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terça-feira, novembro 27, 2007
Cante alentejano - Cuba - Alentejo
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Trajos de Trabalho Saloios – Estremadura
Os trajes que vos vou apresentar são cópias fiéis dos usados pelos nossos antepassados nos fins do séc. XIX até aos anos 20 / 30 do séc. XX na Região Saloia.Estes são apresentados pelo Rancho das Lavadeiras do Sabugo, o mais antigo representante das danças e cantares das Lavadeiras e Carroceiros do Concelho de Sintra.
Já apresentei neste blog o traje de lavadeira quando se dirigia a Lisboa para receber e entregar roupa ás freguesas.
Este que agora vos descrevo era usado no trabalho, quando lavava a roupa nas ribeiras ou nos tanques da aldeia, assim, a mulher vestia blusa florida de chita com gola de gargantilha, abotoada na frente e manga comprida com punho.
Saia comprida de fazenda aos quadrados e avental de riscado. Por baixo, saiote e colotes de pano branco decorados com rendas, protegidos pelo saiote de riscadinho escuro.
Calça meias de algodão de cor escura e sapatos de cabedal grosso com cordão.
Na cabeça, lenço de cachené com motivos florais.
Transporta os seus objectos de trabalho, a joelheira e a malha para bater a roupa, feitas em madeira, e a trouxa de roupa em serapilheira.
Traje de LeiteiraEste traje não difere muito do anterior, apenas varia a função da mulher, desta feita, vende o leite da sua produção agro-pecuária. Acrescenta a algibeira presa à cintura para transportar o dinheiro da venda.
Este é o trajo de trabalho do homem, que também adaptava de acordo com as tarefas. Habitualmente, vestia calças e colete de cotim, camisola de riscado de manga comprida, camisola interior escura de manga comprida.
Barrete preto saloio na cabeça para protecção do sol e do frio. Cinta preta enrolada em torno da cintura. Calça bota grossa de cabedal.
No bolso, usa o lenço tabaqueiro (vermelho) para limpar o suor ou transportar o tabaco.Em determinados trabalhos, nomeadamente para cavar, enrolava nas pernas plainitos de serapilheira para sua protecção.
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sábado, novembro 17, 2007
segunda-feira, novembro 12, 2007
Trajo de Sega ou Ceifa – Refugio – Beira Baixa
O trajo masculino é composto por camisa de riscado, com cós e peitilho aberto sobre o peito, manga comprida arregaçada. Calça de cotim azul-escuro e ceroulas de riscado azul-claro, ajustadas nos tornozelos com nastros. Na cabeça, lenço tabaqueiro de algodão vermelho, com pontas laterais sobre as abas do chapéu de feltro preto. Botas de bezerro. Transporta uma manta de retalhos e uma foice.
O traje feminino é constituído por blusa de algodão estampada, gola de bico, ajustada na frente com botões, manga comprida com punho.
Saiote de lã vermelho, debruado com fita preta, resguardado na frente por amplo avental de riscado, com bolso de chapa e refegos na orla. Algibeira de tecido estampado e chave suspensa na cintura. Calça meias de algodão e sapatos de ourelo.
Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
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quinta-feira, novembro 08, 2007
O bordado de Viana do Castelo - Minho
Nos nossos dias podemos encontrar muitos e variados trabalhos com bordados de Viana, como atoalhados, sacos de pão, panos de mesa e cómoda, chinelas, etc., no entanto, todos os motivos bordados tiveram origem nos trajes regionais que foram posteriormente transpostos para estes trabalhos.
O traje à lavradeira foi totalmente criado pelas camponesas de algumas freguesias próximas de Viana do Castelo, foram elas que o riscaram, teceram, trabalharam e bordaram.
Os trajes todos decorados com os bordados feitos por estas mulheres do campo, e que diferem de freguesia para freguesia, são usados em dias de festas ou feiras.
Dentro destes bordados podemos distinguir uns mais ricos do que outros, dependendo da classe social a que se referem.
Os mais ricos utilizam algodão “perlé”, por vezes, recamados de lantejoulas, missangas e vidrilhos.
“ Os forros “ das saias dos trajes das mulheres são bordados com desenhos de várias silvas.
O traje destas mulheres é também composto por uma camisa que é rente ao pescoço e cobre o corpo todo até ao meio da canela. Esta camisa, tecida no melhor linho branco e puro pelas próprias camponesas, é composta por uma “ fralda” (parte postiça da camisa que da cintura para baixo é de pano diferente). Os ombros e os colarinhos são bordados geralmente com linhas de cor de faiança. As saias são decoradas na parte inferior com tiras de pano que têm uma cor que se identifica com a aldeia da camponesa. Muitas vezes estes “forros” são ainda decorados com uma silva bordada a branco. As saias antigamente não apresentavam nenhum bordado. Só muito mais tarde, a partir da Segunda Guerra Mundial, é que se encontram saias com forros bordados, primeiro com uma silva e depois com duas.
As chinelas de verniz preto que constituem um bonito acessório dos trajes são bordadas com um raminho em algodão.
Além do traje à lavradeira, há ainda, nas freguesias mencionadas, o traje de noiva ou de mordoma, no qual se concentra todo o luxo ornamental.
São as próprias bordadeiras que bordam a sua roupa. Fazem-no, geralmente de improviso, com toda a espontaneidade, inspirando-se na flora e na fauna e quase sempre, no sentimento de amor. O amor parece estar presente em cada ponto do bordado e inspirou grande parte dos motivos e dos símbolos mais característicos dos bordados de Viana.
Os bordados de Viana do Castelo utilizam materiais da própria região e inspiram os seus desenhos na flora e na fauna, pelo que, podem ser considerados um dos bordados tradicionais mais belos e originais do norte de Portugal. As bordadeiras conseguiram transportar para os seus bordados todo o sentimento que lhes vai na alma.
Técnica do bordado de Viana do Castelo
A base para estes bordados é sempre um linho grosso caseiro, embora ultimamente as pessoas tendam a substitui-lo por tecidos mais finos.
As linhas de algodão são utilizadas nos bordados de algodão e as mais usadas são as de algodão “perlé”, vulgarmente chamadas linhas de algodão de lustro, pelo seu brilho e solidez de cor.
As cores mais utilizadas são o branco, o vermelho e o azul.
