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quarta-feira, julho 26, 2006

A Filigrana em Portugal

Remontando ao 3º milénio a.C., no Médio Oriente, a utilização da filigrana foi difundida periódicamente: na época romana mais recente; na Idade Média, na Sicília e em Veneza; na época Barroca; e em finais de 800 e princípios de 900.
Consiste numa sucessão de grãos, obtidos a partir de um fio ou de uma lâmina de ouro ou prata (com um utensílio apropriado, que pode ser uma matriz com um punção adaptado à forma pretendida), com fins decorativos. Consegue-se o mesmo efeito óptico com uma trança de dois ou mais fios do mesmo diâmetro. Á sucessão de cada grão (granito), soldados em fila segundo a técnica aperfeiçoada ao máximo pelos Etruscos, pode dar-se o nome de “Granulado”.
Como indica a palavra “fili” e “grana”, o trabalho consiste na utilização de uma trança de dois fios metálicos torcidos e achatados, de forma que se limite, pelos dois lados, a forma primitiva dos dois fios, moldando-os em forma de parafuso.
Uma vez confeccionado, o fio é empregue no enchimento de uma armação, que constitui o desenho do objecto. Em Génova, cidade de marinheiros, esta estrutura recebeu o nome de “casco”, pela analogia com o casco de um navio que se recheia depois do lançamento; daí também o nome de “armação”.


A Filigrana, arte de trabalhar metais, é fundamentalmente uma técnica de ourivesaria, e insere-se no tipo de ourivesaria popular. Embora não sendo especifica da nossa tradição cultural, encontramo-la noutros países e culturas, constitui uma das formas mais características das artes portuguesas. Lembremos Joaquim de Vasconcelos, o estudioso e erudito revelador da nossa arte popular, que situa a filigrana e o filigraneiro no quadro da arte : «o oleiro, o ourives na filigrana, o feitor de jugos principalmente para citar só três, revelam-se os mais seguros e fieis adeptos da arte nacional. Eles nos conservam o alfabeto de formas decorativas mais rico, mais variado, mais puro, mais genuíno que uma nação pode apresentar» (Joaquim de Vasconcelos, Artes Decorativas, in “Notas sobre Portugal”, 1908).

Duas correntes têm acompanhado a filigrana ao longo do tempo, em relação à sua produção e uso.
Num primeiro momento, aparece como artefacto secundário da jóia, como técnica de primor e de «sentimento artístico», aplicada a adereços de luxo, de uso profano e sagrado, com apurado gosto no desenho, cujo imaginário e configuração artística a integravam num tipo de ourivesaria própria das classes mais elevadas da escala social. A filigrana foi aplicada em importantes peças de ourivesaria litúrgica, de que se são apurados exemplos o cálice de prata dourada do Mosteiro de Alcobaça, a Cruz de D. Sancho, exposta no Museu de Arte Antiga, as quais exemplificam o uso da filigrana, como ornato único. A filigrana vive então das jóias, nada valendo sem elas. Conotada como - técnica da aplicação – permanece com esta função até ao século XIX.
Num segundo momento, no segundo quartel do século XIX, já como - técnica de integração - , a filigrana mais complexa e perfeita, mais segura, liberta-se da chapa de laminar que decorava, ganhando lugar de peça individualizada; sobre um esqueleto, estrutura ou armação, o filigraneiro teceu, ergueu, armou com fios delicados toda a «arquitectura» da sua obra.
O gosto pelas jóias de ouro filigranadas também se manifestou entre as classes superiores da época, assumindo-se como objectos de prestigio social para quem os usava. Porém classificada como arte popular, porque é produzida nos interregnos das tarefas campestres em certos locais, principalmente nos arredores do Porto. Surgem assim, os típicos corações de filigrana, alguns com grandes dimensões, os crucifixos, as cruzes de Malta, as arrecadas, os colares de conta, os brincos de fuso ou à rainha. Todo esse ouro filigranado é, não só um ornamento, como uma capitalização certa e segura de economia caseira, essencialmente rural.
A filigrana passa a encarnar o lamento de quem ocupou durante séculos o pedestal de gloria, para depois, numa idade mais avançada, se ver destronada, desprezada. Acusam-na de uma arte menor.
A tecnologia própria à filigrana abrange uma memória e um espaço sociais, isto porque cada técnica vai fixar-se num centro geográfico, numa época que permite tirar o máximo partido das riquezas dos processos e, em simultâneo, realizar uma difusão progressiva dos produtos.
Toda a filigrana portuguesa e consequentemente, a de Gondomar, se desenvolve de uma forma tradicionalista. Por isso, a forma, o modelo, a decoração, pouco tem variado desde há séculos relativamente à sua técnica.


quinta-feira, janeiro 22, 2015

O OURO POPULAR PORTUGUÊS IV

Desde a Antiguidade Clássica que se tornou corrente a utilização de moedas, medalhas ou outra peças como ornamentos, quer em alfinetes como em pingentes de colares ou cordões. Estes ornamentos, mais que o estatuto pessoal do seu utilizador, possuíam uma simbologia própria, associada muitas vezes ao divino ou à crença popular no além.
Muito embora existam ornamentos com representação iconográfica semelhante em épocas anteriores, é a estética do sec.XVIII que influência a joalheria popular do sec.XIX e início do sec.XX e que hoje parece renascer por influência dos “opinion makers” da indústria da moda (e ainda bem!).
É sobre esses ornamentos que vos vamos falar neste quarto artigo desta série dedicada ao Ouro Popular Português.

