segunda-feira, julho 09, 2012

Tatuagens Antigas

O site Feitoria  lançou um conjunto de 12 tatuagens provisórias baseadas na recolha do etnógrafo Rocha Peixoto, que no início do século XX publicou o resultado de um estudo sobre as tatuagens usadas pelos portugueses desde os finais do século XIX.

O amor e a religião são os temas mais comuns entre as tatuagens recolhidas por Rocha Peixoto, sendo o coração o mais expressivo.
Estas tatuagens eram utilizadas por todas a classes sociais, embora as agora reproduzidas sejam de índole popular, surgindo tatuagens relacionadas com alusões à profissão do seu usuário.
Diz-se que Eduardo VII de Inglaterra tinha tatuagens e terá introduzido esse gosto entre as cortes europeias, nomeadamente Portugal, já que era grande amigo do seu primo D. Carlos I.

quinta-feira, julho 05, 2012

XII Encontro de Antiguidades Populares - Feira

O Grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira, vai realizar no dia 15 de Julho, pelas 21h30, junto ás Capela de N. S. da Piedade, o evento "XII Encontro de Antiguidades Populares".

quarta-feira, junho 27, 2012

Chapéu de Alcains – Castelo Branco – Beira Baixa

Quem, há uma dúzia de anos, atravessasse os campos de Idanha-a-Nova ou percorresse muitas aldeias do distrito de Castelo Branco, notaria que as gentes do povo, os que mourejam de sol a sol, usavam, geralmente, pesados chapéus de lã, de abas largas e copa baixa, os bem conhecidos chapéus de Alcains, do custo de nove vinténs.

Veio a guerra (1914-1918), e o turbilhão de transformações que ela devia operar, os pobres àbeiros quase desapareceram, sendo já hoje muitos raros, mesmo na arraia de Idanha.

- Origem da indústria? Motivo da decadência?

Não se conhece a origem nem a data exacta da instalação do fabrico. Pelo depoimento de pessoas da localidade, creio poder afirmar que ela vem de tempos distantes, e que, não há muito ainda, empregava mais de uma dúzia de industriais.

Porque decaiu então esta indústria, se outras, como o linho, criaram, com a guerra, novos alentos e arregimentaram novas tecedeiras?

Os chapéus de Alcains são feitos exclusivamente de lã, e esta subiu a preços incomportáveis.

Os compradores, gente simples do campo, fugindo à carestia e levados na onda do luxo, começaram a desprezá-los. Os chapéus de lã de Alcains mal puderam, por isso, resistir à concorrência dos de feltro.

- Processo de fabrico?

Os chapéus de Alcains são feitos, como se disse de lã, exclusivamente de lã, comprada na região, que, depois de lavada, escarameada, cardada, em-arcada e bastida, é levada à cabeça (forma de azinho do feitio de uma cabeça).

Na operação de lavagem, não vale falar por ser bem conhecida.

Escaramear consiste em separar e desfazer os aglomerados de lã.

Cardar o mesmo é passar a lã por entre as cardas, - placas de bicos de aço muito afiados e muito juntos. A cardação é feita no burrinho, banco com uma carda fixa onde o cardador se senta e manobra, com as mãos, em movimento regular e continuo, de encontro à caixa fixa, uma carda móvel.

Em-arcar consiste em desfiar ainda mais a lã separando-a bem e tornando-a fofa e leve. A em-arcação é feita com uma vara de madeira, de pouco mais de dois metros, que tem presa às extremidades uma corda em forma de aro, espécie de arco de rabeca. Preso, o arco, ao teto e suspenso sobre uma mesa, o chapeleiro estica a corda, entrelaça nela a lã e fá-la saltar, uma e muitas vezes, até a lã, ficar fofa, muito leve, bem separada e desfiada.

Bastir equivale a empastar ou fazer a papa.

A lã é deitada numa plancha (grande bacia de folha de cobre de 60 a 65 centímetros de diâmetro e 15 de profundidade) e ali embebida em água. Acesa uma fornalha por debaixo da plancha, a lã toma, com o aquecimento e consequente evaporação de água, a forma pastosa.

A pasta é levada para a cabeça, o chapeleiro, passa sobre ele, vezes em conto, o ferro de passar e o chapéu fica assim moldado.

Enxuto, em seguida, ao sol, debruado e forrado com um pobre forro de chita de várias cores, vai para o mercado, e do mercado para as maiores inclemências do calor e do temporal, proteger e abrigar tantos que, de sol a sol, mourejam na conquista do pão de cada dia.

