quinta-feira, dezembro 11, 2014
quinta-feira, novembro 27, 2014
O CANTE - Património Mundial da UNESCO
O Cante foi hoje, finalmente, eleito como Património
Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
O Comité
Internacional da UNESCO, reunido em Paris, deu assim seguimento às pretensões
do povo alentejano e dos portugueses em geral, dando ao Cante a tão desejada
designação de "Património Mundial".
Parabéns a todos os que fazem perpetuar esta tradição.
sexta-feira, novembro 14, 2014
Fotografo de Costumes - Augusto Bobone
Muita da informação que nos chegou até hoje sobre
os usos e costumes do final do sec.XIX e inicio dos sec.XX resulta do olho atento de alguns fotógrafos dessa
época.
Um destes fotógrafos foi Augusto Bobone
(1825-1910).
Fotógrafo da Casa Real, foi aluno da Academia de
Belas Artes de Lisboa, formação que lhe permitiu aliar a técnica da pintura à
da arte fotográfica.
Bobone terá herdado a direção do Atelier Fillon em
1881 - [Fillon morre em Agosto de 1881] -, então situado na Rua Serpa Pinto 79
a 87, mantendo aí atividade até 1910.
Nomeado fotógrafo das casas reais portuguesa e
espanhola foi, sem dúvida, um dos profissionais preferidos da família real, bem
como da Corte portuguesa.
Ao longo da carreira ganhou diversos prémios e
medalhas nas Exposições em que participou, destacando-se em 1900 o prémio da
Medalha de Ouro na Exposição Universal de Paris.
As imagens seguintes são alguns exemplares de
enorme valor etnográfico da sua autoria, cujo acervo se encontra no Arquivo
Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa.
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| Cirio de Nª Srª da Atalaia (1900) |
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| Cirio de Nª Srª da Atalaia (1900) |
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| Cirio de Nª Srª da Atalaia (1900) |
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| Varina |
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| Leiteira |
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| Pastor |
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| Varina |
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| Aguadeira |
quinta-feira, outubro 30, 2014
A Rodilha ou “Sogra”
Não
sendo propriamente um componente do traje, a rodilha ou “sogra” é sem dúvida um
elemento indissociável de muitas das nossas figuras populares.
Na
realidade trata-se de uma proteção utilizada pelas mulheres para facilitar o
transporte à cabeça dos mais variados e pesados objetos.
Distinga-se
aqui a rodilha (um pedaço de pano, torcido e enrolado redondo e que podia ter
outros usos) da “sogra” (uma rodela almofadada de tecido ornamentado, mais a gosto
das mulheres e com maior comunidade de uso), sendo esta a denominação mais
comum em todo o território nacional.
O
Museu Nacional de Etnologia possui alguns exemplares de “sogras” representativos
de várias regiões portuguesas (também possui exemplares de outras culturas) que
de seguida descrevemos.
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| Imagem 1 |
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Tecido
Dimensões (cm): altura: 4; diâmetro: 14;
Descrição: Rodilha em forma de toro. A superfície é recoberta por finas fitas de tecido de algodão de cor cinzenta, por entre as quais passam, perpendicularmente, outras de cor vermelha e outras de cor verde, de forma a fazer um axadrezado.
Proveniência: Castelo Branco / Sertã
Origem / Historial: Esta rodilha foi feita pela avó da coletora Carla Antunes, Rosa Antunes, de 74 anos [2011]. Habita em Cernache do Bom Jardim, Sertã. Fê-la propositadamente para integrar as coleções do Museu de Etnologia. Carla Antunes refere que a rodilha é parte integral da cozinha daquela zona. Servia para colocar em cima da cabeça, entre o lenço que se usava e a carga, como sejam cântaros de água ou cestas de vime onde colocavam a lenha e pinhas, para não se ferir.
