terça-feira, julho 31, 2007

Apanhador de Medronho – Algarve

Uma das bebidas mais populares e apreciadas do Algarve é sem dúvida a aguardente de medronho.
O trajo de trabalho do homem algarvio era geralmente sempre o mesmo, sofrendo pequenas alterações com a introdução de algumas peças ou acessórios específicos para o desempenho de determinada actividade.
É o que sucede com o trajo do apanhador de medronho, já que, ao vestir um par de ceroulas sobre as calças de cotim, procura protege-las das nódoas causadas pelos frutos maduros. Estas manchas eram difíceis de retirar dos tecidos de cor, mas facilmente eliminados do tecido branco, após sucessivas barrelas e coras.
Este trajo era composto por uma camisa de riscado, com cós e peitilho. “Gribalda” de riscado preto e branco com cós, espelho e frente franzida, abotoada e com as pontas atadas sobre a cintura. No peito, do lado direito, uma algibeira com pala e botão, onde guarda o tabaco. As calças eram de cotim azul, sobrepostas por ceroulas de pano cru, ajustadas nos tornozelos com fita de nastro. Na cabeça, chapéu preto de aba larga e copa redonda. Calça botas de atanado. Na mão, segura um cesto de cana com asa a tiracolo.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004


Site recomendado: São Bartolomeu de Messines

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segunda-feira, julho 30, 2007

Cabreiro – Algarve

O traje do cabreiro não difere do trajo do trabalhador rural, apenas nos acessórios específicos para a actividade a que se dedica.
Consigo traz tudo o que necessita para o seu dia atrás do rebanho de cabras.
A “balsa” de esparto para a merenda, a cabaça para a água, o “cucharro” de cortiça para beber, o cajado para se apoiar, a funda para atirar pedra.
Nestas longas e lentas caminhadas pelos campos a flauta é a sua companheira.
Veste camisa de riscado, fechada na frente por botões de osso, sobre a qual usa um colete de cotim. Sobre estas duas peças uma outra camisa de riscado azul e branco, atado à frente, ao nível da cintura, com um nó, sendo guarnecida com um bolso no peito, onde guarda o tabaco. Calças de cotim idêntico ao colete, protegidas por safões de pele de carneiro, ajustados na cintura e na parte interior das pernas, com presilhas e botões. Reforçando a protecção das pernas usa polainas de couro, fechadas com presilhas. Calça botas de carneira.
Na cabeça usa chapéu de feltro de aba larga e ao pescoço traz um lenço tabaqueiro para limpar o rosto do suor.

Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
Site recomendado: São Bartolomeu de Messines
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Traje de Festa Feminino – Ílhavo – Beira Litoral

Trata-se de um trajo de festa em que existe uma clara afirmação do poder económico da mulher, não só pelos adornos, com pelo uso do mantéu, um elemento imprescindível do traje de luxo, coroado pelo magnifico chapéu, tão grande que se torna necessário usar presilhas para segurar a aba à copa.
Veste camisa de linho, com um pequeno cós guarnecido de renda larga, abotoada à frente com botões de tremoço, forrados a tecido, manga comprida com punho. Colete de seda lavrada, vermelho-vinho, debruado a preto, ajustado na frente com cinco pares de botões de prata e respectivas abotoaduras. Saia de tecido de lã preta, comprida, franzida na cintura e guarnecida em baixo com barra de veludo recortada e contornada com galão. Sobre a anca, faixa cor de vinho, que não ajusta, e algibeira preta bordada, suspensa na cintura.
Envolvendo o corpo usa um amplo mantéu preto, com cabeção largo de veludo guarnecido a galão e frentes debruadas também a veludo e galão.
Na cabeça usa um lenço lavrado, com as pontas laterais levantadas, acompanhando a larga aba do chapéu de presilhas, presas à copa e rematadas com pompons.
As chinelas pretas e as meias brancas eram acessórios indispensáveis neste trajo.
Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
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quinta-feira, julho 26, 2007

