segunda-feira, abril 09, 2007

Tricanas de Coimbra 1900

José Augusto Teixeira remeteu-me uma imagem de duas tricanas aguadeiras de cerca de 1900, junto ao Jardim da Sereia em Coimbra, extraída do livro “Coimbra e Região” de Nelson Correia Borges.
Fica aqui uma prestimosa colaboração que muito agradeço.

No texto podemos ler:

SÃO AS TRICANAS

Como tudo o que é de Coimbra – bom e mau – se não parece com mais coisa nenhuma, as tricanas de Coimbra são também elas sós, e, por conseguinte – incomparáveis!
Como andam sempre muito afinadinhas, desde os pés até à cabeça vão-se os olhos a olhar para elas, e fica a gente a dizer consigo que nunca viu mulheres assim … Sua chinelinha de biqueira, em que só lhes cabe metade do pé; sua meia branca, ou às riscas, muito esticada; saia de chita, das cores mais claras, deixando ver os tornozelos e acima dos tornozelos duas polegadas de perna; aquela aventalinho muito pequenino, que é mais um chic do que outra coisa: o chambre de chita clara, aberto no peito em decote quadrado; e então o xaile de barras, ou a capoteira, passando por baixo do braço direito, e lançando (com elegância que se não descreve, mas que os estudantes copiaram para as suas capas) por cima do ombro esquerdo!
Ao algo de tudo isto, uma cara quási sempre bonita, e espirrando sempre vivacidade; e naqueles braços, naquelas pernas, naquele busto, quando gesticulam, quando marcham, quando estão paradas, qualquer coisa que deve ser a própria graça – como só artistas a apreciam!
São as tricanas!
Trindade Coelho, in illo tempore

quarta-feira, abril 04, 2007

Trajes da Ilha Terceira – Açores

O Grupo Folclórico e Etnográfico da Ribeirinha "Recordar e Conhecer" representa algumas das figuras típicas da freguesia da Ribeirinha – Ilha Terceira.

De seguida são descritas algumas destas figuras, sobretudo as associadas à agricultura e pesca, não dispensa, no entanto, uma visita ao site do grupo e aos restantes trajes ai apresentados.
São todos trajes do sec. XIX e início do sec. XX.

PESCADOR
Calças de cotim, camisola de lã de gola até ao pescoço e dobrada, calça tairoca ou descalço, na cabeça um chapéu de palha e no topo da copa uma boina.
Como adereços associados à arte da pesca traz um enchelevar, cesto, jogada, "tenaz", graveta e uma lanterna de madeira .

O LEITEIRO
Calça de cotim, camisa de pano riscado, camisola de linho e ceroulas (ciroilhas) de pano branco, descalço, se chovia usava galochas de couro, cobre a cabeça uma barreta cónica lã de ovelha, levava um pau de carreto ao ombro carregado nas duas extremidades com duas latas cheias de leite, na mão esquerda, apoiada sobre o pau duas medidas de quartilho e meio quartilho, e na direita um grande bordão. Assim começava o seu dia de labuta.
Usa um pau de carreto, duas latas de leite, duas medidas, uma de meio quartilho e outra de um quartilho e um bordão.


MULHER DOS BORDADOS
Saia de pano fino estampado com folho alto e um viés a distinguir a saia, casaquinho cintado com um folho a meio dos botões, avental, manga comprida com um folho à volta, sobre a cabeça um lenço de lã, calça galochas de couro, meias de algodão, no interior, saia e calção, levam à volta uma renda, todas estas rendas confeccionadas pelas próprias pessoas. Numa saca de chita transporta os bordados que leva e traz de Angra.


MULHER DO CARMO
Vestido e escapolar cor castanha, saia e calção de pano branco, calça sapatos pretos e meias de musse, na cabeça uma mantilha preta. Esta veste servia para pagar promessas, se havia um sobrinho ou filho muito doente, esta Senhora vestia esta veste para o resto da sua vida

MULHER RURAL - Vendedora de manteiga ou queijo
Saia de tear barrada (lã de ovelha), casaquinho de chita cintada, lenço de lã, meias de algodão, galochas de atanado, saia e calção de pano branco com renda. Na mão leva um cesto com pêlos de manteiga cobertos com folha de couve.

PASTOR DE TOIROS
Calça de cotim militar, camisa normal, camisola branca de pano branco, ciroilhas ou (ceroulas) de pano branco, sapatas de pneu e chapéu preto de feltro de copa redonda.
Como instrumentos de trabalho usa: Bolas de couro, bolas de metal e um bordão.


