quinta-feira, julho 16, 2009

Traje de Vale d'Este – Baixo Minho



O Traje de Vale d'Este é assim designado por ter tido maior predominância no vale onde corre o rio Este, afluente do rio Ave, e entrou em desuso nos princípios do século XX.
A moça que pertencia esta região envaidecia-se com o seu chapéuzinho de copa rasa, que enfeitava com fitas de veludo e lantejoulas e, descobrindo o busto, mostrava o colete bordado a seu gosto.
O trajo era assim composto por um pequeno chapelinho de feltro, guarnecido de veludo, plumas, borlas e fios de cores garridas, com fita de veludo em pontas pendentes para a nuca; lenço de tule branco bordado em pontas soltas; camisa de linho, ricamente bordada e adornada com rendas; colete de rabos ajustado na frente com cordão, frente e costas bordadas a preto ao gosto da moça; a saia é ampla de baetilha preta, fartamente rodada e "aparelhada" a veludo, cetim e vidrilhos; usa um pequeno avental, às riscas verticais das mais variadas cores, guarnecido de barra de veludo preto, tecido nos teares da aldeia; algibeira bordada a lãs; lenço bordado; meias brancas, rendadas, de linho ou algodão; chinelos de verniz, pespontas a branco; brincos e farto oiro no peito.

Fonte: Rancho Folclórico de Santa Maria de Aveleda

domingo, julho 05, 2009

Descarregador de peixe – Setúbal - Estremadura

De passagem por Setúbal não podia perder o 33º Festival Nacional de Folclore organizado pelo Rancho de Praias do Sado, que decorreu ontem, dia 4. Um espectáculo maravilhoso, num auditório extraordinário e com um público entusiasta.

Confesso que gostei tanto do que vi e ouvi, que me apeteceu homenagear esse grupo e essa cidade falando de um dos seus trajes mais simbólicos – o Descarregador de Peixe.

Tentei encontrar uma descrição deste traje mas não consegui, pelo que a exposição seguinte resulta apenas da minha observação, se algum dos leitores pretender acrescentar algo agradeço.

O traje do descarregador de peixe é composto por umas calças curtas e um casaco de cotim, veste ainda uma camisa de riscado. Na cabeça usa o seu principal instrumento de trabalho e o objecto que marca a sua actividade, um chapéu metálico de forma circular, com aba larga e profunda, sobre o qual transporta as canastras de pescado. Para proteger a cabeça da rigidez do metal, utiliza um lenço que amarra na nuca.

Anda descalço, pois a actividade assim o obrigam.

Noutras regiões e em actividades idênticas, havia o costume do peixe que caísse nestes chapéus reverteria a favor do descarregador, daí o andar bamboleante que adoptavam, não sei se é esse o caso, mas gostava de conhecer mais.

segunda-feira, junho 29, 2009

Conservação de Trajes

Ao longo destes anos tenho descrito centenas de trajos e muitas vezes falado na importância da sua conservação.
No entanto, não nos podemos esquecer que a maior parte dos trajes antigos estão na posse de grupos etnográficos e ranchos folclóricos que possuem pouca experiencia e meios para conservar os seus acervos, pelo que, estes acabaram por se perder.
No presente artigo, vou tentar dar algumas dicas sobre técnicas de conservação de têxteis, mas que não substituem a necessidade de consulta a um técnico avalizado, já que, para além da conservação existe o restauro e este só deve ser efectuado por pessoas devidamente habilitadas para o efeito.
Diz a sabedoria popular que “mais vale prevenir que remediar”, pelo que, se pretendemos perpetuar a existência de determinada indumentária temos de nos preocupar com a sua conservação.
Uma peça de indumentária, ao longo do tempo, sofreu um desgaste próprio do seu uso, mas também a influencia do meio ambiente e da forma como foi acondicionada, pelo que muitas vezes chegam até nós fragilizadas e a sua exposição e manuseio só irá contribuir para a degradação.
Quando planeamos a constituição de uma zona de armazenamento de têxteis, temos de planear o que vamos guardar e como.
Desde logo, o espaço de armazenamento deve ter em consideração os seguintes factores que contribuem para a deterioração de têxteis:



Para a conservação e estudo de uma peça de indumentária é extremamente importante a sua catalogação, utilizando fichas descritivas, quer da peça como do seu estado de conservação, e fotografias, de forma a que a peça seja manuseada o menos possível.



Depois, a peça passa por 5 fases com vista à sua conservação:
1 - Higienização: que consiste na eliminação de sujidades generalizadas, extrínsecas ao objecto, como poeira, excrementos de insectos, partículas sólidas, suor e outros elementos estranhos a sua estrutura e pode ser realizada através de limpeza a seco ou aquosa.
2 - Desinfestação: tratamento que tem por objectivo a eliminação de macro e/ou microrganismos existentes nos materiais têxteis e requer o uso de câmaras de baixa temperatura ou de insecticidas, aplicados em câmaras de fumigação ou no próprio ambiente (este tratamento só deve ser adoptado em casos extremos).
3 - Hidratação: Destina-se a minimizar os vincos e os enrugamentos causados pelas condições inadequadas de armazenamento e acondicionamento – os métodos mais usados são a vaporização a frio e a humidificação em tenda.
4 - Acondicionamento: consiste na utilização de embalagens adequadas para a guarda dos objectos têxteis dentro do museu e outras específicas para transporte e exposição.
5 - Armazenamento: Tratamento que consiste em guardar os objectos têxteis que não estão expostos.

