quarta-feira, abril 09, 2014

Chancas


Chancas de Coimbra
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira; Metal; Cabedal

Dimensões (cm): altura: 16,5; largura: 13,3; comprimento: 29;

Descrição: Chancas (par) de rasto em madeira e gáspea, talão e cano, de cabedal de cor acastanhada. O rasto é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é baixo e afunilado. Apresenta cinco cardas de ferro, espalhadas pelos limites do topo do salto, em círculo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta, espalhadas pelos seus limites e semeadas no interior, cardas de ferro. A unir o rasto à gáspea, ao talão e ao cano, uma banda de cabedal de cor castanha, pregada de espaço a espaço por pregos metálicos de cabeça larga batida. Na zona da biqueira, esta banda forma espécie de meia-lua protectora. Na chanca do lado esquerdo, surge, na metade do lado direito, vindo do início da pata até meio da biqueira, uma barra de ferro, sobreposta à madeira do rasto e à tira de cabedal, seguindo os contornos desta, mas com menor amplitude na biqueira. É presa à madeira por meio de quatro pregos, igualmente espaçados. A gáspea apresenta, na chanca do lado direito, justapostas à biqueira, duas tiras de sola de cor preta, pregadas em cada lado, ao rasto, com pregos metálicos. Ambas as chancas apresentam língua, que se sobrepõe ao pé. Termina com os cantos arredondados a meio do enfranque. Um pouco antes de tal terminação, pela parte de dentro, inicia-se o talão. Este é subido, cobrindo toda a zona do calcanhar. Sobre a totalidade do talão e parte da gáspea, surge um cano baixo, de duas peças cosidas entre si, atrás, por meio de uma terceira tira muito fina do mesmo material, disposta no sentido da altura. É aberto à frente, ao centro. O corte frontal do cano forma uma espécie de aba de limites arredondados, uma de cada lado da língua da gáspea. A extremidade inferior de tais abas forma um bico. Este é coincidente com o ponto a 2/3 da largura, e metade do comprimento da gáspea. De tal vértice, segue um arco côncavo descendente até tocar o rasto, ponto este que é coincidente com o início da gáspea. As abas do cano são atravessadas por seis ilhós, dispostas equidistantes, no sentido da altura. Tais ilhós são atravessadas por uma fina fita de cabedal - atacadores. Alinhada com a abertura do cano, mas no lado oposto, uma presilha em laço. Sobre o cano, na parte de trás da chanca, vindo do rasto até cerca de 2/3 da altura, um segundo talão, de formato hiperbólico.
 
Chancas
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira; Metal; Cabedal; Tecido

Dimensões (cm): altura: 16,5; largura: 10; comprimento: 27;

Descrição: Chancas (par) de rasto em madeira e gáspea e cano, de cabedal de cor acastanhada. O rasto é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é baixo. Apresenta vestígios de aplicação de sola (?) com as mesmas dimensões da área de aplicação, no topo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta, a contornar os seus limites externos, vestígios de espécie de ferradura em sola (?), pregada à madeira com pregos metálicos. A gáspea é unida ao rasto por meio de pregos metálicos de cabeça larga e batida, dispostos muito juntos. As orelhas são subidas, encontrando-se unidas ao centro da parte de trás da chanca. Sob as gáspeas, surge o cano, baixo. Apresenta atrás, ao centro, um pequeno talão trapezoidal, cuja aresta superior, a mais pequena, é presa à extremidade superior do cano por meio de uma ilhós e de um botão metálico. Desce daí, alargando-se até às orelhas. A parte da frente do cano, ao centro, é aberta até à junção com a gáspea. Apresenta de cada lado da abertura, sete ilhós equidistantes, colocadas no sentido da altura. Tais ilhós são atravessadas por um atacador de cor acastanhada. A parte de dentro do cano, é guarnecida com uma tira de cabedal, à volta da boca e de cada um dos lados da abertura. Sobre a boca, atrás, ao centro, uma presilha de cabedal. Sob a abertura, uma língua independente, de formato lobular.

Chancas de Seia/Sabugueiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira (amieiro); Metal; Couro

Dimensões (cm): altura: 18,5; largura: 9; comprimento: 26,5;