CUSTÓDIAS
Assim designadas por, na parte central, existir uma peça que sugere o expositor do Santíssimo. São também chamadas relicários, “relicairos”, “lábias” e “brasileiras”.
As mais populares são joias em filigrana, um pouco aberta e não muito apurada, embora existem algumas, feitas em Gondomar, com filigrana mais fina.
Chamam-lhes “lábias”, pela semelhança com os lábios da parte superior.
Brasileiras” porque, na altura em que os homens de Castelo de Neiva emigravam para o Brasil, quando vinham a Portugal visitar a mulher ou a namorada, tinham obrigatoriamente de comprar esta peça, mesmo que fossem imensos os sacrifícios feitos para esta aquisição, pois muitos dos que iam para estas paragens, vinham ainda mais pobres, mas esta era uma forma de demonstrar o contrário. A custódia era então orgulhosamente exibida, na missa dominical, e à saída, perante tal exibição, o povo diria “Olha a brasileira!” - daí a peça passar a ter essa designação.

PEÇAS OU MEDALHAS
São moedas autênticas embelezadas com espalhafatosas cercaduras chamadas “encastoamentos, nas quais se inserem umas presilhas com a finalidade de segurar a moeda sem lhe causar danos que altere o seu valor numismático. As moedas mais utilizadas eram as libras de cavalinho e cara de mulher (Rainha Vitória) - pois as caras de homem (Jorge V) não eram muito do agrado da mulher minhota - moedas de cinco e dez mil reis.
MEMÓRIAS
As memórias tinham quase sempre uma função saudosa. Eram transformadas em cofre, onde se encerrava uma madeixa de cabelo, fragmento de vestuário, pequena frase ou simples letra, breve oração, fotografia, bem como outras relíquias que constituem terna recordação de quem já não é deste mundo.

CRUZES
As cruzes são os símbolos iconográficos que atravessaram os séculos do cristianismo, não só como símbolos de Fé, mas também como identificação incontestável da religião do seu detentor, o que em determinadas épocas foi muito importante.
Surgem assim vários modelos de cruzes, do mais simples ao mais elaborado, respondendo quer ao gosto quer à capacidade financeira do povo.

CRUZ BARROCA
Eram feitas através do processo de estampagem do metal com o recurso a moldes, sendo oca, mas que dava a perceção de um objeto pesado e portanto valioso.
Como não revelavam a imagem do Crucificado, também eram designadas por “cruz de ouro mal obrado”.



CRUZ DE MALTA OU ESTRELA
São cruzes feitas em filigrana muito elaborada e guarnecidas com curiosos esmaltes.
Trata-se do símbolo da Ordem dos Cavaleiros de Malta (Cavaleiros Hospitalários), que me Portugal teve grande implantação desde o sec.XIII.

CRUZ DE RAIOS
Cruz em canovão com avantajado resplendor, arredondado, aureolando quase totalmente Jesus. Por via de regra, mostra muitas vezes a Senhora da Soledade aos pés do Filho.

CORAÇÕES
Os corações é outra das temáticas muito utilizadas na joalheria, surgindo com várias técnicas e feitios.  

CORAÇÕES OPADOS (ocos e bojudos)
Fabricam-se através da técnica da estampagem em chapa muito fina e são decorados com finos fios de filigrana ou um granulado. Têm motivos de amor, florais ou religiosos. Podem ser flamejantes ou chamados duplos, por terem como que um duplo coração por cima do maior, mais não sendo que a estilização de chamas.
Eram estes os mais usados pela mulher vianesa.  

CORAÇÕES DE FILIGRANA
Os corações de filigrana que aparecem hoje muitas vezes ao peito da vianesa não eram usados noutros tempos com tal frequência, por um lado, por causa da sua grande mão-de-obra que os tornava mais caros, e por outro, os fabricantes na tentativa de os tornarem mais acessíveis faziam-nos normalmente em prata dourada, metal considerado menos nobre ao gosto do povo.
Convém esclarecer, que ainda hoje a prata dourada é metal utilizado na maior parte dos que atualmente se fabricam. 

LAÇA
A Laça é uma joia de intervenção real, depois, popularizada. Formada por duas peças. Foi atribuída a D. Maria Ana de Áustria, a célebre “laça das esmeraldas”. É a primeira joia verdadeira do Minho, constituída por uma laçada dupla e decoração de fios enrolados, podendo ter um diamante ao centro. O seu nome provém da argola que tem por trás para ser usada com uma fita de seda. Mais tarde, tomaram a forma que tem hoje – coração invertido.