Traje de Luto – Póvoa do Varzim – Douro Litoral


No século XIX, seguiam-se regras severas para o traje de luto. Para parentes próximos, usava-se o preto durante meses ou até anos. Para parentes distantes, as roupas possuíam detalhes em preto. Quando o príncipe Alberto morreu, em 1861, a rainha Vitória enlutou-se e ajudou a promover uma grande voga de roupas pretas.
Na tradição popular portuguesa o luto era profundamente vivido e socialmente controlado.
Essa vivência fazia com que fossem colocados de lado os trajos mais vistosos, muitas vezes para o resto da vida, como aconteceu com o traje de branqueta da Póvoa do Varzim após o naufrágio de 1892, que enlutou a maioria das famílias dessa região, apenas sendo ressuscitado em 1936 por Santos Graça.
Durante o luto, o homem poveiro usava camisa ou camiseta preta. Se possuía fato preto, usava-o, quando o não tinha, punha o fato de trabalho mais escuro e colocava na cabeça um casaco pendurado pela cava interior de uma das mangas.
O uso do Gabão também era comum. Este era feito de tecido de lã castanha (saragoça) com cabeção, capuz e mangas compridas. Nas frentes, carcela e bolsos metidos a costura era pespontada a branco. Forro de branqueta. O capuz cobria não só a cabeça, mas ocultava o próprio rosto, resguardando-o de olhares estranhos.


A mulher usava casaco e saia pretos, lenço preto na cabeça, embiocado, e uma saia de costas, também preta, muito semelhante à saia de vestir, com pregas miúdas junto à cintura, embora mais curta e com menos roda. Colocada sobre a cabeça, envolve o corpo até à cintura.
O trajo de luto anulava praticamente a figura da mulher. Como sinal de tristeza profunda, de renúncia ao conforto e desprendimento dos bens materiais, esconde o rsoto dos olhares intrusos e anda descalça.

Fontes:
O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
O Traje do Litoral Português, Câmara Municipal da Nazaré – Museu Etnográfico e Arqueológico Dr. Joaquim Manso, 2003
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Trajos da Eira – Boidobra – Beira Baixa

Estamos perante trajos de Verão, usados aquando da limpeza do cereal na eira. Os tecidos são simples e frescos, cobrindo todo o corpo, evitando que o pó entre em contacto com a pelo, causando irritações desagradáveis.
A mulher no trabalho da eira usa blusa de algodão riscado, com pequena gola em banda, abotoada à frente com botões, manga comprida com punho. Saia de tecido de algodão vermelho, franzida na cintura e protegida na frente por um avental comprido de algodão estampado, com bolsos.
Na cabeça usa um lenço de algodão estampado, com as pontas laterais atadas sobre o chapéu de palha de abas largas, calça socos com rasto de pau. São instrumentos de trabalho a pá e o forcado.

O homem veste camisa de algodão de manga comprida, ou, por vezes, apenas a camisola interior de malha. Veste calças de cotim em tons de azul, ajustadas na cintura pela faixa preta. Por debaixo das calças, veste ceroulas de tecido de algodão, ajustadas junto aos tornozelos com fita de nastro. Na cabeça, para proteger do impiedoso sol de Verão, chapéu de palha de aba larga e ao pescoço lenço tabaqueiro, que lembra a necessidade de limpar o suor do rosto durante o trabalho árduo.
Calça socas sem meias. Como instrumento de trabalho usa o malho e para aplacar a sede traz presa à cinta uma cabaça.

Fonte: Ribas, T., O Trajo Regional em Portugal, Difel, 2004

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quarta-feira, julho 25, 2007

Romeiros da Senhora da Atalaia – Montijo


A romaria à Senhora da Atalaia remonta ao sec.XVI, época em que os empregados da alfândega de Lisboa prometeram dedicar uma romagem anual ao santuário se Lisboa ficasse livre da peste. Este círio ganhou grande importância no reinado de D.José I.
Num pequeno monte junto ao Montijo, foi edificada uma ermida que conheceu momentos de grande afluência de romarias. Os círios provinham de muitas localidades e alguns de mesteres profissionais.


A grande festa dos círios era, como ainda hoje, no último dia de Agosto, altura em que acorriam os círios e muito povo.
Sendo uma das grandes manifestações de religiosidade popular da margem sul do Tejo, naturalmente, os trajos exibidos nestas ocasiões são os de festa, a que associam acessórios de carácter religioso e de significado prestigiante para o seu portador.




No início do sec.XX um dos trajos apresentados pelos homens em romaria era descrito como usando camisa de linho branca, colete de tecido de lã castanho, com gola de rebuço e acertoado na frente, com bolsos, de onde pendia a corrente do relógio. Calças de tecido idêntico ao do colete, ajustadas com cinta preta, e lenço tabaqueiro no bolso. Na cabeça, chapéu de feltro de aba larga, direita. Calça sapatos pretos.
Segura a bandeira com a imagem da Senhora da Atalaia e no peito exibe a medalha, indicando ser um dos compradores dessa bandeira.
A mulher apresenta blusa com gola, frentes com encaixe decorado com folho e pregas contornadas com renda aplicada, manga folgada com punho. Saia de tecido de lã, decorada com listas em tons de verde, franzida na cintura e debruada na orla. Avental branco, comprido, bordado com motivos florais. Segura um xaile preto de merino e um alguidar e a toalha de rosto, peças imprescindíveis para cumprir o ritual da festa, ou seja, a tradicional lavagem do rosto com água da Fonte Santa.

