Esta uniformidade da geográfica não tem necessariamente de se aplicar à tradição e cultura desta vasta região.
Muito embora existam características comuns, quem estuda a sua etnografia encontra uma tal diversidade, pontuada pelos pormenores que distinguem as diversas povoações, o jeito da aba do chapéu, a maior ou menor proliferação de bordados, a predominância do canto ou da dança, as diferenças da gastronomia, etc.
Se, aparentemente, a Serra da Ossa marca uma fronteira entre a predominância entre do canto (a Sul) da dança (a Norte), a Serra de São Mamede marca a fronteira para o trajo, mais garrido a Norte que a Sul.
A norte de S. Mamede ficam povoações como Nisa e Alpalhão, cujos trajos já foram descritos neste blog, mas também Castelo de Vide, onde os trajes domingueiros são ricamente elaborados e o bordado é amplamente utilizado como forma de enriquecimento das indumentárias destinadas aos domingos e dias de festa.
O Rancho Folclórico de N.ª Sr.ª da Alegria de Castelo de Vide apresenta alguns exemplares do labor e garbo das mulheres alentejanas, que não tendo dinheiro para a ostentação de riqueza como noutras regiões, procurava no seu melhor traje espelhar as suas habilidades de costureira, bordadeira e rendeira, portanto, boa mulher, mãe e dona de casa (a sagrada trilogia feminina).
De realçar que a utilização do bordado não se aplicava somente ao trajo feminino. A mulher gostava que o seu homem também reflectisse a sua arte e brio. Este, altivo e vaidoso, honrava apresentar-se aos seus pares com o melhor que podia.
As imagens que de seguida público são do Rancho Folclórico de N.ª Sr.ª da Alegria de Castelo de Vide e retratam trajos domingueiros daquela região.
Agradecimento a Virgínia Otten pela cedência de algumas das imagens.
Normalmente, estamos habituados a ver este tipo de equipamentos nas mãos de entidades públicas (Ministério da Cultura ou Autarquias Locais). Muito embora existam centenas de pequenas colecções pertença de ranchos folclóricos, estes raramente têm a possibilidade de as exibir com a qualidade ali apresentada.












Os xailes típicos de Nisa são brancos ou pretos, embora, pudéssemos encontrar xailes azuis, cor-de-rosa, ou vermelhos. São bordados a ponto de cadeia com desenhos que têm uma temática que nos reporta para a flora local, com cores garridas.
Em Alpalhão o xaile é bordado à máquina, de cor branca com flores variadas e de cores fortes ou vermelho bordado a branco e amarelo.
Em Montalvão surge o xaile de pêlo de cabra, com características muito distintas, tanto pela matéria de que é feito, como pela técnica utilizada na sua concepção. Também em Montalvão, encontramos o xaile de lã bordado a cores várias, mas onde predominam o rosa e o verde.
