sábado, outubro 17, 2015

Traje de trabalho da Nazaré

A pesquisa e reconstituição dos nossos trajes regionais é uma atividade que tem cativado cada vez mais pessoas, muitos deles jovens.

É o trabalho de um destes jovens que aqui mostro.
João Pedro Guardado, um jovem nazareno de 22 anos, tem o prazer de não só recolher peças antigas como também de recriar velhos modelos.

As imagens seguintes recriam um trajo de trabalho feminino nazareno, misturado peças originais com recriações numa simbiose perfeita e de elevado interesse etnográfico.
Bem hajas João Pedro!







sexta-feira, outubro 09, 2015

MORANGEIRAS NO MERCADO DO PORTO

Enaltecendo as esbeltas e airosas mulheres do Minho que vendiam os famosos morangos do Porto, o semanário ilustrado Archivo Pittoresco (1857-1868), em 1861, publica um artigo em que faz diversas alusões à riqueza do trajar das mulheres dessa região.

Considerando as características do texto, preferi publicá-lo na sua forma original, já que ao transcreve-lo para português atual iria perder certamente muita da sua informação.

A imagem é baseada num desenho de Nogueira da Silva

quarta-feira, outubro 07, 2015

PEIXE ÀS DUAS de Fernando Ybarra





PEIXE ÁS DUAS do Nazareno Fernando Ybarra
Pequeno sketch teatral levado à cena pelo Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré no Centro Cultural da Nazaré

terça-feira, outubro 06, 2015

Nómadas do mar – representações pictográficas na praia de Paço de Arcos

Ao longo do sec. XIX e durante alguns meses da pesca, grande parte das povoações marítimas do norte de Portugal (Ílhavo, Murtosa, Ovar e Estarreja, que constituíam os varinos e os avieiros originários da Vieira de Leiria) percorriam essa costa até ao estuário do Tejo, aqui fixando-se por temporadas mais ou menos prolongadas.

Muitos subiram o rio vivendo nos próprios barcos ou instalando-se em povoações junto à borda-d’água, naquilo que seria terra de ninguém já que de vez enquanto era reclamada pelo rio.
Outros fixavam-se nas praias da Costa da Caparica e desde a torre de Belém até Paço de Arcos, paragens onde se podiam encontrar homens e mulheres destas tribos nómadas, que constituíam um tipo individual no nosso país.
Família de pescadores em Pedrouços - Marianne Baillie
Mulher de pescador de Paço de Arcos - Marianne Baillie
Marianne Baillie, uma jovem inglesa que residiu em Portugal entre 1821 e 1823, no seu álbum Costumes in Portugal: 1821-1823, deixou dois desenhos legendados retratando uma mulher e uma família de pescadores em Paço de Arcos e Pedrouços.
Pescadores de Ílhavo em Lisboa - Th. J. da Annunciação
Justamente na praia de Paço de Arcos, subjacente à velha igreja da Boa Viagem, Th. J. da Annunciação captou esta imagem, reproduzida em gravura por Pedroso, retratando dois ílhavos, cuja mulher destapa levemente a canastra onde dorme o seu pequeno rebento. (Archivo pittoresco, Volume 3, 1860).
Pescadores de Ílhavo – Coleção Palhares

Através da comparação com o quadro de Th. J. da Annunciação e a gravura de Pescadores de ílhavo da Coleção Palhares, podemos aferir que figuras retratadas por Marianne Baillie possuem a mesma origem, os varinos, primórdios da população de pescadores que se desenvolveu em Paço de Arcos.

Outros artigos relacionados: Os Avieiros; O Povo daBorda-d'água;

quinta-feira, outubro 01, 2015

Trajes de Festa – Nordeste Transmontano

Mulher:
Lenço de lã estampado com franjas
Camisa de linho
Colete/ Justilho de brocado de seda estampado
Faixa de Lã vermelha bordada em lã (dentro do colete) envolvendo o busto
Saiote de linho (enágua)
Saiote de baeta verde com fitas de veludo
Saia de fora em saragoça preta com fitas de veludo
Avental (Mandil) de seda lavrada com aplicação de veludo roxo
Sapatos pretos com fita de seda
Argolas de ouro
Colar de contas filigranadas de ouro com cruz