Fonte: Ribas, T., O Trajo Regional em Portugal, Difel, 2004
Site recomendado: Rancho Etnográfico de Danças e Cantares da Barra Cheia

terça-feira, julho 24, 2007

Trajo de Festa – Paços de Brandão – Beira Litoral

Lavradeira Rica

Este traje do final do sec.XIX, é composto por casaquinha curta, preta de tecido de seda lavrada, decote redondo deixando ver o folho branco que guarnece o cós da camisa. A frente é abotoada e decorada com fitas de seda franzidas e orla rematada com folho de renda ou seda. As mangas são compridas deixando ver junto aos punhos o folho da camisa.
A saia é de tecido idêntico ao da casaquinha, franzida na cintura, decorada com aplicação de galão preto e fita de cetim na extremidade.
Na cabeça usa um chapéu de feltro preto, com abas de veludo acompanhando a copa e bordada com motivos florais policromados. Podia ainda usar um chapéu de plumas ou uma “chapelinha de pêlo de cartola”, com a aba ondulante, profusamente decorada com fitas de seda, flores e aplicações de metal. Esta chapelinhas colocam-se sobre a cabeça por cima de um lenço de renda branca, deixando as pontas cair livremente nas costas.
O peito é ornamentado com cordões e diversas peças em ouro, usando nas orelhas brincos barrocos.
Nas mãos segura uma bolsa de seda bordada. Calça meias brancas rendadas e chinelas pretas.

Traje Masculino

Neste traje tem especial destaque o colete bordado pelas mulheres. Cada uma conforme as suas posses e conhecimentos destes lavores, esmerava-se na sua composição e na selecção dos pontos a aplicar. Os homens exibiam com vaidade e orgulho estas peças únicas e especificas de Paços de Brandão, para celebrar ocasiões especiais.
Além destes coletes os homens usavam camisa de algodão branco com colarinho de pontas arredondadas, ajustando com fita estreita de cetim, peitinho decorado com nervuras, abotoada na carcela. O colete é de tecido preto de rebuço e bolsos. As calças são de tecido de lã preta, aconchegadas na cintura por uma faixa de lã vermelha. Na cabeça, chapéu de feltro preto, de copa direita e aba larga. Calça botinas de pele preta.

segunda-feira, julho 23, 2007

1º Aniversário



Há cerca de um ano embarquei nesta aventura de criar um blog sobre trajes populares portugueses, confesso que não fazia a mais pálida ideia no que me estava a meter.
Embora possuindo um acervo de imagens e descrições de trajes com alguma dimensão, não estava preparado para manter o ritmo de publicações que me foi solicitado, o que me obrigou a efectuar pesquisas constantes.
É verdade que parte dos trajes descritos proveio de sites de ranchos folclórico, a quem, merecidamente, faço sempre referência, mas, infelizmente, a maioria dos grupos ainda não se apercebeu do potencial da Internet para a sua divulgação e consequentemente da cultura tradicional que representam.
Embora tenha a colaboração de alguns grupos, outros nem respondem à minha correspondência, o que lamento profundamente.
Quando pedincho a colaboração dos grupos não é com intenção de me apossar de nada, já que não tenho proventos deste trabalho, apenas pretendo divulgar um património que é de todos nós, e do qual já muitos não temos memória.
Por outro lado, a net permite-nos perpetuar e espalhar por todo o mundo essas tradições.
Agradeço a colaboração de todos, grupos e particulares, pelo que apelo à vossa disponibilidade para divulgarem os vossos trajes.
O meu muito obrigado aos leitores que visitam o blog, sobretudo aos que deixam o seu comentário, sempre gratificante e com os quais me emociono, sobretudo se são de pessoas que estão do outro lado do mundo.
A todos bem hajam!
Da minha parte, comprometo-me a continuar a divulgar os trajes de Portugal.

Com elevada estima
Carlos Cardoso

quinta-feira, junho 28, 2007

Condutor ou Roçador de Tojo - Alcochete

Este traje retrata uma profissão da região de Alcochete que existiu nos finais do século XVIII princípios do XIX.

Era usado pelo condutor ou Roçador de Tôjo procedia à limpeza dos matos e recolha da carqueja, ao mesmo tempo que caçava. O mato que abundava nos campos de Alcochete, que era depois transportado pelos barcos que atravessavam o estuário do rio Tejo, sendo utilizado no aquecimento dos fornos do pão que alimentavam Lisboa.

