quinta-feira, agosto 09, 2012
quarta-feira, agosto 01, 2012
A Banheira de S. João da Foz do Douro
Vamos a banhos!
Sobre esta paisagem, o jornal “O imparcial da Foz, de 18 de Setembro de 1904, revela que «…os banhistas vão chegando, ainda com caras somnolentas e pouco animadas, parece tiritando de frio, entram nos pequenos cubiculos de lona, e vagarosamente, vão fazendo a toilette com que se hão-de apresentar ao velho deus Neptuno».
Depois do banho tomado, “O Progresso da Foz” de 29 de Setembro de 1907, dá-nos uma impressão de como os «Banhistas saem do mar e regressam às barracas, todos muito apressados, cada prega do fato transformada em goteira, as roupas encharcadas a desenhar-lhes as formas com nitidez».
O mesmo jornal revela-nos o ambiente que se vive na praia, «sentados em pequenas cadeiras encostadas às barracas que se alinham em filas uniformes de cubos brancos, muitos banhistas conversam ou lêem os jornaes da manhã; uns esperando companheiros inseparáveis dos seus brinquedos aquáticos, outros, mais madrugadores, já refrescados pelo banho matinal, e outros que são levados à praia somente pelo prazer de admirar plásticas que se revelam mais ou menos perfeitas sob os fatos de banho, ou para trocar olhares cupidíneos com as suas Dulcinéas». Para além destes olhares cupidíneos, Alberto Pimentel, na sua obra atrás citada, diz-nos as banheiras serem «…agentes venaes de uma assídua correspondência amorosa que os Romeus e as Julietas trocavam entre si, graças à mediação interesseira das supracitadas banheiras».
O próprio Ramalho Ortigão confessou no “Álbum de Costumes Portugueses”, ter sido banheira Anna da Luz «… a alegria para o meu coração inquieto, e o contentamento para a minha alma resignada». O que é certo tal como, nos diz Alberto Pimentel, na sua obra já citada«…é que muitos casamentos vieram tramados da Foz, no fim da temporada de banhos, graças à intervenção opistolar das banheiras». É acrescenta, que no fim da temporada, «…ninguém tornava a pensar na Foz senão no estio, quando o médico aconselhava o uso de banhos do mar…».
Fontes:
RMMV [60 anos de......gratidão]
Perde-se no tempo o aparecimento
figura do banheiro, associada aos banhos de mar um pouco por todo o país, cuja época
áurea ocupa toda a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século
XX.
No entanto, esta era atividade
exclusivamente masculina, com exceção da praia de S. João da Foz do Douro.
Guilherme Braga, em 1869, na sua
obra “O Mar da Delfina”, descreve, sucintamente, sob a forma de poema, a
Custódia como «…. uma das mais antigas e afamadas banheiras de S. João da Foz».
A banheira, robusta e vigorosa,
é-nos apresentada por Ramalho Ortigão, no “Álbum de Costumes Portugueses” de
1881, como proveniente «…de uma estirpe de outras banheiras, e constitue pelos
seus caracteres heriditários uma casta distincta…», sendo que «…sem esse
privilégio selectivo, de nascença, nenhuma mulher tomaria por offício dar
banhos, passando oito ou nove horas por dia, durante quatro meses do anno,
mettido no mar até ao peito».
Eduardo Sequeira, na obra “Á
beira mar”, de 1889, dá-nos a sua impressão sobre a banheira, uma «…serviçal em
extremo e sabe, com uma arte especial captivar a simpatia de todos, das
crianças a quem anima, da rapasiada com quem confraternisa alegremente, e dos
velhos cercando-os de considerações e respeitos, prodigalisando-lhes cuidados e
confortos».