Homem:
Camisa de Linho
Colete (Jaleco) de Burel (Pardo) na cor natural da lã. Nas costas tecido de estopa.
Calção de alçapão (Pantalonas de alçapon) de Burel (Pardo) na cor natural da lã.
Meias de algodão
Botas de bezerro
Chapéu (Sombreiro) com fita de Seda

Fonte: Rui Magalhães

Outros artigos relacionados:
Trás-os-Montes - contextualização histórica e cultural; Caretos de Podence; Miranda do Douro; A Coroça; Trajo Feminino de Miranda doDouro; AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II; Capa de Honra de Miranda do Douro; Traje de Festa de Rio de Onor – Bragança; Trajes Femininos de ir á missa -Nordeste Transmontano;

segunda-feira, setembro 28, 2015

Trajes Femininos de ir á missa - Nordeste Transmontano


Traje de mulher abastada

Mantilha de Saragoça preta
Lenço de lã estampado com franjas
Camisa de linho
Colete/ Justilho de brocado de seda estampado
Faixa de Lã vermelha bordada em lã (dentro do colete) envolvendo o busto
Saiote de linho (enáguas)
Saiote de baeta verde com fitas de veludo
Saia de fora em saragoça preta com fitas de veludo
Avental (Mandil) de seda lavrada com aplicação de veludo roxo
Sapatos pretos
Argolas de ouro
Colar de contas filigranadas de ouro com cruz de ouro
 

Traje de mulher (com menos posses)

Lenço de lã estampada
Xaile de lã
Camisa de linho
Colete/Justilho de linho
Faixa de Lã vermelha (dentro do colete) envolvendo o busto
Saiote de linho (enáguas)
Saiote amarelo de baeta com bordados em lã
Saia de fora de burel verde sem ornamentos
Avental (Mandil) de burel castanho
Meias de lã
Botas de pele de borrego
Colar de contas de coral vermelho com cruz de prata

Fonte: Rui Magalhães

Outros artigos relacionados:
Trás-os-Montes - contextualização histórica ecultural; Caretos de Podence; Miranda do Douro; A Coroça; Trajo Feminino deMiranda do Douro; AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II; Capa de Honra de Mirandado Douro; Traje deFesta de Rio de Onor – Bragança;

segunda-feira, setembro 21, 2015

Traje da mulher de Almeirim – Ribatejo

O traje de festa da mulher de Almeirim era elegante, de cores vivas e atraentes, não havendo outro semelhante em toda a região ribatejana.
Rancho Folclórico da

A saia de cima, de castorina encarnada, era toda plissada, sendo ajustada na anca por meticulosos favos. As saias de baixo, de pano branco, eram rodadas e enfeitadas com folho e bordadas.

O casaco em chita, de modelo ao gosto da rapariga, arrematava atrás com “rabo de leque”, mais conhecido por “rabo de bacalhau”.

O avental era enfeitado com rendas ou caprichosamente bordado pelas mãos hábeis da rapariga, sendo atado por meio de um formoso laço.

Na cabeça, um vistoso lenço de merino ou de ramagens e aos ombros um cachené.

Calça meias brancas de carapuços, feitas à mão, e chinelas pretas.

Na anca, transporta uma algibeira rústica, onde guardava o lenço e outros objetos de uso pessoal.

Adornava-se naturalmente com ouro. Ricos brincos compridos ou argolas e ao pescoço um grande cordão, com uma peça (libra, medalhão, cruz, etc.).

sábado, setembro 12, 2015

Traje de Festa de Rio de Onor - Bragança


Homem:
Camisa de Linho (Camissa de Linho)
Colete (Jaleco) de Saragoça Preta. Nas costas tecido de estopa com picados em Saragoça.
Calção de alçapão (Pantalonas de alçapon) de Burel Castanho.
Meias de algodão
Botas com Sola de Madeira (Socos/Cholas)
Chapéu (Sombreiro) com fita de Seda

 

 
 
Mulher:
Lenço (Pano) de Lã estampada
Camisa de Linho (Camissa de Linho)
Colete de Brocado Preto (Justilho)
Faixa de Lã vermelha (dentro do colete) envolvendo o busto
Avental (Mandil) de burel com bordados em lã
Saia de Baieta de lã Roxa, com fitas de veludo
Saiote interior de lã vermelha
Algibeira de lã amarela com picado em tecido preto (faltriqueira)
Sapato Preto
Colar de contas de azeviche preto com cruz de prata
Complemento - Pandeireta para animar os bailes

Nota: Os nomes a negrito encontram-se em dialecto de Rio de Onor.