MULHER DO MONTE
Saia tecida de lã de ovelha, casaquinho de fazenda cintado ou cutão com nervuras, saia interior e calção de pano branco, com renda ou bordada de algodão, calça galochas bordadas, meia grossa de algodão, lenço de lã antigo e xaile. Como se dirige para a missa leva consigo o missal e terço.

terça-feira, março 20, 2007

Traje de Ceifar de Carreço - Minho

A caminho do concelho de Caminha, mas ainda em Viana do Castelo, existe a freguesia de Carreço, muito conhecida pelo seu moinho de vento à beira-mar e pela ligação da sua população, simultaneamente, ao mar e à terra. O traje mais característico desta freguesia é o Traje de Ceifar, que era usado para o trabalho no campo.
A mulher veste uma saia abregastada, saia essa tecida com algodão e lã de ovelha, fiada, tingida em casa e depois tecida, com barra quadriculada branca e preta com forro de fazenda preta. Avental tecido no tear com riscas largas vermelhas e outras mais finas verdes e pretas. Camisa de linho branco sem bordados. Colete de fundo vermelho e barra preta debruada a fitas de lã e aperta com atacador. Lenços amarelos ou vermelhos simples no peito e na cabeça. Chapéu de palha de aba larga. Perna nua e socos. Pode ser na variante preto ou vermelho.
Não se usam adornos: nem brincos, nem cordões.


O homem usa calças de fraldilha no tear em lã castanha. Camisa de linho com estopa sem bordados. Chapéu de palha. Calça socos ou chancas conforme o trabalho que executa. Pode ser na variante calças de cotim e chambre.

sexta-feira, março 16, 2007

Região do Vouga - Trajes de Romaria (finais do Sec.XVIII)

Traje Feminino
Este traje era usado pelas raparigas da zona ribeirinha quando iam às romarias. Era constituido por saia de chita, saiote de cor, saiote branco com bordado, blusa branca de linho ou paninho com rendas, colete de seda ou de fazenda de lã abtuado com atamares de prata cinzelados e debruada a veludo, cinta de lã branca, meias rendadas e chinelas de seleiro de verniz preto. Como complemento o chapéu vareiro, chapéu de meia aba revirada, ornado a fitas de veludo e penas pretas.

Traje Masculino

Utilizado pelos homens aos domingos, em festa e em romarias. Era constituido por calça de fazenda preta, camisa de linho, colete de fantasia, cinta preta ou vermelha, consoante o seu utilizador fosse casado ou solteiro, jaqueta de fazenda preta, bota de couro preto ou castanho.

terça-feira, março 06, 2007

Atingimos os 20.000 visitantes


Caro visitante!

Não esperava que em menos de um ano este blog tivesse tantos visitantes e tão boa adesão.
A divulgação das tradições portuguesas depende de todos nós, para que estas não morram, nem sejam aglutinadas por outras culturas, ditas “dominantes”.
O território de Portugal é povoado desde o princípio da humanidade e como Estado existimos à 8 séculos. História não nos falta.
Estabelecemos a primeira rede de comunicação global, através dos Descobrimentos, hoje podemos usar uma outra rede global, a Internet, para divulgar o que fomos e o que somos.
Este blog é o meu pequeno contributo, o seu, pode passar pela divulgação deste e de outros blogs congéneres.
Obrigado pela sua visita
Carlos Cardoso

Trajes regionais portugueses em emissão filatélica


Os Trajes Regionais Portugueses são o tema de uma edição filatélica dos CTT de 2007. Dez novos selos de 30 cêntimos e um bloco com mais quatro selos, com o valor total de 1,20 euros mostram os trajes tradicionais de todas as regiões, do Minho até aos Açores.
A concepção gráfica desta emissão é de Vasco Marques, que utilizou fotografias de várias origens: Instituto Português de Museus, Museu de Arte Popular, Museu Nacional do Traje, Museu de Ovar e os fotógrafos Carlos Monteiro, Júlio Marques, Laura Castro Caldas, Paulo Cintra e Rui Cunha.
Nos selos dos CTT aparecem os trajes tradicionais das lavradeiras e das noivas do Minho, a capa de honras mirandesa e o vestuário dos Pauliteiros de Miranda, de Trás-os-Montes, e croça dos pastores trasmontanos e da Beira interior, uma capa e uma sobrecapa tecidas de palha que os protegem da chuva e da neve.Os restantes selos mostram uma camisola de pescador do Douro Litoral, as sete saias da Nazaré, o traje das mulheres algarvias do litoral, o capote alentejano e o vestuário dos campinos do Ribatejo.
O bloco filatélico integra quatro selos ilustrados com o vestuário tradicional dos camponeses da Beira Litoral e das camponesas do Ribatejo, o capote e capelo típico dos Açores e a viloa da Madeira.
Assim, através da filatelia, podemos divulgar os nossos trajes tradicionais e contribuir para a sua perpetuação.
Bem hajam pela ideia.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Gabão – Traje de Pescador