Descrição: Soco de rasto de madeira de amieiro e gáspea de couro atanado - curtido em casca de carvalho em pó conferindo-lhe uma cor creme escura. O rasto apresenta salto, enfranque e pata. O salto é alto. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico de formato redondo. A união entre rasto e gáspea é guarnecida com tira de cabedal pregada, equidistante, a toda a volta, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é muito subida, fazendo cano. É de uma única peça. Esta inicia-se no lado interior da chanca, junto ao início do enfranque. Daí, segue em arco convexo ascendente até ao centro da largura, de onde parte um corte rectilíneo para cima, constituindo uma das abas da abertura. Segue assim os contornos do rasto, indo terminar numa outra aba, justaposta à anterior. Esta extremidade, entra sob o arco inicial da outra extremidade, apresentando aí duas costuras espaçadas, executadas a linha grossa de cor castanha. Tais costuras seguem os contornos no arco e estendem-se até à abertura da chanca. Cada aba apresenta cinco furos dispostos equidistantes no sentido da altura. São atravessados por uma fina fita de couro - atacadores. Interiormente, surge uma língua, cosida sob a abertura da gáspea. Na extremidade oposta à abertura, junto à boca, ao centro, surge uma presilha no mesmo material, em laço. Na zona do calcanhar, um talão de formato semicircular, cosido superiormente à gáspea. Tal costura é executada a fio grosso de cor creme e é visível no exterior.

Chancas da Calheta
Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira (cedro); Cabedal; Metal (ferro); Metal

Dimensões (cm): altura: 22; largura: 11; comprimento: 31;

Descrição: Chancas (par) com rasto em madeira de cedro. Este é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é contínuo com a pata, sendo esta de ponta levantada. Todo o perímetro do rasto é percorrido por uma espécie de ferradura de ferro, com cravos de espaço a espaço. Apresentam talão e gáspeas em cabedal branco. O talão é alto, afunilando à medida que se encaminha para a parte anterior do pé. Aí, divide-se em dois, formando duas abas. São ambas furadas com cinco ilhós metálicas, pelas quais passa um atacador do mesmo cabedal. A união entre gáspeas, talão e o rasto é efetuada por meio de uma tira de cabedal de cor castanha, pregada de espaço a espaço.

Fonte: O Trajar do Povo em Portugal
Outros artigos relacionados: Chinelas Minhotas; Alpercatas-Açores; O Calçado Tradicional; Tamancos e Socos Entre Douro e Minho; Pé Descalço; Socas barrosãs já não ressoam na calçada - Montalegre;

sexta-feira, abril 04, 2014

Regulação da relação do povo com a Igreja pelo poder politico


Tude de Sousa, em “Gerez” (1927), espelha a relação do povo serrano com a religião católica, bem como, as praticas não reconhecidas pela igreja, em que cada freguesia teria um livro que regulava as relações com o próprio pároco.

Por outro lado, revela a regulação pelo poder politico da relação entre o povo e a religião, nomeadamente as Câmaras Municipais, através de posturas, assegurando assim o prestigio da religião.

Será curioso observar do Código de Posturas Municipais do Concelho de Terras de Bouro (1853) as seguintes “Providências sobre a observância da nossa Santa Religião Católica Romana”, que se transcreve:

“Artigo 1º - Toda a pessoa, que na ocasião da missa estiver falando, ou de qualquer modo perturbar os assistentes, comete falta de respeito à Religião, e incorre na disposição do (ponto) 2º do artigo 130º do Código Criminal.

Artigo 2º - Toda a pessoa que, cabendo na igreja ou capela, ficar fora da porta a ouvir Missa, ou inquietando quem entra, pagará duzentos réis.

Artigo 3º - Ninguém trabalhará com bois e carros nos domingos e dias santificados (excepto em urgentíssima necessidade), nem se empregará em outras obras servis que não sejam permitidas por costume legítimo, nem tão-pouco venderá objectos que não sejam de indispensável e quotidiana necessidade, e quem o fizer pagará por cada vez quinhentos réis.

Artigo 4º - Todos os chefes de família e tutores mandarão seus filhos, criados e tutelados à doutrina, e aquele que contravier, sem justa causa, esta disposição pagará por cada vez seiscentos réis, excedendo as faltas a cinco cada ano”.

O povo, ainda que crente no divino, não abandou completamente as suas práticas de origem pagã, sendo necessário a intervenção do poder politico para salvaguarda da igreja católica. Esta interligação vai manter-se até ao fim do Estado Novo.

A CROÇA III

Publico hoje mais um artigo, de uma série de 6, sobre o fabrico da croça de junco da autoria da Prof.ª Dr.ªDaniela Araújo.

As cordas da croça permitem manter a estabilidade da peça. Na primeira carreira (Imagem 10) as cordas são feitas de três em três pontos.

Imagem 10
Em cada ponto onde se faz uma corda, esta é executada com os juncos que estão voltados para o interior da croça, ou seja, com aqueles que formam o forro da peça. Como já foi explicado anteriormente, em cada ponto, os juncos são dobrados ao meio: a base do junco fica para o exterior da croça; a parte superior do junco fica voltada para o interior da croça. Na Imagem 11 podem ver-se os juncos correspondentes ao ponto onde se fez a corda: os que estão entrançados (forro da peça) e os que não estão entrançados (exterior da peça). Isto significa que as cordas nunca são visíveis no exterior da croça.