No próximo artigo desta série falaremos de JOALHERIA MASCULINA

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O Ouro Popular Português II
O Ouro Popular Português III

quinta-feira, janeiro 08, 2015

O OURO POPULAR PORTUGUÊS III


CORDÕES E COLARES

Além dos brincos, o cordão, cuja riqueza se media pelo número de voltas ao pescoço, e algumas peças (medalhas, cruzes ou pingentes) eram os objectos mais desejados pelas mulheres de todas as regiões.

  
Cordão
Cordões - São fios com dois metros e vinte (podendo, neste caso, dar quatro voltas ao pescoço). Podem ser de elos redondos (como os manuais de antigamente) ou em forma de pêra. Quanto ao peso, podem ser finos (linha), grossos (soga) e ocos. A seguir aos brincos o cordão era a peça mais utilizada em todo o país. No Minho primeiro eram adquiridos os “botões”, segundo o colar de contas e só depois o cordão de ouro.
Cordão Torso
Cordão de Grilhão





Trancelim
















Trancelins - Só depois do terceiro ou quarto cordão é que era adquirido o trancelim. Têm o mesmo comprimento dos cordões, mas os seus elos são trabalhados normalmente em filigrana não muito “apurada”.
Gramalheira

Colares de Gramalheira - A gramalheira (ou “gremalheira” ou “cramalheira”), sobrepondo-se e destacando-se dos demais adornos, é uma peça que, por razões económicas, não é muito popularizada - mas é de excecional efeito. Sobretudo quando, como em muitos exemplares, o respetivo colar exibe ornatos – muitas vezes com propriedade chamados “escamas” – tendo por intermédio bem urdida malha. Liga-o na parte em que arma o seio, um “botão” em forma de meia – laranja (não ultrapassando o diâmetro de sua base o de um vulgar botão de gabardina ou sobretudo), com gomos esmaltados alternando as cores azul e branca, circundado de pedrarias de fraco custo e dele irradiando, sinteticamente, em posições opostas, duas tiras rematadas por borlas emparelhadas com lindíssimo “florão” - semelhante, no formato e tamanho, a um ovo de galinha cortado ao meio, de alto-a-baixo. O “florão” é obrado em ouros diferentes e enfeitado com pedras, pequenas e redondas, azuis, vermelhas e brancas, idênticas às do “botão”. Pelo seu reduzido valor são tais pedras ditas “fanfarronas” e, como facilmente se deduz, será o “florão” (medalha de gramalheira), a completar apoteoticamente tão estimada joia.


COLARES DE CONTAS
As peças de ouro popular com antepassados mais longínquos são as contas. Nas civilizações muito antigas e primitivas, em que se desconhecia a tecnologia do metal, usavam-se os colares com as mais variadas pedras e pérolas - estas, não tanto pela sua beleza, mas pela forma esférica. Posteriormente, irão aparecer contas maciças dos mais variados metais. A mais antiga conta em ouro maciço encontrada em território português data do 3º milénio a. C. e foi descoberta na zona de Sintra. As atuais contas de Viana - ocas, e que antigamente ainda eram bem mais leves - são descendentes diretas das gregas, fenícias, romanas e etruscas, sendo estas últimas as que mais se assemelham às de agora. A granulação ou polvilhado e a filigranação envolvente não passavam dum mero adorno, pois o que sempre prevaleceu foi a sua forma esférica e arredondada. Esta forma é encontrada, para além das contas, nos brincos parolos ou de chapola. O colar de contas era adquirido pela mulher de Viana antes do tão desejado cordão. Era muitas vezes comprado conta a conta à custa das poucas economias dessas jovens, em geral provenientes da venda de ovos ou do comércio de frangos.
Colar de Contas de Viana
As contas usavam-se em número variável, consoante a localidade, mas nunca, como agora, a rodear completamente o pescoço. As contas iam só até ao meio do pescoço ligadas por um fio de correr. Podia aumentar ou diminuir-se o colar consoante a necessidade, e este terminava na parte de trás com um “pompom”. O fio era feito manualmente, em algodão, e poderia ser vermelho, amarelo ou azul. Os “pompons” eram das mesmas cores ou com fios mesclados.
O colar de contas raramente era usado sem uma “pendureza”, normalmente uma borboleta, uma cruz de canovão raiada com resplendor de filigrana ou uma custódia.
Contas de Viana - com forma esférica, círculos de filigrana e um granito ao centro -eram estas as mais usuais.


Colar de Pipo - com forma oval e com estrias em forma de mola.


Contas de Pipo

Brasileiras- eram muito procuradas pela nossa emigração brasileira nos anos 20 do séc. passado, daí a designação
No próximo artigo desta série falaremos de PEÇAS, CUSTÓDIAS, MEMÓRIAS E CRUZES
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O Ouro Popular Português I
O Ouro Popular Português II

domingo, novembro 04, 2007

O Ouro do Minho – O Ouro de Viana


Trazer ouro no pescoço

Brinquinhos a dar a dar

É bonita gosto dela

Tem olhos de namorar.


