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quarta-feira, julho 29, 2015

SAIAS DA NAZARÉ

O traje das mulheres da Nazaré é conhecido pelo uso de muitas e bonitas saias. Hoje publico alguns exemplares pertencentes ao Museu Dr. Joaquim Manso, situado no Sitio da Nazaré, e que merece bem uma visita.

SAIAS DE CIMA

Fig.1
Datação: XX d.C. - Anos 1950
Matéria: Lã (escocês e castorina); algodão
Dimensões (cm): altura: 68;
Descrição: Saia de "de cima" de duas rodas. A primeira roda é de escocês e a de baixo de castorina. Afeiçoa à cintura por pregas estreitas que são apenas armadas no cós "desalvorada". O cós é constituído por um debrum de fita estreita que excede as dimensões da cintura em duas pontas que caiem soltas junto à abertura lateral. Bainha larga. A orla é guarnecida com fita preta de lã.
Proveniência: Nazaré.
Origem / Historial: Para usar no traje de trabalho.
 
Fig.2
Datação: 1953 d.C.
Matéria: Lã (escocês); seda
Dimensões (cm): altura: 70;
Descrição: Saia de escocês aos quadrados azuis e brancos com riscas amarelas e pretas. Afeiçoa à cintura por meio de pregas estreitas exceto à frente que é lisa. O cós é constituído por um debrum de fita estreita de seda castanha que excede as dimensões da cintura em duas pontas que caiem soltas junto da abertura lateral. Bainha larga. Na parte superior da bainha, um "refegue" (nervura).
Origem / Historial: Para usar no Traje de Festa.
 
Fig.3
Datação: 1950 d.C.
Matéria: Lã fina (caxemira)
Dimensões (cm): altura: 72;
Descrição: Saia de caxemira aos quadrados azul e rosa. Afeiçoa à cintura por meio de pregas estreitas exceto à frente que é lisa. O cós é constituído por um debrum de fita estreita de seda castanha que excede as dimensões da cintura em duas pontas que caiem soltas junto da abertura lateral. Na parte superior da bainha, duas fitas paralelas de seda estreita vermelha.
Origem / Historial: Para usar no Traje de Festa.
 
Fig.4
Datação: 1946 d.C. - Primeira metade do séc. XX
Matéria: Tecido de lã fina; veludo
Dimensões (cm): altura: 59;
Descrição: Saia que afeiçoa à cintura por pregas estreitas. O cós é constituído por um debrum de fita de seda. Bainha larga e cercadura decorada com fita estreita de veludo preto, formando motivos geométricos (losangos).
Proveniência: Sítio da Nazaré.
Origem / Historial: Saia para usar no trajo de festa. É designada, a nível local, por "saia de arquinhos".
Fig.5
Datação: 1880 d.C. - 1890 d.C.
Matéria: Algodão (chita)
Dimensões (cm): altura: 94;
Descrição: Saia de algodão preto com raminhos brancos. Afeiçoa à cintura por meio de pregas estreitas, exceto à frente onde são mais largas. O cós é constituído por um debrum do mesmo tecido. Bainha larga forrada de chita de outro padrão.
Proveniência: Sítio da Nazaré.
Origem / Historial: Pertenceu a Soledade Lucas Marques Luzindro, cuja data de nascimento e morte é desconhecida, apenas se registando que a saia tinha 116 anos no momento da incorporação (1976). Vivia no Sítio da Nazaré, onde tinha uma loja de tecidos, na atual Rua 25 de Abril.
 
Fig.6
Datação: 1949 d.C.
Matéria: Merino
Dimensões (cm): altura: 71,5;
Descrição: Saia de merino preto e com 4 panos. É afeiçoada à cintura por meio de pregas estreitas, exceto a frente onde são mais largas, armadas no cós e vincadas numa altura de 9 cm, onde é bordada uma cercadura com motivos florais a ponto de cruz. A orla é guarnecida com uma barra de veludo preto com 20 cm, encimada por um conjunto de sete nervuras.
Proveniência: Sítio da Nazaré.

 
SAIAS DE BAIXO

Fig.7
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã
Dimensões (cm): altura: 58;
Descrição: Saia de fazenda de lã creme. É inteira, uma só roda, e afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido com fita de seda formando debrum. A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha verde e no centro destes, raminhos bordados à máquina.
Origem / Historial: Usa-se como saia interior, mas para usar no traje de festa.

Fig.8
Datação: 1976 d.C.
Matéria: Flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 69;
Descrição: Saia de flanela cinzenta, inteira, com bicos debruados a fita de algodão cor-de-rosa.
Origem / Historial: Para usar no traje de trabalho

 
Fig.9

Datação: 1936 d.C.
Matéria: Tecido de algodão cinzento e branco.
Dimensões (cm): altura: 67;
Descrição: Saia inteira (uma só roda). Afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido com uma tira de pano cosida do direito da saia e virada para o avesso formando um debrum. A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha perlé lilás, com "picot" em lã cor-de-rosa. No centro de cada "bico" raminhos bordados em várias cores, a ponto cheio e pé-de-flor.