Imagem 11
Na imagem 12 podem ver-se as extremidades dos juncos no ponto onde se fez uma corda: do lado esquerdo da imagem as extremidades inferiores dos juncos (que foram delubadas e massadas); do lado direito, as extremidades superiores dos juncos (algumas ainda contendo flores).

Imagem 12
Artigos relacionados: "A Croça I- Montalegre", "A Croça II"
 
Fonte: Uma Ovelha no Quintal

terça-feira, abril 01, 2014

Vilarinho das Furnas - Minho


Vilarinho das Furnas foi uma aldeia comunitária, cujas origens se perdem nas brumas da memória, desconhecendo-se a sua antiguidade. Encontra-se a primeira referência a Vilarinho, no Tombo da Igreja de São João do Campo, de 1540, bem como os Arquivos Paroquiais, a partir de 1623. Parece que chegou a ser uma freguesia autónoma do concelho de Terras de Bouro, tendo, posteriormente, passado a ser uma aldeia da freguesia de São João do Campo. E sabe-se que era a última povoação por que passava a célebre “Geira” antes de entrar na Galiza, a antiga via militar romana entre Braga e Astorga.

Era uma aldeia da freguesia de Campo do Gerês, situada no concelho de Terras de Bouro, no distrito de Braga. Desde 1971 que esta aldeia está submersa pela albufeira da barragem de Vilarinho das Furnas. Contudo, quando a barragem é esvaziada para limpeza ou quando desce o nível das águas em períodos de seca, podem ver-se ainda as casas, os caminhos e os muros da antiga aldeia.

Na evolução humana, a organização comunitária corresponde a um ciclo cultural resultante da passagem do pastoreio nómada à agricultura sedentária. Em Vilarinho da Furna conservou-se, até 1971, uma organização comunitária bastante perfeita, amplamente estudada pelo prof. Jorge Dias (1907-1971), resultando na sua tese de doutoramento em Etnografia na Universidade de Munique e na monografia “Vilarinho das Furnas, Uma Aldeia Comunitária”, reeditada em 1981.

Inspirado nesse trabalho, o realizador António Campos realizou um documentário sobre esta aldeia, resultado do acompanhamento diário da vida deste povo durante 18 meses, numa fase em que a aldeia já se sabia condenada.

O documentário apenas seria tornado público em 1971, já a aldeia tinha sido engolida pelas águas da barragem.

É este o documentário que público. Tem cerca de uma hora, mas é um documento histórico impar da extinção de uma comunidade.
 

quarta-feira, março 26, 2014

Chinelas Minhotas



Chinela Minhota Preta - Viana do Castelo

Datação: Séc XX (?)
Matéria: Couro preto, algodão, material sintético
Técnica: Curtimenta, polimento e bordado
Dimensões (cm): altura: salto 4; comprimento: 25;
Descrição: Chinela de lavradeira, para o pé esquerdo, sola ponteada, gaspea preta bordada a ponto lançado com flores policromas, galo, nozinhos boca arredondada, as orelhas morrem junto ao calcanhar. Forro de material sintético. Este tipo de chinela, era usado com os fatos de romaria e festa.

 
Chinela Minhota Vermelha - Viana do Castelo

Datação: Séc XX (?)
Matéria: Lã, couro, algodão vidro e metal
Técnica: Tafetá, curtimenta, bordado, missanga e estampagem de metal
Dimensões (cm): altura: salto 4,8; comprimento: 25;
Descrição: Chinela de lavradeira, para o pé direito, sola em bico, gaspea de tecido vermelho inteiramente bordada com motivos florais policromos, a ponto lançado, galo e bordado de fio laminado metálico dourado enrolado, missangas e lantejoulas prateadas. Salto revestido a tecido também vermelho bordado e com bordado aplicado. No interior, palmilha e forro de pele branca (pelica). Estes chinelos, usavam-se com o fato de romaria e festa. No lado interior, tem escrito o nº 19. O bordado é de muito boa qualidade.

 

Chinela Minhota – Guimarães
 
Datação: 1901 d.C. - 1950 d.C.
Matéria: Couro; lã
Dimensões (cm): largura: 9,8; comprimento: 22,5;
Descrição: chinela em couro preto de biqueira redonda, de sola e tacão em madeira. É pespontada à frente com fio de algodão de tons verde, vermelho e branco em motivos fitomórficos.
Origem / Historial: A peça pertence ao Grupo Folclórico da Corredoura fundado em 1956 na freguesia de S. Torcato, concelho de Guimarães. Sendo um dos mais antigos agrupamentos etnográficos é representativo de um tipicismo local, e teve desde os primeiros momentos a seu cargo um verdadeiro trabalho de pesquisa e recolha de costumes, tradições e peças de vestuário da sua região.

