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terça-feira, setembro 11, 2007

Trajos e ir à feira (boieiros) – S. Pedro de Rates – Douro Litoral


As deslocações às feiras sempre se reverteram de grande importância. A possibilidade de efectuar bons negócios com a venda dos produtos da terra, investindo estes proventos na aquisição de bens que não produz, motivou desde sempre os homens. Era também uma forma de tomar contacto com as novidades, as noticias ou efectuar uma determinada compra, antevendo uma ocasião especial.
Estes trajos representam os boieiros de S.Pedro de Rates, freguesia do Concelho de Póvoa do Varzim, quando se deslocavam às feiras com o seu gado.
Neste conjunto, destaca-se no trajo da rapariga o tecido caseiro da saia e do avental, localmente conhecido por “trezes”. Esta designação ficou a dever-se às três fibras usadas na tecelagem, lã, linho e algodão. Também devido aos três pedais ou peanhas pertencentes ao tear onde era produzido. Quanto ao “chapéu de pano”, como era conhecido, embora sendo de feltro castanho ou preto, comprava-se na Póvoa do Varzim, numa chapelaria já desaparecida.
O homem veste uma camisa de linho, com colarete, aberta sobre o peito com pregas e carcela formando peitilho, manga comprida sem cavas, decorada com preguinhas miúdas na parte superior. Calças compridas de tecido preto, ajustadas na cintura com faixa preta. Colete do mesmo tecido, com bolsos. Cobre a cabeça com chapéu de feltro preto e calça sapatos da mesma cor.
A mulher veste camisa de linho branco, decote guarnecido com duplo folho bordado a branco, aberta no peito, manga comprida, bordada a branco no cimo e refegos junto ao pulso, terminando com folho. Saia de “trezes” com preguinhas junto à cintura e barra azul. Avental do mesmo tecido, franzido na cintura. Atada à cintura, por debaixo do avental, uma algibeira de tecido azul decorada com pespontos. Faixa preta sobre as ancas, arregaçando a saia e o avental.
Cruzado sobre o peito, lenço de lã estampado com motivos florais, policromados, terminado com franja vermelha. Na cabeça, lenço atado atrás sobreposto por “chapéu de pano” de copa baixa e aba larga. Sobre o peito pendem cordões e corações e nas orelhas pequenas argolas.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
Site recomendado:
Câmara Municipal de Póvoa do Varzim
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quinta-feira, julho 26, 2007

Traje de Luto – Póvoa do Varzim – Douro Litoral


No século XIX, seguiam-se regras severas para o traje de luto. Para parentes próximos, usava-se o preto durante meses ou até anos. Para parentes distantes, as roupas possuíam detalhes em preto. Quando o príncipe Alberto morreu, em 1861, a rainha Vitória enlutou-se e ajudou a promover uma grande voga de roupas pretas.
Na tradição popular portuguesa o luto era profundamente vivido e socialmente controlado.
Essa vivência fazia com que fossem colocados de lado os trajos mais vistosos, muitas vezes para o resto da vida, como aconteceu com o traje de branqueta da Póvoa do Varzim após o naufrágio de 1892, que enlutou a maioria das famílias dessa região, apenas sendo ressuscitado em 1936 por Santos Graça.
Durante o luto, o homem poveiro usava camisa ou camiseta preta. Se possuía fato preto, usava-o, quando o não tinha, punha o fato de trabalho mais escuro e colocava na cabeça um casaco pendurado pela cava interior de uma das mangas.
O uso do Gabão também era comum. Este era feito de tecido de lã castanha (saragoça) com cabeção, capuz e mangas compridas. Nas frentes, carcela e bolsos metidos a costura era pespontada a branco. Forro de branqueta. O capuz cobria não só a cabeça, mas ocultava o próprio rosto, resguardando-o de olhares estranhos.


A mulher usava casaco e saia pretos, lenço preto na cabeça, embiocado, e uma saia de costas, também preta, muito semelhante à saia de vestir, com pregas miúdas junto à cintura, embora mais curta e com menos roda. Colocada sobre a cabeça, envolve o corpo até à cintura.
O trajo de luto anulava praticamente a figura da mulher. Como sinal de tristeza profunda, de renúncia ao conforto e desprendimento dos bens materiais, esconde o rsoto dos olhares intrusos e anda descalça.

Fontes:
O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
O Traje do Litoral Português, Câmara Municipal da Nazaré – Museu Etnográfico e Arqueológico Dr. Joaquim Manso, 2003
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segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Rituais da morte e o luto no traje


De todos os mistérios de vida dois são certos, o nascimento e a morte. Se o primeiro é encarado com alegria e regozijo, o segundo é trágico e triste, muito embora a doutrina cristã defenda ressurreição da alma.

Por ser um assunto difícil de abordar na nossa sociedade, os trajes de luto e os rituais da morte raramente são representados pelos grupos etnográficos e folclóricos.

Não querendo ser extenso nesta matéria, procurei alguns apontamentos etnográficos que caracterizassem estes momentos da vivência de qualquer pessoa.

Os rituais fúnebres, além de possibilitarem contactos afetivos e de conforto entre parentes, apresentam simbologias que pretendem concretizar o ocorrido.



Retrato de mulheres, sec.XX, Museu de Arte Popular,
Instituto dos Museus e da Conservação, I.P. / Ministério da Cultura
Em Portugal os rituais da morte são profundamente influenciados pela tradição católica, resultando num protocolo rígido na representação da infelicidade da família enlutada perante a sociedade.

O preto era a cor do luto e quer homens, mulheres ou crianças, despojavam-se das demonstrações exteriores alegria, havendo uma enorme preocupação em cumprir o luto devido por morte de um familiar. No caso de pais ou filhos eram de 18 meses a 2 anos, de um irmão 1 ano, avós 8 meses e tios 3 meses.

Se havia um casamento marcado adiava-se, a matança não era feita, não havia festas até passar o tempo de luto fechado, depois começava-se a aliviar o luto até aos 2 anos.

