terça-feira, setembro 11, 2012
Mostra de Trajo Etnográfico da Alta Estremadura
O meio e as condições ambientais
próprias de cada uma das regiões do nosso país determinaram os modos de vestir,
as tradições e os costumes, resultando assim na riqueza etnográfica do nosso
país.
Foi essa a riqueza exibida na Mostra
de Trajo Etnográfico da Alta Estremadura que se realizou no passado dia 8 de Setembro
em Leiria.
Numa passerelle montada num
espaço de encantadora beleza e profundo significado para a cidade de Leiria, o Mercado
de Sant'Ana, desfilaram trajes de crianças, de noivos, de trabalho, de festa e abastados
desta região, numa simbiose perfeita com o suporte musical ao vivo, composto
por duas dezenas de tocadores, cantadores e cantadeiras dos vários grupos
participantes, mostrando assim os modos das populações desta região nos finais
do sec.XIX e início do sec.XX.
Participaram nesta Mostra elementos
dos ranchos folclóricos da região, associados da Associação de Folclore da Alta
Estremadura, cabendo a esta a organização do evento.
A apresentação e o comentário a
cada quadro coube ao Sr. José Travaços Santos e à Dª Maria Emília Francisco, que
aproveitaram a ocasião para transmitir muito seu conhecimento e saber.
A noite terminou num grande baile
com a participação de todos os participantes.
“Trajes de Portugal” congratula a
Associação de Folclore da Alta Estremadura, na pessoa do seu Presidente, Rodrigo
Sousa Martins, pela magnífica iniciativa, fazendo votos de que repita em
futuras ocasiões.
Dª Maria Emília Francisco e Sr. José Travaços Santos
segunda-feira, setembro 10, 2012
quarta-feira, setembro 05, 2012
500 Anos do Foral da Vila de Cano
A Vila de Cano comemora no próximo dia 22 de Setembro os 500 anos da atribuição de Carta de Foral por El-Rei D. Manuel I, com um animado programa.
segunda-feira, setembro 03, 2012
Festival Internacional de Folclore Celestino Graça
A cidade de Santarém acolhe uma vez mais o Festival Internacional de Folclore Celestino Graça, de 5 a 9 de Setembro. Este ano, o evento conta com a participação de países como Argentina, Espanha, Estónia, Indonésia e Peru, que vão partilhar o palco com diversos ranchos folclóricos portugueses (Minho, Beira Litoral, Alta Estremadura e Ribatejo).
Ateliês de dança e animação nas ruas da cidade, desfile etnográfico, jogos tradicionais, homenagem ao fundador do Festival, espetáculos no auditório do CNEMA (nos dias 7, 8 e 9), animações gastronómicas, exposição e colóquio, celebração ecuménica, animação em lares da terceira idade e visitas guiadas, são algumas das atividades deste grande evento cultural, que tem ante-estreia, no Jardim da Liberdade.
Programa
Dia 6 de Setembro 2012 – quinta-feira
11h00 » Ateliês de Dança nas ruas da Cidade
12h00 » Teatro Sá da Bandeira – Colóquio
13h00 » Restaurantes – Jornada Gastronómica
15h30 » Ateliê de Dança – Portugal
22h00 » Jardim da Liberdade – Ante-Estreia do Festival (Org.:CMS)
Dia 7 de Setembro – sexta-Feira
13h00 » Restaurantes – Jornada Gastronómica
17h45 » Homenagem a Celestino Graça e Cerimónia de Inauguração do Festival, junto
ao Busto
18h15 » Desfile Etnográfico (Desde a Rua Teixeira Guedes até ao Largo do Seminário)
18h45 » Largo do Seminário – Saudação à População
19h00 » Câmara Municipal de Santarém – Sessão Solene de Boas Vindas
22h15 » CNEMA – espetáculo de Inauguração
Dia 8 de Setembro – sábado
11h00 » Centro Histórico de Santarém – Animação de Rua
13h00 » Animação do Lar de Idosos da SCM de Santarém
17h30 » Igreja da Graça – Celebração Ecuménica
22h15 » CNEMA – Gala Internacional de Folclore “O Mundo a Dançar”
Dia 9 de Setembro 2012 – Domingo
13h00 » Jardim dos Paços do Concelho – Almoço Regional (Org.:CMS)
17h00 » CNEMA – Espetáculo de Encerramento
ENTRADA LIVRE
Organização: Grupo Académico de Danças Ribatejanas.