Usava calções e camisa branca, camisolão de malha, colete azul com botões de madeira, cinta vermelha, barrete vermelho debruado a castanho, meias de lã e plainas de cabedal que serviam para defender as pernas do Tojo.

quinta-feira, junho 21, 2007

Trajes de Romeiros de Braga – Baixo Minho

Traje Feminino de Sequeiro
(inicio sec.XX)
A designação deste traje provém da localidade de Sequeiro, onde as tecedeiras imprimiam um cunho muito particular nos tecidos dos aventais. São também muito singulares os chapéus com fitas, penas e o espelhinho, usados pelas raparigas desde o Rio Este, até perto de Vila do Conde.
A camisa de linho de corte tradicional, com decote e punhos guarnecidos com folho bordado. É bordada a ponto vermelho sobre o peito, ombros mangas e punhos. A saia à de tecido preto “baetilha” com ampla roda, franzida na cintura e decorada na barra com veludo e bordados de vidrilhos e fitas. Colete de rabos, vermelho, preto ou estampado com motivos florais, ajustado na frente com cordão. O avental pequeno de tecido de lã manual, decorado com motivos geométricos, orla guarnecida com uma tira de lã preta recortada. Usa uma algibeira de onde pende o lenço ricamente bordado. Na cabeça, lenço de tule branco bordado, com as pontas soltas, coberto por um chapelinho de feltro, guarnecido com fita preta de pontas pendentes atrás e pequeno espelho na frente. Calça meias rendadas de algodão branco e chinelas pretas. Sobre o peito, as tradicionais peças de ouro, fio de contas, cordões, cruzes, medalhas e nas orelhas pendem brincos “à rainha”.


Trajo do Homem (sec. XIX)
Camisa de linho com cós pequeno, apertada no peito, com carcela e peitilho decorado com bordados a ponto cruz vermelho, sublinhado a preto, tradicionalmente efectuados pela noiva, “conversada”. Sobre a linha da cintura era bordado o nome do rapaz ou a palavra “amizade”. A manga da camisa era comprida terminando com punho. Calça comprida ajustada na cintura com faixa vermelha para os solteiros ou preta no caso dos casados. Veste colete de fazenda de lã ou jaqueta de astracã preta com gola e alamares de prata, com bolsos e mangas debruados.
No pescoço lenço de “namorados” ou de “pedidos” de tecido branco de algodão, bordado com motivos florais, era revelador do comprometimento do rapaz para com a rapariga que o ofereceu. Sapatos de vitela revirada ou pretos.A indumentária do homem não estaria completa sem o chapéu, inseparável na protecção da cabeça e o pau, com a dupla função de arma de defesa ou de apoio para descanso.

segunda-feira, junho 18, 2007

Encontrão 2007


No passado fim-de-semana (16 e 17 de Junho) realizou-se o Encontrão 2007, na Aula Magna da Universidade de Lisboa.
Uma organização do INATEL que englobou a Festimúsica, Concurso Nacional de Música, a Teatrália, Concurso Nacional de Teatro, e a Final Nacional do Concurso Etnográfico Henrique Rabaço.
A Banda Filarmónica Simão da Veiga da Casa do Povo de Lavre foi a grande vencedora do Concurso Nacional de Música com o espectáculo “O Grande Livro da Fantasia”.
Do Concurso Nacional de Teatro saiu vencedora a Associação Desportiva Cultural de Subportela com o “Auto de S.João”.
O Concurso Henrique Rabaço foi bastante concorrido, com a presença de 17 grupos, que disputaram a final nacional com espectáculos de elevada qualidade etnográfica.
“Alma e Coração das Gentes da Beira Alta nas Romarias” foi o espectáculo apresentado pelo Grupo Cultural e Recreativo de Santo Amaro da Azurara, em representação do Distrito de Viseu, mereceu o 3º lugar.
O 2º lugar coube ao grupo Cantadeiras do Vale do Neiva, que apresentou “Carpir e Amentar as Almas”.
Representando o Distrito de Castelo Branco, o Rancho Folclórico da Boidobra arrebatou o 1º lugar do Concurso Henrique Rabaço.
O espectáculo “À Rebatina” retratou uma noite de Natal e o Cantar das Janeiras, passando pela Quaresma e terminando na Páscoa com as crianças à rebatina e os habituais bailes na aldeia da Boidobra, em princípios do séc.XX.
Este grupo tem tido um importante papel na preservação dos usos e costumes da região de Castelo Branco, tendo mesmo vencido este mesmo Concurso em 2005.
O Encontrão terminou com a apresentação dos vencedores dos três concursos, coroando mais uma bem sucedida organização do INATEL.

