terça-feira, fevereiro 24, 2009

O Carnaval de Alpalhão – Nisa – Alto Alentejo


Numa época em que os antigos costumes do Carnaval português vão dando lugar a ritmos e tradições importados do Brasil, existem ainda algumas localidades que vão resistindo, mantendo as suas tradições.

Em Alpalhão, no concelho de Nisa, a tradição ainda se mantém. Os seu trajos, outrora utilizados apenas no Carnaval, ainda hoje se mantêm vivos graças aos grupos de Contradanças.

Em Alpalhão, é o traje garrido e vistoso, são saias e xailes ricamente bordados, a par da grande quantidade de ouro reluzente, que desperta a atenção do visitante.
Quem faz, de quem são as mãos que tecem este autêntico festival de cor e deslumbramento, que se passeiam pelas ruas da vila nestes dias de festa?
Na rua da Carreira encontrámos as respostas para estas questões, Maria Virgínia Rijo. “Comecei a fazer estes trabalhos há cerca de 20 anos e fui-me aperfeiçoando. Dantes faziam-se poucos fatos de Carnaval, dependendo doas épocas, mas de há cinco anos para cá, com o regresso das marchas têm-se feito muitos mais.”
“ Estava tudo a perder-se, as nossas tradições. Dantes fazia-se um fato por ano e noutros não se fazia nenhum. A professora Zézinha deu um grande impulso às marchas e à Contradança, indo ao encontro das pessoas de Alpalhão que sempre gostaram muito de se vestir e do traje, embora fosse só para ir ao baile.”

“As saias têm duas partes de feltro. Os desenhos são feitos em papel vegetal, que depois é cozido na saia, retira-se o papel e recortam-se os desenhos.”

Uma técnica igual àquela que é empregue em Nisa, no entanto, “enquanto que em Nisa preferem o vermelho com os recortes em preto, em Alpalhão, o vermelho é mais utilizado com os bordados em branco. As saias amarelas que se usam também muito têm os bordados em azul-escuro. Os xailes em Nisa são bordados à mão e aqui, a maior parte, os de terylene, são bordados à máquina, a matiz. Os xailes mais antigos de Alpalhão são os merinos, muito bonitos e vistosos. O traje de Alpalhão inclui a camisa, que era de linho, antigamente, o corpete, que é um colete mais curto, bordado à frente e atrás e debruado com uma fita branca e o avental, feito de cetim e bordado como o xaile, com dois bolsos.”

Três semanas é o tempo que demora, até ficar pronto, um traje para adulto (menina ou senhora). O de criança, demora menos.

Por enquanto vai tendo algumas encomendas e o seu trabalho começa a ser mais conhecido, não apenas pelos desfiles de Carnaval, mas pela sua presença nalguns eventos organizados pela Junta de Freguesia, como é o caso da Feira dos Enchidos.
Quanto à popularidade do Carnaval de Alpalhão, Virgínia Rijo não tem dúvidas.
“Oxalá que nunca acabe e seja cada vez mais divulgado. É bom para toda a gente, anima o comércio, diverte as pessoas e movimenta a terra. E os nossos trajes são mesmo bonitos, não são?”

Fonte: Vila de Alpalhão

domingo, fevereiro 22, 2009

CARAPUÇA – Madeira

A Carapuça é um barrete de forma cónica usado na Madeira nos séculos XVIII e XIX, influenciado pelo gorro medieval e carapuços portugueses. De um barrete que cobria toda a cabeça, evoluiu para uma forma extremamente elegante, quase de adorno.
Barrow que esteve na Madeira em 1790 diz que as mulheres "traziam um capacete na cabeça", não mais, que o antecedente da carapuça. Confirma-o a indispensável iconografia: "Antiga carapuça", W. Combe, 1821; "Dress of the Country People of Madeira", N.C. Pita, 1802. Esta, a carapuça, é identificada também por Diogo de Tovar e Albuquerque em 1807: "os homens (...) vestem sempre uma carapuça de pano, unida à cabeça com duas pequenas orelhas".
Este tipo de chapéu, chamemos-lhe assim, aparece nos finais do séc. XVIII e até 1782 nenhuma informação concreta existe a seu respeito. Admite-se que antes da carapuça se usava "um barrete de lã encarnado ou azul". Segundo alguns etnógrafos é filiada no toucado grego, no gorro medieval, na proveniência semita, em motivos arabescos e orientalizantes e no uso de algumas populações portuguesas.
A carapuça aparece delineada em alguns desenhos datados de 1820. Na descrição destas aparece sempre, em pormenor, um "barrete do tipo carapuço de boca larga", no homem, e, na mulher, também "um barrete ... bastante mais largo que os que chegaram até nós ..." Para já não referir, e apenas nestas estampas, o aspecto policromo e a natureza da restante indumentária. Todavia não nos passa despercebido nos "Country Musicians", no músico que está ao centro e toca violino o uso de um "chapéu de aba redonda e larga, copa cilíndrica, não muito alta", em contraste com as carapuças dos vilões laterais.
Este barrete madeirense, que foi capacete para Barrow, aparece, segundo se julga em Rubens e é carapuça durante o século passado, evolui a meados daquele para "atavio" e Cabral do Nascimento crisma-o de uma forma extremamente elegante, assim: - é "pura janotice como a rosa no cabelo das andaluzas".
A carapuça cai em desuso desde 1870 sucedendo-lhe o lenço e a mantilha na mulher e no homem o "barrete de orelhas", o "boné de pala" trazido das Américas pelos emigrantes, e os "barretes de lã preta"e consequentes variantes em algumas freguesias da Madeira: ninho, rodado, solideu...
Na freguesia de Santana em 1895 o Cónego Vaz assistiu "ao funeral das duas últimas carapuças" e na vizinha S. Jorge que contrasta sempre em alegria com a primeira não conheceu carapuças mas os "trabalhadores" "usavam barrete de lã" e os "lavradores" "boné de fazenda escura e pala de verniz". Destes se recrutavam "os homens bons para a edilidade do concelho”.