Mostra de Trajo Etnográfico da Alta Estremadura
No próximo dia 8 de Setembro, pelas 21 horas, realiza-se em Leiria, mas concretamente no Mercado de Sant'Ana, uma Mostra de Trajo Etnográfico da Alta Estremadura, organizado pela Associação Folclórica Alta Estremadura.
A não perder!
quinta-feira, agosto 30, 2012
Centro Interpretativo do Mundo Rural – Vimieiro – Arraiolos
A vila de Vimieiro, situa-se no concelho de Arraiolos, a meio caminho entre esta vila e Estremoz, merece uma atempada visita.
Para além dos numerosos monumentos de grande interesse histórico, desde Agosto de 2009, possui um acrescido pólo de interesse, o Centro Interpretativo do Mundo Rural.
Ocupando um antigo lagar de azeite há muito desactivado, o Centro Interpretativo do Mundo Rural visa constituir não só uma memória individual e colectiva daquilo que foi a actividade mais importante desta região alentejana - a agricultura - assumindo-se também como um recurso para a valorização desse mesmo património como forma de atrair gente à freguesia e ao concelho.
Neste espaço encontram-se diversos instrumentos ligados às diversas actividades do mundo rural, como a apanha da azeitona, passando pela produção de queijo e enchidos, lanifícios, pela ceifa, entre outros.
Trajes de Portugal efectuou uma aturada visita a este espaço museológico recomendando-o a quem por aqui passe, já que possui uma colecção de objectos extremamente interessantes e devidamente enquadrados na sua àrea de utilização, sempre acompanhados de fotografias antigas de elevado valor etnográfico.
O CIMR situa-se no Largo Prof. Doutor José Caeiro da Matta e está a funcionar no Verão, de Maio a Outubro, de terça a domingo das 10h às 13h e das 15h às 19h. No Inverno, de Novembro a Abril, de terça a domingo, das 10h às 13h, das 15h às 18h.
Contactos – Telef: 266 490 240 e-mail: cimr@cm-arraiolos.pt
A entrada é gratuita.
segunda-feira, agosto 20, 2012
terça-feira, agosto 14, 2012
segunda-feira, agosto 13, 2012
quinta-feira, agosto 09, 2012
quarta-feira, agosto 01, 2012
A Banheira de S. João da Foz do Douro
Vamos a banhos!
Sobre esta paisagem, o jornal “O imparcial da Foz, de 18 de Setembro de 1904, revela que «…os banhistas vão chegando, ainda com caras somnolentas e pouco animadas, parece tiritando de frio, entram nos pequenos cubiculos de lona, e vagarosamente, vão fazendo a toilette com que se hão-de apresentar ao velho deus Neptuno».
Depois do banho tomado, “O Progresso da Foz” de 29 de Setembro de 1907, dá-nos uma impressão de como os «Banhistas saem do mar e regressam às barracas, todos muito apressados, cada prega do fato transformada em goteira, as roupas encharcadas a desenhar-lhes as formas com nitidez».
O mesmo jornal revela-nos o ambiente que se vive na praia, «sentados em pequenas cadeiras encostadas às barracas que se alinham em filas uniformes de cubos brancos, muitos banhistas conversam ou lêem os jornaes da manhã; uns esperando companheiros inseparáveis dos seus brinquedos aquáticos, outros, mais madrugadores, já refrescados pelo banho matinal, e outros que são levados à praia somente pelo prazer de admirar plásticas que se revelam mais ou menos perfeitas sob os fatos de banho, ou para trocar olhares cupidíneos com as suas Dulcinéas». Para além destes olhares cupidíneos, Alberto Pimentel, na sua obra atrás citada, diz-nos as banheiras serem «…agentes venaes de uma assídua correspondência amorosa que os Romeus e as Julietas trocavam entre si, graças à mediação interesseira das supracitadas banheiras».
