A julgar pelas edições anteriores, é uma festa a não perder pela sua beleza e simpatia do povo.

Trajes Ricos, em que cada mulher vestia ao seu gosto. Eram as mulheres ricas ou de dote que os usavam. É um traje predominantemente preto, com vidrilhos, blusa de linho, colete, lenço de tapete e aventais de veludo. Era utilizado para ir à missa, às festas ou romarias.
Traje de Noivos, em que para casar a mulher usava o fato preto sobre o qual exibia grandes cordões de oiro e imensas medalhas. É um traje parecido com o rico apresentado anteriormente, acrescentando-lhe um véu branco, de pontas caídas e um avental de veludo com vidrilhos. O noivo usava casaco de carapinha preto, calça de fazenda preta, colete, camisa de linho, pardejo e chapéu.
Traje de Lavradeira de Feira, que era utilizado pelas senhoras para transportar o balaio à cabeça com os produtos agrícolas para vender na feira. O balaio também era usado para levar as merendas ao campo quando decorriam as beçadas.
Traje domingueiro do São Miguel, que é um traje de saia de ganga, blusa de linho, colete, caputilha, lenço branco bordado feito à mão, avental de linho bordado a lã, meias feitas em crochê e chinelas manufacturadas. 
Traje Domingueiro de Lavradeira, que possui saia em linho, blusa de linho, chinelas manufacturadas meias feitas em crochê, colete e lenço galinheiro.
Enquanto estabelecia estes contactos e se familiarizava com as vivências e costumes dos pescadores, Celestino Graça descobriu as danças, os cantares e a genuinidade dos seus trajes e percebeu que tinha ali a possibilidade de criar um grupo capaz de elevar o Ribatejo e de valorizar o povo da Borda-d'água. Seguiram-se os ensaios com os pescadores na Adega da Quinta, e ainda antes da primeira edição da Feira do Ribatejo já o Grupo dançava.
Dadas as muitas dificuldades económicas das famílias, o traje para dias festivos e casamentos não apresentava grandes diferenças. Na pescadora, adornos em ouro davam mais beleza à mulher com o seu chapéu de felpo e lenço de caixiné, a blusa com corpete, o avental de sarja bordado e saia de lã da praia aos quadrados. Por baixo, o saiote e os colotes brancos, assim como os canos de lã. Nos pés, os mesmos tamancos de pau. Já o pescador mantinha a sua indumentária de todos os dias, exceptuando apenas a calça de cotim ou preta que substituía a ceroula. Nalguns casos usava as ceroulas por debaixo das calças.
Perde-se nos tempos a origem da boina basca, designada por txapela em euskera. O registo mais antigo que se conhece data de 1496 e constitui uma gravura da autoria de um viajante alemão que por essa altura contactou aquele povo. Também no Arquivo da Guipuzkoa se guardam baixos-relevos em madeira policromada que remontam a 1600 e documentam o uso da característica boina.
Enquanto o lenço servia às mulheres, o trabalhador do campo usava invariavelmente um barrete que se ajustava à cabeça, proporcionava conforto e não dificultava os movimentos, possuindo por vezes outras utilidades como a de esconderijo. Ou então, quando a temperatura o aconselhava, um chapéu de palha que, à semelhança do vestuário, também era construído pelas mãos habilidosas das mulheres. Aliás, é esse talento de artista que levou Ramalho Ortigão, em As Farpas, a caracterizar a mulher e o homem minhotos da seguinte forma:
“O trabalho das rendas basta, por ele só, para criar os hábitos de simetrização, de alinho, de asseio e de esmero, que necessariamente se comunicam da nitidez da operária a tudo que a rodeia – os seus vestidos, a sua casa.