Quando se acondiciona uma peça, deve ser evitado a utilização de material ácido, como, caixas de papelão, jornais, papéis coloridos, etc., pois a sua acidez pode passar para os tecidos, causando manchas e descolorações. Também não devem ser acrescentados materiais que possam influenciar negativamente a peça, como, agrafos, clipes, alfinetes, etiquetas de papel, colas, autocolantes, tintas de caneta, etc.

Quanto ao armazenamento, este pode ser horizontal (caixas, prateleiras, gavetas) ou verticais (pendurados, emoldurados ou em cilindros), a opção depende do tipo de objecto e do espaço disponível para armazenamento. O sistema de armazenamento deverá permitir uma fácil movimentação dos artefactos e a seguranças dos objectos e das pessoas que os manipulam.
1 - Condicionamento em caixas de papel: As caixas de papelão utilizadas necessitam de ser isoladas no seu interior com papel livre de ácidos, como papel de seda neutro ou papel de arroz. O acondicionamento feito em caixas tende a ocupar mais espaço, mas os artefactos ganham um grau maior de apoio e protecção.
2 - Acondicionamento em cilindros: Os tecidos planos, assim como xailes ou lenços, podem ser enrolados em cilindros, evitando dobras e vincos. Os tecidos devem ser enrolado com um outro tecido neutro, pano cru, manta acrílica ou malha hospitalar, e não devem estar apertados ao cilindro.
4 - Acondicionamento em gavetas: As gavetas de alumínio anodizado podem guardar pequenos artefactos, mas estes devem estar colocados firmemente nas gavetas para não serem danificados quando forem abertas ou fechadas.



5 - As indumentárias mais estruturadas e resistentes podem ser armazenadas em cabides
acolchoados, feitos de materiais inertes e ajustáveis, dentro de armários, tomando pouco espaço e facilitando a disponibilidade das peças. Os cabides podem ser acolchoados com enchimento de poliéster, cobertos com musselina fixa por amarração. São materiais de baixo custo e bastante acessível, podendo ser uma óptima sugestão para o acondicionamento de peças que possam ser penduradas, como casacos ou jaquetas.
Peças com corte no viés, deterioradas, feitas em tricô, jamais deverão ser penduradas.





No exterior da embalagem devem constar elementos identificativos do seu interior, permitindo uma fácil localização do objecto pretendido, sem ter necessidade de revolver em demasia as peças armazenadas.

Não nos podemos esquecer, que acima de tudo está a conservação e a preservação das peças e que a sua utilização, manuseamento e exposição também contribuem para a deterioração.

O Traje é um pouco da história que nos pode contar muitas estórias.

Fonte biblográfica: Keese, Alessandra Savassa Gonçalves, in “Conservação Têxtil” – A importância da preservação do património têxtil para a moda – UNISAL 2006

sexta-feira, maio 08, 2009

Ovarina pintada por D.Carlos

El-Rei senhor D. Carlos foi considerado uma individualidade artística, homem de ciência e habilíssimo em todos os exercícios físicos, tais como a caça, a pesca, equitação, etc.
O seu espírito, desde cedo muito culto, foi moldado pelo gosto pelas belas artes, possuindo a paixão de um verdadeiro artista.
Distinguindo-se especialmente na aguarela e no desenho a pastel, são sobejamente conhecidas as suas magnificas obras.
Como artista interessou-se por variadíssimos temas, tendo, por diversas vezes retratado o seu povo, como é exemplo este magnifico retrato de uma mulher de Ovar.

domingo, abril 26, 2009

Ala Arriba – Os poveiros retratados no cinema

Leitão de Barros no seu filme de 1942, ALA ARRIBA, retrata os usos e costumes dos pescadores da Póvoa do Varzim. Este é um extraordinário documentário cinematográfico sobre a vida destes homens e mulheres que do mar retiravam o seu sustento.
O filme que podem ver se seguida, é um pequeno excerto, em que o narrador nos situa na malha social da estoria e traça um retrato dessas gentes, no inicio do sec.XX.
Ora vejam!



Sobre este assunto pode ainda ver neste blog:
Trajo de Ida ao Mar
Traje de Luto
Traje de Festa e Romaria

terça-feira, abril 21, 2009

Cobertor de Papa – Maçainhas - Guarda

Quem não se lembra dos quentes cobertores de papa, que nas casas dos nossos avós aqueciam as camas nas longas noites de Inverno?

Pois estes provêem de uma pequena freguesia do Concelho da Guarda – Maçaínhas - e hoje, como ontem, continuam a ser fabricados de forma artesanal.