Fig.10
Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de lã (escocês); flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 68;
Descrição: Saia "de baixo" do trajo de trabalho, com duas rodas. A de cima é de flanela cinzenta e a de baixo é de escocês. Bainha forrada de flanela cinzenta. Os "bicos" são debruados a fita de algodão colorida (verde).

Fig.11
Datação: XX d.C.
Matéria: Flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 73;
Descrição: Saia de flanela cor-de-rosa e amarela. É "inteira"(uma só roda). Afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido com uma fita de seda (ciré). A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha perlé azul.
Origem / Historial: É usada no trajo de festa.

Fig.12
Datação: XX d.C.
Matéria: Flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 76;
Descrição: Saia de flanela bege com motivos decorativos grenás e verde. É "inteira" (uma só roda). Afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido por uma fita de seda (ciré). A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha perlé vermelha.
Origem / Historial: Para usar no trajo de festa.

segunda-feira, junho 08, 2015

BLUSAS DOMINGUEIRAS DA NAZARÉ


As duas blusas que apresento são provenientes da Nazaré e foram executadas no final da década de 40 do sec.XX, para serem utilizadas por uma criança, fazendo parte da minha coleção.

Datação: Séc. XX
Matéria: Algodão (chita), plástico (botões), viscose/poliéster (renda)
Técnica: Estampagem
Proveniência: Oferta da utilizadora

 



Outros artigos relacionados:
Traje da Mulher da Nazaré ; Aventais da Nazaré; Traje daNazaré – Chapéu; Traje da Nazaré – Capa; As sete saias da Nazaré; Traje doPescador da Nazaré; Mulher dos Cabazes – Nazaré – Estremadura; AS ALGIBEIRAS NOTRAJE POPULAR III – ESTREMADURA, BAIXO VOUGA, ALENTEJO E ALGARVE

quarta-feira, maio 02, 2012

As Sete Saias da Nazaré

De origem relativamente recente, a Nazaré “nasceu” do recuo do mar e do assoreamento progressivo da praia durante o século XVII, começando a ser conhecida e frequentada como praia de banhos apenas em meados do século XIX. A população nazarena tem as suas raízes muito ligadas a outros marítimos como os Ílhavos e outros povos da Ria de Aveiro, que trouxeram com eles para a Nazaré não só novas artes de pesca, mas também o modo de vestir e até de falar. Ao longo dos anos essas novas maneiras foram aqui evoluindo, transformando-se e adaptando-se às necessidades da vida.

As sete saias fazem parte da tradição, do mito e das lendas desta terra tão intimamente ligada ao mar. Diz o povo que representam as sete virtudes; os sete dias da semana; as sete cores do arco-íris; as sete ondas do mar, entre outras atribuições bíblicas, míticas e mágicas que envolvem o número sete. A sua origem não é de simples explicação e a opinião dos estudiosos e conhecedores da matéria sobre o uso de sete saias não é coincidente nem conclusiva. No entanto, num ponto todos parecem estar de acordo: as várias saias (sete ou não) da mulher da Nazaré estão sempre relacionadas com a vida do mar. As nazarenas tinham o hábito de esperar os maridos e filhos, da volta da pesca, na praia, sentadas no areal, passando aí muitas horas de vigília. Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima para protegerem a cabeça e ombros do frio e da maresia e as restantes a taparem as pernas, estando desse modo sempre “compostas”. A introdução do uso das sete saias foi feito, segundo uns, pelo Rancho Folclórico Tá-mar nos anos 30/40, segundo outros pelo comércio local no anos 50/60 e ainda de acordo com outras opiniões as mulheres usariam sete saias para as ajudar a contar as ondas do mar (isto porque “ o barco só encalhava quando viesse raso, ora as mulheres sabiam que de sete em sete ondas alterosas o mar acalmava; para não se enganarem nas contas elas desfiavam as saias e quando chegavam à última, vinha o raso e o barco encalhava”). O uso de várias saias pelas mulheres da Nazaré também está ligada a razões estéticas e de beleza e harmonia das linhas femininas – cintura fina e ancas arredondadas, (esta poderá ser também uma reminiscência do traje feminino de setecentos que as damas da corte usavam - anquinhas e mangas de renda - e que pavoneavam aquando das visitas ao Santuário da Senhora da Nazaré), podendo as mulheres usarem 7, 8, 9 ou mais saias de acordo com a sua própria silhueta. Certo é que a mulher foi adoptando o uso das sete saias nos dias de festa e a tradição começou e continua até ao presente. No entanto, no traje de trabalho são usadas, normalmente, um menor número de saias (3 a 5). 

sexta-feira, junho 29, 2018

Círio de Nª Srª da Vitória - Nazaré


O Círio de Nossa Senhora da Vitória celebra-se anualmente na Quinta-Feira da Ascensão e envolve toda a comunidade. Segundo a tradição ancestral, faz o percurso do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré em direção à Capela de Nossa Senhora da Vitória, em Paredes (concelho de Alcobaça), evocando a pequena comunidade piscatória que aí residia e que, no século XVI, pelo avanço das areias do mar, se refugiou na Pederneira e Famalicão, atualmente pertencentes ao concelho da Nazaré.

