sábado, agosto 08, 2015

TRAJES DE FESTA – POMBAL – BEIRA LITORAL


A imagem que vos apresento retrata três figuras femininas e uma masculina em trajes de festa da região hoje conhecida como Pinhal Litoral, outrora Beira Litoral.
Não querendo efetuar uma descrição exaustiva destes trajes, destaco aqui duas peças.
Em primeiro lugar a Saia de Costas, que era utilizada como agasalho pelas mulheres e que possui um corte muito semelhante às saias de fora.
A outra peça que destaco é a jaqueta de pelúcia utilizada pelo homem, provavelmente com alamares, que revela poder económico já que estas eram bastante caras.
Concluo com uma chamada de atenção para a encenação da imagem. O casal conversa enquanto outras mulheres, amigas ou familiares da rapariga, se mantêm por perto. Eram assim os namoros antigamente, vigiados e com uma distância de segurança entre homem e mulher “não fosse o diabo tesselas”.

quarta-feira, agosto 05, 2015

CAMISOLA DO PASTOR DA SERRA DA ESTRELA


Rancho Folclórico Os Pastores de São Romão
Antigamente as grandes famílias de pastores, costumavam mandar fabricar, com a lã das suas ovelhas, grandes peças de surrobeco, de saragoça preta, de saragoça castanha – escura e de xadrez (raxa), que depositavam nas alfaiatarias, onde mandavam fazer os fatos para toda a família.
 
Em geral, cada pastor tinha sempre um fato domingueiro, um de surrobeco, uma camisola de xadrez, com aplicações nos bolsos e nas mangas, hoje chamada “casaca de pastor” com rendilhados, que se vulgarizou, alguns coletes de vários feitios e uma capa de um pano mais escuro e mais fraco.
 
Por vezes a camisola, que hoje chamam “o casaco de pastor”, não possuía rendilhados a preto, nem botões de metal amarelo, apenas uns vivos pretos nos bolsos e nas mangas e botões de massa ou plástico para apertar á frente.
 
Esta peça acentuava a identidade do pastor, pois quando decorada, que era toda trabalhada com tecido preto, aplicando-se desenhos diferentes de família para família.
 
Esta camisola está hoje muito divulgada e é a imagem de marca dos pastores da Serra da Estrela.

Fig.1

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido de lã axadrezado padrão branco e castanha (raxa)
Dimensões (cm): altura: 61; largura: 160;

Camisola de tecido de lã axadrezado: fundo de cor creme cortado por listas ortogonais de cor castanha escura.
FIG 1

Aberta ao centro, do decote redondo até à extremidade inferior, fechando por meio de cinco botões de plástico de cor preta ou castanha escura.

Na aba esquerda, da extremidade superior da abertura, parte uma tira de tecido de cor preta que percorre o perímetro do pescoço, alargando-se em espessura. Termina na extremidade superior da aba direita, descendo daí pela abertura, em forma de peitilho.

O peitilho é feito de dois panos lado a lado espaçados entre si. O da esquerda contém quatro das casas; apresenta três espaços recortados em espécie de triângulos. O pano mais à direita é afunilado e apresenta ao centro três espaços cortados, muito finos, longitudinais, sendo que o superior forma espécie de "V". Apresenta do lado direito, à altura do terceiro e quarto botões, entre a extremidade inferior do peitilho e as costas da camisola, um bolso de formato retangular. O cós é de tecido de cor preta, de formato pentagonal, de ápice invertido. Apresenta ao centro uma casa orientada no sentido longitudinal, que fecha por meio de um botão de plástico de cor preta, cosido no interior do bolso, à camisola.

As mangas são muito retalhadas, sendo que alguns destes retalhos apresentam um outro interior do mesmo tecido da camisola, que os forra. A extremidade inferior das mangas apresenta vestígios de guarnição com tecido de igual qualidade ao do peitilho e do cós do bolso.

Proveniência: Seia / Sabugueiro

 
Fig.2

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido de lã axadrezado padrão branco e castanha (raxa); Metal
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 104;
FIG 2

Camisola de tecido de lã axadrezado: fundo de cor creme cortado por listas ortogonais de cor castanha escura.
 
A zona do pescoço é de corte redondo. Daí, um pouco chegada à esquerda, segue a abertura da camisola, que se estende à extremidade inferior desta.
 