António Nabais in “O Traje do Litoral Português”, escreve:
“No traje do litoral, existem traços comuns ao longo de toda a costa marítima portuguesa. Esta característica reflecte a mobilidade dos marítimos, nomeadamente dos pescadores.”…”Numa leitura imediata da iconografia (gravura, desenho, pintura e fotografia) costeira do século XIX e inícios do século XX, verificamos existirem mais semelhanças do que diferenças.”
Um destes exemplos é o gabão, muito utilizado pelas comunidades do litoral, de Caminha a Vila Real de Santo António.
No mar, todos os agasalhos eram poucos, pelo menos no tempo de espera, pelo que além da camisa e da camisola, o pescador envergava um casaco muito velho ou o gabão. Este é um traje para o trabalho no mar, mas também, de luto, como na Póvoa do Varzim ou na Nazaré.
Muito embora se possa encontrar este agasalho em várias regiões do país, genericamente, o seu feitio mantém-se semelhante.
O Gabão era feito de burel, surrobeco ou briche. Apertava com botões ou alamares de prata, um cabeção cobria os ombros e as costas e o capuz protegia a cabeça do vento frio. O tamanho varia, sendo mais comprido e amplo na costa norte até Lisboa e mais curto na costa algarvia.
O gabão usado na Póvoa do Varzim possuía uma característica que os distinguia das restantes regiões, era forrado de branqueta, que também servia para avivar as bandas, cabeção e capuz.
O gabão chega à região de Lisboa trazido pelos pescadores da costa Norte, que se deslocavam sazonalmente à foz do Tejo para a pesca do sável, e que se foram fixando em bairros tão típicos como a Madragoa.
Actualmente, algumas confrarias enólogas e gastronómicas recriaram o gabão e utilizam-no como traje cerimonial.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Morraceiro – Algarve

A recolha da morraça era um recurso de sobrevivência muito comum no litoral algarvio.
A morraça é uma variedade de alga abundante nessa zona costeira e era utilizado como adubo das terras e na alimentação dos animais.
Funcionava como uma actividade subsidiária, sobretudo nos períodos de defeso em que a actividade pesqueira não podia ser exercida, para complementar o rendimento familiar que muitas vezes era minguado. A apanha da morraça era um trabalho essencialmente masculino. De forquilha em riste, o homem recolhia as algas que as ondas lhes lançava aos pés. Após ser recolhida nas ilhas do Sotavento, a morraça era transportada em barcos e, a partir das localidades costeiras, distribuída ao lombo de animais ou em carroças por todo o Algarve.

O homem do mar veste alça de fazenda grossa, de surrobeco cinzento, arregaçadas até aos joelhos, que eram apertadas na cintura com um cordel de sisal entrançado.
As ceroulas, ou calcetas, de tecido de lã azul claro, formando xadrez, chegando à altura da canela.
Anda sempre descalço, no rigor do Inverno usa tairocas de sola de madeira ou tamancos com presilhas de cabedal e meias de lã.
Na cabeça usa o barrete redondo com uma pequena borla, muitas vezes feito com os restos de lã de várias cores. Posteriormente começou a usar o boné de pano grosso, com pala nas orelhas e que aperta debaixo do queixo.
A camisa é de flanela de xadrez de cores garridas, de colarinho chanfrado e mangas compridas.
Para proteger do frio usavam um Gabão de tecido de soriano com capuz, aberto na frente, com mangas compridas, atado com um cordel à cintura.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Traje de Capotilha - Minho

Designado por "traje de capotilha" ou "do Vale do Cávado", o "traje da senhora" foi usado até ao início do século XX em diferentes terras do Minho, com predominância no vale do Cávado, de onde tomou o nome e é considerado como o traje mais representativo da cidade de Braga, não sendo embora o único.
Caracterizado pela cor garrida, este traje usado nas romarias é constituído por uma capotilha, em vermelho vivo para as moças e em azul escuro ou preto para as casadas e mais idosas, guarnecida de veludo, cordões, cetim e vidrilhos, com grandes pontas que, cruzando sobre o peito, iam atar ou prender nas ancas.
Sob a capotilha deixava ver a farta gola de renda da camisa branca de linho, bordada a branco, no peito, ombros e punhos. Sobre a camisa usava um colete de tecido de cor ou linho, bordado a cordões ou lãs, com grandes decotes e "rabos".
A saia de baetilha preta, possuía uma grande roda, guarnecida de veludo liso ou lavrado, fitas, cetim e vidrilhos.
Do conjunto, ressalta o colorido do avental tecido em cores vivas, com tirados de lã, debruados a veludo.
Na cabeça, um lenço branco, em cambraia ou tule, bordado, cujas pontas se prendiam ou atavam sobre o colo.
Calçava meias brancas, rendadas, de linho ou algodão; usaram-se, também meias riscadas a branco e vermelho e chinelas pretas, pespontadas a branco.
Como é hábito da região a abundância de ouro adorna as orelhas e o peito.
Preso cintura trazia o "lenço de pedidos", fartamente marcado a ponto de cruz, com quadras ou frases amorosas.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