Os bordados de lã utilizam lãs compradas. As bordadeiras por vezes usam determinadas nomenclaturas que se prendem com hábitos muito antigos, por exemplo, chamam lãs de Perre às lãs que vêm do Porto, por originariamente serem utilizadas pelas bordadeiras de Perre. As bordadeiras de Cardielos também chamam frequentemente às lãs compradas, lãs de fora.
Outro material muito utilizado é um cordão de fios dourados que serve para contornar os desenhos e, portanto, dar-lhes mais realce. Nos bordados mais recentes, o fio metálico do cordão que se chama “palhete” ou “treno” (por inicialmente ser constituído por três fios), quase desapareceu, podendo encontrar-se em seu lugar um fio branco.
Antes de começar é necessário todo um trabalho de preparação para realizar este tipo de bordados.
Nas cores escuras deve cobrir-se os desenhos marcados com um pincel envolvido em goma-arábica e alvaiade e nas cores claras, um pincel molhado em tinta nankim.
Apesar desta técnica, existem muitos casos de bordadeiras que desenham directamente sobre o tecido, reproduzindo à vista os motivos.
Muito recentemente, as bordadeiras empregam técnicas menos trabalhosas como o decalque com papel químico.
A operação seguinte consta em contornar os desenhos do bordado a cheio em cor diferente com um ponto cordão, ligando os principais desenhos entre si por ramos, caracóis, silvas e ângulos.
Os bordados com fio de algodão utilizam os pontos abertos, de cadeia, caseados, cheio, cordão, crivo, cruz, engradeado, espinha de peixe dobrado, folha de feto, formiga simples, nozinho, pé de flor, pesponto, atrás, pontinha a direito, pontinhos pequenos, rede, volta, pregas da imprensa, bicos e de galo.
Nos bordados com fios de lã não se emprega o crivo. Os desenhos são cheios com pontos largos lançados na mesma direcção e contíguos. Os pontos mais utilizados são o de pé de flor, o ponto russo, de sombra do avesso, de cordão, de palhete, de formiga, de nós, de espinha, de bicos, de Bolonha, a cavalo de recorte (nos ilhós), de Margarida e outros pontos e fantasia.
O ponto aberto também é muito utilizado para unir conjuntos de fios; o ponto pé de flor é um dos pontos principais dos bordados de Viana do Castelo e consiste em imitar um cordão fininho lançando a agulha um pouco à frente do ponto anterior e fazendo-a sair a meio, ao lado deste.
A nomenclatura de ponto pé de flor ou ponto de haste é dada por ser muito utilizado em bordados que executam pés e hastes de flores. As bordadeiras dão-lhe ainda o nome de ponto de máquina por imitar o ponto que esta faz (a agulha ao mesmo tempo que lança um ponto vai atrás fazer outro dando um efeito de pontos iguais).
Nestes bordados podemos encontrar, por vezes, uma carreira deste ponto no meio de outros como os pontinhos pequenos regularmente distantes uns dos outros, ou pontinhos a direito que são lançados na vertical de uma só vez e apanhando parte do tecido.
Para prenderem melhor o cordão, palhete ou fio dourado, as bordadeiras usam o fio de nó que também, por vezes, é utilizado no enchimento dos desenhos.
O ponto formiga é constituído por duas carreiras de pequenos pontos, paralelas e alternadas, que são trespassadas por outra linha de cor diferente em ziguezague. No final obtém-se um aspecto geral de ondas.
O ponto de espinha de peixe lembra a espinha destes animais e consiste em pontos oblíquos, cruzando-se quase nas extremidades.
O ponto de espinha de peixe dobrado é o mesmo ponto de espinha executado nos intervalos deste.
O caseado chama-se assim ou de recorte porque fica junto ao corte que se faz para o remate das casas dos botões no caso de trajes, e só é usado neste caso.
O ponto nozinho é um ponto em forma de nó em que a agulha enrola várias vezes à volta de si mesma a linha, puxando a linha e dando um aspecto de nozinho.
O ponto de crivo é muito utilizado no interior dos motivos, mas trata-se de um crivo muito simples que nem sequer é tecido.
São: corações (contornados com ponto pé de flor, e baseado no sentido metafórico que as camponesas dão ao “cofre amoroso” pelo que bordam junto uma chave), folhas de trevo, de hera, morango, videira e carvalho (sempre estilizadas), chaves (estilização da chave de uma fechadura), cruzes (a cruz de Cristo bordada com o ponto de cruz, já usada nos lenços da mão), passarinhos, ângulos (linhas quebradas ou curvas que unem determinados motivos), japoneiras (estilização da flor da cameleira), silvas (linha recta ou curva de onde saem pequeninas folhas), vasos (estilizações de vasos de plantas), asas (pequenas argolas que rematavam o bordado de antigas camisas), botõezinhos (pequenas golas bordadas a cordão ou a cheio), caracol (linhas em espiral feitas com ponto de cordão), furinhos (pequenos buracos caseados também chamados ilhós), molhinhos (conjunto de pontos lançados em grupo de dois, sendo cada grupo cortado a meio por um ponto lançado na horizontal), murinhos (pontos de formiga que imitam um muro), pintinhas fechadas (bolas pequenas bordadas a cheio), trinca – fios (linhas quebradas com pontos a direito), rosas, cachos de uvas (cachos de uvas estilizados por uma série de círculos.
As camponesas minhotas são mulheres com uma sensibilidade artística que lhes permite improvisar composições originais que reflectem as suas próprias vivências.
Em geral, os bordados com fio de algodão aparecem em simetria quaternária.
Nos bordados das lãs, as composições são geralmente simetrias binárias ou assimétricas.
A bordadeira, nas suas composições, não se preocupa com o rigor da verdade, isto é, podemos encontrar com frequência, por exemplo, desenhos de rosas com folhas de videira, mas o que importa é obter conjuntos que agradem e sejam harmoniosos.
Referência Bibliográfica:
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006
Ana Pires, Caderno de Especificações do Bordado de Viana do Castelo, Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2006
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terça-feira, novembro 06, 2007
O bordado de Castelo Branco – Beira Baixa

Os Bordados Tradicionais de Castelo Branco, antigamente designados por “bordados a frouxo”, caracterizam-se por um desenho muito próprio, identificável quer pelos motivos que utilizam quer pela forma de os desenhar.