Fonte: Rui Magalhães
 
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domingo, setembro 06, 2015

Trás-os-Montes - contextualização histórica e cultural


É com imensa satisfação que recebo a colaboração do Rui Magalhães e passo a publicar alguns dos seus textos sobre os trajes transmontanos.
Como o próprio me salientou, não se pode falar dos trajes transmontanos e das suas particularidades sem uma prévia introdução no tempo e no espaço que o mesmo fez o favor de produzir.

Obrigado Rui.
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Por Rui Magalhães

Vou contextualizar historicamente e culturalmente a nossa zona, principalmente através de investigações sobre a área cultural da língua Ásturo-leonesa falada em Portugal, ou seja, o Mirandês (nos concelhos de Miranda, parte de Vimioso, e em aldeias de Mogadouro) e outras variedades do mesmo Asturo-leonês, como o Riodonorês e o Guadramilês, dialectos de Deilão e Petisqueira, faladas no concelho de Bragança, e muitas outras variedades de Português influenciadas pela língua Leonesa no Nordeste Transmontano.

Em Espanha, o Asturo-leonês é falado nas Astúrias e nas províncias de Leão e de Zamora.

Contextualizo com o factor língua Ásturo-leonesa, pelo simples motivo de que há muitos documentos sobre essa temática, contextualizando a cultura a ela inerente e as vicissitudes histórias da mesma área.

Muitos autores (nacionais e estrageiros), reconhecidos, nacional e internacionalmente, se debruçaram-se sobre o tema e ao mesmo tempo investigaram as origens históricas da nossa zona, tudo isto, consequentemente ajudará a entender a cultura local, que não podemos querer simplificar nem explicar com base noutras regiões que careçam do mesmo contexto histórico e cultural.

Breve História da Região

Em 297 d.C. dá-se a definitiva divisão administrativa da Península Ibérica.
A zona hoje ocupada pela antiga Terra de Miranda (muito maior que o actual concelho de Miranda, incluindo na época o concelho Miranda do Douro, grande parte do concelho de Bragança e concelhos de Vimioso e Mogadouro) no nordeste Transmontano, ficou a pertencer ao Conventus Iuridicus de Asturica Augusta (Astorga – Leão) e não ao de Bracara Augusta, como o resto de Trás-os-Montes.

Assim, a zona da antiga Terra de Miranda não pertenceu desde o início ao território posteriormente ocupado pelo Condado Portucalense, daí que por exemplo a língua aí falada não pertencesse ao sistema Galego-Português (a que pertence a língua Portuguesa) mas sim ao sistema Asturo-leonês (a que também pertence a língua Asturiana e os falares antigos da província de Zamora e Leão em Espanha).

Entre o séc. VII/VIII e XII a Terra de Miranda pertenceu à Diocese de Astorga (Leão/Espanha, mesmo fazendo parte de Portugal) e não à de Braga (como o resto do norte do país).

As Inquirições de Afonso III informam-nos de que a Terra de Miranda, entre os sécs. XII e XIV, foi recolonizada com gentes oriundas das terras de Leão em Espanha; recolonização essa, em que o papel primordial foi desempenhado pelos mosteiros cistercienses de Sta. Maria de Moreruela (Zamora/Espanha) e de S. Martinho de Castanheda (Zamora/Espanha), assim como pelo Mosteiro de Castro de Avelãs de Bragança (afiliado ao de S. M. de Castanheda), pela Ordem dos Templários de Alcanhices (Zamora/Espanha) e vários particulares.

Esta colonização, realizada numa região ainda hoje de baixa densidade populacional (39) e então decerto pouco menos de deserta, estendeu-se desde o princípio do século XIII até ao século XV, como admitiram o Abade de Baçal e Leite de Vasconcelos (40) – tempo mais que suficiente, se não para o estabelecimento, pelo menos para a fixação do dialecto leonês e cultura afim em terras já politicamente portuguesas.

Tudo isto ajudou a que a zona hoje ocupada pela antiga Terra de Miranda mantivesse, num período assaz importante para a história da língua Portuguesa, relações privilegiadas com as terras do antigo Reino de Leão e que a língua leonesa ocidental, idioma originário do Conventus de Asturica Augusta, se fosse reciclando em terras portuguesas, pelo menos, até ao séc. XIV.

