quinta-feira, junho 28, 2007

Condutor ou Roçador de Tojo - Alcochete

Este traje retrata uma profissão da região de Alcochete que existiu nos finais do século XVIII princípios do XIX.

Era usado pelo condutor ou Roçador de Tôjo procedia à limpeza dos matos e recolha da carqueja, ao mesmo tempo que caçava. O mato que abundava nos campos de Alcochete, que era depois transportado pelos barcos que atravessavam o estuário do rio Tejo, sendo utilizado no aquecimento dos fornos do pão que alimentavam Lisboa.

Usava calções e camisa branca, camisolão de malha, colete azul com botões de madeira, cinta vermelha, barrete vermelho debruado a castanho, meias de lã e plainas de cabedal que serviam para defender as pernas do Tojo.

quinta-feira, junho 21, 2007

Trajes de Romeiros de Braga – Baixo Minho

Traje Feminino de Sequeiro
(inicio sec.XX)
A designação deste traje provém da localidade de Sequeiro, onde as tecedeiras imprimiam um cunho muito particular nos tecidos dos aventais. São também muito singulares os chapéus com fitas, penas e o espelhinho, usados pelas raparigas desde o Rio Este, até perto de Vila do Conde.
A camisa de linho de corte tradicional, com decote e punhos guarnecidos com folho bordado. É bordada a ponto vermelho sobre o peito, ombros mangas e punhos. A saia à de tecido preto “baetilha” com ampla roda, franzida na cintura e decorada na barra com veludo e bordados de vidrilhos e fitas. Colete de rabos, vermelho, preto ou estampado com motivos florais, ajustado na frente com cordão. O avental pequeno de tecido de lã manual, decorado com motivos geométricos, orla guarnecida com uma tira de lã preta recortada. Usa uma algibeira de onde pende o lenço ricamente bordado. Na cabeça, lenço de tule branco bordado, com as pontas soltas, coberto por um chapelinho de feltro, guarnecido com fita preta de pontas pendentes atrás e pequeno espelho na frente. Calça meias rendadas de algodão branco e chinelas pretas. Sobre o peito, as tradicionais peças de ouro, fio de contas, cordões, cruzes, medalhas e nas orelhas pendem brincos “à rainha”.


Trajo do Homem (sec. XIX)
Camisa de linho com cós pequeno, apertada no peito, com carcela e peitilho decorado com bordados a ponto cruz vermelho, sublinhado a preto, tradicionalmente efectuados pela noiva, “conversada”. Sobre a linha da cintura era bordado o nome do rapaz ou a palavra “amizade”. A manga da camisa era comprida terminando com punho. Calça comprida ajustada na cintura com faixa vermelha para os solteiros ou preta no caso dos casados. Veste colete de fazenda de lã ou jaqueta de astracã preta com gola e alamares de prata, com bolsos e mangas debruados.
No pescoço lenço de “namorados” ou de “pedidos” de tecido branco de algodão, bordado com motivos florais, era revelador do comprometimento do rapaz para com a rapariga que o ofereceu. Sapatos de vitela revirada ou pretos.A indumentária do homem não estaria completa sem o chapéu, inseparável na protecção da cabeça e o pau, com a dupla função de arma de defesa ou de apoio para descanso.

segunda-feira, junho 18, 2007

Encontrão 2007


No passado fim-de-semana (16 e 17 de Junho) realizou-se o Encontrão 2007, na Aula Magna da Universidade de Lisboa.
Uma organização do INATEL que englobou a Festimúsica, Concurso Nacional de Música, a Teatrália, Concurso Nacional de Teatro, e a Final Nacional do Concurso Etnográfico Henrique Rabaço.
A Banda Filarmónica Simão da Veiga da Casa do Povo de Lavre foi a grande vencedora do Concurso Nacional de Música com o espectáculo “O Grande Livro da Fantasia”.
Do Concurso Nacional de Teatro saiu vencedora a Associação Desportiva Cultural de Subportela com o “Auto de S.João”.
O Concurso Henrique Rabaço foi bastante concorrido, com a presença de 17 grupos, que disputaram a final nacional com espectáculos de elevada qualidade etnográfica.
“Alma e Coração das Gentes da Beira Alta nas Romarias” foi o espectáculo apresentado pelo Grupo Cultural e Recreativo de Santo Amaro da Azurara, em representação do Distrito de Viseu, mereceu o 3º lugar.
O 2º lugar coube ao grupo Cantadeiras do Vale do Neiva, que apresentou “Carpir e Amentar as Almas”.
Representando o Distrito de Castelo Branco, o Rancho Folclórico da Boidobra arrebatou o 1º lugar do Concurso Henrique Rabaço.
O espectáculo “À Rebatina” retratou uma noite de Natal e o Cantar das Janeiras, passando pela Quaresma e terminando na Páscoa com as crianças à rebatina e os habituais bailes na aldeia da Boidobra, em princípios do séc.XX.
Este grupo tem tido um importante papel na preservação dos usos e costumes da região de Castelo Branco, tendo mesmo vencido este mesmo Concurso em 2005.
O Encontrão terminou com a apresentação dos vencedores dos três concursos, coroando mais uma bem sucedida organização do INATEL.