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| Imagem 2 |
Imagem
2
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.Matéria: Tecido (algodão); Tecido
Dimensões (cm): altura: 3; diâmetro: 12;
Descrição: Rodilha em forma de toro. A superfície é recoberta por fitas em tecido de lã de cor preta. O perímetro da rodilha é percorrido por cinco listas, espaçadas entre si, delineadas a fio de lã de cor vermelha. Entre a primeira e a segunda, e a quarta e a quinta surge um "ziguezague" feito a fio de lã de cor amarela. Entre a segunda e a quarta surgem pequenos segmentos longitudinais, feitos a fio de lã, ora de cor amarela, ora de cor rosa.
Proveniência: Portugal (não possui informação sobre a região onde foi recolhida)
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| Imagem 3 |
Imagem
3
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.Matéria: Flanela (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 5; diâmetro: 15;
Descrição:
Rodilha de formato cónico e centro vazado, forrada, exteriormente, a flanela de
lã de cor preta. Na face lateral, brotam "levantados" do tecido,
formando motivos florais: ora uma flor com as pétalas de cores: branco, amarelo
e laranja, e interior de cores: verde e rosa; ora uma flor com as pétalas de
cores: amarelo, rosa e branco, e interior de cores: laranja e verde. Estas
flores são ladeadas por pequenos motivos foliares (?) de cores verde e rosa.
Num dos topos da rodilha surgem duas listas em "ziguezague" bordadas
a fio de lã de cores amarela e verde; no topo oposto as listas são de cores
laranja e amarelo.
Proveniência:
Braga / Caminha / Dem![]() |
| Imagem 4 |
Imagem
4
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.Matéria: Tecido (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 4,5; diâmetro: 18;
Descrição:
Rodilha, de secção circular, em tecido de lã de cor preta. É adornada, nas
faces superior e inferior, por um "zigue-zague" bordado com fio de lã
de cor verde, laranja, amarelo, vermelho e rosa. A face lateral é completamente
preenchida com pequenas borlas de lã, de cores: verde, branco, rosa, vermelho,
azul, laranja, amarelo e roxo.
Proveniência:
Viana do Castelo / Outeiro![]() |
| Imagem 5 |
Imagem
5
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.Matéria: Flanela (lã); Tecido (lã, algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 4,5; diâmetro: 14;
Descrição:
Rodilha de formato cónico e centro vazado. A face interior do vazado é forrada
a flanela de lã de cor preta. A esta está cosido um outro tecido de lã e
algodão, que forra o exterior da rodilha. Este tecido apresenta listas de cores
azul e verde. Na face lateral brotam, do mesmo tecido, "levantados"
de cores roxa, verde e amarela, formando uma sequência transversal de losangos.
Na face superior da rodilha surge, bordada a fio de lã de cor verde, a seguinte
inscrição: "RECORDAÇÃO DE DEM". Na face oposta surge uma lista
formada por pequenos retângulos justapostos bordados a fio de lã de cores azul
e verde.
Proveniência:
Braga / Caminha / Dem![]() |
| Imagem 6 |
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Lã (?); Tecido (seda)
Dimensões (cm): altura: 4,4; diâmetro: 13;
Descrição:
Rodilha em forma de toro. Superfície envolta em tiras finas de tecido de lã (?)
de cor preta por onde, em certos pontos alternados, se entrecruzam,
perpendiculares e espaçadas entre si, fitas de seda na seguinte ordem de cores:
creme, verde escuro, azul escuro, rosa, amarelo, verde claro, verde claro,
amarelo, rosa, azul escuro, verde escuro e creme. O conjunto de entrosamentos
forma uma espécie de xadrez colorido.
Proveniência:
Aveiro / Murtosa![]() |
| Imagem 7 |
Imagem
7
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.Matéria: Tecido (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 4,3; diâmetro: 12;
Descrição:
Rodilha em forma de toro. Superfície envolta em tiras finas de tecido de lã (?)
de cor preta. De frente, apresenta, a todo o perímetro, três barras finas
transversais, espaçadas entre si, executadas com linha de lã. A superior é
idêntica à inferior: a linha é de cor verde clara. Esta percorre o perímetro em
duas voltas justapostas, passando entrecruzada com as tiras de tecido de cor
preta. Na barra intermédia, a linha é de cor branca e laranja. A linha de cor
branca percorre o perímetro em três voltas justapostas, passando entrecruzada
com as tiras de tecido de cor preta. Nos espaços de entrecruzamento surgem,
sobre o tecido, cruzes em "X", executadas a linha de cor laranja. As
cruzes são contíguas às linhas de cor branca.