Sendo o único que parte do Santuário da Nazaré, este círio é organizado de juiz em juiz, para prestar o reconhecimento pela proteção sagrada aos "homens do mar". O colorido dos trajes, a imponência dos cavalos, o ritmo da música, a genuinidade das loas, os acampamentos, os bailes e almoços no areal, transformam o Círio de Nossa Senhora da Vitória num dos maiores espetáculos da cultura nazarena que, através dos séculos, tem mobilizado as gentes locais para uma experiência cumpridora de um rigoroso ritual, onde a devoção serve de pretexto para a festa e o convívio popular.
 
 

As fotografias a preto e branco desta festividade religiosa são da autoria de Álvaro Laborinho e reportam-se a 1914. No terreiro do Sítio, e enquadrado pela fachada principal do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré em que se evidenciam as torres sineiras, encontra-se um aglomerado de pessoas montadas em cavalos e burros ornamentados com mantas e flores. Um dos homens segura uma bandeira. Destaca-se o rapaz em primeiro plano, com um estandarte e usando traje de "anjo", capa e coroa florida. A maioria dos romeiros usa chapéu ou boné.



Este guião foi realizado para o Círio de 1959, por Irene Maurício, costureira com quem Lídio Maurício viria a casar. Ambos foram juízes nesse ano.
Fonte: Museu Dr. Joaquim Manso



quinta-feira, outubro 26, 2006

Traje do Pescador da Nazaré

O pescador da Nazaré é um homem do mar, cinzelado pelo sal do mar e pelo sol escaldante. Em terra, quer sossego, permitindo que a mulher domine e organize, liderando a gestão da casa, da família e das economias.
No traje de trabalho, a camisa cai a direito. Confeccionada em escocês forte, de lã, tem à frente três pestanas verticais, em corte enviesado, terminando em bico. Uma central, partindo do colarinho, guarnecida com quatro carreiras enviesadas de três botões de madrepérola lisos e sem pé (apenas decorativos porque fecha com molas), remata a abertura da camisa. As outras duas, laterais, partem da costura do ombro, terminado em bico ao mesmo nível da pestana central. As três pestanas têm dois pespontos, afastados ½ cm. Entre as pestanas ficam duas pequenas pregas. Nas costas, a partir da lapela são pespontadas três pregas de cada lado. O colarinho é alto de pontas arredondadas, abotoado com dois botões no sentido da altura. Também é pespontado como as pestanas. As mangas são folgadas. Pregadas à camisa na abertura deixada ao alto pela costura lateral (não tem cava recortada), necessitam de um quadrado incrustado para fornecer amplitude. No extremo da manga o punho é igualmente pespontado e fecha com botões. A camisa do domingo era normalmente em escocês de lã fina.
Interiormente usam uma camiseta de castorina de cor creme, cinzenta, verde ou castanha de riscas, ou de flanela de cor lisa e viva.
As ceroulas são de escocês de lã cortadas a fio direito, com altura da cintura ao chão. Na cintura, a amplidão é adaptada ao cós por pregas armadas. Á frente fecha com carcela ou braguilha de três botões, e nos fundilhos é aplicado um reforço pelo lado de dentro. As extremidades das pernas possuem uma fita de lã de pontas compridas, que envolvem o tornozelo e ajeitam o tecido, formando um fofo.
As calças são de surrobeco ou de qualquer fazenda castanha ou preta, de feitio vulgar, direitas, de modo a terem bastante largura na extremidade da perna para facilmente serem arregaçadas. Só dois pormenores as distinguem. As algibeiras enviesadas e na extremidade da perna dois remendos mais ou menos rectangulares e de tamanhos diferentes, sendo o menor aplicado atrás e o maior à frente. Estes remendos começaram por ser utilizados por necessidade de conserto, passando a constituir moda. Usam voltar a bainha da calça de modo a ver-se o fofo da perna da ceroula.
O barrete de lã preta, usado na cabeça ou no ombro, é o complemento indicativo do tempo que ocorre, soalheiro ou chuvoso, em terra ou no mar, remendando as redes ou lançando-as ao mar. Usa uma cinta de lã preta com franja de cadilhos.
Os nazarenos andam vulgarmente descalços, quando calçados usam tamancos de pele preta com sola de madeira ou chinela de trança. No tempo frio usam umas polainas de malha de lã branca, que atam ou não com fita por baixo do joelho.
O principal abafo é Gabão de burel castanho. Farto, amplo e solto é comprido até aos tornozelos, com mangas largas, romeira (espécie de gola larga cobrindo os ombros) e capuz em bico. As mangas e o capuz têm uma virola em burel preto. É forrado a escocesas. Também era utilizado como trajo de luto.