quarta-feira, junho 13, 2007

Traje de Festa da Batalha – Estremadura

Blusa de tecido de algodão cor-de-rosa, com cós e encaixe decorado no centro com fitas pretas aplicadas; frente com macho ao meio abotoada ao lado. Sobre a linha da cintura, cinto do mesmo tecido aplicado. Saia comprida de tecido de algodão estampado, com pequenos motivos florais, franzido na cintura, decorada na orla com refegos e fita preta aplicada.
Na cabeça, usa lenço de algodão com motivos policromados, atado na nuca, sob o chapéu janota, cuja aba é enfeitada com plumas.
Suspensa da cintura, surge uma algibeira de retalhos guarnecida com renda. Traz na mão uma saquinha de tecido estampado. Calça meias de algodão lisas e sapatos pretos.
Sobre o peito, usa cordão de ouro com medalha e brincos compridos nas orelhas.

segunda-feira, junho 04, 2007

Trajes de Gloria do Ribatejo

Encontrei recentemente o Rancho Folclórico “As Janeiras” de Glória do Ribatejo, que me fizeram o favor de descrever os seus singulares trajes do início do sec.xx.
Dna Rosário, começou por explicar-me que este não é um traje de festa, mas para ao domingo irem à praça procurar trabalho, servindo o mesmo à 2ª feira, quando se deslocavam para as herdades trabalhar.
Na impossibilidade de adquirirem tecidos mais vistosos as raparigas bordam e decoram as peças de vestuário conseguindo efeitos admiráveis. Este traje era confeccionado pelas mulheres para uso próprio, muitas vezes às escondidas, para que não houvesse outro igual, é um exemplo do engenho e da arte feminina.
Na cabeça usam um lenço de algodão arranjado de uma forma única, cruzado na nuca e atado no alto, onde se reúnem as pontas das costas, de forma a formar uma espécie de touca, sempre presos com alfinetes de cabeça preta.
A blusa, a que chamam casaco, é de manga comprida e confeccionada em gorgorina, sendo ricamente ornamentada com bordados, favos de mel e muitas preguinhas no peito (que necessitam de ser passajadas antes da lavagem, para que não se desmanchem). Aberto na frente, com abas, pode ter gola ou colarinho, conforme o gosto da mulher.
No peito, como sinal de compromisso, traziam a fotografia do namorado.
Na cintura, usam um cinto preto para adelgaçar a silhueta, a bolsa das moedas e um lenço bordado, para limpar as mãos do suar quando se dançava.
O avental era abundantemente bordado a ponto cruz, ou de tecido estampado. Quando usavam o dedal e a “melhadura” presa no avental, era sinal de que já tinham um compromisso com um patrão e que não poderiam aceitar outra oferta de trabalho.
A saia de cima era confeccionada em “chita aos olhos” ou em escocês e enfeitada a gosto. As saias de baixo (3) eram enfeitadas com bicos a condizer. O conjunto das saias e avental era apertado nas ancas por uma cinta, onde era bordado de forma visível o nome do namorado.
As mais abastadas usavam sapatos de carneira pretos (sem meias), enquanto que as demais traziam tamancos.
Como adorno, pendiam das orelhas, argolas “à moía”, chinesa ou brincos “à Coimbra”.
Como abafo punham sobre os ombros ou da cabeça, uma saia de castorinha.
Nos braços ou à cabeça, transportavam um saco, também ele feito e decorado a gosto, contendo a janta de 2ª feira, 1º dia de trabalho, já que os restantes mantimentos só chegavam às herdades mais tarde.



O traje do homem era também confeccionado pelas mulheres, era constituído por colete e calças pretas, barrete ou chapéu. Os homens que usavam chapéu, a quem chamavam “singualeiros”, eram detentores das suas próprias terras.
As camisas de riscado eram feita á mão e ornamentada a gosto.
Tal como a mulher, também o homem usava sinais exteriores do seu compromisso.
Desde logo, a bolsa do relógio, que usava no bolso do colete era feita pela namorada, bem como o “lenço dos amores” que usava preso à cinta. A cinta era preta, com bordado policromado a gosto, utilizando-se motivos naturais e florais.
Calçava sapatos de atanado pretos.

quarta-feira, maio 16, 2007

Trajes de São Miguel - Açores

TRAJO POBRE DE MULHER E CAMPONÊS
Ela com a tradicional saia de estemenha tecida no tear manual todavia mais rústica com barras simples, somente às riscas ou bordada com bicos, o seu avental com cores ao contrário das saias e também com riscas na parte inferior como a saia ou então de pano xadrez com patrona, a camisa de linho branco ornada com refegos, rendas e entremeios brancos, as suas galochas de madeira e couro, o lenço sempre enramado com cores muito garridas e tons a condizer com a saia bem ao gosto campesino, o saiote e calção de pano branco com as suas rendas e entremeios brancos. Ele com calça de cotim, com suspensórios e fivela atrás, camisa de linhaça branca com riscado branco e azul, com algibeira grande onde era guardado o rolo de tabaco, casaco de cotim podendo ser da mesma cor das calças ou não ou ainda de outro tecido de cor mais ou menos idêntica, casaco conhecido como guarda pó, na cabeça carapuça de lã, e as típicas alpercatas.