O anúncio da morte de alguém era feito pelo toque do sino da igreja (o chamado “dobrar” que ainda hoje assim se faz em algumas regiões) e depressa passava de boca-em-boca o nome do falecido.

Os defuntos não iam para a igreja, eram velados em casa. A casa era desprovida de quaisquer elementos decorativos e até o relógio era levado para casa de uma vizinha para não se ouvir o barulho do pêndulo. A casa era despojada de móveis e a vizinhança emprestava as cadeiras. Em algumas aldeias a água que havia nos cântaros era deitada fora e também se tiravam os enchidos que estavam na chaminé.

O corpo era arranjado, vestido com a melhor roupa, muitas vezes já previamente predestinada (o fato da mortalha), e ficava em cima da cama, até que no dia seguinte era enrolado numa colcha, metido no caixão e saíam com ele a pé para o cemitério. Junto à cama era colocado um copo ou uma taça, com um raminho, com o qual se aspergia o morto.
"Carpideiras no funeral de Juan Lara" - 1951 - Cáceres - W.Eugene Smith

Com grandes prantos, fazendo elogios ao falecido e maldizendo a sorte carpidava-se o morto demonstrando a dor da família enlutada, tarefa relegada para os elementos femininos da família, ou “contratavam-se” carpideiras para demonstrar que o falecido era muito querido.

Se era uma criança (os anjinhos ou injinhos), o corpo era colocado numa urna branca e levado ao cemitério por crianças mais velhas. Se era uma rapariga donzela, vestiam-na de noiva com uma grinalda.

Depois do funeral era a vizinhança que cozinhava para a família enlutada e que ajudavam na limpeza e arrumação da casa. No Alentejo a casa não era caiada, nem nessa altura, nem durante o tempo do luto.

Durante todo o tempo de luto fechado os amigos e a vizinhança mais próxima repartiam o que havia com a família enlutada, respeitando a infelicidade e ajudando uns aos outros.

No que respeita à missa de 7º dia, está relacionada com a tradição católica e às referências na Bíblia ao luto de 7 dias:

·         O luto de Jacó durou 7 dias (Gn 50,10)
·         Saul foi enterrado e fizeram um jejum de 7 dias (1Sm 31,13)
·         O povo chorou a morte de Judite durante 7 dias (Jt 16,24)
·         O luto por um morto dura 7 dias (Eclo 22,11)

O Luto no Trajo


Viúva - Rancho Folc. Casa do Povo da Glória do Ribatejo
Em Portugal os rituais da morte entre os finais do sec.XIX e início do sec.XX têm origens muito antigas e diversas influências culturais, resultando num protocolo rígido na representação da dor da família enlutada perante a sociedade

Na tradição popular portuguesa o luto era profundamente vivido e socialmente controlado. Essa vivência fazia com que fossem colocados de lado os trajos mais vistosos, muitas vezes para o resto da vida, como aconteceu com o traje de branqueta da Póvoa do Varzim após o naufrágio de 1892, que enlutou a maioria das famílias dessa região, apenas sendo ressuscitado em 1936 por Santos Graça.

Pormenores do luto no trajo feminino:

Por morte de um parente, as mulheres vestiam-se de preto e quase tapavam o rosto, sendo socialmente apontadas ou marginalisadas aquelas que não o fizessem. Era sinal de respeito quase religioso.


Retrato de camponesa, sec.XX, Museu de Arte Popular,
Instituto dos Museus e da Conservação, I.P. / Ministério da Cultura
A mulher cobre a cabeça com o mais singelo dos lenços negros e as capas, saias de costas, xailes e biucos criam um “casulo” interiorizando a dor e isolando-a do mundo que a rodeia de forma a se tornar invisivel à sociedade.

No Alentejo e Algarve a mulher não tirava o lenço da cabeça nem o xaile das costas. Mesmo no trabalho do campo, de Verão ou Inverno, as mulheres usavam grandes xailes em bico, meias, lenço e chapéu.

No Minho surge o Traje Escuro ou Dó em sinal de luto ou quando um parente partia para o estrangeiro. Usado para simbolizar dor pela separação, motivada por ausência temporária ou mesmo definitiva de um parente. Na verdade, a diferença marcante dos demais trajes, deve-se a tonalidade que no caso presente e como não poderia deixar de ser predomina a cor preta.

Na Póvoa do Varzim a mulher usava casaco e saia pretos, lenço preto na cabeça, embiocado, e uma saia de costas, também preta, muito semelhante à saia de vestir, com pregas miúdas junto à cintura, embora mais curta e com menos roda. Colocada sobre a cabeça, envolve o corpo até à cintura. O trajo de luto anulava praticamente a figura da mulher. Como sinal de tristeza profunda, de renúncia ao conforto e desprendimento dos bens materiais, esconde o rosto dos olhares intrusos e anda descalça.


"Mulher da Nazaré", Artur Pastor
Também na Nazaré a capa, colocada sobre a cabeça, esconde a cara da mulher e o seu sofrimento, nesta altura chapéu perde o tradicional pom-pom de lã.

No que se refere às joias, durante o luto fechado apenas utilizavam os brincos, aos quais eram cozidos uns paninhos pretos para disfarçar o brilho do ouro, ou então, para quem tinha essa possibilidade, usava brincos com pedras escuras: azeviche, granada, hematita, e ônix.

Em Portugal, no concelho da Batalha, nas minas de Alcanadas (Barrojeiras e de Chão Preto), até ao início do século XX, era extraído o azeviche utilizado na realização de jóias usadas durante os períodos de luto da família pela Família Real Portuguesa. Também era extraido azeviche em Peniche.



