sexta-feira, outubro 31, 2008

Tamancos e Socos - Entre Douro e Minho

Segundo alguns autores, terá sido na região de Entre Douro e Minho a área primitiva do aparecimento do calçado de pau em Portugal.
Existiu em Guimarães uma confraria dos sapateiros, sob a evocação de Santa Maria, cuja constância no tempo vem desde o século XIII e se projectara numa continuidade admirável sob o título abreviado de Irmandade de S. Crispim, tendo sido fundada em 1315 pelos sapateiros João Baião e Pedro Baião.
Uma sátira em verso do séc. XVIII, que define os habitantes de Entre Douro e Minho, faz-se referência ao calçado de pau.
“Homem de Entre Douro e Minho
Calça de pau e veste linho,
Bebe vinho de enforcado,
Traz o porco escangado,
Foge dele como do diabo.”
Se bem que em tempos passados o povo tivesse andado descalço, este calçado impunha-se como meio de protecção na realização de alguns trabalhos agrícolas, tendo por isso os seus melhores defensores na gente da lavoura.
Feito de pau de amieiro e um pouco de couro, este calçado humilde tem também a sua história.
Popularmente, os tamancos têm as designações de socos e taroucos. Se a pessoa que os usava era uma mulher, os tamancos eram designados por tamancas, os socos por socas, e os taroucos passavam a ser taroucas.
A propósito deste assunto, José Leite de Vasconcelos, o mestre da etnologia, refere que “as mulheres usam tamancas ou socas, que são menores e mais apuradas do que os tamancos, mas com sola de madeira”.
De qualquer forma, o tamanco era mais usado pelo homem e o soco mais usual na mulher, sendo inquestionável que este foi o calçado dos pobres, sem esquecer que também os ricos o usaram em muitas emergências do tempo e da fortuna.
As próprias condições físicas do terreno foram as inspiradoras do artífice tamanqueiro. Nas terras do litoral, o pau do tamanco é raso. No interior, o tamanco começa a arquear a biqueira. Já nas terras bravas das serras, o tamanco arqueia ainda mais, cingindo o couro mais ao pé, para melhor se acomodar ao terreno e à marcha.

As oficinas dos tamanqueiros situavam-se sobretudo nas recônditas aldeias. O tamanqueiro talhava as peles (de couro para os socos de homem e de crute para os socos de mulher), e pregava-as aos paus. Utilizava moldes de cartão grosso para cortar as peles e uma forma para fixar o cabedal ao pau de amieiro através de tachas. O artífice percorria as aldeias em busca do amieiros, que só podia ser cortado nas quadras da lua. O fabrico do tamanco era sobretudo um trabalho de Inverno, pois aproveitavam as Feiras de Verão para vender os seus produtos.
Os socos não eram só para uso no trabalho, mas também aos domingos, dias de festa e mesmo para certos actos de maior importância, como casamentos. No caso dos actos cerimoniosos, eram muitas vezes usados socos feitos de melhores matérias e acabamentos mais luxuosos, mas como eram dispendiosos apenas estavam ao alcance de uma pequena minoria. Ainda assim, muitas vezes durante o trajecto para um acto cerimonioso ou na deslocação para uma povoação, o soco era mantido debaixo do braço para não se estragar e só à chegada o calçavam.
A seguir descrevem-se alguns tipos de socos:


Soca Curta – Soca de bico arredondado, salto baixo, e em que as pontas dos “cortes” terminam próximo da quina do salto. Os paus podem ser pintados de preto ou à cor natural, sendo forrada no interior. Este é um modelo muito popular mesmo noutras regiões.
Soca Inteira – É um tipo de soca, de mulher, mais fechada, em que as “orelhas” dos “cortes” se juntam atrás sobre o salto, ficando acima deste cerca de 2 cm. O bico é arredondado e o salto alto. Sendo forrada internamente com uma palmilha.

Soco Rebelo – As orelhas dos cortes são mais altas do que no soco poveiro, juntando-se atrás sem se sobreporem. Neste tipo de soco, a forma é metida a maço e os cortes batidos e alisados com o cabo do martelo, a fim de se conseguir a curvatura do bico, que é a sua principal característica.

Soco Poveiro – É o soco, para homem, mais vulgar da região. O seu nome deve-se a ter sido a Póvoa do Varzim o seu presumível difusor. Soco de ponta redonda, em que as orelhas dos cortes se juntam atrás sem se sobreporem, ficando acima do salto cerca de 3 cm. É mais aberto que o soco rebelo. Como todo o tipo de soco para homem, o pau é de cor natural e sem palmilha no interior.
Chanca Rebela ou de Ponte de Lima – Fabrica-se de couro atanado dividido em duas peças denominadas “gáspea com biqueira” e “cano” ou “talão”. O “cano” ou “talão” é sobreposto à “gáspea”, fechando a frente através de um cordão de couro. A ponta é bicuda e um pouco arredondada. Antigamente eram feitas a partir do aproveitamento da botas velhas, às quais mandavam aplicar os paus.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Técnica dos Bordados da Ilha da Madeira

Actualmente o desenho é criado por um desenhador criador de bordados ou adaptado por um técnico desenhador; depois é colocada uma chapa sobre o original e são picotados os desenhos com uma máquina própria de picotagem.
Com a chapa sobre o tecido a bordar, usa – se uma pasta à base de parafina, azul e petróleo e estampa-se no pano. O pano é então passado à bordadeira, que executa a arte final (bordado).
As peças bordadas, de seguida são lavadas e passadas a ferro. Os recortes são feitos de seguida nos trabalhos que englobam motivos abertos. Depois a peça é engomada, dobrada e, por fim, embalada.
Os pontos mais utilizados nos bordados da Madeira são: caseado (Fig.5), cavaca, richelieu, arrendados, oficial, bastidor, cordão, pé de flor, francês, de sombra e o ponto de remendo. Como derivados existem o ilhó e a folha aberta.

O ponto caseado difere do “cordão” pelo nó produzido no cruzamento da linha de forma a assegurar a área de recorte; o ponto cavaca (Fig.8) é de figura geométrica circularexecutada em “ponto cordão” (Fig.6) com aberturas recortadas; o richelieu consta do “ponto caseado” quando utilizado nos contornos de motivos para recorte sobre tecidos de textura pesada; os pontos arrendados “Ana”, “Crivo”, e “Escada” (Fig.7) são pontos executados mediante a contagem e retirada de fios no tecido tanto na vertical como na horizontal e enlaçados com linha de acordo com a respectiva espécie. O ponto oficial é o “ponto cordão” quando utilizado nos contornos de motivos para recorte sobre tecidos de textura leve; o ponto bastido (Fig.9) é um ponto utilizado nos contornos de desenho cuja configuração exige determinado relevo; o ponto de cordão é o ponto utilizado nos contornos de desenho cuja configuração não obriga a recorte, quando sugere “caules” toma o nome de “pau”; o ponto pé de flor ou de corda para ser perfeito necessita de uma grande regularidade na dimensão dos pontos simples e que a distância entre a entrada e a saída da agulha seja sensivelmente igual; o ponto francês é utilizado para contornar e prender aplicações de outro tecido, necessita de execução cuidadosa para se obter o melhor efeito; o ponto de sombra só é utilizado nos tecidos transparentes – cambraias e casas o que implica muita delicadeza na realização do trabalho. Toda a linha é aplicada com efeito decorativo pelo que os pontos do direito contornam a figura enquanto os do avesso se destinam a sombrear a respectiva área; é necessário que a linha do reverso cubra o melhor possível a área da figura desenhada; finalmente o ponto de remendo é quase um ponto de costura e é muito utilizado para prender aplicações de outros tecidos.
A criação de bordados, contagem técnica dos pontos, estampagem, colorido, registo é feito na fábrica de bordados. Há um “agente” da fábrica que se responsabiliza pela distribuição dos bordados às bordadeiras, especialmente na zona rural. A bordadeira executa este trabalho domesticamente e volta à fábrica para pagamento e acabamentos. Nas fábricas existem empregados e operárias. São estas operárias que preparam a estampagem e os acabamentos. O sistema de comercialização principal é pelo “mostruário” das peças executadas, ou pela sugestão dos “clientes”.