Fonte: Laurindo de Góis, José, ANTIGOS BARRETES MADEIRENSES in "Da Indumentária e Indústrias Madeirenses", Revista Atlântico, Vol.6, p. 85-91.

sábado, fevereiro 07, 2009

Loudel de D. João I



A peça de vestuário que vos apresento não se trata de um trajo regional, mas de uma relíquia nacional.

O Loudel de D. João I, é feito de linho, lã, seda e fio de ouro; tem uma altura de 98 cm e uma largura de 91 cm, e foi usada na batalha de Aljubarrota, no dia 14 de Agosto de 1385.
Esta veste, que servia para proteger o corpo da aspereza da armadura e dos golpes dos inimigos, é constituída por uma série de camadas de pano de linho acolchoado com lã, sendo revestido por um tecido verde bordado com "rodas de ramos e escudos de S. Jorge".
O rei, D. João I que se tinha encomendado a Santa Maria da Oliveira para que o ajudasse a vencer os castelhanos na batalha de Aljubarrota, depois foi a Guimarães e em sinal de gratidão deixou-lhe entre outros dons esta veste real, o loudel.

O loudel é uma das raras vestes militares do período medieval existentes no mundo.

Pode ser visto no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães, juntamente com muitas outras peças de arte sacra ligadas à nossa história.

domingo, fevereiro 01, 2009

O Regicídio foi à 101 anos

A Monarquia morreu naquela tarde de 1 de Fevereiro de 1908, no Terreiro do Paço, quando El-Rei D.Carlos e Príncipe Herdeiro, Dom Luis Filipe, foram assassinados pela Carbonária, o braço armado do Partido Republicano.

Para que a memória não morra, recordo aqui esse fatídico dia.


terça-feira, janeiro 27, 2009

Camponesa - Montargil - Alentejo

A freguesia de Montargil situa-se numa zona de transição Alentejo/Ribatejo, mas o seu folclore reflecte ainda o facto de durante muitos anos, embora sazonalmente, aqui terem trabalhado pessoas vindas de outras terras, caso dos “tiradores de cortiça” do Algarve, e dos “ratinhos” vindos das Beiras em “tempo de ceifa”, É a aculturação, é o encontro de culturas, é o moldar de uma cultura muito específica.
É essencialmente uma “comunidade rural”, com a sua identidade não quer abdicar e maneira de ser, que o Rancho Folclórico de Montargil tenta preservar e divulgar.
O traje ou a “Copa”, era noutros tempos um factor que muito caracterizava quem o vestia, e o Rancho Folclórico de Montargil apresenta o mais fiel possível a “copa” que os seus antepassados usaram.
Vestia-se pobre em Montargil, o que não significa que em especial a mulher não vestisse “bonito “.O fato de “camponesa” era sempre igual, com uma ou outra pequena alteração em função da actividade que ia desempenhar, e a natural mudança de utensílio de trabalho.
Tanto quanto sabemos, este trajo de camponesa é característico unicamente desta região de transição entre o Alentejo e o Ribatejo, o que demonstra bem como localmente se criou uma cultura muito própria.
Era constituído pelas seguintes peças:
Blusa com abas e” mangos” (estes de meia velha ou do riscado da saia); Saia de riscado escuro, arregaçada e atada no cós.” Podendo no entanto usar uma saia mais curta, que não seria arregaçada”. Ceroulas de ganga atadas nos tornozelos com fitas de nastro; Chapéu sobre o lenço, e este, consoante o trabalho, atado atrás, em cima sobre o chapéu ou à frente; Meias escuras de cordão; Sapato de atanado e sola, sendo que, dependendo do trabalho executado, podiam andar descalças.
Refira-se ainda, que quando a caminho do trabalho, algumas camponesas levavam um curto avental que tiravam ao chegar lá. Era também nessa altura que, e se disso fosse caso a saia era arregaçada e presa no cós.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Trajos de Poiares – Alto Minho

Poiares é uma freguesia situada na margem direita do rio Neiva, dista cerca de quinze quilómetros da sede do concelho, Ponte de Lima.














O Rancho Folclórico e Etnográfico da Casa do Povo de Poiares é um digno representante do folclore do Alto Minho, pelo que apresentam assim os seus trajos:

Trajes das Mulheres

Em dias festivos o nosso povo sempre conservou uma nítida diferença entre os vestidos domingueiros ou a roupa que vem de Deus e a roupa do trabalho, própria para todos os dias.

As proprietárias mais abastadas, não lavradeiras vestiam saia de casmira, meio balão, pano escuro de boa qualidade, pouco ornamentados apenas com uma ou duas bastas. Era ainda a saia do casamento porque faltava o dinheiro para repetir a compra. O casaco denominado casibeque, também de boa fazenda, curto e enfeitado nos punhos e na orla do mesmo, na cabeça usavam um lenço de seda de cor honesta, cobria-lhes toda esta indumentária uma capa bastante farta, de pano azul ou cor pinhão, e que acompanhava a saia.