Alberto Pimentel, em 1893, na sua
obra “O Porto Há Trinta Anos”, escreve sobre a banheira dizendo serem «..
algumas d´ellas raparigas bonitas e fortes», e Ramalho Ortigão na obra supra
citada, completa, referindo que a sua diferença se impôs «…pelo trajo, pelas
attitudes, pela expressão physionomica, pelo sorriso, em que o vermelho vivo
das gengivas e o branco pérola dos dentes lembra uma frescura de guelra e a
respiração salgada cheirando a sargaço, pelo olhar límpido e profundo…»,
descrevendo a fisionomia da sua banheira, Anna da Luz, e afirmando «…ficou-me
para sempre, e ainda n´este momento a vejo, septuagenaria, alta e espadaúda, o
cabello quasi todo branco, a face enrugada e brunida pelo sol, os grandes olhos
mansos e ternos, as mangas arregaçadas, a saia de braqueta sempre molhada até à
facha que lhe cingia a cintura, o chale de malha côr de pinhão trespassado no
peito.».
Quanto ao trajo, um artigo no
jornal “O imparcial da Foz”, de 18 de Setembro de 1904, refere que os
«Banheiros e Banheiras, com os trajos profissionaes, largas toalhas aos hombros
e bilhas com água nas mãos, crusam-se pelos arruamentos formados entre os
quadrados das barracas.». Por sua vez o periódico ” O Progresso da Foz”, de 29
de Setembro de 1907, acrescenta que «…o banheiro, um velho lobo do mar, vestido
de negro, sem perder de vista a boia de salvação que se pendura n´um varão de
ferro cravado na areia, vela cuidadosamente pelos banhistas mais temerarios que
tentam afastar-se da praia, e reprehende-os com benigna severidade.»
Vamos agora falar do dia da
banheira e para isso, começamos por uma passagem da obra citada de Ramalho
Ortigão, em que «…de madrugada, ao armar das barracas, quando ellas, accordadas
com os primeiros massaricos prateados que debicam a salsugem da maré, entôam em
côro de sopranos uma das muitas barcarolas locaes, uma aguda palpitação de
poesia festival e triumphadora preenche o ar…»
O meio de transporte utilizado
pelos banhistas para se deslocarem das suas casas para a praia dos banhos foi
variado ao longo dos tempos, tendo sido primeiro utilizado o jumento, o
carroção, o americano e, mais próximo de nós, o eléctrico. Sob a primeira forma
de transporte fala-nos Alberto Pimentel, na obra supra citada, que «… os
jumentos eram um meio de locomoção muito usado ainda no Porto para a jornada da
Foz. Pessoas conhecidas umas das outras organizavam burricadas, que partiam de
madrugada e iam choutando à beira do rio por entre nuvens de pó. De vez em
quando, as senhoras cahiam dos burros, e toda a caravana parava à espera que se
removesse aquelle vulgar incidente. Depois continuavam a jornada até à praia
dos banhos onde os burros ficavam descançando enquanto as pessoas que elles
haviam transportado iam tomar banho. Estas caravanas que chegavam ou que
partiam, contribuíram para animar o espectáculo da praia dos banhos».
Segundo o jornal “O Progresso da
Foz”, de 29 de Setembro de 1907, «… cada comboio que despeja na praia uma
multidão de banhistas, que vae descendo até à beira-mar conversando
ruidosamente, n´uma alegria communicativa, como que anteposando a sensação
deleitosa d´um banho n´aquelle mar tão azul. Raparigas aos banhos, com leves
vestidos claros, riem e chalaceiam, n´uma grazinada jovial e infantil.».
Sobre esta paisagem, o jornal “O imparcial da Foz, de 18 de Setembro de 1904, revela que «…os banhistas vão chegando, ainda com caras somnolentas e pouco animadas, parece tiritando de frio, entram nos pequenos cubiculos de lona, e vagarosamente, vão fazendo a toilette com que se hão-de apresentar ao velho deus Neptuno».
O facto de os banhistas irem a
banho de madrugada deve-se, tal como diz o Sr Domingos Picão, sobrinho de
banheiras de S.João da Foz, a estes se tomarem em jejum. O período de tempo,
receitado pelo médico, para ir a banhos era geralmente, como refere em 1889,
Eduardo Sequeira, na sua obra já citada, «…de vinte e cinco a trinta dias… não
devendo o banhista tomar banho no próprio dia da chegada à praia, mas tão
somente dous ou tres dias depois».