Apresenta aplicação de tecido de lã de cor preta, que parte da zona da ombreira direita, contorna o pescoço e desce justaposta à aba direita da abertura, afunilando até cerca de um palmo da extremidade inferior da camisola. Forma-se assim o peitilho.
 
O peitilho é ponteado a linha de cor preta. É de limites recortados em "ziguezague". O seu interior apresenta espaços recortados, formando padrões geométricos. Na aresta lateral direita, apresenta, dispostos no sentido da altura, cinco botões metálicos, de cor dourada em forma de disco, meramente ornamentais. A aresta lateral esquerda apresenta cinco casas que permitem o abotoamento da abertura da camisola por cinco botões presentes na aba oposta. Estes botões são semelhantes aos descritos anteriormente. Na zona do peito, do lado esquerdo, justaposto ao peitilho, um pequeno bolso de formato quadrangular de fundo de vértices arredondados. Os contornos do bolso são guarnecidos com um ponteado executado a linha de cor preta. Apresenta cós com uma aplicação do mesmo tecido preto, de limites recortados. Tal aplicação é também recortada no interior formando padrões geométricos. Junto à extremidade inferior do peitilho, de cada um dos lados da abertura, surge um bolso largo, que desce quase até à extremidade inferior da camisola. É de iguais características ao descrito anteriormente.
 
As mangas apresentam no canhão, igual aplicação a toda a volta de tecido preto, também interiormente recortado. O canhão contém uma pequena abertura, que pode ser fechada por meio de um botão semelhante aos do peitilho.

Proveniência: Gouveia / Folgosinho

RAXA - Tecido de xadrez branco e castanho, que era utilizado na confeção da camisola. O tecido de raxa, não era pisoado, uma vez que o casaco era para ser usado por baixo da capa.
Rancho Folclórico Os Pastores de São Romão

Fonte: Museu Nacional de Etnologia

Outros artigos relacionados: Traje da Serra da Estrela

quarta-feira, julho 29, 2015

SAIAS DA NAZARÉ

O traje das mulheres da Nazaré é conhecido pelo uso de muitas e bonitas saias. Hoje publico alguns exemplares pertencentes ao Museu Dr. Joaquim Manso, situado no Sitio da Nazaré, e que merece bem uma visita.

SAIAS DE CIMA

Fig.1
Datação: XX d.C. - Anos 1950
Matéria: Lã (escocês e castorina); algodão
Dimensões (cm): altura: 68;
Descrição: Saia de "de cima" de duas rodas. A primeira roda é de escocês e a de baixo de castorina. Afeiçoa à cintura por pregas estreitas que são apenas armadas no cós "desalvorada". O cós é constituído por um debrum de fita estreita que excede as dimensões da cintura em duas pontas que caiem soltas junto à abertura lateral. Bainha larga. A orla é guarnecida com fita preta de lã.
Proveniência: Nazaré.
Origem / Historial: Para usar no traje de trabalho.
 
Fig.2
Datação: 1953 d.C.
Matéria: Lã (escocês); seda
Dimensões (cm): altura: 70;
Descrição: Saia de escocês aos quadrados azuis e brancos com riscas amarelas e pretas. Afeiçoa à cintura por meio de pregas estreitas exceto à frente que é lisa. O cós é constituído por um debrum de fita estreita de seda castanha que excede as dimensões da cintura em duas pontas que caiem soltas junto da abertura lateral. Bainha larga. Na parte superior da bainha, um "refegue" (nervura).
Origem / Historial: Para usar no Traje de Festa.
 
Fig.3
Datação: 1950 d.C.
Matéria: Lã fina (caxemira)
Dimensões (cm): altura: 72;
Descrição: Saia de caxemira aos quadrados azul e rosa. Afeiçoa à cintura por meio de pregas estreitas exceto à frente que é lisa. O cós é constituído por um debrum de fita estreita de seda castanha que excede as dimensões da cintura em duas pontas que caiem soltas junto da abertura lateral. Na parte superior da bainha, duas fitas paralelas de seda estreita vermelha.
Origem / Historial: Para usar no Traje de Festa.
 