Brincos de 1880 em azeviche. Acervo do Metropolitan Museum

Pormenores do luto no trajo masculino:

Aos homens eram impostas menos regras sociais que ás mulheres, para além do resguardo do tempo de luto obrigatório.
Genericamente o homem também adoptava o fato preto, ou da cor mais escura que tinha. Mesmo no trabalho passa a vestir-se integralmente de preto.
No Alentejo e Algarve os homens andavam com a barba grande pelo menos durante 1 mês e não iam à taberna. Em algumas localidades usavam um lenço amarado à cabeça por debaixo do boné ou do chapéu.
O uso do Gabão também era comum, sobretudo na Póvoa do Varzim e Nazaré. Este era feito de tecido de lã castanha (saragoça) com cabeção, capuz e mangas compridas. Nas frentes, carcela e bolsos metidos a costura era pespontada a branco. Forro de branqueta. O capuz cobria não só a cabeça, mas ocultava o próprio rosto, resguardando-o de olhares estranhos

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Gabão – Traje de Pescador

António Nabais in “O Traje do Litoral Português”, escreve:
“No traje do litoral, existem traços comuns ao longo de toda a costa marítima portuguesa. Esta característica reflecte a mobilidade dos marítimos, nomeadamente dos pescadores.”…”Numa leitura imediata da iconografia (gravura, desenho, pintura e fotografia) costeira do século XIX e inícios do século XX, verificamos existirem mais semelhanças do que diferenças.”
Um destes exemplos é o gabão, muito utilizado pelas comunidades do litoral, de Caminha a Vila Real de Santo António.
No mar, todos os agasalhos eram poucos, pelo menos no tempo de espera, pelo que além da camisa e da camisola, o pescador envergava um casaco muito velho ou o gabão. Este é um traje para o trabalho no mar, mas também, de luto, como na Póvoa do Varzim ou na Nazaré.
Muito embora se possa encontrar este agasalho em várias regiões do país, genericamente, o seu feitio mantém-se semelhante.
O Gabão era feito de burel, surrobeco ou briche. Apertava com botões ou alamares de prata, um cabeção cobria os ombros e as costas e o capuz protegia a cabeça do vento frio. O tamanho varia, sendo mais comprido e amplo na costa norte até Lisboa e mais curto na costa algarvia.
O gabão usado na Póvoa do Varzim possuía uma característica que os distinguia das restantes regiões, era forrado de branqueta, que também servia para avivar as bandas, cabeção e capuz.
O gabão chega à região de Lisboa trazido pelos pescadores da costa Norte, que se deslocavam sazonalmente à foz do Tejo para a pesca do sável, e que se foram fixando em bairros tão típicos como a Madragoa.
Actualmente, algumas confrarias enólogas e gastronómicas recriaram o gabão e utilizam-no como traje cerimonial.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Trajo de ida ao mar – Póvoa de Varzim – Douro Litoral

Estamos perante trajos de trabalho, onde os tecidos de lã têm uma grande predominância, quer como agasalho do corpo, quer como resistência à corrosão da água salgada.
O pescador usa camisa de tecido de lã aos quadrados. Como protecção suplementar, veste o colete de “lanchão”, tecido “encascado” com casca de salgueiro, forrado a “castorina” e ajustado na frente com atilhos feitos de fio de pesca. Protege a cabeça com “catalão” de lã. Calças de branqueta preta e ceroulas de tecido de lã axadrezado, apertadas com fita de nastro nos tornozelos. Anda descalço e transporta os apetrechos de pesca.
No trajo feminino, os tecidos de lã são também os preferidos para o colete e saia. A camisa, de corte tradicional, é de algodão branco, o colete de “berre”, tecido de lã vermelho, ajustado na frente com cordão. A saia é de “castorina” aos quadrados brancos e pretos, pregueada na cintura com macho na frente, soerguida com listão colorido. Lenço de algodão estampado, cruzado no peito e cachené na cabeça, atado atrás. Anda descalça.
Embora caiba ao homem ir ao mar, a sua companheira não se furta a ajuda-lo no transporte dos apetrechos da faina, carregando os mantimentos e as redes, e aguardando depois na praia o seu regresso.
O rapaz veste camisa aos quadrados de corte vulgar, calças pretas de tecido de lã e na cabeça usa uma boina de origem espanhola.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
Site recomendado:
Câmara Municipal de Póvoa do Varzim
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segunda-feira, agosto 29, 2011