Proveniência:
Aveiro / Murtosa![]() |
| Imagem 8 |
Imagem 8
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.
Matéria:
Tecido; lãDimensões (cm): altura: 2,3; diâmetro: 7;
Descrição:
Rodilha em forma de toro. Superfície envolta em tiras finas de tecido de cor
castanha escura. De frente, apresenta, a todo o perímetro, duas tiras finas, transversais
e justapostas, de tecido de cor branca. Ambas se entrecruzam com as tiras de
cor castanha escura, formando um axadrezado. As zonas de entrecruzamento
alternam entre a tira superior e a tira inferior. A zona entre as tiras de cor
branca apresenta três borlas de lã de cor vermelha situadas de modo a dividir o
perímetro da rodilha em três partes de iguais dimensões.
Proveniência:
Coimbra![]() |
| Imagem 9 |
Imagem 9
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.
Matéria:
TecidoDimensões (cm): altura: 5; diâmetro: 16;
Descrição:
Rodilha em forma de toro. Superfície envolta em tiras finas de cor azul escura,
através das quais, em certos pontos, se entrecruzam, perpendicularmente, tiras
finas de cor branca. Formam-se assim, em todo o perímetro, seis largos losangos
contíguos, axadrezados.
Proveniência: Castelo
Branco / Oleiros / Orvalho / Foz do Giraldo
segunda-feira, outubro 27, 2014
A CONTRATADEIRA (extrato do Jornal do Folclore)
Por
Carlos Rego, V. N. Famalicão
Confesso que somente tomei conhecimento do vocábulo “contratadeira”, associado ao Folclore, há menos de três anos. A personagem foi-me apresentada por entusiastas desta criatura folclórica.
No universo folclorizado
“contratadeira” ou “contratador” (desconheço se existe esta personagem de facto
ou se será somente o esposo) será a mulher que, vestida a preceito para tal
função, numa feira estabelece um contrato de compra e/ou venda de gado,
resumidamente. O trajo da “contratadeira” é o trajo da “lavradeira” ou da
“ribeira”, dependendo da região etnogeográfica baixo-minhota, acrescido de um
chapéu, quase sempre em castanho, de aba larga e copa baixa. Para alguns
folcloristas formatados, aqueles que insistem na divisão concelhia do Folclore,
o trajo de “contratadeira” é o trajo característico de V. N. Famalicão. Rotunda
mentira. Além de Famalicão pode encontrar-se nos grupos/ranchos dos concelhos
de Barcelos, Esposende, Póvoa de Varzim e Vila do Conde, isto é, nos grupos
residentes no baixo Ave, no vale formado pelo rio Ave e pelo seu afluente rio
Este (a título de curiosidade, este vale é uma das maiores regiões da Europa de
concentração de gado vacum produtora de leite). Parece-me pouco credível que
alguém, à época, se trajasse de modo excecional para levar ou trazer um par de
bois da feira a troco de alguns reis ou de artigos agrícolas. A riqueza do
material usado na confeção deste chapéu indica-nos tratar-se de um adereço fora
do alcance das mulheres do campo, porque eram pobres, talvez mais em uso em
algumas senhoras rurais. Quiçá, acessório copiado, porque pitoresco, para
cortejos e paradas agrícolas, em parceria com os chapéus de palha
exageradamente decorados que para esses eventos se preparavam. De seguida, a
replicação de pelo menos uma “contratadeira” ou parelha de “contratadores” nos
grupos/ranchos folclóricos da área etnogeográfica referida. E, nos dias de
hoje, mal do grupo/rancho baixo-minhoto dos concelhos citados que não inclua
tal personagem na sua montra, a certeza da crítica certa por tal atrevimento ou
o rótulo de grupo pobre e indigno. Necessário e importante relembrar o estatuto
da mulher para a época. Intramuros, a mulher era o elemento mais forte da
família, pertencia-lhe o governo da casa assim como a educação das crianças.