Fig.4
Datação: 1946 d.C. - Primeira metade do séc. XX
Matéria: Tecido de lã fina; veludo
Dimensões (cm): altura: 59;
Descrição: Saia que afeiçoa à cintura por pregas estreitas. O cós é constituído por um debrum de fita de seda. Bainha larga e cercadura decorada com fita estreita de veludo preto, formando motivos geométricos (losangos).
Proveniência: Sítio da Nazaré.
Origem / Historial: Saia para usar no trajo de festa. É designada, a nível local, por "saia de arquinhos".
Fig.5
Datação: 1880 d.C. - 1890 d.C.
Matéria: Algodão (chita)
Dimensões (cm): altura: 94;
Descrição: Saia de algodão preto com raminhos brancos. Afeiçoa à cintura por meio de pregas estreitas, exceto à frente onde são mais largas. O cós é constituído por um debrum do mesmo tecido. Bainha larga forrada de chita de outro padrão.
Proveniência: Sítio da Nazaré.
Origem / Historial: Pertenceu a Soledade Lucas Marques Luzindro, cuja data de nascimento e morte é desconhecida, apenas se registando que a saia tinha 116 anos no momento da incorporação (1976). Vivia no Sítio da Nazaré, onde tinha uma loja de tecidos, na atual Rua 25 de Abril.
 
Fig.6
Datação: 1949 d.C.
Matéria: Merino
Dimensões (cm): altura: 71,5;
Descrição: Saia de merino preto e com 4 panos. É afeiçoada à cintura por meio de pregas estreitas, exceto a frente onde são mais largas, armadas no cós e vincadas numa altura de 9 cm, onde é bordada uma cercadura com motivos florais a ponto de cruz. A orla é guarnecida com uma barra de veludo preto com 20 cm, encimada por um conjunto de sete nervuras.
Proveniência: Sítio da Nazaré.

 
SAIAS DE BAIXO

Fig.7
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã
Dimensões (cm): altura: 58;
Descrição: Saia de fazenda de lã creme. É inteira, uma só roda, e afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido com fita de seda formando debrum. A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha verde e no centro destes, raminhos bordados à máquina.
Origem / Historial: Usa-se como saia interior, mas para usar no traje de festa.

Fig.8
Datação: 1976 d.C.
Matéria: Flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 69;
Descrição: Saia de flanela cinzenta, inteira, com bicos debruados a fita de algodão cor-de-rosa.
Origem / Historial: Para usar no traje de trabalho

 
Fig.9

Datação: 1936 d.C.
Matéria: Tecido de algodão cinzento e branco.
Dimensões (cm): altura: 67;
Descrição: Saia inteira (uma só roda). Afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido com uma tira de pano cosida do direito da saia e virada para o avesso formando um debrum. A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha perlé lilás, com "picot" em lã cor-de-rosa. No centro de cada "bico" raminhos bordados em várias cores, a ponto cheio e pé-de-flor.

Fig.10
Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de lã (escocês); flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 68;
Descrição: Saia "de baixo" do trajo de trabalho, com duas rodas. A de cima é de flanela cinzenta e a de baixo é de escocês. Bainha forrada de flanela cinzenta. Os "bicos" são debruados a fita de algodão colorida (verde).

Fig.11
Datação: XX d.C.
Matéria: Flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 73;
Descrição: Saia de flanela cor-de-rosa e amarela. É "inteira"(uma só roda). Afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido com uma fita de seda (ciré). A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha perlé azul.
Origem / Historial: É usada no trajo de festa.

Fig.12
Datação: XX d.C.
Matéria: Flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 76;
Descrição: Saia de flanela bege com motivos decorativos grenás e verde. É "inteira" (uma só roda). Afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido por uma fita de seda (ciré). A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha perlé vermelha.
Origem / Historial: Para usar no trajo de festa.

sexta-feira, julho 24, 2015

VÉU DE NOIVA - MINHO


Véu de noiva de forma quadrada, está decorado com bordado manual sobre os lados, que se distribui de modo desigual. O véu que se colocava na cabeça dobrado a meio, formava uma ponta que caia sobre as costas. Era este ângulo do véu que merecia mais atenção da bordadeira, escolhendo os motivos maiores para a barra e para a bissetiz deste ângulo. Nos restantes lados e sobre as outras bissetizes, os motivos são mais pequenos e executados com menos cuidado. Todo o centro apresenta pequenos motivos florais semeados. Pontos do bordado: passagem, ponto adiante e recorte. Motivos: flores, folhas, vaso com flores e motivos geométricos, zig-zag e semicírculos.