Os preços da mão-de-obra são feitos a partir de “contagem” do desenho, a saber: todas as espécies de pontos usados nessas peças têm uma base calculada por unidade ou por metro.
Por exemplo, por cada “pétala” bordada entre um tamanho mínimo e o máximo desenhado, é contado um “ponto industrial”.
Acima da área máxima para um ponto ajusta-se a percentagem.
Um metro de “caseado liso” conta 60 “pontos industriais”, e assim outros têm cálculos compatíveis.
Uma vez tomadas as quantidades dos “pontos industriais”, estes são multiplicados por uma base legal e acha-se o preço a ser pago pela peça. Note-se que os “pontos industriais” nada têm a ver com os pontos que a bordadeira dá.
Os bordados clássicos são ainda desenhados em papel vegetal, picotado numa chapa sobreposta ao original e estampados com pasta azul.
Os bordados modernos são preparados pelo mesmo processo dos clássicos, mas o tipo de desenho é mais simples, permitindo os coloridos.
Tanto o bordado antigo como o bordado clássico, se forem genuínos, não comportam colorido. Devem ser brancos tanto o pano como a linha que o borda.

No bordado clássico usam-se linhos brancos ou crus para os brancos, o bordado deve ser em linha branca ou azulada. Nos bordados sobre linho cru, a linha deve ser de uma só cor que vai desde o bege ao tom do pano e deste ao castanho-escuro.
A beleza do desenho salienta-se pelo recorte das partes abertas dos motivos, ficando os bordados apenas como contorno ou motivo de composição. O desenho clássico não é descritivo. Ele sugere no pano a ideia artística.
No entanto, por evolução e gostos comerciais, passou a descrever-se motivos e a usar-se nesses desenhos várias cores. Usam-se cores garridas nessa tentativa e como esse tipo de desenho é quase barroco, no todo faz efeitos agradáveis.
Quem pesquisar com cuidado o desenho clássico genuíno entenderá facilmente que este só permite uma cor.

Os trabalhos modernos são feitos de organdi, cambraias e tecidos leves, ou muitas vezes com aplicações, que são decorrências do meio bordador e de influência de mercados. Usam-se cores “pastel”, delicadas e harmonizadas. Não podemos classificar este tipo de bordado como um verdadeiro Bordado da Madeira, mas aceita-se o facto de ser Bordado da Madeira.
Desde 1938 é obrigatório que o bordado para venda disponha de um selo de garantia, por isso, quando comprar bordados da Madeira, procure o selo de garantia.
Referência Bibliográfica:
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006
Se quer aprender mais sobre o bordado da Ilha da Madeira visite a Fabrica de Bordados Oliveiras

sexta-feira, outubro 24, 2008

História do Bordado da Ilha da Madeira

O bordado faz parte da cultura e História dos madeirenses. Tal como sucede com o vinho, é uma das marcas que os identifica. A sua presença suplanta as barreiras naturais do arquipélago para se postar em mesa ou cama rica.
Foi executado em meio pobre, mas quase sempre solicitado para em mesa ou cama nobre.
O bordado está presente na ilha desde os primitivos tempos da ocupação. A tradição de bordar, do local de origem dos povoadores, acompanhou-os na travessia atlântica e instalou-se no novo espaço. Deste modo borda-se na ilha desde o início do povoamento. Bordava-se em linho, algodão, seda e organdy para se fazerem toalhas de mesa, peças decorativas, jogos de cama e peças de vestuário, nomeadamente feminino. A leitura de alguns testamentos revela-nos que muitas daquelas peças de vestuário passavam de pais
para filhos, não apenas pelo valor sentimental, mas também, pela raridade e riqueza do bordado.
Era trabalho de inestimável valor que, por isso mesmo, não podia ser vendido, apenas era de usufruto familiar, prenda de enxoval ou legado por morte. Por muito tempo o bordado foi considerado um produto não vendável, que raramente saia do circuito familiar.