Além da divisão dos reinos de Portugal e Leão em 1143 e do estabelecimento das fronteirasno tratado de Alcañices (1297), manteve-se uma unidade social e cultural entre as Terras de Miranda e as regiões espanholas de Aliste e Sayago (Zamora): um dialecto parente, as mesmas canções e melodias, a utilização de instrumentos parecidos e uma raiz comum dos costumes festivos, como, por exemplo, se mostra na  danza de palos (Matellán 1987: 43).

Uma outra questão que nos poderíamos colocar, é: «Como é que a língua leonesa se manteve até 1882, quando Leite de Vasconcelos a deu a conhecer e como conseguiu sobreviver até aos nossos dias?».

E porque teriam subsistido até hoje os dialectos leoneses e a particular etnografia e folclore desta região?

Por duas razões:

A primeira: O isolamento dessa região em relação ao resto do país, a que já Leite de Vasconcelos (Estudos 2, II) se referiu,

e a segunda, em parte consequência daquela: O singular contacto com as vizinhas terras do antigo reino de Leão, sobretudo terras de Aliste, Sanabria e Sayago - Zamora.

O isolamento desta zona com respeito ao resto do país e, pelo contrário, o contacto íntimo, quer fosse comercial, quer fosse social (casamentos) ou de convivência, fosse ela festiva ou laboral, sobretudo com os povos das regiões Zamoranas de Aliste, Sayago e Sanabria permitem explicar a sua conservação até aos nossos dias.

Do difícil acesso ao território mirandês por exemplo, fala-nos a narração quase heróica da viagem que Leite de Vasconcelos empreendeu do Porto a Deus Igrejas em 1883 e em que gastou cinco dias (58)!

O caminho-de-ferro só recentemente (1938) chegou a Duas Igrejas e restante zona Leste Transmontana (59).

Essa distância, junto com o facto de essa zona se encontrar numa zona até há pouco, esquecida, fez com que a língua Mirandesa e as manifestações folclóricas e etnográficas associadas ao espaço cultural específico ali ficassem como que de quarentena à espera de ser redescoberto por alguém como Leite de Vasconcelos.

De facto, até há cinquenta ou sessenta anos atrás chegar ao leste de Trás-os-Montes era bastante difícil graças aos maus acessos rodoviários.

Sobre as relações com o país vizinho falam-nos vários documentos publicados pelo Abade de Baçal (60) em que, desde D. João I a D. João III, se facilita o intercâmbio comercial entre esta região e os habitantes das terras de Aliste, Sayago e Sanabria.

Um deles porém (61) mostra-nos que essas relações não se limitavam ao comércio, mas que eram frequentes os casamentos e convívios diversos entre os dois lados da fronteira.

No final do século passado refere-se Leite de Vasconcelos (62) «às relações constantes com os espanhóis», que chegavam ao ponto de que alguns habitantes das aldeias raianas podiam, e podem na actualidade, falar com fluência o castelhano, além da sua própria língua (Mirandês ou outros dialectos Leoneses) e o português (trilingues).

Durante todos estes séculos o Português era, obviamente, conhecido mas usado apenas com os forasteiros: «os mirandeses fallam o mirandês entre si, empregando o português quando se dirigem a estranhos»

A primeira língua aprendida pelos falantes dessa região era o Mirandês ou as variedades do mesmo domínio linguístico Asturo-leonês (em aldeias do concelho de Bragança).

Diz-nos Leite de Vasconcelos: «A lingoa mirandesa é puramente doméstica, por assim dizer, a lingoa do lar, do campo e do amor: com um estranho o aldeão falla logo português. Como porém, em Duas-Igrejas todos sabiam ao que eu ia, fallavam mirandês comigo, e, quando eu por acaso lhes dirigia a palavra nesta ultima lingoa, elles riam-se muito, porque achavam o caso um pouco singular».

Penso que este enquadramento, facilita, para alguém que não é da zona ou que não tenha muitos conhecimentos sobre a mesma, contextualizar e entender o porque de haver uma cultura secular em que apesar da existência de fronteiras politicas, nunca teve fronteiras culturais, antes sim uma cultura em muitos aspectos comum nesta parte do distrito de Bragança e as zonas fronteiriça sobretudo da província de Zamora (Esta zona fronteiriça está culturalmente individualizada em relação ao resto da província de Zamora).