A produção do cobertor de papa, remonta ao reinado de D. Sancho II. No reinado de D. José (1758), com o Marquês de Pombal, esta indústria desenvolveu-se na zona da Covilhã e da Guarda: criaram-se novas fábricas e contrataram-se artífices no estrangeiro. Este progresso veio mais tarde beneficiar esta região nomeadamente Maçaínhas. Consta que um tecelão da Covilhã terá fixado residência por estas paragens e terá transmitido os seus conhecimentos aos habitantes.

Há cerca de 100 anos. Havia 9 teares para o fabrico de cobertores de papa em Maçaínhas que eram depois vendidos em feiras.

Os teares e a produção de cobertores foi aumentando de ano para ano, alargando-se depois a outras famílias.

Em 1930-1932 houve uma grande crise e foram poucos os fabricantes que resistiram.
Em 1938, começou a recuperação e, em 1942-1943, quase todas as famílias tinham um tear para fabricar cobertores chegando a existirem 35 teares.
Actualmente existem apenas dois teares em funcionamento, pertencentes aos senhores José Pires Freire e José de Almeida Tavares.
O cobertor de papa também é conhecido por cobertor de pêlo, manta lobeira, amarela e espanhola, podendo ser produzido numa só cor (branco, verde, vermelho, etc.), com a cor “barrenta” (branco e castanho), bordado a azul, verde e vermelho (destinado ao Minho e ao Norte do País) ou fabricado com tiras coloridas de castanho, amarelo, verde e vermelho (típico da zona do Ribatejo).

A diferença entre este cobertor e os restantes é que o de papa é fabricado, exclusivamente, com lã churra de ovelha, uma lã macia das ovelhas de Idanha-a-Nova, Monsanto e Medelim, que também estão em extinção.
Com o aparecimento de outros artigos no mercado, o cobertor de papa deixou de ter a procura de outros tempos.

O cobertor de papa pesa, em média, três quilogramas e mede 1,70cm de largura e 2,40cm de comprimento e distingue-se dos outros cobertores pelo seu “design” e pelo facto de ter o pêlo mais comprido, porque a lã de que é feito é mais comprida.

A produção do cobertor é mais praticável nos meses quentes, porque no Inverno a água está muito fria e os cobertores têm que ser levados ao pisão e no Verão é melhor, nomeadamente, para os secar porque ficam mais direitinhos.

O fabrico do cobertor tem diversas fases. A lã é comprada e enviada para a fiação entrando na fábrica transformada em fio. Segue-se a fase da tecelagem, por um único tecelão, num tear manual em madeira. Na etapa seguinte, quando o corte estiver feito é transportado para o pisão para lavar e feltrar. Quando o corte tiver o “corpo” necessário vai à carda para puxar o pêlo. De seguida, os cobertores são cortados e vão à râmbula (peça em ferro onde se prendem esticados para secarem e ficarem com uma determinada medida).


Os cobertores de papa parecem condenados a desaparecer e com eles um pouco das nossas memórias.


Fonte Bibliográfica:

Colecção: O Fio da Memória, número 12
Titulo: Notas sobre o Cobertor de Papa de Maçainhas
Autor: Maria do Céu Baía Oliveira Reis
Edição: Câmara Municipal da Guarda - Setembro de 2003

terça-feira, abril 14, 2009

Faleceu José Franco

José Franco, reconhecido oleiro e ceramista, faleceu hoje aos 89 anos, o funeral decorrerá amanhã, no Sobreiro, terra que o viu nascer a 19 de Março de 1920.
José Franco dedicou-se principalmente à arte-sacra. No entanto, a sua obra mais conhecida e popular será a Aldeia Típica de José Franco, no Sobreiro (Mafra), construção em miniatura de uma aldeia saloia do início do século XX, onde podem ser apreciadas cenas da vida da época, realizadas por bonecos mecanizados, principalmente movidos a água, bem como, lojas em miniatura que ilustram as mais diversas profissões, muitas delas, hoje em dia, completamente abandonadas.
Utilizando as palavras de Jorge Amado, de quem era amigo, diria que morreu o “…artista do barro e da vida …um português que nasceu com o dom misterioso da beleza e a distribui como um bem de todos …”.
A nossa homenagem!

segunda-feira, abril 06, 2009

Apresentação sobre o traje

A apresentação que se segue, foi efectuada no âmbito de um Curso de Formadores que estou a frequentar e destinada a um público pouco habituado a estes assuntos.

O que tentei fazer foi despertar o interesse pela etnografia em geral e pelo trajo em particular.


Como achei que o assunto podia interessar a mais alguém decidi colocar aqui o filme.

As minhas desculpas se detectarem algumas imprecisões.

Espero que gostem!


quarta-feira, março 18, 2009

O TRAJE TRADICIONAL EM MAFRA

O Museu Municipal Prof. Raúl de Almeida, em Mafra, acolhe a realização de uma exposição sobre o traje tradicional, reunindo mais de 100 peças de vestuário dos espólios de Ranchos Folclóricos do Concelho e do próprio museu. A abertura está marcada para 21 de Março, pelas 15h30.