quarta-feira, junho 13, 2007

Traje de Festa da Batalha – Estremadura

Blusa de tecido de algodão cor-de-rosa, com cós e encaixe decorado no centro com fitas pretas aplicadas; frente com macho ao meio abotoada ao lado. Sobre a linha da cintura, cinto do mesmo tecido aplicado. Saia comprida de tecido de algodão estampado, com pequenos motivos florais, franzido na cintura, decorada na orla com refegos e fita preta aplicada.
Na cabeça, usa lenço de algodão com motivos policromados, atado na nuca, sob o chapéu janota, cuja aba é enfeitada com plumas.
Suspensa da cintura, surge uma algibeira de retalhos guarnecida com renda. Traz na mão uma saquinha de tecido estampado. Calça meias de algodão lisas e sapatos pretos.
Sobre o peito, usa cordão de ouro com medalha e brincos compridos nas orelhas.

segunda-feira, junho 04, 2007

Trajes de Gloria do Ribatejo

Encontrei recentemente o Rancho Folclórico “As Janeiras” de Glória do Ribatejo, que me fizeram o favor de descrever os seus singulares trajes do início do sec.xx.
Dna Rosário, começou por explicar-me que este não é um traje de festa, mas para ao domingo irem à praça procurar trabalho, servindo o mesmo à 2ª feira, quando se deslocavam para as herdades trabalhar.
Na impossibilidade de adquirirem tecidos mais vistosos as raparigas bordam e decoram as peças de vestuário conseguindo efeitos admiráveis. Este traje era confeccionado pelas mulheres para uso próprio, muitas vezes às escondidas, para que não houvesse outro igual, é um exemplo do engenho e da arte feminina.
Na cabeça usam um lenço de algodão arranjado de uma forma única, cruzado na nuca e atado no alto, onde se reúnem as pontas das costas, de forma a formar uma espécie de touca, sempre presos com alfinetes de cabeça preta.
A blusa, a que chamam casaco, é de manga comprida e confeccionada em gorgorina, sendo ricamente ornamentada com bordados, favos de mel e muitas preguinhas no peito (que necessitam de ser passajadas antes da lavagem, para que não se desmanchem). Aberto na frente, com abas, pode ter gola ou colarinho, conforme o gosto da mulher.
No peito, como sinal de compromisso, traziam a fotografia do namorado.
Na cintura, usam um cinto preto para adelgaçar a silhueta, a bolsa das moedas e um lenço bordado, para limpar as mãos do suar quando se dançava.
O avental era abundantemente bordado a ponto cruz, ou de tecido estampado. Quando usavam o dedal e a “melhadura” presa no avental, era sinal de que já tinham um compromisso com um patrão e que não poderiam aceitar outra oferta de trabalho.
A saia de cima era confeccionada em “chita aos olhos” ou em escocês e enfeitada a gosto. As saias de baixo (3) eram enfeitadas com bicos a condizer. O conjunto das saias e avental era apertado nas ancas por uma cinta, onde era bordado de forma visível o nome do namorado.
As mais abastadas usavam sapatos de carneira pretos (sem meias), enquanto que as demais traziam tamancos.
Como adorno, pendiam das orelhas, argolas “à moía”, chinesa ou brincos “à Coimbra”.
Como abafo punham sobre os ombros ou da cabeça, uma saia de castorinha.
Nos braços ou à cabeça, transportavam um saco, também ele feito e decorado a gosto, contendo a janta de 2ª feira, 1º dia de trabalho, já que os restantes mantimentos só chegavam às herdades mais tarde.



O traje do homem era também confeccionado pelas mulheres, era constituído por colete e calças pretas, barrete ou chapéu. Os homens que usavam chapéu, a quem chamavam “singualeiros”, eram detentores das suas próprias terras.
As camisas de riscado eram feita á mão e ornamentada a gosto.
Tal como a mulher, também o homem usava sinais exteriores do seu compromisso.
Desde logo, a bolsa do relógio, que usava no bolso do colete era feita pela namorada, bem como o “lenço dos amores” que usava preso à cinta. A cinta era preta, com bordado policromado a gosto, utilizando-se motivos naturais e florais.
Calçava sapatos de atanado pretos.