Fora de portas o universo era todo ele masculino. Logo, do ponto de vista
sociológico, muito pouco provável e existência de uma tal personagem no
feminino com a importância que lhe pretendem atribuir. Sozinhas ou acompanhadas
por outras mulheres ou crianças iam ao mercado vender ou comprar coisas da casa
ou para a casa, produtos da horta, pequenas alfaias, outras necessidades. A venda
ou troca de gado era uma atividade no masculino, a mulher seria um elemento
estranho e não aceite neste negócio de barba rija e manha certa. A viúva ou a
senhora solteira socorriam-se de um feitor, caseiro, familiar ou conhecido de
confiança para elaborar contratos de troca ou venda de gado. Até o moço, e
muito excecionalmente a moça, puxador de bois, numa ida à feira, o fazia já num
processo de aprendizagem, de preparação para quando chegasse a sua vez de puxar
a soga da vida. “Contratadeira”, a personagem e o seu traje, vale o que vale.
No universo do Folclore pouco ou nada valerá. No mundo folclórico, garrido e
pitoresco que prolifera no movimento, a sua função plástica está por demais
sobrevalorizada, bem acompanhada e ao nível de outras personagens, com seus
trajos mais ou menos imaginosos, como, por exemplo, o da leiteira, da
sardinheira, da sachadeira, da olhadeira de gado, da lavadeira, da
vindimadeira, da parideira, da parteira, da namoradeira, da coscuvilheira, de
pranteadeira, da viúva alegre, e por aí fora. E já agora, a “noiva” e o seu
trajo. quinta-feira, outubro 16, 2014
MULHERES DE LENÇO
O Museu de Arte Popular possui um conjunto de imagens, constituídas
por papel fotográfico em armação em madeira, datadas do Séc. XIX (?),
representando mulheres do povo com os seus lenços.
Ficam aqui algumas dessas imagens.
segunda-feira, outubro 13, 2014
AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR III – ESTREMADURA, BAIXO VOUGA, ALENTEJO E ALGARVE
Este artigo é a continuação da abordagem a este tema
iniciado em AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I – MINHO e AS ALGIBEIRAS NO TRAJE
POPULAR II – DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES, passando a apresentar exemplares
provenientes das coleções do Museu Dr. Joaquim Manso e do Museu Nacional de Etnologia.
MUSEU DR. JOAQUIM MANSO
Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de algodão e várias outras fibras
Dimensões (cm): altura: 32; largura: 20;12;
Descrição: Bolsa de retalhos de diferentes cores e
qualidades. De corte arredondado, com duas entradas na parte da frente. Na
parte superior e de cada lado, leva um fitilho de algodão para cingir a
cintura. A metade inferior é subcircular e tem a aparência de um vaso cintado
de boca larga. É debruada a toda a volta por uma tira de tecido florido
Proveniência: Nazaré.
Origem: Este objeto, que fazia parte da indumentária
da Nazarena e ainda em uso sobretudo nas mulheres de mais idade, tem vindo a
ser substituído pelos vulgares porta-moedas. A algibeira não constituía um
elemento decorativo, ao contrário do que acontecia no norte do país, mas antes
utilitário. Para uma maior segurança era resguardada sob a "saia de
cima", junto à abertura da mesma, sempre do lado direito e fixada à
"saia de baixo" por um alfinete de dama. Este objeto, de grande
importância para a mulher Nazarena transportar o dinheiro que necessitava no
seu quotidiano ou até as suas economias ou "papéis de valor",
continha, muitas vezes, um amuleto (conhecido por "Breve") como forma
de proteção e ou superstição religiosa.

Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de algodão e fibras sintéticas (terylene)
Dimensões (cm): altura: 36; largura: 21,5;
Descrição: Bolsa para guardar dinheiro feita de
tecido de cor preta por se tratar de viúva. De corte arredondado, tem duas
entradas na frente e uma atrás, sendo esta de cor castanha. Na parte superior e
de cada lado leva um fitilho de algodão para cingir à cintura. É debruada a
toda a volta por uma tira de tecido também de cor preta.
