Nota: Por lapso a imagem referente às lavadeiras não é de Lisboa, mas de Coimbra, as minhas desculpas pelo equivoco.
Carlos Cardoso
Nota: Por lapso a imagem referente às lavadeiras não é de Lisboa, mas de Coimbra, as minhas desculpas pelo equivoco.
Carlos Cardoso
Numa época de comunicações limitadas, os almocreves eram essenciais como agentes de comunicação inter-comunitária (além de serem indispensáveis ao abastecimento de bens às vilas e cidades). De entre as rotas de abastecimento mais importantes, destaque para as que levavam os almocreves a transportar peixe para o interior e, no sentido inverso, cereais. Não confundir almocreves com mercadores, pois que na maior parte das vezes os bens que transportavam não eram propriedade sua, embora fosse comum um almocreve ser também mercador.
Ortiga é uma freguesia do Concelho de Mação e distrito de Santarém, encontrando-se na confluência de três províncias - Ribatejo, da Beira Baixa e do Alto Alentejo - soube fundir as três culturas e moldá-las com usos e costumes muito próprios, determinados sobretudo pela omnipresença do rio Tejo.
Os trajos desta região não eram muito ricos, já que a terra é pobre e o povo tinha magras posses, havendo no entanto alguma variedade, especialmente no trajo da mulher. A sua confecção é modesta e o corte simples, sóbrio e pouco colorido, apesar de bem cuidado, notando-se os tons escuros a condizer com a paisagem envolvente. De uma maneira geral, as mulheres sabiam costurar e por vezes os trajos que usavam durante muito tempo, iam sofrendo pequenas alterações e adaptações, de forma a serem aproveitados ao máximo, já que as posses eram poucas e não permitiam que se fizessem trajos novos com frequência.
O trajo que vos apresento é o dos Pescadores do rio Tejo, já que este serve de fronteira à freguesia e naturalmente influenciava a forma de viver das suas gentes.
O homem veste camisa de riscado, colete de cotim sem botões, calça de cotim, cinta preta, barrete preto e calça tamancos ou botas grosseiras.
A mulher veste blusa de riscado ou chita, saia de lã ou fazenda, avental de riscado e lenço de merino ou algodão. As saias de baixo eram em flanela ou algodão, calça meias de cordão sem pé e tamancos.
Fonte: Grupo Etnográfico e Folclórico da Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga
O Planos Nacionais de Apoio é um projecto desenvolvido pelo INATEL constituindo elemento essencial no relacionamento directo com os Centros de Cultura e Desporto, e dirigido exclusivamente a estes, permite-lhes a obtenção de meios essenciais às suas actividades culturais, como apoios financeiros para a aquisição de trajes e calçado, instrumentos musicais ou equipamento necessário para a produção de peças teatrais.
Na presente edição, referente ao ano 2007, foram contempladas 552 colectividades de todos os distritos e regiões autónomas, num investimento global anual que ronda os 500.000€ distribuídos pelos planos organizados:
- Plano Nacional de Apoio à Etnografia
São contemplados 278 Centros de Cultura e Desporto, com apoios que consistem na atribuição de instrumentos musicais e apoios financeiros com vista à aquisição de trajes e calçado tradicional.
- Plano Nacional de Apoio à Música
Atribuição de instrumentos musicais a 222 colectividades.
- Plano Nacional de Apoio ao Teatro
Atribuição de equipamento cénico de som a 45 Centros de Cultura e Desporto.
- Plano Nacional de Apoio a Boletins Culturais
Atribuição de apoios financeiros para a edição de Boletins Culturais, com o objectivo de promover e divulgar a actividades dos Centros de Cultura e Desporto. Foram contempladas 7 colectividades de todo o país.
A cerimónia de entrega dos apoios aos CCD’s das regiões Centro e Sul decorreu hoje, dia 27 de Janeiro, no Teatro da Trindade, em Lisboa.
O magnífico espectáculo apresentado em Lisboa foi o resultado de um desafio lançado aos CCD’s participantes nos Concursos Nacionais do INATEL, subordinado ao tema “Vamos Contar Histórias”, e uniu, num espectáculo com o mesmo nome, as participações de várias colectividades. Foram várias as histórias, contadas em pequenos quadros, nas áreas da etnografia e teatro, muito do agrado do público presente.