Depois de preparada a toilette
para ir a banhos, e tal como descreve ”O Progresso da Foz”, de 29 de Setembro
de 1907, «…principiam a sahir banhistas das barracas. Os homens, com as pernas
e os braços à vela, uns enfezados e rachiticos tremendo de frio n´aquella deliciosa
e amena manhã de Setembro, outros de formas musculares, quasi athleticos. As
senhoras com toda a sua esthetica destruída pela deselegancia dos largos
vestidos pretos guarnecidos de fitas brancas, os pés occultos em sapato de
tecido fino, os cabellos setinosos domados por uma touca ornada de lacinhos.
Algumas chegam às barracas com umas formas tão roliças e desenvolvidas e — oh;
desilusão! — saem para o banho tão escoadas que dir-se-ia estarem as barracas
povoadas de carnívoros». Da mesma forma, o jornal ” O imparcial da Foz”, de 18
de Setembro de 1904, diz-nos que «…apparecem os primeiros grupos já promptos
para entrar nas selsas águas, banheiros de bilhas na mão despejam água nas
cabeças dos mais nervosos, que correspondem com carantonhas capazes de metter
medo ao próprio mar. Entram n´água os primeiros grupos, é signal dado para
principio da animação da praia, desde
então até quasi ao meio dia, succedem-se uns aos outros, de forma que na praia
d´Ourigo milhares de pessoas se banharam».
Artur Magalhães Basto, n´A Foz Há
70 anos, conta que «…mesmo em maré vaza, só os destemidos tomavam banho sem ir
agarrados à mão do banheiro. E em geral os banhos demoravam apenas alguns
minutos. Esperavam-se as ondas e contavam-se os mergulhos; um, dois, três!… e rua!
— Quer dizer, imediatamente para a barraca».
«… Coragem e ávante!», era o dito
utilizado pela banheira Rita, a quem tem medo do mar, num artigo no “Jornal do
Porto” em 10 de Agosto de 1863.
Ainda n´A Foz Há 70 anos, Artur
Magalhães Basto afirma conhecer «…uma
descrição da praia do Caneiro em 1873, em que surgem tipos que eu vi ainda há
20, 25, 30 anos e ainda hoje certamente aparecem. Este por exemplo : «o senhor
gordo, nédio, droguista talvez». Vai tomar banho, desce solenemente a rua das
barracas. Relanceia com gosto a vista pelos espectadores, todo cheio de si e da
sua beleza plástica. Sonoro e enérgico, como quem dá voz de sentido a um
batalhão, berra — Gamela! O banheiro traz-lhe uma gamela com água; o senhor
gordo inclina a cabeça para a frente, como se fosse oferecer ao cutelo da
guilhotina; e o banheiro despeja-lhe a água pela cabeça abaixo. Depois
endireitando-se, bufa e avança para o mar — mas pára de repente, mal a água lhe
chegou à boca do estômago».
Depois do banho tomado, “O Progresso da Foz” de 29 de Setembro de 1907, dá-nos uma impressão de como os «Banhistas saem do mar e regressam às barracas, todos muito apressados, cada prega do fato transformada em goteira, as roupas encharcadas a desenhar-lhes as formas com nitidez».
O mesmo jornal revela-nos o ambiente que se vive na praia, «sentados em pequenas cadeiras encostadas às barracas que se alinham em filas uniformes de cubos brancos, muitos banhistas conversam ou lêem os jornaes da manhã; uns esperando companheiros inseparáveis dos seus brinquedos aquáticos, outros, mais madrugadores, já refrescados pelo banho matinal, e outros que são levados à praia somente pelo prazer de admirar plásticas que se revelam mais ou menos perfeitas sob os fatos de banho, ou para trocar olhares cupidíneos com as suas Dulcinéas». Para além destes olhares cupidíneos, Alberto Pimentel, na sua obra atrás citada, diz-nos as banheiras serem «…agentes venaes de uma assídua correspondência amorosa que os Romeus e as Julietas trocavam entre si, graças à mediação interesseira das supracitadas banheiras».
