segunda-feira, janeiro 31, 2011
sábado, janeiro 29, 2011
Traje do Rei D.Carlos I

quinta-feira, janeiro 27, 2011
Cortejo Etnográfico e Folclórico de 1937
Como era um homem de cultura e de espírito, Ferro serviu-se do organismo criado para defender e divulgar alguns dos artistas mais arrojados do seu tempo. Travou lutas com os conservadores do regime em defesa da arte moderna.
A primeira fase do seu programa (1933 – 1949), caracteriza-se por ser marcadamente nacionalista, fazendo eco da imagem do povo como principal e única real fonte de arte verdadeira.
Através da etnografia que procurava tecer o carácter de uma nação quanto destacava as suas suaves diferenças e a estruturante transcendência do povo português, é nesse contexto que surgem diversas iniciativas e a “criação” de muitos grupos “etnográficos”, influenciados pela imagem que o Estado Novo pretendia dar do povo.
Uma dessas actividades foi o cortejo Etnográfico e Folclórico realizado em 30 de Maio de 1937, em Lisboa, ao qual acorreram representantes de todas as regiões do país.
As imagens que público são pertença do Centro Português de Fotografia e retratam alguns momentos desse cortejo, sendo visíveis alguns dos trajes apresentados.
sábado, janeiro 22, 2011
sábado, janeiro 15, 2011
Lavradores Ricos – Perre – Minho
Francisco Sampaio esta povoação assim:
“Falar de Perre, é falar de terras de grandes lavradores, dos melhores bois da matança da Páscoa, que abasteciam os talhos de Viana (…), de colheitas de vinho tinto que ultrapassam as três mil pipas, de gente séria, trabalhadora.... Terra de morgados e “mordomias”, casas fartas, boas lavouras, de bons campos e ramadas baixas, a significar tulhas e adegas cheias...”
Homem
Usava calças de alçapão brancas, de linho ou estopa, sem abertura mas com bolsos. Terminavam com folho, um pouco abaixo dos joelhos. A camisa era branca de linho e o colete era de fazenda preta.
Calçava tamancos com polainas de saragoça, nas pernas. Na cabeça usava um chapéu de feltro preto e faz-se acompanhar por um guarda-sol de barbas de baleia.
Mulher
A mulher usava uma saia de riscas tecida no tear, casaca de fazenda preta, e algibeira simples em tons escuros. Ao pescoço lenço de seda, e num dos braços transportava um cesto – com toalha bordada em “rechellier” – e que usava quando pela Páscoa ou Natal ia levar as ofertas ao Padre ou Médico da aldeia.
Em Perre foi moda as mulheres usarem cabelos curtos, deixando de colocar o lenço na cabeço, passando-o para o pescoço.
Fonte: Grupo de Danças e Cantares de Perre
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Trajo de Festa Masculino – Alto Alentejo
Jaqueta: de surrobeco, com alamares de cordão preto e botões de metal no centro dos alamares.
Colete: de veludo vermelho de bandas redondas abotoadas com botões de metal.
Camisa: de linho branco com peitilho, com colareta alta, e também havia com peitilho e punhos de outra cor.
Calção: ou meia calça de veludo, até ao joelho, com uma abotoadura com três botões de metal que se abotoam de lado de fora e na cintura.
Ceroulas: de pano branco.
Cinta: de cor variada segundo a ocasião, mas geralmente era preta ou vermelha, para cerimónias.
Meias: brancas ou da cor do calção, arrendadas feitas à mão, que apareciam entre as polainas e os calções.
Polainas: de burel, até ao meio da perna, abotoadas de lado com pequenos guizos (em vez de botões), que deixavam ver a meia.
Chapéu: de aba larga, preto, com uma borla redonda de lã, segura ao chapéu na copa ou aba, caindo sobre a aba esquerda.
Botas: em calfe pretas.
Lenço: branco no bolso da jaqueta
Manta: para se cobrir nas noites frias.
Fonte: Grupo Folclórico e Cultural da Boavista
domingo, janeiro 09, 2011
Trajes de Castelo de Vide – Alto Alentejo
Esta uniformidade da geográfica não tem necessariamente de se aplicar à tradição e cultura desta vasta região.
Muito embora existam características comuns, quem estuda a sua etnografia encontra uma tal diversidade, pontuada pelos pormenores que distinguem as diversas povoações, o jeito da aba do chapéu, a maior ou menor proliferação de bordados, a predominância do canto ou da dança, as diferenças da gastronomia, etc.
Se, aparentemente, a Serra da Ossa marca uma fronteira entre a predominância entre do canto (a Sul) da dança (a Norte), a Serra de São Mamede marca a fronteira para o trajo, mais garrido a Norte que a Sul.
A norte de S. Mamede ficam povoações como Nisa e Alpalhão, cujos trajos já foram descritos neste blog, mas também Castelo de Vide, onde os trajes domingueiros são ricamente elaborados e o bordado é amplamente utilizado como forma de enriquecimento das indumentárias destinadas aos domingos e dias de festa.
O Rancho Folclórico de N.ª Sr.ª da Alegria de Castelo de Vide apresenta alguns exemplares do labor e garbo das mulheres alentejanas, que não tendo dinheiro para a ostentação de riqueza como noutras regiões, procurava no seu melhor traje espelhar as suas habilidades de costureira, bordadeira e rendeira, portanto, boa mulher, mãe e dona de casa (a sagrada trilogia feminina).
De realçar que a utilização do bordado não se aplicava somente ao trajo feminino. A mulher gostava que o seu homem também reflectisse a sua arte e brio. Este, altivo e vaidoso, honrava apresentar-se aos seus pares com o melhor que podia.
As imagens que de seguida público são do Rancho Folclórico de N.ª Sr.ª da Alegria de Castelo de Vide e retratam trajos domingueiros daquela região.
Agradecimento a Virgínia Otten pela cedência de algumas das imagens.
sexta-feira, janeiro 07, 2011
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Museu Etnográfico de Seia
Normalmente, estamos habituados a ver este tipo de equipamentos nas mãos de entidades públicas (Ministério da Cultura ou Autarquias Locais). Muito embora existam centenas de pequenas colecções pertença de ranchos folclóricos, estes raramente têm a possibilidade de as exibir com a qualidade ali apresentada.Nota extremamente positiva para a visita guiada, proporcionada por um jovem profundamente conhecedor da colecção e da história da sua terra, de quem, infelizmente, não registei o nome, mas a quem felicito.
A preservação dos usos e costumes não se restringem apenas às danças e cantares, mas também à recolha de objectos e artefactos que contam a história de uma região. Esta recolha resulta muitas vezes de doações particulares e que, naturalmente, para possuírem alguma utilidade enquanto atributos da memória necessitam de ser estudados e expostos.
O Museu Etnográfico de Seia possui uma interessante exposição permanente dedicada Serra e suas gentes, aos ofícios, utensílios, trajes e ainda espaço para as exibições do rancho.
Vale a pena uma visita.
Possui um site, que ainda está em construção, mas que já permite um vislumbre do que é o Museu.
Ficam os contactos:
Marcação de visitas: 238 082 732 91 843 68 08
E-mail: info@museuetnoseia.com.pt
Morada: Rua da Caínha, 6270 - 514 SEIA
Horário: Terça a Domingo das 10h às 18h
Encerra:01 de Janeiro - Domingo de Páscoa - 25 de Dezembro
O Rancho Folclórico de Seia foi fundado em 1980 com o fim de servir e valorizar a cultura tradicional da Serra da Estrela, onde está inserido, não se tendo poupado a esforços, quer no domínio do Folclore quer da investigação das raízes etnográficas do povo que representa.
É membro da Federação do Folclore Português, sócio do Inatel e por mérito próprio foi-lhe concedido o Estatuto de Utilidade Pública.
domingo, janeiro 02, 2011
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Feliz Natal
Memória de um Povo - Isabel Silvestre