A designação de hoje dada aos bordados, “Bordado de Castelo Branco”, foi criado em pleno séc. XX e teve como resultado associar este bordado à região de Castelo Branco. Estes trabalhos são realmente mais abundantes na região da Beira Baixa, no entanto, podemos também encontrar alguns exemplares, ainda que em menor número, em todo o território nacional e mesmo na Estremadura Espanhola.
É possível atribuir os exemplares mais antigos ao séc. XVII.
Parecem ter tido como finalidade, suprir a necessidade de providenciar uma cobertura. A produção caseira, para consumo caseiro, de peças têxteis era o modo de produção normal e quotidiano das populações, a cargo das mulheres. O gosto em ornamentar o têxtil, quer ainda no tear, quer já depois de tecido e mesmo confeccionado, é provavelmente tão antigo quanto a tecelagem. A utilização dessas peças, talvez tenha ocorrido, numa primeira fase, em momentos de festividade e, numa fase posterior, passaram a integrar o quotidiano familiar.
Os Bordados de Castelo Branco sempre tiveram o seu maior expoente nas colchas, possuindo um aspecto simbólico.
As raparigas, em idade de casar, enfeitavam o seu leito com as colchas de grande decoração e policromia junto à janela que dava para a rua onde passaria o rapaz, para que este a visse e, possivelmente, ficasse impressionado e enamorado.
Se por um lado estas peças faziam parte do enxoval das raparigas em idade de casar, elas foram utilizadas num primeiro momento, especialmente em dias de festa, para posteriormente serem elementos que começaram a integrar o quotidiano familiar.
Ao longo dos anos, a arte dos Bordados de Castelo Branco sofreu influências orientais com a inclusão de motivos persas, da Índia e da China, mas também consideráveis influências da Renascença, do Barroco dos brocados e damascos, para além da inventiva popular.
Os motivos bordados possuem uma simbologia muito própria. O pássaro bicéfalo representa Duas Almas Num Corpo Só; as albarradas a Família; as árvores a Vida; os dois pássaros os Desposados; a coroa real o sinal da Autoridade Patriarcal e os
encadeados, a cadeia indestrutível do casamento.
Assim, os Cravos alegorizam o Homem; as rosas a Mulher; os lírios a Virgindade; os corações o Amor; as gavinhas a Amizade; a hera a firme Afeição; os jasmins a Virtude; o galo a Virilidade; as romãs e as pinhas a união e a solidariedade indissolúvel da Família; as frangas e os galaripos a Prole bendita e os lagartos, o amuleto da felicidade sempre muito desejada.
Nos nossos dias este trabalho é preservado pela Escola de Bordados Regionais, incorporada no Museu Tavares Proença Júnior, que vê o passado destes bordados como um património de grande importância e o qual deve ser preservado. No entanto, considera que a oficina – escola do museu não deve situar-se apenas num papel de era copista da produção passada, mas deverá ser um ponto de partida para a expressão rústica dos artesãos contemporâneos, caso contrário esse imobilismo poderia provocar a morte lenta desta tradição. Existe ainda a preocupação de não se provocarem rupturas abruptas e sem enquadramento, nos casos das alterações nos pormenores dos desenhos.
Se pensarmos que a capacidade criativa e expressiva dos bordados de Castelo Branco nasceu das antigas bordadeiras, então não poderemos asfixiar a capacidade criativa das bordadeiras contemporâneas.
A actual oficina – escola aposta numa criação de bordados que sejam ao mesmo tempo renovados e de qualidade.
Técnica dos bordados de castelo branco
Estica-se o tecido no bastidor com um guardanapo de papel entre a argola exterior e o bordado, para que o arco não marque o tecido.
O ponto que mais se aplica nos bordados é o cheio frouxo ou “ponto largo”, também designado ponto de Castelo Branco, que mais não é que uma variante do “ponto de oriente” ou da “Hungria” ou de “Bolonha”. Aparece em todos os trabalhos, mas predomina nos de carácter popular acompanhado de outros mais simples. Torna-se económico porque cobre apenas a superfície superior.
A bordadeira enfia a agulha por baixo e estende o fio até à extremidade oposta. Prende o fio e regressa ao ponto de partida. Num movimento de vai e vem, cobre a superfície que deseja bordar.
No avesso ficam apenas os pontarecos que prendem a seda. Terminada esta operação, lança fios paralelos que distam aproximadamente um centímetro dos outros, no sentido perpendicular ao bordado. Estes fios são presos por pontos espaçados de meio centímetro. Denominam-se prisões e aqui uma alusão ao casamento que é a prisão de dois seres que se amam.
Outros pontos mais complexos e alguns de origem oriental, vão enriquecer as colchas híbridas e em especial as eruditas.
Os pontos mais conhecidos são: frouxo, pé de flor, atrás, cadeia, espinha, lançado, lançado espinhado, margarida, recorte simples, recorte contrariado, galo, galo travado, galo com variantes, nó, embutido, fundo, matiz, formiga, asna, coroa, pena, grilhão.
A aplicação dos pontos depende do gosto da bordadeira que procura equilibrá-los de modo a formar uma textura agradável.
Escolhidos os motivos simbólicos que vão preencher o campo e a barra, faz-se o seu desenho em folhas de papel vegetal. Como as colchas são de simetria binária, basta apenas fazer um desenho de um quarto da colcha.
Numa mesa comprida ou no chão estende-se o linho de origem caseira. Antigamente o pano era riscado a tinta, hoje emprega-se o papel químico de preferência amarelo porque deixa marcas suaves.
Seis bordadeiras, três de cada lado, bordam o linho segundo as cores e os pontos escolhidos.
Terminado o bastidor, desmancha-se e enrola-se a parte bordada, ficando a outra livre para se continuar o trabalho. Assim se vai procedendo até ficar pronta.
É novamente estendida sobre uma mesa ou no chão para se verificar se há algum engano que seja preciso corrigir.
Num tear apropriado uma das bordadeiras tece ainda uma franja que é aplicada depois de a colcha ser passada a ferro.
O trabalho fica concluído com a aplicação de um forro de chita.
A colcha dá muito trabalho e as seis bordadeiras demoram um mês ou mais a executar.