Local de Execução: Minho
Datação: Séc XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tule mecânico
Dimensões (cm): altura: 80; largura: 80;
Fonte: Museu de Arte Popular

terça-feira, julho 21, 2015

COLETE – ÁGUEDA – BAIXO VOUGA


Colete de seda de cor preta lavrado a motivos fitográficos de cor azul e amarela: espécie de flor com espinhos, de caule de cor azul e pétalas de cor amarela, alternada com uma forma tipo óvulo, executada a linha das mesmas cores. Tem um decote redondo em "U". À frente, do meio do deco
te, segue a abertura do colete até à extremidade inferior do mesmo. Cada aba apresenta quatro casas, podendo o colete ser fechado por meio de oito alamares de metal. Tais casas apresentam na sua ponta mais externa, uma espécie de "V" deitado, espinhado, executado a linha de cor azul clara. Os alamares, lavrados com motivos fitográficos representando uma flor aberta, são de formato redondo, e estão agrupados dois a dois por espécie de pinça metálica. Cada pinça permite abotoar duas casas. A zona da cava tem uma aplicação de veludo de cor preta, de formato retangular, que se estende até à extremidade inferior da casaca. Nas costas, apresenta aplicação de uma barra de tecido de veludo lavrado com flores de cor preta: cada pé tem duas folhas de limbo recortado, e termina numa flor aberta. Tal aplicação desce desde o corte do pescoço até à extremidade inferior da casaca, alargando aí. Forma no conjunto, espécie de "Y" invertido, cujos vértices mais inferiores, resultados de um corte no meio da aresta inferior da barra, formam dois pequenos rabos triangulares. Interiormente, todo o colete é forrado a tecido grosseiro de cor branca, à exceção do forro correspondente à banda das costas. Aí, o forro é de um tecido mais fino.

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Cetim (seda); Metal; Veludo; Tecido
Dimensões (cm): altura: 35; largura: 47;

Fonte: Museu Nacional de Etnologia

sexta-feira, julho 17, 2015

Traje masculino e de lavradeira de Vila Chã - Douro Litoral


Este traje encontra-se representado no Museu de Arte Popular através de dois modelos de bonecos que integram a coleção elaborada por Thomaz de Mello e Dalila Braga (ver Embaixada de Bonecos) e retratam uma ocasião festiva especifica de Vila Chã (Esposende) assinalada pelos chapéus de palha enfeitados com papel.

Este está associado ao arranque do linho que era feito em Julho. Grupo de rapazes e raparigas dirigiam-se bem cedo, para os campos, entoando lindas cantigas. Os seus trajos demonstravam alegria. Chapéus de abas largas e ornamentados com lindos ramos de flores, oferecidos pelas namoradas, eram motivo de grandes rivalidades. (in Vila Chã, Esposende uma Terra Milenar, Manuel Albino Neiva, Vila Chã, 1999, p. 200 e 201.)

Traje masculino

Trajo festivo composto por camisa branca de estopa bordada com linho vermelho na frente, bolso e nos punhos, calças também de estopa de linho de alçapão, decorada com pesponto sobre as costuras laterais; na cintura faixa preta. Na cabeça amplo chapéu das "arrigas". Calça, tamancos e segura nas mãos um cavaquinho.

Traje de lavradeira

Trajo festivo, composto por camisa de linho bordado no colete, ombreiras frentes e punhos, guarnecidos com renda; colete preto de rabinhos, bordados a missangas; saia de tecido misto de lã castanha e linho com pano preto; avental listado de várias cores, decorada com barras de veludo e bordados a vidrilhos e missangas; faixa preta sobre a anca; na cabeça lenço estampado sobreposto por chapéu das "arrigas". Calça meias rendadas e chinelas pretas. Nas orelhas brincos à rainha e no peito colar de contas e cordão com cruz de Malta, coração duplo e cruz de canovão. No interior tem saia de baeta vermelha e outra de algodão, culotes e uma camisa curta. Fato utilizado na zona de Esposende, Vila Chã - Douro Litoral. O modelo segura na mão uma espadela.

Chapéu das "arrigas"

Copa alta e aba larga levantadas na frente. Todo o chapéu está revestido com papel de lustro e papel de seda, franjeado e recortado, tendo na frente aplicado um ripo e uma enxada (miniatura) alusivos ao trabalho masculino na cultura do linho e no alto, um ramo florido de onde pendem cigarros oferecidos pela sua conversada. Do topo da copa caem fitas de papel. No interior do chapéu tem suporte de madeira para expor na vitrine.