quarta-feira, maio 16, 2007

Trajes de São Miguel - Açores

TRAJO POBRE DE MULHER E CAMPONÊS
Ela com a tradicional saia de estemenha tecida no tear manual todavia mais rústica com barras simples, somente às riscas ou bordada com bicos, o seu avental com cores ao contrário das saias e também com riscas na parte inferior como a saia ou então de pano xadrez com patrona, a camisa de linho branco ornada com refegos, rendas e entremeios brancos, as suas galochas de madeira e couro, o lenço sempre enramado com cores muito garridas e tons a condizer com a saia bem ao gosto campesino, o saiote e calção de pano branco com as suas rendas e entremeios brancos. Ele com calça de cotim, com suspensórios e fivela atrás, camisa de linhaça branca com riscado branco e azul, com algibeira grande onde era guardado o rolo de tabaco, casaco de cotim podendo ser da mesma cor das calças ou não ou ainda de outro tecido de cor mais ou menos idêntica, casaco conhecido como guarda pó, na cabeça carapuça de lã, e as típicas alpercatas.

CAPOTE E CAPELO E TRAJO DE LÃ RICO MASCULINO
Ela com trajo sóbrio de lã preta podendo ser azul escuro, composto de manto e capelo com saia de estemenha vermelha com ornamento preto na parte inferior, camisa de linho com rendas, entremeios e refegos, avental de linho branco bordado, lenço da cor da saia garrido e sapato abotinado antigo muito usado até ao início deste século, embora remonte ao sec. XVI. Ele com fato de lã preto composto por calças únicas só com aberturas nos lados, casaco com algumas ornamentações também a preto, jaleque, camisa de linho branco bordada a azul, chapéu de lã preta por fora, e feltro vermelho por dentro com abas sobre as costas e botas pretas com vermelho no bordo. Este é um trajo usado pelos camponeses abastados do campo. Existe um original no Museu Carlos Machado (São Miguel, Açores) onde o Grupo efectuou a respectiva recolha.

TRAJO RICO
Ela com a tradicional saia rica de estemenha tecida no tear manual com barra bordada, bordado esse muito trabalhado, cobrindo grande parte inferior da saia, o seu avental também tecido no tear com mesmo tecido, é como a saia bastante bordado em contraste com a saia, as cores da saia e do avental são sempre garridas, passando pelo azul e rosa, suspiro e azul, e preto e vermelho, a camisa de linho branco com refegos ornada com rendas e entremeios, nesse trajo vê-se rendas e entremeios muito ricos e em grande quantidade, o lenço geralmente da cor do bordado da saia, muitas vezes bordado da cor do fundo da saia, até mesmo com quadras de amor, as galochas que nesse trajo são de madeira com pano bordado, as meias de renda e na roupa interior o saiote e calção ornamentados com rendas e entremeios brancos. Ele com o tradicional fato de estemenha tecida no tear manual, composto por calças, casaco e jaleque, o casaco leva na beira um arremate preto e nos braços uns botões de cores vivas, e estes eram consoante a condição social mesmo dentro dos camponeses abastados, chapéu de feltro azul escuro por fora e vermelho por dentro com abas compridas sobre as costas, as típicas botas de couro preto com bordo vermelho na parte superior do cano, a sua camisa de linho branco bordada a azul com refegos na qual a mulher ponha todo o seu esmero, pois tinha muito orgulho no bordado da camisa que o marido usava, este trajo era usado pelos camponeses abastados do campo, e não por nobres ou burgueses, também podia ser de lã preta pura como um original que se encontra no Museu Carlos Machado ( São Miguel, Açores) onde este grupo fez a recolha embora esse não tenha os botões mas sim outros ornamento.

TRAJO REMEDIADO
Ela com a tradicional saia de estemenha tecida no tear manual com barra também bordada embora mais simples, o seu avental também ele tecido no tear e bordado a condizer com a saia e as cores a contrastar.A camisa de linho branco com refegos, ornada com rendas e entremeios brancos, as suas galochas de madeira e couro, o lenço liso da cor do bordado da saia ou ainda garrido enramado a condizer com as cores da saia, na roupa interior o saiote e o calção de pano branco com as suas rendas e entremeios brancos.Ele Calça de estemenha com calças e casaco, camisa de linho com refegos e botas de couro preto com barra vermelha na parte superior do cano.
Texto original do Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva, S. Miguel

segunda-feira, abril 09, 2007

Tricanas de Coimbra 1900

José Augusto Teixeira remeteu-me uma imagem de duas tricanas aguadeiras de cerca de 1900, junto ao Jardim da Sereia em Coimbra, extraída do livro “Coimbra e Região” de Nelson Correia Borges.
Fica aqui uma prestimosa colaboração que muito agradeço.

