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quinta-feira, janeiro 26, 2012

Lenços de Cabeça – Entre Douro e Minho

O hábito da mulher cobrir a cabeça vem de tempos imemoriais. Nas catacumbas (conjunto de corredores e quartos subterrâneos debaixo da cidade de Roma, onde os cristãos se escondiam na época da perseguição), existem muitos desenhos nas paredes feitos por esses mesmos cristãos, onde aparecem mulheres com a cabeça coberta por um véu. A própria Bíblia diz-nos em Coríntios: toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça porque é a mesma coisa que estivesse rapada (nua).
Talvez inspirados nos véus antigos terão nascido os lenços usados pelas mulheres durante séculos. A história dos lenços da cabeça é assim uma história antiga e cheia de curiosidades.
Há quem afirme que os lenços, tal como os conhecemos hoje, remontam ao tempo de D. João VI. Quando o barco em que seguia a família real fugida para o Brasil sofreu uma praga de piolhos, a futura rainha, Carlota Joaquina, foi obrigada a rapar os cabelos. Como naquele tempo uma princesa careca era algo inconcebível, ela passou a usar lenços para cobrir a cabeça, causando até alguma estranheza nos súbditos ao desembarcar no Brasil, porém, logo o hábito pegou e as mulheres começaram a imitá-la. Certamente que poderá tratar-se de uma história, contudo, o lenço da cabeça foi uma peça extremamente importante e fundamental da indumentária da mulher.
Sendo assim, sejam em que circunstâncias forem, as componentes de qualquer grupo ou rancho folclórico, jamais deverão abdicar do uso do lenço, seja nos trajes mais ricos, ou nos mais pobres e simples.

Lenços chineses
Os lenços chineses foram dos mais populares da região. Os agrupamentos de folclore devem apostar neste género de lenço e banir aqueles que não se identificam com as nossas gentes.
Certamente que a variedade de cores e desenhos outrora à venda, há largas décadas que desapareceram, porém, presentemente, existem algumas imitações no mercado especializado que poderão ajudar a remediar a falta de originais.

Lenços de merino
Os lenços de merino de lã, conjuntamente com os lenços chineses, foram largamente preferidos pelas mulheres do povo para se alindarem e botar figura em festas e romarias. As cores e os bordados eram ao gosto da pessoa que os utilizava.
Presentemente já não existe este tipo de tecido, contudo, a vaiela lisa (algo aparentada com o merino) poderá substituí-lo de modo a minorar a falta do tecido original.

Lenços de tapete
Os lenços de tapete fizeram as delicias das senhoras de Ente Douro e Minho, essencialmente em dias de cerimónia. De tecido adamascado e fundo escuro, pincelados com fartas ramagens de tonalidades variadas, eram os preferidos pelas raparigas no dia do seu noivado, já que lhes conferiam aquele ar sóbrio e recatado que a sociedade impunha às noivas da época. Há muitas dezenas de anos que deixaram de aparecer no mercado, mesmo assim, alguns tecidos adamascados vão sendo usados em sua substituição.

Lenços de seda
Ainda mais antigos que os lenços de tapete são os lenços de seda. Havia-os de todas as cores. Foram caindo em desuso e gradualmente substituídos pelos de tapete, embora coabitassem durante dezenas de anos. Eram os preferidos para botar figura em dias de maior pompa e circunstância.
Foram desaparecendo do mercado muito antes da década de 50 do século XX, mesmo assim, muitas senhoras que os possuíam não se desfizeram deles, preferiram guardá-los no fundo das suas arcas para mais tarde recordar.

Lenços franjados
Os lenços das grandes feiras de gado, de lançar flores sobre os noivos à saída da igreja e das grandes festas populares eram, sem dúvida, os lenços franjados, denominados em algumas terras por lenços de frocos e em outras por lenços de merino e maiatos. Certamente que não se usaram em todas as terras, mas na sua grande maioria sim. A tonalidade vermelha predominou, contudo, terras havia que preferiam outras cores como, o amarelo, o azul, o verde...

Lenços de trabalho
No seu quotidiano, as senhoras usavam lenços em tecido de baixa qualidade (quase sempre em algodão estampado) por serem mais baratos e mais adequados à função que desempenhavam. Certamente que os lenços de domingar ou outros, quando estavam gastos, poderiam ser usados no trabalho, contudo, para o dia a dia, haviam lenços apropriados. Mesmo estes lenços, quando novos, não raro, eram usados aos domingos e em outras situações que exigiam um maior cuidado na forma de vestir.

Fonte: Conselho Técnico de Entre Douro e Minho

quarta-feira, agosto 17, 2011

Trajes de Ponte da Barca - Minho

O Rancho Folclórico das Lavradeiras de Oleiros visa promover e divulgar as tradições, usos, costumes, danças e cantares das gentes de Oleiros que estão inseridas nas Terras da Nóbrega e Ribeira Lima, que os seus antepassados tinham na agricultura e na pirotecnia os seus principais meios de subsistência.
Foi fundado em 1948, tendo efectuado a sua primeira apresentação na Romaria de São Bartolomeu em Ponte da Barca, tendo sido o primeiro Rancho a iniciar a sua actividade no concelho de Ponte da Barca e é um dos mais antigos do distrito de Viana do Castelo.
Deste grupo apresentamos um conjunto de trajos femininos de grande beleza e riqueza etnográfica.



Trajes Ricos, em que cada mulher vestia ao seu gosto. Eram as mulheres ricas ou de dote que os usavam. É um traje predominantemente preto, com vidrilhos, blusa de linho, colete, lenço de tapete e aventais de veludo. Era utilizado para ir à missa, às festas ou romarias.



Traje de Noivos, em que para casar a mulher usava o fato preto sobre o qual exibia grandes cordões de oiro e imensas medalhas. É um traje parecido com o rico apresentado anteriormente, acrescentando-lhe um véu branco, de pontas caídas e um avental de veludo com vidrilhos. O noivo usava casaco de carapinha preto, calça de fazenda preta, colete, camisa de linho, pardejo e chapéu.



Traje de Lavradeira de Feira, que era utilizado pelas senhoras para transportar o balaio à cabeça com os produtos agrícolas para vender na feira. O balaio também era usado para levar as merendas ao campo quando decorriam as beçadas.



Traje domingueiro do São Miguel, que é um traje de saia de ganga, blusa de linho, colete, caputilha, lenço branco bordado feito à mão, avental de linho bordado a lã, meias feitas em crochê e chinelas manufacturadas.