Estreitando os laços de cooperação existentes entre a Autarquia e as comunidades locais, esta mostra, desenvolvida em colaboração com ranchos folclóricos do Concelho de Mafra, permite ao visitante encontrar peças de vestuário originais, bem como 35 réplicas outrora usadas nas comunidades rurais locais, na sua maioria relacionadas com os momentos lúdicos da vivência do povo, e que se reportam ao período compreendido entre a última metade do séc. XIX e o primeiro quartel do séc. XX.

A referida exposição reúne peças de vestuário provenientes dos espólios, na sua maioria, do Rancho Folclórico "Cantarinhas de Barro", Rancho Folclórico da Malveira, Grupo Folclórico "Os Saloios da Póvoa da Galega", Grupo de Danças e Cantares de Santo Estêvão das Galés, Rancho Folclórico de Monte Godel, Rancho Folclórico "As Morangueiras do Sobral da Abelheira", Rancho Folclórico de São Miguel do Milharado, Rancho Folclórico do Livramento, Rancho Folclórico e Etnográfico de Cabeço de Montachique, Grupo de Danças e Cantares de Vila de Canas, Rancho Folclórico "Os Hortelões da Ervideira" e Rancho Folclórico da Murgeira). Estas compreendem roupa exterior e de interior, lenços e xailes, chapéus e barretes, sacos e sacolas de retalhos, trajes domingueiros e de trabalho, representando um testemunho do quotidiano da população rural concelhia, influenciada pela proximidade de Lisboa, visto os rurais locais se deslocarem com frequência à capital, a fim de lá venderem os seus produtos.

quarta-feira, março 04, 2009

O calçado tradicional

O calçado artesanal faz parte das raízes do nosso país. O seu processo de execução é longo e complexo. O esforço, tempo e recursos empreendidos no seu fabrico justificam, inteiramente, o valor monetário que lhe é atribuído.
Transversal a classes etárias, sociais ou económicas, parece ser mais solicitado nas zonas rurais onde, amiúde, é utilizado na realização das tarefas agrícolas.
A produção de calçado tradicional tem conseguido fugir à tentativa de uniformização registada em quase todos os quadrantes da nossa sociedade. Esta actividade distingue-se sobretudo pelo facto dos seus artigos serem confeccionados, quase totalmente, à mão. As máquinas são pouco muito utilizadas e quando há necessidade de recorrer a elas é porque o processo de execução obriga a que assim seja. Outra das características do fabrico artesanal de calçado diz respeito às matérias-primas usadas. As peles, por exemplo, são curtidas de acordo com os métodos tradicionais, sem recorrer a produtos químicos. Como este tipo de artigos é efectuado manualmente, o tempo gasto na sua produção é muito superior em relação ao da manufactura em série. Este facto reflecte-se, como é óbvio, na diferença dos valores monetários atribuídos a ambos.
Produzidos um a um, a qualidade daqueles exemplares é facilmente observável em pequenos pormenores como remates e ponteados. No que diz respeito à rentabilidade, a sua vida útil é bastante mais longa do que a dos seus concorrentes. Aquilo que para os menos entendidos poderá parecer como uma desadequação em relação aos ícones ou tendências da moda, é na realidade o respeito pela tradição.
Os artesãos responsáveis pela execução deste género de calçado insistem em manter-se fiéis aos modelos tradicionais, preferindo não adulterar as características dos mesmos. A produção estandardizada acabou com a personalização dos números.
Contudo, nas oficinas de calçado tradicional ainda continua a ser prática comum o tirar das medidas ao cliente. Algumas destas casas chegam mesmo a guardar estas informações precavendo um eventual regresso daquele.
Ainda que existam registos desta actividade um pouco por todo o país, as regiões do Ribatejo e Alentejo ganharam, de alguns anos para cá, um lugar de destaque.
Técnicas de produção
Corte da pele: o início de uma peça de calçado é sempre precedido pelo tirar das medidas do cliente. As várias partes do botim são cortadas segundo um molde. Depois desta operação, dever-se-á conferir forma à floreta.
Este procedimento é realizado na vergadeira. Aquela ganha o formato pretendido graças ao calor libertado por esta máquina;
Ajuntadeira: operação que consiste em juntar as diferentes partes que constituem o botim para possam ser cosidas umas às outras. A sua união é efectuada com a ajuda da máquina de costura;
Pregar o botim à forma: já com o botim cosido, o artesão coloca uma forma no seu interior para ele possa ganhar a configuração pretendida. Depois começa a aplicar pequenos pregos de maneira a prender aqueles dois.
Estes são colocados em redor de todo o botim. Durante a operação, o artesão tem o cuidado de puxar bastante a pele, com a ajuda da turquês, para que esta fique bem justa à forma. Concluída a aplicação dos pregos, estes são endireitados. Em seguida, elimina-se o excesso de pele com uma faca de sapateiro;
Execução das viras: estas são elaboradas a partir de uma tira estreita de couro. Posteriormente, são desbastadas e amaciadas;
Palmilhar: operação que consiste em coser a palmilha, o forro, a vira e o próprio botim. Todos estes elementos são cosidos uns aos outros com a ajuda da sovela e do fio de nylon. Este último é passado por cera para deslizar melhor. À medida que o botim vai sendo palmilhado, o artesão vai retirando os pregos existentes com a turquês;
Bater a vira: depois de cosida, esta deve ser batida e endireitada com um martelo e uma picota. O artesão deve retirar o seu excesso com a faca de sapateiro;
Elaboração dos enxumentos: estes destinam-se a reforçar o botim. Elaborados a partir de couro um pouco mais grosso, são aplicados com cola nas duas extremidades daquele. Antes de serem colocados, devem ser desbastados com a ajuda da faca de sapateiro;
Pregar a sola ao botim: as duas partes são unidas entre si com a ajuda de alguns pregos. Deve proceder-se ao corte da parede lateral da sola, para que os pontos efectuados com a sovela fiquem alojados no seu interior. Terminado o ponteado, a ranhura é fechada e colada. À medida que vão sendo cosidas, o artesão vai removendo os pregos colocados anteriormente;
Acabamento: esta fase inclui a aplicação do salto no botim. Este é constituído por duas entrecapas e uma capa de borracha. Depois de concluído, aquele leva também ilhós, correias (ou atacadores) e sebo.

