
quarta-feira, julho 07, 2010
Museu Ibérico da Máscara e do Traje

segunda-feira, junho 21, 2010
Gente Nossa - Ciclo do Linho
sexta-feira, maio 14, 2010
Entrevista no site Café Portugal
Desta feita foi o site Café Portugal que me deu esse prazer e me honrou convidando-me para uma entrevista, que pode ser lida em Rádio(grafia).
Ao site Café Portugal os meus sinceros agradecimentos.
Bem hajam!
Carlos Cardoso
Capucha – Beira Interior
A imagem seguinte retrata um conjunto de mulheres serranas com a sua capucha feita em burel, no entanto, para além da capucha também algumas peças, como saias e avental, surgem confeccionadas neste material.Lamentavelmente não consegui descobrir a região em concreto, embora me pareça ser da Serra da Estrela.

segunda-feira, abril 05, 2010
Mulheres de Capote e Lenço – Algarve

domingo, março 21, 2010
Aventais do Minho
Os aventais que vos apresento pertencem ao trajo da lavradeira do Minho (Ribeira Lima), que no seu corte característico apresentam duas partes distintas.
A primeira, junto à cintura, designada por funéu ou emenda (conforme a localidade), consiste numa tira pregueada de tecido menos espesso (linho) do que o tecido do avental (linho e lã). Sobre esta tira surge normalmente uma decoração bordada a ponto de cruz, composta por monogramas, ou motivos da simbologia amorosa, o escudo real, ou ainda as palavras “Viana” e “Amor”.
O tecido em que os aventais eram confeccionados é semelhante ao que era utilizado nas saias (a serguilha) sendo aqui sujeito a redobrado cuidado. Aparecem na parte inferior do avental um conjunto de elementos decorativos geométricos e estilizados (pássaros, flores, silvas) que enriquecem a peça, anulando por vezes o próprio tecido de base. Estes motivos são conseguidos quer pelo emprego de fios de lã de cores variadas, quer pelo modo como os fios de trama são trabalhados, em relevo formando pequenas argolinhas, “topes” ou “moscas” como vulgarmente são chamados.
Descrição dos aventais das imagens:
De forma rectangular, a peça foi talhada no sentido da teia, sendo a sua altura acrescentada pelo funéu. Aperta na cintura com fitas.
Avental de serguilha vermelha e preta e de teia em linho branco, formando risca decoradas com moscas que formam quadrados, motivos florais e geométricos policromados, executados com agulha “fada do lar”. Funéu (cós) de estopa de linho bordado a ponto cruz, com fio de algodão vermelho formando o escudo real. Galão de fita de lã cor-de-rosa e verde.
De forma rectangular, a peça foi talhada no sentido da teia sendo a altura acrescentada pelo funéu. Aperta na cintura com fitas.
Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998
sábado, março 06, 2010
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Trajo Feminino – Glória do Ribatejo
As peças que agora descrevo pertencem à colecção do Museu de Arte Popular e são exemplificativas dessa originalidade desta população.
Casaco – de tecido de algodão cor-de-rosa, bordado a ponto cruz com fio de algodão azul e verde; renda de cochet executada com fio de algodão azul; botões de massa azul.
Decote e gola redonda; as frentes decoradas com motivos florais, renda aplicada sugerindo cabeção e peitilho, ajustadas com 5 botões. As mangas são compridas e fecham com punho e botão. Sobre a cintura, cinto do mesmo tecido ajustado com mola e colchete.
Avental – tecido de algodão verde-claro, bordado a ponto de cruz com fios policromados. De forma rectangular, franzido na cintura com cós e tiras para apertar nas costas; na frente aplicação de bolsos laterais. Na orla da peça, sobre as algibeiras e extremidades das tiras, rosas bordadas.
Taleigo (saco) – de tecido de algodão azul-claro, bordado a ponto de cruz formando motivos florais; renda de crochet em fio de algodão vermelho. Tem forma rectangular, apertando na parte superior com fita de nastro enfeitada com borlas vermelhas iguais às que decoram as extremidades inferiores. Ambos os lados são decorados com bordados e a legenda “Não te Quero” sobre uma delas. Toda a peça apresenta a orla bordada e rematada com renda.
Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Algibeira - Minho
Atadas à cintura, escondidas entre a saia de fora e a anágua, sempre que necessário a mão passava através da abertura disfarçada entre as pregas da saia.