 

Chinela Minhota

Datação: XX d.C.
Matéria: Couro, madeira
Dimensões (cm): largura: 9,0; comprimento: 25,0;
Descrição: Par de chinelas femininas de couro preto, ornadas com bordado, de inspiração vegetalista, formando flores e folhagem, em tons de beje e vermelho. O interior é forrado com uma palmilha branca com orifícios decorativos. O tacão é em madeira.


 
Chinela Minhota - Viana do Castelo / Perre

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Cabedal; Metal
Dimensões (cm): altura: 4,5; largura: 9; comprimento: 25;
Descrição: Chinelas (par) com rasto e gáspeas em cabedal. Apresentam uma biqueira aguçada e levemente levantada. O rasto é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é baixo e afunilado. O enfranque é levemente espinhado, sendo que não apresenta descontinuidade com a pata. As gáspeas são de crute envernizada a cor preta. Cobrem a parte anterior do pé mas vão diminuindo progressivamente a sua altura, terminado um pouco antes da zona do salto. À frente, ao centro, junto à orla superior das gáspeas, surge uma pequena fivela metálica de tom dourado, ovóide. No interior das chinelas, a face superior do rasto é forrado com cabedal de cor branca.

 
 
Chinela Minhota - Viana do Castelo / Perre

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Cabedal; Metal
Dimensões (cm): altura: 4,5; largura: 9; comprimento: 25;
Descrição: Chinelas (par) com rasto e gáspeas em cabedal. Apresentam uma biqueira aguçada e levemente levantada. O rasto é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é baixo e afunilado. O enfranque é levemente espinhado, sendo que não apresenta descontinuidade com a pata. As gáspeas são de crute envernizada a cor preta. Cobrem a parte anterior do pé mas vão diminuindo progressivamente a sua altura, terminado um pouco antes da zona do salto. À frente, ao centro, junto à orla superior das gáspeas, surge uma pequena fivela metálica de tom dourado, ovóide. No interior das chinelas, a face superior do rasto é forrado com cabedal de cor branca.

 
Fonte: Trajar do Povo em Portugal

domingo, março 23, 2014

Traje de Saloia - a carapuça - finais sec.XVIII/início sec.XIX

Na região saloia, existiu uma peça da indumentária feminina cuja reminiscência só nos chega através de vários relatos e imagens pictóricas de viajantes portugueses e estrangeiros que debandaram estas bandas, a “carapuça”, pois, ao que tudo indica, não terá subsistido qualquer exemplar até aos nossos dias.

Guilherme Felgueiras descreve a saloia dos finais sec. XVIII/início sec. XIX da seguinte forma:
Entre 1790 e 1826 era ver a saloia pelas ruas de Lisboa vendendo queijos, ovos, galinhas e primores dos hortejos e pomares. Veste saia de seriguilha, pouco rodada e curta, de cor fulva (cor avermelhada/mogno) e barra escarlate, que sofraldava em refegos e arrepenhos para melhor se acomodar nos albardões dos pacientes jumentos que a conduzia até à cidade.

Cingida ao corpo, a modelar-lhe o busto e a soerguer-lhe os seios firmes, a vasquinha, de tons flamantes, púrpura ou alaranjado, com bandas de cetim azul-pavão, toda fechada até ao pescoço; mangas terminando a 2/3 do braço, botões nos punhos e peito.

De inverno usa mantéu de baetão verde, de rebuço e sem pregas, tendo como atavio o debrum carmesim. Calça botas de cano alto, de cabedal escuro, ou de coiro atanado, grosseiro e crespo.

Saloios na Estrada - Alfredo Roque Gameiro

Mas o mais bizarro deste trajo era a “carapuça”. Espécie de gorra alta, afunilada, ligeiramente recurva para diante e adornada na frente com tecido de cor garrida. Era calcada com um lenço branco, por sua vez sobreposto por um outro lenço de cabeça. A saloia aconchegava-o à cara, apertando-o a meio, dobrava-o na diagonal e atava-o graciosamente sob o queixo, em duas laçadas pendentes.


Fonte: Guilherme Felgueiras – Dois originais complementos do trajo saloio oitocentista (A “carapuça” da aldeã e a “cartola” do campesino) – Colóquio  sobre Folclore, Lisboa, 1978.

quarta-feira, março 19, 2014

Traje da Nazaré - Capa

A capa é o principal agasalho do trajo da mulher nazarena, utilizando-a em todos os momentos da vida. Não agasalha apenas o frio, mas também os sentimentos, dando-lhe umas vezes porte altivo e outras a sombra da tristeza.
 

 A capa é preta, de lã, e o seu corte é cuidado.

Calculado o tecido em relação às medidas da mulher, cortados e costurados os panos, obtém-se a amplitude necessária para recortar a capa de forma circular. Ampla, cortada em viés; cabeção (de veludo para as de festa), frentes guarnecidas com bandas voltadas para fora. Cabeção e bandas decoradas com fita de algodão. Por economia de tecido, as pequenas emendas de um e de outro lado da frente são cortadas das sobras do tecido e cosidas pelo avesso a ponto de luva

Normalmente a capa é usada pela cabeça sobre o lenço. Pelos ombros só no trajo de festa, quando a capa é de tecido fino.