terça-feira, março 03, 2009

Barrete de Orelhas – Madeira

O barrete de orelhas era sobretudo utilizado pelos camponeses.
É feito com a lã das ovelhas criadas nas serras e concebido pelas mãos das mulheres, tricotado com 5 agulhas.
Adapta-se bem à cabeça e tem no alto uma pequena borla e nos lados dois apêndices que, ou se deixam cair sobre as orelhas, ou se levantam, prendendo-se às vezes num botão.
Este barrete, a que chamam de orelhas, já era usado em 1857 e parece ser uma criação madeirense.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

O Carnaval de Alpalhão – Nisa – Alto Alentejo


Numa época em que os antigos costumes do Carnaval português vão dando lugar a ritmos e tradições importados do Brasil, existem ainda algumas localidades que vão resistindo, mantendo as suas tradições.

Em Alpalhão, no concelho de Nisa, a tradição ainda se mantém. Os seu trajos, outrora utilizados apenas no Carnaval, ainda hoje se mantêm vivos graças aos grupos de Contradanças.

Em Alpalhão, é o traje garrido e vistoso, são saias e xailes ricamente bordados, a par da grande quantidade de ouro reluzente, que desperta a atenção do visitante.
Quem faz, de quem são as mãos que tecem este autêntico festival de cor e deslumbramento, que se passeiam pelas ruas da vila nestes dias de festa?
Na rua da Carreira encontrámos as respostas para estas questões, Maria Virgínia Rijo. “Comecei a fazer estes trabalhos há cerca de 20 anos e fui-me aperfeiçoando. Dantes faziam-se poucos fatos de Carnaval, dependendo doas épocas, mas de há cinco anos para cá, com o regresso das marchas têm-se feito muitos mais.”
“ Estava tudo a perder-se, as nossas tradições. Dantes fazia-se um fato por ano e noutros não se fazia nenhum. A professora Zézinha deu um grande impulso às marchas e à Contradança, indo ao encontro das pessoas de Alpalhão que sempre gostaram muito de se vestir e do traje, embora fosse só para ir ao baile.”

“As saias têm duas partes de feltro. Os desenhos são feitos em papel vegetal, que depois é cozido na saia, retira-se o papel e recortam-se os desenhos.”

Uma técnica igual àquela que é empregue em Nisa, no entanto, “enquanto que em Nisa preferem o vermelho com os recortes em preto, em Alpalhão, o vermelho é mais utilizado com os bordados em branco. As saias amarelas que se usam também muito têm os bordados em azul-escuro. Os xailes em Nisa são bordados à mão e aqui, a maior parte, os de terylene, são bordados à máquina, a matiz. Os xailes mais antigos de Alpalhão são os merinos, muito bonitos e vistosos. O traje de Alpalhão inclui a camisa, que era de linho, antigamente, o corpete, que é um colete mais curto, bordado à frente e atrás e debruado com uma fita branca e o avental, feito de cetim e bordado como o xaile, com dois bolsos.”

Três semanas é o tempo que demora, até ficar pronto, um traje para adulto (menina ou senhora). O de criança, demora menos.

Por enquanto vai tendo algumas encomendas e o seu trabalho começa a ser mais conhecido, não apenas pelos desfiles de Carnaval, mas pela sua presença nalguns eventos organizados pela Junta de Freguesia, como é o caso da Feira dos Enchidos.
Quanto à popularidade do Carnaval de Alpalhão, Virgínia Rijo não tem dúvidas.
“Oxalá que nunca acabe e seja cada vez mais divulgado. É bom para toda a gente, anima o comércio, diverte as pessoas e movimenta a terra. E os nossos trajes são mesmo bonitos, não são?”