O ciclo da lã

Desde sempre o povo deitou mão à matéria-prima que o rodeava adaptando-a às necessidades, nomeadamente para se proteger do frio. Em regiões onde predomina a pastorícia de ovinos e caprinos, a lã é um recurso inestimável para o fabrico de vestuário.
A mecanização simplificou, acabou até por eliminar, processos de produção, tecidos e modos de vida, que hoje, só os mais idosos sabem contar.
A transformação da lã em peça do vestuário passa por várias fases.
A tosquia, normalmente feita em Maio ou Junho, consoante o calor se faz sentir mais cedo ou mais tarde, consisto no corte da lã aos animais com o auxílio de uma tesoura.
A tosquia inicia-se pelos membros inferiores do animal passando ao peito e barriga terminando no lombo. A lã retirada de cada animal dá-se o nome de velo, o qual individualmente é enrolado, ficando para o exterior a parte que se encontrava junto à pele.
Depois da tosquiada, a lã é muito bem lavada, sempre que possível com água tépida, e posta a secar em local apropriado.
A seguir é carpiada, tarefa que consisto em desfazer os nós nela existentes e eventualmente retirar algumas impurezas.


Posteriormente é cardada com as cardas (instrumento com pegas munido do arames curtos e finos) do modo a desenriça-la usando para o efeito o auxílio de uma pequena quantidade de azeite (borrifava-se a lã com o azeite antes de a colocar nas cardas).
À medida que vai sendo cardada é colocada uma sobre a outra, geralmente este trabalho era executado por um homem - o cardador - que se deslocava às casas que possuíam lã para o efeito.

Vem depois a fase da fiação, operação artesanal outrora muito vulgar que chegava a ser motivo para prolongados serões. Com auxílio do fuso a lã é transformada em fio. A fiandeira mune-se de um pedaço de lã que segura com a mão esquerda. Dela puxa um pedacinho que cuidadosamente vai alongando. Coloca-o no friso do fuso (na extremidade mais fina) seguro na mão direita manuseando-o com o polegar e indicador ajudados pelos médio e anelar no sentido do movimento dos ponteiros do relógio. Aos poucos, vai obtendo um fio torcido. Desprende-o do friso e enrola-o na outra extremidade do fuso recomeçando a tarefa. À lã já fiada e enrolada na parte mais larga do fuso dá-se o nome de maçaroca, a qual é depois dobada em novelos. Na fiação da Iã, regra geral, não se utiliza a roca.

Nesta altura a lã está pronta para seguir nova rumo, desta feita a urdidura. É a operação que antecede a tecelagem e que consiste em preparar os fios para dispor no tear, ou seja: paralelos entre si de igual comprimento e separados nas duas séries que, descendo ou subindo cada uma alternadamente, operam o entrecruzar do fio que passa entre elas. A urdidura é preparada num aparelho especial, que consiste numa armação de prumos, a uma distância de 3 a 4 metros onde estão fixos tornos nos quais passam os fios.
Feita a urdidura, monta-se no tear e procede-se a tarefa da tecelagem, utilizando para o efeito também lã.
Estas operações podiam ser feitas com lãs de cores diferentes, por exemplo, urdir com lã branca e tecer com lã preta ou castanha. Ao tecido assim obtido chamava-se sarrobeco e era destinado sobretudo à confecção de calças masculinas.

A lã depois de tecida e retirada do tear apresenta uma textura pouco resistente, "muito rala", a mandil. Há, pois, necessidade de a fazer passar por outra etapa a pisoagem, para garantir consistência e durabilidade que, de outro modo, não possuiria.
A pisoagem era feita no pisão, um engenho artesanal pesado, movido a água e em vias de extinção. O tecido era batido durante o tempo bastante por dois enormes martelos ou malhos de madeira, pesando cada um mais de 50 quilos, molhado com água a ferver, transformava-se numa pasta feltrosa, homogénea, espessa e forte. Ao tecido assim obtido dá-se o nome de burel.
O pisoeiro submetia o sarrobeco a pisão inteiro, meio pisão ou apenas quarto de pisão, consoante o fim a que se destinava. Para as saias a conta era meio pisão, que a pele das pernas apesar de castigada pelo trabalho não suportaria a agressão de um burel duro como tábua, o quarto de pisão bastava para o avental.Com este tecido fabricavam-se calças, coletes, saias, aventais e as tão afamadas capuchas, largamente utilizadas em toda a Beira Interior.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Pelico e safões

Desde o princípio dos tempos o homem a utiliza peles de animais para se cobrir. Servia de protecção contra os rigores do clima e consistia uma camuflagem natural.
Resistindo ao tempo permanece na cultura portuguesa o uso do pelico e dos safões em pele de borrego, sobretudo no Alentejo e regiões serranas da Beira.
O pelico pode apresentar de uma estrutura idêntica a uma casaca com aba comprida ou o formato de um casaco sem mangas. Em qualquer dos casos os cortes ajustam-se à dimensão da pele do animal e à medida do corpo do seu utilizador. As cavas são cortadas de forma a ultrapassarem o ombro, protegendo as espáduas. Existem modelos com ou sem gola e são geralmente abotoados com botões metálicos.
Os safões consistem em dois meios-aventais, cavados, de forma a contornarem as pernas.
Desta forma o pastor protegia-se dos ventos gelados do Inverno.


