cabedal grosso com cordão.
Na cabeça, lenço de cachené com motivos florais.
Transporta os seus objectos de trabalho, a joelheira e a malha para bater a roupa, feitas em madeira, e a trouxa de roupa em serapilheira.

Traje de Leiteira
Este traje não difere muito do anterior, apenas varia a função da mulher, desta feita, vende o leite da sua produção agro-pecuária. Acrescenta a algibeira presa à cintura para transportar o dinheiro da venda.


Traje de camponês
Este é o trajo de trabalho do homem, que também adaptava de acordo com as tarefas. Habitualmente, vestia calças e colete de cotim, camisola de riscado de manga comprida, camisola interior escura de manga comprida.
Barrete preto saloio na cabeça para protecção do sol e do frio. Cinta preta enrolada em torno da cintura. Calça bota grossa de cabedal.
No bolso, usa o lenço tabaqueiro (vermelho) para limpar o suor ou transportar o tabaco.
Em determinados trabalhos, nomeadamente para cavar, enrolava nas pernas plainitos de serapilheira para sua protecção.

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terça-feira, novembro 06, 2007

O bordado de Castelo Branco – Beira Baixa











Os Bordados Tradicionais de Castelo Branco, antigamente designados por “bordados a frouxo”, caracterizam-se por um desenho muito próprio, identificável quer pelos motivos que utilizam quer pela forma de os desenhar.

A designação de hoje dada aos bordados, “Bordado de Castelo Branco”, foi criado em pleno séc. XX e teve como resultado associar este bordado à região de Castelo Branco. Estes trabalhos são realmente mais abundantes na região da Beira Baixa, no entanto, podemos também encontrar alguns exemplares, ainda que em menor número, em todo o território nacional e mesmo na Estremadura Espanhola.

É possível atribuir os exemplares mais antigos ao séc. XVII.

Parecem ter tido como finalidade, suprir a necessidade de providenciar uma cobertura. A produção caseira, para consumo caseiro, de peças têxteis era o modo de produção normal e quotidiano das populações, a cargo das mulheres. O gosto em ornamentar o têxtil, quer ainda no tear, quer já depois de tecido e mesmo confeccionado, é provavelmente tão antigo quanto a tecelagem. A utilização dessas peças, talvez tenha ocorrido, numa primeira fase, em momentos de festividade e, numa fase posterior, passaram a integrar o quotidiano familiar.

Os Bordados de Castelo Branco sempre tiveram o seu maior expoente nas colchas, possuindo um aspecto simbólico.

As raparigas, em idade de casar, enfeitavam o seu leito com as colchas de grande decoração e policromia junto à janela que dava para a rua onde passaria o rapaz, para que este a visse e, possivelmente, ficasse impressionado e enamorado.

Se por um lado estas peças faziam parte do enxoval das raparigas em idade de casar, elas foram utilizadas num primeiro momento, especialmente em dias de festa, para posteriormente serem elementos que começaram a integrar o quotidiano familiar.

Ao longo dos anos, a arte dos Bordados de Castelo Branco sofreu influências orientais com a inclusão de motivos persas, da Índia e da China, mas também consideráveis influências da Renascença, do Barroco dos brocados e damascos, para além da inventiva popular.

Os motivos bordados possuem uma simbologia muito própria. O pássaro bicéfalo representa Duas Almas Num Corpo Só; as albarradas a Família; as árvores a Vida; os dois pássaros os Desposados; a coroa real o sinal da Autoridade Patriarcal e os encadeados, a cadeia indestrutível do casamento.

Assim, os Cravos alegorizam o Homem; as rosas a Mulher; os lírios a Virgindade; os corações o Amor; as gavinhas a Amizade; a hera a firme Afeição; os jasmins a Virtude; o galo a Virilidade; as romãs e as pinhas a união e a solidariedade indissolúvel da Família; as frangas e os galaripos a Prole bendita e os lagartos, o amuleto da felicidade sempre muito desejada.