Pela sua riqueza etnográfica não quis deixar de colocar à vossa disposição algumas dessas imagens e deixa-vos uma breve biografia destes dois homens.
Carl Emil Biel, que após a sua vinda para Portugal passou a usar o nome de Carlos Emílio Biel, nasceu na Alemanha a 18 de Setembro de 1838 e faleceu no nosso país com quase 77 anos, depois de uma vida surpreendentemente activa e interessante, passada sobretudo na cidade do Porto. O uso industrial da fototipia, introduzida em Portugal por Carlos Relvas, foi possivelmente a área onde a actividade empresarial de Emílio Biel mais se distinguiu, facto a que não terá com certeza sido alheio o seu interesse pela fotografia. À época em que o Bilhete Postal Ilustrado (BPI) iniciou no nosso país a sua idade de ouro, Emílio Biel dispunha assim já de uma elevada sensibilidade artística, à qual se associavam todos os recursos técnicos necessários para lhe permitir converter-se num dos nossos principais editores . Tendo produzido cerca de 500 BPI, dos quais pelo menos cerca de metade dizem respeito à cidade do Porto.
Domingos do Espírito Santo Alvão, “Nasceu no Porto em 1869, no campo da regeneração, no seio de uma família da nova burguesia.Iniciou a sua actividade na Casa Biel (de Emílio Biel), e, depois de um breve estágio por Madrid, entra como operador-gerente para o estabelecimento do capitalista Leopoldo Cyrne, o Foto-Velo Clube, situado na rua de Santa Catarina, n.º 120. Em 1903 estabelece a sua própria casa no Velo-clube, que passaria então a chamar-se «Fotografia Alvão».
Além de ter sido o fotógrafo oficial das grandes empresas e instituições e do próprio Estado, foi várias vezes distinguido nacional e internacionalmente, é considerado um dos maiores fotógrafos do século XX. Nas suas imagens utiliza o grande plano como enquadramentos médios e aproximados, numa óptica de retratismo/documentarismo muito em voga na época.” (CVRVV, Ed. Internet).
Fonte bibliográfica:
Suplemento “Douro” da revista Evasões nº 114 de Outubro de 2007
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Os aventais de Buarcos são verdadeiros testemunhos artísticos e sociais, que reflectem as vivências populares das gentes intimamente ligadas, maioritariamente às fainas da pesca, mas também às salinas e às hortas.
Os bordados dos aventais de Buarcos têm também uma forte ligação com as festas e a veneração dos santos. Quase todas as mulheres bordam o seu avental para se apresentarem na procissão do mar, realizada todos os anos ou então para o seu próprio luxo domingueiro.
Os aventais eram e continuam a ser quase sempre bordados pelas próprias mulheres dos pescadores, enquanto que os homens andavam na faina. Em alguns casos, quando não sabem bordar ou são mais endinheiradas, os aventais são mandados bordar a mulheres da terra (bordadeiras especializadas). As mulheres de Buarcos vêm neste complemento do vestuário, um trajar mais rigoroso das peixeiras ciosas do seu património em desfiles, concursos etnográficos, procissões ou mesmo como bem vestir e bem parecer no regresso do marido a casa, depois de ausências pelo trabalho no mar.
As mulheres bordam o que vivem, o que sentem e o que lhes vai na alma. Podemos estabelecer entre os aventais bordados desta comunidade piscatória e os que encontramos em outras comunidades congéneres, como a de A-Ver-o-Mar, na Póvoa do Varzim, semelhanças. Aí, as mulheres competem umas com as outras na exuberância do acabamento dos aventais, para desfiles de festas e para concursos.
A data exacta do aparecimento destes bordados é extremamente difícil de precisar, já que existem muito poucos documentos escritos sobre esta arte. Contudo, algum estudo sobre a história regional e local foi de grande importância para permitir o entendimento e o despertar para a salvaguarda deste património que são os bordados dos aventais.
A actual costa Portuguesa era visitada por povos, como os Fenícios e Cartagineses, no sentido de procurarem estanho e Buarcos deveria ser um ponto de abastecimento e lugar de repouso, a fim de continuarem a sua rota. A palavra originária BOHAQ derivou para BOACUS e actualmente Buarcos. Não será nossa intenção demonstrar que estes bordados têm origem de alguma maneira nesta época, mas foi certamente o conjunto de todos os acontecimentos que as gentes que viviam nestas paragens enfrentaram, tais como as invasões pelos Holandeses no domínio Filipino ou ainda pelos Ingleses em 1602 e por piratas em 1754 que, segundo Santos Rocha, percorriam o litoral, imprimiram e moldaram a forma de viver e de ser de um povo.