O próprio Ramalho Ortigão confessou no “Álbum de Costumes Portugueses”, ter sido banheira Anna da Luz «… a alegria para o meu coração inquieto, e o contentamento para a minha alma resignada». O que é certo tal como, nos diz Alberto Pimentel, na sua obra já citada«…é que muitos casamentos vieram tramados da Foz, no fim da temporada de banhos, graças à intervenção opistolar das banheiras». É acrescenta, que no fim da temporada, «…ninguém tornava a pensar na Foz senão no estio, quando o médico aconselhava o uso de banhos do mar…».
Fontes:
RMMV [60 anos de......gratidão]
Perde-se no tempo o aparecimento
figura do banheiro, associada aos banhos de mar um pouco por todo o país, cuja época
áurea ocupa toda a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século
XX.
No entanto, esta era atividade
exclusivamente masculina, com exceção da praia de S. João da Foz do Douro.
Guilherme Braga, em 1869, na sua
obra “O Mar da Delfina”, descreve, sucintamente, sob a forma de poema, a
Custódia como «…. uma das mais antigas e afamadas banheiras de S. João da Foz».
A banheira, robusta e vigorosa,
é-nos apresentada por Ramalho Ortigão, no “Álbum de Costumes Portugueses” de
1881, como proveniente «…de uma estirpe de outras banheiras, e constitue pelos
seus caracteres heriditários uma casta distincta…», sendo que «…sem esse
privilégio selectivo, de nascença, nenhuma mulher tomaria por offício dar
banhos, passando oito ou nove horas por dia, durante quatro meses do anno,
mettido no mar até ao peito».
Eduardo Sequeira, na obra “Á
beira mar”, de 1889, dá-nos a sua impressão sobre a banheira, uma «…serviçal em
extremo e sabe, com uma arte especial captivar a simpatia de todos, das
crianças a quem anima, da rapasiada com quem confraternisa alegremente, e dos
velhos cercando-os de considerações e respeitos, prodigalisando-lhes cuidados e
confortos».
Alberto Pimentel, em 1893, na sua
obra “O Porto Há Trinta Anos”, escreve sobre a banheira dizendo serem «..
algumas d´ellas raparigas bonitas e fortes», e Ramalho Ortigão na obra supra
citada, completa, referindo que a sua diferença se impôs «…pelo trajo, pelas
attitudes, pela expressão physionomica, pelo sorriso, em que o vermelho vivo
das gengivas e o branco pérola dos dentes lembra uma frescura de guelra e a
respiração salgada cheirando a sargaço, pelo olhar límpido e profundo…»,
descrevendo a fisionomia da sua banheira, Anna da Luz, e afirmando «…ficou-me
para sempre, e ainda n´este momento a vejo, septuagenaria, alta e espadaúda, o
cabello quasi todo branco, a face enrugada e brunida pelo sol, os grandes olhos
mansos e ternos, as mangas arregaçadas, a saia de braqueta sempre molhada até à
facha que lhe cingia a cintura, o chale de malha côr de pinhão trespassado no
peito.».
Quanto ao trajo, um artigo no
jornal “O imparcial da Foz”, de 18 de Setembro de 1904, refere que os
«Banheiros e Banheiras, com os trajos profissionaes, largas toalhas aos hombros
e bilhas com água nas mãos, crusam-se pelos arruamentos formados entre os
quadrados das barracas.». Por sua vez o periódico ” O Progresso da Foz”, de 29
de Setembro de 1907, acrescenta que «…o banheiro, um velho lobo do mar, vestido
de negro, sem perder de vista a boia de salvação que se pendura n´um varão de
ferro cravado na areia, vela cuidadosamente pelos banhistas mais temerarios que
tentam afastar-se da praia, e reprehende-os com benigna severidade.»