Texto de Jaime Lopes Dias in Tradições e Costumes da Beira

sexta-feira, junho 08, 2012

Desfile do Trajo em Guimarães



Não é mais um filme mas os espectáculo completo.
Para quem não viu ou queira rever.

domingo, maio 20, 2012

Desfile do trajo popular nacional na Capital Europeia da Cultura

Milhares de pessoas presenciaram o desfile do trajo popular nacional em Guimarães este sábado (19 de Maio) numa noite muita fria.

O desfile foi uma produção conjunta da área de programação da Capital Europeia da Cultura e a Federação do Folclore Português, sendo uma iniciativa do projecto Pop Arte.

Pela passerelle montada no Largo do Toural, passaram cerca de mil figurantes, num espectáculo que durou perto de duas horas.

Homens e mulheres representaram quadros das várias regiões do país, num desfile etnográfico da mais genuína cultura popular portuguesa.


sábado, maio 19, 2012

Exposição Nacional do Trajo ao Vivo

No dia em que é apresentada a Exposição Nacional do Tajo ao Vivo em Guimarães pareceu-me interessante recordar a edição que ocorreu em Águeda há alguns anos.


Madeira anos 1930



Trata-se de um filme mudo sobre a Madeira no inicio de 1930, onde se pode ver algumas das pitorescas figuras da ilha.

segunda-feira, maio 14, 2012

Encontros de Formação e Capacitação de Jovens Folcloristas



Realizou-se no passado dia 12 de Maio mais um Encontros de Formação e Capacitação de Jovens Folcloristas sobre o tema “Folclore e Etnografia para Jovens”, desta feita em Sousel, no coração do Alto Alentejo.
Trata-se de uma iniciativa da Federação do Folclore Português e do seu Gabinete da Juventude, que através das estruturas locais têm dinamizado estas iniciativas, dirigidas a jovens entre os 18 e os 30 anos, provenientes de grupos federados e não federados.
Nestas sessões desenvolvem-se as temáticas “Cultura Popular Portuguesa”, “Recolhas, Preservação e Representação” e “Imagem, Comunicação e Divulgação”.

Em Sousel estiveram presentes cerca de cinquenta jovens, extremamente participativos e interessados em adquirir conhecimentos, tendo os trabalhos sido dirigidos pela Dr.ª Rita Leitão, Engª Manuela Carriço, Sr. Florêncio Cacete e Sr. João Carriço, contando com uma participação sempre especial do Prof. Martinho Dimas da Associação de Folcloristas do Alto-Alentejo.

Estas iniciativas vão-se repetir um pouco por todo o país e devem ser aproveitadas pelos jovens e grupos de folclore, pois trata-se de momentos únicos para troca de experiências e saberes. Só desta forma, as nossas tradições populares podem ser passadas às novas gerações e o folclore poderá continuar vivo, mantendo a sua essência e rigor.
Bem-hajam a FFP por estas iniciativas, há muito desejadas e necessária e à AFA e Câmara Municipal de Sousel pelo apoio prestado.

“Trajes de Portugal” terá todo o gosto em divulgar e/ou em participar tal como fizemos agora em Sousel.

sexta-feira, maio 04, 2012

Onde os Bois Lavram o Mar - Praia de Mira

"Onde os Bois Lavram o Mar" é um documentário produzido pela RTP sobre a população da Praia de Mira.

quinta-feira, maio 03, 2012

Documentário de 1932

Documentário realizado em 1932, na região do Carregado, Alenquer, sobre as várias fases da produção, tratamento e recolha da uva.
Música: Carlos Paredes
Recolhido e adaptado por: Rui Rosa e João Rosa

quarta-feira, maio 02, 2012

As Sete Saias da Nazaré

De origem relativamente recente, a Nazaré “nasceu” do recuo do mar e do assoreamento progressivo da praia durante o século XVII, começando a ser conhecida e frequentada como praia de banhos apenas em meados do século XIX. A população nazarena tem as suas raízes muito ligadas a outros marítimos como os Ílhavos e outros povos da Ria de Aveiro, que trouxeram com eles para a Nazaré não só novas artes de pesca, mas também o modo de vestir e até de falar. Ao longo dos anos essas novas maneiras foram aqui evoluindo, transformando-se e adaptando-se às necessidades da vida.