CAPOTE E CAPELO E TRAJO DE LÃ RICO MASCULINO
Ela com trajo sóbrio de lã preta podendo ser azul escuro, composto de manto e capelo com saia de estemenha vermelha com ornamento preto na parte inferior, camisa de linho com rendas, entremeios e refegos, avental de linho branco bordado, lenço da cor da saia garrido e sapato abotinado antigo muito usado até ao início deste século, embora remonte ao sec. XVI. Ele com fato de lã preto composto por calças únicas só com aberturas nos lados, casaco com algumas ornamentações também a preto, jaleque, camisa de linho branco bordada a azul, chapéu de lã preta por fora, e feltro vermelho por dentro com abas sobre as costas e botas pretas com vermelho no bordo. Este é um trajo usado pelos camponeses abastados do campo. Existe um original no Museu Carlos Machado (São Miguel, Açores) onde o Grupo efectuou a respectiva recolha.

TRAJO RICO
Ela com a tradicional saia rica de estemenha tecida no tear manual com barra bordada, bordado esse muito trabalhado, cobrindo grande parte inferior da saia, o seu avental também tecido no tear com mesmo tecido, é como a saia bastante bordado em contraste com a saia, as cores da saia e do avental são sempre garridas, passando pelo azul e rosa, suspiro e azul, e preto e vermelho, a camisa de linho branco com refegos ornada com rendas e entremeios, nesse trajo vê-se rendas e entremeios muito ricos e em grande quantidade, o lenço geralmente da cor do bordado da saia, muitas vezes bordado da cor do fundo da saia, até mesmo com quadras de amor, as galochas que nesse trajo são de madeira com pano bordado, as meias de renda e na roupa interior o saiote e calção ornamentados com rendas e entremeios brancos. Ele com o tradicional fato de estemenha tecida no tear manual, composto por calças, casaco e jaleque, o casaco leva na beira um arremate preto e nos braços uns botões de cores vivas, e estes eram consoante a condição social mesmo dentro dos camponeses abastados, chapéu de feltro azul escuro por fora e vermelho por dentro com abas compridas sobre as costas, as típicas botas de couro preto com bordo vermelho na parte superior do cano, a sua camisa de linho branco bordada a azul com refegos na qual a mulher ponha todo o seu esmero, pois tinha muito orgulho no bordado da camisa que o marido usava, este trajo era usado pelos camponeses abastados do campo, e não por nobres ou burgueses, também podia ser de lã preta pura como um original que se encontra no Museu Carlos Machado ( São Miguel, Açores) onde este grupo fez a recolha embora esse não tenha os botões mas sim outros ornamento.

TRAJO REMEDIADO
Ela com a tradicional saia de estemenha tecida no tear manual com barra também bordada embora mais simples, o seu avental também ele tecido no tear e bordado a condizer com a saia e as cores a contrastar.A camisa de linho branco com refegos, ornada com rendas e entremeios brancos, as suas galochas de madeira e couro, o lenço liso da cor do bordado da saia ou ainda garrido enramado a condizer com as cores da saia, na roupa interior o saiote e o calção de pano branco com as suas rendas e entremeios brancos.Ele Calça de estemenha com calças e casaco, camisa de linho com refegos e botas de couro preto com barra vermelha na parte superior do cano.
Texto original do Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva, S. Miguel

segunda-feira, abril 09, 2007

Tricanas de Coimbra 1900

José Augusto Teixeira remeteu-me uma imagem de duas tricanas aguadeiras de cerca de 1900, junto ao Jardim da Sereia em Coimbra, extraída do livro “Coimbra e Região” de Nelson Correia Borges.
Fica aqui uma prestimosa colaboração que muito agradeço.