Bibliografia: Abílio Leal de Mattos e Silva in “O Trajo da Nazaré”, Editorial Astónia, Lisboa, 1970.

quinta-feira, março 13, 2014

Traje da Nazaré - Chapéu


"Mulher na Praia" de Guilherme Filipe
Museu Dr. Joaquim Manso
O chapéu da nazarena é uma das peças de indumentária popular mais simbólicas e identificáveis.

Chapéu de nazarena
Museu Nacional do Traje
Feito de feltro preto e fita (gorgorão) de seda da mesma cor. O chapéu tem um a forma cilíndrica, aba revirada, decorada, com fita que remata no lado direito com pom-pom de fio de seda preta; ajusta com elástico; remata no interior com tira de pele de cor natural. Forro de tecido de cetim branco.

Para não se acentuar a depressão da copa, a nazarena coloca na cabeça por baixo do chapéu uma rodilha, para fazer altura.

Bibliografia: Abílio Leal de Mattos e Silva in “O Trajo da Nazaré”, Editorial Astónia, Lisboa, 1970.

sexta-feira, março 07, 2014

Divisão Regional da Carta Etnográfica de Portugal

A transposição para um mapa das fronteiras de um povo, nação ou cultura, sempre foi complicado e motivo das mais diversas discórdias e nem sempre com os melhores resultados.
Fazendo aqui um pequeno parêntesis ao propósito deste artigo, não podemos esquecer que os tratados assinados após conflitos entre grandes potências incluíam a divisão de territórios sem a menor preocupação com a identidade local, resultando décadas ou séculos mais tarde em guerras de libertação e regionais.
A divisão etnográfica do mapa de Portugal também não é uma matéria pacífica, já que não é possível estabelecer fronteiras específicas e estanques entre populações de duas áreas geográficas próximas, nem afirmar não existirem influências etnográficas entre essas regiões.

No entanto, esta divisão regional da carta etnográfica de Portugal é essencial para quem pretende estuda etnografia.

De destacar nesta matéria as propostas de divisão geográfica de Amorim Girão, Hermann Lautensach, Orlando Ribeiro e Jorge Dias.
A divisão regional que apresento é a proposta por Tomaz Ribas, que a considerou de carácter definitivo ou científico, mas como um instrumento de trabalho.
É esse o nosso objectivo, deixar aqui um instrumento de trabalho.


Fonte: Tomaz Ribas, in O Trajo Regional em Portugal, DIFEL/INATEL, 2004

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

O Carpidar dos Mortos





Excerto da encenação 'Fé nas Tradiçoes' pelas Cantadeiras do Neiva, 1º Lugar na Final do Concurso de Etnografia, organizado pelo INATEL, no dia 29 NOV 2009, no Centro Cultural Vila Flor - Guimarães

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Rituais da morte e o luto no traje


De todos os mistérios de vida dois são certos, o nascimento e a morte. Se o primeiro é encarado com alegria e regozijo, o segundo é trágico e triste, muito embora a doutrina cristã defenda ressurreição da alma.

Por ser um assunto difícil de abordar na nossa sociedade, os trajes de luto e os rituais da morte raramente são representados pelos grupos etnográficos e folclóricos.

Não querendo ser extenso nesta matéria, procurei alguns apontamentos etnográficos que caracterizassem estes momentos da vivência de qualquer pessoa.

Os rituais fúnebres, além de possibilitarem contactos afetivos e de conforto entre parentes, apresentam simbologias que pretendem concretizar o ocorrido.



Retrato de mulheres, sec.XX, Museu de Arte Popular,
Instituto dos Museus e da Conservação, I.P. / Ministério da Cultura
Em Portugal os rituais da morte são profundamente influenciados pela tradição católica, resultando num protocolo rígido na representação da infelicidade da família enlutada perante a sociedade.

O preto era a cor do luto e quer homens, mulheres ou crianças, despojavam-se das demonstrações exteriores alegria, havendo uma enorme preocupação em cumprir o luto devido por morte de um familiar. No caso de pais ou filhos eram de 18 meses a 2 anos, de um irmão 1 ano, avós 8 meses e tios 3 meses.

Se havia um casamento marcado adiava-se, a matança não era feita, não havia festas até passar o tempo de luto fechado, depois começava-se a aliviar o luto até aos 2 anos.

O anúncio da morte de alguém era feito pelo toque do sino da igreja (o chamado “dobrar” que ainda hoje assim se faz em algumas regiões) e depressa passava de boca-em-boca o nome do falecido.