Fonte: Museu de Arte Popular

segunda-feira, julho 06, 2015

LENÇO DE NOIVA – REGIÃO SALOIA


Este lenço foi utilizado por uma noiva no final da década de 20 do sec.XX, na região de Oeiras, e é a mais recente aquisição da minha coleção.

Data: Início do sec.XX
Material: Organza(?) de seda branca
Dimensões: 81x86 cm
Origem: Desconhecido
Recolha: Oeiras (região saloia)



sexta-feira, julho 03, 2015

LENÇO DE SEDA – REGIÃO SALOIA


O lenço de seda lavrada que descrevo hoje encontra-se na minha coleção há largos anos.
A sua recolha é uma história engraçada e exemplificativa do valor que por vezes se dá aos objetos.
No tempo em que não havia centros de ocupação de tempos livres, ficava ao cuidado de uma proveta vizinha, a Manecas, que possuía uma casa de pasto. O tempo avançou, tomei outros rumos, mas continuei a frequentar essa casa. Certo dia olhei para uma janela e vi um trapo com uma cor interessante a calafetar as frestas. Puxei por uma ponta e descobri com um lenço lindíssimo, de uma cor verde dourada. Descaradamente pedi-o. Pedido negado, a Manecas achava que era um trapo velho e precisava dele para tapar as frestas da janela por causa do frio. Sem demoras fui ao mercado, comprei um chouriço de pano e quando a Manecas deu por isso já o lenço estava em boas mãos e a janela guarnecida. Claro que ganhei o lenço, era difícil negar a oferta.
Posteriormente soube a história desta peça. Foi adquirido no final dos anos 20 do sec.XX e usado em dias de festa, como com o tempo o lenço caiu em desuso o seu destino teria sido provavelmente outro, não fosse a janela precisar de ser calafetada.
Data: Início do sec.XX
Material: Seda lavrada, cor verde/dourado, roxo e branco
Dimensões: 70x80 cm
Origem: Desconhecido
Recolha: Vila Fria – Oeiras (região saloia)



 

terça-feira, junho 23, 2015

ROUPA DE BAIXO V – Ceroulas(2)

Na sequência do artigo ROUPA DEBAIXO IV – Ceroulas, fui contactado por diversas pessoas e ranchos sobre esta e outras peças de indumentária masculina.

O Rancho Folclórico da Casa doPovo do Pego possui no seu acervo alguns exemplares de ceroulas e cuecas muito interessantes, cujas imagens divulgo.

A todos agradeço, pelo que atempadamente irei publicar os diversos contributos.














quinta-feira, junho 18, 2015

TECIDOS MANUFATURADOS EM TEAR CASEIRO DE VIANA DO CASTELO (2)


AVENTAIS

 Imagem 18
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: lã, linho
Dimensões (cm): altura: 71; largura: 83;


Imag.18
Descrição: Avental de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em tecido de lã de cor preta e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. A sua orla superior é guarnecida por uma fita de lã da mesma cor, que se lhe sobrepõe e o ultrapassa, caindo livremente. Na segunda altura do avental, o tecido é de urdidura de linho e trama de lã. Está dividida em duas zonas - uma superior e outra inferior - por uma fita de lã de cor preta e, acima dela, por um galão de tom dourado. A zona superior apresenta bandas longitudinais de cor preta alternadas com listas longitudinais de cores: vermelho, preto e branco. Na zona inferior, o tecido também é listado de modo semelhante, sendo que as bandas de cor preta dão lugar a outras com a mesma área, de cor vermelha, fina e muito intensamente listadas a preto. Todas as orlas laterais e inferior do avental são guarnecidas por uma fita de lã de cor preta.

 
Imagem 19
Local de Execução: Viana do Castelo / Perre
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 93;