Referência Bibliográfica:
Silva, Paulo Fernando Teles de Lemos, Bordados Tradicionais Portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006
Bordado de Castelo Branco. Catálogo de Desenhos. Colchas I, Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, Lisboa, IPM, 1992
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domingo, novembro 04, 2007
O Ouro do Minho – O Ouro de Viana
Trazer ouro no pescoço
Brinquinhos a dar a dar
É bonita gosto dela
Tem olhos de namorar.
Francisco Sampaio é sobejamente conhecido pelo seu trabalho em prol da defesa das tradições populares minhotas. O texto que vos apresento é da sua autoria, sendo um excerto do catálogo do Cortejo Etno-Folclórico da Romaria da Senhora d’Agonia de 2006, em Viana do Castelo.
Neste texto demonstra a importância do ouro no traje minhoto.
Ouro e Traje – Uma homenagem à mulher e às moçoilas de Viana
Foi o Traje “à vianesa” o grande responsável pela riqueza dos enfeites, das filigranas, das jóias tradicionais e onde a mulher de Viana se sente como ninguém ao fazer do seu “peito” uma mostra de bom gosto e de bem trajar.
Assim, a rapariga de Viana no seu traje de trabalho ou de cotio, nas lides domésticas ou no trabalho do campo não se sente “ourada” quando usa brincos e colar de contas. O subterfúgio da “orelha ferida” ou o epiteto de “fanada” era o mínimo que se podia dizer de uma rapariga sem brincos!
No “traje de domingar” e já a fazer “versos” nos lenços de amor usa o primeiro “cordão”, que lhe concede o estatuto de rapariga namoradeira. O mesmo se passa com o traje de ir à feira.
Só o “traje de festa”, também designado por “traje de luxo” é que “obriga” a rapariga a aparecer “ourada”. E isto significa, quando são mordomas, a aquisição do segundo cordão com “peças” (medalhas de libra ou meia libra), borboletas (corações invertidos), a “laça”, os brincos “à rainha”, a pregadeira das “três libras”, “Santa Custódia” ou “Brasileira” a lembrar os tempos de emigração.
O Traje de Noiva – obriga ao terceiro cordão, oferta do noivo – um cordão grosso, a “soga”, um cordão “de bom cair” pelo seu muito peso, ao trancelim.
O Traje de Morgada – sinónimo de casa farta, boa lavoura, criadagem, tulha cheia, soalhos encerados e o cheiro a mosto das adegas. Uma só jóia na casaquinha justa – a gramalheira / grilhão / bicha. Gramalheira - por se assemelhar a uma corrente grossa usada para suspender os potes de três pernas da lareira; grilhão - pela sua analogia com as correntes metálicas; bicha – pela semelhança da parte do colar a uma cobra com escamas.
A união do colar – ao centro com chapas de ouro lisas e geometricamente recortadas – faz-se com uma roseta em relevo com pedras. Dos braços laterais caem franjas e, ao centro, o medalhão que pode atingir
Em termos de conclusão podemos afirmar que o Traje e o Ouro à Vianesa estão padronizados a partir do 2º quartel do Séc. XIX, altura em que os regionalismos, no Portugal liberal, se definiam.
A Montra de Oiro de uma Lavradeira
Escolhemos da Montra de Oiro de uma Lavradeira (no dizer do Tenente Afonso do Paço), as seguintes jóias:
ARRECADAS DE VIANA – Castrejas (as complexas arrecadas como as de Laúndos,
Afife e Estela) – Com a sua “janela”, ou “pelicano” ou “bambolina” na sua forma lunular com as respectivas campainhas, sempre em número ímpar, e que têm a virtude
de afastar espíritos maléficos.
ARGOLAS – (Castrejas) – Também, chamadas barrocas, carretilha, a cigana, de Leque (com ou sem turquesas), torcidas, regueifa (com um torcido a imitar o pão de regueifa), indianas (de canovão relativamente fino, de suspensão em gancho ou com
fio de suspensão ao correr da curvatura), carniceiras ou de Barcelos.
COLARES DE CONTAS – (produzidas pelas civilização grega, etrusca e fenícia e que os castrejos, também, adoptaram). As contas vianesas ou os colares de contas de Viana assemelham-se às etruscas. As primeiras contas eram maciças; mais tarde é que passaram a ser ocas. O colar de contas é adquirido pela jovem alto minhota à custa das poucas economias que provinham da venda dos ovos, dos frangos ou das primícias da horta. É usado com uma pendureza, normalmente, uma borboleta, uma cruz de canovão raiada ou uma custódia. Toda a vida.
BRINCOS À RAINHA – ou à “Vianesa” ou “Picadinhos”. São compostos por duas peças, tal como a laça. É do período Rocaille e, pertence pelos ornatos, à chamada gramática de D. Maria I. São, também, amuletos, desenhando formas arredondadas e curvílineas. Quais arrecadas laminares, articuladas por argolins de ouro, recortadas ou vazadas, parecem feitos de renda.
CORDÕES – são fios com dois metros, ou mais, para assim se conseguirem quatro voltas no pescoço. O cordão era o terceiro ouro da rapariga, logo a seguir às arrecadas e ao colar de contas. Conforme a textura dos elos podem ser “sogas” (mais grossos) ou apelidados de “linhas” (mais finos). A lavradeira nunca usa o cordão oco.
PEÇAS / MOEDAS / MEDALHAS DE IMITAÇÃO – usadas como ornamento desde os Romanos: são muito correntes os alfinetes com moedas de ouro. As peças são moedas autênticas embelezadas com cercaduras chamadas “encastoamentos”; a medalha de imitação é muito semelhante à peça, diferenciando-se pela moeda que é de imitação e pelo “encastoado” que para se distinguir da verdadeira apresenta tamanho inferior e acabamento menos perfeito.
MEMÓRIAS – São peças ocas, de abrir, de diferentes tamanhos e formas diversas, podendo ser ovais, redondas, quadradas, com feitio de losango, de corações. Exprimem quase sempre uma saudade, encerrando em cofre uma madeixa de cabelo, um fragmento de vestido, uma pequena frase ou simples letras, uma breve oração, uma fotografia, constituindo terna recordação.