O próprio Ramalho Ortigão confessou no “Álbum de Costumes Portugueses”, ter sido banheira Anna da Luz «… a alegria para o meu coração inquieto, e o contentamento para a minha alma resignada». O que é certo tal como, nos diz Alberto Pimentel, na sua obra já citada«…é que muitos casamentos vieram tramados da Foz, no fim da temporada de banhos, graças à intervenção opistolar das banheiras». É acrescenta, que no fim da temporada, «…ninguém tornava a pensar na Foz senão no estio, quando o médico aconselhava o uso de banhos do mar…».
Fontes:
RMMV [60 anos de......gratidão]
Ramalho Ortigão in Álbum de
Costumes Portugueses, 1888
Gravura de Manuel de Macedo in Álbum
de Costumes Portuguesessexta-feira, julho 20, 2012
segunda-feira, julho 09, 2012
Tatuagens Antigas
O site Feitoria lançou um conjunto de 12 tatuagens provisórias baseadas na recolha do etnógrafo
Rocha Peixoto, que no início do século XX publicou o resultado de um estudo
sobre as tatuagens usadas pelos portugueses desde os finais do século XIX.
O amor e a religião são os temas mais comuns entre as
tatuagens recolhidas por Rocha Peixoto, sendo o coração o mais expressivo.
Estas tatuagens eram utilizadas por todas a classes sociais,
embora as agora reproduzidas sejam de índole popular, surgindo tatuagens
relacionadas com alusões à profissão do seu usuário.
Diz-se que Eduardo VII de Inglaterra tinha tatuagens e terá
introduzido esse gosto entre as cortes europeias, nomeadamente Portugal, já que
era grande amigo do seu primo D. Carlos I.
quinta-feira, julho 05, 2012
XII Encontro de Antiguidades Populares - Feira
O Grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira, vai realizar no dia 15 de Julho, pelas 21h30, junto ás Capela de N. S. da Piedade, o evento "XII Encontro de Antiguidades Populares".
quarta-feira, julho 04, 2012
domingo, julho 01, 2012
quarta-feira, junho 27, 2012
Chapéu de Alcains – Castelo Branco – Beira Baixa
Quem, há uma dúzia de anos, atravessasse os campos de
Idanha-a-Nova ou percorresse muitas aldeias do distrito de Castelo Branco,
notaria que as gentes do povo, os que mourejam de sol a sol, usavam,
geralmente, pesados chapéus de lã, de abas largas e copa baixa, os bem
conhecidos chapéus de Alcains, do custo de nove vinténs.
Veio a guerra (1914-1918), e o turbilhão de
transformações que ela devia operar, os pobres àbeiros quase desapareceram,
sendo já hoje muitos raros, mesmo na arraia de Idanha.
- Origem da indústria? Motivo da decadência?
Não se conhece a origem nem a data exacta da instalação
do fabrico. Pelo depoimento de pessoas da localidade, creio poder afirmar que
ela vem de tempos distantes, e que, não há muito ainda, empregava mais de uma
dúzia de industriais.
Porque decaiu então esta indústria, se outras, como o
linho, criaram, com a guerra, novos alentos e arregimentaram novas tecedeiras?
Os chapéus de Alcains são feitos exclusivamente de
lã, e esta subiu a preços incomportáveis.
Os compradores, gente simples do campo, fugindo à carestia
e levados na onda do luxo, começaram a desprezá-los. Os chapéus de lã de
Alcains mal puderam, por isso, resistir à concorrência dos de feltro.
- Processo de fabrico?
Os chapéus de Alcains são feitos, como se disse de
lã, exclusivamente de lã, comprada na região, que, depois de lavada,
escarameada, cardada, em-arcada e bastida, é levada à cabeça (forma de azinho
do feitio de uma cabeça).