As sete saias fazem parte da tradição, do mito e das lendas desta terra tão intimamente ligada ao mar. Diz o povo que representam as sete virtudes; os sete dias da semana; as sete cores do arco-íris; as sete ondas do mar, entre outras atribuições bíblicas, míticas e mágicas que envolvem o número sete. A sua origem não é de simples explicação e a opinião dos estudiosos e conhecedores da matéria sobre o uso de sete saias não é coincidente nem conclusiva. No entanto, num ponto todos parecem estar de acordo: as várias saias (sete ou não) da mulher da Nazaré estão sempre relacionadas com a vida do mar. As nazarenas tinham o hábito de esperar os maridos e filhos, da volta da pesca, na praia, sentadas no areal, passando aí muitas horas de vigília. Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima para protegerem a cabeça e ombros do frio e da maresia e as restantes a taparem as pernas, estando desse modo sempre “compostas”. A introdução do uso das sete saias foi feito, segundo uns, pelo Rancho Folclórico Tá-mar nos anos 30/40, segundo outros pelo comércio local no anos 50/60 e ainda de acordo com outras opiniões as mulheres usariam sete saias para as ajudar a contar as ondas do mar (isto porque “ o barco só encalhava quando viesse raso, ora as mulheres sabiam que de sete em sete ondas alterosas o mar acalmava; para não se enganarem nas contas elas desfiavam as saias e quando chegavam à última, vinha o raso e o barco encalhava”). O uso de várias saias pelas mulheres da Nazaré também está ligada a razões estéticas e de beleza e harmonia das linhas femininas – cintura fina e ancas arredondadas, (esta poderá ser também uma reminiscência do traje feminino de setecentos que as damas da corte usavam - anquinhas e mangas de renda - e que pavoneavam aquando das visitas ao Santuário da Senhora da Nazaré), podendo as mulheres usarem 7, 8, 9 ou mais saias de acordo com a sua própria silhueta. Certo é que a mulher foi adoptando o uso das sete saias nos dias de festa e a tradição começou e continua até ao presente. No entanto, no traje de trabalho são usadas, normalmente, um menor número de saias (3 a 5). 

segunda-feira, abril 30, 2012

O Folclore Saloio e a construção do Convento de Mafra

Quando em 1717 se iniciou a construção do Convento de Mafra, não se imaginava o impacto social e cultural que o mesmo viria a produzir mormente na região. Inicialmente pensado para ser erguido nos terrenos pertencentes aos marqueses de Ponte de Lima, então donatários da vila de Mafra, com vista a alojar uma dezena de frades da Ordem de S. Francisco da Província da Arrábida, o rei D. João V viria em 1712 a determinar a sua construção no sítio então chamado “Alto da Vela”, alegadamente em cumprimento de uma promessa. Com o decorrer do tempo, a imponência do monumento levou a uma certa secundarização da área histórica de Mafra ao ponto da maioria dos visitantes daquela vila desconhecerem a vetusta Igreja de Santo André a denunciar a arquitectura de uma velha mesquita ou ainda o Palácio dos Marqueses de Ponte de Lima, actualmente em ruínas e erguido sobre as antigas muralhas da povoação.

Os trabalhos de construção do Convento de Mafra empregaram então 52 mil trabalhadores, um número claramente superior à população que então residia naquela região. Eram operários oriundos um pouco de todo a parte, com hábitos e costumes diferenciados entre si e da população local. Para além daquela imensa massa humana que durante década e meia ali trabalhou arduamente, há ainda a registar aqueles que de alguma forma estiveram envolvidos naqueles trabalhos, ainda que indirectamente, assegurando nomeadamente o abastecimento de víveres e outros bens de que necessitavam, bem como a sua confecção e alojamento.
Feita uma descrição bastante sumária do esforço humano que um projecto de tal envergadura implicou para a época, fácil será de imaginar o efeito cultural produzido e o impacto social que obteve na vida local. Nos momentos de ócio que decerto também os haveria, nas festas religiosas e romarias que tinham lugar nas aldeias em redor, certamente se misturaram diferentes formas de dançar, cruzaram-se os cantares e confundiram-se diversas formas de trajar. Afinal de contas, a música e os bailaricos no terreiro eram então as únicas formas de divertimento das gentes simples do povo e, naturalmente, os operários que vieram para Mafra trouxeram consigo instrumentos musicais, da mesma forma que alguns séculos antes se levaram guitarras para o campo de batalha em Alcácer Quibir.

Uma vez terminadas as obras de construção do convento, decerto nem todos regressaram às suas origens. Durante o tempo que permaneceram em Mafra, muitos houve certamente que se enamoraram das moças da região, constituíram família e resolveram fixar-se, amanhando as terras que até então eram apenas cultivadas pelos saloios. Daí resulta uma certa influência no folclore local, nos instrumentos que utilizam, nas danças e cantares que lhes são características. Não admira, pois, que encontremos por aqui a gaita-de-foles ou nos surpreendam com uma desfolhada na eira ou ainda a execução de um “vira” ou uma “caninha verde”. Já a “Contradança” que também aqui possui a sua expressão terá naturalmente a ver com a presença dos invasores franceses na localidade. Também a tradição oral expressa através de provérbios, contos e inúmeras cantigas reflecte a influência transmitida pelas gentes provenientes de outras regiões do país.