Notar também e que é importante, que apesar dessas vicissitudes, as pessoas sempre tiveram sentido de pertença à pátria, nunca se sentindo "Espanhois".

Além da província de Zamora (Castilha e Leão), que é a que abarca uma área maior de contacto/fronteira, estas particularidades ocorrem também em zonas fronteiriças com Galiza oriental, culturalmente um pouco diferente, sobretudo no concelho de Vinhais e aldeias no limite ocidental do concelho de Bragança, mas desta feita

Sabendo isto, entenderá que não se poderá dizer por exemplo que os trajes em Rio de Onor ou de qualquer outra aldeia, tem ou não influencia Espanhola, simplesmente eram os trajes da gente da terra, os trajes que conheciam e produziam com as próprias mãos, fruto das suas vivencias, tradições e cultura, aos quais tinham amor, e aos quais nós não podemos ter a pretensão de querer atribuir nacionalidades.

Penso que também ajudará a entender o facto de que uma grande parte do Romanceiro tradicional antigo, cantigas de festa, de trabalho e danças do leste transmontano, mesmo de áreas que não estão imediatamente na faixa fronteiriça, possam estar em língua castelhana pura, a par com muitos outras em Português e Mirandês, podem ser importações, mas são antiquíssimas, por isso, fazem parte há seculos da cultura popular do povo do nordeste transmontano, a gente aqui não se preocupava com as línguas.

Em Espanha os etnógrafos e associações estudiosas do tema, sobretudo das zonas de Aliste, Sanábria e Sayago (zonas concretas conservadoras e igualmente isoladas, em que os trajes regionais são conhecidos como sendo parecidos aos do leste transmontano), tem consciência que tem uma cultura em muitos aspectos comum com a nossa.

Não se tem que ter a obrigação de conhecer estas particularidades, nós aqui temos essa consciência que para se conhecer e entender alguns trajes, usos e costumes do nosso povo teremos que conhecer também a região fronteiriça vizinha, os nossos vizinhos do outro lado tem-na em relação a nós, transmontanos e Portugueses.

terça-feira, setembro 01, 2015

Romaria da Srª da Agonia, Viana do Castelo


Como não poderia deixar de ser, em período de férias era obrigatória a presença na maior romaria do Minho que tão bem celebra o seu traje regional.
Ficam algumas imagens dos muitos trajes que por lá desfilaram.



 






















 

sábado, agosto 08, 2015

TRAJES DE FESTA – POMBAL – BEIRA LITORAL


A imagem que vos apresento retrata três figuras femininas e uma masculina em trajes de festa da região hoje conhecida como Pinhal Litoral, outrora Beira Litoral.
Não querendo efetuar uma descrição exaustiva destes trajes, destaco aqui duas peças.
Em primeiro lugar a Saia de Costas, que era utilizada como agasalho pelas mulheres e que possui um corte muito semelhante às saias de fora.
A outra peça que destaco é a jaqueta de pelúcia utilizada pelo homem, provavelmente com alamares, que revela poder económico já que estas eram bastante caras.
Concluo com uma chamada de atenção para a encenação da imagem. O casal conversa enquanto outras mulheres, amigas ou familiares da rapariga, se mantêm por perto. Eram assim os namoros antigamente, vigiados e com uma distância de segurança entre homem e mulher “não fosse o diabo tesselas”.

quarta-feira, agosto 05, 2015

CAMISOLA DO PASTOR DA SERRA DA ESTRELA


Rancho Folclórico Os Pastores de São Romão
Antigamente as grandes famílias de pastores, costumavam mandar fabricar, com a lã das suas ovelhas, grandes peças de surrobeco, de saragoça preta, de saragoça castanha – escura e de xadrez (raxa), que depositavam nas alfaiatarias, onde mandavam fazer os fatos para toda a família.
 
Em geral, cada pastor tinha sempre um fato domingueiro, um de surrobeco, uma camisola de xadrez, com aplicações nos bolsos e nas mangas, hoje chamada “casaca de pastor” com rendilhados, que se vulgarizou, alguns coletes de vários feitios e uma capa de um pano mais escuro e mais fraco.
 