Nos nossos dias este trabalho é preservado pela Escola de Bordados Regionais, incorporada no Museu Tavares Proença Júnior, que vê o passado destes bordados como um património de grande importância e o qual deve ser preservado. No entanto, considera que a oficina – escola do museu não deve situar-se apenas num papel de era copista da produção passada, mas deverá ser um ponto de partida para a expressão rústica dos artesãos contemporâneos, caso contrário esse imobilismo poderia provocar a morte lenta desta tradição. Existe ainda a preocupação de não se provocarem rupturas abruptas e sem enquadramento, nos casos das alterações nos pormenores dos desenhos.

Se pensarmos que a capacidade criativa e expressiva dos bordados de Castelo Branco nasceu das antigas bordadeiras, então não poderemos asfixiar a capacidade criativa das bordadeiras contemporâneas.

A actual oficina – escola aposta numa criação de bordados que sejam ao mesmo tempo renovados e de qualidade.

Técnica dos bordados de castelo branco

Os bordados de Castelo Branco são efectuados em tecido de linho com bordados a fio de seda frouxo, isto é, que não foi torcido, com a ajuda de um bastidor circular. Os aros são encontrados em diversos tamanhos e são acolchoados, possuindo um suporte para mesa ou chão.

Estica-se o tecido no bastidor com um guardanapo de papel entre a argola exterior e o bordado, para que o arco não marque o tecido.

O ponto que mais se aplica nos bordados é o cheio frouxo ou “ponto largo”, também designado ponto de Castelo Branco, que mais não é que uma variante do “ponto de oriente” ou da “Hungria” ou de “Bolonha”. Aparece em todos os trabalhos, mas predomina nos de carácter popular acompanhado de outros mais simples. Torna-se económico porque cobre apenas a superfície superior.

A bordadeira enfia a agulha por baixo e estende o fio até à extremidade oposta. Prende o fio e regressa ao ponto de partida. Num movimento de vai e vem, cobre a superfície que deseja bordar.

No avesso ficam apenas os pontarecos que prendem a seda. Terminada esta operação, lança fios paralelos que distam aproximadamente um centímetro dos outros, no sentido perpendicular ao bordado. Estes fios são presos por pontos espaçados de meio centímetro. Denominam-se prisões e aqui uma alusão ao casamento que é a prisão de dois seres que se amam.

Outros pontos mais complexos e alguns de origem oriental, vão enriquecer as colchas híbridas e em especial as eruditas.

Os pontos mais conhecidos são: frouxo, pé de flor, atrás, cadeia, espinha, lançado, lançado espinhado, margarida, recorte simples, recorte contrariado, galo, galo travado, galo com variantes, nó, embutido, fundo, matiz, formiga, asna, coroa, pena, grilhão.

A aplicação dos pontos depende do gosto da bordadeira que procura equilibrá-los de modo a formar uma textura agradável.

Escolhidos os motivos simbólicos que vão preencher o campo e a barra, faz-se o seu desenho em folhas de papel vegetal. Como as colchas são de simetria binária, basta apenas fazer um desenho de um quarto da colcha.

Numa mesa comprida ou no chão estende-se o linho de origem caseira. Antigamente o pano era riscado a tinta, hoje emprega-se o papel químico de preferência amarelo porque deixa marcas suaves.

Seis bordadeiras, três de cada lado, bordam o linho segundo as cores e os pontos escolhidos.

Terminado o bastidor, desmancha-se e enrola-se a parte bordada, ficando a outra livre para se continuar o trabalho. Assim se vai procedendo até ficar pronta.

É novamente estendida sobre uma mesa ou no chão para se verificar se há algum engano que seja preciso corrigir.

Num tear apropriado uma das bordadeiras tece ainda uma franja que é aplicada depois de a colcha ser passada a ferro.

O trabalho fica concluído com a aplicação de um forro de chita.

A colcha dá muito trabalho e as seis bordadeiras demoram um mês ou mais a executar.