Os defuntos não iam para a igreja, eram velados em casa. A casa era desprovida de quaisquer elementos decorativos e até o relógio era levado para casa de uma vizinha para não se ouvir o barulho do pêndulo. A casa era despojada de móveis e a vizinhança emprestava as cadeiras. Em algumas aldeias a água que havia nos cântaros era deitada fora e também se tiravam os enchidos que estavam na chaminé.

O corpo era arranjado, vestido com a melhor roupa, muitas vezes já previamente predestinada (o fato da mortalha), e ficava em cima da cama, até que no dia seguinte era enrolado numa colcha, metido no caixão e saíam com ele a pé para o cemitério. Junto à cama era colocado um copo ou uma taça, com um raminho, com o qual se aspergia o morto.
"Carpideiras no funeral de Juan Lara" - 1951 - Cáceres - W.Eugene Smith

Com grandes prantos, fazendo elogios ao falecido e maldizendo a sorte carpidava-se o morto demonstrando a dor da família enlutada, tarefa relegada para os elementos femininos da família, ou “contratavam-se” carpideiras para demonstrar que o falecido era muito querido.

Se era uma criança (os anjinhos ou injinhos), o corpo era colocado numa urna branca e levado ao cemitério por crianças mais velhas. Se era uma rapariga donzela, vestiam-na de noiva com uma grinalda.

Depois do funeral era a vizinhança que cozinhava para a família enlutada e que ajudavam na limpeza e arrumação da casa. No Alentejo a casa não era caiada, nem nessa altura, nem durante o tempo do luto.

Durante todo o tempo de luto fechado os amigos e a vizinhança mais próxima repartiam o que havia com a família enlutada, respeitando a infelicidade e ajudando uns aos outros.

No que respeita à missa de 7º dia, está relacionada com a tradição católica e às referências na Bíblia ao luto de 7 dias:

·         O luto de Jacó durou 7 dias (Gn 50,10)
·         Saul foi enterrado e fizeram um jejum de 7 dias (1Sm 31,13)
·         O povo chorou a morte de Judite durante 7 dias (Jt 16,24)
·         O luto por um morto dura 7 dias (Eclo 22,11)

O Luto no Trajo


Viúva - Rancho Folc. Casa do Povo da Glória do Ribatejo
Em Portugal os rituais da morte entre os finais do sec.XIX e início do sec.XX têm origens muito antigas e diversas influências culturais, resultando num protocolo rígido na representação da dor da família enlutada perante a sociedade

Na tradição popular portuguesa o luto era profundamente vivido e socialmente controlado. Essa vivência fazia com que fossem colocados de lado os trajos mais vistosos, muitas vezes para o resto da vida, como aconteceu com o traje de branqueta da Póvoa do Varzim após o naufrágio de 1892, que enlutou a maioria das famílias dessa região, apenas sendo ressuscitado em 1936 por Santos Graça.

Pormenores do luto no trajo feminino:

Por morte de um parente, as mulheres vestiam-se de preto e quase tapavam o rosto, sendo socialmente apontadas ou marginalisadas aquelas que não o fizessem. Era sinal de respeito quase religioso.


Retrato de camponesa, sec.XX, Museu de Arte Popular,
Instituto dos Museus e da Conservação, I.P. / Ministério da Cultura
A mulher cobre a cabeça com o mais singelo dos lenços negros e as capas, saias de costas, xailes e biucos criam um “casulo” interiorizando a dor e isolando-a do mundo que a rodeia de forma a se tornar invisivel à sociedade.

No Alentejo e Algarve a mulher não tirava o lenço da cabeça nem o xaile das costas. Mesmo no trabalho do campo, de Verão ou Inverno, as mulheres usavam grandes xailes em bico, meias, lenço e chapéu.

No Minho surge o Traje Escuro ou Dó em sinal de luto ou quando um parente partia para o estrangeiro. Usado para simbolizar dor pela separação, motivada por ausência temporária ou mesmo definitiva de um parente. Na verdade, a diferença marcante dos demais trajes, deve-se a tonalidade que no caso presente e como não poderia deixar de ser predomina a cor preta.

Na Póvoa do Varzim a mulher usava casaco e saia pretos, lenço preto na cabeça, embiocado, e uma saia de costas, também preta, muito semelhante à saia de vestir, com pregas miúdas junto à cintura, embora mais curta e com menos roda. Colocada sobre a cabeça, envolve o corpo até à cintura. O trajo de luto anulava praticamente a figura da mulher. Como sinal de tristeza profunda, de renúncia ao conforto e desprendimento dos bens materiais, esconde o rosto dos olhares intrusos e anda descalça.


"Mulher da Nazaré", Artur Pastor
Também na Nazaré a capa, colocada sobre a cabeça, esconde a cara da mulher e o seu sofrimento, nesta altura chapéu perde o tradicional pom-pom de lã.