O marido minhoto, por mais boçal e mais grosseiro que seja, tem pela mulher assim produtiva um respeito de subalterno para superior, e não a explora tão rudemente aqui como em outras regiões onde a fêmea do campónio se embrutece de espírito e proporcionalmente de desforma de corpo acompanhando o homem na lavra, na sacha e na escava, acarretando o estrume, rachando a lenha, matando o porco, pegando à soga dos bois ou à rabiça do arado, e fazendo zoar o mangual nas eiras, sob o sol a pino, à malha ciclópica da espiga zaburra”.

Na segunda metade do século XIX, a cidade de Braga destacou-se nomeadamente pela indústria chapeleira localizada sobretudo na Freguesia de São Víctor. Esta indústria haveria mais tarde de se transferir para S. João da Madeira onde, aliás, veio a ser criado o Museu da Chapelaria. Adquiriu então notoriedade o chamado chapéu braguês, de copa alta e aba com cerca de sete centímetros de largura, cuja utilização se generalizou em todo o Minho. Não havia lavrador que, sobretudo em dia de mercado, não ostentasse o seu chapéu fabricado pela conceituada indústria bracarense. E era vê-los, de chapéu na cabeça, com vara de marmeleiro e casaca sobre os ombros a negociar o gado na feira de Ponte de Lima, Barcelos ou noutras localidades, como aliás atestam as fotografias da época. Não admira, pois, que os grupos folclóricos minhotos exibam com maior frequência o chapéu braguês em relação ao barrete, existindo porém alguns que já vão incluindo este na indumentária que exibem.
Noutras regiões do país, também o uso do chapéu se generalizou sob diferentes formas relacionadas nomeadamente com condições climatéricas ou de ordem prática, como sucede com o utilizado pelo maioral ribatejano ou o chapéu de abas largas da região da Estremadura.
Como é sabido, o traje tradicional não escapou à influência das modas das várias épocas nem às fantasias resultantes de uma política de turismo que utilizava o folclore também como atractivo para quem pretendia visitar o país. E, por maioria de razão, o folclore minhoto sofreu os efeitos dessa utilização, levando à assimilação de elementos originariamente estranhos que vieram a perdurar no tempo e a adquirir foros de autenticidade. E, atendendo a que tal situação se verificou principalmente em grupos folclóricos de renome que foram destacados ao tempo do Estado Novo, as adulterações acabaram sendo reproduzidas por outros grupos posteriormente constituídos que tomarem aqueles como referência em vez de procederem à sua própria investigação.
O chapéu braguês constitui precisamente um dos acessórios do traje minhoto que tem sido objecto de adulteração, sobretudo entre os grupos folclóricos da região do Alto Minho. Para além de, na maior parte dos casos já não corresponder ao que era outrora usado, a imaginação e a fantasia levam-no a incluírem nele diferentes adornos e enfeites e até, nalguns casos, irem ao ponto de lhe darem o aspecto do chapéu de toureiro.
Sucede que, para sobreviver, o minhoto ocupava a maior parte do seu tempo na lavoura que era a base do seu sustento. E, assim sendo, não se explica facilmente porque, em muitos grupos, os minhotos aparecem invariavelmente em traje de festa – eles de fato domingueiro e elas com o seu característico “traje à vianesa” – como se tratasse de um povo preguiçoso que mais não soubesse do que cantar e bailar, ao jeito da letra do malhão. Por conseguinte, faltam em muitos grupos folclóricos as figuras que caracterizam as várias actividades da respectiva vivência rural, incluindo o pastor das regiões montanhosas das Argas, da Peneda e do Gerês com as suas coroças de junco.
Pese embora a adopção do chapéu braguês na indumentária exibida pelos grupos folclóricos, ao contrário do que se verifica com o típico barrete camponês, não se trata de um acessório genuíno mas antes um produto da era industrial, a qual veio ameaçar de extinção os antigos costumes rurais que se procuram representar e que acabaria por suscitar a criação de grupos de folclore com o objectivo de preservar as mais genuínas tradições populares, fenómeno este que surge precisamente em Inglaterra e noutros países industrializados.