No texto podemos ler:

SÃO AS TRICANAS

Como tudo o que é de Coimbra – bom e mau – se não parece com mais coisa nenhuma, as tricanas de Coimbra são também elas sós, e, por conseguinte – incomparáveis!
Como andam sempre muito afinadinhas, desde os pés até à cabeça vão-se os olhos a olhar para elas, e fica a gente a dizer consigo que nunca viu mulheres assim … Sua chinelinha de biqueira, em que só lhes cabe metade do pé; sua meia branca, ou às riscas, muito esticada; saia de chita, das cores mais claras, deixando ver os tornozelos e acima dos tornozelos duas polegadas de perna; aquela aventalinho muito pequenino, que é mais um chic do que outra coisa: o chambre de chita clara, aberto no peito em decote quadrado; e então o xaile de barras, ou a capoteira, passando por baixo do braço direito, e lançando (com elegância que se não descreve, mas que os estudantes copiaram para as suas capas) por cima do ombro esquerdo!
Ao algo de tudo isto, uma cara quási sempre bonita, e espirrando sempre vivacidade; e naqueles braços, naquelas pernas, naquele busto, quando gesticulam, quando marcham, quando estão paradas, qualquer coisa que deve ser a própria graça – como só artistas a apreciam!
São as tricanas!
Trindade Coelho, in illo tempore

quarta-feira, abril 04, 2007

Trajes da Ilha Terceira – Açores

O Grupo Folclórico e Etnográfico da Ribeirinha "Recordar e Conhecer" representa algumas das figuras típicas da freguesia da Ribeirinha – Ilha Terceira.

De seguida são descritas algumas destas figuras, sobretudo as associadas à agricultura e pesca, não dispensa, no entanto, uma visita ao site do grupo e aos restantes trajes ai apresentados.
São todos trajes do sec. XIX e início do sec. XX.

PESCADOR
Calças de cotim, camisola de lã de gola até ao pescoço e dobrada, calça tairoca ou descalço, na cabeça um chapéu de palha e no topo da copa uma boina.
Como adereços associados à arte da pesca traz um enchelevar, cesto, jogada, "tenaz", graveta e uma lanterna de madeira .

O LEITEIRO
Calça de cotim, camisa de pano riscado, camisola de linho e ceroulas (ciroilhas) de pano branco, descalço, se chovia usava galochas de couro, cobre a cabeça uma barreta cónica lã de ovelha, levava um pau de carreto ao ombro carregado nas duas extremidades com duas latas cheias de leite, na mão esquerda, apoiada sobre o pau duas medidas de quartilho e meio quartilho, e na direita um grande bordão. Assim começava o seu dia de labuta.
Usa um pau de carreto, duas latas de leite, duas medidas, uma de meio quartilho e outra de um quartilho e um bordão.


MULHER DOS BORDADOS
Saia de pano fino estampado com folho alto e um viés a distinguir a saia, casaquinho cintado com um folho a meio dos botões, avental, manga comprida com um folho à volta, sobre a cabeça um lenço de lã, calça galochas de couro, meias de algodão, no interior, saia e calção, levam à volta uma renda, todas estas rendas confeccionadas pelas próprias pessoas. Numa saca de chita transporta os bordados que leva e traz de Angra.


MULHER DO CARMO
Vestido e escapolar cor castanha, saia e calção de pano branco, calça sapatos pretos e meias de musse, na cabeça uma mantilha preta. Esta veste servia para pagar promessas, se havia um sobrinho ou filho muito doente, esta Senhora vestia esta veste para o resto da sua vida

MULHER RURAL - Vendedora de manteiga ou queijo
Saia de tear barrada (lã de ovelha), casaquinho de chita cintada, lenço de lã, meias de algodão, galochas de atanado, saia e calção de pano branco com renda. Na mão leva um cesto com pêlos de manteiga cobertos com folha de couve.

PASTOR DE TOIROS
Calça de cotim militar, camisa normal, camisola branca de pano branco, ciroilhas ou (ceroulas) de pano branco, sapatas de pneu e chapéu preto de feltro de copa redonda.
Como instrumentos de trabalho usa: Bolas de couro, bolas de metal e um bordão.