CRUZES – peças que se apresentam com variadíssimos formatos:
a) as fundidas com resplendor (na parte superior) que são cruzes maciças e acabadas manualmente. Têm na parte superior e em redor dos braços, um resplendor e, na parte inferior, uma “Mater Dolorosa” ou uma Senhora da Conceição.
b) Cruzes de “canovão” e filigrana – têm resplendor em filigrana, “rodilhões” e na parte inferior a “Mater Dolorosa” ou Senhora da Conceição.
c) Cruzes barrocas – são ocas, apresentando os braços bojudos e muitos motivos florais em relevo.
d) Cruzes de estrelas ou de Malta têm as linhas da Cruz de Malta, filigranada, guarnecidas com curiosos esmaltes.
LAÇA – Jóia de intervenção real, depois, popularizada. Formada por duas peças. Foi atribuída a D. Maria Ana de Áustria, a célebre “laça das esmeraldas”. É a primeira jóia verdadeira do Minho, constituída por uma laçada dupla e decoração de fios enrolados, podendo ter um diamante ao centro.
O seu nome provem da argola que tem por trás para ser usada com uma fita de seda. Mais tarde, tomaram a forma que tem hoje – coração invertido.
CUSTÓDIA – Também, chamada relicário, “questódia”, “lábia”, “brasileira”. O nome provém da semelhança na parte central com os expositores do “Santíssimo” ou “Ostensórios”.
CORAÇÃO – Oferta de D. Maria I como ex-voto ao Coração de Jesus para ter um filho varão. Assim, nasce a Basílica da Estrela. Coração que enche o peito das nossas mulheres e raparigas no Traje à Vianesa. Coração com que D. Maria I manda timbrar as grandes condecorações nacionais: as Ordens de Cristo, Avis e Santiago.
TRANCELIM – só deve ser adquirida depois da Lavradeira ter o segundo ou terceiro cordão. É uma peça muito trabalhada de trazer ao pescoço e da qual se suspendem medalhas ou “pendurezas” a distinguir: a borboleta, a custódia, o crucifixo, o coração opado, a laça, a peça ou a medalha. Os trancelins têm o mesmo cumprimento que os cordões, mas os seus elos são trabalhados, normalmente,
GRILHÃO / GRAMALHEIRA / BICHA – Constituído por um colar tecido de finíssimo fio de ouro, chapas recortadas e perfuradas. A união do colar faz-se com uma roseta
Bibliografia: Francisco Sampaio, O Ouro do Minho – O Ouro de Viana, catálogo do Cortejo Etno-Folclórico da Romaria da Senhora d’Agonia, Viana do Castelo, 2006.
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sexta-feira, novembro 02, 2007
A mulher em casa – Algarve
O núcleo familiar é muito estimado No também no Algarve a mulher desempenha um importante papel na gestão da económica familiar.
Nos momentos de prosperidade gostava de mostrar o ouro, no entanto, estes geralmente não eram duradouros e a mulher recorria ao ourives ou ao estabelecimento de penhores.
A mulher algarvia vestia cores garridas, mas quando o homem estava ausente imperava o negro.
No interior da casa e nas lides do dia-a-dia, a mulher usa lenço de cabeça, de tecido de algodão estampado, que aperta na frente.
A blusa é de tecido de algodão em tons de azul. Corte simples, aberta na frente e mangas compridas com punhos.
Saia em tecido de algodão azul formando riscas, a extremidade inferior possui um folho do mesmo tecido.
O avental é de tecido de algodão azul estampado em tons policromados, formando motivos florais, possuindo na extremidade inferior nervuras e folho do mesmo tecido.
Calça sapatos de carneira ou tamancos de madeira com a parte superior em cabedal.
Bibliografia recomendada: Orla Marítima, Traje do Algarve - Museu Nacional do Traje
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sábado, outubro 27, 2007
Trajo Domingueiro – Malpica do Tejo – Beira Baixo
A camisa é de linho de corte tradicional, isto é, com cabeção e fralda. Decote guarnecido com folhos de renda, caído sobre os ombros. Peitilho abotoado no centro, decorado com pregas e bainhas abertas e bainhas abertas. As mangas são largas e pregueadas na parte superior e bordadas junto aos punhos.
O colete de lã vermelho possui um grande decote quadrado e cavas profundas, sendo ajustado na frente com cordão e decorado com gregas de várias cores.
A saia de cima é de castorina vermelha, sem cós, mas com fita na cintura, ornamentada na orla com motivos florais recortados, cercadas de tecido preto, em forma de barra. Avental de sarja preta, com algibeira, decorado na orla com gregas de várias cores.Na cabeça, lenço de algodão estampado com várias cores atado atrás e laço cor-de-rosa ao pescoço. Calça meias de algodão branco rendadas e sapatos pretos.
Ornamenta-se com argolas de ouro nas orelhas e cordões de ouro ao peito.
Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
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quarta-feira, outubro 24, 2007
Trajo Feminino – Miranda do Douro – Trás-os-Montes
A mulher transmontana usa uma camisa de linho, de cós guarnecido de caneluras e mangas compridas com punho. Casaquinha de saragoça preta, justa ao corpo. Nas costas, sobre a linha da cintura, o rabicho. Colete de seda lavrada em tons policromados, aberto na frente, ajustado com cordão e ilhós. Entre o colete e a camisa, baixa de lã, aconchegando o busto. Saia de fora de saragoça preta, farta de roda, franzida na cintura, excepto na frente para evitar avolumar a barriga. Junto à orla, duas barras de veludo aplicadas. Na cabeça, lenço e mantilha de saragoça preta, descendo até meio da perna. Calça meias brancas rendadas e sapatos de bezerro apertados com ilhós e lingueta.
Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004
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segunda-feira, outubro 22, 2007
Trajo “Arraiano” – Idanha-a-Nova – Beira Baixa
Era usado tanto pelas mulheres solteiras como pelas casadas em determinadas datas festivas.
Fazia também parte deste trajo uma casaca muito cintada, com peitilho de veludo pregueado de cor diferente. As mangas eram justas, com o punho enfeitado com folhos e rendas. Sobre a casaca, usava-se o xaile de caxemira.
Os xailes de caxemira, bordados manualmente a seda, formando motivos florais, e orla guarnecida de franjas de lã, que vinham antigamente de Espanha, foram mais tarde substituídos pelos estampados de Alcobaça.
