terça-feira, julho 08, 2014

ROUPA DE BAIXO I - Espartilhos e Corpetes

Por:
Marques, José Joaquim Ferreira


A importância do vestuário para a “Humanidade” data do tempo da “Antiguidade”, representando um símbolo da sua condição social.

Na civilização Ocidental, por volta do século XIII, apareceram as primeiras manifestações da moda. Os Reis e a Casa Real mostravam o seu poder e posição social através dos tecidos e dos modelos das suas vestes. Nos séculos XVII e XVIII, era a nobreza quem impunha as leis no que respeita à moda.

O Povo nunca teve acesso à moda, o traje popular era simples como simples era o Povo. O traje diferente de terra para terra, e de região para região, adquiriu carácter conservando algumas formas típicas, de tempos mais remotos e das civilizações que anteriormente à monarquia imperaram na Península.

            A indústria Têxtil e de confecção está directamente ligada a três inventos:

            - A máquina de fiar, roca e fuso (fig.1).

            - O tear (fig.2).

            - A máquina de coser (fig.3).

           
Fig. 1

 


 
Fig. 2
Fig. 3




Fig. 4
O vestuário, era confeccionado em oficinas de alfaiates, modistas (mestras), costureiras e pelas mulheres que sabiam “dar uns pontos”, (fig.4) reposição pelo Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira – Tomar, que depois de um dia árduo de trabalho, ainda tinham algum tempo para cuidar da sua roupa, da do marido e filhos.

O espartilho peça individual de estrutura rígida, quando apareceu era confeccionado por alfaiates, a partir de 1820 passou a ser produzido nas fábricas. Descendente do corpete do século XV, foi das peças de roupa de baixo que mais intimidade teve com a história da mulher.


         
Foi a partir do século XIV, que nos homens e mulheres surgiu a preocupação em dar forma à porção central do corpo, para isso usavam faixas apertadas em volta do corpo. Até à Idade Média, as mulheres usavam corselets (fig.5) para sustentarem os seios. Era uma espécie de colete justo por cima da camisa, atado por cordões pouco apertados, que a mulher do povo amarrava à frente, ao contrário do corpete da aristocracia, amarrado atrás e que exigia o auxílio de empregados.


Fig. 5

   
Com o passar do tempo esta peça deu origem ao espartilho (fig.6). Considerado uma peça íntima da mulher, moldou o corpo feminino de acordo com a história de cada período. Sendo um obstáculo ao trabalho, o espartilho foi considerado pela aristocracia um sinal de superioridade. Sofreu muitas mudanças com o passar dos anos chegando a ser abolido durante a Revolução Francesa. Atravessou quatro séculos e sobreviveu a regimes políticos, mudanças de comportamento e culturas, guerras e diferenças sociais.


Fig. 6

 
A I Grande Guerra dita a morte ao espartilho que foi substituído por cintas. Porém os seios precisavam de uma peça de roupa que os sustentasse, e foi assim que a partir do fim do século XIX apareceu o soutien. Este acessório apareceu pela primeira vez nos anúncios publicitários, apesar de não ter conquistado todas as mulheres passou a ser uma peça fundamental. A longa história do soutien começa com as romanas exibindo exíguos “bustiês”. Na Grécia antiga, as mulheres de Atenas usavam o antepassado do soutien, panos de linho que além de sustentarem e diminuírem os seios evitavam as provocações. Sucedendo ao espartilho, adoptou vários nomes antes de ser baptizado definitivamente como soutien: “beneficiador de busto”, “ampara seios”, “suporte de seios” e muitos outros, para caracterizar uma peça que estava entre o espartilho e o soutien.

Com o passar do tempo, surge em Inglaterra em 1886 uma armação de arame (fig.7) e seda, com o intuito de beneficiar os seios semelhante a um passador de chá.

Em 1889 em França pela mão de Hermine Cadolhe, é desenhado o primeiro soutien, a que deu o nome de “soutien-gorge”, inventando não só a peça como também o nome. Recortando a parte superior do espartilho Cadolhe libertou a mulher de uma peça pesada e incómoda. Os melhoramentos nesta peça essencial da roupa de baixo nunca mais pararam.