No texto podemos ler:

SÃO AS TRICANAS

Como tudo o que é de Coimbra – bom e mau – se não parece com mais coisa nenhuma, as tricanas de Coimbra são também elas sós, e, por conseguinte – incomparáveis!
Como andam sempre muito afinadinhas, desde os pés até à cabeça vão-se os olhos a olhar para elas, e fica a gente a dizer consigo que nunca viu mulheres assim … Sua chinelinha de biqueira, em que só lhes cabe metade do pé; sua meia branca, ou às riscas, muito esticada; saia de chita, das cores mais claras, deixando ver os tornozelos e acima dos tornozelos duas polegadas de perna; aquela aventalinho muito pequenino, que é mais um chic do que outra coisa: o chambre de chita clara, aberto no peito em decote quadrado; e então o xaile de barras, ou a capoteira, passando por baixo do braço direito, e lançando (com elegância que se não descreve, mas que os estudantes copiaram para as suas capas) por cima do ombro esquerdo!
Ao algo de tudo isto, uma cara quási sempre bonita, e espirrando sempre vivacidade; e naqueles braços, naquelas pernas, naquele busto, quando gesticulam, quando marcham, quando estão paradas, qualquer coisa que deve ser a própria graça – como só artistas a apreciam!
São as tricanas!
Trindade Coelho, in illo tempore

quarta-feira, abril 04, 2007

Trajes da Ilha Terceira – Açores

O Grupo Folclórico e Etnográfico da Ribeirinha "Recordar e Conhecer" representa algumas das figuras típicas da freguesia da Ribeirinha – Ilha Terceira.

De seguida são descritas algumas destas figuras, sobretudo as associadas à agricultura e pesca, não dispensa, no entanto, uma visita ao site do grupo e aos restantes trajes ai apresentados.
São todos trajes do sec. XIX e início do sec. XX.

PESCADOR
Calças de cotim, camisola de lã de gola até ao pescoço e dobrada, calça tairoca ou descalço, na cabeça um chapéu de palha e no topo da copa uma boina.
Como adereços associados à arte da pesca traz um enchelevar, cesto, jogada, "tenaz", graveta e uma lanterna de madeira .

O LEITEIRO
Calça de cotim, camisa de pano riscado, camisola de linho e ceroulas (ciroilhas) de pano branco, descalço, se chovia usava galochas de couro, cobre a cabeça uma barreta cónica lã de ovelha, levava um pau de carreto ao ombro carregado nas duas extremidades com duas latas cheias de leite, na mão esquerda, apoiada sobre o pau duas medidas de quartilho e meio quartilho, e na direita um grande bordão. Assim começava o seu dia de labuta.
Usa um pau de carreto, duas latas de leite, duas medidas, uma de meio quartilho e outra de um quartilho e um bordão.


MULHER DOS BORDADOS
Saia de pano fino estampado com folho alto e um viés a distinguir a saia, casaquinho cintado com um folho a meio dos botões, avental, manga comprida com um folho à volta, sobre a cabeça um lenço de lã, calça galochas de couro, meias de algodão, no interior, saia e calção, levam à volta uma renda, todas estas rendas confeccionadas pelas próprias pessoas. Numa saca de chita transporta os bordados que leva e traz de Angra.


MULHER DO CARMO
Vestido e escapolar cor castanha, saia e calção de pano branco, calça sapatos pretos e meias de musse, na cabeça uma mantilha preta. Esta veste servia para pagar promessas, se havia um sobrinho ou filho muito doente, esta Senhora vestia esta veste para o resto da sua vida

MULHER RURAL - Vendedora de manteiga ou queijo
Saia de tear barrada (lã de ovelha), casaquinho de chita cintada, lenço de lã, meias de algodão, galochas de atanado, saia e calção de pano branco com renda. Na mão leva um cesto com pêlos de manteiga cobertos com folha de couve.

PASTOR DE TOIROS
Calça de cotim militar, camisa normal, camisola branca de pano branco, ciroilhas ou (ceroulas) de pano branco, sapatas de pneu e chapéu preto de feltro de copa redonda.
Como instrumentos de trabalho usa: Bolas de couro, bolas de metal e um bordão.


MULHER DO MONTE
Saia tecida de lã de ovelha, casaquinho de fazenda cintado ou cutão com nervuras, saia interior e calção de pano branco, com renda ou bordada de algodão, calça galochas bordadas, meia grossa de algodão, lenço de lã antigo e xaile. Como se dirige para a missa leva consigo o missal e terço.

terça-feira, março 20, 2007

Traje de Ceifar de Carreço - Minho

A caminho do concelho de Caminha, mas ainda em Viana do Castelo, existe a freguesia de Carreço, muito conhecida pelo seu moinho de vento à beira-mar e pela ligação da sua população, simultaneamente, ao mar e à terra. O traje mais característico desta freguesia é o Traje de Ceifar, que era usado para o trabalho no campo.
A mulher veste uma saia abregastada, saia essa tecida com algodão e lã de ovelha, fiada, tingida em casa e depois tecida, com barra quadriculada branca e preta com forro de fazenda preta. Avental tecido no tear com riscas largas vermelhas e outras mais finas verdes e pretas. Camisa de linho branco sem bordados. Colete de fundo vermelho e barra preta debruada a fitas de lã e aperta com atacador. Lenços amarelos ou vermelhos simples no peito e na cabeça. Chapéu de palha de aba larga. Perna nua e socos. Pode ser na variante preto ou vermelho.
Não se usam adornos: nem brincos, nem cordões.