Imag.19
Descrição: Avental de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em flanela de lã de cor azul e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Sobreposta à sua orla superior surge uma fita de lã de cor laranja, que se estende para além dos limites do avental, caindo livremente. Na segunda altura do avental, o tecido é manufaturado com urdidura rala de algodão e trama de lã. As suas orlas laterais e inferior são guarnecidas por uma fita de lã de cor verde. Justaposta às orlas laterais surge uma larga banda longitudinal, com fundo de cor vermelha, da qual brotam "levantados", formando uma espécie de motivos fitográficos, de cores: vermelho, preto, branco e rosa. Esta segunda altura está dividida em duas zonas distintas, uma superior e outra inferior. A zona superior apresenta um fundo de cor azul-escura cortado por listas longitudinais de cor vermelha ou largas bandas de "levantados", formando um "ziguezague", de cores: vermelho, rosa, amarelo e preto. Na zona inferior, surgem motivos em "levantados" que se dispõem segundo seis bandas transversais: a primeira é constituída por uma repetição de triângulos de cores: rosa, vermelho, amarelo, verde e branco; a segunda e a última banda apresentam uma alternância entre motivos em estrela e motivos fitográficos semelhantes a uma flor de cores: rosa, amarelo, branco, preto e vermelho; a terceira e a quinta banda apresentam uma repetição de motivos cordiformes de cor branca ou amarela; por último, a quarta banda apresenta a repetição de motivos semelhantes a uma lira de cores: vermelho, branco, verde, rosa e preto.

 
Imagem 20
Local de Execução: Viana do Castelo / Meadela
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: lã
Dimensões (cm): altura: 67; largura: 86;

Imag.20
Descrição: Avental de duas alturas, em tecido de lã manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em flanela de lã de cor vermelha, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Sobreposta à sua extremidade superior surge uma fita de lã de cor rosa, que se estende para além dos limites laterais, caindo livremente. Na segunda altura, as orlas laterais e inferior são debruadas por uma fita de lã de cor verde. Justaposta a ambas as orlas laterais, surge uma banda longitudinal de "levantados" de cores: vermelho e preto, formando retângulos e motivos em "X". A segunda altura do avental está dividida, transversalmente, em duas zonas - uma superior e uma inferior - por uma fita de lã de cor rosa e, acima desta, por um galão em "ziguezague" de cor branca. Na zona superior, o fundo, de cor preta, é cortado por listas de cores: preto e vermelho, ou por bandas de cor vermelha preenchidas por "levantados" de cores: preto e vermelho, formando motivos geométricos. Na zona inferior, os "levantados" dispõem-se segundo seis bandas transversais: a primeira consiste num "ziguezague" de cores: preto e vermelho; a segunda apresenta a alternância de motivos fitomórficos de cores: preto, vermelho e branco, com motivos em "X" de cor preta; a terceira banda apresenta estilizações de cálices de cores: preto e vermelho, para os quais estão viradas duas aves de cor branca; a quarta banda apresenta a repetição de um vaso, de cor preta ou vermelha, semelhante a uma lira, do qual brotam flores da mesma cor ou de cor branca; a quinta banda é semelhante à terceira e, por último, a sexta banda é semelhante à segunda.

 
Imagem 21
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 71; largura: 89;

Imag.21
Descrição: Avental de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em flanela de lã de cor vermelha e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. À sua orla superior está sobreposta uma fita de lã de cor azul, que se prolonga para além dos limites do avental, caindo livremente. A sua extremidade inferior é adornada por uma lista transversal de bordados a fio de lã, formando motivos geométricos de cor amarela ou branca, e, em ambas as extremidades, por uma espécie de cálice de cores: amarelo e verde. A segunda altura é manufaturada com urdidura de algodão oculta e trama de lã. As suas orlas laterais e inferior são debruadas por uma fita de lã de cor verde. Esta altura está dividida em duas zonas, uma superior e outra inferior, por uma basta, adornada, transversalmente, por um "ziguezague" bordado a fio de lã de cor amarela e, acima deste, por uma espécie de motivos em espiga de cor branca. Na zona superior, o fundo de cor vermelha é cortado, longitudinalmente, por listas de "levantados", que formam motivos geométricos de cores: lilás, vermelho, branco, amarelo, azul, rosa e verde. A zona inferior é completamente preenchida por "levantados" dispostos segundo oito bandas transversais. A primeira banda é constituída por um "ziguezague" de cores: amarelo e vermelho, intercalado por motivos de cor rosa. A segunda, quarta, sexta e oitava bandas, semelhantes, são constituídas por pequenos espaços quadrangulares de cores: amarelo, vermelho, branco, verde, laranja, lilás ou azul, no seio dos quais surge uma espécie de "8" nas mesmas cores mencionadas, mas sempre diferente da do fundo. A terceira, quinta e sétima bandas são constituídas por uma espécie de lista de losangos justapostos, em todas as cores referidas atrás.