O bordado como mercadoria de exportação com peso evidente na economia da ilha tem pouco mais de cento e cinquenta anos, mas o mesmo bordado está presente desde os tempos do povoamento do arquipélago na casa dos madeirenses.
Durante este silêncio de mais de trezentos e cinquenta anos a madeirense bordava de portas adentro para compor o seu enxoval ou para presentear os parentes e amigos. A assiduidade da presença de estrangeiros na ilha, de passagem ou em actividade de negócios e o seu interesse evidente pelos usos e costumes propiciou a revelação do quotidiano madeirense e a valorização do trabalho artesanal, como as flores, as rendas e o bordado.
A partir do século XVIII esta assiduidade dos europeus aumenta e prolonga-se o período de estadia. Aos aventureiros e mercadores, juntam-se agora os cientistas e, acima de tudo, os doentes da tísica pulmonar que buscam no clima ameno da ilha na época invernal o alívio para a doença. Ao Funchal acodem muitas personalidades de destaque na sociedade europeia de então. Os registos de entrada da alfândega e, por vezes, os jornais referem-nos a presença de aristocratas, príncipes, escritores, cientistas. Foram estes que em estâncias demoradas em casas e quintas dos madeirenses descobriram o segredo dos lavores guardados portas adentro, apaixonando-se pelo lavor das mulheres que os fizeram.
A notícia correu de boca em boca e rapidamente o bordado saiu do casulo familiar para se transformar numa forma de apoio à subsistência de muitas famílias. As bordadeiras retiram das arcas os desenhos das peças herdadas e fazem delas autênticas obras de arte, que vendem à chegada dos estrangeiros ao porto ou de porta em porta das casas e quintas onde estes se alojam. A fama do trabalho da agulha das madeirenses encantou aristocratas e burgueses europeus e rapidamente se entendeu que estava aqui uma mais-valia para os negócios. Por mão de uma mulher, Miss Phelps, o bordado singrou no mercado britânico. Não foi esta donzela britânica quem descobriu ou criou o bordado madeira a partir de 1856. A ela apenas se deve a promoção do bordado no mercado londrino e o facto de ter procurado adaptar os padrões bordados ao gosto dos clientes.
O Funchal de meados do século XIX era uma cidade cosmopolita. Nas suas ruas cruzam-se cidadãos de diversas nacionalidades, nomeadamente britânicos e alemães. A disputa entre as duas potências pelo domínio do Atlântico passa também pela Madeira. Até então os britânicos dominavam quase por completo o mercado madeirense, que começaram a perder com a independência dos Estados Unidos da América. A estes seguiram-se os alemães a partir de 1880 que passaram a intervir de forma directa no comércio e produção do bordado.
A sua entrada foi o élan necessário para a completa renovação e afirmação do bordado não apenas no mercado alemão, mas também no norte-americano.
Os alemães trouxeram as mais significativas inovações tecnológicas para o sector e alteraram por completo o processo de produção do bordado. A bordadeira passa a assumir apenas a função de bordar, sendo-lhe impostos os panos, os linhos e os desenhos. Esta mudança implicou a o aparecimento de novos intervenientes no processo e à afirmação das imponentes casas de bordados na cidade. As vetustas casas de vinho e até mesmo alguns hotéis mudam de inquilino e de funções. A partir do último quartel do século dezanove o bordado é uma das principais riquezas, enquanto o vinho agonizava vítima do oídio e filoxera.
O século XIX anunciou-se como a época dourada do bordado madeirense.
Apenas os conflitos mundiais e a concorrência de outras áreas fez perigar esta esperança dos madeirenses. A primeira Guerra Mundial afugentou os alemães mas trouxe os sírios que contribuíram, ainda que por pouco tempo, para o reforço do mercado norte-americano. As dificuldades dos anos vinte afugentaram os sírios, mas não acabaram com o bordado. Isto foi o princípio do retorno do bordado às mãos dos madeirenses.
O bordado Madeira, perante as dificuldades evidentes de um mercado limitado e exigente, não agonizou, antes pelo contrário soube vencer as dificuldades, diversificando os mercados e ajustando-se às exigências dos clientes. A inovação esteve sempre presente no historial do bordado a partir dos anos oitenta. Esta situação continuou até aos dias de hoje e as novas tecnologias e o Design entraram como tábua salvadora da tradição de bordar no novo milénio. Em todo este processo foram fundamental o trabalho e paciência da bordadeira anónima, a peça fundamental deste processo mas a que menos usufrui.
A história regista dois produtos que ontem como hoje, são a imagem de marca do arquipélago. A Madeira identifica-se pelo vinho e bordado, que correram mundo. Foram, e continuam a ser, produtos de grande interesse económico que sempre deram aos estrangeiros a mais elevada maquia e ao madeirense uma magra esmola.
O bordado pode muito bem ser entendido como uma obra de arte. Mas acontece que aqui o artista é anónimo. O desenhador, que traça de forma primorosa os motivos florais e a composição é anónimo, bem como a bordadeira, que com mãos de fada, lhe dá forma e relevo.

Referência Bibliográfica: Leandro Jardim “O Bordado da Madeira na história e quotidiano do arquipélago” 1996

Site a visitar:http://www.bordadomadeira.pt/

quinta-feira, outubro 23, 2008

O traje de “Meia-Senhora”ou de “morgada” - Minho


O traje de “Meia-Senhora”ou traje de “morgada” significa que a lavradeira, mesmo com o casamento não atingiu ainda o titulo de “senhora” dentro do quadro das distâncias sociais.
É sinónimo de casa farta, boa lavoura, criadagem, tulha cheia, soalhos encerados e o cheiro a mosto nas adegas.
Compõe-se normalmente de saia de chita, com estampado de flores, guarnecida com bastas e folhos com aplicação de espeguilha ou saia de fazenda preta com uma basta a que se segue um galão salpicado a vidrilho da mesma cor.
Casaquinha preta com fitilhos e vidrilhos a guarnecê-la ou casaquinha com de “armur” com peito guarnecido a galão de cetim e vidrilhos, e rematada a renda branca nos punhos e gola. Lenço de seda natural estampado, chinela com meia bordada e o “guardasolinho” e a “casaca de confeitos” em crochet a pender-lhe das mãos e a substituir a algibeira.

terça-feira, outubro 14, 2008

O Aldeão da Murtosa de 1816 - Beira-Litoral

Em toda a região costeira o homem sempre trabalhou em camisa, camisola, ou às vezes em colete com as mangas da camisa arregaçadas. Quaisquer calças serviam, desde que fossem amplas. Reduzia-se ao mínimo o vestuário, o suficiente para cobrir a nudez.


O Aldeão da Murtosa não fugia a essa regra, vestindo-se da seguinte forma:

Manaias, também chamadas calças de quadrado, feitas de estopa (a parte mais grosseira do linho); Camisa ampla de linho; Casaca de burel, ao ombro ou vestida; Cinta de lã vermelha; Chapéu de copa muita alta, chamado Baromba. Este era um chapéu extravagante, que servia para proteger do sol, mas, principalmente, para mostrar opulência; Calçava soletas, uma espécie de sapato rudimentar.
Fonte: Museu Etnográfico de Ovar

sexta-feira, outubro 10, 2008

Pescadores da Murtosa – Beira litoral

O mar e a actividade piscatória influenciou de maneira indelével a vida da Murtosa.
À mulher do pescador cabia-lhe, na maior parte das vezes, a tarefa de fazer a venda do peixe e, descalça pelos caminhos, de chinelas nas povoações e saia ensacada para facilitar os movimentos, esta mulher não corria, voava.

A figura desta Peixeira chegou até Cacia e Águeda, depois de atravessar a Ria de barco ou bateira. A pé, passou por Estarreja, Salreu, Canelas, Fermelã e Angeja.
A Peixeira de 1900 vestia da seguinte maneira:
Saia de chita ou de lã, ensacada; Blusa de chita; Cinta preta de lã, para ensacar a saia; Avental de popelina; Algibeira; Chapéu de varina; Xaile traçado; Chinelas de salto alto;

A pesca, uma das principais actividades desta região, era um trabalho muito duro e, por vezes, muito pouco produtivo.
O pescador dos finais do século XIX e princípio do século XX, até cerca de 1910, vestia com a maior simplicidade, pois tinha poucas posses. A dureza do trabalho exigia que a roupa facilitasse os movimentos, tanto na faina como quando calcorreava grandes distâncias a pé para vender o produto do seu trabalho.
Vestia da seguinte forma:
Camisa aos quadrados de flanela com abertura até ao peito; Ceroulas aos quadrados de flanela amarradas em baixo por fitas; Quando ia vender, usava cinta de linho com as pontas caídas e, no trabalho, uma cinta preta de lã toda enrolada na cinta; Barrete preto de lã; Tamancos; Saca onde guarda o dinheiro;
Usa cangalhas, onde transporta o peixe.
Hoje em dia estes trajes são utilizados apenas nas apresentações públicas de grupos etnográficos e folclóricos.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Como trajavam as crianças

A maioria dos ranhos folclóricos nacionais apresenta, entre os seus elementos, crianças de tenra idade, colocando-se frequentemente a questão de como se devem trajar.
Existem muitos estudos sobre os trajes regionais, no entanto, poucos abordam o trajo infantil, pelo que decidi abordar o assunto.
Em primeiro lugar, devo recordar que a maioria da população portuguesa, até meados do sec.xx, vivia sobretudo da agricultura e da pesca. Era uma população com poucos recursos, para quem os filhos significavam riqueza, mais braços para trabalhar e para contribuirem para o rendimento familiar.
Às raparigas, desde cedo, eram atribuídas tarefas domésticas, cuidando da casa e dos irmãos mais novos, quando não teriam mais de 7 ou 8 anos. Poucas eram as que frequentavam a escola ou aprendiam a ler, o que era considerado dispensável, já que,a s raparigas deviam ser preparadas para o trabalho doméstico, seu destino era casar e ter filhos.