A mulher usava blusa de algodão branco, abotoada na frente e decorada com rendas ou bordados. Saia de lã, com tons alegres e vivos, pregueada, excepto na frente (saia de barriga lisa) decorada com barras pretas. Sobre a saia, avental preto, decorado com bordados e galões.
Cruzado sobre o peito, um lenço florido com cores vivas, com as pontas caídas sobre as costas. Na cabeça, lenço de lã estampado, cruzado na nuca e atado na testa.
Calça meias rendadas brancas e sapatos ou chinelas.
Adornam as orelhas com argolas de ouro e ao pescoço usam a “coleira” que é a primeira peça de ouro, oferecida pelos pais.
Na imagem todas as mulheres usam um adufe. Trata-se de um instrumento de precursão de forma quadrangular, de armação em madeira e revestido a couro, que acompanha os cantares das mulheres beirãs.
O pequeno filme que se segue é exemplificativo da forma como se toca o adufe, acompanhado, neste caso, uma das canções mais emblemáticas da Beira Baixa, “Senhora do Almurtão”.
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domingo, outubro 14, 2007
Documentário sobre a Nazaré
quinta-feira, outubro 11, 2007
Trajo feminino de festa da “Ribeira” – Braga – Minho
Aplicam peles ou penas negras dos galos que introduzem no próprio tecido, que enfeitam e enriquecem com vidrilhos e bordados.
A alva camisa de linho possui um folho bordado a ponto cruz que guarnecer o decote. A manga é justa a meio do braço, sem punho, terminando com um entremeio de renda e bordado.
A saia, de baetilha preta, é muito ampla, franzida na cintura e guarnecida, em baixo, com barra de veludo, fita de cetim, veludo aplicado e bordado de vidrilhos. O colete branco, apertado na frente, é decorado com bordados com fio vermelho. Avental de veludo preto é bordado com vidrilhos e guarnecido com pele. Presa à cintura, uma algibeira em forma de coração estilizado e lenço de pedidos decorado com motivos da simbologia amorosa, legenda e renda manual. Cruzado sobre o peito usa um lenço estampado e franjado. Na cabeça, um lenço atado no alto. Calça meias de malha de algodão branco rendadas e chinelas pretas pespontadas.
Brincos à rainha emoldura o rosto e ao pescoço, fio de contas com borboleta e cordão com coração.
Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004Artigos relacionados: Minho
segunda-feira, outubro 08, 2007
Trajos de Festa – Castelo de Vide – Alentejo
Esses “sinais exteriores de riqueza” identificam-se no homem pela qualidade dos tecidos, do corte, pormenores decorativos e acessórios. A que se associa a capa, peça imponente e de luxo. Mas existem ainda outros pormenores menos evidentes; o lencinho bordado pela namorada e exibido no bolso pequeno da jaqueta, a cinta preta de merino e a bota preta engraxada.
No vestuário feminino, a qualidade e quantidade de tecido empregues na confecção deste traje são sinónimo de festa e de luxo. A saia é muito rodada, mas o sinal de riqueza era dado pelo número de barras que guarneciam a orla, que revela as posses da rapariga. Também o xaile pousado no braço e dobrado em forma de manta era considerado como a forma mais elegante de o exibir. A saquinha que acompanha o traje e o ouro exibido (embora em quantidade mais modesta que em outras regiões), revelavam a riqueza da rapariga.
O trajo masculino é assim constituído por jaqueta de tecido de lã (casimira) castanha, com gola, bandas e frentes contornadas com fita de seda vermelha. Aplicação de alamares nas frentes e de galão nas mangas, sugerindo um canhão em forma de bico e com botões aplicados de obliquamente.
Colete no mesmo tecido, também contornado com fita idêntica à da jaqueta. Calças do mesmo tecido castanho, ajustadas na cintura com cinta preta de merino. A camisa branca é de linho, com colarinho e peitilho decorado com nervuras. Na cabeça, chapéu de feltro preto de meia copa. Calça botas pretas.Completa o conjunto, uma capa de “briche” castanha, com cabeção duplo e debruado, ajustada na colareta com fecho de prata. Frentes forradas com pelúcia cor de mostarda.
A mulher, veste blusa de tecido de algodão vermelho, lavrado, com quartilhos com cós, peitilho e carcela abotoada na frente, contornados com bordados estreitos. A linha da cintura é marcada e possui uma aba sobre as ancas. Manga comprida, ajustada ao punho com refegos.
Saia de tecido de lã cor-de-rosa, pregueada na cintura e decorada em baixo com aplicações de renda e galões.
Na cabeça, lenço de lã estampado, com as pontas caídas sobre o peito.
Pousado no braço, xaile de merino preto com franja e na mão saquinha de tecido recortado, formando uma rede. Calça meias brancas rendadas e sapatos pretos.
Referência Bibliográfica: Tomaz Ribas in O Trajo Regional em Portugal, Difel, 2004
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terça-feira, outubro 02, 2007
Trajos da Festa do Divino Espírito Santo – Ilha de São Jorge – Açores
O espírito de solidariedade e o propósito de partilha fraterna, características desta refeição, dada a todos os necessitados, foram, sem dúvida, contributos fundamentais para a expansão e o enraizamento deste culto popular. No continente, a celebração do Espírito Santo mais conhecida é a Festa dos Tabuleiros em Tomar, mas esta devoção se espalhou pelas Ilhas da Madeira e dos Açores.
No arquipélago dos Açores, o culto do Espírito Santo revestiu-se de formas muito próprias, como erguer os impérios (pequenos edifícios, onde se realiza parte da festa e onde se expõem as insígnias próprias ao Espírito Santo).
No terreiro em frente a cada império tem lugar o “bôdo”, a grande refeição comum, intensamente participada não só pelos residentes locais, como pelos emigrantes que regressam anualmente para celebrar as festividades.
O
O homem usa o seu trajo domingueiro, sobre este, coloca aos ombros uma toalha de algodão branca com rendas a toda a volta.
A toalha é dobrada de forma especial e sobre ela são colocados ramos de flores de papel, sendo a verdura geralmente natural.
Antigamente o fato era de boa baeta, hoje é de fabrico industrial normal. A camisa deve ser de pano alinhado branco. O colarinho é baixo e as mangas são franzidas nos punhos e fecham com um botão.