As cores republicanas no barrete do campino ribatejano


O campino do Ribatejo tal como actualmente o conhecemos, altivo na sua montada, com o seu pampilho, apresenta-se invariavelmente com o seu colete encarnado, faixa vermelha à cintura, calça azul e meias brancas até ao joelho, jaqueta e sapato de prateleira com esporas. Ao invés de outros trabalhadores rurais da mesma região, usa barrete verde com orla a vermelho, sugerindo as cores da actual bandeira nacional.
O barrete é, desde tempos muito recuados usual em diversas regiões do nosso país, quer no meio rural como ainda entre as comunidades de pescadores. No Minho, apesar da indústria de chapelaria que se desenvolveu em Braga nos meados do século XIX, a qual levou à difusão em toda aquela do característico chapéu braguês, o barrete continuava a ser utilizado nas tarefas diárias da lavoura.
Originariamente, todos os barretes eram pretos ou cinzento-escuro, independentemente do grupo social ou a região do país em que eram utilizados. Ainda hoje os podemos encontrar com relativa facilidade entre os pescadores da Nazaré e da Póvoa do Varzim ou até na região saloia. Porém, apesar de se pretender preservar aquilo que foram os usos e costumes de uma determinada época, geralmente dos finais do século XIX e começos do século XX, também o traje tradicional tem sido permeável às modas e a outros interesses que o levam a registar modificações que, não raras as vezes chegam até nós como o que existe de mais genuíno.
Seria extensa a lista de exemplos que poderíamos enumerar para descrever as alterações que ao longo dos tempos se tem registado no traje tradicional, para já não falarmos de outros aspectos relacionados com o folclore como as coreografias, os instrumentos utilizados e os próprios cantares. Bastará, apenas, referir o tamanho das saias que outrora se usavam comparados com o que por vezes é exibido actualmente, as formas estilizadas e os tecidos. Muitas dessas alterações não estão apenas relacionadas com as influências exercidas pela moda mas ainda com a sua utilização para fins de propaganda turística e até política, como sucedeu em grande medida durante o período do Estado Novo.
Sucede que, faz precisamente cem anos que foi instaurado em Portugal o regime republicano. E, como é sabido, o Ribatejo constituía uma das regiões de maior implantação política dos republicanos da altura. De resto, foi um ribatejano de seu nome José Relvas, quem hasteou a bandeira do novo regime nos Paços do Concelho, em Lisboa. Na verdade, a bandeira hasteada pertencia a um pequeno grupo político, o Centro Democrático Federal, pois a bandeira tal como a conhecemos só viria a ser concebida e aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte no ano seguinte.
Inspirados pelo famoso quadro “A Liberdade guiando o Povo” de Eugène Delacroix, os republicanos criaram uma figura alegórica para representar a República, um tanto à semelhança do que fizeram os franceses ao conceberem a sua Marianne. O modelo então escolhido foi uma jovem alentejana de Arraiolos, de seu nome Irene Pulga. E, tal como os franceses fizeram com a Mariana, colocaram-lhe sobre a cabeça um barrete frígio.
O barrete frígio é assim designado por ter sido primitivamente usado pelos habitantes da Frígia que constituía uma região da Ásia Menor, sensivelmente onde actualmente se encontra a Turquia. Os republicanos franceses adoptaram-no, sob a cor vermelha, como símbolo de liberdade. Aliás, da mesma forma que, nos finais do século XIX, foram os caçadores alpinos franceses os primeiros a adoptar a boina basca, alterando-lhe a cor para azul-escuro, tendo passado a constituir um acessório dos uniformes de inúmeras forças militares sob as mais diversas cores. De forma algo idêntica, também os republicanos portugueses viram certamente no barrete do campino ribatejano uma espécie de barrete frígio, genuinamente português, podendo ser-lhe introduzidas as cores da República.
Com o decorrer do tempo e a divulgação do folclore, mormente ao tempo do Estado Novo, a ideia do barrete verde viria a enraizar-se nos costumes ribatejanos e a tornar-se uma peça considerada genuína do traje do campino.

Autor: Carlos Gomes


sexta-feira, outubro 31, 2008

Tamancos e Socos - Entre Douro e Minho

Segundo alguns autores, terá sido na região de Entre Douro e Minho a área primitiva do aparecimento do calçado de pau em Portugal.
Existiu em Guimarães uma confraria dos sapateiros, sob a evocação de Santa Maria, cuja constância no tempo vem desde o século XIII e se projectara numa continuidade admirável sob o título abreviado de Irmandade de S. Crispim, tendo sido fundada em 1315 pelos sapateiros João Baião e Pedro Baião.
Uma sátira em verso do séc. XVIII, que define os habitantes de Entre Douro e Minho, faz-se referência ao calçado de pau.
“Homem de Entre Douro e Minho
Calça de pau e veste linho,
Bebe vinho de enforcado,
Traz o porco escangado,
Foge dele como do diabo.”
Se bem que em tempos passados o povo tivesse andado descalço, este calçado impunha-se como meio de protecção na realização de alguns trabalhos agrícolas, tendo por isso os seus melhores defensores na gente da lavoura.
Feito de pau de amieiro e um pouco de couro, este calçado humilde tem também a sua história.
Popularmente, os tamancos têm as designações de socos e taroucos. Se a pessoa que os usava era uma mulher, os tamancos eram designados por tamancas, os socos por socas, e os taroucos passavam a ser taroucas.
A propósito deste assunto, José Leite de Vasconcelos, o mestre da etnologia, refere que “as mulheres usam tamancas ou socas, que são menores e mais apuradas do que os tamancos, mas com sola de madeira”.
De qualquer forma, o tamanco era mais usado pelo homem e o soco mais usual na mulher, sendo inquestionável que este foi o calçado dos pobres, sem esquecer que também os ricos o usaram em muitas emergências do tempo e da fortuna.
As próprias condições físicas do terreno foram as inspiradoras do artífice tamanqueiro. Nas terras do litoral, o pau do tamanco é raso. No interior, o tamanco começa a arquear a biqueira. Já nas terras bravas das serras, o tamanco arqueia ainda mais, cingindo o couro mais ao pé, para melhor se acomodar ao terreno e à marcha.

As oficinas dos tamanqueiros situavam-se sobretudo nas recônditas aldeias. O tamanqueiro talhava as peles (de couro para os socos de homem e de crute para os socos de mulher), e pregava-as aos paus. Utilizava moldes de cartão grosso para cortar as peles e uma forma para fixar o cabedal ao pau de amieiro através de tachas. O artífice percorria as aldeias em busca do amieiros, que só podia ser cortado nas quadras da lua. O fabrico do tamanco era sobretudo um trabalho de Inverno, pois aproveitavam as Feiras de Verão para vender os seus produtos.
Os socos não eram só para uso no trabalho, mas também aos domingos, dias de festa e mesmo para certos actos de maior importância, como casamentos. No caso dos actos cerimoniosos, eram muitas vezes usados socos feitos de melhores matérias e acabamentos mais luxuosos, mas como eram dispendiosos apenas estavam ao alcance de uma pequena minoria. Ainda assim, muitas vezes durante o trajecto para um acto cerimonioso ou na deslocação para uma povoação, o soco era mantido debaixo do braço para não se estragar e só à chegada o calçavam.
A seguir descrevem-se alguns tipos de socos:


Soca Curta – Soca de bico arredondado, salto baixo, e em que as pontas dos “cortes” terminam próximo da quina do salto. Os paus podem ser pintados de preto ou à cor natural, sendo forrada no interior. Este é um modelo muito popular mesmo noutras regiões.
Soca Inteira – É um tipo de soca, de mulher, mais fechada, em que as “orelhas” dos “cortes” se juntam atrás sobre o salto, ficando acima deste cerca de 2 cm. O bico é arredondado e o salto alto. Sendo forrada internamente com uma palmilha.