No trajo erudito também é conhecido o seu uso. Durante séculos, os tecidos pesados e opacos ocultavam completamente a abertura da saia, que permitia o acesso a esta bolsa. Com as alterações introduzidas na moda durante o período do império (sec.XVIII), as alterações do corte dos vestidos, com cintura alta, e o uso generalizado de tecidos transparentes e leves, torna-se difícil o uso desta peça. Surgem as bolsas suspensas dos cintos ou dos ombros, em tecidos coloridos, bordados e posteriormente com armação em metal, conduzindo ao aparecimento das bolsas de mão.
No Minho vemos que a algibeira se insere tanto no trajo popular como erudito, tendo-se verificado a passagem de uma peça interior para um acessório externo, exibido para ser admirado com o restante trajo.
Nesta região assume uma forma curiosa, um coração estilizado, adaptando-se perfeitamente aos diversos tipos de trajo da região.
Os exemplares apresentados correspondem a algibeiras do trajo de trabalho e domingueiro, já que nas versões mais ricas e garridas o ponto cruz é menos utilizado, sendo substituído por aplicações de fitas, galões e pelo brilho das lantejoulas, das missangas e dos vidrilhos.
Na sua confecção é utilizado um molde de papel que se aplica sobre os retalhos de tecido pretendidos.
Depois de cosidos, eram decorados com a aplicação de fitas, de bordados e botões, de acordo com a inspiração e os materiais disponíveis. Para o forro era utilizado outro retalho de linho ou riscado.
A função da algibeira, que era usada presa com fitas sobre o lado direito, escondida entre a saia e o avental, é ao mesmo tempo decorativo e funcional.
Nele se guarda o lenço, o terço no segredo (pequena abertura escondida sob a pala), ou os poucos vinténs resultantes da vendo do produto da terra.
No trajo erudito este acessório passou a estar exposto aos olhares de todos. Perdeu a sua simplicidade inicial, para se afirmar pelo exotismo da forma, a riqueza dos materiais e pela exuberância da decoração.
Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Camisa do noivo – Guimarães – Minho
Como trajo de cerimónia por excelência, esta camisa acompanhou o seu proprietário ao longo da vida, apenas vestida em ocasiões especiais e tê-lo-ia acompanhado na mortalha, o que não ocorreu se por qualquer razão do acaso.
Esta camisa foi confeccionada em estopa de linho branco, bordado a ponto de Guimarães a branco e a ponto cruz com fio de algodão vermelho, formando legenda enquadrada por moldura de motivos florais e enrolamentos.
De corte tradicional, apresenta sobre a gola, ombros e todo o peitilho bordados a branco, cujos pontos ficaram conhecidos pelo nome de “crivo”, “nó”, “mercões”, “favos” e “canutilhos”. Sob o peitilho a legenda AMIZADE em ponto cruz.
A.L. de Carvalho, in Os Mestres de Guimarães, sobre a camisa de linho do lavrador de Guimarães escreve:
“…Quem lhe teceu o pano e costurou, a bordou, foram as obreiras rurais, que vivem paredes-meias com o lavrador.
O peito, o colarinho, as ombreiras, são bordadas a branco. Só a carcela é bordada a vermelho. Pontos: “mercões” e “favos”.
Esta camisa é o luxinho do lavrador, quando aparelhada com a jaqueta de alamares de prata, guarnecida a sutache e fita preta.
Tão rica – que nem a camisa da lavradeira lhe chega!”
Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998
sábado, fevereiro 06, 2010
Saloias do Espírito Santo - Ilha da Madeira
As manifestações exteriores de devoção ao Espírito Santo de maior expressão, são as «Visitas Pascais» ou vulgarmente denominadas «Visitas do Espírito Santo», que chegaram até aos nossos dias. Elas realizam-se entre o II Domingo da Páscoa e a solenidade da Ascensão. Entre os seus objectivos, está uma recolha de fundos para a Festa do Espírito Santo, para o «Bodo» ou a «Copa», para ajuda aos mais carenciados, ou para a fábrica da igreja, uma visita e bênção às famílias, levando até elas a presença da Páscoa.