No que se refere às joias, durante o luto fechado apenas utilizavam os brincos, aos quais eram cozidos uns paninhos pretos para disfarçar o brilho do ouro, ou então, para quem tinha essa possibilidade, usava brincos com pedras escuras: azeviche, granada, hematita, e ônix.

Em Portugal, no concelho da Batalha, nas minas de Alcanadas (Barrojeiras e de Chão Preto), até ao início do século XX, era extraído o azeviche utilizado na realização de jóias usadas durante os períodos de luto da família pela Família Real Portuguesa. Também era extraido azeviche em Peniche.



Brincos de 1880 em azeviche. Acervo do Metropolitan Museum

Pormenores do luto no trajo masculino:

Aos homens eram impostas menos regras sociais que ás mulheres, para além do resguardo do tempo de luto obrigatório.
Genericamente o homem também adoptava o fato preto, ou da cor mais escura que tinha. Mesmo no trabalho passa a vestir-se integralmente de preto.
No Alentejo e Algarve os homens andavam com a barba grande pelo menos durante 1 mês e não iam à taberna. Em algumas localidades usavam um lenço amarado à cabeça por debaixo do boné ou do chapéu.
O uso do Gabão também era comum, sobretudo na Póvoa do Varzim e Nazaré. Este era feito de tecido de lã castanha (saragoça) com cabeção, capuz e mangas compridas. Nas frentes, carcela e bolsos metidos a costura era pespontada a branco. Forro de branqueta. O capuz cobria não só a cabeça, mas ocultava o próprio rosto, resguardando-o de olhares estranhos

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Alpercatas - Açores


Local de Execução: Ilha do Pico
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Cabedal; Pneumático; Metal
Dimensões (cm): altura: 5; largura: 12; comprimento: 26;
Descrição: Alpercatas (par) com rasto em pneumático de cor preta. Sobre este, estende-se um rectângulo de cabedal, preso ao pneumático por meio de pregos metálicos. À sola estão presas correias de cabedal passadas, à frente, sobre os dedos, e atrás, sobre o calcanhar, enrolando depois na perna até à altura dos tornozelos.
Proveniência: Portugal / S. Roque do Pico / Santa Luzia.

 
Local de Execução: Ilha do Pico
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Cabedal; Pneumático; Metal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 13; comprimento: 30;

Descrição: Alpercatas (par) com rasto em pneumático de cor preta. Sobre este, estende-se um rectângulo de cabedal, preso ao pneumático por meio de pregos metálicos. À sola estão presas correias de cabedal passadas, à frente, sobre os dedos, e atrás, sobre o calcanhar, enrolando depois na perna até à altura dos tornozelos.
Proveniência: Portugal / Madalena / S. Caetano


Local de Execução: Açores
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Dimensões (cm): largura: 13,9; comprimento: 27;

Descrição: Sapato também designado por abarca ou albarca, com sola de forma retangular, com rebordo na frente levantado; tem quatro orifícios, pelos quais passam tiras de cabedal estreitas (atacas) que servem para segurar a sola à canela das pernas. Segundo João Afonso "O trajo nos Açores, subsídio para Estudos de Vestiaria Antiga ", O instituto Históricos da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, 1978, p 134 ... O rebordo não era característico na sapata terceirense, mas aparece já neste calçado, ainda muito apreciado do "homem do monte ". Antigamente abarca (MAR). Calçado rústico exclusivamente usado por gente do Pico. --- (MAP)

 
Fontes: www.matriznet.imc-ip.pt. e Museu de Arte Popular.

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Entrevista à Rádio do Folclore Português

No passado dia 2 de Fevereiro este blog foi tema de conversa numa entrevista ao programa de Sergio da Fonseca na Rádio do Folclore Português.
Para quem não assistiu em direto, aqui fica a entrevista.


sexta-feira, janeiro 31, 2014

Trajes de Portugal na Rádio do Folclore Português


O blog Trajes de Portugal será o tema da Tertúlia com Sérgio da Fonseca no próximo domingo, dia 2 de Fevereiro, entre as 21 e as 23 horas, na Rádio do Folclore Português.

Agradeço à Rádio do Folclore Português na pessoa de Sérgio da Fonseca esta honra.

Aos seguidores deste blog, convido a ouvir e espero não desiludir.

Obrigado a todos!

quarta-feira, janeiro 29, 2014

A CROÇA II - Montalegre

Transcrevo o 2º artigo da Prof.ª Dr.ª Daniela Araújo, sobre o fabrico de uma croça de junco.


A CROÇA II

Na construção do cabeção da croça, os dedos do sr. Constantino lidam, simultaneamente, com quatro conjuntos de juncos. Dois são mais delgados; os outros dois mais grossos. Os mais delgados são os juncos que originaram o botão da croça e que, no entrançar dos dois conjuntos mais grossos, funcionam como as cordas que os prendem. Os conjuntos mais grossos, aos quais chamarei medas, vão sendo entrançados nas cordas e formarão a primeira camada ou carreira da croça; aquela que é mais longa e que deverá proteger os ombros de quem a usa.