Os motivos bordados nos aventais de Buarcos são, por vezes, de inspiração naturalista, com composições baseadas em flores e folhas, ainda que expressa de uma forma estilizada, ou por vezes naïf.
Referência Bibliográfica:
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006
Nos Estatutos da Universidade de Coimbra de 1431, D. João I mandou que os mestres e doutores, indo leccionar ou a quaisquer outros actos escolares dentro dos limites da universidade, andassem em aparato geral ou doutoral, os docentes licenciados ou bacharéis em hábito honesto até aos tornozelos e os outros escolares em trajos honestos, pelo menos até à meia perna.
D. João III, na "Ordenança para os estudantes da Universidade de Coimbra", de 1539, impõe regras ao uso do trajo académico, como já o havia feito D.Manuel I em 1503, determinando:
"Não poderão os sobreditos nem outros alguns estudantes trazer barras nem debruns de pano em vestido algum; nem isso mesmo poderão trazer vestido algum de pano frizado; nem poderão trazer barretes de outra feição senão redondos; e assim hei por bem que os pelotes e aljubetes que houverem de trazer sejam de comprido três dedos abaixo do joelho ao menos; e assim não poderão trazer capas algumas de capelo, somente poderão trazer lobas abertas ou cerradas ou mantéus sem capelo; não trarão golpes nem entretalhos nas calças nem trarão lavor branco nem de cor alguma em camisas nem lenços";
D. João IV, nos Estatutos de 1653 (chamados Estatutos Velhos), também efectua uma série de restrições.
Mas como seria o traje dos estudantes nesta época?
Universidade estava intimamente ligada à Igreja, era efectivamente uma instituição eclesiástica, e uma grande parte dos estudantes e mestres eram clérigos. É pois natural que os universitários adoptassem uma maneira de vestir eclesiástica.
O vestuário dos estudantes de Coimbra nos séculos XVI e XVII caracterizava-se por:
"Loba ou Sotaina, decorada à frente, de alto a baixo, com uma fileira de pequenos botões, abotoada pelas costas com botões ou cordeis, a qual descia até à meia perna; uma Capa com gola e alamares ou cordão de borlas; um Barrete arredondado ou de cantos; Calção sem entretalhos ou golpes, meias e Botas ou Borzeguins. Os estudantes colegiais traziam os Hábitos das respectivas Ordens, salvo os dos Colégios seculares de S. Pedro e S. Paulo que tinham um Hábito semelhante aos escolares colegiais de Salamanca [...]. Este Trajo usado nas Faculdades também era extensivo aos Lentes, ressalvando-se apenas o pormenor de a Sotaina dos Mestres chegar ao calcanhar, enquanto a do estudante chegava à meia perna. Através dos Estatutos de 1653, dados por D. João IV, ficamos a saber que nesta época ainda se usavam barretes redondos ou de cantos para cobrir a cabeça e não o Gorro comprido, o qual se começou a trazer mais tarde, talvez nos começos do século XVIII. Estes Estatutos conferem ao estudante liberdade para trazer debaixo da Batina coletes e camisas, só mais tarde se tornando obrigatório o costume de envergar Volta Branca e Cabeção Negro [...]."
As lobas dos colégios eram de cores variadas (dentre as que não eram proibidas, claro): em Todos os Santos usavam o pardo,
Desta forma, no seu início, o objectivo principal do Traje Académico, não era, como muitas vezes se diz, igualizar os estudantes, mas antes fazer distinguir os académicos na sociedade. Apesar da falta de uniformização, os estudantes eram obrigados a usar um traje académico. De notar que essa obrigatoriedade era permanente, nas aulas ou fora delas, dentro do território académico da cidade de Coimbra.
A uniformização plena do traje académico aconteceu possivelmente na passagem do século XVII para o XVIII.