Para o povo madeirense em geral, esta visita constitui uma verdadeira «Festa», pois reúne-se toda a família, para receber «O Espírito Santo», que vem abençoar a casa, a família. Os familiares mais chegados vêm de longe, convidam amigos e vizinhos, e todos podem participar da «Festa»: refeição melhorada, bolos, doces, bebidas licorosas, etc. Respira-se, normalmente, um espírito de fé, pois a visita é recebida com muito respeito e muita dignidade, e as ofertas costumam ser substanciais.
A Visita Pascal é, normalmente, presidida pelo Pároco, acompanhado por pessoas, homens ou mulheres, vestidos com opas vermelhas. Uma leva a Bandeira e outra o pendão com as Insígnias do Espírito Santo, que são beijadas pelos visitados, e ainda outra leva a bandeja ou «coroa» onde são depositadas as ofertas. Por vezes também ainda vai o ceptro, reminiscências das primeiras iniciativas que aproveitavam a Festa do Pentecostes, para demonstrar que o Espírito Santo é, de facto, o «Pai dos Pobres». Normalmente também vão duas «saloias», trajando de vermelho ou o traje típico regional, todas enfeitadas de ouro, as quais vão cantando os versos tradicionais do Espírito Santo. Podem ir ainda um ou dois tocadores de instrumentos regionais, sobretudo «Braguinha» e «Machete”, os quais podem ou não ser remunerados.
Nesta casa vai entrar
Mandado do Pai Eterno
Pra família abençoar.
Vinde Pai dos pobrezinhos
Esta família abençoai
A grandes e pequeninos
Vossas graças derramai.
As saloias trajavam e trajam, ainda hoje, vestido branco de linho, com botões de ouro no colarinho, manga curta franzida e saia também franzida.
Habitualmente o vestido é ornamentado com colares de ouro e folhas de alegra-campo verde. Sobre o cabelo trançado coloca-se uma carapuça enfeitada com colares e prendas de ouro.
Para completar o conjunto, bota chã e rica capa vermelha ornada de flores (perpétua amarela) e muitas prendas de ouro.
Artigos relacionados:
Trajes da Ilha da Madeira, Barrete de Orelhas, Carapuça, Técnica dos Bordados da Ilha da Madeira e História do Bordado da Ilha da Madeira
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Michel Giacometti, oitenta anos, oitenta imagens
Morreu em Faro no dia 24 de Novembro de 1990. Está sepultado na pequena aldeia de Peroguarda, no concelho de Ferreira do Alentejo.Em 1991, o Museu do Trabalho de Setúbal, com uma vasta colecção de instrumentos agrícolas e objectos do quotidiano recolhidos por Giacometti, passou a denominar-se Museu do Trabalho Michel Giacometti. A reabertura foi em 18 de Maio de 1995. O seu espólio encontra-se também noutros museus, como o Museu Municipal de Ferreira do Alentejo, o Museu da Música Portuguesa (Casa Verdades de Faria em Monte Estoril) e ainda o Museu Nacional de Etnologia.
A propósito desta exposição e para ilustrar uma das imagens, Maria Micaela Soares (Etnolinguista, fundadora do Serviço de Cultura e o Serviço de Etno-Linguística da Junta Distrital de Lisboa e que foi amiga e colaboradora de Michel Giacometti) escreveu o seguinte texto:
Fabricando Chinelos
Desdobravam-se as mulheres em invenções para calçarem os seus infantes. Com materiais grosseiros, suas mãos moldavam maravilhas que pregavam a solas de pau, de corda, de esparto. Sapatos lhes chamavam aquelas fabricantes de sonhos.
Sonho igual ao da Saloiinha de Cascais que dormiu na cama com uns estremecidos sapatinhos de pano cor-de-rosa, comprados na Feira de São Pedro de Sintra. Ou ao da jovem tecedeira de sapatos de trança, enrodilhada sobre o engenho, anos a fio, do amanhecer ao longínquo findar do dia, na urdidura do calçado que outros usariam. Haveria de tecer um par para si com as sobras da trança que fosse reunindo. Com palinha, lados, biqueira, contraforte, atacadores, num multicolorido a envergonhar o arco-íris, como o cobiçariam as outras raparigas! Levá-lo-ia ao balharico, onde a esperava o seu príncipe. Mas o lojista pesava, na entrega, a trança da meada e, na recepção, o produto acabado. Nada poderia sobrar, nada sobrou para ela, nem sapatos, nem príncipe. O tempo gerou muito tempo e ele, cansado da espera, partiu.