Este trajo é usado pelo «cavaleiro» e pelos «passeadores», que vão ao lado da bandeira. Existe também o «trinchante», o homem que está no império ajudando a fazer as ofertas do doce que é depois distribuído por todo o povo. Este serviço é denominado «Serviço da Coroa» e varia de freguesia para freguesia.
Existem lugares em que se colocam flores nas costas do casaco e laços de fita vermelha na toalha.
De realçar a primorosa renda utilizada nas toalhas, executada manualmente por mão hábeis e devotas.
É composto por uma saia de quatro panos, avermelhada, confeccionado em tecido denominado “fiampua”. A saia possui um cós e uma abertura lateral.
É guarnecida, um pouco acima da baixa, com motivos a ponto de “repasso”. A blusa é de algodão estampado, com peitilho de decote redondo com cós alto, sobreposto pelas frentes e adornado por golas. As mangas são franzidas sobre os ombros e estreitas em baixo, alargando na parte superior. Na cabeça colocam uma toalha rectangular de linho, decorada com renda alta, caindo pendente sobre o tronco. Sobre esta é colocada uma carapuça de baeta azul, orlada a vermelho, com duas rosetas de seda sobre as orelhas.
Calça meias de lã branca e sapatos de sola de correola (espadana) com cortes de baeta bordada a pé-de-flor.
Transporta um pequeno cesto de vime, forrado com uma pequena toalha, onde são colocados os bolos de «Véspera», cozidos pela festa do Espírito Santo, ornamentados com flores naturais.
Referência Bibliográfica: Tomaz Ribas in O Trajo Regional em Portugal, Difel, 2004
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quinta-feira, setembro 27, 2007
Caretos – Podence – Trás-os-Montes
Despedem o Inverno e saúdam a Primavera, para os caretos o Carnaval é um ritual entre o pagão e o religioso, tão natural como a passagem do tempo e a renovação das estações. Em Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros, todos os anos é assim. Chegado o Mês de Fevereiro, os homens envergam os trajes coloridos (elaborados com colchas franjadas de Lã ou de linho, em teares caseiros) escondem a cabeça entre duas máscaras de lata, prendem uma enfiada de chocalhos á cintura e bandoleiras de campainhas e dependem toda a energia do
Dizem fontes que a festa de Podence se imerge no domínio dos tempos até às antigas Saturnais romanas – celebração em honra de Saturno, Deus das sementeiras. Procura-se acalmar a ira dos Céus e garantir favores de uma boa colheita. Nesses tempos idos da agricultura de subsistência, a diferença entre a vida e a morte quase se cingia à dimensão da lavra. Passados á parte, em Podence ainda hoje a agricultura é a principal actividade da população. Da terra se extrai cereais e castanhas, embora nos últimos anos, tenha aumentado a produção de azeite. A aldeia de Podence parece ter força suficiente para manter tradição e garantir a vida a estas figuras, recheados de homens endemoninhados, armados de chocalhos e rédea solta para as tropelias. Mesmos, explicam os mais velhos, o tempo tenha brandado a folganças e as moças da terra já não sintam tantas nódoas no corpo. Nos anos 70, a tradição esteve a perder-se, à conta dos últimos anos de ditadura e do fenómeno da emigração. Hoje são muitos os homens com fatos de Carreto e energia para invadir a praça na aldeia domingo e terça feira de Entrudo. E o futuro está garantido através dos Facanitos (crianças com fatos idênticos aos mais velhos) prontos a tomar o testemunho. Os outros, aquelas que não podem envergar a fatiota, abrem as adegas para apaziguar a secura os folgazões. A imunidade conferida pela máscara, permite aos caretos mergulhar nos excessos. Sendo as mulheres solteiras as vítimas preferências. Encostam-se a elas e ensaiam estranhas danças com conteúdo erótico, agitando a cintura e batendo com os chocalhos nas ancas das vítimas que acompanham a dança. Entre o barulho festivo, a risota e o alarido lembram-se outros tempos em que as mulheres se escondiam em casa pois os foliões iam muito para além dos chocalhos, lançavam cinza, dejectos e fustigando as incautas com pele de
Ao careto mau diabo á solta pelas ruas de Podence, querem-no vivo em cada Fevereiro, mesmo que á conta disso não possam dormir descansadas as moçoilas.
A eles tudo se permite; o anonimato dá-lhes prerrogativas: dá-lhes poder. Por dois dias no ano os homens são crianças e quem mais brinca mais poder tem.
Site de referência: Caretos de Podence
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quarta-feira, setembro 26, 2007
Trajos de Apanhadores de Chá – Ilha de São Miguel - Açores
Não havendo um registo oficial da data de introdução do chá na ilha de S. Miguel, a partir de vários relatos acredita-se a inserção inicial datar de 1750. Em 1878, a Sociedade Promotora da Agricultura Micalense procurou impulsionar a agricultura local, escolhendo a cultura do chá como umas das vertentes a apoiar. Assim no mesmo ano, chegaram a S. Miguel dois chineses da cidade de Macau, contratados com a finalidade de desenvolver as técnicas desta cultura. O cultivo do chá, encontra nos Açores condições favoráveis ao seu desenvolvimento, sendo a ilha de S. Miguel a que reúne as melhores. Até meados do século XX havia 12 a 15 plantações de chá nos Açores, principalmente na costa norte da ilha, no concelho de Ribeira Grande. A produção começou a decair, principalmente com a política do Estado Novo de protecção ao chá de Moçambique. Depois, a pouco e pouco, foram desaparecendo. Actualmente restam somente duas plantações, a da Gorreana e a de Porto Formoso.
Esta longa tradição de cultura de chá influenciou a indumentária regional, adaptando o trajo à actividade específica da colheita.
O homem usa um chapéu de palha feito com tranças de 6 pernas. É diferente do das mulheres porque estes são feitos com tranças de 8 pernas. A camisa é bastante comprida, até aos joelhos, com aberturas aos lados. As mangas são pouco franzidas e terminam com punho abotoado por um botão. Junto ao pescoço é rematado por um cós baixo a partir do qual, e ao meio, tem uma trincha que remata com botões. A fazer o peito tem nervuras perpendiculares que terminam na altura da trincha. Calças largas de cor igual à camisa e sandálias de cabedal com tira larga sobre o pé deixando os dedos à mostra.