Vamos agora falar do dia da
banheira e para isso, começamos por uma passagem da obra citada de Ramalho
Ortigão, em que «…de madrugada, ao armar das barracas, quando ellas, accordadas
com os primeiros massaricos prateados que debicam a salsugem da maré, entôam em
côro de sopranos uma das muitas barcarolas locaes, uma aguda palpitação de
poesia festival e triumphadora preenche o ar…»
O meio de transporte utilizado
pelos banhistas para se deslocarem das suas casas para a praia dos banhos foi
variado ao longo dos tempos, tendo sido primeiro utilizado o jumento, o
carroção, o americano e, mais próximo de nós, o eléctrico. Sob a primeira forma
de transporte fala-nos Alberto Pimentel, na obra supra citada, que «… os
jumentos eram um meio de locomoção muito usado ainda no Porto para a jornada da
Foz. Pessoas conhecidas umas das outras organizavam burricadas, que partiam de
madrugada e iam choutando à beira do rio por entre nuvens de pó. De vez em
quando, as senhoras cahiam dos burros, e toda a caravana parava à espera que se
removesse aquelle vulgar incidente. Depois continuavam a jornada até à praia
dos banhos onde os burros ficavam descançando enquanto as pessoas que elles
haviam transportado iam tomar banho. Estas caravanas que chegavam ou que
partiam, contribuíram para animar o espectáculo da praia dos banhos».
Segundo o jornal “O Progresso da
Foz”, de 29 de Setembro de 1907, «… cada comboio que despeja na praia uma
multidão de banhistas, que vae descendo até à beira-mar conversando
ruidosamente, n´uma alegria communicativa, como que anteposando a sensação
deleitosa d´um banho n´aquelle mar tão azul. Raparigas aos banhos, com leves
vestidos claros, riem e chalaceiam, n´uma grazinada jovial e infantil.».
Sobre esta paisagem, o jornal “O imparcial da Foz, de 18 de Setembro de 1904, revela que «…os banhistas vão chegando, ainda com caras somnolentas e pouco animadas, parece tiritando de frio, entram nos pequenos cubiculos de lona, e vagarosamente, vão fazendo a toilette com que se hão-de apresentar ao velho deus Neptuno».
O facto de os banhistas irem a
banho de madrugada deve-se, tal como diz o Sr Domingos Picão, sobrinho de
banheiras de S.João da Foz, a estes se tomarem em jejum. O período de tempo,
receitado pelo médico, para ir a banhos era geralmente, como refere em 1889,
Eduardo Sequeira, na sua obra já citada, «…de vinte e cinco a trinta dias… não
devendo o banhista tomar banho no próprio dia da chegada à praia, mas tão
somente dous ou tres dias depois».
Depois de preparada a toilette
para ir a banhos, e tal como descreve ”O Progresso da Foz”, de 29 de Setembro
de 1907, «…principiam a sahir banhistas das barracas. Os homens, com as pernas
e os braços à vela, uns enfezados e rachiticos tremendo de frio n´aquella deliciosa
e amena manhã de Setembro, outros de formas musculares, quasi athleticos. As
senhoras com toda a sua esthetica destruída pela deselegancia dos largos
vestidos pretos guarnecidos de fitas brancas, os pés occultos em sapato de
tecido fino, os cabellos setinosos domados por uma touca ornada de lacinhos.
Algumas chegam às barracas com umas formas tão roliças e desenvolvidas e — oh;
desilusão! — saem para o banho tão escoadas que dir-se-ia estarem as barracas
povoadas de carnívoros». Da mesma forma, o jornal ” O imparcial da Foz”, de 18
de Setembro de 1904, diz-nos que «…apparecem os primeiros grupos já promptos
para entrar nas selsas águas, banheiros de bilhas na mão despejam água nas
cabeças dos mais nervosos, que correspondem com carantonhas capazes de metter
medo ao próprio mar. Entram n´água os primeiros grupos, é signal dado para
principio da animação da praia, desde
então até quasi ao meio dia, succedem-se uns aos outros, de forma que na praia
d´Ourigo milhares de pessoas se banharam».
Artur Magalhães Basto, n´A Foz Há
70 anos, conta que «…mesmo em maré vaza, só os destemidos tomavam banho sem ir
agarrados à mão do banheiro. E em geral os banhos demoravam apenas alguns
minutos. Esperavam-se as ondas e contavam-se os mergulhos; um, dois, três!… e rua!