A classe das lavradeiras socialmente inferior mas muito numerosa usava saia tecidas em casa com estopa e lã e/ou lã e algodão e/ou lã e carduz. Algumas levavam bastas de cor azul, verde ou vermelho escuro. As barras eram de cor castanha, preta ou azul, traçado sobre o peito e atado nas costas usavam um lenço/xaile denominado lenço do pescoço. A blusa era de linho fino e muito branco e as mangas cobriam todo o braço até ao pulso, com pregas nos ombros e bordados nos punhos. Usavam contas e cordões de ouro e as mais abastadas usavam uma corrente de ouro do feitio de uma corda. As contas de ouro eram usadas por algumas nos dias de semana, das orelhas pendiam valiosos brincos de ouro denominados brincos à rainha.


Nos dias mais solenes calçavam chinelas de cabedal e meias de linho, sobre a saia colocavam um avental preto recamado de guarnições como vidrinhos e lantejoulas.

A classe pobre usava saia de chita, quase sempre do mesmo tipo, lenço da cabeça quase sempre de linho com ramos bordados nos cantos em pontos cheios e uma silva a fazer a barra do lenço.

As classes de lavradeiras e pobres quando iam à igreja levavam um lenço preto sobre os ombros e no tempo de preto (luto) levavam sobre a cabeça. Calçavam tamancos ou andavam a pé descalço, o avental era grande, simples e de pano barato. Usavam a saia com uma faixa.

Traje dos Homens

Os abastados, trajavam economicamente, porque um fato durava-lhes toda a vida, usavam um chapéu encascado, casaco de cinta, colete em gola, pano azul ou preto. Sapato raso ou bota alta no Inverno, para agasalho sobre os ombros um xaile marenta e de bom tecido ou uma capa casaca.

A classe média trajava um chapéu bastante desavado em felpo vulgarmente chamado por "chapéu braguês", quase sempre preto e grosseiro, o colete e o casaco eram quase sempre do mesmo pano, de fraca estopa, mesela, briche ou saragoça. Calçavam tamancos ou sapatos baixos, quase sempre sem meias, de Inverno usavam meias de lã, a camisa era de linho para os dias de festa, para os dias de trabalho era de estopa.

A terceira classe usava chapéu de felpo, grosseiro, de cor preta, camisa de estopa, casaco curto de briche ou saragoça. Calças de lã tecidas em casa e no Verão pano de estopa branco, as calças de alçapão, calçavam tamancos, chancas ou andavam descalços. No Inverno o traje era chancas, meias de lã, calças de lã, camisa de estopa, colete de lã com costas de cor diversa. No Verão o traje era todo de linho e calçavam socos.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Aguadeira – Mira – Beira-Litoral


A aguadeira tinha uma função muito importante, aplacar a sede a quem trabalhava no campo e é uma figura recorrente em muitas regiões do país. O seu trajo não era muito diferente das demais trabalhadoras rurais, muitas vezes era escolhida para a função por ser mais nova ou a mais velha, quem mandava escolhia.

Este trajo, pertencente ao grupo folclórico poço da cruz, é composto por saia e blusa de chita, um tecido barato, avental de popelina, 2 saiotes de popelina e 1 de flanela vermelho. Na cintura, transporta uma algibeira e uma cinta cor de vinho ou vermelha.

Na cabeça o lenço de cachené e o chapéu gandarez, que por ser de trabalho não de possuir pena, nem borboleta. Calça tamancos.

Para transporte da cântara de barro usa uma rodilha de trapos e para dar de beber uma caneca e prato de barro

Outros artigos relacionados: Peixeira – Vendeira, Beira-Litoral

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Trajo dos Jornaleiros – Zebreiros - Gondomar

Só a vegetação, o rio, a calmaria..., são o suficiente para dar ao lugar de Zebreiros e à Freguesia de Foz do Sousa (Gondomar), uma beleza inconfundível e rara.

Mas Zebreiros não permite que sua beleza se resuma à beleza natural. Há a beleza da sua população, manifesta na sua alegria e no seu desejo em preservar aquilo que o Homem aliou à Terra: os cantares, as danças, o labor. E é isto que o Rancho Folclórico de Zebreiros efectivamente concretiza: a manifestação extraordinária dos usos, costumes e tradições bem como da sua conservação, através de um imenso profissionalismo desenhado pelo sorriso dos elementos que o integram.

O Rancho Folclórico de Zebreiros é, como alguém disse" um dos mentores de um vasto e rico património cultural, que lhe foi legado pela tradição".

O trajo que vos apresento é o dos Jornaleiros, ou seja, dos trabalhadores contratados para efectuarem trabalhos agrícolas específicos, à jorna, nomeadamente, para a ceifa.

O homem vestia calças de cotim, camisa de riscado, faixa, tamancos, chapéu de palha e mangual para malhar o milho.

A mulher usava blusa de linho, saia de fazenda, saiote vermelho, colete de fantasia em algodão, lenço em algodão, socos e chapéu de palha enfeitado com flores do campo. No entanto em vez de uma faixa é utilizada uma corda, que servia para amarrar os molhos.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Trajo Domingeiro - Barbeita - Monção

Barbeita é uma populosa freguesia do Concelho de Monção, situando-se a 7 km da sede do Concelho, é banhada pelo Rio Minho.

O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Barbeita é um dos mais representativos do Alto Minho Interior, cujas origens remontam a 1959.

A indumentária que vos apresento é pertença desse grupo e representa o modo de trajar dos homens e mulheres aos Domingos, dias especiais, já que, livres das obrigações laborais, havia mais tempo para o convívio social.