No Alentejo, por debaixo do pelico e safões, usava camisa de riscado, lenço ao pescoço e chapéu preto, calça de cotim e botas grosseiras.
Por vezes nas calças usava pequenas tiras de sacos de serapilheira para proteger o fundo das calças.
Como utensílio de trabalho usava o cajado (um pau de madeira rija como o marmeleiro), que, no caso dos boieiros, possuía uma ponta mais grossa, no manejo das ovelhas e borregos utilizava uma vara comprida com um gancho à ponta a que se dava o nome de gravato e servia para apanhar os animais pelas patas.
Às costas transportava o almoço, num tarro de cortiça, e o azeiteiro (corno), por vezes se a deslocação era grande levava alforges com mantimentos.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Traje feminino domingueiro de Penude - Lamego


Apesar da proximidade com a cidade de Lamego este traje mantém um cariz popular, pouco influenciado pela moda citadina. Os materiais utilizados são simples mas demonstram algum poder económico da sua utilizadora. Este traje é composto por lenço de seda preto e amarelo, blusa de linho branco, adornada de pequenas rendas brancas, com uma aba sobre a cinta, saia de fazenda de lã preta e avental da mesma cor bordado a azul com motivos florais. Calça meia de renda branca e chinelas de couro pretas. No braço transporta um magnífico xaile de merino preto com bordados e franjas de fita.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Alto Alentejo – Traje de Nisa


O traje de festa da alentejana de Nisa constitui uma peça única em toda a região, de inigualável beleza e riqueza.
Tradicionalmente, a mulher alentejana é educada para ser uma excelente dona de casa, boa mãe e esposa. Desde cedo são-lhe ensinadas as artes da cozinha e dos lavores femininos. Apesar de pobre, a mulher alentejana orgulha-se do asseio do seu lar e dos seus dotes de costureira e bordadeira. As raparigas solteiras dedicavam quase todo o seu tempo livre na manufactura do seu enxoval e era nos pormenores do seu traje domingueiro que marcavam a diferença das demais e expunham a sua habilidade.
A mulher de Nisa, nesta matéria, não difere muito das restantes da sua região. Das suas mãos prendadas saiu um traje de impar beleza para os dias de festa composto por uma saia em tecido de lã vermelho comprida e rodada, com uma barra manufacturada com aplicações em feltro branco ou negro, formando motivos estilizados de flores e folhas encadeadas, de gosto romântico.
Usa uma camisa de quartilhos justa ao corpo e decote redondo, confeccionada em algodão estampado com motivos florais. As mangas são compridas, com macho na cabeça e pregas junto ao punho que abotoa com botão e aselha.
A cabeça era protegida do sol por um lenço de seda lavrado com motivos florais.
Calça meia de linha ou renda e sapatos de pele preta, biqueira redonda e apertados com atacadores de algodão.
Para além da saia, cuja barra é única em toda a região, a mulher de Nisa mostra as suas qualidades de bordadeira no xaile que enverga.
De cor variada consoante o gosto da bordadeira, sendo os mais usuais os brancos e negros, estes xailes bordados inteiramente à mão sobre um tecido de seda ou merino constituem um acessório de vestuário feminino exclusivo, de elevado valor artístico e cultural.
Os xailes bordados à mão com fios matizados, empregam motivos tradicionais comuns aos da olaria, a flora local.
Utiliza-se o ponto torcido ou pé de flor, o ponto cheio, os nozinhos, sendo as cores usadas consoante o gosto e a sensibilidade artística de quem executa o trabalho. Remata-se com franjas de fios de lã. Demorando cerca de dois meses a bordar de modo a permitir que a perfeição da bordadeira sobressaía no resultado final.
Este xaile é de influência espanhola, o que é explicável atendendo à sua proximidade geográfica do país vizinho.


Outros assuntos relacionados neste Blog: Traje Alentejano

terça-feira, janeiro 23, 2007

Capote


Trata-se de uma capa ampla e comprida, com fazenda de lã castanha e gola de pele de borrego da mesma cor. Possui 2 romeiras sobrepostas, aperta na frente com carcela e 4 botões e os bolsos são embutidos com cós.
O capote, sendo um abafo foi concebido para proteger o seu utilizador dos rigores do frio da planície. A gola, usada levantada ou baixa, protege o pescoço. A primeira romeira (sobrecapa) envolve os ombros e as costas, a segunda protege os braços e o peito, tendo um corte que a une à capa a qual cobre inteiramente o corpo até aos pés. Esta longa capa tem uma profunda abertura nas costas permitindo ao seu utilizador andar livremente ou montar a cavalo.
Este é um traje imponente que recorda a capacidade económica do seu proprietário senhor das suas terras.
O abafo típico do lavrador alentejano é o capote, réplica quase fiel da capa romântica da burguesia. Com efeito, o capote militar assertoado, usado nos princípios do século XIX, foi adoptado como indumentária masculina nas décadas seguintes.Dr.ª Madalena Braz Teixeira, catálogo da exposição Trajes Míticos da Cultura Regional Portuguesa (Ed. Museu Nacional do Traje)
 
Os reis D.Carlos I e  D.Amélia usavam-no quando permaneciam em Vila Viçosa, sobretudo nas caçadas ou convívios no campo, e contribuíram para a sua difusão, por mimetismo, pela nobreza e burguesia.
 