Memória de um povo, que é acompanhado de um CD com o Cantar dos Reis de 1982, reúne Lengalengas, Histórias, Orações, Modos de Falar, Expressões, Pragas, Provérbios, Adivinhas, Quadras, Romances, Cantares ao Desafio, Recordações, Pautas Musicais... Neste seu livro, Isabel Silvestre procura fazer sentir e transmitir aspectos da cultura de um Povo a que se orgulha de pertencer. Numa manifestação do afecto intenso e sem limites que tem pela sua terra, pelas suas gentes, pelo seu País, Isabel Silvestre reuniu falas, realidades, contos de um povo que «reage sempre à desventura e que em cada crepúsculo vê sempre uma nova madrugada». Inclui quatro singelos e lindíssimos contos da própria Isabel Silvestre....
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Michel Giacometti - Filmografia Completa
São 12 livros com CD's onde pode ser admirado o trabalho de recolha etnografica deste Corsego, português de coração.
A 1ª edição tem o custo de 5,90€ e as restantes 8,90€.
Uma colecção a não perder.
domingo, dezembro 12, 2010
Socas barrosãs já não ressoam na calçada - Montalegre
No início de cada Primavera, o soqueiro da aldeia ia de porta em porta medir pés e fazer socas. Durante o tempo frio, a madeira de vidoeiro secava atrás da lareira. Com o início do calor a madeira estava pronta para confortar os pés do povo barrosão. O pé colocava-se em cima de um pedaço de madeira. Com um lápis, o soqueiro desenhava a forma e em seguida talhava a madeira que se queria leve e resistente. A parte de cima era feita de couro.Em tempos pretéritos, as 35 freguesias do concelho de Montalegre tinham um soqueiro, hoje não existe nenhum e as socas são um adorno, utilizadas em ocasiões festivas ou para uma ida ao quintal da casa. «Eu sou o único sapateiro, de concerto de calçado, que há em todo o concelho», diz João Madeira.
Na sua oficina expõe alguns exemplares de socas antigas, mas também algumas que nunca foram calçadas. «Não fui eu que as fiz», apressa-se a explicar. «Mas sei fazer. O que acontece é que já tenho tanto trabalho que não consigo fazer as socas, ainda para mais quando não têm muita procura».
João Madeira comenta que há quem tenha umas socas em casa apenas «pela tradição e como peça de decoração». No entanto, acrescenta: «ainda se vêem pessoas com as socas. Como a madeira protege da água há quem as use para ir ao jardim, à horta ou para lavar o carro».
O ‘toc toc’ da madeira a bater no chão já não se faz ouvir nas ruas das aldeias do Alto Rabagão, a não que seja dia de festa e esteja actuar um grupo folclórico. Ver as socas a luzir nos pés fica agora reservado a estes dias festivos.A soca de enfiar, ou em formato de bota, era o toque final de uma indumentária que também se começa a perder no tempo. A capa de burel e a croça de junco, capuchos feitos de junco normalmente usados pelos pastores eram algumas das peças com que estas gentes do Norte Português enfrentavam os rigores do frio.
Autora: Sara Pelicano
Fonte: Café Portugal
terça-feira, novembro 30, 2010
Concurso Nacional de Etnografia 2010