Soco Rebelo – As orelhas dos cortes são mais altas do que no soco poveiro, juntando-se atrás sem se sobreporem. Neste tipo de soco, a forma é metida a maço e os cortes batidos e alisados com o cabo do martelo, a fim de se conseguir a curvatura do bico, que é a sua principal característica.

Soco Poveiro – É o soco, para homem, mais vulgar da região. O seu nome deve-se a ter sido a Póvoa do Varzim o seu presumível difusor. Soco de ponta redonda, em que as orelhas dos cortes se juntam atrás sem se sobreporem, ficando acima do salto cerca de 3 cm. É mais aberto que o soco rebelo. Como todo o tipo de soco para homem, o pau é de cor natural e sem palmilha no interior.
Chanca Rebela ou de Ponte de Lima – Fabrica-se de couro atanado dividido em duas peças denominadas “gáspea com biqueira” e “cano” ou “talão”. O “cano” ou “talão” é sobreposto à “gáspea”, fechando a frente através de um cordão de couro. A ponta é bicuda e um pouco arredondada. Antigamente eram feitas a partir do aproveitamento da botas velhas, às quais mandavam aplicar os paus.

quinta-feira, setembro 25, 2014

Calçado de Pau


Conforme descreve o Eng. Manuel Farias no seu artigo “Pé Descalço”, até à primeira metade do sec.XX era usual ver circular pelas cidades e nos meios rurais pessoas descalças. Faziam-no sobretudo por ausência meio económicos, mas também por hábito, já que muitos não conheciam outras solas que não a dos seus pés calejados.

Por força legal, de costume ou proteção, o calçado de pau assume-se como alternativa a este povo descalço por ser o mais barato. Feito de pau de amieiro e um pouco de couro, este calçado humilde era usado quer por homens como por mulheres, alterando-se o feitio e a denominação, os tamancos passam a tamancas, os socos a socas, e os taroucos, taroucas.

O Museu Nacional de Etnologia e o Museu de Arte Popular possuem uma variadíssima coleção deste tipo de calçado, dos quais de seguida vos deixo a descrição de 27 exemplares de socos e socas, distribuídos por várias regiões.

REGIÃO DO MINHO

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Couro; Madeira; Metal; Veludo (Seda); Algodão (?); Policromia
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 9; comprimento: 29;

Descrição: Soco com rasto em madeira pintada de preto e gáspeas em couro de crute envernizada a preto. Apresentam uma ponta aguçada e levantada. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto é baixo e afunilado; o enfranque é em espinha; o enfranque da chanca à esquerda apresenta, colada, uma etiqueta que refere: "4932". A pata do soco à direita apresenta uma etiqueta semelhante, e a do soco à esquerda apresenta uma outra etiqueta que refere: "Villa Nova / de Famalicão / Tamancos 1.85". A unir o rasto à gáspea surge uma fita em couro, fixa com pregos metálicos justapostos. As gáspeas cobrem a parte anterior do pé, diminuindo progressivamente a sua altura, até à zona da calcanheira. A orla superior das gáspeas é debruada por uma fita de couro. A parte da frente do soco é ponteada à máquina, com linhas de algodão (?) de cores: branco, vermelho, verde, azul e laranja, de modo a formar um motivo fitomórfico longitudinalmente simétrico. A parte interior dos socos, assim como a parte superior do rasto, é forrada a veludo de seda de cor vermelha.
Proveniência: Braga / Vila Nova de Famalicão


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Couro; Metal
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 11; comprimento: 30;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira e gáspeas em couro de crute envernizada a cor castanha. Apresentam uma ponta ligeiramente aguçada e levantada. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto, semicircular, é coberto por uma placa metálica do mesmo formato, na qual estão cravadas três cardas em ferro. O enfranque é lavado, não apresentando descontinuidade com a pata. Esta apresenta, de cada lado, duas tiras metálicas, cravadas com quatro e cinco cardas, respetivamente. A união do rasto com as gáspeas é efetuada por uma fita de couro semelhante ao das gáspeas, pregada de espaço a espaço com pregos metálicos. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, vão diminuindo progressivamente a sua altura, terminando na calcanheira. À frente, sobre as gáspeas, surge, como reforço, um retalho triangular de couro. Sobre a parte inferior deste, forrando também a parte frontal do rasto, surge, pregada, uma placa metálica.
Proveniência: Braga / Terras de Bouro

 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Borracha (?); Couro; Oleado; Papel
Dimensões (cm): altura: 4; largura: 10; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) com rasto em borracha (?) de cor preta e gáspeas de couro, de crute envernizada a preto. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto é afunilado; o enfranque é lavado, não apresentando descontinuidade com a pata. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, diminuem progressivamente de altura, terminando a 3/4 do comprimento da chinela. A parte da frente das gáspeas apresenta uma sequência de arcos vazados, delineados por um picotado exterior. A parte de cima do rasto é forrada a oleado de cor preta. Na zona da calcanheira, estão coladas duas etiquetas de cor branca que referem: "EVO 1917".
Proveniência: Guimarães / Costa / Viela São Roque

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Borracha (?); Couro; Oleado (?); Pergamoide; Papel (?); Tecido (algodão); Metal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 10; comprimento: 26;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira e gáspeas de couro de crute envernizada a preto. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto, afunilado, é forrado no topo a borracha (?) de cor preta; o enfranque é em espinha; a pata é afunilada e levantada. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, diminuem progressivamente de altura, terminando na zona da calcanheira. A orla superior da abertura das gáspeas é debruada com uma tira de oleado (?) de cor preta. Na parte da frente, junto a essa abertura, surge um laço em tecido de algodão de cor preta, preso, ao centro, com uma fivela metálica de tom dourado. A parte de cima do rasto é forrada a pergamoide de cor preta. Este é aberto em círculos, na zona da calcanheira, por entre os quais se vê um forro interior a papel de cor vermelha (?).
Proveniência: Barcelos / Gueral