Francisco Sampaio é sobejamente conhecido pelo seu trabalho em prol da defesa das tradições populares minhotas. O texto que vos apresento é da sua autoria, sendo um excerto do catálogo do Cortejo Etno-Folclórico da Romaria da Senhora d’Agonia de 2006, em Viana do Castelo.

Neste texto demonstra a importância do ouro no traje minhoto.

Ouro e Traje – Uma homenagem à mulher e às moçoilas de Viana

Foi o Traje “à vianesa” o grande responsável pela riqueza dos enfeites, das filigranas, das jóias tradicionais e onde a mulher de Viana se sente como ninguém ao fazer do seu “peito” uma mostra de bom gosto e de bem trajar.

Assim, a rapariga de Viana no seu traje de trabalho ou de cotio, nas lides domésticas ou no trabalho do campo não se sente “ourada” quando usa brincos e colar de contas. O subterfúgio da “orelha ferida” ou o epiteto de “fanada” era o mínimo que se podia dizer de uma rapariga sem brincos!

No “traje de domingar” e já a fazer “versos” nos lenços de amor usa o primeiro “cordão”, que lhe concede o estatuto de rapariga namoradeira. O mesmo se passa com o traje de ir à feira.

Só o “traje de festa”, também designado por “traje de luxo” é que “obriga” a rapariga a aparecer “ourada”. E isto significa, quando são mordomas, a aquisição do segundo cordão com “peças” (medalhas de libra ou meia libra), borboletas (corações invertidos), a “laça”, os brincos “à rainha”, a pregadeira das “três libras”, “Santa Custódia” ou “Brasileira” a lembrar os tempos de emigração.

O Traje de Noiva – obriga ao terceiro cordão, oferta do noivo – um cordão grosso, a “soga”, um cordão “de bom cair” pelo seu muito peso, ao trancelim.

O Traje de Morgada – sinónimo de casa farta, boa lavoura, criadagem, tulha cheia, soalhos encerados e o cheiro a mosto das adegas. Uma só jóia na casaquinha justa – a gramalheira / grilhão / bicha. Gramalheira - por se assemelhar a uma corrente grossa usada para suspender os potes de três pernas da lareira; grilhão - pela sua analogia com as correntes metálicas; bicha – pela semelhança da parte do colar a uma cobra com escamas.

A união do colar – ao centro com chapas de ouro lisas e geometricamente recortadas – faz-se com uma roseta em relevo com pedras. Dos braços laterais caem franjas e, ao centro, o medalhão que pode atingir 20 centímetros com os mais variados motivos folclóricos.

Em termos de conclusão podemos afirmar que o Traje e o Ouro à Vianesa estão padronizados a partir do 2º quartel do Séc. XIX, altura em que os regionalismos, no Portugal liberal, se definiam.

A Montra de Oiro de uma Lavradeira

Escolhemos da Montra de Oiro de uma Lavradeira (no dizer do Tenente Afonso do Paço), as seguintes jóias:

ARRECADAS DE VIANA – Castrejas (as complexas arrecadas como as de Laúndos,

Afife e Estela) – Com a sua “janela”, ou “pelicano” ou “bambolina” na sua forma lunular com as respectivas campainhas, sempre em número ímpar, e que têm a virtude

de afastar espíritos maléficos.

ARGOLAS – (Castrejas) – Também, chamadas barrocas, carretilha, a cigana, de Leque (com ou sem turquesas), torcidas, regueifa (com um torcido a imitar o pão de regueifa), indianas (de canovão relativamente fino, de suspensão em gancho ou com

fio de suspensão ao correr da curvatura), carniceiras ou de Barcelos.

COLARES DE CONTAS – (produzidas pelas civilização grega, etrusca e fenícia e que os castrejos, também, adoptaram). As contas vianesas ou os colares de contas de Viana assemelham-se às etruscas. As primeiras contas eram maciças; mais tarde é que passaram a ser ocas. O colar de contas é adquirido pela jovem alto minhota à custa das poucas economias que provinham da venda dos ovos, dos frangos ou das primícias da horta. É usado com uma pendureza, normalmente, uma borboleta, uma cruz de canovão raiada ou uma custódia. Toda a vida.

BRINCOS À RAINHA – ou à “Vianesa” ou “Picadinhos”. São compostos por duas peças, tal como a laça. É do período Rocaille e, pertence pelos ornatos, à chamada gramática de D. Maria I. São, também, amuletos, desenhando formas arredondadas e curvílineas. Quais arrecadas laminares, articuladas por argolins de ouro, recortadas ou vazadas, parecem feitos de renda.

CORDÕES – são fios com dois metros, ou mais, para assim se conseguirem quatro voltas no pescoço. O cordão era o terceiro ouro da rapariga, logo a seguir às arrecadas e ao colar de contas. Conforme a textura dos elos podem ser “sogas” (mais grossos) ou apelidados de “linhas” (mais finos). A lavradeira nunca usa o cordão oco.