Obra de referência – Abílio Leal de Mattos e Silva in “O Trajo da Nazaré”, Editorial Astória, Lisboa (1970)
Assunto relacionado neste blog: O Traje da Mulher da Nazaré

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Aventais da Nazaré

Quando pensamos na Nazaré de imediato a associamos ao seu traje característico, em particular o da mulher.
"Alzira" de Alberto Sousa
Ainda hoje, quem visita esta vila sobranceira ao mar podemos ver mulheres orgulhosamente exibindo os seus aventais. Não se trata apenas de um cartaz turístico, existe um efetivo orgulho no uso destes aventais, quer no quotidiano quer em cerimónias, como num casamento a que assisti no Sitio, onde várias mulheres usavam os seus ricos aventais.
Mas, tal como o trajo, o avental também sofreu uma evolução, sobretudo na altura, nos materiais e nos adornos.
Os exemplares que se seguem provieram dos acervos do Museu Dr. Joaquim Manso (Nazaré) e Museu Nacional de Etnologia (Lisboa) e retratam essa evolução.
Se inicialmente os aventais possuíam duas ou três alturas e eram adornados com rendas e tules, atualmente, apenas têm uma altura e são proliferamente bordados. Também o cetim substituiu o merino e a seda.
Assim, ordenamos os exemplares por altura, o que reflete a época da sua confeção.

Datação: Primeira metade do séc. XX d.C.
Matéria: Merino
Dimensões (cm): altura: 100;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de cós direito. As fitas são aplicadas no remate lateral do cós. É confecionado em dois folhos de alturas iguais. Entremeios de tule bordado alternando com grupos de préguas. O último remata com renda semelhante.
Incorporação: Adquirido a Maria José Frade


Datação: XX d.C.
Matéria: Merino
Dimensões (cm): altura: 90;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de merino cor-de-rosa. O cós é direito e as fitas são aplicadas no remate lateral deste. Confecionado em dois folhos, o primeiro desce do cós e termina onde o segundo começa. O de cima é bordado à mão e o de baixo tem duas fiadas de bainhas abertas trabalhadas à mão.
Incorporação: Adquirido a Maria José Frade.

Datação: Princípios do século XX d.C.
Matéria: Cambraia de algodão
Dimensões (cm): altura: 86;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de cambraia cor-de-rosa claro. O cós faz ligeira inclinação ao centro e as fitas são aplicadas no remate lateral do cos. Confecionado em um só folho é enfeitado com entremeios de renda ao alto e de lado. É rematado com renda semelhante.
Incorporação: Oferta de Auta Freire




Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Cetim (seda)
Dimensões (cm): altura: 84; largura: 130;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de cetim de cor preta, de formato trapezoidal, feito de duas alturas de tecido. A meio da primeira altura, do lado esquerdo, surge um bolso afunilado de cetim de cor preta. A extremidade inferior da primeira altura apresenta um ornamento semelhante ao do bolso (motivo fitográfico: um pé com dois ramos, executado a linha de cor vermelha, do qual brotam algumas folhas executadas a linha de cor branca e uma flor, executada a linha de cor rosa clara), mas que se dispõe em ramos contínuos, transversais. A primeira altura termina formando espécie de basta, a qual cobre um pouco da segunda altura. A segunda altura, mais curta, apresenta, interiormente, adorno fitográfico semelhante aos anteriores, próximo das extremidades do avental, dispondo-se em "U". As orlas inferiores e laterais são de corte semicircular formando lobulados. Porém, estes assemelham-se a trevos que, nas zonas de contiguidade, não formam vértice, mas sim um outro trevo mais pequeno, invertido.

Datação: XX d.C.
Matéria: Merino
Técnica: Bordado à mão
Dimensões (cm): altura: 82;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de merino preto, com lustro, bordado à mão. É composto por dois folhos. No primeiro, registam-se motivos florais bordados a ponto cheio e a ponto pé-de-flor. Na extremidade esquerda, uma borboleta bordada a ponto cheio e a richelieu. O segundo folho termina em recortes, formando parras.
Incorporação: Doado por Auta Freire

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Popelina (algodão); Tule
Dimensões (cm): altura: 80; largura: 120;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de popelina de algodão de formato trapezoidal, constituído por três alturas de pano, separadas entre si por dois largos entremeios de tule. Nas suas extremidades laterais, tem duas fitas rematadas, que caem livremente. A primeira altura de pano apresenta, do lado esquerdo, um bolso que termina em bico. Os entremeios de tule apresentam bordados a matiz executados com linha de cor branca. Representam motivos fitográficos, espaçados entre si: flores e ramos com algumas folhas.