Saibas tu, ignota obreira de chinelos de pano (noutros lugares ditos de trapo ou de roupa) recusar histórias tristes. Quando Giacometti te imortalizou nessa imagem, sentada à porta de tua casa, lavrando os sapatos que seriam pão para a boca de teus filhos, pressentiu não seres destruidora de quimeras.
Artesã mágica, o tecido rústico que modelas será cristal quando a Gata Borralheira da tua aldeia pisar o estribo da abóbora vertida coche pela varinha de condão da fada nobre e bela.
Imagem
Autor: Michel Giacometti
Data: Setembro de 1973
Local: Paços da Serra, Gouveia
terça-feira, dezembro 29, 2009
Mulher da cidade do Porto

Assuntos relacionados neste blog: Côca, Biuco e Capelo
sexta-feira, dezembro 04, 2009
Guimarães – Capital do Folclore
Nesse fim-de-semana decorreu o V Congresso Nacional de Jovens, organizado pela Federação do Folclore Português, e a final do Concurso Nacional de Etnografia, promovido pelo INATEL.
A muita assistência presente foi participativa e aproveitaram bem os períodos de debate para colocarem questões e levantarem problemas que a todos afecta. Contudo, a juventude e falta de experiência dos jovens que constituíram os diversos painéis transpareceu na qualidade das respostas, ou na ausência destas, a diversas questões, facto muito comentado entre congressistas e observadores.
No entanto, há que realçar que este era um congresso organizado por jovens e para jovens, e que em termos de organização foi exemplar.
Nota extremamente positiva para o espectáculo de dia 28 - “Esmiuzar o Folclore” - que com o recurso ao humor crítico, deu uma lição sobre o que os grupos de folclore não devem fazer, mas que, infelizmente, são realidades com que nos deparamos no dia-a-dia do folclore.
Parabéns pela iniciativa e pelo seu sucesso.
Concurso Nacional de Etnografia
No dia 29 decorreu a final do Concurso Nacional de Etnografia, que decorreu no Centro Cultural de Vila Flor, outro magnifico equipamento desta cidade berço da nação.
Estiveram a concurso os seguintes grupos e temas:
Grupo de Santo Amaro de Azurara (Viseu) – Matança e Andança do Porco
Grupo de Monteverde (Madeira) – Saloias do Espírito Santo
Grupo Etnográfico Mil Raízes (Lisboa) – Por Vielas e Terreiros
Rancho Etnográfico “Os Camponeses de Arraiolos” (Évora) – Das Janeiras aos Reis no Concelho de Arraiolos
Associação Cantandeiras do Vale do Neiva (Viana do Castelo) – A Fé nas Tradições
Todos os grupos apresentaram espectáculos de grande qualidade cénica e etnográfica, tendo saído vencedor a Associação Cantandeiras do Vale do Neiva, ficando em 2º Lugar o Grupo de Monteverde e os restantes grupos em 3º lugar.
Grupo de Santo Amaro de Azurara
Rancho Etnográfico “Os Camponeses de Arraiolos”
Representantes da Associação Cantandeiras do Vale do Neiva e
segunda-feira, novembro 23, 2009
Presépios com trajes tradicionais portugueses
Bom! Hoje em dia, já se compra tudo feito, nem o musgo é verdadeiro. Mas o presépio não pode faltar.
Mas que tal aliar o tradicional presépio aos trajos regionais, afinal a Sagrada Família simboliza cada uma das nossas famílias.
Um artista de Almoster (Santarém) teve esta brilhante ideia que pode ser vista em “Olhar o Barro” ou em "Cerâmicas d' Almoster"

domingo, novembro 22, 2009
Artigo do DN sofre Folclore
Descobri hà pouco tempo um artigo no DNOnline sobre o folclore em Portugal e sobre os grupos que o representam. É do melhor que li sobre o assunto nos últimos tempos.
Leiam-no em Rigor ou aplauso, o drama do folclore por António Pedro Pereira e Arlindo Camacho
sexta-feira, novembro 06, 2009
O Xaile
O uso do Xaile parece ter sido introduzido na Europa por volta de 1798 por soldados Franceses que fizeram a campanha no Egipto. Eram caríssimos, sendo mais finos os que se faziam do pêlo de uma cabra que existia no norte da Índia e a sua confecção levava cerca de um ano. Em 1818, os Franceses, começaram a imitar o Xaile de Caxemira, mas a urdidura era de seda e a trama em pêlo de cabra do Tibete e lã merina ou Australiana, mantendo a riqueza das cores e a beleza dos desenhos tipicamente orientais, mas à medida que o seu uso se foi divulgando, qualquer matéria ou desenho servia para a sua confecção.Na classe popular, podemos dizer que o Xaile não é inteiramente novidade, sempre a mulher camponesa usou pelas costas uma espécie de agasalho, uma saia dobrada ou uma capa ou mantéu.