As mulheres, usavam lenço cachenê com vários tons, azul, verde ou roxo. Saia preta com barras verdes ou azuis na parte inferior, adornada com vidrilho e lantejoulas pretas.
Avental de lã, bordado com motivos do campo, em várias cores, predominando o azul, verde, amarela. Colete com barra da cor da saia e avental. Camisa de linho bordada a branco nos ombros, peito e punho. Lenço de amor bordado a azul ou verde.Meia rendada com pé e socos pretos.

O trajo do homem era constituído por chapéu preto com aba, camisa de linho bordada a branco, por vezes a vermelho suave. Colete ou jaqueta e calça de fazenda preta. Faixa da mesma cor a cingir a cintura e calçava bota ou sapato preto.


segunda-feira, dezembro 15, 2008

Encerramento da Exposição

A exposição “Trajes de Portugal – Cultura e Tradição” encerrou no passado dia 8 de Dezembro.
Se o mau tempo prejudicou a inauguração, o encerramento foi bafejado com algum sol, embora o frio se fizesse notar.
No entanto, o calor humano não faltou, já que muitos foram os visitantes que aproveitaram este ultimo dia para visitar a exposição, além da presença de dois ranchos folclóricos do Concelho de Oeiras, que animaram a tarde, Rancho Folclórico “As Lavadeiras da Ribeira da Laje” e Rancho Folclórico Flores da Beira.
Em jeito de balanço final, podemos dizer que a exposição foi vista por cerca de 470 visitantes e 100 crianças da pré-escola e do 1º ciclo de Vila Fria, o que para a organização se revelou um sucesso, já que o tempo não convidava a sair de casa e uma exposição sobre trajes nem sempre é considerado um programa apelativo.
Foi uma boa experiencia, fica a promessa de novos projectos.
A todos os que colaboraram nesta iniciativa os nossos agradecimentos.
Imagens da actuação do Rancho Folclórico “As Lavadeiras da Ribeira da Laje”


Imagens da actuação do Rancho Folclórico Flores da Beira

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Concerto dos OpenVoice

No dia 6 realizou-se um concerto dos OpenVoice, um grupo coral muito novo, mas com vozes muito promissoras, que fizeram o favor de preparar um reportório de musica portuguesa especialmente para a ocasião.
Foi fenomenal.
A qualidade dos filmes não os favorece (antes pelo contrário), mas aqui fica o destaque.
Aos OpenVoice os nossos agradecimentos.







domingo, dezembro 07, 2008

Colóquio “O nosso traje …”

No passado dia 5 realizou-se um Colóquio subordinado ao tema “O nosso traje …” com a presença de elementos de 5 ranchos do Concelho de Oeiras, que fizeram uma apresentação dos seus trajos.
Foi uma noite muito interessante de troca de experiências e onde se aprendeu muito sobre o passado e o modo de trajar.

Paulo Almeida – Rancho Folclórico Flores da Beira

Fernando Silva – Rancho Folclórico “As Macanitas” de Tercena

Mónica Pereira – Rancho Folclórico “Os Minhotos” da Ribeira da Laje

Virgílio Reis – Rancho Folclórico “As Lavadeiras da Ribeira da Laje”

Joana Meireles – Rancho Folclórico “Os Rancheiros” de Vila Fria

O debate foi mediado por Carlos Cardoso

Crianças do Pingolé visitam exposição de trajes

Os meninos da pré-escola do infantário Pingolé, de Vila Fria, visitaram a exposição de trajes e mostraram-se muito interessados por tudo o que lhes era mostrado.
Tiveram oportunidade de conhecer utensílios de outros tempos e sentiu as diferentes texturas dos tecidos. Mas o que fez maior sucesso foi a oportunidade de ver fazer farinha de trigo e de poderem mexer no cereal já moído.
Fizeram muitas perguntas e todas tiveram uma resposta.Obrigado pela vossa visita e participação.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Programa Cultural da Exposição

Dia 5 – 21 horas
Colóquio subordinado ao tema “O nosso trajo…”,
com a participação de:
Rancho Folc. “As Macanitas” de Tercena
Rancho Folc. Flores da Beira
Rancho Folc. “Os Minhotos” da Ribeira da Laje
Rancho Folc. “As Lavadeiras da Ribeira da Laje”
Rancho Folc. “Os Rancheiros” de Vila Fria
Dia 6 – 21 horas
Concerto Open Voice, Musica Tradicional Portuguesa
Dia 7 – 16 horas
Actuação do Rancho Folclórico de Trajouce
Dia 8 – 16 horas
Rancho Folclórico Flores da Beira
Rancho Folclórico “As Lavadeiras da Ribeira da Laje”
Encerramento da Exposição

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Inauguração da Exposição

Como prometido é devido, aqui estão as primeiras imagens da exposição inaugurada ontem.
Espero que gostem e que venham visita-la.

terça-feira, novembro 25, 2008

Caros Amigos

Antes de mais, as minhas desculpas por não estar a actualizar este blog com novos artigos, mas devido à organização da exposição que anunciei anteriormente não tenho tido tempo para pesquisar nem para escrever.
No entanto, para que possam começar a visualizar a exposição, fica aqui a imagem de um dos muitos trajos expostos, mais precisamente, dos pastores da Serra da Estrela.
Fica também o convite para uma visita.
Atenciosamente,
Carlos Alves Cardoso

sexta-feira, novembro 07, 2008

Exposição "Trajes de Portugal – Cultura e Tradição"



O Grupo Cultural de Vila Fria apresenta, entre 30 de Novembro e 8 de Dezembro, a exposição Trajes de Portugal – Cultura e Tradição, que decorrerá na sua sede social, em Vila Fria, Porto Salvo.
Esta exposição tem como objectivo a divulgação da riqueza e beleza dos trajes tradicionais portugueses, do período compreendido entre meados do sec. XIX e inicio do sec. XX, e poderão ser vistos cerca de 50 trajos das várias regiões de Portugal continental.