Datação: XX d.C.
Matéria: Merino
Dimensões (cm): altura: 80; largura: 130;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de merino preto. O cós é franzido e as fitas são aplicadas no remate lateral do mesmo. De dois folhos iguais, o primeiro desce do cós e termina onde o segundo começa e são bordados na extremidade com motivos florais e geométricos em tons d e amarelo e verde.
Incorporação: Adquirido a Deolinda Santos Caria

Datação: XX d.C. - Anos 1950
Matéria: Algodão (popelina)
Dimensões (cm): altura: 78;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de popelina às riscas bordado a ponto de cruz nos intervalos de desenho em losangos feito por ponto à-jour à máquina. O cós é arredondado acompanhando a linha da cintura e bordado a ponto favo-de-mel.
Incorporação: Adquirido a Ana Carlos Chita

Datação: XX d.C.
Matéria: Seda vermelha
Dimensões (cm): altura: 74;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de seda vermelha bordado à máquina, pela ponta e a toda a volta, motivos florais e geométricos em cor branca. No cós, que é arredondado acompanhando a linha da cintura, a roda do avental é apanhada por pontos favos-de-mel.
Incorporação: Adquirido a Maria Amaro Serra Vigía

Datação: 1940 d.C.
Matéria: Cetim
Dimensões (cm): altura: 74;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de cetim verde. Confecionado em duas alturas de pano, sendo um deles dividido em dois, costurados de um e de outro lado do pano inteiro. Cós de corte arredondado acompanhando a linha da cintura. As fitas prendem no remate lateral do cós. Bordado à mão, com pequenos raminhos a ponto cheio, matiz e pé-de-flor. Bainha larga. Nas bainhas e no cós, ponto "À-jour".
Incorporação: Adquirido a Laura Saldanha

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Popelina (?) (algodão)
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 101;
Descrição: Avental de popelina (?) de algodão de cor lilás, de formato trapezoidal. É feito de três alturas do mesmo tecido. Um pouco abaixo do cós, do lado esquerdo surge um pequeno bolso de fundo arredondado e lobulado. A união da primeira altura de tecido com a segunda é feita um pouco acima da extremidade inferior da primeira, por duas costuras espaçadas entre si, executadas a linha de cor branca. Desse ponto, a extremidade inferior da primeira altura cai livremente sobre a segunda formando espécie de basta. A orla desta basta apresenta corte lobular idêntico ao do bolso. A segunda altura de tecido é a mais curta. O remate com a primeira altura cria-lhe pequeníssimas pregas, que se estendem a todo o comprimento, abrindo pelo avental. A terceira altura é bainhada na orla, sendo que apresenta um pouco acima da bainha, um friso de motivos vegetalistas estilizados, executados a linha grossa de cor branca. Este friso consiste na repetição do seguinte motivo, da esquerda para direita: espécie de flor de cujo centro brota um ramo horizontal em "S", que se une a outro, o qual termina numa outra flor.

Datação: 1936 d.C.
Matéria: Cetim fulgurante
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 115;
Descrição: Avental de festa em cetim fulgurante cor-de-rosa. Cós franzido. Fitas aplicadas no remate lateral do mesmo. De dois folhos - o primeiro desce do cós e termina onde o segundo começa. É rematado a toda a volta por motivos florais bordados a "Richelieu".
Incorporação: Oferta de Celeste Lúcio dos Santos

Datação: 1926 d.C.
Matéria: Cetim preto
Técnica: Bordado a "ponto de cruz"
Dimensões (cm): altura: 72,5;
Descrição: Usado no traje de festa. Avental de cós de corte arredondado acompanhando a linha da cintura. As fitas são aplicadas no remate lateral do cós. O franzido é obtido pelo "ponto favo" que decora a parte superior do avental. Bordado em vários tons, com motivos florais, a "ponto de cruz". A bainha é presa a ponto "à-jour".
Incorporação: Adquirido a Laura Saldanha

Datação: XX d.C.
Matéria: Seda preta
Dimensões (cm): altura: 71; largura: 109;
Descrição: Avental de festa em seda preta, bordado à mão, a ponto cruz e com pontos "à-jour", motivos florais de várias cores. O cós é arredondado, acompanhando a linha da cintura, e as fitas são aplicadas no remate lateral do mesmo.
Incorporação: Adquirido a Guiomar Chicharro