Os dedos sábios do sr. Constantino, neste processo de articulação entre as duas cordas e as duas medas, torcem, apertam e entrançam juncos do botão até à casa.

Se foi difícil colocar por palavras os gestos inerentes ao moldar do botão da croça, desta vez, o desafio é ainda maior! É preciso rever e rever as mais de 300 fotografias que tirei em pouco mais de uma hora. E há muitas dúvidas que subsistem, apesar do sr. Constantino me ter permitido fazer algumas operações. Acho que vou ter de fazer várias experiências até interiorizar todo o processo.

As duas cordas de junco, logo após o botão ter sido formado, recebem a primeira meda de juncos. O sr. Constantino tem as mãos treinadas. Não conta os juncos de cada vez que introduz uma nova meda no entrançado das cordas. Nas pontas dos dedos, sente que aquela é a grossura adequada. Não vale a pena contá-los, pois há juncos mais grossos e juncos mais finos.

Cada meda é dobrada ao meio e o centro é marcado pelas duas cordas que vão torcendo uma sobre a outra e sobre cada meda. Uma parte de cada meda fica para dentro; formará o forro da croça e não será penteada. A outra a parte, a que fica para fora da croça, é aquela que será penteada quando já todas as camadas tiverem sido montadas.

A extremidade de cada meda que corresponde à base do junco, é aquela que fica voltada para o exterior. A outra extremidade, a que corresponde à flor do junco, fica voltada para o interior.

 


 Na segunda imagem pode ver-se o sr. Constantino apontando com o indicador da mão direita para a última meda que acrescentou. Sobre esta meda está já torcida uma das duas cordas (em frente ao polegar da mão esquerda está essa corda). E ao lado do polegar está a meda que foi presa anteriormente.


Qual é, então, a sequência de gestos e de cordas e medas? Coloca-se uma meda nova medindo o comprimento que a mesma deve ter na parte exterior da croça com a ajuda da meda que foi entrançada no ponto anterior. De seguida, retiram-se as cascas que alguns dos juncos possam ainda ter na sua base.



Ao se colocar uma nova meda, passam-se as duas cordas sobre a mesma. Primeiro a corda da esquerda e, sobre esta, a corda da direita, torcendo-se as cordas nesse movimento. De seguida, puxa-se a meda anterior para baixo, passando-a por cima da última meda a ser incluída, e torcendo-a sobre as duas cordas. E assim sucessivamente. Dito assim, parece fácil. Mas quando se vê pela primeira vez e não se experimenta parece tudo muito complicado.

Na imagem seguinte veem-se claramente as duas cordas de juncos: correspondem aos dois conjuntos de juncos que se situam mais à esquerda da fotografia. No meio de ambos está a meda que acabou de ser torcida para baixo. O gesto seguinte será o de adicionar uma nova meda. E a próxima meda a ser torcida para baixo será a que se vê nesta mesma imagem, com os diversos juncos direcionados para o canto superior direito.

 
O cabeção tem de ter um número ímpar de pontos. A contagem é feita com regularidade para se ir confirmando o número de pontos já feitos. Estas croças que estão a ser feitas pelo sr. Constantino têm 51 pontos. Não é obrigatório, contudo, que tenham esse número de pontos. Apenas que seja um número ímpar. Deste modo, para cada lado ficarão 25 pontos e o ponto 26, achado a partir de cada extremidade, é o ponto que marca o meio. É essencial para depois se colocar a tira que funcionará como o cabide da croça.
 

Quando os 51 pontos estão feitos, então, torcem-se as duas cordas sobre si mesmas e uma sobre a outra um número de vezes suficiente para se poder fazer a casa para o botão da croça. Refira-se, igualmente, que à medida que os juncos que formam as cordas se vão esgotando, há que juntar novos juncos. Faz-se esse acrescento deixando sempre uma ponta de fora que, terminado o trabalho, se cortará.


A casa do botão faz-se torcendo a corda, formada pelas duas cordas, sobre si mesma. De seguida, as duas cordas vão começar a entrançar-se sobre as medas que foram colocadas anteriormente.

O objetivo é que cada meda fique no meio das duas cordas, tal como se pode ver nas duas imagens seguintes. Em cada meda, faz-se passar a corda da direita por cima e, por cima desta, a corda da esquerda, torcendo-se cada corda sobre si mesma. A meda seguinte passa por cima da última corda que foi utilizada. E assim sucessivamente por cada meda que se vai apanhando.



O próximo passo será perceber como se fazem as tranças que constituem a segurança da croça. E como se acrescentam pontos de carreira para carreira de modo a que a croça ganhe amplitude.