Fonte: Vila de Alpalhão

domingo, fevereiro 22, 2009

CARAPUÇA – Madeira

A Carapuça é um barrete de forma cónica usado na Madeira nos séculos XVIII e XIX, influenciado pelo gorro medieval e carapuços portugueses. De um barrete que cobria toda a cabeça, evoluiu para uma forma extremamente elegante, quase de adorno.
Barrow que esteve na Madeira em 1790 diz que as mulheres "traziam um capacete na cabeça", não mais, que o antecedente da carapuça. Confirma-o a indispensável iconografia: "Antiga carapuça", W. Combe, 1821; "Dress of the Country People of Madeira", N.C. Pita, 1802. Esta, a carapuça, é identificada também por Diogo de Tovar e Albuquerque em 1807: "os homens (...) vestem sempre uma carapuça de pano, unida à cabeça com duas pequenas orelhas".
Este tipo de chapéu, chamemos-lhe assim, aparece nos finais do séc. XVIII e até 1782 nenhuma informação concreta existe a seu respeito. Admite-se que antes da carapuça se usava "um barrete de lã encarnado ou azul". Segundo alguns etnógrafos é filiada no toucado grego, no gorro medieval, na proveniência semita, em motivos arabescos e orientalizantes e no uso de algumas populações portuguesas.
A carapuça aparece delineada em alguns desenhos datados de 1820. Na descrição destas aparece sempre, em pormenor, um "barrete do tipo carapuço de boca larga", no homem, e, na mulher, também "um barrete ... bastante mais largo que os que chegaram até nós ..." Para já não referir, e apenas nestas estampas, o aspecto policromo e a natureza da restante indumentária. Todavia não nos passa despercebido nos "Country Musicians", no músico que está ao centro e toca violino o uso de um "chapéu de aba redonda e larga, copa cilíndrica, não muito alta", em contraste com as carapuças dos vilões laterais.
Este barrete madeirense, que foi capacete para Barrow, aparece, segundo se julga em Rubens e é carapuça durante o século passado, evolui a meados daquele para "atavio" e Cabral do Nascimento crisma-o de uma forma extremamente elegante, assim: - é "pura janotice como a rosa no cabelo das andaluzas".
A carapuça cai em desuso desde 1870 sucedendo-lhe o lenço e a mantilha na mulher e no homem o "barrete de orelhas", o "boné de pala" trazido das Américas pelos emigrantes, e os "barretes de lã preta"e consequentes variantes em algumas freguesias da Madeira: ninho, rodado, solideu...
Na freguesia de Santana em 1895 o Cónego Vaz assistiu "ao funeral das duas últimas carapuças" e na vizinha S. Jorge que contrasta sempre em alegria com a primeira não conheceu carapuças mas os "trabalhadores" "usavam barrete de lã" e os "lavradores" "boné de fazenda escura e pala de verniz". Destes se recrutavam "os homens bons para a edilidade do concelho”.

Fonte: Laurindo de Góis, José, ANTIGOS BARRETES MADEIRENSES in "Da Indumentária e Indústrias Madeirenses", Revista Atlântico, Vol.6, p. 85-91.

sábado, fevereiro 07, 2009

Loudel de D. João I



A peça de vestuário que vos apresento não se trata de um trajo regional, mas de uma relíquia nacional.

O Loudel de D. João I, é feito de linho, lã, seda e fio de ouro; tem uma altura de 98 cm e uma largura de 91 cm, e foi usada na batalha de Aljubarrota, no dia 14 de Agosto de 1385.
Esta veste, que servia para proteger o corpo da aspereza da armadura e dos golpes dos inimigos, é constituída por uma série de camadas de pano de linho acolchoado com lã, sendo revestido por um tecido verde bordado com "rodas de ramos e escudos de S. Jorge".
O rei, D. João I que se tinha encomendado a Santa Maria da Oliveira para que o ajudasse a vencer os castelhanos na batalha de Aljubarrota, depois foi a Guimarães e em sinal de gratidão deixou-lhe entre outros dons esta veste real, o loudel.

O loudel é uma das raras vestes militares do período medieval existentes no mundo.

Pode ser visto no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães, juntamente com muitas outras peças de arte sacra ligadas à nossa história.

domingo, fevereiro 01, 2009

O Regicídio foi à 101 anos

A Monarquia morreu naquela tarde de 1 de Fevereiro de 1908, no Terreiro do Paço, quando El-Rei D.Carlos e Príncipe Herdeiro, Dom Luis Filipe, foram assassinados pela Carbonária, o braço armado do Partido Republicano.

Para que a memória não morra, recordo aqui esse fatídico dia.


