No entanto, para que possam começar a visualizar a exposição, fica aqui a imagem de um dos muitos trajos expostos, mais precisamente, dos pastores da Serra da Estrela.
Fica também o convite para uma visita.
Atenciosamente,
Carlos Alves Cardoso

As oficinas dos tamanqueiros situavam-se sobretudo nas recônditas aldeias. O tamanqueiro talhava as peles (de couro para os socos de homem e de crute para os socos de mulher), e pregava-as aos paus. Utilizava moldes de cartão grosso para cortar as peles e uma forma para fixar o cabedal ao pau de amieiro através de tachas. O artífice percorria as aldeias em busca do amieiros, que só podia ser cortado nas quadras da lua. O fabrico do tamanco era sobretudo um trabalho de Inverno, pois aproveitavam as Feiras de Verão para vender os seus produtos.
Os socos não eram só para uso no trabalho, mas também aos domingos, dias de festa e mesmo para certos actos de maior importância, como casamentos. No caso dos actos cerimoniosos, eram muitas vezes usados socos feitos de melhores matérias e acabamentos mais luxuosos, mas como eram dispendiosos apenas estavam ao alcance de uma pequena minoria. Ainda assim, muitas vezes durante o trajecto para um acto cerimonioso ou na deslocação para uma povoação, o soco era mantido debaixo do braço para não se estragar e só à chegada o calçavam.
A seguir descrevem-se alguns tipos de socos:



O bordado como mercadoria de exportação com peso evidente na economia da ilha tem pouco mais de cento e cinquenta anos, mas o mesmo bordado está presente desde os tempos do povoamento do arquipélago na casa dos madeirenses.
Durante este silêncio de mais de trezentos e cinquenta anos a madeirense bordava de portas adentro para compor o seu enxoval ou para presentear os parentes e amigos. A assiduidade da presença de estrangeiros na ilha, de passagem ou em actividade de negócios e o seu interesse evidente pelos usos e costumes propiciou a revelação do quotidiano madeirense e a valorização do trabalho artesanal, como as flores, as rendas e o bordado.
A partir do século XVIII esta assiduidade dos europeus aumenta e prolonga-se o período de estadia. Aos aventureiros e mercadores, juntam-se agora os cientistas e, acima de tudo, os doentes da tísica pulmonar que buscam no clima ameno da ilha na época invernal o alívio para a doença. Ao Funchal acodem muitas personalidades de destaque na sociedade europeia de então. Os registos de entrada da alfândega e, por vezes, os jornais referem-nos a presença de aristocratas, príncipes, escritores, cientistas. Foram estes que em estâncias demoradas em casas e quintas dos madeirenses descobriram o segredo dos lavores guardados portas adentro, apaixonando-se pelo lavor das mulheres que os fizeram.
A notícia correu de boca em boca e rapidamente o bordado saiu do casulo familiar para se transformar numa forma de apoio à subsistência de muitas famílias. As bordadeiras retiram das arcas os desenhos das peças herdadas e fazem delas autênticas obras de arte, que vendem à chegada dos estrangeiros ao porto ou de porta em porta das casas e quintas onde estes se alojam. A fama do trabalho da agulha das madeirenses encantou aristocratas e burgueses europeus e rapidamente se entendeu que estava aqui uma mais-valia para os negócios. Por mão de uma mulher, Miss Phelps, o bordado singrou no mercado britânico. Não foi esta donzela britânica quem descobriu ou criou o bordado madeira a partir de 1856. A ela apenas se deve a promoção do bordado no mercado londrino e o facto de ter procurado adaptar os padrões bordados ao gosto dos clientes.
O Funchal de meados do século XIX era uma cidade cosmopolita. Nas suas ruas cruzam-se cidadãos de diversas nacionalidades, nomeadamente britânicos e alemães. A disputa entre as duas potências pelo domínio do Atlântico passa também pela Madeira. Até então os britânicos dominavam quase por completo o mercado madeirense, que começaram a perder com a independência dos Estados Unidos da América. A estes seguiram-se os alemães a partir de 1880 que passaram a intervir de forma directa no comércio e produção do bordado.
A sua entrada foi o élan necessário para a completa renovação e afirmação do bordado não apenas no mercado alemão, mas também no norte-americano.
Os alemães trouxeram as mais significativas inovações tecnológicas para o sector e alteraram por completo o processo de produção do bordado. A bordadeira passa a assumir apenas a função de bordar, sendo-lhe impostos os panos, os linhos e os desenhos. Esta mudança implicou a o aparecimento de novos intervenientes no processo e à afirmação das imponentes casas de bordados na cidade. As vetustas casas de vinho e até mesmo alguns hotéis mudam de inquilino e de funções. A partir do último quartel do século dezanove o bordado é uma das principais riquezas, enquanto o vinho agonizava vítima do oídio e filoxera.