Incorporação: Doação - D. Deolinda Xalabardo MecaProveniência: Nazaré.
Matéria: Tecido de lã (escocês) e algodão
Dimensões (cm): altura: 34,5; largura: 20,5;
Descrição: Bolsa para guardar o dinheiro feita de
retalhos de diferentes cores, sendo as predominantes vermelho e castanho. De
corte arredondado, tem duas entradas à frente e uma atrás. Na parte superior e
de cada lado, leva uma fita de lã fina para cingir a cintura. É debruada a toda
a volta por um fitilho de algodão azul-escuro.
Incorporação: Compra - Adquirido a Casa Crispim - Nazaré
MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Tecido; Escocês (algodão?)
Dimensões (cm): altura: 28,5; largura: 17,5;
Descrição: Algibeira periforme, de tafetá de lã de
cor rosa à frente e tecido de padrões geométricos atrás. É debruada, a toda a
volta, por uma fita de escocês de algodão (?). A decoração frontal consiste
numa cercadura em ziguezague, a qual segue, aproximadamente, os limites da
algibeira. O ziguezague é executado a linha de cor vermelha. É ornado nos seus
vértices exteriores por pequenos pontos de lã de cor amarela e, nos seus
vértices interiores, por pequenos pontos de lã de cor azul escura. No centro da
cercadura, em baixo, a meio, apresenta espécie de cálice de cor azul escura, de
duas asas e de base triangular de cor amarela. A ladeá-lo, dois "X"
executados a lã de cor vermelha. Do cálice brota uma flor, orientada no sentido
longitudinal, cujo caule é executado a lã de cor vermelha e as pétalas, a lã de
cor verde. Deste caule central brotam, diagonalmente, quatro outras flores
(duas de cada lado): as inferiores, de caule executado a lã de cor verde a
pétalas a lã de cor amarela; as duas superiores de caule executado a lã de cor
amarela e pétalas a lã de cor azul escura. As pétalas da flor central são
ladeadas por iniciais, uma de cada lado: do lado esquerdo, um "C"; do
lado direito, espécie de "B". A ladear a abertura da algibeira, em
sentido longitudinal, dentro da cercadura, acima das iniciais, uma linha em
ziguezague, executada a lã de cor verde. O tecido que forra o interior da
abertura da algibeira apresenta uma espécie de reticulado de cor rosa sobre o
qual se dispõem barras delgadas transversais de cor rosa, acompanhadas a todo o
comprimento por pequenos quadrados de cor vermelha, alternadas com barras
delgadas formadas por três linhas intermitentes: verdes as exteriores e
vermelha a interior. O tecido de trás da algibeira é do mesmo tipo do forro da
abertura.
Proveniência: Alcobaça / Turquel
Datação: XIX d.C. - XX d.C.Matéria: Riscado (algodão?); Tecido
Dimensões (cm): altura: 29; largura: 17,5;
Descrição: Algibeira periforme, de riscado de algodão (?) de cor preta na frente e tecido de cor cinzenta atrás. É debruada a toda a volta por uma fita de algodão de cor preta, que, na aresta superior, se prolonga para ambos os lados. A meio da altura apresenta, espaçados entre si, dois bolsos, de forro de tecido de cor cinzenta, debruados, em cima e em baixo do corte da abertura, por fita de algodão de cor preta. Ao centro, apresenta motivo hastiforme de tecido de cor azul debruado a fita de algodão de cor preta. Tal motivo é constituído por duas partes: é cortado a meio pelo bolso inferior e corta a meio, por sua vez, o bolso superior, sobrepondo-se-lhe, de baixo para cima, como uma pataleta. A parte inferior do motivo, a correspondente à pala do bolso inferior, tem, como elemento decorativo, uma costura executada a linha de cor preta, a qual segue, interiormente, os contornos da forma onde está inscrita. Na parte de trás, a algibeira apresenta um bolso ligeiramente deslocado do centro para cima.