A preparação das Eliminatórias Finais Nacionais do Concurso Nacional de Etnografia terá lugar nos dias 4 e 5 de Dezembro, no Teatro Miguel Franco (Leiria).
A vertente Música Tradicional / Popular decorrerá no Sábado, dia 4, entre as 11h00 e as 13h00, e entre as 15h00 e as 18h00. O Júri será composto por José Alberto Sardinha, Mário Correia, Pedro Mestre
A vertente Quadros Etnográficos decorrerá no Sábado, dia 4, pelas 21h30, e no Domingo, dia 5, pelas 11h00, sendo os quadros finalistas apresentados a partir das 15h00
O Júri será composto por José Pedro Caiado, Madalena Farrajota e Paulo Raposo.
domingo, novembro 28, 2010
sexta-feira, novembro 12, 2010
terça-feira, novembro 09, 2010
Trajes de Corte - Taje de "Neto"


O traje da imagem é um Traje de Neto do Séc. XIX , que serviu ao infante D. Manuel numa garraiada em Sintra (1899) e é pertença da colecção do Museu Nacional dos Coches.O conjunto é composto por gibão, calça de seda preta, chapéu de seda preta com pluma e luvas, de confecção portuguesa.
Fonte; Blog do Vasco
quarta-feira, outubro 06, 2010
O Barbeiro