— Quer dizer, imediatamente para a barraca».
«… Coragem e ávante!», era o dito
utilizado pela banheira Rita, a quem tem medo do mar, num artigo no “Jornal do
Porto” em 10 de Agosto de 1863.
Ainda n´A Foz Há 70 anos, Artur
Magalhães Basto afirma conhecer «…uma
descrição da praia do Caneiro em 1873, em que surgem tipos que eu vi ainda há
20, 25, 30 anos e ainda hoje certamente aparecem. Este por exemplo : «o senhor
gordo, nédio, droguista talvez». Vai tomar banho, desce solenemente a rua das
barracas. Relanceia com gosto a vista pelos espectadores, todo cheio de si e da
sua beleza plástica. Sonoro e enérgico, como quem dá voz de sentido a um
batalhão, berra — Gamela! O banheiro traz-lhe uma gamela com água; o senhor
gordo inclina a cabeça para a frente, como se fosse oferecer ao cutelo da
guilhotina; e o banheiro despeja-lhe a água pela cabeça abaixo. Depois
endireitando-se, bufa e avança para o mar — mas pára de repente, mal a água lhe
chegou à boca do estômago».
Depois do banho tomado, “O Progresso da Foz” de 29 de Setembro de 1907, dá-nos uma impressão de como os «Banhistas saem do mar e regressam às barracas, todos muito apressados, cada prega do fato transformada em goteira, as roupas encharcadas a desenhar-lhes as formas com nitidez».
O mesmo jornal revela-nos o ambiente que se vive na praia, «sentados em pequenas cadeiras encostadas às barracas que se alinham em filas uniformes de cubos brancos, muitos banhistas conversam ou lêem os jornaes da manhã; uns esperando companheiros inseparáveis dos seus brinquedos aquáticos, outros, mais madrugadores, já refrescados pelo banho matinal, e outros que são levados à praia somente pelo prazer de admirar plásticas que se revelam mais ou menos perfeitas sob os fatos de banho, ou para trocar olhares cupidíneos com as suas Dulcinéas». Para além destes olhares cupidíneos, Alberto Pimentel, na sua obra atrás citada, diz-nos as banheiras serem «…agentes venaes de uma assídua correspondência amorosa que os Romeus e as Julietas trocavam entre si, graças à mediação interesseira das supracitadas banheiras».
O próprio Ramalho Ortigão confessou no “Álbum de Costumes Portugueses”, ter sido banheira Anna da Luz «… a alegria para o meu coração inquieto, e o contentamento para a minha alma resignada». O que é certo tal como, nos diz Alberto Pimentel, na sua obra já citada«…é que muitos casamentos vieram tramados da Foz, no fim da temporada de banhos, graças à intervenção opistolar das banheiras». É acrescenta, que no fim da temporada, «…ninguém tornava a pensar na Foz senão no estio, quando o médico aconselhava o uso de banhos do mar…».
Fontes:
RMMV [60 anos de......gratidão]
Ramalho Ortigão in Álbum de
Costumes Portugueses, 1888
Gravura de Manuel de Macedo in Álbum
de Costumes Portuguesessexta-feira, julho 20, 2012
segunda-feira, julho 09, 2012
Tatuagens Antigas
O site Feitoria lançou um conjunto de 12 tatuagens provisórias baseadas na recolha do etnógrafo
Rocha Peixoto, que no início do século XX publicou o resultado de um estudo
sobre as tatuagens usadas pelos portugueses desde os finais do século XIX.
O amor e a religião são os temas mais comuns entre as
tatuagens recolhidas por Rocha Peixoto, sendo o coração o mais expressivo.
Estas tatuagens eram utilizadas por todas a classes sociais,
embora as agora reproduzidas sejam de índole popular, surgindo tatuagens
relacionadas com alusões à profissão do seu usuário.