Nos finais do século XVIII o Traje Académico, seria assim composto:
"Todo o cidadão que se condecora com o título de homem de bem, para decentemente aparecer no meio dos outros, carece para seu adorno externo, [...] enquanto estudante, de Verão, de sete [cousas], vem a ser:- cabeção, volta, camisa, batina, meias, sapatos, e fivelas; e de Inverno, de nove, porque entram calções e colete, que de Verão são inteiramente desnecessários."
As características medievais e clericais da Universidade de Coimbra começam a diminuir com a reforma do Marquês de Pombal, em 1772. Mas é só com o triunfo do Liberalismo em 1834 que começa verdadeiramente a aparecer uma universidade laica.
A Capa e Batina não são abolidas, apesar do seu carácter clerical e de várias outras críticas. Mas passa a ser obrigatória apenas dentro da Universidade.
"No meu tempo, ainda a quase totalidade dos estudantes andava sempre de capa e batina. [...] Ainda assim, já por lá começavam a aparecer os janotas, a que nós chamávamos os polainudos, que em saindo da aula se vestiam à futrica e iam para a Baixa de luvas amarelas e charuto!"
Nessa época e ainda hoje assim deve ser, a capa e batina não era um uniforme; era o símbolo da honra, da fraternidade e da mútua protecção. O espírito académico, a sua união nos grandes momentos de interesse comum, imperava sobre todo o organismo académico, convertendo toda a comunidade em uma só entidade.Agora sim, aparece a defesa do Traje Académico como factor de igualização dos estudantes. Possuindo ainda uma vantagem económica, sendo cómodo, o seu desgaste era sinónimo de respeitabilidade, era o emblema do veterano.
Em
"O vestuário é capa e batina; capa até ao tornozelo, com gola militar; batina curta até ao joelho, dois dedos abaixo; calção, meia preta de laia, sapato e volta em vez de gravata, como o padre.
No Inverno, no meu tempo, como se desenvolvia uma formidável epidemia de bexigas e tifo, era permitido andar de calça preta, caída, em vez de meia e calção.
Anda-se em cabelo, apesar de fazer parte do uniforme o gorro, saco preto que posto na cabeça cai pelas costas. Empregavam-no em carregar livros, frutas e outros místeres.
Andar em cabelo e muito bem calçado era o grande luxo.
A capa tem alamares para abotoar. Usa-se de muitas maneiras e bem traçada torna-se um traje muito elegante. Além de decorativa, é um magnífico cobertor”.
A partir de 1863 o Traje liberaliza-se bastante, nomeadamente no uso de calças em vez de calções. "O gorro era já raro pelas costas abaixo, ou caído em cima da orelha. A maior parte andava em cabelo, alguns traziam um pequeno boné preto como os de viagem, e as batinas já não eram as antigas lobas, que chegavam ao meio das canelas, mas umas batininhas que só chegavam aos joelhos (mais um casaco afogado do que outra coisa) - e a respeito de meia preta e volta de padre, só nos actos, e a volta às vezes era de papel, e as meias de algum teólogo!”
Os estudantes, cada vez mais burgueses e atraídos por ideias republicanas e anti-clericais, não sentiam qualquer identificação com um hábito eclesiástico, e, através do desrespeito pelas normas de uso do Traje Académico, iam-no de facto modificando.
Aos usos da capa sobre um dos ombros ou na mão, António Nunes acrescenta "colocada no braço em jeito de gabardine [...] ou enrolada no colarinho, ‘para diferenciar os estudantes dos seminaristas e padres’".
É interessante notar que muitas décadas depois de o uso da capa enrolada no colarinho se ter generalizado se mantiveram duas situações de excepção, provavelmente ambas em sinal de respeito pelo sagrado: na missa (capa simplesmente pelas costas, sem dobras no colarinho) e em sinal de luto (com a batina fechada - possivelmente em imitação da antiga batina eclesiástica - e a capa não só sem dobras mas também apertada com os colchetes do colarinho - possivelmente reminiscência de quando a capa tinha cordões).
É difícil definir uma datação precisa para a implementação desta manufactura da arte de bordar nesta região, devido à escassa documentação existente sobre o assunto. No entanto, a investigadora Madalena Braz Teixeira aponta as suas origens para um momento histórico em que a família real e toda a aristocracia da época que a acompanhava regressou a Portugal. Ora, esta aristocracia, para além de possuir um grande número de solares nesta região, também era detentora de colecções invejáveis de bragais. O uso, o desgaste e a necessidade de renovação certamente foram os principais motivos que levaram estes nobres a contratarem bordadoras para efectuarem a renovação e substituição das peças.