Datação: XX d.C.
Matéria: Algodão
Dimensões (cm): altura: 68,5;
Descrição: Avental de uso quotidiano de "riscado" de várias cores. Cós de corte arredondado acompanhando a linha da cintura. Fitas aplicadas no remate lateral do cós. Bainha larga encimada por duas nervuras. Dois bolsos chapados.
Incorporação: Adquirido a Mário Paulo Sousinha

Datação: XX d.C.
Matéria: Seda preta
Dimensões (cm): altura: 65;
Descrição: Avental de festa de seda preta. O cós é de corte arredondado, acompanhando a linha da cintura, e as fitas são aplicadas no remate lateral do cós. É bordado à mão em vários tons, com motivos florais, a "ponto de cruz". O cós é rematado com pontos "à-jour" amarelos, tal como a bainha.
Incorporação: Oferta de Gilberto Silvério Palmeira e Cipriano B. Louraço

Datação: XX d.C.
Matéria: Seda preta
Dimensões (cm): altura: 65;
Descrição: Avental de seda preta usado no traje de festa, bordado à máquina, pela ponta e a toda a volta, motivos florais e geométricos. No cós, que é arredondado e acompanha a linha da cintura, a roda do avental é apanhada por pontos favo-de-mel.
Incorporação: Doado por Deolinda Conde


Datação: 1970 d.C. - 1980 d.C.
Matéria: Cetim salmão
Dimensões (cm): altura: 55;
Descrição: Avental de cetim salmão bordado à máquina a pontos cheio, matiz e cordoné, usado no traje de festa. A prender as bainhas, ponto "à-jour". O cós é de corte arredondado acompanhando a linha da cintura e as fitas prendem no remate lateral do cós.
Incorporação: Oferta de Zulmira Estrelinha e Maria Orlanda Estrelinha

Datação: 1970 d.C. - 1980 d.C.
Matéria: Cetim (sintético) amarelo.
Dimensões (cm): altura: 55;
Descrição: Avental de cetim amarelo bordado à máquina a pontos cheio, matiz e cordoné, formando umas flores, usado no traje de festa. A prender as bainhas ponto "à-jour". O cós é de corte arredondado acompanhando a linha da cintura e as fitas pendem no remate lateral do cós.
Incorporação: Oferta de Zulmira Estrelinha e Maria Orlanda Estrelinha

Datação: 1970 d.C. - 1980 d.C.
Matéria: Cetim castanho
Dimensões (cm): altura: 54;
Descrição: Avental de festa em cetim castanho bordado à máquina a pontos cheio, matiz e cordoné. A prender as bainhas ponto "à-jour". O cós é de corte arredondado acompanhando a linha da cintura e as fitas prendem no remate lateral do cós.

Datação: XX d.C. - 1970-1980
Matéria: Cetim verde
Dimensões (cm): altura: 53;
Descrição: Avental de festa em cetim verde-escuro bordado à máquina a pontos cheio, matiz e cordoné. A prender as bainhas ponto "à-jour". O cós é de corte arredondado acompanhando a linha da cintura e as fitas prendem no remate lateral do cós.
Incorporação: Oferta de Zulmira Estrelinha e Maria Orlanda Estrelinha

Datação: XX d.C. - Anos 1980
Matéria: Tecido de algodão (popelina)
Dimensões (cm): altura: 51,5;
Descrição: Avental de tecido de algodão, popelina, branco com riscas azuis e brancas, para usar no traje "da semana". O cós acompanha a linha da cintura e as fitas prendem no remate lateral deste. A prender as bainhas do avental, um entremeio de renda feita à mão. Tem bolsos chapados.
Incorporação: Oferta de Maria Manuela da Justina Vagos Conde

Datação: XX d.C. - Anos 1980
Matéria: Tecido de algodão
Dimensões (cm): altura: 48,5;
Descrição: Avental de tecido de algodão cinzento com ramagens nos tons de verde, branco, amarelo e cinzento, para usar no traje "da semana". O cós acompanha a linha da cintura e as fitas prendem no remate lateral deste. A prender as bainhas do avental, dos bolsos e das fitas uma fitinha de seda verde e duas filas de "pontos" da mesma cor.
Incorporação: Oferta de Maria Manuela da Justina Vagos Conde

segunda-feira, outubro 13, 2014

AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR III – ESTREMADURA, BAIXO VOUGA, ALENTEJO E ALGARVE

Este artigo é a continuação da abordagem a este tema iniciado em AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I – MINHO e AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II – DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES, passando a apresentar exemplares provenientes das coleções do Museu Dr. Joaquim Manso e do Museu Nacional de Etnologia.