Os rapazes mereciam tratamento diverso. Não lhes eram exigidas grandes responsabilidades, embora pudessem ajudar os pais na lavoura ou na faina. Normalmente, frequentavam a escola e continuavam a trabalhar na actividade da família. Quando a família tinha alguns rendimentos eram entregues como aprendizes a algum mestre de ofício, a quem pagavam, para que ao rapaz fossem ensinados os segredos de uma determinada profissão.

Mas, como trajavam estas crianças?

Os fracos recursos promoviam a reciclagem das roupas e muitas vezes possuíam apenas uma muda de roupa, que era lavada à noite quando s
e deitavam, para que secasse e pudesse ser vestida na manhã seguinte.
A roupita melhor era guardada para dias especiais e de festa.
Muitos só conheciam sapatos quando entravam para a escola ou ainda mais tarde. Andavam muitas vezes descalços, com uns socos de madeira e carneira ou com umas alpercatas de tecido ou couro.
Frequentemente os trajos das crianças não eram mais que miniaturas dos trajos dos adultos.
Era habitual que as roupas dos pais e irmãos mais velhos passassem para as crianças, depois de devidamente adaptadas. Da camisa velha do pai era feita uma nova para o filho ou adaptava-se um vestido da filha mais velha para que a mais nova pudesse ter um vestido novo do dia da festa da aldeia.
Assim se vivia, com pouco, do qual se fazia muito.


É assim, natural encontrar-mos imagens de crianças vestidas tal como os adultos, quer nos trajos domingueiros, como nos do dia-a-dia, ou mesmo no luto, altura em que ficavam sujeitas as mesmas obrigações sociais que os adultos.

As imagens que ilustram este artigo são da primeira metade do sec-XX. As duas primeiras foram tiradas na Nazaré, por Bill Permutter e Jean Dieuzaide, a última é sobejamente conhecida, são os Pastorinhos de Fátima no seu trajo domingueiro da região de Leiria.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Trajos populares de Pardilhó - Estarreja

O trajo que vemos corresponde ao «vendedor de aves de Pardilhó», hoje representado pelo grupo etnográfico Danças d’Aldeia, de Pardilhó, e pelos Camponeses da Beira Ria, do Bunheiro. O vendedor de aves deslocava-se a pé ao Porto e, certamente, a localidades mais próximas de nós, para vender a sua caça. Mas que aves seriam aquelas? Os autores dos trabalhos publicados até à primeira metade do século XX falam na pardilheira, à qual também chamavam de pardilho, que pela descrição feita dever-se-á tratar do marrequinho (Anas Creca), na nossa região também conhecido por marreca ou marrequinha. É a ideia que podemos adiantar pela informação que nos deu o nosso amigo Paulo Santos. Aquela ave abundava na nossa ria no antigamente, embora não possamos hoje dizer o mesmo, e talvez fosse caçada à noite com redes. Poderia tratar-se de igual modo de pardais e é possível que venha daí a alcunha de “pardaleiro” em Pardilhó.
O original da fig. 1 aqui publicada, legendado como «Marchand de volaille de Pardilho», foi encontrado pelo Padre António Ruela e Silva num alfarrabista de Paris, há mais ou menos trinta anos. A figura avulsa pertence hoje ao nosso amigo Eng. José Ruela e Silva, que gentilmente no-la emprestou, e faz parte de uma vasta colecção francesa, editada em quatro volumes de 1843-1844, todos recheados de figuras coloridas, correspondendo o primeiro volume ao continente europeu. Estes volumes, cujo autor foi Auguste Wahlen, foram baptizados de «Moeurs, usages et costumes de tous les peuples du monde, d’après des documents authentiques et les voyages les plus récents» (Bruxelas, «Librairie historique-artistique»). Existe uma tradução portuguesa por Francisco Ludovino de Sousa Freitas Sampaio, com o nome de «Costumes usos e trajos de todos os povos do mundo em face de documentos authenticos e das mais recentes viagens», Lisboa, Imp. Lusitana, 1872-1878.
Entre as muitas dezenas de gravuras desta colecção, todas elas fora do texto e coloridas, há apenas três de Portugal: o vendedor de aves de Pardilhó, Ovarina, e Mulheres de Miranda (do Douro). O Dr. Rocha Madahil faz referência a esta colecção e ao respectivo vendedor de aves no seu trabalho «Alguns aspectos do trajo popular da Beira Litoral», que publicou-se no «Arquivo do Distrito de Aveiro» a partir de 1938, nos volumes IV (pág. 145 e ss. e 213 e ss.), V (pág. 59 e ss. e 247 e ss.) e VII (pág. 115 e ss.), e em separata em 1941. O Museu de Ovar entendeu numa das suas múltiplas publicações, e bem, reeditar este trabalho do insigne investigador regionalista que é o Dr. Rocha Madahil, em 1992. É ele quem nos diz ainda que o vendedor de aves de Pardilhó «documenta a sua evolução última com as manaias dos marnotos das marinhas da Ria de Aveiro».

A vendedora de peixe de Pardilhó e Murtosa, obtemo-la na Biblioteca Nacional, e não fosse o surgir no interior da capa de «Murtosa Gente Nossa», de Lopes Pereira, pouco nítida e legendada meramente como «trajo antigo», sem qualquer referência à sua verdadeira origem, seria entre nós completamente desconhecida. A figura foi publicada em Paris, provavelmente em 1843, legendada como « Mde de poissons de Pardilhé et Murtoja», i.e Marchande de Poissons de Pardilhó et Murtosa, constituindo o número 81 da colecção do Musée Cosmopolite, que tem também a «femme d’Ovar» e o «Paysan de Murtosa», utilizados de igual modo por Macphail, de quem falaremos de seguida, na sua primeira colecção.

Dos dois vendedores João Macphail, que rapidamente terá tido conhecimento de existirem, fez uma reprodução mais ou menos aproximada. Deste tipógrafo lisboeta são célebres três colecções de litografias de trajos populares portugueses que, tendo merecido reparos vários na época em que se editaram, não deixam de ter o seu valor. Rocha Madahil dá-nos informações acerca de todas. A primeira colecção de estampas coloridas litografadas por Macphail data de 1841 e são dela conhecidas 18 figuras. Nova colecção sai logo em 1842, conhecendo-se desta 12 figuras. A terceira não tem data, embora Alberto Sousa lhe atribua 1843 (sem fundamento, segundo cremos), e constitui-se, que se saiba, de 17 figuras, sendo duas delas da Beira Litoral, o vendedor de aves – que estende também à Murtosa – e a vendedora de peixe.
As duas figuras que nos interessam da 3.ª série de Macphail (fig. 3) aparecem no trabalho de Alberto Sousa «O trajo popular em Portugal nos séculos XVI e XIX», de 1924, com as seguintes legendas:
«VAREIRO – Pardilhó e Murtosa – 1843
Barrete preto com orla vermelha, cabelo em compridas guedelhas, camisa aberta no peito, cinta vermelha, cuecas e colete azul com grandes botões de metal. Vende Caça.»
«VAREIRA – Pardilhó e Murtosa – 1843
Chapéu de abas largas, lenço branco pousando sobre a romeirinha preta, corpete vermelho com grandes botões prateados, saia azul apertada na cintura.»