O homem usa calças de fraldilha no tear em lã castanha. Camisa de linho com estopa sem bordados. Chapéu de palha. Calça socos ou chancas conforme o trabalho que executa. Pode ser na variante calças de cotim e chambre.

sexta-feira, março 16, 2007

Região do Vouga - Trajes de Romaria (finais do Sec.XVIII)

Traje Feminino
Este traje era usado pelas raparigas da zona ribeirinha quando iam às romarias. Era constituido por saia de chita, saiote de cor, saiote branco com bordado, blusa branca de linho ou paninho com rendas, colete de seda ou de fazenda de lã abtuado com atamares de prata cinzelados e debruada a veludo, cinta de lã branca, meias rendadas e chinelas de seleiro de verniz preto. Como complemento o chapéu vareiro, chapéu de meia aba revirada, ornado a fitas de veludo e penas pretas.

Traje Masculino

Utilizado pelos homens aos domingos, em festa e em romarias. Era constituido por calça de fazenda preta, camisa de linho, colete de fantasia, cinta preta ou vermelha, consoante o seu utilizador fosse casado ou solteiro, jaqueta de fazenda preta, bota de couro preto ou castanho.

terça-feira, março 06, 2007

Atingimos os 20.000 visitantes


Caro visitante!

Não esperava que em menos de um ano este blog tivesse tantos visitantes e tão boa adesão.
A divulgação das tradições portuguesas depende de todos nós, para que estas não morram, nem sejam aglutinadas por outras culturas, ditas “dominantes”.
O território de Portugal é povoado desde o princípio da humanidade e como Estado existimos à 8 séculos. História não nos falta.
Estabelecemos a primeira rede de comunicação global, através dos Descobrimentos, hoje podemos usar uma outra rede global, a Internet, para divulgar o que fomos e o que somos.
Este blog é o meu pequeno contributo, o seu, pode passar pela divulgação deste e de outros blogs congéneres.
Obrigado pela sua visita
Carlos Cardoso

Trajes regionais portugueses em emissão filatélica


Os Trajes Regionais Portugueses são o tema de uma edição filatélica dos CTT de 2007. Dez novos selos de 30 cêntimos e um bloco com mais quatro selos, com o valor total de 1,20 euros mostram os trajes tradicionais de todas as regiões, do Minho até aos Açores.
A concepção gráfica desta emissão é de Vasco Marques, que utilizou fotografias de várias origens: Instituto Português de Museus, Museu de Arte Popular, Museu Nacional do Traje, Museu de Ovar e os fotógrafos Carlos Monteiro, Júlio Marques, Laura Castro Caldas, Paulo Cintra e Rui Cunha.
Nos selos dos CTT aparecem os trajes tradicionais das lavradeiras e das noivas do Minho, a capa de honras mirandesa e o vestuário dos Pauliteiros de Miranda, de Trás-os-Montes, e croça dos pastores trasmontanos e da Beira interior, uma capa e uma sobrecapa tecidas de palha que os protegem da chuva e da neve.Os restantes selos mostram uma camisola de pescador do Douro Litoral, as sete saias da Nazaré, o traje das mulheres algarvias do litoral, o capote alentejano e o vestuário dos campinos do Ribatejo.
O bloco filatélico integra quatro selos ilustrados com o vestuário tradicional dos camponeses da Beira Litoral e das camponesas do Ribatejo, o capote e capelo típico dos Açores e a viloa da Madeira.
Assim, através da filatelia, podemos divulgar os nossos trajes tradicionais e contribuir para a sua perpetuação.
Bem hajam pela ideia.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Gabão – Traje de Pescador

António Nabais in “O Traje do Litoral Português”, escreve:
“No traje do litoral, existem traços comuns ao longo de toda a costa marítima portuguesa. Esta característica reflecte a mobilidade dos marítimos, nomeadamente dos pescadores.”…”Numa leitura imediata da iconografia (gravura, desenho, pintura e fotografia) costeira do século XIX e inícios do século XX, verificamos existirem mais semelhanças do que diferenças.”
Um destes exemplos é o gabão, muito utilizado pelas comunidades do litoral, de Caminha a Vila Real de Santo António.
No mar, todos os agasalhos eram poucos, pelo menos no tempo de espera, pelo que além da camisa e da camisola, o pescador envergava um casaco muito velho ou o gabão. Este é um traje para o trabalho no mar, mas também, de luto, como na Póvoa do Varzim ou na Nazaré.
Muito embora se possa encontrar este agasalho em várias regiões do país, genericamente, o seu feitio mantém-se semelhante.
O Gabão era feito de burel, surrobeco ou briche. Apertava com botões ou alamares de prata, um cabeção cobria os ombros e as costas e o capuz protegia a cabeça do vento frio. O tamanho varia, sendo mais comprido e amplo na costa norte até Lisboa e mais curto na costa algarvia.
O gabão usado na Póvoa do Varzim possuía uma característica que os distinguia das restantes regiões, era forrado de branqueta, que também servia para avivar as bandas, cabeção e capuz.
O gabão chega à região de Lisboa trazido pelos pescadores da costa Norte, que se deslocavam sazonalmente à foz do Tejo para a pesca do sável, e que se foram fixando em bairros tão típicos como a Madragoa.
Actualmente, algumas confrarias enólogas e gastronómicas recriaram o gabão e utilizam-no como traje cerimonial.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Morraceiro – Algarve