PEÇAS / MOEDAS / MEDALHAS DE IMITAÇÃO usadas como ornamento desde os Romanos: são muito correntes os alfinetes com moedas de ouro. As peças são moedas autênticas embelezadas com cercaduras chamadas “encastoamentos”; a medalha de imitação é muito semelhante à peça, diferenciando-se pela moeda que é de imitação e pelo “encastoado” que para se distinguir da verdadeira apresenta tamanho inferior e acabamento menos perfeito.

MEMÓRIAS – São peças ocas, de abrir, de diferentes tamanhos e formas diversas, podendo ser ovais, redondas, quadradas, com feitio de losango, de corações. Exprimem quase sempre uma saudade, encerrando em cofre uma madeixa de cabelo, um fragmento de vestido, uma pequena frase ou simples letras, uma breve oração, uma fotografia, constituindo terna recordação.

CRUZES – peças que se apresentam com variadíssimos formatos:

a) as fundidas com resplendor (na parte superior) que são cruzes maciças e acabadas manualmente. Têm na parte superior e em redor dos braços, um resplendor e, na parte inferior, uma “Mater Dolorosa” ou uma Senhora da Conceição.

b) Cruzes de “canovão” e filigrana – têm resplendor em filigrana, “rodilhões” e na parte inferior a “Mater Dolorosa” ou Senhora da Conceição.

c) Cruzes barrocas – são ocas, apresentando os braços bojudos e muitos motivos florais em relevo.

d) Cruzes de estrelas ou de Malta têm as linhas da Cruz de Malta, filigranada, guarnecidas com curiosos esmaltes.

LAÇA – Jóia de intervenção real, depois, popularizada. Formada por duas peças. Foi atribuída a D. Maria Ana de Áustria, a célebre “laça das esmeraldas”. É a primeira jóia verdadeira do Minho, constituída por uma laçada dupla e decoração de fios enrolados, podendo ter um diamante ao centro. O seu nome provem da argola que tem por trás para ser usada com uma fita de seda. Mais tarde, tomaram a forma que tem hoje – coração invertido.

CUSTÓDIA – Também, chamada relicário, “questódia”, “lábia”, “brasileira”. O nome provém da semelhança na parte central com os expositores do “Santíssimo” ou “Ostensórios”.










CORAÇÃO – Oferta de D. Maria I como ex-voto ao Coração de Jesus para ter um filho varão. Assim, nasce a Basílica da Estrela. Coração que enche o peito das nossas mulheres e raparigas no Traje à Vianesa. Coração com que D. Maria I manda timbrar as grandes condecorações nacionais: as Ordens de Cristo, Avis e Santiago.

TRANCELIM – só deve ser adquirida depois da Lavradeira ter o segundo ou terceiro cordão. É uma peça muito trabalhada de trazer ao pescoço e da qual se suspendem medalhas ou “pendurezas” a distinguir: a borboleta, a custódia, o crucifixo, o coração opado, a laça, a peça ou a medalha. Os trancelins têm o mesmo cumprimento que os cordões, mas os seus elos são trabalhados, normalmente, em filigrana. Conforme o formato, são designados de trancelins de losangos, de lampião e de rodilhão.

GRILHÃO / GRAMALHEIRA / BICHA – Constituído por um colar tecido de finíssimo fio de ouro, chapas recortadas e perfuradas. A união do colar faz-se com uma roseta em relevo. Ao centro, existe um medalhão ornado com motivos florais. Uma das mais bonitas peças – a mais “requintada” e a mais “obrada” e com um significado de abastança do lar minhoto. Jóia que significa a apoteose do Ouro do Minho.

Bibliografia: Francisco Sampaio, O Ouro do Minho – O Ouro de Viana, catálogo do Cortejo Etno-Folclórico da Romaria da Senhora d’Agonia, Viana do Castelo, 2006.

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sexta-feira, dezembro 19, 2014

O Ouro Popular Português I

O território hoje ocupado por Portugal foi em tempos remotos bastante ricos em ouro, cobre e estanho, e chegou a constituir uma das maiores reservas auríferas da Europa, como referem Plínio e Estrabão.

Com o declínio do ouro no mediterrâneo, Fenícios e Tartessos (sec.VII a.c.) rumam é península ibérica, introduzindo técnicas de manufatura e influências artísticas, nomeadamente a filigrana. No entanto, a filigrana só surgirá na ourivesaria popular a partir do sec.XIX.  

Ricardo Severo, José Fortes e Rocha Peixoto estabelecem uma comparação entre os brincos e arrecadas saídos das oficinas do norte com as suas parentes da proto-história, com semelhanças não só na forma como na técnica e decoração, estabelecendo assim uma tradição historiográfica na ourivesaria popular portuguesa que chegaria aos nossos dias.

Com a produção semi-industrial, não mecanizada, mais acessível a uma nova camada da população, lavradores abastados e pequenos comerciantes e industriais, a produção de ourivesaria atingiu maior variedade e importância a partir da 2ª metade do sec.XIX.

O Ouro como Acessório Popular

Muito embora existam algumas diferenças pontuais, podemos dizer que a relação do povo com o ouro é idêntica em todo o país, havendo uma predominância da sua utilização na ourivesaria feminina.