Daquilo que de trajos populares respeitantes ao concelho Estarreja há notícia até ao final do século XIX não conhecemos mais nada. Por isso estas são as figuras de costumes mais antigas publicadas respeitantes ao concelho de Estarreja. Estando nós numa região de costumes tão diversificados, onde a Murtosa, vizinha e culturalmente próxima, surge tão frequentemente com trajos diversos em trabalhos como aqueles a que aludimos, o ter encontrado duas figuras de Pardilhó deu-nos alguma satisfação, só minimizada pela frustração de não haver mais nenhuma das outras seis freguesias do concelho. Se foram estes os trajos que aqui mais chamaram a atenção das colecções do século XIX, então talvez possamos dizer que estas duas figuras correspondem àquilo que de mais típico existe no concelho de Estarreja.


Fonte: Marco Pereira, 2002 In http://pardilho.planetaclix.pt/index.htm

quinta-feira, setembro 18, 2008

O BARQUEIRO DO MONDEGO


O Rio Mondego, até princípios do século XX, era a única via de comunicação importante da região, dando emprego a muita gente das suas proximidades como Barqueiros, Calafetes, Carreiros, Estanqueiros, etc.
O Barqueiro do Mondego, tinha como função conduzir a Barca serrana, no transporte de lenha, carqueja e carvão para Coimbra ou Figueira da Foz. No sentido inverso, era possível receber mercadorias por mar e embarca-las rio acima. Assim, para além de peixe (seco ou salgado), sal, louça de Coimbra, vinho, etc. Paralelamente com o transporte de mercadorias, também transportavam lentes e estudantes da Universidade de Coimbra, que iam passar férias às suas terras Natais.
A Barca serrana deslocava-se com a ajuda de remos, da vela, da corrente do rio e por vezes das varas (quando havia menos água), espetando-as no fundo do rio e andando pelo bordo, apoiando a vara contra o lado do peito, virados para a ré. Tinham que colocar um pano grosso, para protegerem o peito, mas mesmo assim fazia “mossa”.
O traje do Barqueiro do Mondego era composto por ceroulas até aos joelhos, uma camisola de lã, um colete, um garroço para o frio e os pés descalços ou com alpercatas de pano.
Para dormir, as barcas possuíam na proa ou na ré, umas cavidades “Leito”, onde os barqueiros dormiam, sendo o colchão de esteiras de palha, colocados por cima do estrado, e tendo como cobertores, a vela ou sacos, e dormiam com os pés para o bico.
Muitos eram os portos importantes ao longo do Rio Mondego, para carregarem e descarregarem mercadoria. Dos quais destacamos o Porto da Raiva, como sendo o mais importante, e considerado um dos maiores do país, até meados do séc. XIX. Porto este que diz a tradição, que a povoação da Raiva, era então situada na Foz do Rio Alva.
Aqui chegados, as mercadorias eram descarregadas, e depositadas em locais apropriados, e depois eram levadas em carros de bois “Os Carreiros”, e distribuídas pelos concelhos de Penacova, Arganil, Tábua, Mortagua e Oliveira do Hospital.
Nos portos de Coimbra, os barqueiros quando procediam ao carregamento ou descarregamento das barcas, tinham de calçar as alpercatas de pano, se fossem apanhados descalços pelos guarda rios, eram multados, se porventura andassem com um pé calçado e outro descalço, pagavam metade da multa.

Fonte: Rancho Típico de Miro "Os Barqueiros do Mondego" do Grupo de Solidariedade Social, Desportivo, Cultural e Recreativo de Miro

domingo, setembro 14, 2008

A Saia no Traje à "vianesa" - Minho


Das mãos e arte das tecedeiras nascem duas das peças mais vistosas do traje à «vianesa»: a saia e o avental. É na Serra d’Arga que se concentram e onde se distingue a tradição das saias tecidas em lã, das quais, três merecem hoje destaque:

A saia conhecida por regional - tecido vermelho com estreitas listras pretas e brancas. É a saia tradicional do traje de Viana, usada em todo o distrito e com variantes em azul, verde ou preto ou branco (como acontece na Meadela);

A saia designada de moscas - tecido com uma cor de fundo - azul, verde, vermelho, branco ou preto (luto) e barrras de puxados (moscas), formando desenhos noutras cores (onde todas as combinações são possíveis e ficam ao gosto da tecedeira). A técnica dos puxados (moscas) consiste em puxar o fio da trama (tear), com um gancho ou mesmo com o dedo, em determinados sítios antes de tramar com o pente (também se usa esta técnica nas conhecidas mantas de trapos). É a saia mais usada pelas raparigas de Dem e a mais exuberante.

A saia de cordões - só usada pelas raparigas da Serra d’Arga é, também, uma saia feita com tecido de várias cores (regional), com listras pretas e brancas mas onde se entremeiam cordões de fio de lã grossa. Para que qualquer destas saias ficasse mais comprida acrescentam-lhe o «forro» (30 cm) de fazenda (geralmente de cor preta), onde se bordam as silvas. Ter-se-iam iniciado na Meadela pela Senhora “Sãozinha da Branca» no início do século e ocupavam só a parte superior do forro. Hoje variam, quase de aldeia para aldeia, e devem-se à imaginação da bordadeira. Na Montaria acrescentam-se às silvas, fores, folhas de várias cores a que se juntam lantejoilas e que chegam a ocupar todo o forro.

terça-feira, setembro 02, 2008

Os Aventais Minhotos - Minho

O Avental é parte integrante do trajo Minhoto e apresentam uma riqueza de motivos, cores e formas que merece uma referência especial.

O mais antigo é o chamado avental aos «cadros», feito com puxados formando «quadrinhos» - pequenos quadrados e outros desenhos de carácter geométrico.

O mais moderno é o chamado avental de rosas: trata-se de um avental de puxados com um rectângulo central, contornado por uma barra onde estão dispostas simetricamente seis rosas, completadas ou não com folhinhas e fores ou mesmo barras verticais com alguns desenhos geométricos.

Os modelos mais ricos provêm de Perre e Outeiro, assim como de Cardielos, Serreleis, Santa Marta e Meadela.

Os aventais de Afife são muito diferente dos anteriores.