A grande difusão em Portugal, resulta do facto de a sua entrada ter coincidido com o desenvolvimento da indústria de tecelagem. A produção em série torna o Xaile mais acessível às bolsas populares.
Xaile de Sarga – Liso em ponto de sarja, franja torcida, inicialmente, só em preto, depois noutras cores e em xadrez.
Xaile Barra Azul – Liso ou em ponto de sarja, franja em nós, fundo escuro normalmente urdido em castanho e trama em preto, as barras eram em azul muito vivo, xaile popular, característico da zona Centro do pais.
Xaile Barra de Cetim ou Barrinhas – Em ponto de cetim com barras noutro ponto de cetim, franja torcida e também com franja em cadeia de cor preto, xaile popular de todo o país.
Xaile Xadréz-Feito em estambre (fio de lã penteada) em seda natural, em xadrez franja torcida, em preto e de várias outras cores. Era o preferido da classe média.
Xaile de Barra de Seda – Corpo em estambre e barra de seda, a barra era formada por vários desenhos representando motivos populares, em preto e de outras cores. Xaile de cerimónia da classe média, este Xaile também podia ser fabricado em fio de algodão ou fibra vegetal.
Xaile Double – De sarja em lã cardada, face principal em preto e outra de cor diversa, era um xaile popular de agasalho.
Xaile Mescla – Liso em sarja de lã fios de várias cores.
Xaile de Flanela – Em lã cardada, vai à percea levantar o pêlo, em preto, azul e castanho, era um excelente agasalho.
Xaile Pirinéus ou Feltrado – De lã cardada, pêlo aveludado liso, em várias cores, xaile de agasalho, as senhoras usavam-no muito nos serviços caseiros.
Xaile Africano – Fio cardado fazendo relevos, em cores, com predomínio do preto e cinzento, xaile de agasalho.Xaile de Cercadura – De lã cardada em ponto de sarja, a barra de fios de borbotos ou argolas, em preto e de cores, xaile popular para senhora de meia-idade.
Xaile de Argola Liso – Lã cardada a urdir, a tramar fio cardado e argola, em preto, argola pode ser preta ou de várias as cores, xaile popular, muito grosso e pesado, usado nas regiões nortenhas ou na beira-mar.
Xaile de Ramagem ou Relevo – Lã cardada e ramagem feita de fio de argola, duas faces, ambas em preto, ou uma preta e a outra em verde, azul e castanho. Xailes populares mais para senhoras de classe média, muito caros e usados nas zonas mais frias.
Xaile de Argolinha – Em argolinha a urdir, em varias cores, xaile popular domingueiro, era um xaile caro e único vendido a peso, tinha entre um a dois quilos por volta de 1925 cada quilo custava 220 escudos era usado por todo o pais e muito na moda na Beira Alta.Xaile de Linha – Era urdido com fio na trama em lã cardada ou penteada, em preto, xaile pesado e duro para as raparigas e mulheres de posição média.
Xaile Primavera – Estambre a tramar e seda a urdir, ou de algodão e seda, de franja cadiada muito entrelaçado, em várias cores e desenhos, com predomínio do xadrez em preto e branco. Xaile domingueiro das raparigas da zona de Coimbra e Aveiro.
Xaile Tricana – Lã merina estrangeira, franjas de seda muito compridas e entrelaçadas, vários desenhos e varias cores, sobretudo cores garridas. Xaile de romaria muito usado nas zonas centro do nosso país.Xaile Manta – Lã merina em ponto de tafetá, não tem franjas é de vários tipos de xadrez em preto e branco, xaile domingueiro e de romaria usado mais nas mulheres casadas.