Por vezes a camisola, que hoje chamam “o casaco de pastor”, não possuía rendilhados a preto, nem botões de metal amarelo, apenas uns vivos pretos nos bolsos e nas mangas e botões de massa ou plástico para apertar á frente.
 
Esta peça acentuava a identidade do pastor, pois quando decorada, que era toda trabalhada com tecido preto, aplicando-se desenhos diferentes de família para família.
 
Esta camisola está hoje muito divulgada e é a imagem de marca dos pastores da Serra da Estrela.

Fig.1

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido de lã axadrezado padrão branco e castanha (raxa)
Dimensões (cm): altura: 61; largura: 160;

Camisola de tecido de lã axadrezado: fundo de cor creme cortado por listas ortogonais de cor castanha escura.
FIG 1

Aberta ao centro, do decote redondo até à extremidade inferior, fechando por meio de cinco botões de plástico de cor preta ou castanha escura.

Na aba esquerda, da extremidade superior da abertura, parte uma tira de tecido de cor preta que percorre o perímetro do pescoço, alargando-se em espessura. Termina na extremidade superior da aba direita, descendo daí pela abertura, em forma de peitilho.

O peitilho é feito de dois panos lado a lado espaçados entre si. O da esquerda contém quatro das casas; apresenta três espaços recortados em espécie de triângulos. O pano mais à direita é afunilado e apresenta ao centro três espaços cortados, muito finos, longitudinais, sendo que o superior forma espécie de "V". Apresenta do lado direito, à altura do terceiro e quarto botões, entre a extremidade inferior do peitilho e as costas da camisola, um bolso de formato retangular. O cós é de tecido de cor preta, de formato pentagonal, de ápice invertido. Apresenta ao centro uma casa orientada no sentido longitudinal, que fecha por meio de um botão de plástico de cor preta, cosido no interior do bolso, à camisola.

As mangas são muito retalhadas, sendo que alguns destes retalhos apresentam um outro interior do mesmo tecido da camisola, que os forra. A extremidade inferior das mangas apresenta vestígios de guarnição com tecido de igual qualidade ao do peitilho e do cós do bolso.

Proveniência: Seia / Sabugueiro

 
Fig.2

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido de lã axadrezado padrão branco e castanha (raxa); Metal
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 104;
FIG 2

Camisola de tecido de lã axadrezado: fundo de cor creme cortado por listas ortogonais de cor castanha escura.
 
A zona do pescoço é de corte redondo. Daí, um pouco chegada à esquerda, segue a abertura da camisola, que se estende à extremidade inferior desta.
 
Apresenta aplicação de tecido de lã de cor preta, que parte da zona da ombreira direita, contorna o pescoço e desce justaposta à aba direita da abertura, afunilando até cerca de um palmo da extremidade inferior da camisola. Forma-se assim o peitilho.
 
O peitilho é ponteado a linha de cor preta. É de limites recortados em "ziguezague". O seu interior apresenta espaços recortados, formando padrões geométricos. Na aresta lateral direita, apresenta, dispostos no sentido da altura, cinco botões metálicos, de cor dourada em forma de disco, meramente ornamentais. A aresta lateral esquerda apresenta cinco casas que permitem o abotoamento da abertura da camisola por cinco botões presentes na aba oposta. Estes botões são semelhantes aos descritos anteriormente. Na zona do peito, do lado esquerdo, justaposto ao peitilho, um pequeno bolso de formato quadrangular de fundo de vértices arredondados. Os contornos do bolso são guarnecidos com um ponteado executado a linha de cor preta. Apresenta cós com uma aplicação do mesmo tecido preto, de limites recortados. Tal aplicação é também recortada no interior formando padrões geométricos. Junto à extremidade inferior do peitilho, de cada um dos lados da abertura, surge um bolso largo, que desce quase até à extremidade inferior da camisola. É de iguais características ao descrito anteriormente.
 
As mangas apresentam no canhão, igual aplicação a toda a volta de tecido preto, também interiormente recortado. O canhão contém uma pequena abertura, que pode ser fechada por meio de um botão semelhante aos do peitilho.

Proveniência: Gouveia / Folgosinho

RAXA - Tecido de xadrez branco e castanho, que era utilizado na confeção da camisola. O tecido de raxa, não era pisoado, uma vez que o casaco era para ser usado por baixo da capa.
Rancho Folclórico Os Pastores de São Romão

Fonte: Museu Nacional de Etnologia

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