O século XIX anunciou-se como a época dourada do bordado madeirense.
Apenas os conflitos mundiais e a concorrência de outras áreas fez perigar esta esperança dos madeirenses. A primeira Guerra Mundial afugentou os alemães mas trouxe os sírios que contribuíram, ainda que por pouco tempo, para o reforço do mercado norte-americano. As dificuldades dos anos vinte afugentaram os sírios, mas não acabaram com o bordado. Isto foi o princípio do retorno do bordado às mãos dos madeirenses.
O bordado Madeira, perante as dificuldades evidentes de um mercado limitado e exigente, não agonizou, antes pelo contrário soube vencer as dificuldades, diversificando os mercados e ajustando-se às exigências dos clientes. A inovação esteve sempre presente no historial do bordado a partir dos anos oitenta. Esta situação continuou até aos dias de hoje e as novas tecnologias e o Design entraram como tábua salvadora da tradição de bordar no novo milénio. Em todo este processo foram fundamental o trabalho e paciência da bordadeira anónima, a peça fundamental deste processo mas a que menos usufrui.
A história regista dois produtos que ontem como hoje, são a imagem de marca do arquipélago. A Madeira identifica-se pelo vinho e bordado, que correram mundo. Foram, e continuam a ser, produtos de grande interesse económico que sempre deram aos estrangeiros a mais elevada maquia e ao madeirense uma magra esmola.
O bordado pode muito bem ser entendido como uma obra de arte. Mas acontece que aqui o artista é anónimo. O desenhador, que traça de forma primorosa os motivos florais e a composição é anónimo, bem como a bordadeira, que com mãos de fada, lhe dá forma e relevo.
Referência Bibliográfica: Leandro Jardim “O Bordado da Madeira na história e quotidiano do arquipélago” 1996
Site a visitar:http://www.bordadomadeira.pt/

O Aldeão da Murtosa não fugia a essa regra, vestindo-se da seguinte forma:



O trajo que vemos corresponde ao «vendedor de aves de Pardilhó», hoje representado pelo grupo etnográfico Danças d’Aldeia, de Pardilhó, e pelos Camponeses da Beira Ria, do Bunheiro. O vendedor de aves deslocava-se a pé ao Porto e, certamente, a localidades mais próximas de nós, para vender a sua caça. Mas que aves seriam aquelas? Os autores dos trabalhos publicados até à primeira metade do século XX falam na pardilheira, à qual também chamavam de pardilho, que pela descrição feita dever-se-á tratar do marrequinho (Anas Creca), na nossa região também conhecido por marreca ou marrequinha. É a ideia que podemos adiantar pela informação que nos deu o nosso amigo Paulo Santos. Aquela ave abundava na nossa ria no antigamente, embora não possamos hoje dizer o mesmo, e talvez fosse caçada à noite com redes. Poderia tratar-se de igual modo de pardais e é possível que venha daí a alcunha de “pardaleiro” em Pardilhó.
A vendedora de peixe de Pardilhó e Murtosa, obtemo-la na Biblioteca Nacional, e não fosse o surgir no interior da capa de «Murtosa Gente Nossa», de Lopes Pereira, pouco nítida e legendada meramente como «trajo antigo», sem qualquer referência à sua verdadeira origem, seria entre nós completamente desconhecida. A figura foi publicada em Paris, provavelmente em 1843, legendada como « Mde de poissons de Pardilhé et Murtoja», i.e Marchande de Poissons de Pardilhó et Murtosa, constituindo o número 81 da colecção do Musée Cosmopolite, que tem também a «femme d’Ovar» e o «Paysan de Murtosa», utilizados de igual modo por Macphail, de quem falaremos de seguida, na sua primeira colecção.A saia conhecida por regional - tecido vermelho com estreitas listras pretas e brancas. É a saia tradicional do traje de Viana, usada em todo o distrito e com variantes em azul, verde ou preto ou branco (como acontece na Meadela);
A saia designada de moscas - tecido com uma cor de fundo - azul, verde, vermelho, branco ou preto (luto) e barrras de puxados (moscas), formando desenhos noutras cores (onde todas as combinações são possíveis e ficam ao gosto da tecedeira). A técnica dos puxados (moscas) consiste em puxar o fio da trama (tear), com um gancho ou mesmo com o dedo, em determinados sítios antes de tramar com o pente (também se usa esta técnica nas conhecidas mantas de trapos). É a saia mais usada pelas raparigas de Dem e a mais exuberante.