Neste blog serão disponibilizadas imagens da exposição, para que mesmo distantes a possam visitar.

Quem reside na região de Lisboa pode visitar a exposição nos seguintes horários:

2ª a 6ª feira das 18 às 21 horas
Sábados, Domingos e Feriados das 14 às 21h

A exposição será inaugurada no dia 30, pelas 14 horas, pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Dr.Isaltino Morais.

Estão ainda previstas algumas actividades, das quais destacamos, a realização de um colóquio, no dia 5 de Dezembro, pelas 21 horas, subordinado ao tema “O nosso trajo…”, que será apresentado por elementos dos vários ranchos do Concelho, que falarão sobre um dos seus trajos.

A não perder!

sexta-feira, outubro 31, 2008

Tamancos e Socos - Entre Douro e Minho

Segundo alguns autores, terá sido na região de Entre Douro e Minho a área primitiva do aparecimento do calçado de pau em Portugal.
Existiu em Guimarães uma confraria dos sapateiros, sob a evocação de Santa Maria, cuja constância no tempo vem desde o século XIII e se projectara numa continuidade admirável sob o título abreviado de Irmandade de S. Crispim, tendo sido fundada em 1315 pelos sapateiros João Baião e Pedro Baião.
Uma sátira em verso do séc. XVIII, que define os habitantes de Entre Douro e Minho, faz-se referência ao calçado de pau.
“Homem de Entre Douro e Minho
Calça de pau e veste linho,
Bebe vinho de enforcado,
Traz o porco escangado,
Foge dele como do diabo.”
Se bem que em tempos passados o povo tivesse andado descalço, este calçado impunha-se como meio de protecção na realização de alguns trabalhos agrícolas, tendo por isso os seus melhores defensores na gente da lavoura.
Feito de pau de amieiro e um pouco de couro, este calçado humilde tem também a sua história.
Popularmente, os tamancos têm as designações de socos e taroucos. Se a pessoa que os usava era uma mulher, os tamancos eram designados por tamancas, os socos por socas, e os taroucos passavam a ser taroucas.
A propósito deste assunto, José Leite de Vasconcelos, o mestre da etnologia, refere que “as mulheres usam tamancas ou socas, que são menores e mais apuradas do que os tamancos, mas com sola de madeira”.
De qualquer forma, o tamanco era mais usado pelo homem e o soco mais usual na mulher, sendo inquestionável que este foi o calçado dos pobres, sem esquecer que também os ricos o usaram em muitas emergências do tempo e da fortuna.
As próprias condições físicas do terreno foram as inspiradoras do artífice tamanqueiro. Nas terras do litoral, o pau do tamanco é raso. No interior, o tamanco começa a arquear a biqueira. Já nas terras bravas das serras, o tamanco arqueia ainda mais, cingindo o couro mais ao pé, para melhor se acomodar ao terreno e à marcha.

As oficinas dos tamanqueiros situavam-se sobretudo nas recônditas aldeias. O tamanqueiro talhava as peles (de couro para os socos de homem e de crute para os socos de mulher), e pregava-as aos paus. Utilizava moldes de cartão grosso para cortar as peles e uma forma para fixar o cabedal ao pau de amieiro através de tachas. O artífice percorria as aldeias em busca do amieiros, que só podia ser cortado nas quadras da lua. O fabrico do tamanco era sobretudo um trabalho de Inverno, pois aproveitavam as Feiras de Verão para vender os seus produtos.
Os socos não eram só para uso no trabalho, mas também aos domingos, dias de festa e mesmo para certos actos de maior importância, como casamentos. No caso dos actos cerimoniosos, eram muitas vezes usados socos feitos de melhores matérias e acabamentos mais luxuosos, mas como eram dispendiosos apenas estavam ao alcance de uma pequena minoria. Ainda assim, muitas vezes durante o trajecto para um acto cerimonioso ou na deslocação para uma povoação, o soco era mantido debaixo do braço para não se estragar e só à chegada o calçavam.
A seguir descrevem-se alguns tipos de socos:


Soca Curta – Soca de bico arredondado, salto baixo, e em que as pontas dos “cortes” terminam próximo da quina do salto. Os paus podem ser pintados de preto ou à cor natural, sendo forrada no interior. Este é um modelo muito popular mesmo noutras regiões.
Soca Inteira – É um tipo de soca, de mulher, mais fechada, em que as “orelhas” dos “cortes” se juntam atrás sobre o salto, ficando acima deste cerca de 2 cm. O bico é arredondado e o salto alto. Sendo forrada internamente com uma palmilha.

Soco Rebelo – As orelhas dos cortes são mais altas do que no soco poveiro, juntando-se atrás sem se sobreporem. Neste tipo de soco, a forma é metida a maço e os cortes batidos e alisados com o cabo do martelo, a fim de se conseguir a curvatura do bico, que é a sua principal característica.