No entanto, ouro não era só adquirido por gosto, mas também como aforro seguro para momentos de aflição, principalmente junto de ourives feirantes (vendiam exclusivamente em feiras) ou ambulantes (deslocavam-se de bicicleta de terra em terra apregoando o seu produto, oriundos sobretudo de Guimarães e Cantanhede).

Quanto ao uso de ouro pelas mulheres do povo podemos verificar a existência diferenças entre as várias regiões, quer de gosto como de quantidade.

Essas diferenças estão diretamente relacionadas com a capacidade económica da mulher, sendo o uso de ornamentos em ouro é mais ostentoso a norte que a sul e no litoral em relação ao interior.

Em primeiro lugar, verifica-se uma relação direta entre a fertilidade das terras e a produção de excedentes agrícolas geradores de riqueza monetária. Podemos efetuar uma comparação entre o Alto Minho Litoral (Viana) e o Alto Minho Interior (Castro Laboreiro), uma vez que, na região litoral a terra é mais fértil que nas áreas serranas temos excedentes de produção geradores de riqueza passível de investimento em ouro.

O vimaranense António da Costa Miranda (físico e cirurgião), no início do sec.XVII, dissertando sobre a extraordinária riqueza existente na sua comarca em taças de ouro e prata, explica que “A causa porque metem mais fazendas em taças, é porque a terra é muito apertada e não terem onde meter mais gados do que têm, nem haver herdades na terra em que se empreguem seus dinheiros”.

Com base nesta ideia, podemos compreender, por um lado, a existência de relatos no sec. XIX, sobre a profusão de ouro entre os lavradores e pequenos burgueses minhotos, e por outro, perceber que nas zonas serranas do Alto Minho, Trás-os-Montes ou Beira, com pouca terra fértil, o rendimento fosse canalizado para o gado caprino ou ovino pela abundância de pastagem, em detrimento do investimento em ouro.

Em segundo lugar, temos a questão da propriedade da terra. Ser proprietário da terra, quer a trabalhe ou não, é sinónimo de maior possibilidade de lucro, pois para os rendeiros o valor da terra significava um compromisso a satisfazer independentemente dos ganhos.

Em regiões em que predomina o sistema latifundiário, como no Alentejo, Ribatejo e Algarve, poucos eram os ganhos para o povo que trabalhava a terra. Aproveitava-se os rendimentos de uma campanha agrícola sazonal bem-sucedida (apanha da azeitona, cortiça, plantio do arroz, etc.), ou a venda de algum animal criado na economia doméstica, altura em que conseguia amealhar uma quantia mais elevada, para comprar uma peça de ouro.    

Podemos assim concluir que, relativamente às populações agrícolas o uso de ouro como adorno do traje, com maior ou menor ostentação, é o resultado da existência de excedentes passíveis da criação de riqueza e de possibilidades de investimento em algo mais útil para o povo, como terra ou gado.

No que se refere às populações do litoral a relação da mulher com o ouro é idêntica. Ele representa status social e sinónimo de fainas bem-sucedidas, sendo mostrado sobretudo em dias de festa, sendo muitas vezes empenhado no inverno, altura em que o mar não permitia a pesca. Assim, o ourives estava muito próximo do penhorista.
(Este artigo terá continuação nos próximos dias)

segunda-feira, agosto 12, 2013

O Ouro no Traje da Mulher – Entre Douro e Minho


O ouro que cada mulher ostentava, conforme a sua quantidade, indicava o seu estatuto social.
A joalharia portuguesa era um adorno complementar do traje. Num mundo de constantes flutuações políticas e económicas, a posse do ouro era tida, a par da terra, como o único investimento passível de ser transmitido de geração em geração.
“O povo dizia: “roupa quanta rompas, terra quanta vejas e ouro quanto possas”.
Os brincos são verdadeiros pontos de luz que iluminam, realçam e embelezam o rosto da mulher.
No passado, nenhuma mulher tinha sequer a veleidade de se apresentar em público sem brincos. Aliás, ninguém a desculpava. O povo era até cruel e impiedoso com ela. Mulher sem brincos não passava de uma “mulher fanada”. Por mais humilde e pobre que fosse, a mulher jamais se atreveria, quer no seu dia-a-dia, quer em dias de festa, feira e romaria a sair à rua sem eles. Apenas existia alguma compreensão e benevolência para a falta de brincos se, eventualmente, estes tivessem sido oferecidos, em momentos de grande angústia e desespero, a alguma divindade para cumprimento de qualquer promessa. Mesmo assim, a tolerância era relativa e muito curta no tempo. A mulher tinha que providenciar no sentido de adquirir de novo este importante adorno.
Na figura abaixo visualizam-se alguns dos brincos mais usados na região Entre Douro e Minho, destacando-se, em primeiro lugar, as arrecadas à carniceira. Rapariga que se prezasse, removia “mundos e fundos” para poder adquirir o popular traje à lavradeira, que envergava em grandes ocasiões, mas jamais o exibia sem colocar nas orelhas as avantajadas e vistosas arrecadas à carniceira.