Em consequência, ainda que conserve muitas dos seus traços originais, a caracterização do camponês da região de Mafra não corresponde integralmente ao perfil do saloio enquanto descendente dos berberes que outrora se fixaram no termo de Lisboa e estavam obrigados a pagar ao rei cristão o tributo que antes entregavam aos reis mouros e a que designavam por “çalaio”, supondo-se que daí tenha derivado o termo pelo qual passaram a ser identificados. Ainda assim, grande parte possui um traço fisionómico muito próximo do tipo árabe, de tez morena, cabelo escuro e íris ocular acinzentada, características aliás que podemos encontrar entre as gentes de outras regiões do país que receberam idênticas influências ao longo da História.
Em jeito de conclusão, ensina-nos a História que nela devemos encontrar a explicação para os fenómenos do presente, para além da compreensão do futuro. E, de igual forma, também o estudo do nosso folclore deve obedecer a idêntico entendimento uma vez que não constitui uma realidade estática, antes evolui e se transforma com o decurso do tempo.

 Autor: Carlos Gomes
Fonte: Portal do Folclore Português


Aldeão dos arredores de Mafra segundo uma gravura francesa do início do século XIX ou seja, o período das invasões francesas. De Henry L’Evêque, “Costume of Portugal”, 1814.
(Foto: Arquivo Fotográfico da C.M.L.)



 Aldeão dos arredores de Mafra. Esta gravura tem a mesma origem da anterior.
(Foto: Arquivo Fotográfico da C.M.L.)

terça-feira, março 06, 2012

Chapéu de Palha – Entre Douro e Minho

As diferentes regiões do país terão, certamente, os seus próprios modelos de chapéus, confecionados a partir da palha do centeio. Naturalmente que a nossa região também tem o seu modelo tipo de chapéu que, salvo um ou outro pormenor diferenciado entre terras mais afastadas, mas pouco relevante, se assemelha em todas elas.
A figura abaixo mostra-nos o tipo de chapéu, tanto masculino, como feminino, mais comum de Entre Douro e Minho.
Estes dois tipos de chapéu digamos que têm a mesma estética, todavia, existem algumas diferenças entre eles: enquanto que o da mulher tem a aba recurvada para baixo, o do homem tem-na para cima. Por outro lado, a aba do chapéu do homem era sempre adornada na sua extremidade com trança de bordo aos bicos, o da mulher poderia ser, ou não.
Estes são os únicos tipos de chapéu usados pelo povo, quer se dedicasse à lavoura, quer a outras profissões.
Convém referir que existiam chapéus, também de abas largas, mas arredondadas, com fita acetinada em redor da copa e com as pontas a descair na retaguarda, porém estes chapéus eram ostentados apenas por gente mais afidalgada.
Em alguns casos até os bordavam com fios de lã colorida.
O chapéu seguinte à direita é um produto da “revolução” verificada na indústria de chapelaria efetuada na década de 50 do século XX.
Por se assemelhar ao chapéu de feltro usado na época, rapidamente se popularizou em todas as terras, contudo, convém alertar que a época que os ranchos representam é muito anterior a esta. Sendo assim, torna-se imperioso retirá-lo rapidamente de circulação nas exibições públicas de modo a não ser passada uma imagem errada relativa aos usos das terras que os ranchos representam.
Fonte: Conselho Técnico de Entre Douro e Minho
Artigos relacionados: O uso do chapéu

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Traje do Pastor - Alentejo

Nos campos de Alvito o pastor ordenha as ovelhas que são mantidas num redil de rede. Estas redes eram muitas vezes feitas pelos próprios pastores que também as vendiam, aumentando assim os seus rendimentos. Note-se o carrinho de mão que servia para transporte dos cântaros do leite e o ferrado da ordenha.
Fonte: Junta de Freguesia de Alvito

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

DESFILE DO TRAJO NO DISTRITO DE LISBOA

Evento organizado pela Associação do Distrito de Lisboa para a Defesa da Cultura Tradicional Portuguesa, com o apoio da Câmara Municipal de Alenquer, que se realizará no dia 4 DE MARÇO, pelas 15h30m, no Auditório Damião de Góis (Av. Dr. Teófilo Carvalho dos Santos) em Alenquer.