Xaile de Merino – Em estambre de lã estrangeira, preto de cerimonia, muito usado nos casamentos, missa e dias de festa e no luto, xaile caro, usado pelas senhoras de meia-idade.Xaile Tapete ou Fantasia - Em seda natural ou em fio de estambre, muito lavrado, cheio de desenhos e cores representando animais, folhas, flores, frutos, e combinações geométricas, usado pelas senhoras da cidade de classe aburguesada ou para ornamentação de salas.
domingo, outubro 18, 2009
Museu de Arte Popular
O Museu de Arte Popular, situado em Belém, resulta da adaptação de alguns dos antigos Pavilhões da Vida Popular, integrados no conjunto construído para a Exposição do Mundo Português de 1940. Após a exposição, e por decisão de António Ferro, foi aí instalado o MAP (inaugurado em 1948)

O Museu de Arte Popular encontra-se encerrado ao público desde 1998 para a realização de obras de reabilitação. Em 2006, a então Ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, anunciou o projecto da instalação do chamado Museu Mar da Língua Portuguesa no seu espaço.
Entretanto, a colecção do MAP foi transferida para o Museu Nacional de Etnografia, segundo declarações públicas do seu director, para trabalhos de conservação e restauro.
O movimento em defesa do Museu de Arte Popular, que integra a historiadora de arte Raquel Henriques da Silva, a empresária Catarina Porta, a artista plástica Joana Vasconcelos e o jornalista Alexandre Pomar, tem encetado esforços para a recuperação do edifício e da sua magnifica colecção, tendo como objectivo último a sua reabertura.
Fica uma crítica: Talvez por se dedicar à Arte Popular este museu não tem recebido a atenção que merece por parte de algumas elites pseudo-intelectuais, para quem a etnografia, o folclore, a cultura popular, etc., é desprezável e uma vulgaridade do “povo”. Engana-se quem assim pensa, pois não só é ignorante … é também BURRO!
O blog Trajes de Portugal associa-se a este movimento e apela à que assinem a PETIÇÃO em defesa do Museu de Arte Popular.
Visite também o blog Museu de Arte Popular – fechado em Belém, mas aberto aqui.



segunda-feira, outubro 05, 2009
quinta-feira, agosto 27, 2009
Os Avieiros – Salvaterra de Magos - Ribatejo
Destas migrações internas, que surgiram nos finais do séc. XIX, destacam-se duas de origens geográficas diferentes: os varinos, vindos da região de Ovar, Estarreja e Murtosa e os avieiros originários da Vieira de Leiria.
Situada na margem esquerda do rio Tejo, a escassos quilómetros da vila de Salvaterra de Magos, encontramos a pequena aldeia do Escaroupim. Curioso povoado habitado pelos descendentes de uma das mais peculiares migrações internas, que Portugal assistiu - os avieiros.
Estes nómadas do rio, como afirmou Alves Redol, são baptizados de avieiros, que é um gentílico extraído da sua terra de origem, Vieira de Leiria.
Em Vieira de Leiria durante o Inverno, o mar é tão revolto e os ventos violentos impediam que os barcos entrassem no mar. Privados da sua actividade principal, os avieiros tiveram que dedicar-se a outros trabalhos. Uns eram contratados pelas serrações instaladas nos pinhais vizinhos, outros deixam a sua terra de origem e partem em direcção ao Tejo, onde a safra do sável, lhes dava uma ilusão de uma vida melhor.
Não está definida uma data para esta migração, a única certeza que temos é que em dada altura, os pescadores da Vieira de Leiria, começaram a emigrar para o Tejo, e que durante anos, muitas famílias viveram uma vida repartida entre o rio e o mar. Partiam para o Tejo de comboio, mas os primeiros vieram nos seus próprios barcos.
Ficavam nos meses de Inverno a percorrer o Tejo e a suportar uma vida que era dura e difícil, como afirma Maria Micaela Soares: “(..) vinham em Novembro, trazidos pela penúria. Anónimos e tímidos se achegavam às margens do Tejo. Na época de vaivém entre a praia e a lezíria, moravam nas pequenas embarcações de proa alta, quer durante a faina, quer acostado. O barco era o berço, a câmara nupcial, a oficina e a tumba”.
A sua vinda para as terras de borda-d'água, não foi fácil porque “quando os avieiros chegaram à lezíria, encontraram já o rio sulcado de barcos, alguns maiores que os seus, e que eram conduzidas igualmente por pescadores que povoavam o Tejo, chamavam os da terra varinos.