Na operação de lavagem, não vale falar por ser bem
conhecida.
Escaramear consiste em separar e desfazer os
aglomerados de lã.
Cardar o mesmo é passar a lã por entre as cardas, -
placas de bicos de aço muito afiados e muito juntos. A cardação é feita no
burrinho, banco com uma carda fixa onde o cardador se senta e manobra, com as
mãos, em movimento regular e continuo, de encontro à caixa fixa, uma carda
móvel.
Em-arcar consiste em desfiar ainda mais a lã
separando-a bem e tornando-a fofa e leve. A em-arcação é feita com uma vara de
madeira, de pouco mais de dois metros, que tem presa às extremidades uma corda
em forma de aro, espécie de arco de rabeca. Preso, o arco, ao teto e suspenso
sobre uma mesa, o chapeleiro estica a corda, entrelaça nela a lã e fá-la saltar,
uma e muitas vezes, até a lã, ficar fofa, muito leve, bem separada e desfiada.
Bastir equivale a empastar ou fazer a papa.
A lã é deitada numa plancha (grande bacia de folha de
cobre de 60 a 65 centímetros de diâmetro e 15 de profundidade) e ali embebida
em água. Acesa uma fornalha por debaixo da plancha, a lã toma, com o
aquecimento e consequente evaporação de água, a forma pastosa.
A pasta é levada para a cabeça, o chapeleiro, passa
sobre ele, vezes em conto, o ferro de passar e o chapéu fica assim moldado.
Enxuto, em seguida, ao sol, debruado e forrado com um
pobre forro de chita de várias cores, vai para o mercado, e do mercado para as
maiores inclemências do calor e do temporal, proteger e abrigar tantos que, de
sol a sol, mourejam na conquista do pão de cada dia.
Texto de Jaime Lopes Dias in Tradições e Costumes da Beira
sexta-feira, junho 08, 2012
Desfile do Trajo em Guimarães
Não é mais um filme mas os espectáculo completo.
Para quem não viu ou queira rever.
domingo, maio 20, 2012
Desfile do trajo popular nacional na Capital Europeia da Cultura
Milhares de pessoas presenciaram o desfile do trajo popular nacional em Guimarães este sábado (19 de Maio) numa noite muita fria.
O desfile foi uma produção conjunta da área de programação da Capital Europeia da Cultura e a Federação do Folclore Português, sendo uma iniciativa do projecto Pop Arte.
Pela passerelle montada no Largo do Toural, passaram cerca de mil figurantes, num espectáculo que durou perto de duas horas.
Homens e mulheres representaram quadros das várias regiões do país, num desfile etnográfico da mais genuína cultura popular portuguesa.
sábado, maio 19, 2012
Exposição Nacional do Trajo ao Vivo
No dia em que é apresentada a Exposição Nacional do Tajo ao Vivo em Guimarães pareceu-me interessante recordar a edição que ocorreu em Águeda há alguns anos.
Madeira anos 1930
Trata-se de um filme mudo sobre a Madeira no inicio de 1930, onde se pode ver algumas das pitorescas figuras da ilha.
segunda-feira, maio 14, 2012
Encontros de Formação e Capacitação de Jovens Folcloristas
Realizou-se no passado dia 12 de
Maio mais um Encontros de Formação e Capacitação de Jovens Folcloristas sobre o
tema “Folclore e Etnografia para Jovens”, desta feita em Sousel, no coração do
Alto Alentejo.
Trata-se de uma iniciativa da
Federação do Folclore Português e do seu Gabinete da Juventude, que através das
estruturas locais têm dinamizado estas iniciativas, dirigidas a jovens entre os
18 e os 30 anos, provenientes de grupos federados e não federados.
Nestas sessões desenvolvem-se as
temáticas “Cultura Popular Portuguesa”, “Recolhas, Preservação e Representação”
e “Imagem, Comunicação e Divulgação”.