terça-feira, janeiro 27, 2009

Camponesa - Montargil - Alentejo

A freguesia de Montargil situa-se numa zona de transição Alentejo/Ribatejo, mas o seu folclore reflecte ainda o facto de durante muitos anos, embora sazonalmente, aqui terem trabalhado pessoas vindas de outras terras, caso dos “tiradores de cortiça” do Algarve, e dos “ratinhos” vindos das Beiras em “tempo de ceifa”, É a aculturação, é o encontro de culturas, é o moldar de uma cultura muito específica.
É essencialmente uma “comunidade rural”, com a sua identidade não quer abdicar e maneira de ser, que o Rancho Folclórico de Montargil tenta preservar e divulgar.
O traje ou a “Copa”, era noutros tempos um factor que muito caracterizava quem o vestia, e o Rancho Folclórico de Montargil apresenta o mais fiel possível a “copa” que os seus antepassados usaram.
Vestia-se pobre em Montargil, o que não significa que em especial a mulher não vestisse “bonito “.O fato de “camponesa” era sempre igual, com uma ou outra pequena alteração em função da actividade que ia desempenhar, e a natural mudança de utensílio de trabalho.
Tanto quanto sabemos, este trajo de camponesa é característico unicamente desta região de transição entre o Alentejo e o Ribatejo, o que demonstra bem como localmente se criou uma cultura muito própria.
Era constituído pelas seguintes peças:
Blusa com abas e” mangos” (estes de meia velha ou do riscado da saia); Saia de riscado escuro, arregaçada e atada no cós.” Podendo no entanto usar uma saia mais curta, que não seria arregaçada”. Ceroulas de ganga atadas nos tornozelos com fitas de nastro; Chapéu sobre o lenço, e este, consoante o trabalho, atado atrás, em cima sobre o chapéu ou à frente; Meias escuras de cordão; Sapato de atanado e sola, sendo que, dependendo do trabalho executado, podiam andar descalças.
Refira-se ainda, que quando a caminho do trabalho, algumas camponesas levavam um curto avental que tiravam ao chegar lá. Era também nessa altura que, e se disso fosse caso a saia era arregaçada e presa no cós.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Trajos de Poiares – Alto Minho

Poiares é uma freguesia situada na margem direita do rio Neiva, dista cerca de quinze quilómetros da sede do concelho, Ponte de Lima.














O Rancho Folclórico e Etnográfico da Casa do Povo de Poiares é um digno representante do folclore do Alto Minho, pelo que apresentam assim os seus trajos:

Trajes das Mulheres

Em dias festivos o nosso povo sempre conservou uma nítida diferença entre os vestidos domingueiros ou a roupa que vem de Deus e a roupa do trabalho, própria para todos os dias.

As proprietárias mais abastadas, não lavradeiras vestiam saia de casmira, meio balão, pano escuro de boa qualidade, pouco ornamentados apenas com uma ou duas bastas. Era ainda a saia do casamento porque faltava o dinheiro para repetir a compra. O casaco denominado casibeque, também de boa fazenda, curto e enfeitado nos punhos e na orla do mesmo, na cabeça usavam um lenço de seda de cor honesta, cobria-lhes toda esta indumentária uma capa bastante farta, de pano azul ou cor pinhão, e que acompanhava a saia.

A classe das lavradeiras socialmente inferior mas muito numerosa usava saia tecidas em casa com estopa e lã e/ou lã e algodão e/ou lã e carduz. Algumas levavam bastas de cor azul, verde ou vermelho escuro. As barras eram de cor castanha, preta ou azul, traçado sobre o peito e atado nas costas usavam um lenço/xaile denominado lenço do pescoço. A blusa era de linho fino e muito branco e as mangas cobriam todo o braço até ao pulso, com pregas nos ombros e bordados nos punhos. Usavam contas e cordões de ouro e as mais abastadas usavam uma corrente de ouro do feitio de uma corda. As contas de ouro eram usadas por algumas nos dias de semana, das orelhas pendiam valiosos brincos de ouro denominados brincos à rainha.


Nos dias mais solenes calçavam chinelas de cabedal e meias de linho, sobre a saia colocavam um avental preto recamado de guarnições como vidrinhos e lantejoulas.

A classe pobre usava saia de chita, quase sempre do mesmo tipo, lenço da cabeça quase sempre de linho com ramos bordados nos cantos em pontos cheios e uma silva a fazer a barra do lenço.

As classes de lavradeiras e pobres quando iam à igreja levavam um lenço preto sobre os ombros e no tempo de preto (luto) levavam sobre a cabeça. Calçavam tamancos ou andavam a pé descalço, o avental era grande, simples e de pano barato. Usavam a saia com uma faixa.

Traje dos Homens

Os abastados, trajavam economicamente, porque um fato durava-lhes toda a vida, usavam um chapéu encascado, casaco de cinta, colete em gola, pano azul ou preto. Sapato raso ou bota alta no Inverno, para agasalho sobre os ombros um xaile marenta e de bom tecido ou uma capa casaca.

A classe média trajava um chapéu bastante desavado em felpo vulgarmente chamado por "chapéu braguês", quase sempre preto e grosseiro, o colete e o casaco eram quase sempre do mesmo pano, de fraca estopa, mesela, briche ou saragoça. Calçavam tamancos ou sapatos baixos, quase sempre sem meias, de Inverno usavam meias de lã, a camisa era de linho para os dias de festa, para os dias de trabalho era de estopa.