 
REGIÃO DO DOURO LITORAL
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 9,5; comprimento: 26;

Descrição: Soco de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é tingida de preto. É constituída por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, escrito à mão, a caneta de cor preta: "Bico ponta" / "alta". Sobre esta inscrição, uma outra, executada a grafite, com o número: "36". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida apresentando orelhas, que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta. No interior do soco, a palmilha apresenta um forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela; Papel
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 8; comprimento: 25;

Descrição: Soco de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada de cor preta. A sola é pintada de preto e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto, estreito e afunilado. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Do centro da biqueira para o enfranque, escrito a caneta de cor preta: "delaidinha". No topo da biqueira, uma outra inscrição executada a grafite: "35". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. Na zona do calcanhar, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico e aberta em pequenos círculos, presa por um prego metálico, junto à sua aresta mais interior. O conjunto dos círculos forma, da direção do calcanhar para os dedos, uma espécie de ferradura, no seio da qual está uma pequena flor de seis círculos (pétalas). Abaixo deste conjunto, uma fileira diagonal de círculos ladeada por duas outras flores, uma de cada lado, semelhantes à descrita acima. A dar cor às ferraduras, debaixo do oleado, pedaços de papel de cores: azul, verde, vermelha e amarela. Da calcanheira, pela palmilha, forro de flanela de cor preta.
Proveniência: Porto

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 8,5; comprimento: 24,5;

Descrição: Soco de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, ligeiramente levantado. Apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor preta: "varina". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do tacão. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um forro de plástico preto, de formato parabólico.
Proveniência: Porto

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,8; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) fechados de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é pintada de cor preta. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. Apresenta no topo de cada soco, o número: "35". O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Ambos os socos apresentam na zona de curva, ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul (?): "Soco Raboto" / "Póvoa de" / "Varzim". A pala apresenta uma biqueira muito redonda, sem queda. Nesta zona, o soco do lado direito apresenta, escrito à mão, a grafite: "Irmão" / "do Tiago" (?) / "Rogerio" (?) / "certos" (?). A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça pequena e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do salto. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico. A área restante de madeira, a da palmilha, é forrada a flanela de cor preta.
Proveniência: Póvoa de Varzim


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela (?)
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, a caneta de cor preta, "Soco Poveiro". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé e, cujas pontas, na zona do calcanhar, terminam em redondo, sobrepondo-se um pouco uma sobre a outra, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras muito finas, executadas a linha de cor creme, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, um forro de flanela (?) de cor preta. Lateralmente, o interior de cabedal é também tingido de preto, à exceção da zona correspondente da boca à biqueira.
Proveniência: Póvoa de Varzim


 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Técnica: Punção
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 9,6; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) fechados de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é pintada lateralmente de cor violeta. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico redondo, um pouco levantado. A do soco do lado direito, apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Soca" / "Póvoa de" / "Varzim". Nesta zona, ambos os socos também apresentam, escrito à mão, a grafite: "34" / "/" / "15" - leia-se 34 em quinze. A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça pequena e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início da pata. A boca apresenta duas fileiras muito próximas de um fino pontilhado. Em cada lado, uma espécie de "L", orientado na diagonal, de limites externos de fino pontilhado e interior de pontilhado mais grosseiro e mais espaçado. Os vértices de tal "L" tendem para o centro da biqueira. Estes são unidos por espécie de losango conseguido pelo prolongamento dos limites exteriores dos "L". O interior é constituído por pontos mais grosseiros, semeados de espaço a espaço, de modo a seguir os contornos do losango. No interior do soco, a zona do calcanhar é pintada da mesma cor da sola, até ao início da palmilha. Na palmilha de ambos os socos, escrito à mão, a grafite, "34" / "/ " / "15".
Proveniência: Póvoa de Varzim


Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela

Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,5; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é tingida de preto. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Este, ao centro, em ambos os socos, marca em relevo: "PORTO". A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, uma vez a caneta de cor preta e outra vez a grafite, "p alta" e "PORTO" / "BICO PONTA" / "ALTA", respetivamente. Sobre estas inscrições, neste soco, e em igual posição no outro par, uma outra inscrição a grafite: "36". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, um forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira


 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela (?)
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira, gáspea e talão de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, a grafite, "PORTO" / "GALHOCHAS". A ligação entre a sola, gáspea e talão é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam a meio do salto. Cerca de três centímetros antes, inicia-se, na parte de fora da orelha, a aplicação de um talão de formato semicircular, que termina no lado oposto, mas agora, na parte de dentro dessa orelha. Na extremidade superior da gáspea e do talão, estes apresentam uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras muito finas, executadas a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira

  

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela (?); Papel
Dimensões (cm): altura: 6,5; largura: 8,5; comprimento: 25;

Descrição: Soco (par), de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Apresenta, ao centro, em ambos os socos, escrito à mão, a caneta de cor preta, "Papos-secos". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, sobre a madeira, forro de flanela (?) de cor azul. Por cima deste, na zona da calcanheira, um forro de oleado de cor preta, de formato parabólico, preso por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma, em cima e em baixo, espécie de ferraduras de abertura voltada para baixo, com flor no meio. A dar cor aos círculos, debaixo do oleado, pedaços de papel de cor amarela, verde, azul, vermelha e creme.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Técnica: Punção
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 12; comprimento: 30;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor castanha escura. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. O enfranque é em espinha. Apresenta, num dos lados desta, em cada soco, uma espécie de selo de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "249" em cima, e a letra "T" um pouco abaixo, do lado esquerdo, e ao centro "TC" - todos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I. / CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e muito levantado, orientado ao centro, não conferindo aos socos um par direito ou esquerdo. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a grafite: "Tamancos rabelos" / "Casais" / "Lousada". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor creme, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é bastante subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V" entre elas. Apresenta motivos fitográficos gravados por punção: zona da boca, à frente, apresenta uma linha contínua, transversal, encimada por repetição sucessiva de espécie de folha de cinco nervuras. Em ambas as extremidades de tal linha, descem num ângulo de 45º, duas bandas de quatro fileiras de pontilhado. Partindo do centro da mesma linha, para os lados, outras duas bandas de iguais características, que se cruzam com as anteriores. Um pouco acima da zona de cruzamento, partem destas bandas, outras duas, estas de três fileiras pontilhadas, que se unem ao centro, formando assim uma espécie de losango. Do seu vértice mais externo, até ao início da biqueira, uma banda larga, transversal, de uma fileira de pontilhado nos limites e de retas diagonais, entrecruzadas, ao centro. Com a exceção da biqueira, todas as zonas criadas pelo cruzamento das bandas apresentam decorações: um ponto junto a cada vértice, e sinete ao centro. No losango central, um sinete junto a cada vértice e outra de maiores dimensões ao centro. Abaixo deste a seguinte inscrição gravada por punção: "ZINHA". No interior de cada soco, na zona da calcanheira, uma inscrição feita à mão e a lápis: "42".
Proveniência: Porto / Lousada / Casais