Autor: Carlos Gomes
Fonte: Portal do Folclore Português
O traje acompanhou a evolução da sociedade através dos tempos e a moda tornou-se uma indústria altamente rentável. Se o advento da era industrial trouxe consigo a produção em escala e o pronto-a-vestir que teve como consequência a uniformização do modo de vestir em detrimento dos costumes locais, a chamada alta-costura procura actualmente satisfazer a necessidade de uma classe endinheirada que exige a produção de uma moda individualizada. Os criadores de moda, não raras as vezes inspirados em motivos étnicos, dão voltas à cabeça para conceber uma nova peça de vestuário, por vezes tão arrojada quanto o grau de loucura de quem a encomenda. Contudo, se o cliente se atrever a usar o vestuário de maneira inapropriada ou descontextualizada, corre o sério risco de ser-lhe diagnosticado um comportamento esquizofrénico.
O lenço tabaqueiro surgiu entre nós, como um acessório, no início do século XVII, em consequência directa do consumo do tabaco, hábito trazido pelos espanhóis do continente americano. O tabaco era consumido pelos povos indígenas que acreditavam nos seus poderes medicinais, razão pela qual o consumiam em ocasiões cerimoniais. Uma vez introduzido na Europa, o tabaco era mascado ou aspirado sob a forma de rapé, tornando-se um hábito social que perdurou até aos finais do século XIX, altura em que se começou a generalizar o consumo do tabaco sob a forma de cigarros.Porto de Mós foi o palco desta grande mostra do Património Cultural e Etnográfico de Portugal. A música, a festa e os trajos envergados com orgulho por 600 figurantes de todo o País foram o mote para a numerosa assistência que se encontrava no novíssimo Parque Verde, vivenciem o trajo nas suas diversas funções e variantes das diversas regiões do País.
Utilizando a moderna passerelle os trajos desfilaram nos corpos de homens e mulheres representando o trabalho na montanha, no campo, no rio ou no mar, passando por momentos tão importantes como o domingo, o casamento, a feira ou a romaria.
O acompanhamento musical foi maravilhosamente suportado pelas tocatas dos ranchos do concelho de Porto de Mós, constituindo uma orquestra de instrumentos tradicionais poucas vezes vista ou ouvida, quer pelo número de participantes, quer pela qualidade musical, constituindo em si próprio um factor de grande interesse e beleza.
O desfile terminou em festa, com o convívio entre os diversos grupos participantes, numa dança comum, recordando que apesar das diferenças entre regiões o povo português é único e possui uma riqueza etnográfica que não se pode perder.
O Trajes de Portugal esteve lá e deixa aqui algumas imagens.
Noivo
O traje de noivo é idêntico ao fato de luxo diferenciando-se, no entanto, pelo facto de a camisa ser bordada a branco nos ombros e no peito (sem quadra).
O fato de noivo distingue-se, ainda, por não utilizar a faixa, inclui um colete preto, bem como uma casaca (casaco e laço no caso do mais antigo). O noivo, em Perre, faz-se sempre acompanhar pelo guarda-chuva. Este não servia apenas para resguardar o homem de condições atmosféricas desfavoráveis. Era tido como parte essencial do traje.
Noiva
O traje da noiva mais recente é muito semelhante ao da mordoma (“vestido de pano” preto), acrescentando-se-lhe o véu, de balbinete, branco e, o ramo de noiva.
O traje mais antigo apresenta uma saia de riscas em tons negros, tecida no tear, com forro preto. Usa também casaca preta e lenço preto que aperta em cima da cabeça. O ouro era o mesmo que usava aquando da mordomia.