Possuem fundo vermelho constituído por dois «andares» de padrão diferentes, mas ambos de riscas pretas. A separar os dois «andares» (o superior é maior), encontramos uma fieira horizontal de puxados «topes» na cor vermelha formando uma espécie de franja, feito com lã que se vai me tendo e puxando ao longo da tecelagem.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Renascer das Cinzas

Após 12 anos de inactividade o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Cano, Sousel, renasceu das cinzas, tendo já efectuado duas apresentações na sua terra, uma delas incluída no XXVIIIº Festival Internacional de Folclore de Sousel, no passado dia 2 de Agosto.
Não sendo canense de nascença, sou-o por afinidade e sentimento, confesso que foi com lágrimas nos olhos, tal como centenas de pessoas presentes, que presenciei a actuação daqueles homens e mulheres, que com coragem e determinação fizeram ressurgir das cinzas o Rancho de Cano. E se a idade se notava em alguns cabelos brancos, nas pernas e na vitalidade das danças pareciam ainda uns meninos.
Cantaram-se e dançaram-se as "saias", as “mazurcas” e o "jogo do pau" e o público cantarolava em uníssono cada número, tal era a memória e a saudade.
Apesar dos seus 75 anos, João Leão, há muito ensaiador e impulsionador deste grupo, mantém uma voz ainda jovial acompanhando o acordeão do amigo Calado.
Eis uma flor dos prados alentejanos que viu chegar a Primavera em época estival, desabrochando linda e viçosa. Agora, só precisa que a tratem com carinho, que a reguem, para que as suas raízes se fortaleçam e que ela possa crescer.
Bem hajam! Cuidem bem dessa flor.

terça-feira, agosto 05, 2008

Grupo Folclorico Casa de Portugal de São Paulo visita Oeiras

O Grupo Folclorico Casa de Portugal de São Paulo está de visita ao nosso país e actua hoje, dia 5 de Agosto de 2008, pelas 21:30 horas, no Auditório Ruy de Carvalho, em Carnaxide (Oeiras).
Lá estarei para lhes dar as boas vindas.

quinta-feira, julho 24, 2008

Gravura de um Almocreve

Neste blog já descrevi o trajo do Almocreve da Estremadura, mas recentemente descobri uma gravura de um grande artista plástico português, que retratou delicadamente um almocreve dessa região – Rafael Bordalo Pinheiro.


O autor do Zé Povinho que se veio a tornar num símbolo do povo português, foi um desenhador e aguarelista, ilustrador português, de obra vasta dispersa por largas dezenas de livros e publicações, precursor do cartaz artístico em Portugal, decorador, caricaturista político e social, jornalista, ceramista e professor.


terça-feira, julho 22, 2008

Os Romeiros da Quaresma – São Miguel - Açores

Na 4ª feira de cinzas dá-se início à Quaresma. Durante as 5 semanas que se seguem é comum ver nas estradas de São Miguel grupos de homens caminhando e rezando em voz alta. Estes peregrinos a que se dá o nome de Romeiros, saem às ruas da ilha todos os anos para reafirmar a sua fé e agradecer a Deus as graças concedidas.

A tradição terá surgidos em 1522, quando a primeira capital de São Miguel, Vila Franca do Campo foi sacudida por um forte tremor de terra. Seguiu-se uma erupção vulcânica em que dos 4.500 habitantes só sobreviveram 500. Quarenta anos mais tarde outro vulcão surgiu no local onde se situa a Lagoa do Fogo.

Desde então há registo de que todos os anos grupos de homens caminham orando à volta da ilha, cumprindo promessas, é sobretudo a rezar que os dias vão passando, rezar e caminhar.

Durante 1 semana estes homens carregam consigo apenas um saco com o essencial e vão pernoitando em igrejas, escolas ou casas de pessoas que se oferecem para receber os Romeiros. Por vezes as casas de folha (palha) são suficientes para passar a noite. Na casa em que são acolhidos é hábito lavarem-lhe os pés doridos.
O “procurador das almas” é quem fica para trás do cortejo, de modo a receber os pedidos de quem passa por eles na estrada. Os “irmãos” rezam, sendo o “mestre” quem sabe quais as orações apropriadas. O “contramestre” segue a meio do cortejo, na companhia do “lembrador das almas”, enquanto à frente os guias marcam o compasso, dão o ritmo de modo a facilitar a caminhada e a torna-la mais agradável a todos. Os irmãos mais pequenos caminham à frente e levam a cruz.

Trazem todos na mão o bordão de madeira e trajam hábitos tradicionais, carregados de simbolismo. Antigamente andavam descalços, actualmente, utilizam calçado mais confortável. O bordão é feito em pinho, à medida de cada irmão, o do mestre destaca-se dos restantes por possuir uma cruz na extremidade. O xaile representa o manto com que cobriram Jesus; o lenço representa a coroa de espinhos; a saca que transportam às costas representa a cruz e o terço é dedicado à Virgem Maria.

Quando regressam à paróquia, as irmandades despedem-se na chamada “despedida da salvação”, uma festa em que participam todos os habitantes da freguesia.

Passaram oito longos dias de caminhada e fé, de companheirismo e oração. Fecha-se o percurso em círculo no sentido dos ponteiros do relógio, como se uma viagem de eterno retorno se trata-se, uma volta à ilha, uma volta ao mundo.

sexta-feira, julho 11, 2008

Serra do Cadeirão - Cortelha - Algarve

O Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão, foi fundado em 2003, na aldeia da Cortelha, em pleno Concelho de Loulé.
O objectivo principal da constituição deste grupo foi a divulgação e o estudo da cultura e etnografia da Serra do Caldeirão, neste momento o grupo é composto por cerca de 60 elementos e representa as danças e cantares do interior algarvio.
No filme que se segue pode-se ver alguns dos seus trajes ao som de um corridinho, mas aconselha-se uma visita ao site da Associação dos Amigos da Cortelha.

segunda-feira, julho 07, 2008

Santa ignorância

Os habituais leitores deste blog sabem que raramente expresso a minha opinião, mas, como dirigia o Dr. Mário Soares, também tenho direito à indignação, senão vejamos:

Desfolhava eu a revista Equitação de Maio/Junho 2008, quando logo no primeiro artigo vejo a imagem que exponho. Já nem consegui ler o artigo, tão abismado que fiquei como o que os meus olhos viam.

O artigo era sobre o Concurso Internacional Oficial de Lisboa, que decorreu no hipódromo do Campo Grande, e ao que parece, uma mente brilhante resolveu dar cor ao desfile dos cavaleiros utilizando como porta estandartes crianças com trajes tradicionais portugueses. Até aqui tudo bem, diria o leitor, não fossem as crianças vestidas por quem é ignorante na matéria (para não chamar asno porque os ditos não têm culpa), e não pensou que o que estava a fazer não seria apenas “para inglês ver”.

Uma organização com 88 anos de existência, que traz a Portugal alguns dos melhores cavaleiros do mundo e que tem a responsabilidade de promover um dos melhores produtos nacionais, o Cavalo Lusitano, devia de ter vergonha da forma jocosa com que trata a etnografia portuguesa.

As meninas que surgem na imagem vestem dois fatos madeirenses (???) de meia vermelha e sapatinho de ir à missa (onde estão as botas ??? e a capa é debaixo do braço ???), o rapazinho veste um trajo …”saloio”??? … de ténis …mas havia mais e tendo em consideração a amostra imagino o tamanho do disparate.

Meus amigos da Sociedade Hípica Portuguesa, e de outras organizações com ideias semelhantes, quando quiserem fazer brilharetes com os verdadeiros, ricos e magníficos trajes tradicionais portugueses solicitem ajuda a quem sabe.

Existem muitos ranchos folclóricos na região de Lisboa e na própria cidade que vos podem dar uma ajuda e aí sim, os ingleses, franceses, argentinos, belgas, brasileiros e portugueses presentes terão um vislumbre do que é verdadeiro e genuíno.