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela; Papel
Dimensões (cm): altura: 7,5; largura: 9; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada de cor preta. A sola é pintada de preto e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto, estreito e afunilado. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado direito, escrito à mão, a grafite: "PORTO" / "DELAIDI -" / "NHA". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, sobre a madeira, um forro de flanela de cor preta. Por cima deste, na zona da calcanheira, oleado de cor preta, de formato parabólico, preso por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma uma espécie de três ferraduras concêntricas de diferentes alturas. Entre a mais interior, uma fileira de quatro círculos disposto no sentido da altura. A dar cor às ferraduras, debaixo do oleado, pedaços que papel de cores: branca, verde, e vermelha. Assim, a maior ferradura, a exterior, é de cor branca, a seguinte de cor verde e a última, de cor branca. A fileira central é de cor vermelha.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira
Local de uso: terras do interior e serras

  
REGIÃO DE TRÁS-OS-MONTES

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, madeira, tachas
Dimensões (cm): comprimento: 25;

Descrição: Soco de bico, com as pontas do "corte" terminando as orelhas quase unidas atrás. Sola de pau com salto baixo. A parte do corte está pregada à sola com tachas colocadas sobre o "circo". No lado interno tem um remendo cosido, na sola, além das tachas, tem remendo feito com borracha de pneu (?) tal como no salto Este soco estava enfiado num fueiro do carro de bois, reexposto na sala de Trás-os-Montes.
Proveniência: Trás-os-Montes

 
REGIÃO DO ALTO DOURO

 

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, madeira e metal
Dimensões (cm): comprimento: 24;

Descrição: Soco rabelo para mulher, biqueira levantada e pontiaguda, gáspea subida, decorada com motivos geométricos incisos, círculos, listas em grupo de 3 e serrilhas feitas com riscador; as orelhas chegam até ao calcanhar, agora abertas pelo uso prolongado. Sola de pau muito gasta, agora sem salto, apresenta na biqueira protetores metálicos. A ligação com a gáspea é feita por tachas pregadas sobre o circo. Não tem distinção entre o pé esquerdo e o direito.
Local de Uso: Terras de Basto - Vila Real - Amarante - Felgueiras - Lamego - Castro D'Aire

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 12,5; largura: 10; comprimento: 30;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. O enfranque é em espinha e apresenta, num dos lados desta, no soco do lado esquerdo, a inscrição "JAIME", cravada na madeira; no lado oposto, em cada soco, espécie de selo de papel de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO" repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre este fundo, espécie de brasão.
Por cima deste, o número "1720" e, ao centro, um "T", ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I. / CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e muito levantado, orientado ao centro, não conferindo aos socos um par direito ou esquerdo. Uma das patas apresenta, ao centro, escrito à mão e a grafite: "Tamancos rabelos" / "Casais" / "Lousada". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é bastante subida apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. No interior de cada soco, a zona entre a palma do pé e o calcanhar, apresenta uma inscrição feita a mão e a grafite: "42".
Proveniência: Lousada / Casais
Local de uso: região duriense, terras de Basto e Vila Real

 
REGIÃO DA BEIRA CENTRAL

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado e muito levantado. Apresenta, ao centro desta, em ambos os socos, escrito à mão, a caneta de cor verde, "VISEU". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de pelica de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras executadas a linha de cor creme, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco do lado esquerdo, na zona entre a palma do pé e o calcanhar, apresenta uma inscrição feita a mão e a grafite: "41".
Proveniência: Viseu

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Borracha; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 7,2; largura: 11,8; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par), de sola em madeira, gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. Apresenta no topo, com o mesmo formato, uma aplicação de borracha de pneu de cor preta, fixa com pregos metálicos. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado. Apresenta nos limites exteriores aplicação de uma banda de borracha de pneu de cor preta, formando espécie de ferradura, fixa com pregos metálicos. A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, profusamente pregada, com pregos metálicos, de cabeça larga e batida, justapostos uns aos outros. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de cabedal de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico, presa por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma uma espécie de flor de oito pétalas ao centro. Em cima e abaixo desta, os círculos dispõem-se em duas fileiras justapostas que infletem ao meio. Descendo da calcanheira pela zona da palmilha, vestígios de tecido escocês de listas ortogonais de cor vermelha justapostas a listas ortogonais de cor azul escura.
Proveniência: Seia / Sabugueiro

   
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 12,5; largura: 12; comprimento: 30;