A recolha da morraça era um recurso de sobrevivência muito comum no litoral algarvio.
A morraça é uma variedade de alga abundante nessa zona costeira e era utilizado como adubo das terras e na alimentação dos animais.
Funcionava como uma actividade subsidiária, sobretudo nos períodos de defeso em que a actividade pesqueira não podia ser exercida, para complementar o rendimento familiar que muitas vezes era minguado. A apanha da morraça era um trabalho essencialmente masculino. De forquilha em riste, o homem recolhia as algas que as ondas lhes lançava aos pés. Após ser recolhida nas ilhas do Sotavento, a morraça era transportada em barcos e, a partir das localidades costeiras, distribuída ao lombo de animais ou em carroças por todo o Algarve.

O homem do mar veste alça de fazenda grossa, de surrobeco cinzento, arregaçadas até aos joelhos, que eram apertadas na cintura com um cordel de sisal entrançado.
As ceroulas, ou calcetas, de tecido de lã azul claro, formando xadrez, chegando à altura da canela.
Anda sempre descalço, no rigor do Inverno usa tairocas de sola de madeira ou tamancos com presilhas de cabedal e meias de lã.
Na cabeça usa o barrete redondo com uma pequena borla, muitas vezes feito com os restos de lã de várias cores. Posteriormente começou a usar o boné de pano grosso, com pala nas orelhas e que aperta debaixo do queixo.
A camisa é de flanela de xadrez de cores garridas, de colarinho chanfrado e mangas compridas.
Para proteger do frio usavam um Gabão de tecido de soriano com capuz, aberto na frente, com mangas compridas, atado com um cordel à cintura.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Traje de Capotilha - Minho

Designado por "traje de capotilha" ou "do Vale do Cávado", o "traje da senhora" foi usado até ao início do século XX em diferentes terras do Minho, com predominância no vale do Cávado, de onde tomou o nome e é considerado como o traje mais representativo da cidade de Braga, não sendo embora o único.
Caracterizado pela cor garrida, este traje usado nas romarias é constituído por uma capotilha, em vermelho vivo para as moças e em azul escuro ou preto para as casadas e mais idosas, guarnecida de veludo, cordões, cetim e vidrilhos, com grandes pontas que, cruzando sobre o peito, iam atar ou prender nas ancas.
Sob a capotilha deixava ver a farta gola de renda da camisa branca de linho, bordada a branco, no peito, ombros e punhos. Sobre a camisa usava um colete de tecido de cor ou linho, bordado a cordões ou lãs, com grandes decotes e "rabos".
A saia de baetilha preta, possuía uma grande roda, guarnecida de veludo liso ou lavrado, fitas, cetim e vidrilhos.
Do conjunto, ressalta o colorido do avental tecido em cores vivas, com tirados de lã, debruados a veludo.
Na cabeça, um lenço branco, em cambraia ou tule, bordado, cujas pontas se prendiam ou atavam sobre o colo.
Calçava meias brancas, rendadas, de linho ou algodão; usaram-se, também meias riscadas a branco e vermelho e chinelas pretas, pespontadas a branco.
Como é hábito da região a abundância de ouro adorna as orelhas e o peito.
Preso cintura trazia o "lenço de pedidos", fartamente marcado a ponto de cruz, com quadras ou frases amorosas.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

O ciclo da lã

Desde sempre o povo deitou mão à matéria-prima que o rodeava adaptando-a às necessidades, nomeadamente para se proteger do frio. Em regiões onde predomina a pastorícia de ovinos e caprinos, a lã é um recurso inestimável para o fabrico de vestuário.
A mecanização simplificou, acabou até por eliminar, processos de produção, tecidos e modos de vida, que hoje, só os mais idosos sabem contar.
A transformação da lã em peça do vestuário passa por várias fases.
A tosquia, normalmente feita em Maio ou Junho, consoante o calor se faz sentir mais cedo ou mais tarde, consisto no corte da lã aos animais com o auxílio de uma tesoura.
A tosquia inicia-se pelos membros inferiores do animal passando ao peito e barriga terminando no lombo. A lã retirada de cada animal dá-se o nome de velo, o qual individualmente é enrolado, ficando para o exterior a parte que se encontrava junto à pele.
Depois da tosquiada, a lã é muito bem lavada, sempre que possível com água tépida, e posta a secar em local apropriado.
A seguir é carpiada, tarefa que consisto em desfazer os nós nela existentes e eventualmente retirar algumas impurezas.