Eles entre si designavam-se simplesmente pescadores, em oposição aos trabalhadores da terra. Os avieiros apelidaram-nos de Murtoseiros, qualquer que fosse o seu ponto de origem. Esta era, na sua maioria, a Murtosa, mas também vinham de Ovar e da Estarreja. Esses grupos, que haviam seguido na esteira do sável, fixaram-se nos extremos dos povoados ribeirinhos, junto às praias.
Alugavam as casas da beira-rio, onde habitavam várias famílias, para o aluguer ser mais acessível”.
Havia uma rivalidade entre ambos, o que provocava grandes rixas. Os varinos acusavam os avieiros de terem contribuído para a decadência da sua actividade piscatória, através da concorrência desleal das redes, os avieiros por sua vez também os acusavam de usarem este tipo de redes. O certo é que estes dois grupos não mantinham relações muito cordiais.
Com o passar dos tempos, o processo migratório cessa e acabam por se fixar nas margens no Rio Tejo, o nomadismo acaba e sedentarizam-se. Com a fixação definitiva, surge a necessidade de encontrar um domicílio mais estável, resistente e confortável. Pouco a pouco conquistam as margens do rio Tejo e começam a erguer pequenas barracas totalmente construídas em caniço, dado que este crescia de forma espontânea pelos valados.

O Tejo era a sua vida, o rio fê-los viver décadas de isolamento de costas voltadas para a lezíria, dado que estes não os “aceitavam” por serem diferentes, as raízes culturais dos avieiros não estão no Ribatejo, mas sim na terra dos seus pais e avós - a Vieira de Leiria.
A MULHER AVIEIRA
A mulher teve um papel muito importante na família avieira, para além de mãe e esposa, era também a “camarada” do pescador. Era ela quem remava e controlava o barco, enquanto o homem lançava as redes, ajudava também no conserto nas redes.
Após a pescaria fazia grandes caminhadas, de freguesia em freguesia, com a canastra à cabeça para vender o pescado, descalça sobre a geada ou debaixo do sol escaldante.
Apesar da fixação na lezíria ribatejana, a mulher avieira conservou genuinamente o seu traje de origem. Vejamos a descrição deste, segundo uma descrição de Maria Micaela Soares “(...) elas conservam puras muitas das suas tradições, com especial relevo para o vestir. Usam saia e blusa - a que a mais velha chama “casaco”, sendo aquela muito rodada ou em pregas miúdas. De tecido diferente, conforme a estação do ano, a saia tende sempre para o xadrez castanho-amarelado, embora se vejam também de cores muito garridas.
O “casaco” tem sempre manga comprida, é bastante colorido e muito enfeitado, com rendas ou bordados, mesmo nas menos jovens (...).
Também não dispensa o avental, bastante rodado, estimando muito os de riscas largas, de quadradinhos miúdos ou de cor lisa, bordados. Usa-o no trabalho do rio, doméstico, agrícola ou nas festas.
Na cabeça, a avieira mais idosa não prescinde do lenço, posto com pontas ao alto, à rodada-cabeça, caído pelos ombros, atado atrás. Só dentro da casa e nos grandes calores estivais o retira e, mesmo assim, se alguém chega à porta, repõe-no imediatamente, que não parecia bem sem ele. Faz parte do decoro da sua apresentação. Quando de luto, nem em casa o afasta.
Interiormente as mais velhas trazem ainda camisa com “ombrêras”, além da saia branca de baixo, tudo com rendas.
Grande anseio de todas é a posse de um cordão e grandes medalhas, que ostentam mesmo sobre fatos de luto (...)”.
O HOMEM AVIEIRO
Trajo do avieiro, também nos reporta para a sua área geográfica da Vieira de Leiria “de camisa axadrezada, em tons castanhos e amarelos, de preferência e não já de pano-cru; calça de fazenda ou de cotim, arregaçada, tal como a ceroula interior, ou largas bragas de zuarte, antigamente,mas de ganga hoje; boina de pala curta em vez de barrete de outrora, em geral preto, mas que também fora azul ou vermelho, com ou sem borla, cinto de cabedal ou mero cordão, pela cinta preta de outros tempos, camisolas e casacos de malha ou de tecido grosso a destronarem o gabão de capucha e farto cabeção, pés de descalço sempre - eis o velho avieiro”.
Bibliografia: Maria Micaela Soares, “Mulheres da Estremadura” In Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa
Rancho Folclórico "Os Avieiros" do Escaroupim (Página Provisória)