Tomaz Ribas, em O Traje Regional em Portugal, caracteriza bem a função desta peça de indumentária.
Se o pelico e os safões constituíam o abafo no trabalho, o capote era um luxo que os homens não dispensavam. Todo o rapaz desejava adquiri-lo antes de casar, como prova de que conseguiria gerir com cabeça as suas economias, dando provas que tinha assento. Só por isto, o rapaz era já considerado um bom partido. A aquisição do capote significava também ter chegado à fase adulta.

Samarra

A Samarra é um abafo masculino oriundo do Ribatejo ao longo dos anos difundiu-se às regiões vizinhas da Estremadura e Alentejo, posteriormente, a todo o país, do Algarve a Trás-os-Montes.
Este casaco, executado em fazenda de lã cinzenta, castanha, azul-escura ou preta, de decote redondo, aperta à frente com carcela e 5 botões de massa, os bolsos são embutidos na vertical ou diagonal, as mangas são compridas com aplicação de botões ou com virola.
É forrado cetim acolchoado.
A gola é forrada de pele de raposa, inicialmente, esta pele provinha de um troféu de caça, com a sua expansão e por uma questão de preço, passaram também a serem guarnecidas com pele de borrego.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

A arte da Renda de Bilros

As rendas sempre adornaram os trajes portugueses, sobretudo os mais ricos, já que eram caras e o processo de fabrico moroso e meticuloso. Até à mecanização este era um trabalho feminino e a produção totalmente efectuada pelas mãos hábeis.
A arte da Renda de Bilros é quase um trabalho exclusivo da costa do litoral oeste da Península Ibérica com antigos centros em Camariña (Província de la Coruña - Espanha, Século XVI), Vila do Conde, Peniche, Lagos e Olhão.
A origem das rendas não é consensual. A teoria mais aceite, formulada por vários estudiosos, é a de que são oriundas do oriente (da China ou da Índia), tendo chegado a Portugal através da Itália no século XV.
As mais famosas eram as de Milão e de Bruges, utilizadas para adornar paramentos eclesiásticos e os trajes das cortes europeias. Em Portugal as rendas flamengas estiveram muito em voga no tempo de D.João V, mas a sua produção foi incentivada pelo Marquês de Pombal, Ministro de D. José, que pretendia fomentar a produção nacional de produtos de luxo muito em voga nessa época e que Portugal importava massivamente. Daqui, esta forma de artesanato passou à Madeira e aos Açores, e foi pelas mulheres portuguesas que chegou ao Brasil.
A diferença entre a renda e o bordado é evidente: no bordado trata-se da aplicação dum ornamento feito no tecido com uma agulha, enquanto que a renda resulta do entrelaçamento de fios, numa urdidura que se desenvolve com a forma de desenho, sem ter um fundo de tecido.
A confecção da renda é efectuada sobre uma almofada dura em que é pregado um papelão crivado de furos que determinam o desenho. Nesses furos são espetados alfinetes que a rendeira vai mudando de lugar à medida que o trabalho se desenvolve.
Os fios são manejados por meio de bilros, que são pequenas peças de madeira torneada. Numa das extremidades de cada bilro está enrolado o fio, enquanto que a outra extremidade tem a forma de esfera ou de pêra, conforme o uso na região. Os bilros são manejados aos pares pela rendeira que, habilmente, imprimindo um movimento rotativo e alternado a cada um dos bilros, e orientando-se sempre pelos alfinetes, vai-os mudando à medida de o trabalho progride. Os pontos mais simples precisam de 2 ou 4 pares de bilros mas outros desenhos podem ser mais complexos. Muitos pontos precisam de 12 pares, 20 pares ou mais. Essa complexidade pode ir aumentando até ser necessário mais de uma centena de pares de bilros para alguns desenhos específicos. É muito complicado, nesse caso, e só rendeiras muito hábeis e experientes podem arvorar-se para essas tarefas.