Os Bordados de Tibaldinho são singelos e harmoniosos e têm uma característica muito própria relativamente à policromia: são predominantemente brancos. Este aspecto está certamente ligado ao facto destas peças tratarem de roupa de casa, onde o branco é ligado à limpeza, higiene e dignidade, para além da mentalidade burguesa moralizadora da época, que associa o branco à pureza, honestidade e virtude.
Mas foi na festa anual de S. Mateus realizada na cidade de Viseu, que por volta de 1940 os Bordados de Tibaldinho tiveram grande impulso com uma exposição organizada pelo Dr. Sacadura Botte. A exposição nesta feira permitiu não só uma maior divulgação dos bordados como também maior apreço pelos mesmos. Posteriormente, em 1961, o Pároco de Alcafache, Padre
Revestia-se uma cómoda com uma toalha branca e com larga renda pendente. Em cima, colocava-se um pequeno trono em escadaria, que imitava o altar-mor da igreja. À medida que se elevava, os degraus eram mais estreitos. Outras vezes, colocavam-se as medidas de cereal, em escadaria, para se formar o trono. Este era coberto com um lençol ou toalhas de linho, com uma dobra de lençol de lindas rendas, com panos bordados pela dona da casa ou pelas filhas solteiras, onde abundavam motivos de cor azul e encarnada.
As imagens do Menino Jesus devem-se essencialmente aos pinta-santos ou faz-santos algarvios que surgiram no século XIX. Estes procuraram reproduzir as imagens dos imaginários, sobretudo o Menino Jesus e Jesus crucificado que, no Algarve, se chama Pai do Céu. A maioria das famílias algarvias, da zona do Barrocal e da Serra, no Sotavento, tinham em casa uma destas imagens. Era costume os pais oferecerem aos filhos, como prenda de casamento, a imagem do Menino Jesus e/ou do Pai do Céu, para ser colocada na casa de fora do novo lar. Na orla marítima, encontra-se a mesma tradição, sobretudo nos concelhos de Castro Marim e Tavira.O Clube do Coleccionador dos Correios lançou o livro - “Trajes Regionais, Gosto Popular, Cores e Formas” – assente na investigação da autora, Cristina L. Duarte, acerca da imensa variedade e riqueza de formas, cores e ornamentos dos trajes regionais portugueses.
Está à venda na Estações dos Correios ou pela net, custa 40€, e vem acompanhado da colecção de selos sobre o mesmo tema.
Pode ficar a saber mais em:
http://www.inteirospostais.com/revisitarostrajesregionaisdeportugal.pdf
Eis uma boa sugestão para uma prenda de Natal.



O “filé” foi bordado ainda noutras partes do globo, por exemplo na Pérsia onde este era bordado a ouro e prata sobre tecidos de seda.
Os Bordados de Filé não são como os outros bordados. Nos outros bordados as riscadeiras riscam o desenho e depois as bordadeiras bordam, mas no Bordado de Filé, a bordadeira tem como base do trabalho, uma rede. Essa rede é parecida com a rede de pescador, mas é feita com fio de algodão. As redes são feitas geralmente com fio cru ou de cor branca, dependendo dos trabalhos, mas em casos específicos podem ter outras cores. Esta rede tem de ter o tamanho do trabalho que se pretende realizar, e é feita com pequenos quadrados que variam também em conformidade com o trabalho pretendido. Por exemplo (três quadrados ao centímetro) ou (um quadrado ao centímetro). A espessura do fio de algodão também conta para os diferentes tipos de trabalho em “filé”.
Um trabalho bordado em “filé” pode incluir vários pontos, mas os pontos mais utilizados são o cerejido, o ponto a cheio, o ponto russo, o ponto de neve, o ponto formiga, o ponto de cruz, o ponto de estrelas, o ponto lérias, o ponto de argola, o ponto de olho de rola, e vários pontos de fantasia.
Os trajes que vos vou apresentar são cópias fiéis dos usados pelos nossos antepassados nos fins do séc. XIX até aos anos 20 / 30 do séc. XX na Região Saloia.
Traje de Leiteira
No bolso, usa o lenço tabaqueiro (vermelho) para limpar o suor ou transportar o tabaco.