Soco Poveiro – É o soco, para homem, mais vulgar da região. O seu nome deve-se a ter sido a Póvoa do Varzim o seu presumível difusor. Soco de ponta redonda, em que as orelhas dos cortes se juntam atrás sem se sobreporem, ficando acima do salto cerca de 3 cm. É mais aberto que o soco rebelo. Como todo o tipo de soco para homem, o pau é de cor natural e sem palmilha no interior.
Chanca Rebela ou de Ponte de Lima – Fabrica-se de couro atanado dividido em duas peças denominadas “gáspea com biqueira” e “cano” ou “talão”. O “cano” ou “talão” é sobreposto à “gáspea”, fechando a frente através de um cordão de couro. A ponta é bicuda e um pouco arredondada. Antigamente eram feitas a partir do aproveitamento da botas velhas, às quais mandavam aplicar os paus.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Técnica dos Bordados da Ilha da Madeira

Actualmente o desenho é criado por um desenhador criador de bordados ou adaptado por um técnico desenhador; depois é colocada uma chapa sobre o original e são picotados os desenhos com uma máquina própria de picotagem.
Com a chapa sobre o tecido a bordar, usa – se uma pasta à base de parafina, azul e petróleo e estampa-se no pano. O pano é então passado à bordadeira, que executa a arte final (bordado).
As peças bordadas, de seguida são lavadas e passadas a ferro. Os recortes são feitos de seguida nos trabalhos que englobam motivos abertos. Depois a peça é engomada, dobrada e, por fim, embalada.
Os pontos mais utilizados nos bordados da Madeira são: caseado (Fig.5), cavaca, richelieu, arrendados, oficial, bastidor, cordão, pé de flor, francês, de sombra e o ponto de remendo. Como derivados existem o ilhó e a folha aberta.

O ponto caseado difere do “cordão” pelo nó produzido no cruzamento da linha de forma a assegurar a área de recorte; o ponto cavaca (Fig.8) é de figura geométrica circularexecutada em “ponto cordão” (Fig.6) com aberturas recortadas; o richelieu consta do “ponto caseado” quando utilizado nos contornos de motivos para recorte sobre tecidos de textura pesada; os pontos arrendados “Ana”, “Crivo”, e “Escada” (Fig.7) são pontos executados mediante a contagem e retirada de fios no tecido tanto na vertical como na horizontal e enlaçados com linha de acordo com a respectiva espécie. O ponto oficial é o “ponto cordão” quando utilizado nos contornos de motivos para recorte sobre tecidos de textura leve; o ponto bastido (Fig.9) é um ponto utilizado nos contornos de desenho cuja configuração exige determinado relevo; o ponto de cordão é o ponto utilizado nos contornos de desenho cuja configuração não obriga a recorte, quando sugere “caules” toma o nome de “pau”; o ponto pé de flor ou de corda para ser perfeito necessita de uma grande regularidade na dimensão dos pontos simples e que a distância entre a entrada e a saída da agulha seja sensivelmente igual; o ponto francês é utilizado para contornar e prender aplicações de outro tecido, necessita de execução cuidadosa para se obter o melhor efeito; o ponto de sombra só é utilizado nos tecidos transparentes – cambraias e casas o que implica muita delicadeza na realização do trabalho. Toda a linha é aplicada com efeito decorativo pelo que os pontos do direito contornam a figura enquanto os do avesso se destinam a sombrear a respectiva área; é necessário que a linha do reverso cubra o melhor possível a área da figura desenhada; finalmente o ponto de remendo é quase um ponto de costura e é muito utilizado para prender aplicações de outros tecidos.
A criação de bordados, contagem técnica dos pontos, estampagem, colorido, registo é feito na fábrica de bordados. Há um “agente” da fábrica que se responsabiliza pela distribuição dos bordados às bordadeiras, especialmente na zona rural. A bordadeira executa este trabalho domesticamente e volta à fábrica para pagamento e acabamentos. Nas fábricas existem empregados e operárias. São estas operárias que preparam a estampagem e os acabamentos. O sistema de comercialização principal é pelo “mostruário” das peças executadas, ou pela sugestão dos “clientes”.

Os preços da mão-de-obra são feitos a partir de “contagem” do desenho, a saber: todas as espécies de pontos usados nessas peças têm uma base calculada por unidade ou por metro.
Por exemplo, por cada “pétala” bordada entre um tamanho mínimo e o máximo desenhado, é contado um “ponto industrial”.
Acima da área máxima para um ponto ajusta-se a percentagem.
Um metro de “caseado liso” conta 60 “pontos industriais”, e assim outros têm cálculos compatíveis.
Uma vez tomadas as quantidades dos “pontos industriais”, estes são multiplicados por uma base legal e acha-se o preço a ser pago pela peça. Note-se que os “pontos industriais” nada têm a ver com os pontos que a bordadeira dá.
Os bordados clássicos são ainda desenhados em papel vegetal, picotado numa chapa sobreposta ao original e estampados com pasta azul.
Os bordados modernos são preparados pelo mesmo processo dos clássicos, mas o tipo de desenho é mais simples, permitindo os coloridos.
Tanto o bordado antigo como o bordado clássico, se forem genuínos, não comportam colorido. Devem ser brancos tanto o pano como a linha que o borda.

No bordado clássico usam-se linhos brancos ou crus para os brancos, o bordado deve ser em linha branca ou azulada. Nos bordados sobre linho cru, a linha deve ser de uma só cor que vai desde o bege ao tom do pano e deste ao castanho-escuro.
A beleza do desenho salienta-se pelo recorte das partes abertas dos motivos, ficando os bordados apenas como contorno ou motivo de composição. O desenho clássico não é descritivo. Ele sugere no pano a ideia artística.
No entanto, por evolução e gostos comerciais, passou a descrever-se motivos e a usar-se nesses desenhos várias cores. Usam-se cores garridas nessa tentativa e como esse tipo de desenho é quase barroco, no todo faz efeitos agradáveis.
Quem pesquisar com cuidado o desenho clássico genuíno entenderá facilmente que este só permite uma cor.