Santa ignorância.

terça-feira, junho 24, 2008

Festa das Rosas – Vila Franca do Lima - Minho

Vila Franca do Lima é uma pequena freguesia que fica a 7km de Viana do Castelo, e cujas tradições minhotas são mantidas com profundo orgulho por estas gentes simpáticas.

Quem olha de longe, assemelha-se a mais uma aldeia minhota entre tantas outras, mas há algo que faz dela única, a arte popular de trabalhar as flores e com elas pintar os maiores monumentos nacionais, as telas dos pintores mais ilustres, meros recantos regionais ou simples motivos religiosos.

A Festa das Rosas realiza-se na 2ª semana do mês de Maio, mês de Maria iniciando o ciclo das Romarias no Distrito de Viana do Castelo.

Esta é uma tradição iniciada e mantida religiosamente desde 1622, cujo ponto alto é o cortejo onde a rosa é a rainha da festa.

As mordomas, raparigas que completam 19 anos, ricamente vestidas com os tradicionais trajes minhotos, oferecem à Nª. Srª das Rosas magníficos cestos floridos, magistralmente transportados à cabeça, verdadeiras obras de arte popular bordados com flores naturais pelas hábeis mãos destas gentes, ostentando desenhos multicores com armas e brasões, símbolos religiosos, igrejas e até santos, monumentos ou paisagens que se reconhecem perfeitamente, feitos só com flores naturais e com folhagens do campo, de realçar por exemplo o uso de bálsamo, giestas, trevos… colhidas no campo e jardins de toda a Ribeira Lima e nas terras do Neiva e Âncora, e que são colocados habilmente com milhares de alfinete, mais de 3kg, pesando no total cerca de 50Kg.

Os bordadores que se vêm criando de geração em geração, são filhos da terra, pessoas de bom gosto que conhecem a durabilidade das flores e efeitos na sua aplicação. São oriundos de várias profissões desde o engenheiro ao simples cavador do campo e ninguém se cobra pelos dias e serões ocupados nesta encantadora tarefa.

Cada cesto envolve mais de duas dezenas de pessoas na sua preparação, na semana que antecede a Romaria.

Estas obras podem depois ser observadas no interior da Igreja, conjuntamente com os altares orgulhosamente enfeitados com as muitas rosas.


sexta-feira, maio 16, 2008

Bordados dos Açores

No arquipélago dos Açores podemos considerar três principais ilhas, no que respeita à produção de bordados autênticos e originais, que são a ilha de S. Miguel, a ilha Terceira e o Faial.
Não podemos dissociar a história dos Bordados dos Açores da sua própria história. O arquipélago era um ponto de paragem de rotas marítimas, onde se efectuavam trocas comerciais, e onde abundavam diferentes culturas e gentes de gostos diversificados; e o resultado do cruzamento dessa interculturalidade, imprimiu aos próprios bordados características específicas.
A origem vulcânica dos Açores marcou não só a sua paisagem e geografia humana como o carácter dos açorianos cuja religiosidade e acentuada tendência para a interioridade se devem à latente consciência de viverem sob a constante ameaça de tremores de terra, terramotos e inesperadas erupções vulcânicas. Os açorianos elegeram assim, como centros catedráticos dos seus medos e angústias a humanidade sofrida do Ecce-Homo e a volatilidade da Terceira Pessoa da S. Trindade sobre os quais alicerçaram o seu sistema de crenças. No tocante ao Senhor Santo Cristo, deverá referir-se que a imagem quinhentista foi sendo revestida ao longo dos anos e, nomeadamente a partir do século XVIII, por capas executadas em preciosos tecidos mas também bordadas em diversos materiais e camadas de jóias provenientes de sucessivas e constantes doações, sendo a mais antiga dessas capas, uma oferecida pela rainha Maria de Áustria, mulher de D. João V.
Os Bordados dos Açores chegaram de facto ao esplendor de serem bordados de diferentes materiais, incluindo a aplicação de jóias, exaltando e exibindo assim a crença religiosa no Senhor Santo Cristo. Mas o que é mais desconcertante e nos pode deixar admirados é o facto de tanto se poderem encontrar nestas ilhas exemplos deste tipo de bordados recobertos com elementos valiosíssimos, como podemos encontrar nos trabalhos bordados em tule com o mais pobre dos materiais encontrado na região, mais precisamente na ilha do Faial, a palha.
Os bordados foram manufacturados com toda a sua delicadeza e paciência por mulheres muitas vezes dentro de instituições religiosas ou em famílias em que predominava o modelo patriarcal.
A educação destas mulheres baseava-se em alguns conhecimentos rudimentares da escrita e da leitura, bastante instrução religiosa e uma actividade extremamente ligada ao seu sexo – a costura, os bordados ou a renda.
Relativamente ao traje civil, poderemos dizer que aqui encontramos o aparecimento do bordado a matiz, paralelamente verifica-se também o uso do bordado a branco.
Os suportes dos bordados da época eram a cassa e o cetim que estavam muito em moda no Continente, pelo que a existência de alguns exemplares nestas ilhas prova o acompanhamento da moda também pelos Açores.
A cassa era proveniente da Índia, enquanto que o cetim poderia ser tecido localmente já que a sua urdidura não exigia um saber complexo.
A extinção das ordens religiosas, em 1834, fez regressar a suas casas as freiras que continuaram a dar largas à sua criatividade na execução de bordados, doçaria e flores de papel, e que vieram a constituir uma das mais significativas vertentes das artes decorativas açorianas.
A ilha de S. Miguel é hoje um centro de uma indústria de bordados universalmente conhecida. Mas de todos os trabalhos de mãos, cultivados nessa e em outras ilhas dos Açores, nenhum existe que tão rapidamente tenha conquistado o gosto público feminino, como os bordados a matiz em dois tons de azul.
Os motivos característicos deste bordado azul – faiança são compostos por elementos florais assimétricos como os trevos, avencas, cravinas, ramos e algumas aves, inspirados na decoração da louça chinesa.
Na ilha Terceira, o bordado é caracterizado pela sua execução a branco sobre cambraia, algodão ou linho. Os desenhos destes bordados são essencialmente elementos florais, geométricos e figurativos.
Na ilha do Faial, encontramos os bordados mais peculiares e originais das ilhas que são os bordados de palha. A história lembra uma emigrante inglesa em 1850, que apareceu na ilha e usava um chapéu de seda bordado a palha. A sua divulgação logo foi feita por Joana E. Ferreira que descobriu a forma de bordar palha.
Este tipo original de bordados prosperaram por volta de 1939 e as matérias-primas eram fáceis de encontrar; uma agulha, um pedaço de tule e alguma palha eram o suficiente para dar forma a estes trabalhos tão singelos.
Os trabalhos baseavam-se inicialmente em véus, mas, com os tempos e com as mudanças que a igreja enfrentou, foi preciso inovar e reinventar, pelo que mais tarde se passou a fazer estolas e vestidos.
É interessante salientar que os bordados das artesãs têm sempre uma ligação com a fauna e flora da região onde são bordados, como o caso dos motivos baseados em espigas, cachos de uvas ou pequeninas flores, no caso destes bordados, ou então têm uma origem completamente externa por influência de outras culturas, onde geralmente encontramos com assiduidade a cultura oriental, como no caso dos bordados a matiz.