Traje Lavradeira do São Miguel, que é um traje idêntico ao anterior, no entanto a mulher usa piugas.



Traje Domingueiro de Lavradeira, que possui saia em linho, blusa de linho, chinelas manufacturadas meias feitas em crochê, colete e lenço galinheiro.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Romaria da Senhora da Agonia 2011



Programa da rainha das festas de Portugal.

19 Agosto – Sexta-feira

08h30 – Alvorada

Viana acorda ao som de 21 morteiros. É Festa no Minho. A Sra. d’Agonia. A Romaria das Romarias de Portugal. Já se ouvem os sons dos Zés P’reiras, das Bandas de Música, Gigantones e Cabeçudos. Na nossa velhinha sala de visitas – Campo do Forno, Praça da Rainha, Praça da República. Passerelle de atracções, um sem número de iniciativas que alimentam e bem múltiplas razões para uma visita. Esperamos-te na Romaria. Cá dentro!

Grande Feira

Tem lugar no Campo do Castelo e Praça General Barbosa. Toda a Festa no Alto Minho tem um poucochinho de Feira ou de Feirão. Onde o bulício, os encontros, a cor e o espectáculo são “artes de feirar”.

09h30 – Concerto Musical

No coreto da Praça da República pela Banda de Música de Sanguinhedo.

10h00 – Desfile da Mordomia

Nas Festas Tradicionais compete às “Mordomas” moças solteiras escolhidas por lugares, mas sob condição que não pese sobre nenhuma delas qualquer fama, a obrigação de erguer o “arco” festivo, preparar com as amigas o “cesto” de flores (ex-votos); “fazer o peditório”; levar em tabuleiros o leilão dos “bichos” e o leilão das “roscas”; os “segredos”; serem responsáveis do bazar; assistir à Missa da Festa com a vela votiva acesa (se apagasse seria na voz do povo sinal de falta de “pureza”). É esta tradição que se comemora, com a presença das Juntas de Freguesia que colaboram com a Comissão de Festas. E em cortejo, apresentar cumprimentos ao Governador Civil, Presidente da Câmara, Bispo da Diocese.

12h30 – Revista de Gigantones e Cabeçudos

Em 1893 chegam a Viana do Castelo pela mão do Administrador do Concelho Luís Valença, que ao vê-los em Santiago de Compostela onde dançavam frente ao túmulo do Apóstolo, com tamborileiros a marcar o ritmo, adaptou-os aos nossos Manel e Maria, Doutor e Senhora. Ligados à procissão do “Corpus Christi”, os Gigantes tem uma velha tradição na Europa, chegando-se, mesmo, a um milenar testemunho celta: afugentar da “romaria” os espíritos maus, o mal da inveja, o mau vizinho, sacralizando assim o “espaço da festa”. Todos os dias, à hora do meio-dia num ruído avassalador, tonitruante, os gigantones e cabeçudos, receberão as honras dos seus vassalos – grupos de Zés P’reiras e Zabumbas. Três dias, três revistas, três voltas, entre o chafariz e o Caramurú e, no final, uma exibição a solo (por cada grupo), frente à Domus Municipalis.

14h30 – Concertos Musicais

Nos coretos da Praça da República pela Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima e, no Jardim D. Fernando, pela Banda de Música de Sanguinhedo.

16h30 – Oração de Vésperas

No Santuário de Nossa Senhora d’Agonia.

17h00 – Procissão Solene da Senhora d’Agonia

Sai da Igreja de S. Domingos e do Santuário. Com o andor da Senhora d’Agonia tomam parte os andores das Senhoras dos Mares, Assunção, Monserrate e, ainda, o Senhor dos Aflitos. É o figurado um dos elementos mais reclamados da Procissão Maior e a sua dramatização um dos valores mais simbólicos a ter em conta na Romaria. São os homens do mar quem pega aos andores com as suas camisas aos cadros, de cachemira. A organização da procissão solene, presidida por Sua Excelência Reverendíssima D. Anacleto Cordeiro Gonçalves de Oliveira, Bispo da Diocese, pertence à Real Irmandade da Senhora d’Agonia, declarando-se Suas Magestades El-Rei e Rainha D. Amélia juízes perpétuos da mesma (1890).

21h00 – Desfile “Vamos para o Festival”

Zés P’reiras, Bandas de Música e Grupos Folclóricos, em sintonia com o muito povo que se incorpora voluntariamente, fazem a Festa, descendo a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra em direcção ao Jardim Marginal.

22h00 – Festival no Jardim

Nos palcos do Anfiteatro do Jardim, da Marina e da Praça da Liberdade, o encanto e beleza dos trajes, das danças e dos cantares de Grupos Folclóricos, exclusivamente, do nosso Concelho. Também poderemos deliciar-nos com a Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima, no coreto da Praça da República e, da Banda de Música de Sanguinhedo, no coreto do Jardim Marginal, enquanto aguardamos (24h), pela espectacular sessão de fogo-de-artifício, nesta noite, o afamado “FOGO DA FESTA”.

Nota: após o “Fogo da Festa” dar-se-á inicio à confecção dos tapetes floridos, nas ruas da Ribeira bem como ao Arraial SuperBock no Jardim da Marina.

20 Agosto – Sábado

08h30 – Alvorada

Repete-se, como em todos os dias, na Praça da República, nos moldes habituais.

Grande Feira

Terá lugar nos mesmos locais. A dar uma nota de mercado e de troca e onde o típico e o artesanal, de mãos juntas, se cruzam para relembrar a riqueza da Romaria.

09h30 – Visita às ruas da Ribeira para admirar os tapetes floridos assim como nas varandas e janelas, as colchas, redes e atreficos do mar.

10h00 – Concertos Musicais

Nos coretos da Praça da República pela Filarmónica de Vila Nova de Anha e, no Jardim D. Fernando, pela Associação Musical da Pocariça.

12h00 – Revista de Gigantones e Cabeçudos

De novo, na Praça da República com toda a riqueza dos seus movimentos e de esfusiante alegria.

14h30 – Concertos Musicais

Nos coretos da Praça da República pela Filarmónica de Vila Nova de Anha e, no Jardim D. Fernando, pela Associação Musical da Pocariça.