Em Vila do Conde há uma escola onde se assegura a continuidade, no tempo, desta prática artesanal, e o “Museu das Rendas” que nos dá a oportunidade de conhecer alguns pormenores da História da Renda de Bilros, a técnica de trabalho e os instrumentos utilizados.
A renda de bilros de Peniche tem um pormenor que as distingue de outras produzidas em Portugal: o processo de urdidura. As rendeiras de Peniche trabalham com as palmas das mãos voltadas para cima. Outro pormenor característico é o facto de, nestas rendas, não se distinguir o direito do avesso.Na Póvoa de Varzim, o artesanato de renda de bilros é também prática muito antiga e conheceu, hà alguns anos, grande expansão, quando António Francisco dos Santos Graça, “O Brasileiro” (1851-1918), fundou e custeou uma escola onde uma mestra, oriunda de Vila do Conde, ensinou aquela arte a grande número de jovens poveiras. Presentemente esta actividade tem, na Póvoa, pouco expressão.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Tradições de Natal

Muito embora este blog tenho como objectivo a divulgação de trajes populares portugueses, parece-me poder abrir uma excepção para falar de algumas tradições natalícias muito enraizadas em Portugal, aproveitando para desejar a desejar a todos os visitantes um
Feliz e Santo Natal

Presépio

Na origem deste costume encontram-se as esculturas e quadros que enfeitam o templos para doutrinar fieis analfabetos e as representações teatrais semilitúrgicas que se representavam durante a missa de natal. Mas a tradição gerou-se no século XIII quando São Francisco de Assis quis celebrar o natal o mais realista possível, e com a permissão papal instalou um presépio de palha dentro de uma cova, pôs a imagem do menino Jesus um boi e um burro vivos perto dela. E nesse cenário celebrou-se em 1223 a missa de natal. O sucesso desta humilde representação do presépio foi tal que rapidamente se estendeu por toda a Itália. Logo se introduziu nas casas nobres europeias e de lá foi descendo até ás classes mais pobres. Na Espanha, a tradição chegou pela mão do monarca Carlos III, que a importou de Nápoles no século XVIII. A sua popularidade nos lares espanhóis, portugueses e latino americanos estendeu-se ao longo do século XIX e a França não o fez até inícios do século XX.

Missa do galo

Assim se conhece a missa que se celebra na noite de natal. A sua denominação provêm de uma fábula que afirma que foi este animal o primeiro a presenciar o nascimento de Jesus, ficando encarregado de anunciá-lo ao mundo. Até ao começo de século XX era costume que á meia-noite fosse anunciado dentro do templo por um cante de galo, real ou simulado. Esta missa apareceu no século V e a partir da idade média transformou-se em celebração jubilosa longe do carácter solene com que hoje a conhecemos. Até princípios do século XX perdurou o costume de reservar aos pastores congregados ali o privilégio de serem os primeiros a adorar o menino Jesus. Durante a adoração, as mulheres depositavam doces caseiros, que logo trocavam por pão bento, ou seja pão de natal. Era também costume reservar um bocado deste pão como amuleto ao qual só se podia recorrer em caso de doença grave. Outra tradição que perdurou é a de estriar nessa noite uma peça de roupa com a qual se afastava o demónio. Em algumas regiões esta missa celebra-se durante as primeiras horas do dia.
Na maioria dos países é tradição que toda a família acuda a ela unida sendo o momento mais importante das festas natalícias.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Trajes do Ribatejo – Santarém

As danças e cantares ribatejanas da região do Bairro são particularmente enriquecidas de pormenores artísticos, repousadas, elegantes e harmoniosas. Os seus trajes são sóbrios como, aliás, é o próprio panorama da zona onde vivem.

Os trajes das mulheres são de cores variadas, mas com predominância para os tons discretos. As saias podem ser azuis, pretas, verdes e castanhas. Já as blusas são mais claras e os aventais (quando envergados) de cores mais vivas e lenços de cabeça pouco garridos.
Quanto ao traje do homem o mais importante é o de "Cerimónia" ou "Domingueiro", totalmente preto e constituído por calças de cós alto e polaina, com bolsos direitos, colete preto, camisa branca de peitilho e sapatos de salto de prateleira.

Durante a semana, eram usadas roupas de cortes mais simples e tecidos mais baratos.
Os homens envergavam roupas de cotim e camisa de riscado e as mulheres, saias, blusas e aventais de riscado, chita ou algodões fracos. Assim se ataviavam para as lides do campo, mas também como as roupas de caminho, aquando se deslocavam para o campo ou à vila de Santarém em alturas não festivas, como por exemplo, para arranjar trabalho ou à segunda-feira da parte da manhã, no mercado.