De palha centeia para o sol (Baião); bordado, de palha, feito em Fafe: tem as abas com dobras alternadas (dobradas à maneira de ziguezague), o que lhe dá um aspecto de recorte; a copa é revestida de cordões entrançados e com uma espécie de botões também de trança, coloridos; às vezes têm umas estrelas de palha de cor; o chapéu de palha, tão querido da gente da Beira e de Entre Douro e Minho, creio que é desconhecido no Alentejo e no Algarve: um meridional julgar-se-ia descido da sua dignidade se pusesse na cabeça esse emblema do ratinho e do galego (galego, como os do sul chamam aos do norte); em Melgaço e na Cerveira vi os homens nas feiras com chapéus de pano; antigamente, talvez no início do século passado, o trajo domingueiro dos homens do Alto Minho incluía o chapéu de copa alta (cilíndrico como o chapéu alto, mas mais baixo), achatado em cima e de aba redonda; em 1928, um informador de mais de 80 anos, de Arcos de Valdevez, disse-me que noutros tempos os homens usavam carapuça a par de chapéu grosso; e também outrora as moças de Ermesinde usavam chapéus enfeitados à moda das senhoras (H. Beça, Ermesinde, p.90, Porto, 1921)
Algarve Chapéu de pano grosseiro, pelos homens (Portimão) e Monchique (1917), e, antigamente, desabado, com borla; de pano, pelas mulheres, sobre o lenço da cabeça, não só de jornada, mas a trabalharem à porta, e as crianças também põem; «O costume faz tudo», disse-me uma mulher do campo, ao notar-lhe eu o uso do chapéu de homem, na cabeça; compram-no elas e trazem-no sempre, tirando-o apenas para cumprimentarem, como os homens, creio eu (Portimão). Põem-no no campo as mulheres, quer casadas quer solteiras, mas estas, quando vão à vila, tiram-no para não parecerem casadas e poderem mais facilmente arranjar noivo.
A Illustração Portugueza realizou em 1906 um Concurso Fotográfico intitulado “Terra de mais lindas mulheres de Portugal”, destinado a fotógrafos amadores e profissionais, com apresentação na edição de 12 de Março do Regulamento e com a publicação dos ‘retratos’ premiados na edição de 2 de Julho de 1906. Retirado do texto (grafia actual) que acompanha a publicação dos ‘retratos’ premiados: «(…)Onde o homem que ao menos uma vez não tenha formulado em pensamento a pergunta palpitante: qual é a terra de mais lindas mulheres de Portugal? Até agora, porém, essa pergunta ficara sem resposta. Nesse conto admirável que se chama As singularidades de uma rapariga loura, Eça de Queirós designara as mulheres de Vila Real como as mais bonitas do Norte. E acrescentava: para olhos pretos Guimarães, para corpos Santo Aleixo, para tranças os Arcos, para cinturas finas Viana, para boas peles Amarante. Fantasia de romancista? Talvez. (…) Esquecera Eça de Queirós as suas vizinhas de Vila do Conde, de tão puro perfil e de tão doirados cabelos, para lhes preferir as desenvoltas moças de Vila Real e as airosas e decorativas raparigas dos Arcos de Valdevez e de Viana, que ainda hoje, na feira da Agonia, com as suas saias coloridas e os seus xailes de froco, a sua chinela de verniz a estalar nos pés como um brinquedo, as suas arrecadas de ouro a balouçar nas orelhas, levantam em rixas homicidas, para a disputa de um sorriso, os varapaus dos namorados. (…) Conseguiu a Illustração Portugueza, com o presente concurso, fixar em bases convincentes a eleição da terra de mais lindas mulheres de Portugal? Não o conseguiu.(…)» O júri, constituído por Columbano Bordallo Pinheiro, professor da Escola de Bellas Artes de Lisboa, António Teixeira Lopes, professor da Escola de Bellas Artes do Porto, dr. José de Figueiredo, crítico de arte, Abel Botelho, romancista e dramaturgo, dr. Júlio Dantas, dramaturgo e poeta, e dr. Cunha e Costa, jornalista, decidiu, por unanimidade de votos, seleccionar os seguintes retratos:
1.- Mulher de Alagoa (Ílhavo), fotografia do sr. Paulo Namorado;