Em Sousel estiveram presentes cerca
de cinquenta jovens, extremamente participativos e interessados em adquirir conhecimentos,
tendo os trabalhos sido dirigidos pela Dr.ª Rita Leitão, Engª Manuela Carriço,
Sr. Florêncio Cacete e Sr. João Carriço, contando com uma participação sempre
especial do Prof. Martinho Dimas da Associação de Folcloristas do Alto-Alentejo.
Estas iniciativas vão-se repetir
um pouco por todo o país e devem ser aproveitadas pelos jovens e grupos de
folclore, pois trata-se de momentos únicos para troca de experiências e
saberes. Só desta forma, as nossas tradições populares podem ser passadas às
novas gerações e o folclore poderá continuar vivo, mantendo a sua essência e rigor.
Bem-hajam a FFP por estas
iniciativas, há muito desejadas e necessária e à AFA e Câmara Municipal de Sousel pelo apoio prestado.
“Trajes de Portugal” terá todo o gosto em
divulgar e/ou em participar tal como fizemos agora em Sousel.
terça-feira, maio 08, 2012
sexta-feira, maio 04, 2012
Onde os Bois Lavram o Mar - Praia de Mira
"Onde os Bois Lavram o Mar" é um documentário produzido pela RTP sobre a população da Praia de Mira.
quinta-feira, maio 03, 2012
Documentário de 1932
Documentário realizado em 1932, na região do Carregado, Alenquer, sobre as várias fases da produção, tratamento e recolha da uva.
Música: Carlos Paredes
Recolhido e adaptado por: Rui Rosa e João Rosa
Música: Carlos Paredes
Recolhido e adaptado por: Rui Rosa e João Rosa
quarta-feira, maio 02, 2012
As Sete Saias da Nazaré
De origem relativamente recente,
a Nazaré “nasceu” do recuo do mar e do assoreamento progressivo da praia
durante o século XVII, começando a ser conhecida e frequentada como praia de
banhos apenas em meados do século XIX. A população nazarena tem as suas raízes
muito ligadas a outros marítimos como os Ílhavos e outros povos da Ria de
Aveiro, que trouxeram com eles para a Nazaré não só novas artes de pesca, mas
também o modo de vestir e até de falar. Ao longo dos anos essas novas maneiras
foram aqui evoluindo, transformando-se e adaptando-se às necessidades da vida.
As sete saias fazem parte da
tradição, do mito e das lendas desta terra tão intimamente ligada ao mar. Diz o
povo que representam as sete virtudes; os sete dias da semana; as sete cores do
arco-íris; as sete ondas do mar, entre outras atribuições bíblicas, míticas e
mágicas que envolvem o número sete. A sua origem não é de simples explicação e
a opinião dos estudiosos e conhecedores da matéria sobre o uso de sete saias
não é coincidente nem conclusiva. No entanto, num ponto todos parecem estar de
acordo: as várias saias (sete ou não) da mulher da Nazaré estão sempre
relacionadas com a vida do mar. As nazarenas tinham o hábito de esperar os
maridos e filhos, da volta da pesca, na praia, sentadas no areal, passando aí
muitas horas de vigília. Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima
para protegerem a cabeça e ombros do frio e da maresia e as restantes a taparem
as pernas, estando desse modo sempre “compostas”. A introdução do uso das sete
saias foi feito, segundo uns, pelo Rancho Folclórico Tá-mar nos anos 30/40,
segundo outros pelo comércio local no anos 50/60 e ainda de acordo com outras
opiniões as mulheres usariam sete saias para as ajudar a contar as ondas do mar
(isto porque “ o barco só encalhava quando viesse raso, ora as mulheres sabiam
que de sete em sete ondas alterosas o mar acalmava; para não se enganarem nas
contas elas desfiavam as saias e quando chegavam à última, vinha o raso e o
barco encalhava”). O uso de várias saias pelas mulheres da Nazaré também está
ligada a razões estéticas e de beleza e harmonia das linhas femininas – cintura
fina e ancas arredondadas, (esta poderá ser também uma reminiscência do traje
feminino de setecentos que as damas da corte usavam - anquinhas e mangas de
renda - e que pavoneavam aquando das visitas ao Santuário da Senhora da
Nazaré), podendo as mulheres usarem 7, 8, 9 ou mais saias de acordo com a sua
própria silhueta. Certo é que a mulher foi adoptando o uso das sete saias nos
dias de festa e a tradição começou e continua até ao presente. No entanto, no
traje de trabalho são usadas, normalmente, um menor número de saias (3 a
5).