14h30 – Solene Concelebração Eucarística/Procissão ao Mar e ao Rio

Presidida por Sua Excelência Reverendíssima D. Anacleto Cordeiro Gonçalves de Oliveira, Bispo da Diocese. Finda a Santa Missa sairá do Santuário a tradicional Procissão dos Homens do Mar com os andores de Nossa Senhora d’Agonia, Nossa Senhora dos Mares e S. Pedro, a caminho do Cais dos Pilotos, onde, depois da alocução será dada a “bênção ao Mar e aos Barcos”, seguindo-se-lhes a Procissão ao Mar e ao Rio. São inúmeras as embarcações de pesca e desportivas que acompanham a Senhora d’Agonia numa espontânea manifestação de fé. O regresso ao Santuário será feito pelas ruas da “nossa” Ribeira belamente atapetadas e decoradas com motivos piscatórios.

21h30 – Concertos Musicais

Nos coretos da Praça da República pela Filarmónica de Vila Nova de Anha e, no Jardim D. Fernando pela Associação Musical da Pocariça.

22h00 – Festa do Traje – Praça da Liberdade

Vamos assistir à apoteose da “mulher de Viana”, à sua arte, ao seu engenho, à sua chieira, à sua força de matriarca. Quem o afirma é Ramalho Ortigão (Farpas, 1885): “Pois bem, eu acho-me hoje na obrigação de declarar que nunca, em parte alguma, vi mulheres mais bonitas do que algumas das que encontrei a vender na Feira de Viana”. E Joaquim Leitão (no 47º Aniversário da elevação de Viana a cidade Revista Límia/1905), diz: “a vendedeira do Campo d’Agonia é uma graça (…) tudo a vianesa resume no seu busto fornido e bem modelado, na beleza quente da sua boca e dos seus olhos, no arrebique do seu vestuário cheio de cor, gárrula, jubilosa, elegante e calma”. Na década de 30 Cláudio Basto e Afonso do Paço definem o “Traje à Vianesa” e José Rosa Araújo (1936), o “Traje Popular do Baixo Lima”. Falta-nos Madalena Vaz Teixeira in “Trajes Míticos da Cultura Regional/1994)” quando refere “a valorização máxima do traje feminino fixou-se, hoje em dia, no fato à vianesa”. Por isso, imagem de marca, irrepetível, única. Como já anunciado, a Festa do Traje será na emblemática Praça da Liberdade.

Grande Arraial Minhoto

A realizar no Campo do Castelo e Praça General Barbosa. As muitas e variadas diversões, as tocatas, os cantares ao desafio, a feira dos petiscos “comer, tinto; bober, branco”, as “tendinhas do café”, e a alegria de muito povo que nestas noites procura esquecer as “canseiras” do dia-a-dia, são garantia que este popular número de agrado certo, se prolongará noite fora. Logo termine a Festa do Traje, será queimado o fogo do ar, sem sombra de dúvida, um dos pontos altos do Arraial e que tem por nome “Fogo do MEIO ou da SANTA”.

Nota: após o “Fogo do MEIO ou da SANTA” dar-se-á inicio ao Arraial SuperBock no Jardim da Marina.

21 Agosto – Domingo

08h30 – Alvorada e Grande Feira

Queimam-se os últimos morteiros da Alvorada e inicia-se a última grande Feira do corrente ano e que ocorrerá no mesmo recinto dos anteriores.

10h00 – Concertos Musicais

Nos coretos da Praça da República pela Banda Bingre Canelense e, no Jardim D. Fernando, pela Filarmónica de Vila Nova de Anha.

12h00 – Revista de Gigantones e Cabeçudos

Será a última revista do ano, onde os Gigantones e Cabeçudos receberão a homenagem dos diversos grupos de Zabumbas e Zés P’reiras. Também o momento mais apetecido por muitos “forasteiros” que embora “nossos” fixam-se p’rás bandas da capital ou, mais longe, pela estranja. Perguntei-lhes porque estavam comovidos, choravam mesmo! “Quando mais ouço os bombos mais tenho ganas de voltar”.

14h00 – Concertos Musicais

Nos coretos da Praça da República pela Banda Bingre Canelense e, no Jardim D. Fernando, pela Filarmónica de Vila Nova de Anha.

16h00 – Cortejo Histórico/Etnográfico – Viana Cidade do Vinho 2011

Um carro com o Deus Baco, grupo de Bacantes com taças e cachos de uvas. A primeira produção de vinho em Terras de Viana – vestígio de lagar no Castro de Moldes, em Castelo do Neiva; a simbologia do vinho nas Bodas de Caná. Mas vai ser a partir do Séc. XIV – primeiro protocolo estabelecido entre Portugal (Afonso IV) e Inglaterra (Eduardo III) sobre a pesca do bacalhau e os “vinhos tornaviagens” que começam a ser exportados pelo cais de Viana. Vinhos de Melgaço, Monção e de Riba D’Avia (Galiza), de Refoios e Terras de Geraz motivam a criação de uma Feitoria Inglesa (Séc. XVI), em Viana, como a nomeação do 1º Cônsul Inglês John Bearsley. Mas não só a História. A Etnografia, as Rotas dos Vinhos, tempo de vindimas, de lagares e pisadas, de Festas, Feiras e Romarias, das tasquinhas com reclames de “bom vinho e comer”. E já na parte final, a Comissão de Viticultura dos Vinhos Verdes, a Galiza Mai-lo Minho, as Confrarias do Vinho Verde, a Associação de Municípios Portugueses do Vinho, Best of Wine Tourism, as Rainhas das Cidades do Vinho.

21h00 – Desfile “Vamos para a Serenata”

Zés P’reiras, Bandas de Música e Grupos Folclóricos, em sintonia com centenas de pessoas que ocupam as bancadas da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, assim como muitos forasteiros que não arredam pé e seguem entusiasmados acompanhando a Comissão de Festas em direcção ao Jardim Marginal.

22h00 – Festival no Jardim

Nos palcos do Anfiteatro, do Jardim da Marina e, no palco da Praça da Liberdade, o encanto e beleza dos Trajes, das danças e dos cantares de Grupos Folclóricos, exclusivamente, do nosso Concelho. Idem, com os concertos musicais da Banda Bingre Canelense, no coreto da Praça da República e, da Filarmónica de Vila Nova de Anha no coreto do Jardim Marginal. Todos a aguardar pela inolvidável sessão de fogo-de-artifício, nesta noite, a afamada “SERENATA”.

24h00 – Serenata

A apoteose do Belo, o Sonho da duplamente centenária Romaria da Senhora d’Agonia, a Rainha das Romarias de Portugal. Com três cenários distintos: Rio Lima (fogo aquático), margem esquerda (fogo do ar), Ponte Eiffel (1878) Cachoeira do Rio Lhetes - Viana é Amor.