Descrição: Soco de rasto de madeira e gáspea de cabedal de cor acastanhada. O rasto apresenta salto, enfranque e pata. O salto é alto e muito afunilado. Apresenta no topo, uma aplicação com dimensões ligeiramente superiores, de peça metálica. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, levantado, com vestígios semeados de charas de metal, de formato redondo. A união entre rasto e gáspea é guarnecida com tira de cabedal pregada, equidistante, a toda a volta, com pregos metálicos de cabeça larga e batida, à exceção da biqueira. Aí, é aplicada uma peça triangular de cabedal. Do lado direito do soco, aplicação de placa de metal, sobre a tira de cabedal. Tal placa, que cobre o lado do rasto e a tira, é pregada à madeira nas extremidades e ao centro, com pregos metálicos. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas, na zona do calcanhar, terminam em redondo, formando espécie de espaço em "V", entre elas.
Proveniência: Viseu / Vila Nova de Paiva / Fráguas

 
REGIÃO DA BEIRA LITORAL

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
 Matéria: Madeira; Couro; Metal (ferro)
Dimensões (cm): altura: 16; largura: 8; comprimento: 34;

Descrição: Soco com rasto de madeira e gáspeas de couro de cor castanha. O rasto é constituído pelo salto, enfranque e pata. O salto é tronco-cónico, apresentando três peças quadrangulares de ferro que lhe encaixam. O enfranque é lavado e esguio, apresentando uma descontinuidade com a pata. Esta última apresenta, junto às bordas, cardas de ferro, formando uma sucessão de triângulos. A união do rasto com as gáspeas é feita através de uma fita de couro pregada de espaço a espaço. As gáspeas são levantadas até à zona da calcanheira, terminando em "V". À frente, na extremidade superior, formam um pequeno triângulo. A parte da frente das gáspeas é reforçada com uma aplicação de couro, gravada por punção segundo uma linha central longitudinal, formando pequenos asteriscos. A biqueira do soco é reforçada com uma banda de ferro, que se prolonga lateralmente pelo soco até à zona da pata, pregada de espaço a espaço.
Proveniência: Segundo o artigo de Benjamim Pereira "Calçado de Pau em Portugal" este soco é proveniente de Aveiro.


 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,6; comprimento: 24,5;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Apresenta, no soco do lado direito, virado para o salto, junto á extremidade lateral, uma espécie de selo de papel de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO" repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "173" em cima, e a letra "T" ao centro, ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata, apresenta um bico muito redondo, sem queda. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco / Poveiro / Beira mar". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do salto. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um plástico de cor preta, de formato parabólico. É pregado, na sua aresta interior, ao centro, por um prego metálico de cabeça larga, batida. Contíguo a este forro, em cada soco, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO". Sobre este, escrito à mão, a grafite, o número: "33" (?).
Proveniência: Aveiro

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 10,5; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Soco (par) fechado de rasto em madeira e gáspea de cabedal envernizado, de cor preta. O rasto é constituído por salto, enfranque e a pata (?). O salto é baixo; o do soco do lado direito apresenta escrito à mão, a caneta: "Salto". O enfranque é em espinha e apresenta, num dos lados desta, também no mesmo soco, escrito à mão e a caneta de cor azul: "enfranque / modelo em espinha". Do outro lado da espinha, espécie de selo de papel, de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, espécie de brasão encimado pelo número "173", e a letra "T" ao centro - ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e ligeiramente levantado. O bico do soco do lado direito apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Pata". No mesmo alinhamento desta, junto à extremidade direita, a palavra "encarna", de onde parte uma seta apontando para a fita que une a sola e a gáspea. A pata do soco do lado esquerdo, refere do mesmo modo: "Tamanco Fechado". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma encarna: uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. Na parte da frente, na biqueira, a ligação é de folheta de metal de cor prateada. Esta, no limite superior, é de arco ogival, e no limite inferior, lobulada, tendo em cada lóbulo, um prego. A folheta apresenta uma espécie de motivo orientalizante. A gáspea é bastante subida apresentando orelhas, de vértice superior arredondado, que se sobrepõem na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras executadas a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. O interior da gáspea é de cabedal de cor castanha escura. Na zona da calcanheira de cada soco, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Proveniência: Aveiro

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 6,5; largura: 8; comprimento: 25;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, ligeiramente levantado, não havendo diferenciação entre direito e esquerdo. A do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco" / "Chinela" / "(Interior)" / "Varina". A referência "interior" encontra-se riscada. A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do tacão. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um forro de plástico preto, de formato parabólico. É pregado, na sua aresta interior, ao centro, por um prego metálica de cabeça larga e batida. Contíguo a este forro, em cada soco, um carimbo de cor vermelha com a inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Proveniência: Aveiro

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 9; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor creme - "cabedal branco". A sola é constituída por salto, enfranque e a pala. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Apresenta, num dos lados, uma espécie de selo de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "173" em cima, e a letra "T" ao centro - ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e ligeiramente levantado. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco branco". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor castanha, pregada de espaço a espaço com pregos metálicos de cabeça larga e batida. Na parte da frente da biqueira, a ligação é de folheta de metal de cor prateada. Esta, no limite superior, é de arco ogival, e no limite inferior, lobulada, tendo em cada lóbulo, um prego metálico. A folheta apresenta espécie de motivo orientalizante. A gáspea é bastante subida. As orelhas, cujas pontas terminam em bico, tocam-se na zona do calcanhar. Apresenta algumas gravações por punção: zona da boca, à frente, apresenta duas linhas gravadas em profundidade no cabedal, seguindo os contornos da mesma; na zona da biqueira apresenta seis linhas, espaçadas duas a duas, sendo que entre as duas mais anteriores e as do meio, cinco linhas iguais às anteriores, oblíquas, cruzando-se entre elas, ao centro. No interior de cada soco, na zona da calcanheira, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Local de uso: Região da Bairrada

REGIÃO DO ALTO ALENTEJO

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Madeira, couro, tachas
Dimensões (cm): comprimento: 24,5;

Descrição: Soco composto por duas tiras de couro, que unem sobre o peito do pé, ajustadas com uma tira (atacador) estreito partido, passando por 6 orifícios; sola de madeira alta unida ao couro com tachas.
Proveniência: Louredo, Marvão

 
Fontes:
www.matriznet.imc-ip.pt
Museu Nacional de Etnologia
Museu de Arte Popular


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