Os trabalhos modernos são feitos de organdi, cambraias e tecidos leves, ou muitas vezes com aplicações, que são decorrências do meio bordador e de influência de mercados. Usam-se cores “pastel”, delicadas e harmonizadas. Não podemos classificar este tipo de bordado como um verdadeiro Bordado da Madeira, mas aceita-se o facto de ser Bordado da Madeira.
Desde 1938 é obrigatório que o bordado para venda disponha de um selo de garantia, por isso, quando comprar bordados da Madeira, procure o selo de garantia.
Referência Bibliográfica:
Paulo Fernando Teles de Lemos Silva, Bordados tradicionais portugueses, Dissertação de Mestrado em Design e Marketing - Área de Especialização em Têxtil, Universidade do Minho, 2006
Se quer aprender mais sobre o bordado da Ilha da Madeira visite a Fabrica de Bordados Oliveiras

sexta-feira, outubro 24, 2008

História do Bordado da Ilha da Madeira

O bordado faz parte da cultura e História dos madeirenses. Tal como sucede com o vinho, é uma das marcas que os identifica. A sua presença suplanta as barreiras naturais do arquipélago para se postar em mesa ou cama rica.
Foi executado em meio pobre, mas quase sempre solicitado para em mesa ou cama nobre.
O bordado está presente na ilha desde os primitivos tempos da ocupação. A tradição de bordar, do local de origem dos povoadores, acompanhou-os na travessia atlântica e instalou-se no novo espaço. Deste modo borda-se na ilha desde o início do povoamento. Bordava-se em linho, algodão, seda e organdy para se fazerem toalhas de mesa, peças decorativas, jogos de cama e peças de vestuário, nomeadamente feminino. A leitura de alguns testamentos revela-nos que muitas daquelas peças de vestuário passavam de pais
para filhos, não apenas pelo valor sentimental, mas também, pela raridade e riqueza do bordado.
Era trabalho de inestimável valor que, por isso mesmo, não podia ser vendido, apenas era de usufruto familiar, prenda de enxoval ou legado por morte. Por muito tempo o bordado foi considerado um produto não vendável, que raramente saia do circuito familiar.

O bordado como mercadoria de exportação com peso evidente na economia da ilha tem pouco mais de cento e cinquenta anos, mas o mesmo bordado está presente desde os tempos do povoamento do arquipélago na casa dos madeirenses.
Durante este silêncio de mais de trezentos e cinquenta anos a madeirense bordava de portas adentro para compor o seu enxoval ou para presentear os parentes e amigos. A assiduidade da presença de estrangeiros na ilha, de passagem ou em actividade de negócios e o seu interesse evidente pelos usos e costumes propiciou a revelação do quotidiano madeirense e a valorização do trabalho artesanal, como as flores, as rendas e o bordado.
A partir do século XVIII esta assiduidade dos europeus aumenta e prolonga-se o período de estadia. Aos aventureiros e mercadores, juntam-se agora os cientistas e, acima de tudo, os doentes da tísica pulmonar que buscam no clima ameno da ilha na época invernal o alívio para a doença. Ao Funchal acodem muitas personalidades de destaque na sociedade europeia de então. Os registos de entrada da alfândega e, por vezes, os jornais referem-nos a presença de aristocratas, príncipes, escritores, cientistas. Foram estes que em estâncias demoradas em casas e quintas dos madeirenses descobriram o segredo dos lavores guardados portas adentro, apaixonando-se pelo lavor das mulheres que os fizeram.
A notícia correu de boca em boca e rapidamente o bordado saiu do casulo familiar para se transformar numa forma de apoio à subsistência de muitas famílias. As bordadeiras retiram das arcas os desenhos das peças herdadas e fazem delas autênticas obras de arte, que vendem à chegada dos estrangeiros ao porto ou de porta em porta das casas e quintas onde estes se alojam. A fama do trabalho da agulha das madeirenses encantou aristocratas e burgueses europeus e rapidamente se entendeu que estava aqui uma mais-valia para os negócios. Por mão de uma mulher, Miss Phelps, o bordado singrou no mercado britânico. Não foi esta donzela britânica quem descobriu ou criou o bordado madeira a partir de 1856. A ela apenas se deve a promoção do bordado no mercado londrino e o facto de ter procurado adaptar os padrões bordados ao gosto dos clientes.
O Funchal de meados do século XIX era uma cidade cosmopolita. Nas suas ruas cruzam-se cidadãos de diversas nacionalidades, nomeadamente britânicos e alemães. A disputa entre as duas potências pelo domínio do Atlântico passa também pela Madeira. Até então os britânicos dominavam quase por completo o mercado madeirense, que começaram a perder com a independência dos Estados Unidos da América. A estes seguiram-se os alemães a partir de 1880 que passaram a intervir de forma directa no comércio e produção do bordado.
A sua entrada foi o élan necessário para a completa renovação e afirmação do bordado não apenas no mercado alemão, mas também no norte-americano.
Os alemães trouxeram as mais significativas inovações tecnológicas para o sector e alteraram por completo o processo de produção do bordado. A bordadeira passa a assumir apenas a função de bordar, sendo-lhe impostos os panos, os linhos e os desenhos. Esta mudança implicou a o aparecimento de novos intervenientes no processo e à afirmação das imponentes casas de bordados na cidade. As vetustas casas de vinho e até mesmo alguns hotéis mudam de inquilino e de funções. A partir do último quartel do século dezanove o bordado é uma das principais riquezas, enquanto o vinho agonizava vítima do oídio e filoxera.
O século XIX anunciou-se como a época dourada do bordado madeirense.
Apenas os conflitos mundiais e a concorrência de outras áreas fez perigar esta esperança dos madeirenses. A primeira Guerra Mundial afugentou os alemães mas trouxe os sírios que contribuíram, ainda que por pouco tempo, para o reforço do mercado norte-americano. As dificuldades dos anos vinte afugentaram os sírios, mas não acabaram com o bordado. Isto foi o princípio do retorno do bordado às mãos dos madeirenses.
O bordado Madeira, perante as dificuldades evidentes de um mercado limitado e exigente, não agonizou, antes pelo contrário soube vencer as dificuldades, diversificando os mercados e ajustando-se às exigências dos clientes. A inovação esteve sempre presente no historial do bordado a partir dos anos oitenta. Esta situação continuou até aos dias de hoje e as novas tecnologias e o Design entraram como tábua salvadora da tradição de bordar no novo milénio. Em todo este processo foram fundamental o trabalho e paciência da bordadeira anónima, a peça fundamental deste processo mas a que menos usufrui.
A história regista dois produtos que ontem como hoje, são a imagem de marca do arquipélago. A Madeira identifica-se pelo vinho e bordado, que correram mundo. Foram, e continuam a ser, produtos de grande interesse económico que sempre deram aos estrangeiros a mais elevada maquia e ao madeirense uma magra esmola.
O bordado pode muito bem ser entendido como uma obra de arte. Mas acontece que aqui o artista é anónimo. O desenhador, que traça de forma primorosa os motivos florais e a composição é anónimo, bem como a bordadeira, que com mãos de fada, lhe dá forma e relevo.