Os bouquets monumentais, as girândolas que iluminam de esplendor o céu, os morteiros surdos, as granadas de cores, as lágrimas… a riscar pelo espaço faúlhas e pepitas são bem este Alto Minho esfusiante de beleza que o sonho e a imaginação dos nossos pirotécnicos soube exprimir nessas trémulas e encandeantes luzinhas, levando no seu ourel, no seu rendilhar, o entusiasmo dos corações, o sentir das gentes, o bucolismo das terras, o sonho das estrelas.

sábado, abril 30, 2011

Trajes de Noivos - Perre - Minho

O Grupo de Danças e Cantares de Perre, digno representante das tradições do Minho, apresenta dois pares de noivos que caracterizam duas épocas distintas: uma dos finais do século XIX e outra, mas recente, dos princípios do século XX. O traje do noivo poucas diferenças apresenta. Já o mesmo não se pode dizer em relação à noiva.

Noivo
O traje de noivo é idêntico ao fato de luxo diferenciando-se, no entanto, pelo facto de a camisa ser bordada a branco nos ombros e no peito (sem quadra).
O fato de noivo distingue-se, ainda, por não utilizar a faixa, inclui um colete preto, bem como uma casaca (casaco e laço no caso do mais antigo). O noivo, em Perre, faz-se sempre acompanhar pelo guarda-chuva. Este não servia apenas para resguardar o homem de condições atmosféricas desfavoráveis. Era tido como parte essencial do traje.
Noiva
O traje da noiva mais recente é muito semelhante ao da mordoma (“vestido de pano” preto), acrescentando-se-lhe o véu, de balbinete, branco e, o ramo de noiva.
O traje mais antigo apresenta uma saia de riscas em tons negros, tecida no tear, com forro preto. Usa também casaca preta e lenço preto que aperta em cima da cabeça. O ouro era o mesmo que usava aquando da mordomia.


Fonte: Grupo de Danças e Cantares de Perre

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Trajos de Poiares – Alto Minho

Poiares é uma freguesia situada na margem direita do rio Neiva, dista cerca de quinze quilómetros da sede do concelho, Ponte de Lima.














O Rancho Folclórico e Etnográfico da Casa do Povo de Poiares é um digno representante do folclore do Alto Minho, pelo que apresentam assim os seus trajos:

Trajes das Mulheres

Em dias festivos o nosso povo sempre conservou uma nítida diferença entre os vestidos domingueiros ou a roupa que vem de Deus e a roupa do trabalho, própria para todos os dias.

As proprietárias mais abastadas, não lavradeiras vestiam saia de casmira, meio balão, pano escuro de boa qualidade, pouco ornamentados apenas com uma ou duas bastas. Era ainda a saia do casamento porque faltava o dinheiro para repetir a compra. O casaco denominado casibeque, também de boa fazenda, curto e enfeitado nos punhos e na orla do mesmo, na cabeça usavam um lenço de seda de cor honesta, cobria-lhes toda esta indumentária uma capa bastante farta, de pano azul ou cor pinhão, e que acompanhava a saia.

A classe das lavradeiras socialmente inferior mas muito numerosa usava saia tecidas em casa com estopa e lã e/ou lã e algodão e/ou lã e carduz. Algumas levavam bastas de cor azul, verde ou vermelho escuro. As barras eram de cor castanha, preta ou azul, traçado sobre o peito e atado nas costas usavam um lenço/xaile denominado lenço do pescoço. A blusa era de linho fino e muito branco e as mangas cobriam todo o braço até ao pulso, com pregas nos ombros e bordados nos punhos. Usavam contas e cordões de ouro e as mais abastadas usavam uma corrente de ouro do feitio de uma corda. As contas de ouro eram usadas por algumas nos dias de semana, das orelhas pendiam valiosos brincos de ouro denominados brincos à rainha.


Nos dias mais solenes calçavam chinelas de cabedal e meias de linho, sobre a saia colocavam um avental preto recamado de guarnições como vidrinhos e lantejoulas.

A classe pobre usava saia de chita, quase sempre do mesmo tipo, lenço da cabeça quase sempre de linho com ramos bordados nos cantos em pontos cheios e uma silva a fazer a barra do lenço.

As classes de lavradeiras e pobres quando iam à igreja levavam um lenço preto sobre os ombros e no tempo de preto (luto) levavam sobre a cabeça. Calçavam tamancos ou andavam a pé descalço, o avental era grande, simples e de pano barato. Usavam a saia com uma faixa.

Traje dos Homens

Os abastados, trajavam economicamente, porque um fato durava-lhes toda a vida, usavam um chapéu encascado, casaco de cinta, colete em gola, pano azul ou preto. Sapato raso ou bota alta no Inverno, para agasalho sobre os ombros um xaile marenta e de bom tecido ou uma capa casaca.

A classe média trajava um chapéu bastante desavado em felpo vulgarmente chamado por "chapéu braguês", quase sempre preto e grosseiro, o colete e o casaco eram quase sempre do mesmo pano, de fraca estopa, mesela, briche ou saragoça. Calçavam tamancos ou sapatos baixos, quase sempre sem meias, de Inverno usavam meias de lã, a camisa era de linho para os dias de festa, para os dias de trabalho era de estopa.

A terceira classe usava chapéu de felpo, grosseiro, de cor preta, camisa de estopa, casaco curto de briche ou saragoça. Calças de lã tecidas em casa e no Verão pano de estopa branco, as calças de alçapão, calçavam tamancos, chancas ou andavam descalços. No Inverno o traje era chancas, meias de lã, calças de lã, camisa de estopa, colete de lã com costas de cor diversa. No Verão o traje era todo de linho e calçavam socos.

terça-feira, junho 24, 2008

Festa das Rosas – Vila Franca do Lima - Minho

Vila Franca do Lima é uma pequena freguesia que fica a 7km de Viana do Castelo, e cujas tradições minhotas são mantidas com profundo orgulho por estas gentes simpáticas.

Quem olha de longe, assemelha-se a mais uma aldeia minhota entre tantas outras, mas há algo que faz dela única, a arte popular de trabalhar as flores e com elas pintar os maiores monumentos nacionais, as telas dos pintores mais ilustres, meros recantos regionais ou simples motivos religiosos.

A Festa das Rosas realiza-se na 2ª semana do mês de Maio, mês de Maria iniciando o ciclo das Romarias no Distrito de Viana do Castelo.

Esta é uma tradição iniciada e mantida religiosamente desde 1622, cujo ponto alto é o cortejo onde a rosa é a rainha da festa.