Referência Bibliográfica:
Silva, Paulo Fernando Teles de Lemos, Bordados Tradicionais Portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006
Bordado de Castelo Branco. Catálogo de Desenhos. Colchas I,
Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, Lisboa, IPM, 1992

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Site recomendado: Fátima Paixão

terça-feira, setembro 25, 2007

Trajo de Duas Saias – Ilha de S. Jorge – Açores

Este é um trajo utilizado em diversas zonas da Ilha de São Jorge, mas também se podem encontrar indumentárias semelhantes no continente, na região da Estremadura.
Existem ainda registos de trajes semelhantes na Irlanda.
Este trajo é composto por duas saias de baeta creme, com barra cor-de-rosa, franzidas na cintura com cós e abertura lateral. São iguais, cada qual servindo no seu sentido, ou superior ou inferior. É citada por vários escritores como saia de ombros. Por baixo tem uma blusa ampla, de pano alinhado branco, com duas pregas fundas na frente e nervuras nos lados. É guarnecida por bordado inglês e franzida nos punhos e em volta do pescoço. Na cabeça, um lenço de lã estampado com flores e barras azuis. Calça meias de lã, feitas com agulhas e sapatos de sola de correola e cortes de baeta bordados a ponto pé de flor.
Referência Bibliográfica: Tomaz Ribas in O Trajo Regional em Portugal, Difel, 2004
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terça-feira, setembro 11, 2007

Pastor – Minde – Estremadura


No essencial este traje identifica-se com os seus congéneres da região, mantendo alguns acessórios comuns a todos os pastores, como sucede com a manta, sempre de tecelagem caseira local e decorada nos tons naturais da lã. Também a saca da merenda, a cabaça com água-pé e porreto são indispensáveis para o trabalho atrás dos rebanhos.
A zona de Minde era um importante centro de produção de mantas e também de tecidos para os hábitos dos frades, terá contribuído para o abastecimento de panos de lã às populações mais próximas.
Por outro lado, a circulação destes produtos, nomeadamente das mantas, pelas feiras de todo o País, muito em particular no Alentejo, terá contribuído para influenciar o seu desenho característico, as mantas de riscas.
Mas os contactos entre estas duas regiões, também traziam do Alentejo a lã que abastecia a insuficiente produção local.
O pastor vestia camisa de riscado com cós, aberta sobre o peito. Colete de cotim cinzento-escuro, ajustado com botões. Calças do mesmo tecido, com bolsos metidos nas frentes, ajustadas com cinta preta. Na cabeça, barrete de lã da mesma cor e lenço tabaqueiro ao pescoço. Sobre o ombro, manta de riscas de Minde. Segura na mão a saca de retalhos onde transporta a merenda, a cabaça e o varapau. Calça botas de couro ensebadas.
Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
Site recomendado: Câmara Municipal de
Alcanena
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sexta-feira, agosto 10, 2007

Mulher dos Cabazes – Nazaré – Estremadura

O trabalho desta nazarena consistia no transporte à cabeça dos cabazes com peixe trazidos nos barcos até à praia. Carregava sempre os cabazes em número par e ganhava à corrida, entre a barca e a lota.
Tratando-se de um trajo de trabalho a saia de duas rodas apresenta dois tipos de tecidos diferentes. Um em castorina de lã escura formando riscas, o outro de escocês junto à cintura. Era muito frequente as saias serem remendadas com outros tecidos à medida que se iam rompendo. Tudo se aproveitava, porque os ganhos não chegavam para os gastos.
O gesto de segurar na boca a ponta do xaile era habitual, pois a mulher dos cabazes tinha de limpar com frequência a cara, molhada com a água que caia das canastras.
Vestia um casaco de algodão estampado com motivos florais, gola de bico ou redonda e frentes abotoadas, com manga comprida. Saia de tecido de castorina e escocês, franzida na cintura, descendo até meio da perna. Avental de tecido de algodão azul ganga, com cós, bolsos e orla cosidos a à jour. Na cabeça, lenço estampado atado na nuca e um pequeno xaile de lã, deixando cair as pontas.
Para ajudar a suportar os cabazes usa uma rodilha sobre a cabeça.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004