Proveniência: Aveiro / Murtosa
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Veludo (seda?); Flanela (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 31; largura: 18,5;
Descrição: Algibeira de formato periforme, com a
parte da frente em tecido de lã de cor preta, e parte de trás em flanela industrial
de três tipos: o de cima, de fundo vermelho, é estampado com motivos
fitográficos estilizados de cor preta; o do meio apresenta um fundo de cor
castanha estampado com motivos geométricos de cor laranja dispostos segundo um
reticulado diagonal; no inferior, semelhante ao anterior, os motivos
geométricos são de cor rosa. Entre a flanela superior e a do meio, abre-se um
bolso transversal, da largura da algibeira. Todas as orlas da algibeira são
debruadas por uma fita de cor preta. Na extremidade superior, tal fita
estende-se para além dos limites laterais da algibeira, caindo livremente. No
restante perímetro, a fita é adornada com uma linha de ponto espiga executado a
fio de lã de cor amarela. A meio da altura, a algibeira apresenta uma abertura
transversal. Acima e abaixo dela estão aplicados, simetricamente, dois retalhos
triangulares, em veludo de seda (?) de cor castanha. As orlas dos retalhos são
também adornadas com ponto espiga. No vértice superior e inferior,
respetivamente, apresentam ainda uma espécie de flor / estrela bordada a fio de
lã de cor amarela. Na parte inferior da algibeira, com o mesmo fio, estão
bordadas as iniciais "B. R."
Proveniência: Évora / Estremoz
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Chita (algodão); Veludo (seda?); Renda (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 24; largura: 17;
Descrição: Algibeira cordiforme com a parte da frente
em tecido de algodão (?) de cor branca, e parte de trás em chita do mesmo material,
de cor vermelha, estampada com motivos fitográficos de cor branca. À frente, na
metade superior, surge a boca de um bolso, em forma de raia. Tanto as orlas da
boca, como as da algibeira são debruadas por uma fita em veludo de seda (?) de
tom esverdeado. Nos vértices superiores, tal fita prolonga-se, caindo
livremente. Sobre o tecido de algodão (?) que constitui a frente da algibeira,
surge um forro em renda de croché de cor castanha, formando um reticulado
ortogonal. Nele estão bordados motivos ilegíveis, executados a fio de lã de cor
branca, rosa, amarela e verde. Um desses motivos, abaixo da boca do bolso,
aparente ser um coração de cor rosa e branca, contornado por ramificações nas
cores atrás referidas.
Proveniência: Évora / EstremozDatação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Chita (algodão); Sarja (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 16;
Descrição: Algibeira com o formato de um retângulo de
vértices inferiores arredondados. A parte da frente é em tecido de lã de cor
preta. A parte de trás é forrada no mesmo tecido e, na extremidade inferior, a
sarja de algodão da mesma cor. Todas as orlas da algibeira são debruadas por
uma fita de lã de cor azul. Nos vértices superiores está aplicada uma fita
semelhante, que se estende caindo livremente. Ao centro, surge a boca arqueada
de um bolso interior. A sua orla é também debruada com uma fita de lã de cor
azul. Interiormente, o bolso é forrado a chita de algodão de tom amarelado,
estampada com motivos florais de cor roxa, branca e rosa. À frente, a algibeira
apresenta bordados executados a fio de lã de cor verde, vermelha, azul,
amarela, branca, rosa, laranja e roxo. Acima da boca do bolso, os bordados
formam a inicial "D"; abaixo, formam um grande motivo foral.
Proveniência: Évora / Borba
Datação: XIX d.C. - XX d.C.Matéria: Flanela (lã); Tecido (lã); Tecido (lã, algodão?)
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 20;
Descrição: Algibeira de formato trapezoidal, forrada,
atrás e à frente, a flanela de lã de cor preta. As suas orlas são debruadas por
uma fita de lã de cor azul. À frente, apresenta uma abertura triangular de
arestas arqueadas. Na aresta inferior, está aplicado um retalho em tecido de lã
de cor verde, listado, de espaço a espaço com três linhas longitudinais de
"levantados" de cor preta. Este retalho apresenta uma forma simétrica
à da abertura. Interiormente, a algibeira é forrada a tecido de lã e algodão
(?) de cor branca e castanha, lavrado com listas transversais tracejadas nas
mesmas cores, e bandas compostas por listas de cor branca, castanha e vermelha.