As mordomas, raparigas que completam 19 anos, ricamente vestidas com os tradicionais trajes minhotos, oferecem à Nª. Srª das Rosas magníficos cestos floridos, magistralmente transportados à cabeça, verdadeiras obras de arte popular bordados com flores naturais pelas hábeis mãos destas gentes, ostentando desenhos multicores com armas e brasões, símbolos religiosos, igrejas e até santos, monumentos ou paisagens que se reconhecem perfeitamente, feitos só com flores naturais e com folhagens do campo, de realçar por exemplo o uso de bálsamo, giestas, trevos… colhidas no campo e jardins de toda a Ribeira Lima e nas terras do Neiva e Âncora, e que são colocados habilmente com milhares de alfinete, mais de 3kg, pesando no total cerca de 50Kg.

Os bordadores que se vêm criando de geração em geração, são filhos da terra, pessoas de bom gosto que conhecem a durabilidade das flores e efeitos na sua aplicação. São oriundos de várias profissões desde o engenheiro ao simples cavador do campo e ninguém se cobra pelos dias e serões ocupados nesta encantadora tarefa.

Cada cesto envolve mais de duas dezenas de pessoas na sua preparação, na semana que antecede a Romaria.

Estas obras podem depois ser observadas no interior da Igreja, conjuntamente com os altares orgulhosamente enfeitados com as muitas rosas.


segunda-feira, maio 05, 2008

Traje de Trabalho Rural - Vila Verde - Baixo Minho

O Grupo Folclórico de Vila Verde foi fundado em 1958 com o intuito de divulgar e preservar as tradições Etno-Folclóricas deste Concelho que representa, constituído por freguesias predominantemente agrícolas.
Os trajes que usa reflectem a realidade socio-económica da Região Baixo-Minhota: aqueles que eram usados na Boda ou em dias de Festa e nas Romarias, para depois ser deixado para a Mortalha; os das Lavradeiras usados nas Feiras e os do dia-a-dia usados no trabalho mais árduo, ou seja, o de Trabalho Rural ou de Uso Comum.
O trajo seguinte é de uso comum no trabalho agrícola, no entanto, a sua beleza é bem visível.
As roupas que o povo usava no dia-a-dia, isto é, para o seu árduo trabalho agrícola eram de uso comum, para todo o serviço, e como tal, as mais velhas, as mais usadas, as mais resistentes e as mais práticas, como a saia simples acompanhada pelo avental, tecido em teares manuais, ou as calças de cotim, as chancas e socos, as blusas ou camisas de linho mais grosseiro e os chapéus de palha para se protegerem do sol ou até mesmo da chuva.

quarta-feira, abril 02, 2008

Trajes de Santa Marta de Portuzelo – Viana do Castelo – Minho

O Grupo Folclórico de Santa Marta de Portuzelo é um dos ranchos mais representativos do folclore minhoto e com maior renome nacional e internacional.

O filme que se segue apresenta os trajes deste grupo, de inegável beleza e que dispensam qualquer comentário.

Site recomendado: Grupo Folclórico de Santa Marta de Portuzelo

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quinta-feira, novembro 08, 2007

O bordado de Viana do Castelo - Minho

A origem dos bordados de Viana do Castelo está intimamente ligada aos trabalhos realizados em trajes da região: “ O Traje à Vianesa “ ou “ Traje à Lavradeira”.
Nos nossos dias podemos encontrar muitos e variados trabalhos com bordados de Viana, como atoalhados, sacos de pão, panos de mesa e cómoda, chinelas, etc., no entanto, todos os motivos bordados tiveram origem nos trajes regionais que foram posteriormente transpostos para estes trabalhos.
O traje à lavradeira foi totalmente criado pelas camponesas de algumas freguesias próximas de Viana do Castelo, foram elas que o riscaram, teceram, trabalharam e bordaram.
Os trajes todos decorados com os bordados feitos por estas mulheres do campo, e que diferem de freguesia para freguesia, são usados em dias de festas ou feiras.
Dentro destes bordados podemos distinguir uns mais ricos do que outros, dependendo da classe social a que se referem.
Os mais ricos utilizam algodão “perlé”, por vezes, recamados de lantejoulas, missangas e vidrilhos.
Os bordados de algodão e de lã são muito antigos. Sempre foram utilizados nos trajes das mulheres do campo, nas saias, nas ombreiras, punhos, colarete das camisas, algibeiras e coletes. Estes bordados sempre foram executados com linhas de meia de algodão branco sobre tecido vermelho e, por isso, considerados “pobres”.
“ Os forros “ das saias dos trajes das mulheres são bordados com desenhos de várias silvas.
O traje destas mulheres é também composto por uma camisa que é rente ao pescoço e cobre o corpo todo até ao meio da canela. Esta camisa, tecida no melhor linho branco e puro pelas próprias camponesas, é composta por uma “ fralda” (parte postiça da camisa que da cintura para baixo é de pano diferente). Os ombros e os colarinhos são bordados geralmente com linhas de cor de faiança. As saias são decoradas na parte inferior com tiras de pano que têm uma cor que se identifica com a aldeia da camponesa. Muitas vezes estes “forros” são ainda decorados com uma silva bordada a branco. As saias antigamente não apresentavam nenhum bordado. Só muito mais tarde, a partir da Segunda Guerra Mundial, é que se encontram saias com forros bordados, primeiro com uma silva e depois com duas.
As chinelas de verniz preto que constituem um bonito acessório dos trajes são bordadas com um raminho em algodão.
Além do traje à lavradeira, há ainda, nas freguesias mencionadas, o traje de noiva ou de mordoma, no qual se concentra todo o luxo ornamental.
São as próprias bordadeiras que bordam a sua roupa. Fazem-no, geralmente de improviso, com toda a espontaneidade, inspirando-se na flora e na fauna e quase sempre, no sentimento de amor. O amor parece estar presente em cada ponto do bordado e inspirou grande parte dos motivos e dos símbolos mais característicos dos bordados de Viana.
Os bordados de Viana do Castelo utilizam materiais da própria região e inspiram os seus desenhos na flora e na fauna, pelo que, podem ser considerados um dos bordados tradicionais mais belos e originais do norte de Portugal. As bordadeiras conseguiram transportar para os seus bordados todo o sentimento que lhes vai na alma.