Posteriormente é cardada com as cardas (instrumento com pegas munido do arames curtos e finos) do modo a desenriça-la usando para o efeito o auxílio de uma pequena quantidade de azeite (borrifava-se a lã com o azeite antes de a colocar nas cardas).
À medida que vai sendo cardada é colocada uma sobre a outra, geralmente este trabalho era executado por um homem - o cardador - que se deslocava às casas que possuíam lã para o efeito.

Vem depois a fase da fiação, operação artesanal outrora muito vulgar que chegava a ser motivo para prolongados serões. Com auxílio do fuso a lã é transformada em fio. A fiandeira mune-se de um pedaço de lã que segura com a mão esquerda. Dela puxa um pedacinho que cuidadosamente vai alongando. Coloca-o no friso do fuso (na extremidade mais fina) seguro na mão direita manuseando-o com o polegar e indicador ajudados pelos médio e anelar no sentido do movimento dos ponteiros do relógio. Aos poucos, vai obtendo um fio torcido. Desprende-o do friso e enrola-o na outra extremidade do fuso recomeçando a tarefa. À lã já fiada e enrolada na parte mais larga do fuso dá-se o nome de maçaroca, a qual é depois dobada em novelos. Na fiação da Iã, regra geral, não se utiliza a roca.

Nesta altura a lã está pronta para seguir nova rumo, desta feita a urdidura. É a operação que antecede a tecelagem e que consiste em preparar os fios para dispor no tear, ou seja: paralelos entre si de igual comprimento e separados nas duas séries que, descendo ou subindo cada uma alternadamente, operam o entrecruzar do fio que passa entre elas. A urdidura é preparada num aparelho especial, que consiste numa armação de prumos, a uma distância de 3 a 4 metros onde estão fixos tornos nos quais passam os fios.
Feita a urdidura, monta-se no tear e procede-se a tarefa da tecelagem, utilizando para o efeito também lã.
Estas operações podiam ser feitas com lãs de cores diferentes, por exemplo, urdir com lã branca e tecer com lã preta ou castanha. Ao tecido assim obtido chamava-se sarrobeco e era destinado sobretudo à confecção de calças masculinas.

A lã depois de tecida e retirada do tear apresenta uma textura pouco resistente, "muito rala", a mandil. Há, pois, necessidade de a fazer passar por outra etapa a pisoagem, para garantir consistência e durabilidade que, de outro modo, não possuiria.
A pisoagem era feita no pisão, um engenho artesanal pesado, movido a água e em vias de extinção. O tecido era batido durante o tempo bastante por dois enormes martelos ou malhos de madeira, pesando cada um mais de 50 quilos, molhado com água a ferver, transformava-se numa pasta feltrosa, homogénea, espessa e forte. Ao tecido assim obtido dá-se o nome de burel.
O pisoeiro submetia o sarrobeco a pisão inteiro, meio pisão ou apenas quarto de pisão, consoante o fim a que se destinava. Para as saias a conta era meio pisão, que a pele das pernas apesar de castigada pelo trabalho não suportaria a agressão de um burel duro como tábua, o quarto de pisão bastava para o avental.Com este tecido fabricavam-se calças, coletes, saias, aventais e as tão afamadas capuchas, largamente utilizadas em toda a Beira Interior.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Pelico e safões

Desde o princípio dos tempos o homem a utiliza peles de animais para se cobrir. Servia de protecção contra os rigores do clima e consistia uma camuflagem natural.
Resistindo ao tempo permanece na cultura portuguesa o uso do pelico e dos safões em pele de borrego, sobretudo no Alentejo e regiões serranas da Beira.
O pelico pode apresentar de uma estrutura idêntica a uma casaca com aba comprida ou o formato de um casaco sem mangas. Em qualquer dos casos os cortes ajustam-se à dimensão da pele do animal e à medida do corpo do seu utilizador. As cavas são cortadas de forma a ultrapassarem o ombro, protegendo as espáduas. Existem modelos com ou sem gola e são geralmente abotoados com botões metálicos.
Os safões consistem em dois meios-aventais, cavados, de forma a contornarem as pernas.
Desta forma o pastor protegia-se dos ventos gelados do Inverno.


No Alentejo, por debaixo do pelico e safões, usava camisa de riscado, lenço ao pescoço e chapéu preto, calça de cotim e botas grosseiras.
Por vezes nas calças usava pequenas tiras de sacos de serapilheira para proteger o fundo das calças.
Como utensílio de trabalho usava o cajado (um pau de madeira rija como o marmeleiro), que, no caso dos boieiros, possuía uma ponta mais grossa, no manejo das ovelhas e borregos utilizava uma vara comprida com um gancho à ponta a que se dava o nome de gravato e servia para apanhar os animais pelas patas.
Às costas transportava o almoço, num tarro de cortiça, e o azeiteiro (corno), por vezes se a deslocação era grande levava alforges com mantimentos.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Traje feminino domingueiro de Penude - Lamego