Proveniência: Loulé / AlteOutros artigos relacionados:
AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I– MINHO
AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II– DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES
quinta-feira, outubro 09, 2014
segunda-feira, outubro 06, 2014
PEÇAS DO VESTUÁRIO TRADICIONAL ALGARVIO
O Museu de Arte
Popular possui na sua coleção diversas peças de vestuário provenientes da Casa
de Portugal em Paris, por transferência do ICEP (Instituto do Comércio Externo
de Portugal) criado em 1982 e extinto em 2007.
Dessa coleção divulgo
hoje alguns exemplares do vestuário tradicional feminino do Algarve, alguns com
a indicação expressa de terem sido confecionados em Luz de Tavira.De entre essas peças de destacar um conjunto de 4 blusas, que no Algarve têm a designação de “Batas”. Ou seja, uma peça que cobria a camisa e o corpete, vestidos junto à pele e que se usaram pelo menos desde o séc. XIX e ainda hoje são vestidas pelas mulheres mais velhas.

Matéria: Algodão (chita), plástico (botões), metal (molas)
Técnica: Estampagem em tons de azul, verde e vermelho
Dimensões (cm): altura: 46,5; largura: 34,5; comprimento: 51;
Descrição: Bata ou
blusa com gola de bico pequeno, sem pé; frentes ajustadas com molas; decoradas
com botões redondos vermelhos sugerindo um barco à vela, inserida num círculo.
Cintura marcada com elástico e pequena aba. Costas direitas, com a mesma marcação
na cintura e aba; mangas compridas com punho pequeno fechado com mola.

Matéria: Algodão, viscose (?), plástico (botões)
Técnica: Tafetá, renda bilros manual e mecânica (?)
Dimensões (cm): altura: 63,5; largura: costas 38; comprimento: 57;
Descrição: Blusa ou
bata com decote com cós rematado com renda, frente inteira, com costura a meio
ladeada por uma pinça de cada lado; aplicação de renda sugerindo peitilho,
contornado com banda rematada com renda idêntica à do peitilho e à do cós.
Atrás, abertura fechada com 8 botões. Manga comprida decorada com entremeio
aplicado e renda na extremidade terminando sem punho. A orla da frente e das
costas é guarnecida com renda idêntica à das mangas.

Matéria: Algodão, plástico (botões), metal (molas)
Técnica: Tafetá estampado
Dimensões (cm): altura: 53; largura: 44; comprimento: 56;
Descrição: Bata ou
blusa com gola de bico, frentes ajustadas com molas escondidas sob a carcela
decoradas com botões circulares (boias ) tendo no dentro um barco à vela; linha
de cintura marcada com elástico formando uma pequena aba; costas sem costuras e
aba a partir da cintura; manga comprida com punho ajustado com duas molas. No
interior junto à gola etiqueta com o nº 13.
Matéria: Algodão e fibra (?)
Técnica: Tafetá e bordado
Dimensões (cm): altura: 62; largura: 42; comprimento: 63;
Descrição:
Bata ou blusa com gola de bico, decote justo; frentes formando aba, com carcela
e casa abertas, sem botões; costas com costuras laterais e aba; manga comprida
com folho, (evasé) junto ao punho. gola, frentes, carcela,. aba e folho das
mangas decorados com bordado tipo inglês. O facto de no lugar dos botões, estar
só marcado com linha, penso que não tenha sido usado.

Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá estampado com motivos florais e geométricos azuis
Dimensões (cm): altura: 63,5; largura: 58;
Descrição:
Avental com cós na cintura e tiras para atar atrás; franzido ligeiramente em
cima, termina com bainha estreita, sem qualquer outro enfeite.
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado com silvas floridas e tracejado azul; bordado branco
Dimensões (cm): altura: 57; largura: 47;
Descrição:
Avental com cós na cintura e fitas para atar atrás; na frente, a parte do
centro do tecido, posto na diagonal, está cortado em viés e decorado com 3
aplicações de entremeio bordado; ladeando a parte central, duas tiras nesgadas
com bolsos de chapa aplicados franzidos em cima e contornados por bordado. Na
orla da peça, folho de bordado (tipo inglês).