Técnica do bordado de Viana do Castelo
Na região de Viana de Castelo são fabricadas duas espécies de linho; um linho que é urdido com fio de algodão (teia) e tapado com fio de linho (trama) e outro que é um pouco mais fino que é urdido e tapado somente com linho.
A base para estes bordados é sempre um linho grosso caseiro, embora ultimamente as pessoas tendam a substitui-lo por tecidos mais finos.
As linhas de algodão são utilizadas nos bordados de algodão e as mais usadas são as de algodão “perlé”, vulgarmente chamadas linhas de algodão de lustro, pelo seu brilho e solidez de cor.
As cores mais utilizadas são o branco, o vermelho e o azul.
Os bordados de lã utilizam lãs compradas. As bordadeiras por vezes usam determinadas nomenclaturas que se prendem com hábitos muito antigos, por exemplo, chamam lãs de Perre às lãs que vêm do Porto, por originariamente serem utilizadas pelas bordadeiras de Perre. As bordadeiras de Cardielos também chamam frequentemente às lãs compradas, lãs de fora.
Outro material muito utilizado é um cordão de fios dourados que serve para contornar os desenhos e, portanto, dar-lhes mais realce. Nos bordados mais recentes, o fio metálico do cordão que se chama “palhete” ou “treno” (por inicialmente ser constituído por três fios), quase desapareceu, podendo encontrar-se em seu lugar um fio branco.
Antes de começar é necessário todo um trabalho de preparação para realizar este tipo de bordados.
Em primeiro lugar, é necessário estilizar num papel os desenhos que se pretendem bordar, ao que podemos chamar molde do desenho. Em seguida, a bordadeira prende cuidadosamente o molde ao pano que vai servir de suporte e vai picando miudamente com uma agulha fina, aplicando depois por cima com uma boneca de pó de carvão bem fino, no caso do estofo ser branco ou claro; giz e pó com pós de goma se forem de cor escuros. A seguir levanta-se o molde com todo o cuidado para evitar que se desmanchem as formas.
Nas cores escuras deve cobrir-se os desenhos marcados com um pincel envolvido em goma-arábica e alvaiade e nas cores claras, um pincel molhado em tinta nankim.
Apesar desta técnica, existem muitos casos de bordadeiras que desenham directamente sobre o tecido, reproduzindo à vista os motivos.
Muito recentemente, as bordadeiras empregam técnicas menos trabalhosas como o decalque com papel químico.
A operação seguinte consta em contornar os desenhos do bordado a cheio em cor diferente com um ponto cordão, ligando os principais desenhos entre si por ramos, caracóis, silvas e ângulos.
Os bordados com fio de algodão utilizam os pontos abertos, de cadeia, caseados, cheio, cordão, crivo, cruz, engradeado, espinha de peixe dobrado, folha de feto, formiga simples, nozinho, pé de flor, pesponto, atrás, pontinha a direito, pontinhos pequenos, rede, volta, pregas da imprensa, bicos e de galo.
Nos bordados com fios de lã não se emprega o crivo. Os desenhos são cheios com pontos largos lançados na mesma direcção e contíguos. Os pontos mais utilizados são o de pé de flor, o ponto russo, de sombra do avesso, de cordão, de palhete, de formiga, de nós, de espinha, de bicos, de Bolonha, a cavalo de recorte (nos ilhós), de Margarida e outros pontos e fantasia.
O ponto aberto também é muito utilizado para unir conjuntos de fios; o ponto pé de flor é um dos pontos principais dos bordados de Viana do Castelo e consiste em imitar um cordão fininho lançando a agulha um pouco à frente do ponto anterior e fazendo-a sair a meio, ao lado deste.
A nomenclatura de ponto pé de flor ou ponto de haste é dada por ser muito utilizado em bordados que executam pés e hastes de flores. As bordadeiras dão-lhe ainda o nome de ponto de máquina por imitar o ponto que esta faz (a agulha ao mesmo tempo que lança um ponto vai atrás fazer outro dando um efeito de pontos iguais).
Nestes bordados podemos encontrar, por vezes, uma carreira deste ponto no meio de outros como os pontinhos pequenos regularmente distantes uns dos outros, ou pontinhos a direito que são lançados na vertical de uma só vez e apanhando parte do tecido.
Para prenderem melhor o cordão, palhete ou fio dourado, as bordadeiras usam o fio de nó que também, por vezes, é utilizado no enchimento dos desenhos.
O ponto formiga é constituído por duas carreiras de pequenos pontos, paralelas e alternadas, que são trespassadas por outra linha de cor diferente em ziguezague. No final obtém-se um aspecto geral de ondas.
O ponto de espinha de peixe lembra a espinha destes animais e consiste em pontos oblíquos, cruzando-se quase nas extremidades.
O ponto de espinha de peixe dobrado é o mesmo ponto de espinha executado nos intervalos deste.
O caseado chama-se assim ou de recorte porque fica junto ao corte que se faz para o remate das casas dos botões no caso de trajes, e só é usado neste caso.
O ponto nozinho é um ponto em forma de nó em que a agulha enrola várias vezes à volta de si mesma a linha, puxando a linha e dando um aspecto de nozinho.
O ponto de crivo é muito utilizado no interior dos motivos, mas trata-se de um crivo muito simples que nem sequer é tecido.
Os motivos dos bordados de Viana do Castelo são baseados em motivos da fauna e da flora da região, bem como da vida quotidiana das camponesas minhotas
São: corações (contornados com ponto pé de flor, e baseado no sentido metafórico que as camponesas dão ao “cofre amoroso” pelo que bordam junto uma chave), folhas de trevo, de hera, morango, videira e carvalho (sempre estilizadas), chaves (estilização da chave de uma fechadura), cruzes (a cruz de Cristo bordada com o ponto de cruz, já usada nos lenços da mão), passarinhos, ângulos (linhas quebradas ou curvas que unem determinados motivos), japoneiras (estilização da flor da cameleira), silvas (linha recta ou curva de onde saem pequeninas folhas), vasos (estilizações de vasos de plantas), asas (pequenas argolas que rematavam o bordado de antigas camisas), botõezinhos (pequenas golas bordadas a cordão ou a cheio), caracol (linhas em espiral feitas com ponto de cordão), furinhos (pequenos buracos caseados também chamados ilhós), molhinhos (conjunto de pontos lançados em grupo de dois, sendo cada grupo cortado a meio por um ponto lançado na horizontal), murinhos (pontos de formiga que imitam um muro), pintinhas fechadas (bolas pequenas bordadas a cheio), trinca – fios (linhas quebradas com pontos a direito), rosas, cachos de uvas (cachos de uvas estilizados por uma série de círculos.
As camponesas minhotas são mulheres com uma sensibilidade artística que lhes permite improvisar composições originais que reflectem as suas próprias vivências.
Em geral, os bordados com fio de algodão aparecem em simetria quaternária.
Nos bordados das lãs, as composições são geralmente simetrias binárias ou assimétricas.
A bordadeira, nas suas composições, não se preocupa com o rigor da verdade, isto é, podemos encontrar com frequência, por exemplo, desenhos de rosas com folhas de videira, mas o que importa é obter conjuntos que agradem e sejam harmoniosos.