Fig. 7
Em 1889, tendo como finalidade manter os seios erectos, Fráuhein Christne Hardt de Dresden inventou uma peça de roupa denominada “corpete de senhora” ou “ampara seios”. As várias sucessões de criações desta peça de roupa leva-nos até 1914, quando uma americana May Anne Philp Jacobs resolveu atar dois lenços de seda ornamentando-os com fitinhas, estava criado o modelo que mais se aproximava do “soutien actual”. Peça de pouco uso pelo povo, pois o povo não tinha acesso à moda, foi substituída por um simples corpete (fig.8), recolhido em Riachos pelo Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Riachos, (fig.9 e 10) que sustentava os seios,  dava mais segurança à mulher no dia de trabalho e de festa. Supõe-se que, esta peça é descendente dos corselets usados na Idade Média, com a evolução deixaram de ser amarrados por cordões (fig.11) para serem abotoados à frente com botões. Confeccionados nos tecidos: linho, algodão e flanela, geralmente ornamentados com entremeios (fig.12,13 e 14), picou (fig.15 e 16)e rendas (fig.17,18 e 19), executadas pela própria pessoa que os usava.

Fig. 8

Fig. 9


Fig. 10


Fig.11

Fig. 12

Fig. 13

Fig. 14
Fig. 16
Fig. 15



Fig. 17

Fig. 18

Fig. 19

 
Fonte: Marques, José Joaquim Ferreira in "Roupa de Baixo/Conservação" Out.2009 



 

segunda-feira, julho 07, 2014

Festival de Folclore em Vila Fria


Cidade das Tradições - 2ª edição


Decorre de 19 a 21 de setembro a 2ª edição da Cidade das Tradições, um evento de referência da Fundação INATEL, que se realiza no Parque de Jogos 1.º de Maio, em Alvalade (Lisboa).

Trata-se de um grande evento festivo que reúne associações culturais e comunidades, agentes culturais e artistas envolvidos diariamente na missão de preservação e divulgação das artes e práticas culturais tradicionais, na sua variedade e diversidade de expressões e linguagens, nas áreas da música, dança, teatro, artes e ofícios e gastronomia tradicional.

A presença de artesãos e artífices na Cidade das Tradições, mediante a exposição e venda de artesanato, de produtos oficinais e de produtos gastronómicos regionais, e promovendo o contato direto com os públicos, tem como objetivo divulgar e apoiar as artes e ofícios e saberes tradicionais que lhes estão associados, na vertente de atividade profissional sustentável e inovadora.

Neste momento estão abertas as inscrições para os expositores.

CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO

1. Destinatários: Podem participar entidades individuais ou coletivas, públicas ou privadas, sendo da responsabilidade dos participantes o cumprimento dos deveres legais e obrigatórios impostos pelas atividades económicas e financeiras.

2. Seleção: A participação na Cidade das Tradições® está condicionada a uma seleção prévia segundo os critérios estabelecidos pela organização e enquadrados nos objetivos do evento, considerando, nomeadamente, a tipologia de artesanato e de produto regional, sua incidência geográfica e respetiva certificação de qualidade.

3. Condições preferenciais: A organização dá preferência a artesãos, artífices e produtores regionais que executem trabalhos ao vivo e que contribuam para o programa de atividades e para a animação cultural do evento, através da realização de workshops.

4. Inscrições: A participação na Cidade das Tradições® implica uma inscrição prévia, a formalizar mediante preenchimento e entrega da ficha anexa ao presente, via postal (Calçada de Sant’Ana, 180, 1169-062 Lisboa) ou via eletrónica (cultura@inatel.pt), acompanhada de fotografia ilustrativa da atividade exercida.

5. Atribuição de tendas: A participação na Cidade das Tradições® concretiza-se mediante a atribuição de tendas expositoras (3x3) e de tasquinhas de madeira (2x1,5), equipadas com ponto de luz, uma mesa e duas cadeiras, e está sujeita ao pagamento das seguintes taxas de cedência de espaço:

i. Exposição e venda de artesanato e de produtos oficinais – 70,00€ (acrescidos de IVA);
ii. Exposição e venda de produtos gastronómicos regionais – 110,00€ (acrescidos de IVA).

6. Termo de responsabilidade: A participação na Cidade das Tradições® implica a aceitação das condições descritas e uma declaração de responsabilidade no que respeita a normas de segurança, limpeza, manutenção e decoração dos espaços, após confirmação de admissão.

HORÁRIOS

7. A participação na Cidade das Tradições implica uma permanência durante os três dias do evento, respeitando os Horários de abertura e encerramento ao público e os horários de montagem e desmontagem dos expositores:

i. Horários de abertura e encerramento ao público
·         19 de setembro (sexta-feira) das 17h às 24h
·         20 de setembro (sábado) das 11h às 24h
·         21 de setembro (domingo) das 11h às 21h

ii. Horários de montagem e desmontagem dos expositores
·         Montagem até às 16h do dia 19 de setembro;
·         Desmontagem até às 18h do dia 22 de setembro.


Informações e Contactos:
Telefone: 210.027.150
ou na página do INATEL