As arrecadas à carniceira, também chamadas argolas de Barcelos ou de Cigana, muito em uso, especialmente nessa região. Estas peças começaram a ser muito divulgadas a partir do princípio deste século, em especial pelas mulheres dos talhantes (daí o seu nome) daquela cidade, atestando a sua situação económica com tamanhos que atingiam, por vezes, dimensões desproporcionadas. São peças ocas, de ouro polido com canovão de secção quadrada, de ganchos, com grande incorporação de mão-de-obra.

Arrecada à Carniceira

As arrecadas são as peças com antepassados mais antigos, aproximadamente 2.500 anos e com os mesmos motivos amuléticos. Forma lunular na “janela” ou “pelicano” na parte próxima dos ganchos; pequenas calotas côncavas dispersas (chocalhos afugentadores de maus espíritos); “SS” de filigrana (estilização de pássaros voando); triângulo invertido como remate (símbolo da fertilidade). São peças manuais em filigrana.

Arrecadas



Os brincos de meia libra refletem a utilização de moedas como adorno, não só como pendentes de cordões mas também das orelhas, sendo normalmente utilizadas libras ou meias libras.



Brincos de Meia Libra

Sendo assim, é imperioso que todos os agrupamentos folclóricos jamais olvidem este pormenor: no trabalho, a mulher não ostentava quaisquer elementos em ouro, mas os brincos jamais se separavam dela em todas as situações.

Fontes:
Conselho Técnico de Entre Douro e Minho
Viana Social e Cultural



segunda-feira, dezembro 22, 2014

O Ouro Popular Português II

Brincos

Antes de mais, convém referir que a palavra arrecada constituía um denominador geral para aquilo a que hoje chamamos brincos, só no final do sec.XIX passaram a designar um tipo específico de brincos.

Em todos os tempos e lugares os brincos são, entre os adornos, os de preferência indeclinável, estando muitas vezes arreigado à superstição, como proteção dos espíritos malignos.

Quando uma menina nascia (com cerca de 1 mês) furava-se as orelhas com uma agulha nova com linha, molhada em azeite para escorregar melhor, e durante algum tempo (normalmente 7 dias) a linha ficava na orelha até a ferida cicatrizar. Se infetava, a mãe tratava a ferida com o seu próprio leite até curar.

Os primeiros brincos (“ais”, “botões” ou “argolinhas”) eram oferta da madrinha de baptismo juntamente com o vestido. Em caso de fatalidade, as mesmas peças podiam ser vendidas para comprar a mortalha; o padrinho pagava o caixão. À medida que a criança crescia, estes brincos eram substituídos por outros maiores de acordo com os gostos e aspirações da jovem.

Os novos brincos eram oferecidos pelos pais ou comprados pela própria, com o fruto das pequenas economias domésticas que iam arrecadando com os anos.

Raras eram as mulheres que não usavam brincos e estes acompanhavam-nas diariamente, a sua presença era imprescindível em todos os momentos. Eles simbolizam não só adornos e ostentação mas também sinal de estabilidade da economia doméstica.

Quando em luto, retiravam as argolas. O mais frequente era, no caso de não poderem comprar uns brincos mais adequados de azeviche ou ónix, cozerem uns paninhos pretos para disfarçar o brilho do ouro.

Por fim, quando morriam, os brincos que traziam nas orelhas acompanhavam-nas na tumba. Em algumas regiões eram oferecidos pela família à mulher que fosse ajudar a vestir o corpo.

A propósito do ouro costuma-se dizer “para a missa o que puderdes, para a feira quanto tiverdes

Se no Minho as mulheres se vergam com o peso do ouro, o uso dos brincos era generalizado a todo o país.

Em Mogadouro (Trás-os-Montes), as mulheres usavam brincos ou arrecadas e na região de Viseu, como em toda a Beira Alta, aos domingos e dias de festa ou romaria, as preocupações com o traje eram reforçadas com as arrecadas. As de Coimbra seguem-lhe o exemplo e as varinas a todas ultrapassam em dias de passeio e cerimónia.

Na região da Bairrada as arrecadas assumiam um grande valor tanto ao nível económico como afetivo-emocional, daí serem muitas vezes condicionadoras na colocação do lenço de forma a não as ocultar.

A nazarena também gosta de ouro. O grande brio e aspiração das mulheres do mar é possuírem brincos, em forma de medalha, com o retrato do marido, dentro de um aro de ouro. Aparentemente estes brincos seriam desconhecidos noutras regiões, no entanto, as medalhas com retratos dos maridos ou familiares tiveram em voga na região setentrional do país, mas usadas ao peito, penduradas nos cordões ou em fios.

À medida que caminhamos para Sul os estudos sobre o uso de ouro são raros. No entanto teriam o mesmo valor económico e afetivo que era atribuído noutras regiões, embora a quantidade e riqueza fosse menos exuberante.

É alentejana a seguinte quadra:

Gargantilha, brincos de ouro,
Tudo hei-de mandar vender;
Caiu o meu bem nas sortes,
Soldado não há-de ser.