Referência Bibliográfica:
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006
Ana Pires, Caderno de Especificações do Bordado de Viana do Castelo, Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2006

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quinta-feira, junho 21, 2007

Trajes de Romeiros de Braga – Baixo Minho

Traje Feminino de Sequeiro
(inicio sec.XX)
A designação deste traje provém da localidade de Sequeiro, onde as tecedeiras imprimiam um cunho muito particular nos tecidos dos aventais. São também muito singulares os chapéus com fitas, penas e o espelhinho, usados pelas raparigas desde o Rio Este, até perto de Vila do Conde.
A camisa de linho de corte tradicional, com decote e punhos guarnecidos com folho bordado. É bordada a ponto vermelho sobre o peito, ombros mangas e punhos. A saia à de tecido preto “baetilha” com ampla roda, franzida na cintura e decorada na barra com veludo e bordados de vidrilhos e fitas. Colete de rabos, vermelho, preto ou estampado com motivos florais, ajustado na frente com cordão. O avental pequeno de tecido de lã manual, decorado com motivos geométricos, orla guarnecida com uma tira de lã preta recortada. Usa uma algibeira de onde pende o lenço ricamente bordado. Na cabeça, lenço de tule branco bordado, com as pontas soltas, coberto por um chapelinho de feltro, guarnecido com fita preta de pontas pendentes atrás e pequeno espelho na frente. Calça meias rendadas de algodão branco e chinelas pretas. Sobre o peito, as tradicionais peças de ouro, fio de contas, cordões, cruzes, medalhas e nas orelhas pendem brincos “à rainha”.


Trajo do Homem (sec. XIX)
Camisa de linho com cós pequeno, apertada no peito, com carcela e peitilho decorado com bordados a ponto cruz vermelho, sublinhado a preto, tradicionalmente efectuados pela noiva, “conversada”. Sobre a linha da cintura era bordado o nome do rapaz ou a palavra “amizade”. A manga da camisa era comprida terminando com punho. Calça comprida ajustada na cintura com faixa vermelha para os solteiros ou preta no caso dos casados. Veste colete de fazenda de lã ou jaqueta de astracã preta com gola e alamares de prata, com bolsos e mangas debruados.
No pescoço lenço de “namorados” ou de “pedidos” de tecido branco de algodão, bordado com motivos florais, era revelador do comprometimento do rapaz para com a rapariga que o ofereceu. Sapatos de vitela revirada ou pretos.A indumentária do homem não estaria completa sem o chapéu, inseparável na protecção da cabeça e o pau, com a dupla função de arma de defesa ou de apoio para descanso.

terça-feira, março 06, 2007

Trajes regionais portugueses em emissão filatélica


Os Trajes Regionais Portugueses são o tema de uma edição filatélica dos CTT de 2007. Dez novos selos de 30 cêntimos e um bloco com mais quatro selos, com o valor total de 1,20 euros mostram os trajes tradicionais de todas as regiões, do Minho até aos Açores.
A concepção gráfica desta emissão é de Vasco Marques, que utilizou fotografias de várias origens: Instituto Português de Museus, Museu de Arte Popular, Museu Nacional do Traje, Museu de Ovar e os fotógrafos Carlos Monteiro, Júlio Marques, Laura Castro Caldas, Paulo Cintra e Rui Cunha.
Nos selos dos CTT aparecem os trajes tradicionais das lavradeiras e das noivas do Minho, a capa de honras mirandesa e o vestuário dos Pauliteiros de Miranda, de Trás-os-Montes, e croça dos pastores trasmontanos e da Beira interior, uma capa e uma sobrecapa tecidas de palha que os protegem da chuva e da neve.Os restantes selos mostram uma camisola de pescador do Douro Litoral, as sete saias da Nazaré, o traje das mulheres algarvias do litoral, o capote alentejano e o vestuário dos campinos do Ribatejo.
O bloco filatélico integra quatro selos ilustrados com o vestuário tradicional dos camponeses da Beira Litoral e das camponesas do Ribatejo, o capote e capelo típico dos Açores e a viloa da Madeira.
Assim, através da filatelia, podemos divulgar os nossos trajes tradicionais e contribuir para a sua perpetuação.
Bem hajam pela ideia.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Traje de Mordoma e Noiva do Minho


No Minho, mordomas são as raparigas encarregadas de recolher fundos para a realização da romaria ao santo padroeiro da sua freguesia. Os trajes das mordomas, geralmente pretos ou azuis-escuros, serviria mais tarde como indumentária da noiva e ainda para com eles serem enterradas. Compunha-se de casaquinha cintada de aba curta muito enfeitada, com pinças na frente e nas costas, adelgaçando a figura. O cumprimento da manga termina acima do punho. A saia apresenta um cós plissado fixo que tem como função acentuar e ajustar a linha da cintura. A roda sai livre e abundante do cós, atingindo um perímetro três vezes superior à medida da cinta. A larga barra de veludo bordado de missangas com um desenho naturalista. O avental de veludo, também franzido, é bordado com missangas, representando no centro a coroa e armas reais ou o escudo português, completando o adorno com «silvas», possui um folho pregueado de seda preta e galão de seda da mesma cor, com aplicação de missangas. Calçavam meias rendadas brancas e chinelas de tela pretas lisas ou bordadas a branco. Na cabeça, um lenço de seda fina de cor viva (como na Meadela) ou de um véu de tule branco (em Santa Marta de Portuzelo). Na mão transportavam vela votiva, enfeitada, que acendiam na procissão, ou palmito feito com folhas de palma. Quando o calor apertava a mordoma substituía a casaca por um colete de trespasse e dizia-se então que "ía em mangas", usando neste caso, camisa de linho muito trabalhada nos ombros e algibeira largamente decorada. Se a família tinha largas posses, a mordoma fazia o seu fato azul para demonstrar que não aproveitava para o casamento.
Esta mulher de saber e de haveres completa a sua imagem com múltiplos adornos de ouro, ostentando com orgulho a sua capacidade económica.
Para casar, a mulher ia sempre de preto, utilizando o seu traje de mordoma ou outro quando possuía posses para tal. Ao traje de mordoma acrescentava um lenço de fina cambraia, cruzado à frente, ou um véu de renda ou de tule bordado a branco, de pontas caídas. Na mão para segurar o ramo usa um lenço de "amor" bordado com motivos florais, vegetalistas e quadras ou frases amorosas, a ponto cruz, ponto cheio, cordão, pé-de-flor, etc.
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quinta-feira, agosto 17, 2006