Fonte Bibliográfica:
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006

Artigos relacionados: Açores, Bordados

segunda-feira, maio 05, 2008

Traje de Trabalho Rural - Vila Verde - Baixo Minho

O Grupo Folclórico de Vila Verde foi fundado em 1958 com o intuito de divulgar e preservar as tradições Etno-Folclóricas deste Concelho que representa, constituído por freguesias predominantemente agrícolas.
Os trajes que usa reflectem a realidade socio-económica da Região Baixo-Minhota: aqueles que eram usados na Boda ou em dias de Festa e nas Romarias, para depois ser deixado para a Mortalha; os das Lavradeiras usados nas Feiras e os do dia-a-dia usados no trabalho mais árduo, ou seja, o de Trabalho Rural ou de Uso Comum.
O trajo seguinte é de uso comum no trabalho agrícola, no entanto, a sua beleza é bem visível.
As roupas que o povo usava no dia-a-dia, isto é, para o seu árduo trabalho agrícola eram de uso comum, para todo o serviço, e como tal, as mais velhas, as mais usadas, as mais resistentes e as mais práticas, como a saia simples acompanhada pelo avental, tecido em teares manuais, ou as calças de cotim, as chancas e socos, as blusas ou camisas de linho mais grosseiro e os chapéus de palha para se protegerem do sol ou até mesmo da chuva.

terça-feira, abril 22, 2008

Vendedeira de Melancias – Estremadura

O trajo que vos apresento é a recriação de uma gravura de meados do secXIX, retratando uma vendedeira de melancias em Setúbal.

O trajo é composto por casaquinha de tecido de lã verde, com gola, frentes justas e abotoadas, mangas compridas, justas com punho virado. Sobre a gola, frentes e punhos, vivo de cor clara. Saia comprida de lã castanha, franzida na cintura.

Avental de tecido de algodão cor de laranja cobrindo toda a frente da saia. Algibeira escondida entre a saia e o avental.

Na cabeça, lenço de algodão branco, com as pontas soltas, preso pelo chapéu de feltro de abas arredondadas.

Calça meias e sapatos de couro.

Fonte: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas

Artigos relacionados: Estremadura

quinta-feira, abril 10, 2008

A Leiteira – Silvade – Espinho – Douro Litoral

O Rancho Folclórico S. Tiago de Silvalde representa fielmente os usos e costumes tradicionais da sua terra, "Terras da Feira", inserida na Região do Douro Litoral.

O trajo que vos apresento deste grupo é o da Leiteira, usado na recolha e na venda do leite. Trata-se, portanto, de um trajo de trabalho.

A saia é de chita ou algodão, o avental, que cobria toda a frente da saia, era confeccionado no mesmo tecido.

A blusa é de chita e usa uma faixa preta à cinta, que aperta atrás.

Na cabeça, lenço de algodão, chapéu preto e rodilha.

Calça chinelos.

Para o transporte usava o Canado e o leite era vendido com o recurso a medidas (quartilho e meio quartilho).

Site recomendado: Rancho Folclórico S. Tiago de Silvalde

Artigos relacionados: Douro-Litoral

quarta-feira, abril 02, 2008

Trajes de Santa Marta de Portuzelo – Viana do Castelo – Minho

O Grupo Folclórico de Santa Marta de Portuzelo é um dos ranchos mais representativos do folclore minhoto e com maior renome nacional e internacional.

O filme que se segue apresenta os trajes deste grupo, de inegável beleza e que dispensam qualquer comentário.

Site recomendado: Grupo Folclórico de Santa Marta de Portuzelo

Artigos relacionados: Minho

quarta-feira, março 19, 2008

Trajes de Aveiro – Beira Litoral

Por vezes encontramos no mercado postais antigos muito bonitos com trajes portugueses, nem sempre identificados e que deixam algumas dúvidas.

No caso deste, a dúvida foi identificar os trajos, já que apresenta 4 trajos da região de Aveiro.

Mas, com um pouco de pesquisa, consegui, assim, da esquerda para a direita – Salineira, Tricana de 1870, Rapariga de Esgueira e Tricana dos anos 30.

Artigos relacionados: Beira Litoral


terça-feira, março 18, 2008

100.000 visitantes

Caro visitante!

No momento em que superamos as 100.000 visitas a este blog, quero expressar o meu agradecimento pelo seu interesse, pelas palavras de incentivo e por ajudar a divulgar a riqueza patrimonial que os trajos tradicionais portugueses representam.

Muito obrigado!

Carlos Cardoso

quarta-feira, março 12, 2008

Trajes de Cantanhede – Beira-Litoral

O Grupo Folclórico Cancioneiro de Cantanhede é um dos mais fiéis embaixadores da etnografia do Distrito de Coimbra, mais particularmente, da região Gândara – Bairrada, quer em Portugal, quer nas suas deslocações além fronteiras.

No pequeno filme que se segue, pode-se observar a riqueza e diversidade dos trajos desta região.



Site recomendado:
Grupo Folclórico Cancioneiro de Cantanhede

Artigos relacionados: Beira-Litoral, Coimbra

segunda-feira, março 10, 2008

Peixeira-Vendedeira – Mira – Beira Litoral

Poço da Cruz é uma pequena aldeia (também denominada de Barra de Mira) pertencente ao concelho de Mira, freguesia de Praia de Mira e onde se procedia à venda do moliço recolhido na Ria de Aveiro, que aqui termina, ligada por um canal ás terras de Mira - o canal de Mira.

A pesca artesanal - arte xávega ou pesca das artes - ainda hoje se pratica na Praia de Mira.

O que o mar dava era depois vendido de porta em porta pela peixeira-vendedeira. Esta trajava saia de flanela de xadrez, blusa de gorgorina com motivos florais, avental de riscado, dois saiotes, sendo um de pano alinhado e o outro de riscado, e colotes. À cintura a algibeira, onde guardava os seus pertences e o resultado da venda, e a anca era cingida por uma cinta cor de vinho.

Na cabeça, o cachené, sobre o qual assentava o chapéu vareiro. A rodilha de trapos era um bom apoio para a selha onde transportava o peixe.

Calçava chinelas de seleiro, embora, muitas vezes, de pés descalços percorria as ruelas das localidades da região.

Outros artigos relacionados: Beira-Litoral

Fonte: Grupo Folclórico Poço da Cruz

terça-feira, março 04, 2008

Reposição do Programa "Folclore"

A RTP Memória está a repor o programa “Folclore - o povo e a música”, uma série documental realizada nos anos 70 onde se procura mostrar as raízes e a musica tradicional portuguesa.
São documentários muito interessantes, quer pela época em que foi filmado (cuja influência é bem visível), quer pelo magnífico trabalho etnográfico apresentado por alguns grupos.
Lamenta-se, no entanto, a hora de transmissão, 2ª a 6ª feira pelas 7:30 horas.
Não sei se estes documentários estão acessíveis noutro suporte (Vídeo ou DVD), mas seria algo muito interessante para coleccionar e estudar.
Fica a sugestão.

Site: RTP Memória

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Profissões antigas de Lisboa



Nota: Por lapso a imagem referente às lavadeiras não é de Lisboa, mas de Coimbra, as minhas desculpas pelo equivoco.


Carlos Cardoso