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado e bordado
Dimensões (cm): altura: 56; largura: 67;
Descrição:
Avental com cós na cintura e fitas para dar a laçada atrás; bolsas de chapa
contornadas com bordado a branco (bordado inglês) e orla guarnecida com folho
pregueado.
Matéria: Lã, seda, algodão
Técnica: Sarja, tafetá
Dimensões (cm): altura: 77; largura: 33;
Descrição:
Saia com cintura com cós estreito e abertura lateral à esquerda; na frente, o
pano liso com costura nesgada, panos laterais e os de trás franzidos na cintura
e ornamentados com 3 fitas vermelhas na orla e 6 botões forrados do mesmo
tecido da saia. No interior, forro cor-de-rosa para proteção da saia e para
dar-lhe melhor cair.

Matéria: Lã azul, algodão (galão) vermelho e amarelo
Técnica: Tafetá, galão
Dimensões (cm): altura: 77; largura: 34;
Descrição:
Saia com cós na cintura, lisa na frente e franzida aos lados e atrás; galão
aplicado em baixo, exceto no pano da frente; abertura na cintura fechada com
colchete. No interior, forro na orla. O corte da saia é de influência burguesa.
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e bordado mecânico
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 250;
Descrição:
Saiote ou anágua franzida com elástico na cintura, dois refegos a meia altura;
folho alto decorado na orla com outros dois refegos, guarnecido com bordado.
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e bordado mecânico
Dimensões (cm): altura: 69,5; largura: total 228;
Descrição:
Saiote ou anágua franzido com elástico na cintura, folho a meia altura da saia
terminando com 3 refegos e bordado mecânico na orla.
Sobre
o uso de culotes pelas mulheres do povo é um assunto polémico, sobre o qual já muito se escreveu e debateu. Opiniões
à parte, aqui ficam algumas exemplares que fazem parte desta coleção.
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e bordado mecânico
Dimensões (cm): altura: 58; largura: cintura 46;
Descrição:
Culotes franzidos na cintura, pernas até meio da caixa; apertadas com elástico
e rematados com bordado.
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e renda mecânica (?) de bilros
Dimensões (cm): altura: 52; largura: 22;
Descrição: Culotes, franzidas na cintura com elástico, pernas até ao joelho terminando com renda.

Datação:
Séc. XIX - XX (?)
Matéria:
Couro, fio de algodão (atacador) e metal (pregos)Técnica: Curtimenta, tingida de preto
Dimensões (cm): altura: 4; comprimento: 24,5;
Descrição:
Bota do pé esquerdo. De cano curto, fechado sobre o peito do pé com atacador;
gáspeas lisas, sola com tacão. Vestígios de uso na sola.

Datação:
Séc. XIX - XX (?)
Matéria:
Pele pretaTécnica: Curtimenta
Dimensões (cm):altura: 3,8; comprimento: 25,5;
Descrição: Bota de mulher, para o pé direito. Bota com salto, apertada sobre o peito do pé com atacadores.

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado
Dimensões (cm): largura: 76,5; comprimento: 79,5;
Descrição:
Lenço quase quadrado, decorado com motivo de repetição composto por
enrolamentos e grinaldas floridas em tons de verde e cor-de-rosa, sobre fundo
cinzento. Orla embainhada. Este lenço parece ter sido confecionado com um
tecido, não destinado a lenço.
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado
Dimensões (cm): altura: 72; largura: 72;
Descrição:
Lenço de cabeça, quadrado decorado com motivos de sabor oriental; no campo,
motivos de inspiração floral em tons de castanho, amarelo e verde,
destacando-se sobre fundo azul-turquesa; barra com cornucópias entrelaçados e
motivos florais nos tons já referidos, terminando com tarja azul na
extremidade.
Fonte:
http://www.matriznet.dgpc.pt/
Museu de Arte Popular
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