Fonte: Câmara Municipal da Nazaré
segunda-feira, abril 30, 2012
O Folclore Saloio e a construção do Convento de Mafra
Quando em 1717 se iniciou a
construção do Convento de Mafra, não se imaginava o impacto social e cultural
que o mesmo viria a produzir mormente na região. Inicialmente pensado para ser
erguido nos terrenos pertencentes aos marqueses de Ponte de Lima, então
donatários da vila de Mafra, com vista a alojar uma dezena de frades da Ordem
de S. Francisco da Província da Arrábida, o rei D. João V viria em 1712 a
determinar a sua construção no sítio então chamado “Alto da Vela”, alegadamente
em cumprimento de uma promessa. Com o decorrer do tempo, a imponência do
monumento levou a uma certa secundarização da área histórica de Mafra ao ponto
da maioria dos visitantes daquela vila desconhecerem a vetusta Igreja de Santo
André a denunciar a arquitectura de uma velha mesquita ou ainda o Palácio dos
Marqueses de Ponte de Lima, actualmente em ruínas e erguido sobre as antigas
muralhas da povoação.
Os trabalhos de construção do
Convento de Mafra empregaram então 52 mil trabalhadores, um número claramente
superior à população que então residia naquela região. Eram operários oriundos
um pouco de todo a parte, com hábitos e costumes diferenciados entre si e da
população local. Para além daquela imensa massa humana que durante década e
meia ali trabalhou arduamente, há ainda a registar aqueles que de alguma forma
estiveram envolvidos naqueles trabalhos, ainda que indirectamente, assegurando
nomeadamente o abastecimento de víveres e outros bens de que necessitavam, bem
como a sua confecção e alojamento.
Feita uma descrição bastante
sumária do esforço humano que um projecto de tal envergadura implicou para a
época, fácil será de imaginar o efeito cultural produzido e o impacto social
que obteve na vida local. Nos momentos de ócio que decerto também os haveria,
nas festas religiosas e romarias que tinham lugar nas aldeias em redor,
certamente se misturaram diferentes formas de dançar, cruzaram-se os cantares e
confundiram-se diversas formas de trajar. Afinal de contas, a música e os
bailaricos no terreiro eram então as únicas formas de divertimento das gentes
simples do povo e, naturalmente, os operários que vieram para Mafra trouxeram
consigo instrumentos musicais, da mesma forma que alguns séculos antes se
levaram guitarras para o campo de batalha em Alcácer Quibir.
Uma vez terminadas as obras de
construção do convento, decerto nem todos regressaram às suas origens. Durante
o tempo que permaneceram em Mafra, muitos houve certamente que se enamoraram
das moças da região, constituíram família e resolveram fixar-se, amanhando as
terras que até então eram apenas cultivadas pelos saloios. Daí resulta uma
certa influência no folclore local, nos instrumentos que utilizam, nas danças e
cantares que lhes são características. Não admira, pois, que encontremos por
aqui a gaita-de-foles ou nos surpreendam com uma desfolhada na eira ou ainda a
execução de um “vira” ou uma “caninha verde”. Já a “Contradança” que também
aqui possui a sua expressão terá naturalmente a ver com a presença dos
invasores franceses na localidade. Também a tradição oral expressa através de
provérbios, contos e inúmeras cantigas reflecte a influência transmitida pelas
gentes provenientes de outras regiões do país.