A saia de cordões - só usada pelas raparigas da Serra d’Arga é, também, uma saia feita com tecido de várias cores (regional), com listras pretas e brancas mas onde se entremeiam cordões de fio de lã grossa. Para que qualquer destas saias ficasse mais comprida acrescentam-lhe o «forro» (
O mais antigo é o chamado avental aos «cadros», feito com puxados formando «quadrinhos» - pequenos quadrados e outros desenhos de carácter geométrico.
O mais moderno é o chamado avental de rosas: trata-se de um avental de puxados com um rectângulo central, contornado por uma barra onde estão dispostas simetricamente seis rosas, completadas ou não com folhinhas e fores ou mesmo barras verticais com alguns desenhos geométricos.
Os modelos mais ricos provêm de Perre e Outeiro, assim como de Cardielos, Serreleis, Santa Marta e Meadela.
Os aventais de Afife são muito diferente dos anteriores.
Possuem fundo vermelho constituído por dois «andares» de padrão diferentes, mas ambos de riscas pretas. A separar os dois «andares» (o superior é maior), encontramos uma fieira horizontal de puxados «topes» na cor vermelha formando uma espécie de franja, feito com lã que se vai me tendo e puxando ao longo da tecelagem.
O autor do Zé Povinho que se veio a tornar num símbolo do povo português, foi um desenhador e aguarelista, ilustrador português, de obra vasta dispersa por largas dezenas de livros e publicações, precursor do cartaz artístico em Portugal, decorador, caricaturista político e social, jornalista, ceramista e professor.
A tradição terá surgidos em
Desde então há registo de que todos os anos grupos de homens caminham orando à volta da ilha, cumprindo promessas, é sobretudo a rezar que os dias vão passando, rezar e caminhar.
Durante 1 semana estes homens carregam consigo apenas um saco com o essencial e vão pernoitando em igrejas, escolas ou casas de pessoas que se oferecem para receber os Romeiros. Por vezes as casas de folha (palha) são suficientes para passar a noite. Na casa em que são acolhidos é hábito lavarem-lhe os pés doridos.
O “procurador das almas” é quem fica para trás do cortejo, de modo a receber os pedidos de quem passa por eles na estrada. Os “irmãos” rezam, sendo o “mestre” quem sabe quais as orações apropriadas. O “contramestre” segue a meio do cortejo, na companhia do “lembrador das almas”, enquanto à frente os guias marcam o compasso, dão o ritmo de modo a facilitar a caminhada e a torna-la mais agradável a todos. Os irmãos mais pequenos caminham à frente e levam a cruz.
Trazem todos na mão o bordão de madeira e trajam hábitos tradicionais, carregados de simbolismo. Antigamente andavam descalços, actualmente, utilizam calçado mais confortável. O bordão é feito em pinho, à medida de cada irmão, o do mestre destaca-se dos restantes por possuir uma cruz na extremidade. O xaile representa o manto com que cobriram Jesus; o lenço representa a coroa de espinhos; a saca que transportam às costas representa a cruz e o terço é dedicado à Virgem Maria.
Quando regressam à paróquia, as irmandades despedem-se na chamada “despedida da salvação”, uma festa em que participam todos os habitantes da freguesia.
Passaram oito longos dias de caminhada e fé, de companheirismo e oração. Fecha-se o percurso em círculo no sentido dos ponteiros do relógio, como se uma viagem de eterno retorno se trata-se, uma volta à ilha, uma volta ao mundo.
Desfolhava eu a revista Equitação de Maio/Junho 2008, quando logo no primeiro artigo vejo a imagem que exponho. Já nem consegui ler o artigo, tão abismado que fiquei como o que os meus olhos viam.
O artigo era sobre o Concurso Internacional Oficial de Lisboa, que decorreu no hipódromo do Campo Grande, e ao que parece, uma mente brilhante resolveu dar cor ao desfile dos cavaleiros utilizando como porta estandartes crianças com trajes tradicionais portugueses. Até aqui tudo bem, diria o leitor, não fossem as crianças vestidas por quem é ignorante na matéria (para não chamar asno porque os ditos não têm culpa), e não pensou que o que estava a fazer não seria apenas “para inglês ver”.
Uma organização com 88 anos de existência, que traz a Portugal alguns dos melhores cavaleiros do mundo e que tem a responsabilidade de promover um dos melhores produtos nacionais, o Cavalo Lusitano, devia de ter vergonha da forma jocosa com que trata a etnografia portuguesa.
As meninas que surgem na imagem vestem dois fatos madeirenses (???) de meia vermelha e sapatinho de ir à missa (onde estão as botas ??? e a capa é debaixo do braço ???), o rapazinho veste um trajo …”saloio”??? … de ténis …mas havia mais e tendo em consideração a amostra imagino o tamanho do disparate.