 
Imagem 22
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 70; largura: 79;


Imag.22
Descrição: Avental de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em escocês de lã, com fundo de cor azul cortado por um axadrezado de cor vermelha, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Sobreposta à sua orla superior está uma fita do mesmo material, que se prolonga para além dos limites do avental, caindo livremente. A segunda altura é manufaturada com urdidura rala de algodão e trama de lã. As suas orlas laterais e inferior são debruadas por uma fita de lã de cor verde. Justaposta a esta fita, em ambas arestas laterais, surge uma larga banda de cor vermelha de onde brotam motivos em "levantados" de cores: rosa e amarelo, semelhantes a losangos. Esta segunda altura do avental está dividida em duas zonas, uma superior e outra inferior, por uma basta, que é debruada por uma fita de lã de cor rosa e adornada por uma outra de cor branca, cosida de modo a formar folhos. Na zona superior, o tecido é de fundo de cor preta cortado por finas listas longitudinais de cor vermelha ou branca, ou por largas listas de cores: vermelho, preto e branco. A zona inferior apresenta motivos em "levantados", que se dispõem segundo sete bandas transversais: a primeira é constituída por um "ziguezague" de cores: verde e branco, com pequenos apontamentos de cores: rosa e amarelo; a segunda e a sexta banda são semelhantes: apresentam uma repetição de espaços retangulares de cor vermelha ou preta, cortados por um reticulado diagonal da mesma cor; a terceira e a quinta banda são semelhantes: apresentam uma repetição de motivos em losango, de cor verde ou amarela, para os quais estão viradas duas aves de cor amarela, rosa ou verde; a quarta banda apresenta motivos em estrela de cor rosa alternados com motivos em losango de cores: branco e verde ou branco e rosa; por último, a sétima banda é constituída por uma sucessão de triângulos de cor rosa, verde, branca ou amarela.

 
Imagem 23
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 87;

Imag.23
Descrição: Avental de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em tecido de lã, com um fundo de cor castanha cortado por um axadrezado de cores: azul-escuro e vermelho, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Sobreposta à sua orla superior surge uma fita de lã de cor castanha, que se estende para além dos limites do avental, caindo livremente. Na segunda altura do avental, o tecido é manufaturado com urdidura oculta de algodão e trama de lã. As suas orlas laterais e inferior são debruadas por uma fita de lã de cor verde. Esta altura é dividida em duas zonas, uma superior e outra inferior, por uma basta, também debruada a fita de lã de cor verde. Na zona superior, surgem listas longitudinais de cores: preto e castanho, preto e vermelho ou preto e branco. Na zona inferior, o fundo do tecido é semelhante ao anterior. Apresenta, no entanto, motivos formados por "levantados" dispostos segundo oito bandas transversais: a primeira é composta por um "ziguezague" de cores: amarelo, rosa, verde e branco; as restantes sete são compostas por quadrados, formados por "levantados" de cor vermelha ou preta, intercalados com pequenos motivos em losango de cores: branco, amarelo ou rosa.

Imagem 24
Local de Execução: Viana do Castelo / Meadela
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 66; largura: 87;

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Descrição: Avental de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em flanela de lã de cor vermelha e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Sobreposta à sua orla superior surge uma fita de lã de cor rosa, que se prolonga para além dos limites do avental, caindo livremente. A segunda altura é manufaturada com urdidura rala de algodão (?) e trama de lã. A percorrer, longitudinalmente, ambas as orlas laterais do avental surge uma larga banda, semeada, regularmente, por motivos semelhantes a um cálice de cores: preto, rosa e amarelo. Esta segunda altura está dividida em duas zonas, uma superior e outra inferior. Na zona superior, o fundo de cor vermelha é cortado por listas longitudinais de cor preta e por bandas de "levantados", formando motivos geométricos de cores: verde e vermelho. Na zona inferior, surgem motivos constituídos por "levantados", agrupados em seis bandas transversais: a primeira é constituída por uma sucessão de triângulos de cores: rosa, branco, verde, amarelo e vermelho; a segunda e a sexta banda são constituídas por motivos poliédricos de cor preta ou vermelha, alternados com motivos em cruz de cores: rosa e amarelo ou amarelo e verde; a terceira e a quinta banda são constituídas, ora por um motivo semelhante a um vaso de cor branca, ora por um conjunto formado por duas aves de cor rosa, voltadas para dois corações de cor verde, fechados por uma chave de cor amarela; por último, a quarta banda é constituída por um reticulado diagonal de cor vermelha alternado com uma espécie de estilização de "alminhas" de cor amarela.