A terceira classe usava chapéu de felpo, grosseiro, de cor preta, camisa de estopa, casaco curto de briche ou saragoça. Calças de lã tecidas em casa e no Verão pano de estopa branco, as calças de alçapão, calçavam tamancos, chancas ou andavam descalços. No Inverno o traje era chancas, meias de lã, calças de lã, camisa de estopa, colete de lã com costas de cor diversa. No Verão o traje era todo de linho e calçavam socos.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Aguadeira – Mira – Beira-Litoral


A aguadeira tinha uma função muito importante, aplacar a sede a quem trabalhava no campo e é uma figura recorrente em muitas regiões do país. O seu trajo não era muito diferente das demais trabalhadoras rurais, muitas vezes era escolhida para a função por ser mais nova ou a mais velha, quem mandava escolhia.

Este trajo, pertencente ao grupo folclórico poço da cruz, é composto por saia e blusa de chita, um tecido barato, avental de popelina, 2 saiotes de popelina e 1 de flanela vermelho. Na cintura, transporta uma algibeira e uma cinta cor de vinho ou vermelha.

Na cabeça o lenço de cachené e o chapéu gandarez, que por ser de trabalho não de possuir pena, nem borboleta. Calça tamancos.

Para transporte da cântara de barro usa uma rodilha de trapos e para dar de beber uma caneca e prato de barro

Outros artigos relacionados: Peixeira – Vendeira, Beira-Litoral

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Trajo dos Jornaleiros – Zebreiros - Gondomar

Só a vegetação, o rio, a calmaria..., são o suficiente para dar ao lugar de Zebreiros e à Freguesia de Foz do Sousa (Gondomar), uma beleza inconfundível e rara.

Mas Zebreiros não permite que sua beleza se resuma à beleza natural. Há a beleza da sua população, manifesta na sua alegria e no seu desejo em preservar aquilo que o Homem aliou à Terra: os cantares, as danças, o labor. E é isto que o Rancho Folclórico de Zebreiros efectivamente concretiza: a manifestação extraordinária dos usos, costumes e tradições bem como da sua conservação, através de um imenso profissionalismo desenhado pelo sorriso dos elementos que o integram.

O Rancho Folclórico de Zebreiros é, como alguém disse" um dos mentores de um vasto e rico património cultural, que lhe foi legado pela tradição".

O trajo que vos apresento é o dos Jornaleiros, ou seja, dos trabalhadores contratados para efectuarem trabalhos agrícolas específicos, à jorna, nomeadamente, para a ceifa.

O homem vestia calças de cotim, camisa de riscado, faixa, tamancos, chapéu de palha e mangual para malhar o milho.

A mulher usava blusa de linho, saia de fazenda, saiote vermelho, colete de fantasia em algodão, lenço em algodão, socos e chapéu de palha enfeitado com flores do campo. No entanto em vez de uma faixa é utilizada uma corda, que servia para amarrar os molhos.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Trajo Domingeiro - Barbeita - Monção

Barbeita é uma populosa freguesia do Concelho de Monção, situando-se a 7 km da sede do Concelho, é banhada pelo Rio Minho.

O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Barbeita é um dos mais representativos do Alto Minho Interior, cujas origens remontam a 1959.

A indumentária que vos apresento é pertença desse grupo e representa o modo de trajar dos homens e mulheres aos Domingos, dias especiais, já que, livres das obrigações laborais, havia mais tempo para o convívio social.

As mulheres, usavam lenço cachenê com vários tons, azul, verde ou roxo. Saia preta com barras verdes ou azuis na parte inferior, adornada com vidrilho e lantejoulas pretas.
Avental de lã, bordado com motivos do campo, em várias cores, predominando o azul, verde, amarela. Colete com barra da cor da saia e avental. Camisa de linho bordada a branco nos ombros, peito e punho. Lenço de amor bordado a azul ou verde.Meia rendada com pé e socos pretos.

O trajo do homem era constituído por chapéu preto com aba, camisa de linho bordada a branco, por vezes a vermelho suave. Colete ou jaqueta e calça de fazenda preta. Faixa da mesma cor a cingir a cintura e calçava bota ou sapato preto.


segunda-feira, dezembro 15, 2008

Encerramento da Exposição

A exposição “Trajes de Portugal – Cultura e Tradição” encerrou no passado dia 8 de Dezembro.
Se o mau tempo prejudicou a inauguração, o encerramento foi bafejado com algum sol, embora o frio se fizesse notar.
No entanto, o calor humano não faltou, já que muitos foram os visitantes que aproveitaram este ultimo dia para visitar a exposição, além da presença de dois ranchos folclóricos do Concelho de Oeiras, que animaram a tarde, Rancho Folclórico “As Lavadeiras da Ribeira da Laje” e Rancho Folclórico Flores da Beira.
Em jeito de balanço final, podemos dizer que a exposição foi vista por cerca de 470 visitantes e 100 crianças da pré-escola e do 1º ciclo de Vila Fria, o que para a organização se revelou um sucesso, já que o tempo não convidava a sair de casa e uma exposição sobre trajes nem sempre é considerado um programa apelativo.
Foi uma boa experiencia, fica a promessa de novos projectos.
A todos os que colaboraram nesta iniciativa os nossos agradecimentos.
Imagens da actuação do Rancho Folclórico “As Lavadeiras da Ribeira da Laje”


Imagens da actuação do Rancho Folclórico Flores da Beira