MULHER DO MONTE
Saia tecida de lã de ovelha, casaquinho de fazenda cintado ou cutão com nervuras, saia interior e calção de pano branco, com renda ou bordada de algodão, calça galochas bordadas, meia grossa de algodão, lenço de lã antigo e xaile. Como se dirige para a missa leva consigo o missal e terço.

terça-feira, março 20, 2007

Traje de Ceifar de Carreço - Minho

A caminho do concelho de Caminha, mas ainda em Viana do Castelo, existe a freguesia de Carreço, muito conhecida pelo seu moinho de vento à beira-mar e pela ligação da sua população, simultaneamente, ao mar e à terra. O traje mais característico desta freguesia é o Traje de Ceifar, que era usado para o trabalho no campo.
A mulher veste uma saia abregastada, saia essa tecida com algodão e lã de ovelha, fiada, tingida em casa e depois tecida, com barra quadriculada branca e preta com forro de fazenda preta. Avental tecido no tear com riscas largas vermelhas e outras mais finas verdes e pretas. Camisa de linho branco sem bordados. Colete de fundo vermelho e barra preta debruada a fitas de lã e aperta com atacador. Lenços amarelos ou vermelhos simples no peito e na cabeça. Chapéu de palha de aba larga. Perna nua e socos. Pode ser na variante preto ou vermelho.
Não se usam adornos: nem brincos, nem cordões.


O homem usa calças de fraldilha no tear em lã castanha. Camisa de linho com estopa sem bordados. Chapéu de palha. Calça socos ou chancas conforme o trabalho que executa. Pode ser na variante calças de cotim e chambre.

sexta-feira, março 16, 2007

Região do Vouga - Trajes de Romaria (finais do Sec.XVIII)

Traje Feminino
Este traje era usado pelas raparigas da zona ribeirinha quando iam às romarias. Era constituido por saia de chita, saiote de cor, saiote branco com bordado, blusa branca de linho ou paninho com rendas, colete de seda ou de fazenda de lã abtuado com atamares de prata cinzelados e debruada a veludo, cinta de lã branca, meias rendadas e chinelas de seleiro de verniz preto. Como complemento o chapéu vareiro, chapéu de meia aba revirada, ornado a fitas de veludo e penas pretas.

Traje Masculino

Utilizado pelos homens aos domingos, em festa e em romarias. Era constituido por calça de fazenda preta, camisa de linho, colete de fantasia, cinta preta ou vermelha, consoante o seu utilizador fosse casado ou solteiro, jaqueta de fazenda preta, bota de couro preto ou castanho.

terça-feira, março 06, 2007

Atingimos os 20.000 visitantes


Caro visitante!

Não esperava que em menos de um ano este blog tivesse tantos visitantes e tão boa adesão.
A divulgação das tradições portuguesas depende de todos nós, para que estas não morram, nem sejam aglutinadas por outras culturas, ditas “dominantes”.
O território de Portugal é povoado desde o princípio da humanidade e como Estado existimos à 8 séculos. História não nos falta.
Estabelecemos a primeira rede de comunicação global, através dos Descobrimentos, hoje podemos usar uma outra rede global, a Internet, para divulgar o que fomos e o que somos.
Este blog é o meu pequeno contributo, o seu, pode passar pela divulgação deste e de outros blogs congéneres.
Obrigado pela sua visita
Carlos Cardoso

Trajes regionais portugueses em emissão filatélica


Os Trajes Regionais Portugueses são o tema de uma edição filatélica dos CTT de 2007. Dez novos selos de 30 cêntimos e um bloco com mais quatro selos, com o valor total de 1,20 euros mostram os trajes tradicionais de todas as regiões, do Minho até aos Açores.
A concepção gráfica desta emissão é de Vasco Marques, que utilizou fotografias de várias origens: Instituto Português de Museus, Museu de Arte Popular, Museu Nacional do Traje, Museu de Ovar e os fotógrafos Carlos Monteiro, Júlio Marques, Laura Castro Caldas, Paulo Cintra e Rui Cunha.
Nos selos dos CTT aparecem os trajes tradicionais das lavradeiras e das noivas do Minho, a capa de honras mirandesa e o vestuário dos Pauliteiros de Miranda, de Trás-os-Montes, e croça dos pastores trasmontanos e da Beira interior, uma capa e uma sobrecapa tecidas de palha que os protegem da chuva e da neve.Os restantes selos mostram uma camisola de pescador do Douro Litoral, as sete saias da Nazaré, o traje das mulheres algarvias do litoral, o capote alentejano e o vestuário dos campinos do Ribatejo.
O bloco filatélico integra quatro selos ilustrados com o vestuário tradicional dos camponeses da Beira Litoral e das camponesas do Ribatejo, o capote e capelo típico dos Açores e a viloa da Madeira.
Assim, através da filatelia, podemos divulgar os nossos trajes tradicionais e contribuir para a sua perpetuação.
Bem hajam pela ideia.