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quarta-feira, agosto 01, 2007

Carroceiro e Lavadeira – Região Saloia – Estremadura

As frutas e os produtos hortícolas que abasteciam os mercados de Lisboa eram produzidos nas zonas agrícolas que envolviam a capital, conhecida por região saloia. Os carroceiros ajudavam os lavradores a transportar os produtos nos seus carros até à Praça da Figueira.
Embora o trajo do carroceiro não seja muito diferente do trabalhador rural da mesma região, leva consigo alguns acessórios que o distinguem, como a guizeira, as peias e o chicote, indispensáveis para aparelhar os animais.
Veste o guarda-pó, uma camisa de riscado azul e branco, com cós, frentes abotoadas e fralda com nó na cintura. Camisola interior “mata borrão” de malha de algodão mesclado. Calças de lã castanha serrubeco ou cotim, ajustadas na cintura com cinta de lã preta. Por baixo, ceroulas de flanela ou pano cru. Na cabeça, barrete preto com borla e carapinha da mesma cor, no fundo do qual guardava o tabaco e as mortalhas para fazer cigarros. Calça botas de atanado.
Em tempos não muito distantes, as mulheres desta região deslocavam-se periodicamente à cidade para recolher e entregar a roupa das casas das freguesas. Ocupavam-se da sua lavagem, transportando as trouxas de roupa para os rios e lavadouros, próximos das suas habitações. Neste vaivém periódico, as lavadeiras vestem-se de forma cuidada, não só para se apresentarem à sua clientela citadina, mas também, porque a deslocação a Lisboa merecia alguma deferência.
Nesta altura, vestia blusa de algodão estampado, cintada formando aba, frentes com gola redonda, encaixe com franzido, abotoadas e guarnecidas com folho, manga comprida tufada, ajustada no punho com folho. Sai de lã franzida na cintura e debruada com fita com orla. No caminho, para a proteger, enrolava-a ao nível da anca, já que por baixo usava uma outra saia, mais gasta própria para aguentar as dificuldades da viajem.


Atada à cintura leva a “patrona”, uma algibeira contendo o rol da roupa e algumas moedas. Na cabeça, lenço de lã estampado cruzado na frente e apertado na nuca. Calça botas de atanado, abotoadas de lado, e meias de algodão rendadas. Transporta a trouxa de roupa.



Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
Site recomendado: Escola Secundária de Caneças


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quarta-feira, junho 13, 2007

Traje de Festa da Batalha – Estremadura

Blusa de tecido de algodão cor-de-rosa, com cós e encaixe decorado no centro com fitas pretas aplicadas; frente com macho ao meio abotoada ao lado. Sobre a linha da cintura, cinto do mesmo tecido aplicado. Saia comprida de tecido de algodão estampado, com pequenos motivos florais, franzido na cintura, decorada na orla com refegos e fita preta aplicada.
Na cabeça, usa lenço de algodão com motivos policromados, atado na nuca, sob o chapéu janota, cuja aba é enfeitada com plumas.
Suspensa da cintura, surge uma algibeira de retalhos guarnecida com renda. Traz na mão uma saquinha de tecido estampado. Calça meias de algodão lisas e sapatos pretos.
Sobre o peito, usa cordão de ouro com medalha e brincos compridos nas orelhas.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Samarra

A Samarra é um abafo masculino oriundo do Ribatejo ao longo dos anos difundiu-se às regiões vizinhas da Estremadura e Alentejo, posteriormente, a todo o país, do Algarve a Trás-os-Montes.
Este casaco, executado em fazenda de lã cinzenta, castanha, azul-escura ou preta, de decote redondo, aperta à frente com carcela e 5 botões de massa, os bolsos são embutidos na vertical ou diagonal, as mangas são compridas com aplicação de botões ou com virola.
É forrado cetim acolchoado.
A gola é forrada de pele de raposa, inicialmente, esta pele provinha de um troféu de caça, com a sua expansão e por uma questão de preço, passaram também a serem guarnecidas com pele de borrego.