Trajes do Minho

Fala-se muito, por aí, em «traje à moda do Minho», «traje minhota», ou «traje à moda de Viana», «traje à Vianense», «traje à Vianesa» - usadas todas estas expressões como sinónimas particularmente relacionadas com Viana-do-Castelo. Ora, na província do Minho não há, para mulheres, como para ninguém, um só vestuário regional típico e nem sequer o há em Viana-do-Castelo. Dizendo-se "Viana-do-Castelo" há de perceber-se o concelho, e não a cidade, pois, quanto à indumentária, pode-se dizer que nada hoje subsiste nela de local, mas sim pelas Freguesias que lhe ficam ao redor.
«Traje à moda do Minho» ou «à Vianesa» (são estas as formas de dizer mais usadas no país, mas, por terras minhotas, usa-se especialmente a denominação de "Traje à Lavradeira") é um vestuário feminino, de festa, de «grande gala», apenas usado em dias assinalados e por moças de algumas aldeias do concelho de Viana-do-Castelo.
Em Viana-do-Castelo, quando se fala em de "Traje à Lavradeira", sem especificação alguma, entende-se em geral o «vermelho» das lavradeiras de Santa Marta de Portuzelo (na qual há também um belo «traje azul»), não só por ser aquele o vestuário o que mais agrada ao comum dos habitantes, pelo seu colorido quente e variado, mas ainda por ser o que a
indústria caseira e o comércio local mais espalham na região
O traje vermelho ou azul são indistintamente usados pelas raparigas, mas quando casam quase sempre dizem adeus ao vermelho e passam a usar só o azul, quando se querem vestir de lavradeira.
Antigamente quando era divulgado o noivado, e nunca antes para se livrar de humilhação ou falatório se o casamento se desfizesse, a noiva dirigia-se à cidade “botar o ouro”, acompanhada pelos seus futuros sogros. Eram eles que ofereciam aquela que iria ser nora uma designada quantidade de ouro, correspondente às suas possibilidades económicas.
No primeiro domingo após este ritual, a noiva ia à Missa, exibindo o ouro oferecido, e vestindo o traje de lavradeira. Facilmente se detectava uma noiva pelos seus adornos e trajar.
No que respeita aos lenços, deve notar-se que não há em cada aldeia, uniformidade absoluta nas suas cores. O lenço da cabeça poucas excepções costuma apresentar é vermelho, mas, o lenço do peito em Santa Marta costuma ser diferente, é amarelo.

Traje de lavradeira
Sobre a alva camisa bordada de azul, nos punhos, nas frentes e nos ombros, a mulher minhota enverga um colete que exerce a função de espartilho. Os cortes vincam as formas do corpo, a altura do colete e a amplitude das cavas atribuem-lhe grande comodidade, pois permite um melhor movimento dos braços. Por outro lado, a orla do colete segue a linha do diafragma, favorecendo a respiração. O colete é profusamente decorado por bordados policromáticos de gosto barroco. A saia, rodada e de grande amplitude, é marcada por uma larga barra bordada com os mesmos motivos silvestres e românticos do colete. O avental franzido é decorado com “puxados” que recriam um magnífico jardim em relevo. A algibeira reforça a beleza da mulher com a sua forma de coração, tendo como utilização prática o transporte de dinheiro e do lenço.
A mulher minhota calça meias de renda brancas e chinelas de pele bordadas com motivos florais vegetais e geométricos. Na cabeça usa um lenço de fundo vermelho com barra estampada com motivos florais, vegetais e cornucópias

Traje domingueiro masculino (finais do século XIX)
Composto por calça, camisa e jaqueta. A camisa branca é decorada com bordados tradicionais minhotos, com motivos amorosos. A cor vermelha da faixa e dos bordados confere ao conjunto um certa alegria, uma vez que todo o traje é negro. O preto é sinónimo de austeridade, pelo que os trajes de “ver a Deus”, utilizados para ir à missa, são dessa cor. O preto confere ainda severidade e sofrimento, já que simboliza o luto profundo e prolongado.

APONTAMENTOS SOBRE DO TRAJE DE LAVRADEIRA

O Avental – O pintor José de Brito Sobrinho recolhendo-se, doente e desiludido à sua casa natal de Santa Marta de Portuzelo, ali casou com uma habilíssima tecedeira e para aumentar os rendimentos ao casal resolveu criar novos aventais. Pôs de parte os motivos geométricos (antigamente os aventais não apresentavam quaisquer bordados eram muito simples, com o tempo estes apresentam mais riqueza, surge as figuras geométricas como os losangos, triângulos e quadrados) e desenhou flores e folhas a preto, vermelho, verde e amarelo. Não admira que a novidade agradasse, pois os primeiros aventais eram lindíssimos. Após a sua morte, ocorrida em Fevereiro de 1919, outras tecedeiras continuaram o seu trabalho, deram-lhe novas cores, mas conservaram mais ou menos os desenhos por ele idealizados.
Os Lenços – Em 1880 os lenços nacionais foram abandonados por unanimidade, visto serem incomparavelmente menos vistosos que os lenços austríacos, com 4 variantes: vermelho, roxo, verde e amarelo, todos estes com o mesmo tipo de desenho.
O Colete – Naturalmente, o bordado manual dos coletes mais antigos eram simples, cortados em baeta azul, com cinta de veludo preto, apenas debruado a fitilho por meio de cordões, gradualmente vão sendo cada vez mais bordados, a missangas brancas e fios de seda (folhas e flores em especial cravos).
A Algibeira – Num trabalho minucioso, de autêntica paciência as algibeiras passaram abruptamente da forma rectangular para a cordiforme, acompanhando o labor dos coletes.
A Saia – Por volta de 1900, a barra das saias apareceu com a parte superior levemente bordada a branco - uma silva, como lhe chamavam, minuciosa e perfeita, - que, pouco a pouco, se foi alargando e hoje nos aparece como representando grandes malmequeres.
As Chinelas – Chinelas eram de veludo preto, liso ou com um laço. Posteriormente passaram a ser pretas e bordadas a branco ou de verniz.