Referência Bibliográfica: Leandro Jardim “O Bordado da Madeira na história e quotidiano do arquipélago” 1996

Site a visitar:http://www.bordadomadeira.pt/

quinta-feira, outubro 23, 2008

O traje de “Meia-Senhora”ou de “morgada” - Minho


O traje de “Meia-Senhora”ou traje de “morgada” significa que a lavradeira, mesmo com o casamento não atingiu ainda o titulo de “senhora” dentro do quadro das distâncias sociais.
É sinónimo de casa farta, boa lavoura, criadagem, tulha cheia, soalhos encerados e o cheiro a mosto nas adegas.
Compõe-se normalmente de saia de chita, com estampado de flores, guarnecida com bastas e folhos com aplicação de espeguilha ou saia de fazenda preta com uma basta a que se segue um galão salpicado a vidrilho da mesma cor.
Casaquinha preta com fitilhos e vidrilhos a guarnecê-la ou casaquinha com de “armur” com peito guarnecido a galão de cetim e vidrilhos, e rematada a renda branca nos punhos e gola. Lenço de seda natural estampado, chinela com meia bordada e o “guardasolinho” e a “casaca de confeitos” em crochet a pender-lhe das mãos e a substituir a algibeira.

terça-feira, outubro 14, 2008

O Aldeão da Murtosa de 1816 - Beira-Litoral

Em toda a região costeira o homem sempre trabalhou em camisa, camisola, ou às vezes em colete com as mangas da camisa arregaçadas. Quaisquer calças serviam, desde que fossem amplas. Reduzia-se ao mínimo o vestuário, o suficiente para cobrir a nudez.


O Aldeão da Murtosa não fugia a essa regra, vestindo-se da seguinte forma:

Manaias, também chamadas calças de quadrado, feitas de estopa (a parte mais grosseira do linho); Camisa ampla de linho; Casaca de burel, ao ombro ou vestida; Cinta de lã vermelha; Chapéu de copa muita alta, chamado Baromba. Este era um chapéu extravagante, que servia para proteger do sol, mas, principalmente, para mostrar opulência; Calçava soletas, uma espécie de sapato rudimentar.
Fonte: Museu Etnográfico de Ovar

sexta-feira, outubro 10, 2008

Pescadores da Murtosa – Beira litoral

O mar e a actividade piscatória influenciou de maneira indelével a vida da Murtosa.
À mulher do pescador cabia-lhe, na maior parte das vezes, a tarefa de fazer a venda do peixe e, descalça pelos caminhos, de chinelas nas povoações e saia ensacada para facilitar os movimentos, esta mulher não corria, voava.

A figura desta Peixeira chegou até Cacia e Águeda, depois de atravessar a Ria de barco ou bateira. A pé, passou por Estarreja, Salreu, Canelas, Fermelã e Angeja.
A Peixeira de 1900 vestia da seguinte maneira:
Saia de chita ou de lã, ensacada; Blusa de chita; Cinta preta de lã, para ensacar a saia; Avental de popelina; Algibeira; Chapéu de varina; Xaile traçado; Chinelas de salto alto;

A pesca, uma das principais actividades desta região, era um trabalho muito duro e, por vezes, muito pouco produtivo.
O pescador dos finais do século XIX e princípio do século XX, até cerca de 1910, vestia com a maior simplicidade, pois tinha poucas posses. A dureza do trabalho exigia que a roupa facilitasse os movimentos, tanto na faina como quando calcorreava grandes distâncias a pé para vender o produto do seu trabalho.
Vestia da seguinte forma:
Camisa aos quadrados de flanela com abertura até ao peito; Ceroulas aos quadrados de flanela amarradas em baixo por fitas; Quando ia vender, usava cinta de linho com as pontas caídas e, no trabalho, uma cinta preta de lã toda enrolada na cinta; Barrete preto de lã; Tamancos; Saca onde guarda o dinheiro;
Usa cangalhas, onde transporta o peixe.
Hoje em dia estes trajes são utilizados apenas nas apresentações públicas de grupos etnográficos e folclóricos.