MUSEU DR. JOAQUIM MANSO

Autor: Celeste Lúcio dos Santos
Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de algodão e várias outras fibras
Dimensões (cm): altura: 32; largura: 20;12;
Descrição: Bolsa de retalhos de diferentes cores e qualidades. De corte arredondado, com duas entradas na parte da frente. Na parte superior e de cada lado, leva um fitilho de algodão para cingir a cintura. A metade inferior é subcircular e tem a aparência de um vaso cintado de boca larga. É debruada a toda a volta por uma tira de tecido florido
Proveniência: Nazaré.
Origem: Este objeto, que fazia parte da indumentária da Nazarena e ainda em uso sobretudo nas mulheres de mais idade, tem vindo a ser substituído pelos vulgares porta-moedas. A algibeira não constituía um elemento decorativo, ao contrário do que acontecia no norte do país, mas antes utilitário. Para uma maior segurança era resguardada sob a "saia de cima", junto à abertura da mesma, sempre do lado direito e fixada à "saia de baixo" por um alfinete de dama. Este objeto, de grande importância para a mulher Nazarena transportar o dinheiro que necessitava no seu quotidiano ou até as suas economias ou "papéis de valor", continha, muitas vezes, um amuleto (conhecido por "Breve") como forma de proteção e ou superstição religiosa.



 
 Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de algodão e fibras sintéticas (terylene)
Dimensões (cm): altura: 36; largura: 21,5;
Descrição: Bolsa para guardar dinheiro feita de tecido de cor preta por se tratar de viúva. De corte arredondado, tem duas entradas na frente e uma atrás, sendo esta de cor castanha. Na parte superior e de cada lado leva um fitilho de algodão para cingir à cintura. É debruada a toda a volta por uma tira de tecido também de cor preta.
Incorporação: Doação - D. Deolinda Xalabardo Meca
Proveniência: Nazaré.

  
Datação: 2008 d.C.
Matéria: Tecido de lã (escocês) e algodão
Dimensões (cm): altura: 34,5; largura: 20,5;
Descrição: Bolsa para guardar o dinheiro feita de retalhos de diferentes cores, sendo as predominantes vermelho e castanho. De corte arredondado, tem duas entradas à frente e uma atrás. Na parte superior e de cada lado, leva uma fita de lã fina para cingir a cintura. É debruada a toda a volta por um fitilho de algodão azul-escuro.
Incorporação: Compra - Adquirido a Casa Crispim - Nazaré

 
 
 
MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Tecido; Escocês (algodão?)
Dimensões (cm): altura: 28,5; largura: 17,5;
Descrição: Algibeira periforme, de tafetá de lã de cor rosa à frente e tecido de padrões geométricos atrás. É debruada, a toda a volta, por uma fita de escocês de algodão (?). A decoração frontal consiste numa cercadura em ziguezague, a qual segue, aproximadamente, os limites da algibeira. O ziguezague é executado a linha de cor vermelha. É ornado nos seus vértices exteriores por pequenos pontos de lã de cor amarela e, nos seus vértices interiores, por pequenos pontos de lã de cor azul escura. No centro da cercadura, em baixo, a meio, apresenta espécie de cálice de cor azul escura, de duas asas e de base triangular de cor amarela. A ladeá-lo, dois "X" executados a lã de cor vermelha. Do cálice brota uma flor, orientada no sentido longitudinal, cujo caule é executado a lã de cor vermelha e as pétalas, a lã de cor verde. Deste caule central brotam, diagonalmente, quatro outras flores (duas de cada lado): as inferiores, de caule executado a lã de cor verde a pétalas a lã de cor amarela; as duas superiores de caule executado a lã de cor amarela e pétalas a lã de cor azul escura. As pétalas da flor central são ladeadas por iniciais, uma de cada lado: do lado esquerdo, um "C"; do lado direito, espécie de "B". A ladear a abertura da algibeira, em sentido longitudinal, dentro da cercadura, acima das iniciais, uma linha em ziguezague, executada a lã de cor verde. O tecido que forra o interior da abertura da algibeira apresenta uma espécie de reticulado de cor rosa sobre o qual se dispõem barras delgadas transversais de cor rosa, acompanhadas a todo o comprimento por pequenos quadrados de cor vermelha, alternadas com barras delgadas formadas por três linhas intermitentes: verdes as exteriores e vermelha a interior. O tecido de trás da algibeira é do mesmo tipo do forro da abertura.
Proveniência: Alcobaça / Turquel

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Riscado (algodão?); Tecido
Dimensões (cm): altura: 29; largura: 17,5;
Descrição: Algibeira periforme, de riscado de algodão (?) de cor preta na frente e tecido de cor cinzenta atrás. É debruada a toda a volta por uma fita de algodão de cor preta, que, na aresta superior, se prolonga para ambos os lados. A meio da altura apresenta, espaçados entre si, dois bolsos, de forro de tecido de cor cinzenta, debruados, em cima e em baixo do corte da abertura, por fita de algodão de cor preta. Ao centro, apresenta motivo hastiforme de tecido de cor azul debruado a fita de algodão de cor preta. Tal motivo é constituído por duas partes: é cortado a meio pelo bolso inferior e corta a meio, por sua vez, o bolso superior, sobrepondo-se-lhe, de baixo para cima, como uma pataleta. A parte inferior do motivo, a correspondente à pala do bolso inferior, tem, como elemento decorativo, uma costura executada a linha de cor preta, a qual segue, interiormente, os contornos da forma onde está inscrita. Na parte de trás, a algibeira apresenta um bolso ligeiramente deslocado do centro para cima.
Proveniência: Aveiro / Murtosa