Em dias festivos, as mulheres envergam saias franzidas de barriga lisa que podem ser azuis, pretas, verdes e castanhas. Já as blusas de aba e de quartinhos são mais claras, aventais de cores mais vivas, enfeitados com rendas e lenços de cabeça pouco garridos. Diziam as raparigas do 1º quartel de 1900, "que eram as antigas que usavam as blusas por cima do avental", aparecendo assim a moda dos aventais espartilhados colocados por cima da blusa. Em alturas de mais gabarito, era retirado o avental. Por influência citadina vão sendo introduzidos novos tecidos e novas peças, como os armures e os trajos de casaca, assim, como os “Vestidos”, trajo de saia e casaca do mesmo tecido, normalmente em lã e envergado no início de 1900 nos nossos lugares pelas raparigas mais abastadas.
Os homens envergavam fato preto de jaqueta de alamares e calça de cós alto e polaina, com bolsos direitos, colete preto, camisa branca de peitilho e sapatos de prateleira. Normalmente usava-se barrete preto, o chapéu, era envergado por pessoas mais abastadas ou em alturas de maior cerimónia. Com o tempo os alamares da jaqueta caíram em desuso, sendo substituídos por botões de massa.

Em dia de casamento, o noivo vestia traje de cerimónia. Para assinalar de modo único esse dia, mostrava com vaidade, no peito, o lenço de compromisso bordado pela sua noiva. Em tudo o mais, o fato não detinha nenhuma particularidade excepto na flor que colocava ao peito. A noiva usava vestido de lã.
As cores mais vulgares para quem podia dar-se ao luxo de comprar um fato para o dia do seu casamento eram azul sulfato, o verde azeitona, a cor da flor do alecrim (…). Para a cerimónia, a rapariga cobria a cabeça com um lenço de seda fino ou com uma mantilha de renda. O seu peito era adornado com um cordão de ouro (o dote), flor de laranjeira e na mão um ramo de flores da época. É este o traje de cerimónia por excelência


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sexta-feira, novembro 17, 2006

O Pescador do Bacalhau


A pesca do bacalhau sempre atraiu os homens das regiões costeiras, as migrações com destino aos mais importantes centros bacalhoeiros do país, como Lisboa, Ílhavo e Figueira da Foz eram maciças. Provinham de todas as regiões do país, do Minho ao Algarve.
As campanhas desenrolavam-se de Março a Outubro nas águas geladas do Canadá, os homens enfrentavam condições de extrema dureza. Os densos nevoeiros e as violentas tempestades povoavam os dias.
Os agasalhos que levavam de casa incluíam ceroulas, calcetas, camisolas de flanela, meias, luvas e carapuças de lã. Quando saiam para o mar para a pesca nos dory, vestiam os seus oleados, ou seja, calças largas, casacos e aventais, fabricados em pano cru embebido em óleo de linhaça.
Quando escalavam o bacalhau os pescadores usavam umas botas que cobriam os pés e as pernas até aos joelhos.
Na cabeça usavam o sueste, um chapéu de tecido grosseiro, normalmente pano-cru, impermeabilizado com azeite ou óleo de linhaça. Tem aba de forma irregular descendo a parte mais alongada sobre a nuca.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Traje de Mordoma e Noiva do Minho


No Minho, mordomas são as raparigas encarregadas de recolher fundos para a realização da romaria ao santo padroeiro da sua freguesia. Os trajes das mordomas, geralmente pretos ou azuis-escuros, serviria mais tarde como indumentária da noiva e ainda para com eles serem enterradas. Compunha-se de casaquinha cintada de aba curta muito enfeitada, com pinças na frente e nas costas, adelgaçando a figura. O cumprimento da manga termina acima do punho. A saia apresenta um cós plissado fixo que tem como função acentuar e ajustar a linha da cintura. A roda sai livre e abundante do cós, atingindo um perímetro três vezes superior à medida da cinta. A larga barra de veludo bordado de missangas com um desenho naturalista. O avental de veludo, também franzido, é bordado com missangas, representando no centro a coroa e armas reais ou o escudo português, completando o adorno com «silvas», possui um folho pregueado de seda preta e galão de seda da mesma cor, com aplicação de missangas. Calçavam meias rendadas brancas e chinelas de tela pretas lisas ou bordadas a branco. Na cabeça, um lenço de seda fina de cor viva (como na Meadela) ou de um véu de tule branco (em Santa Marta de Portuzelo). Na mão transportavam vela votiva, enfeitada, que acendiam na procissão, ou palmito feito com folhas de palma. Quando o calor apertava a mordoma substituía a casaca por um colete de trespasse e dizia-se então que "ía em mangas", usando neste caso, camisa de linho muito trabalhada nos ombros e algibeira largamente decorada. Se a família tinha largas posses, a mordoma fazia o seu fato azul para demonstrar que não aproveitava para o casamento.
Esta mulher de saber e de haveres completa a sua imagem com múltiplos adornos de ouro, ostentando com orgulho a sua capacidade económica.
Para casar, a mulher ia sempre de preto, utilizando o seu traje de mordoma ou outro quando possuía posses para tal. Ao traje de mordoma acrescentava um lenço de fina cambraia, cruzado à frente, ou um véu de renda ou de tule bordado a branco, de pontas caídas. Na mão para segurar o ramo usa um lenço de "amor" bordado com motivos florais, vegetalistas e quadras ou frases amorosas, a ponto cruz, ponto cheio, cordão, pé-de-flor, etc.
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