Diz-se que Eduardo VII de Inglaterra tinha tatuagens e terá
introduzido esse gosto entre as cortes europeias, nomeadamente Portugal, já que
era grande amigo do seu primo D. Carlos I.
quinta-feira, julho 05, 2012
XII Encontro de Antiguidades Populares - Feira
O Grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira, vai realizar no dia 15 de Julho, pelas 21h30, junto ás Capela de N. S. da Piedade, o evento "XII Encontro de Antiguidades Populares".
quarta-feira, julho 04, 2012
domingo, julho 01, 2012
quarta-feira, junho 27, 2012
Chapéu de Alcains – Castelo Branco – Beira Baixa
Quem, há uma dúzia de anos, atravessasse os campos de
Idanha-a-Nova ou percorresse muitas aldeias do distrito de Castelo Branco,
notaria que as gentes do povo, os que mourejam de sol a sol, usavam,
geralmente, pesados chapéus de lã, de abas largas e copa baixa, os bem
conhecidos chapéus de Alcains, do custo de nove vinténs.
Veio a guerra (1914-1918), e o turbilhão de
transformações que ela devia operar, os pobres àbeiros quase desapareceram,
sendo já hoje muitos raros, mesmo na arraia de Idanha.
- Origem da indústria? Motivo da decadência?
Não se conhece a origem nem a data exacta da instalação
do fabrico. Pelo depoimento de pessoas da localidade, creio poder afirmar que
ela vem de tempos distantes, e que, não há muito ainda, empregava mais de uma
dúzia de industriais.
Porque decaiu então esta indústria, se outras, como o
linho, criaram, com a guerra, novos alentos e arregimentaram novas tecedeiras?
Os chapéus de Alcains são feitos exclusivamente de
lã, e esta subiu a preços incomportáveis.
Os compradores, gente simples do campo, fugindo à carestia
e levados na onda do luxo, começaram a desprezá-los. Os chapéus de lã de
Alcains mal puderam, por isso, resistir à concorrência dos de feltro.
- Processo de fabrico?
Os chapéus de Alcains são feitos, como se disse de
lã, exclusivamente de lã, comprada na região, que, depois de lavada,
escarameada, cardada, em-arcada e bastida, é levada à cabeça (forma de azinho
do feitio de uma cabeça).
Na operação de lavagem, não vale falar por ser bem
conhecida.
Escaramear consiste em separar e desfazer os
aglomerados de lã.
Cardar o mesmo é passar a lã por entre as cardas, -
placas de bicos de aço muito afiados e muito juntos. A cardação é feita no
burrinho, banco com uma carda fixa onde o cardador se senta e manobra, com as
mãos, em movimento regular e continuo, de encontro à caixa fixa, uma carda
móvel.
Em-arcar consiste em desfiar ainda mais a lã
separando-a bem e tornando-a fofa e leve. A em-arcação é feita com uma vara de
madeira, de pouco mais de dois metros, que tem presa às extremidades uma corda
em forma de aro, espécie de arco de rabeca. Preso, o arco, ao teto e suspenso
sobre uma mesa, o chapeleiro estica a corda, entrelaça nela a lã e fá-la saltar,
uma e muitas vezes, até a lã, ficar fofa, muito leve, bem separada e desfiada.
Bastir equivale a empastar ou fazer a papa.
A lã é deitada numa plancha (grande bacia de folha de
cobre de 60 a 65 centímetros de diâmetro e 15 de profundidade) e ali embebida
em água. Acesa uma fornalha por debaixo da plancha, a lã toma, com o
aquecimento e consequente evaporação de água, a forma pastosa.
A pasta é levada para a cabeça, o chapeleiro, passa
sobre ele, vezes em conto, o ferro de passar e o chapéu fica assim moldado.
Enxuto, em seguida, ao sol, debruado e forrado com um
pobre forro de chita de várias cores, vai para o mercado, e do mercado para as
maiores inclemências do calor e do temporal, proteger e abrigar tantos que, de
sol a sol, mourejam na conquista do pão de cada dia.
Texto de Jaime Lopes Dias in Tradições e Costumes da Beira
sexta-feira, junho 08, 2012
Desfile do Trajo em Guimarães
Não é mais um filme mas os espectáculo completo.
Para quem não viu ou queira rever.
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