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Veludo (seda?); Flanela (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 31; largura: 18,5;
Descrição: Algibeira de formato periforme, com a parte da frente em tecido de lã de cor preta, e parte de trás em flanela industrial de três tipos: o de cima, de fundo vermelho, é estampado com motivos fitográficos estilizados de cor preta; o do meio apresenta um fundo de cor castanha estampado com motivos geométricos de cor laranja dispostos segundo um reticulado diagonal; no inferior, semelhante ao anterior, os motivos geométricos são de cor rosa. Entre a flanela superior e a do meio, abre-se um bolso transversal, da largura da algibeira. Todas as orlas da algibeira são debruadas por uma fita de cor preta. Na extremidade superior, tal fita estende-se para além dos limites laterais da algibeira, caindo livremente. No restante perímetro, a fita é adornada com uma linha de ponto espiga executado a fio de lã de cor amarela. A meio da altura, a algibeira apresenta uma abertura transversal. Acima e abaixo dela estão aplicados, simetricamente, dois retalhos triangulares, em veludo de seda (?) de cor castanha. As orlas dos retalhos são também adornadas com ponto espiga. No vértice superior e inferior, respetivamente, apresentam ainda uma espécie de flor / estrela bordada a fio de lã de cor amarela. Na parte inferior da algibeira, com o mesmo fio, estão bordadas as iniciais "B. R."
Proveniência: Évora / Estremoz

 
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Chita (algodão); Veludo (seda?); Renda (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 24; largura: 17;
Descrição: Algibeira cordiforme com a parte da frente em tecido de algodão (?) de cor branca, e parte de trás em chita do mesmo material, de cor vermelha, estampada com motivos fitográficos de cor branca. À frente, na metade superior, surge a boca de um bolso, em forma de raia. Tanto as orlas da boca, como as da algibeira são debruadas por uma fita em veludo de seda (?) de tom esverdeado. Nos vértices superiores, tal fita prolonga-se, caindo livremente. Sobre o tecido de algodão (?) que constitui a frente da algibeira, surge um forro em renda de croché de cor castanha, formando um reticulado ortogonal. Nele estão bordados motivos ilegíveis, executados a fio de lã de cor branca, rosa, amarela e verde. Um desses motivos, abaixo da boca do bolso, aparente ser um coração de cor rosa e branca, contornado por ramificações nas cores atrás referidas.
Proveniência: Évora / Estremoz


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Chita (algodão); Sarja (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 16;
Descrição: Algibeira com o formato de um retângulo de vértices inferiores arredondados. A parte da frente é em tecido de lã de cor preta. A parte de trás é forrada no mesmo tecido e, na extremidade inferior, a sarja de algodão da mesma cor. Todas as orlas da algibeira são debruadas por uma fita de lã de cor azul. Nos vértices superiores está aplicada uma fita semelhante, que se estende caindo livremente. Ao centro, surge a boca arqueada de um bolso interior. A sua orla é também debruada com uma fita de lã de cor azul. Interiormente, o bolso é forrado a chita de algodão de tom amarelado, estampada com motivos florais de cor roxa, branca e rosa. À frente, a algibeira apresenta bordados executados a fio de lã de cor verde, vermelha, azul, amarela, branca, rosa, laranja e roxo. Acima da boca do bolso, os bordados formam a inicial "D"; abaixo, formam um grande motivo foral.
Proveniência: Évora / Borba

 
 Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Flanela (lã); Tecido (lã); Tecido (lã, algodão?)
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 20;
Descrição: Algibeira de formato trapezoidal, forrada, atrás e à frente, a flanela de lã de cor preta. As suas orlas são debruadas por uma fita de lã de cor azul. À frente, apresenta uma abertura triangular de arestas arqueadas. Na aresta inferior, está aplicado um retalho em tecido de lã de cor verde, listado, de espaço a espaço com três linhas longitudinais de "levantados" de cor preta. Este retalho apresenta uma forma simétrica à da abertura. Interiormente, a algibeira é forrada a tecido de lã e algodão (?) de cor branca e castanha, lavrado com listas transversais tracejadas nas mesmas cores, e bandas compostas por listas de cor branca, castanha e vermelha.
Proveniência: Loulé / Alte

 
Fonte:
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