Meus amigos da Sociedade Hípica Portuguesa, e de outras organizações com ideias semelhantes, quando quiserem fazer brilharetes com os verdadeiros, ricos e magníficos trajes tradicionais portugueses solicitem ajuda a quem sabe.
Existem muitos ranchos folclóricos na região de Lisboa e na própria cidade que vos podem dar uma ajuda e aí sim, os ingleses, franceses, argentinos, belgas, brasileiros e portugueses presentes terão um vislumbre do que é verdadeiro e genuíno.
Santa ignorância.
Quem olha de longe, assemelha-se a mais uma aldeia minhota entre tantas outras, mas há algo que faz dela única, a arte popular de trabalhar as flores e com elas pintar os maiores monumentos nacionais, as telas dos pintores mais ilustres, meros recantos regionais ou simples motivos religiosos.
A Festa das Rosas realiza-se na 2ª semana do mês de Maio, mês de Maria iniciando o ciclo das Romarias no Distrito de Viana do Castelo.
Esta é uma tradição iniciada e mantida religiosamente desde 1622, cujo ponto alto é o cortejo onde a rosa é a rainha da festa.
As mordomas, raparigas que completam 19 anos, ricamente vestidas com os tradicionais trajes minhotos, oferecem à Nª. Srª das Rosas magníficos cestos floridos, magistralmente transportados à cabeça, verdadeiras obras de arte popular bordados com flores naturais pelas hábeis mãos destas gentes, ostentando desenhos multicores com armas e brasões, símbolos religiosos, igrejas e até santos, monumentos ou paisagens que se reconhecem perfeitamente, feitos só com flores naturais e com folhagens do campo, de realçar por exemplo o uso de bálsamo, giestas, trevos… colhidas no campo e jardins de toda a Ribeira Lima e nas terras do Neiva e Âncora, e que são colocados habilmente com milhares de alfinete, mais de 3kg, pesando no total cerca de 50Kg.
Os bordadores que se vêm criando de geração em geração, são filhos da terra, pessoas de bom gosto que conhecem a durabilidade das flores e efeitos na sua aplicação. São oriundos de várias profissões desde o engenheiro ao simples cavador do campo e ninguém se cobra pelos dias e serões ocupados nesta encantadora tarefa.
Cada cesto envolve mais de duas dezenas de pessoas na sua preparação, na semana que antecede a Romaria.
No arquipélago dos Açores podemos considerar três principais ilhas, no que respeita à produção de bordados autênticos e originais, que são a ilha de S. Miguel, a ilha Terceira e o Faial.
Na ilha do Faial, encontramos os bordados mais peculiares e originais das ilhas que são os bordados de palha. A história lembra uma emigrante inglesa em 1850, que apareceu na ilha e usava um chapéu de seda bordado a palha. A sua divulgação logo foi feita por Joana E. Ferreira que descobriu a forma de bordar palha.



O trajo é composto por casaquinha de tecido de lã verde, com gola, frentes justas e abotoadas, mangas compridas, justas com punho virado. Sobre a gola, frentes e punhos, vivo de cor clara. Saia comprida de lã castanha, franzida na cintura.
Avental de tecido de algodão cor de laranja cobrindo toda a frente da saia. Algibeira escondida entre a saia e o avental.
Na cabeça, lenço de algodão branco, com as pontas soltas, preso pelo chapéu de feltro de abas arredondadas.
Calça meias e sapatos de couro.
Fonte: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas
O trajo que vos apresento deste grupo é o da Leiteira, usado na recolha e na venda do leite. Trata-se, portanto, de um trajo de trabalho.
A saia é de chita ou algodão, o avental, que cobria toda a frente da saia, era confeccionado no mesmo tecido.
A blusa é de chita e usa uma faixa preta à cinta, que aperta atrás.
Na cabeça, lenço de algodão, chapéu preto e rodilha.
Calça chinelos.
Para o transporte usava o Canado e o leite era vendido com o recurso a medidas (quartilho e meio quartilho).
Site recomendado: Rancho Folclórico S. Tiago de Silvalde
O Grupo Folclórico de Santa Marta de Portuzelo é um dos ranchos mais representativos do folclore minhoto e com maior renome nacional e internacional.
O filme que se segue apresenta os trajes deste grupo, de inegável beleza e que dispensam qualquer comentário.
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No caso deste, a dúvida foi identificar os trajos, já que apresenta 4 trajos da região de Aveiro.
Mas, com um pouco de pesquisa, consegui, assim, da esquerda para a direita – Salineira, Tricana de 1870, Rapariga de Esgueira e Tricana dos anos 30.
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