A mulher usa a cabeça coberta com um lenço branco que envolve o rosto e amarra sobre a nuca. Chapéu de aba larga em palha, feito muitas vezes pelas próprias mulheres. Blusa branca com nervuras nas mangas, que são compridas, rematando em baixo com um folhinho de bordado inglês. A blusa, confeccionada em linho grosseiro, é usada por fora da saia de xadrez de duas cores. A saia é franzida na cintura e deve rematar com um cós baixo abotoado com um botão simples e com uma abertura que fecha com molas. Nos pés usa meias brancas rendadas e galochas simples, que devem ser cepos de madeira cobertos de tecido.
Referência Bibliográfica: Tomaz Ribas in O Trajo Regional em Portugal, Difel, 2004
Sites recomendados: Plantações de Chá Gorreana
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terça-feira, setembro 25, 2007
Trajo de Duas Saias – Ilha de S. Jorge – Açores
Este trajo é composto por duas saias de baeta creme, com barra cor-de-rosa, franzidas na cintura com cós e abertura lateral. São iguais, cada qual servindo no seu sentido, ou superior ou inferior. É citada por vários escritores como saia de ombros. Por baixo tem uma blusa ampla, de pano alinhado branco, com duas pregas fundas na frente e nervuras nos lados. É guarnecida por bordado inglês e franzida nos punhos e em volta do pescoço. Na cabeça, um lenço de lã estampado com flores e barras azuis. Calça meias de lã, feitas com agulhas e sapatos de sola de correola e cortes de baeta bordados a ponto pé de flor.
Referência Bibliográfica: Tomaz Ribas in O Trajo Regional em Portugal, Difel, 2004
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segunda-feira, setembro 24, 2007
Mulher da Fábrica de Conservas – Algarve
As mulheres constituíam a principal mão-de-obra desta indústria, trabalhando em condições deploráveis.
A sirene da fábrica era o sinal mais esperado. O seu toque anunciava a chegada de peixe fresco e, consequentemente, a possibilidade de trabalho durante algumas horas. Nessa altura, uma turba de mulheres corria para a fábrica, na esperança de serem as primeiras e as escolhidas para trabalhar.
Inicialmente, não existiam condições de higiene e esta reflectia-se na indumentária das operárias, no entanto, com a evolução dos tempos foram sendo introduzidas algumas normas, nomeadamente, a obrigatoriedade do uso de vestuário de cores claras, lenços na cabeça e aventais de cor branca.
A operária da fábrica de conservas usava um lenço de cabeça de algodão branco, estampado com motivos florais. Bata de trabalho, também em algodão de cor clara, de corte simples e sem gola. Aberta na frente e de manga comprida, com punhos. Saia de algodão de cor escura, com aplicações do mesmo tecido. Avental com peitilho de linho branco, comprido, cobrindo quase totalmente a saia, possui um bolso estampado no lado direito. Calça tamancos de madeira com a parte superior em cabedal.
Referencia Bibliográfica: Andrade Sancho, Emanuel in Traje do Algarve – Orla Marítima, Museu Nacional do Traje, 2001
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quinta-feira, setembro 20, 2007
Festa dos Tabuleiros – Tomar - Ribatejo
O Dr. Fernando Araújo Ferreira afirmava «o tabuleiro é um hino de cor. Um poema nascido da arte popular tomarense. Das mãos e inspiração do seu povo. Obedecendo a regras tradicionais, é ele que o arma é ele que o ornamenta. De gerações em gerações passou o jeito, a herança bonita. O Tabuleiro é uma oferta de pão, por isso o pão deve ficar à vista, a ornamentação pertence ao gosto de quem o decora, com flores de papel e verdura se for caso disso. O Cortejo vive e encanta pela variedade de cores e ornamentações.»O historiador Dr. Manuel Guimarães, traduz a emoção de quem vai no Cortejo e quem assiste à sua passagem: «As raparigas, figuras principais, desfilam em duas longas filas ao lado dos seus ajudantes (os rapazes) que seguem do lado de dentro mas sempre atentos às companheiras. Dirigem-se à Praça da República onde o Cortejo enrola harmoniosamente até preencher sem sobressaltos a placa central. Um representante da Igreja vem à Praça, paramentado, dar a bênção aos Tabuleiros. Depois, a um sinal do sino, é a elevação, um momento inesquecível. Uma moldura humana impressionante, aplaude comovida este momento mágico, único, pela sua grandiosidade, simbolismo e beleza, único na nossa arte e na nossa cultura.»

A Festa dos Tabuleiros ou Festa do Divino Espírito Santo é uma das manifestações culturais e religiosas mais antigas de Portugal. Segundo os investigadores a sua origem encontra-se nas festas de colheitas à deusa Ceres. A sua cristianização pode dever-se à Rainha Santa Isabel que lançou as bases do que seria a Congregação do Espírito Santo, movimento de solidariedade cristã que em muitos lugares do reino absorveu as primitivas festas pagãs. O ponto alto das festividades que juntava ricos e pobres sem qualquer distinção ocorria no Domingo de Pentecostes, dia em que as línguas de fogo desceram sobre os Apóstolos simbolizando a igualdade de todos perante Deus.
A principal característica da Festa dos Tabuleiros é o Desfile ou Procissão, com um número variável de tabuleiros, em que estão representadas as dezasseis freguesias do concelho. Esta procissão de dignidade, cor, brilho e emoção percorre as principais ruas da cidade, num percurso de cerca de 5 Km, por entre colchas pendentes nas janelas, milhares de visitantes nas ruas e uma chuva de pétalas que de forma entusiástica é lançada sobre o Cortejo.
A Festa é do Tabuleiro que deve ter a altura da rapariga que o leva à cabeça, sendo constituído por trinta pães (tantos quantas as chagas de Cristo) enfiados em cinco ou seis canas que partem de um cesto de vime ou verga e é rematado ao alto por uma coroa encimada pela Pomba do Espírito Santo ou pela Cruz de Cristo.
Na primeira metade do sec.XX convencionou-se que os participantes no desfile deveriam trajar da seguinte forma:
A rapariga apresenta-se de saia branca até aos pés e blusa da mesma cor. Usa uma fita com a cor da freguesia que representa. Na cabeça, para apoiar o tabuleiro, uma “sogra” de cor branca e decorada com fitas da mesma cor da do vestido.
Site : Festa dos Tabuleiros