Apesar da proximidade com a cidade de Lamego este traje mantém um cariz popular, pouco influenciado pela moda citadina. Os materiais utilizados são simples mas demonstram algum poder económico da sua utilizadora. Este traje é composto por lenço de seda preto e amarelo, blusa de linho branco, adornada de pequenas rendas brancas, com uma aba sobre a cinta, saia de fazenda de lã preta e avental da mesma cor bordado a azul com motivos florais. Calça meia de renda branca e chinelas de couro pretas. No braço transporta um magnífico xaile de merino preto com bordados e franjas de fita.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Alto Alentejo – Traje de Nisa


O traje de festa da alentejana de Nisa constitui uma peça única em toda a região, de inigualável beleza e riqueza.
Tradicionalmente, a mulher alentejana é educada para ser uma excelente dona de casa, boa mãe e esposa. Desde cedo são-lhe ensinadas as artes da cozinha e dos lavores femininos. Apesar de pobre, a mulher alentejana orgulha-se do asseio do seu lar e dos seus dotes de costureira e bordadeira. As raparigas solteiras dedicavam quase todo o seu tempo livre na manufactura do seu enxoval e era nos pormenores do seu traje domingueiro que marcavam a diferença das demais e expunham a sua habilidade.
A mulher de Nisa, nesta matéria, não difere muito das restantes da sua região. Das suas mãos prendadas saiu um traje de impar beleza para os dias de festa composto por uma saia em tecido de lã vermelho comprida e rodada, com uma barra manufacturada com aplicações em feltro branco ou negro, formando motivos estilizados de flores e folhas encadeadas, de gosto romântico.
Usa uma camisa de quartilhos justa ao corpo e decote redondo, confeccionada em algodão estampado com motivos florais. As mangas são compridas, com macho na cabeça e pregas junto ao punho que abotoa com botão e aselha.
A cabeça era protegida do sol por um lenço de seda lavrado com motivos florais.
Calça meia de linha ou renda e sapatos de pele preta, biqueira redonda e apertados com atacadores de algodão.
Para além da saia, cuja barra é única em toda a região, a mulher de Nisa mostra as suas qualidades de bordadeira no xaile que enverga.
De cor variada consoante o gosto da bordadeira, sendo os mais usuais os brancos e negros, estes xailes bordados inteiramente à mão sobre um tecido de seda ou merino constituem um acessório de vestuário feminino exclusivo, de elevado valor artístico e cultural.
Os xailes bordados à mão com fios matizados, empregam motivos tradicionais comuns aos da olaria, a flora local.
Utiliza-se o ponto torcido ou pé de flor, o ponto cheio, os nozinhos, sendo as cores usadas consoante o gosto e a sensibilidade artística de quem executa o trabalho. Remata-se com franjas de fios de lã. Demorando cerca de dois meses a bordar de modo a permitir que a perfeição da bordadeira sobressaía no resultado final.
Este xaile é de influência espanhola, o que é explicável atendendo à sua proximidade geográfica do país vizinho.


Outros assuntos relacionados neste Blog: Traje Alentejano

terça-feira, janeiro 23, 2007

Capote


Trata-se de uma capa ampla e comprida, com fazenda de lã castanha e gola de pele de borrego da mesma cor. Possui 2 romeiras sobrepostas, aperta na frente com carcela e 4 botões e os bolsos são embutidos com cós.
O capote, sendo um abafo foi concebido para proteger o seu utilizador dos rigores do frio da planície. A gola, usada levantada ou baixa, protege o pescoço. A primeira romeira (sobrecapa) envolve os ombros e as costas, a segunda protege os braços e o peito, tendo um corte que a une à capa a qual cobre inteiramente o corpo até aos pés. Esta longa capa tem uma profunda abertura nas costas permitindo ao seu utilizador andar livremente ou montar a cavalo.
Este é um traje imponente que recorda a capacidade económica do seu proprietário senhor das suas terras.
O abafo típico do lavrador alentejano é o capote, réplica quase fiel da capa romântica da burguesia. Com efeito, o capote militar assertoado, usado nos princípios do século XIX, foi adoptado como indumentária masculina nas décadas seguintes.Dr.ª Madalena Braz Teixeira, catálogo da exposição Trajes Míticos da Cultura Regional Portuguesa (Ed. Museu Nacional do Traje)
 
Os reis D.Carlos I e  D.Amélia usavam-no quando permaneciam em Vila Viçosa, sobretudo nas caçadas ou convívios no campo, e contribuíram para a sua difusão, por mimetismo, pela nobreza e burguesia.
 
Tomaz Ribas, em O Traje Regional em Portugal, caracteriza bem a função desta peça de indumentária.
Se o pelico e os safões constituíam o abafo no trabalho, o capote era um luxo que os homens não dispensavam. Todo o rapaz desejava adquiri-lo antes de casar, como prova de que conseguiria gerir com cabeça as suas economias, dando provas que tinha assento. Só por isto, o rapaz era já considerado um bom partido. A aquisição do capote significava também ter chegado à fase adulta.