 
Tipos de Brincos

Argolas – As argolas (outrora também designadas como pensamentos, bichas ou arriéis) constituem um dos diversos tipos de arrecadas. Definem-se como sendo enfeites, geralmente em forma de arco, com um gancho, que as mulheres penduram em orifícios abertos nas orelhas, podendo ser simples, de chapa batida lisa ou ornamentada, de sanguessuga ou roliça. Conforme a sua forma também eram conhecidas como africanas, farinheiras (no Alentejo), argolas indianas, de regueifa, de carretilha, de leque, ou carniceiras, tomando por vezes o nome de uma cidade “Coimbra” ou “Barcelos”.
 

 Argolas Carniceiras – também conhecidas como de “Barcelos”, chamavam-se assim pelo facto de adquiridas pelas mulheres dos talhantes de Barcelos, pessoas abastadas, que gostavam de ostentar estas argolas grossas. Na Póvoa de Lanhoso são também conhecidas como Argolas à Marchanta. Existindo várias variações que vão do liso às com motivos decorativos.

Argola em crescente – O crescente acentua a grossura central e diminui sensivelmente para as extremidades. Existindo variações conforme a secção, que pode ser plana, quadrangular, roliça ou arestada.

Argolas “Minhotas” – Em termos estruturais, as arrecadas apresentam formas ligeiramente diversas, variando entre o corpo discoudal, oval ou losangular. Superiormente a peça é dividida por duas hastes mais ou menos afastadas e profundas, formando um U, de onde parte a argola de suspensão auricular. Como elemento decorativo central surgem essencialmente bolotas ou cachos de uvas.



Arrecadas de viana – Castrejas (as complexas arrecadas como as de Laúndos, Afife e Estela) – Com a sua “janela”, ou “pelicano” ou “bambolina” na sua forma lunular com as respetivas campainhas, sempre em número ímpar, e que têm a virtude de afastar espíritos maléficos.


Brincos de chapola, parolos ou de luas - Chamavam-se de “chapola” por serem feitos em fina chapa de ouro, “parolos” por serem, outrora, usados pela mulher do campo, designada de “parola” pela citadina. Atualmente, estes brincos caíram em desuso nas aldeias e procurados pelos habitantes das cidades. As aldeãs, ao verem-nos, exclamam: “Sume-te diabo! Que brincos parolos!” Chamam-se de “luas” por terem, quase todos, quartos de lua em relevo


Botões


Exemplo de botões (Alentejo)

Exemplo de Botões (Alentejo)

 
 
 
 




Botões - Ofertava a madrinha de baptismo, à qual competia dar a mortalha se a menina viesse a “tornar-se anjinho do Senhor”! Por isso - mau grado – se a criancinha morresse vendiam-se os botões para ajudar o custeio do vestido que “levaria para o céu”! Se tal fatalidade não ocorresse, então, à medida que o crescimento dela se ia verificando, os “botões” ou “botõezinhos”, iam sendo trocados. Em algumas regiões tornaram-se o modelo preferido, por serem mais pequenos e menos onerosos.

  
Brincos à Rainha ou à Vianesa
Brincos à Rainha ou à Vianesa - À moda da rainha, de mulher fidalga ou burguesa rica. São brincos muito elegantes e, ao contrário das arrecadas, são cópias adaptadas dos brincos e laças que apareceram em Portugal no reinado de D. Maria I.
Estes brincos eram a ambição de qualquer jovem quando se ia ourar.


Brincos à Rainha
(Estes exemplares faziam parte do conjunto de
joias privadas da Rainha Dna Amélia)


  
 
 
 
 
 


Brincos à Rei
Brincos à Rei - São muito parecidos com os brincos à Vianesa, mas mais elegantes, compostos por uma parte superior, uma parte média em forma de laço (herdeira da laça ou laçada) e uma parte terminal. - não aparece aquela parte móvel que se encontra ao centro duma das partes dos brincos à rainha. A designação não significa que eram usados pelos reis, ou fidalgos, mas para se distinguir dos brincos à rainha.


Brincos de Princesa
Brincos à Princesa – traduzem-se numa outra variante dos brincos à rainha.












Brincos com Pedras - Normalmente apresentam pedras azuis ou vermelhas, são curtos ou compridos, com uma pequena franja, onde balançam uns “penduricalhos”. Fazem conjunto com colares, tão em voga nos anos 40, mas que ainda se continuam a usar.

Brincos com pedra
Brincos com pedras
Brincos de meia libra - Os brincos de meia libra refletem a utilização de moedas como adorno, não só como pendentes de cordões mas também das orelhas, sendo normalmente utilizadas libras ou meias libras.
 
Outros tipos de brincos:
 
Argolas de Sanguessuga

 
 
 
Argolas Estampadas



Brincos Barrocos (Póvoa do Varzim)

Argolas Estampadas

 
Argolas de Filigrana

 
 
 
Brincos com Pedras

No próximo artigo desta série falaremos de CORDÕES E COLARES
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