Em consequência, ainda que
conserve muitas dos seus traços originais, a caracterização do camponês da
região de Mafra não corresponde integralmente ao perfil do saloio enquanto
descendente dos berberes que outrora se fixaram no termo de Lisboa e estavam
obrigados a pagar ao rei cristão o tributo que antes entregavam aos reis mouros
e a que designavam por “çalaio”, supondo-se que daí tenha derivado o termo pelo
qual passaram a ser identificados. Ainda assim, grande parte possui um traço
fisionómico muito próximo do tipo árabe, de tez morena, cabelo escuro e íris
ocular acinzentada, características aliás que podemos encontrar entre as gentes
de outras regiões do país que receberam idênticas influências ao longo da
História.
Em jeito de conclusão, ensina-nos
a História que nela devemos encontrar a explicação para os fenómenos do
presente, para além da compreensão do futuro. E, de igual forma, também o
estudo do nosso folclore deve obedecer a idêntico entendimento uma vez que não
constitui uma realidade estática, antes evolui e se transforma com o decurso do
tempo.
Aldeão dos arredores de Mafra segundo uma gravura francesa
do início do século XIX ou seja, o período das invasões francesas. De Henry
L’Evêque, “Costume of Portugal”, 1814.
(Foto: Arquivo Fotográfico da C.M.L.)
Aldeão dos arredores de Mafra. Esta gravura tem a mesma
origem da anterior.
(Foto: Arquivo Fotográfico da C.M.L.)
sexta-feira, março 09, 2012
terça-feira, março 06, 2012
Chapéu de Palha – Entre Douro e Minho
As diferentes regiões do país terão, certamente, os seus próprios modelos de chapéus, confecionados a partir da palha do centeio. Naturalmente que a nossa região também tem o seu modelo tipo de chapéu que, salvo um ou outro pormenor diferenciado entre terras mais afastadas, mas pouco relevante, se assemelha em todas elas.
A figura abaixo mostra-nos o tipo de chapéu, tanto masculino, como feminino, mais comum de Entre Douro e Minho.
A figura abaixo mostra-nos o tipo de chapéu, tanto masculino, como feminino, mais comum de Entre Douro e Minho.

Estes dois tipos de chapéu digamos que têm a mesma estética, todavia, existem algumas diferenças entre eles: enquanto que o da mulher tem a aba recurvada para baixo, o do homem tem-na para cima. Por outro lado, a aba do chapéu do homem era sempre adornada na sua extremidade com trança de bordo aos bicos, o da mulher poderia ser, ou não.
Estes são os únicos tipos de chapéu usados pelo povo, quer se dedicasse à lavoura, quer a outras profissões.
Convém referir que existiam chapéus, também de abas largas, mas arredondadas, com fita acetinada em redor da copa e com as pontas a descair na retaguarda, porém estes chapéus eram ostentados apenas por gente mais afidalgada.
Em alguns casos até os bordavam com fios de lã colorida.
O chapéu seguinte à direita é um produto da “revolução” verificada na indústria de chapelaria efetuada na década de 50 do século XX.
Estes são os únicos tipos de chapéu usados pelo povo, quer se dedicasse à lavoura, quer a outras profissões.
Convém referir que existiam chapéus, também de abas largas, mas arredondadas, com fita acetinada em redor da copa e com as pontas a descair na retaguarda, porém estes chapéus eram ostentados apenas por gente mais afidalgada.
Em alguns casos até os bordavam com fios de lã colorida.
O chapéu seguinte à direita é um produto da “revolução” verificada na indústria de chapelaria efetuada na década de 50 do século XX.

Por se assemelhar ao chapéu de feltro usado na época, rapidamente se popularizou em todas as terras, contudo, convém alertar que a época que os ranchos representam é muito anterior a esta. Sendo assim, torna-se imperioso retirá-lo rapidamente de circulação nas exibições públicas de modo a não ser passada uma imagem errada relativa aos usos das terras que os ranchos representam.
Fonte: Conselho Técnico de Entre Douro e Minho
Fonte: Conselho Técnico de Entre Douro e Minho
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