O exercício do ofício de Barbeiro remonta à Antiguidade. Nesta época o Barbeiro era, simultaneamente, médico, cirurgião, dentista, cabeleireiro, quer de homens quer de mulheres, e amolador. Eram actividades que garantiam a independência económica e a consideração social de quem as exercia.
A Idade Média foi o período em que o ofício conheceu, por um lado, o apogeu e, por outro, o início de um conturbado período. A partir de finais do século XIII, Médicos e Barbeiros travaram uma luta no que respeita às actividades exercidas, ficando o Barbeiro impedido de receitar e de operar até ao século XVI, época em que lhe foi permitido, novamente, exercê-las.
O ofício de Barbeiro entra em franca decadência no século XVIII com a perda de serviços subsidiários, tais como os de médico, de dentista, de sangrador, de trabalho em cabeleiras, de amolador, de calista e de manicura. O Barbeiro ficou apenas com as barbas e os cortes de cabelo.
Para agravar a crise surgiu a gilete, cuja propaganda ajudou a implantar no mercado; a abertura de estabelecimentos, nomeadamente espanhóis, com outras condições e preços competitivos e a Grande Guerra, que generalizou o seu uso.
Perante a situação, o barbeiro tentou sobreviver vendendo no seu estabelecimento produtos diversos, tais como tabacos, perfumes, cutelarias, vinhos engarrafados, papelaria, loções, sabonetes, pentes, pastas e escovas de dentes.
Nos finais da década de sessenta do século XX a situação agravou-se com o aparecimento do Curso “Corte Francês”. Este curso foi criado com a “intenção de fazer uma reciclagem de barbeiros para cabeleireiros de homens”. Este curso implicava a utilização de novas técnicas, como a utilização da navalha no cabelo e do penteado com escova e secador. Muitos barbeiros passam a Cabeleireiros de Homens.
Foi neste contexto que o Ofício de Barbeiro viu diminuir o número de efectivos e actualmente, nos moldes tradicionais, tende a desaparecer.
quinta-feira, agosto 26, 2010
Traje do Forcado
No reinado de Maria II, em 1836, por decreto régio, passou a ser proibida a morte dos toiros na praça, que era praticada pelos cavaleiros utilizando os rojões (como ainda hoje se pratica em Espanha). Assim, para remate da lide, os monteiros passaram a pegar os toiros.
Os monteiros ou alabardeiros, eram moços que tinham deixado as alabardas – para não ferirem o toiro – estas foram substituídas pelos forcados dos mosquetes e, assim defendiam na arena o acesso à escadaria real, sendo comandados por um cabo. Era, portanto, uma força militarizada.
Consta que em 1656 existiu um grupo constituído após uma selecção feita por alabardeiros da Guarda Real de D. Afonso VI e que pegavam os toiros de caras e de cernelha.Os monteiros e alabardeiros que pegavam toiros, passaram a ser chamados “moços de forcado” e 1837 terá sido o ano do aparecimento formal e regular dos grupos de forcados nas arenas portuguesas.
Foi no Ribatejo e no Alentejo que se constituíram os primeiros grupos de forcados, tendo ficado célebre o Grupo de Riachos que esteve presente nas inaugurações das praças de toiros de Évora e de Lisboa (Campo Pequeno).
El Forcado. Litografia publicada em La Lidia, em 7 de Novembro de 1887
No Alentejo existiram diversos grupos de forcados, sendo conhecido como dos mais antigos um de Évora, constituido em 1915. Também em 1915 foi fundado o Grupo de Forcados Amadores de Santarém, que ainda hoje existe e que teve sempre continuidade ao longo dos anos, sendo actualmente o mais antigo do país.Nos grupos de forcados não se perderam completamente algumas das características militarizadas dos anteriores monteiros ou alabardeiros. Assim, o chefe ou comandante do grupo continua a ter a denominação de “cabo”, ao traje continua a chamar-se “farda” e a “antiguidade dos forcados continua a ser respeitada.

Nas cortesias os forcados dão a direita ao cabo, formam por antiguidade e o último elemento à esquerda é o forcado mais novo.
Contudo, a nomeação de novo cabo, não terá a ver com a antiguidade, mas com o reconhecimento do Grupo pelas qualidades de um dos elementos e aceite pela maioria.O cabo deverá ser o garante dos valores e tradições do forcado amador e, dentro e fora da praça, o responsável por todas as atitudes e comportamento do seu Grupo.
À jaqueta e ao barrete, o forcado tem uma estima especial. São peças da farda de valor e grande estimação.

A jaqueta representa o Grupo de que faz parte e deverá ser entregue ao cabo quando o forcado deixa de pegar.
O barrete é a peça de vestuário mais querida do forcado e é guardado como relíquia e passa para um filho ou neto quando um destes pegar toiros.
Assim o forcado farda-se com jaqueta de ramagens, cujo padrão distingue o grupo, cinta vermelha, camisa branca imaculada e atilhos vermelhos nos punhos, gravata vermelha ou preta (em caso de luto), barrete verde cor da folhagem gola vermelha garrida, calção justinho da cor do trigo os botões prateados, meia branca de renda tal como o campino, sapato de prateleira e atacador amarelo, suspensórios castanhos (podem ser pretos ou vermelhos).
Fontes:
Grupo de Forcados Amadores da Chamusca
O TRAJE REGIONAL PORTUGUÊS E O FOLCLORE de Madalena Braz Teixeira







