segunda-feira, junho 15, 2015

TECIDOS MANUFATURADOS EM TEAR CASEIRO DE VIANA DO CASTELO (1)


A tecelagem de tecidos provenientes de fibras vegetais ou animais é tão antiga como a história do próprio homem.
Até à industrialização os únicos têxteis que o povo dispunha eram aqueles que ele próprio fabricava nos teares manuais e com as matérias-primas que produzia.
Em determinadas regiões, a produção têxtil manufatureira mantem-se ainda hoje, embora com uma menor importância que no passado, mas como forma de manutenção das tradições.
Os exemplos de tecidos manufaturados que de seguida se descrevem pertencem ao acervo do Museu Nacional de Etnologia e foram recolhidos no concelho de Viana do Castelo, com os quais foram confecionados aventais e saias.
Pretende-se sobretudo valorar os padrões, mais que o feitio ou utilização da peça de vestuário, daí a escolha das imagens ilustrativas.
Para que o artigo não seja demasiado extenso, vai ser publicado em duas partes, uma sobre as saias e outro relativo a aventais.

 
SAIAS

Imagem 1
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: lã e linho
Dimensões (cm): altura: 86; diâmetro: 150;

Imag.1
Descrição: Saia de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. Na primeira altura, o tecido é longitudinalmente listado a cores: branco, preto e vermelho, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. O franzido faz com que a cor visível do cós seja, na sua maioria, o preto e o vermelho. A sua orla superior é debruada por duas fitas em tecido de lã de cor branca, que se lhe sobrepõem: a de cima é de cor cinzenta, a de baixo é de cor verde. A segunda altura de tecido é de urdidura de linho e trama de lã de cores: preto, vermelho e castanho, formando listas longitudinais. A 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita de cor cinzenta a ele sobreposta e de outra de cor branca, que está cosida na extremidade oposta. Na extremidade inferior, a saia apresenta um forro em tecido de cor preta. Interiormente, na mesma zona, apresenta um forro constituído por três retalhos em tecido de algodão (?): o de maior extensão é de fundo de cor branca cortado por um reticulado de cor preta; um segundo apresenta um fundo de cor preta listado a branco, e um terceiro apresenta uma alternância entre bandas longitudinais de cor verde com outras de cor branca, listadas com as cores: azul ou rosa.


Imagem 2
Local de Execução: Viana do Castelo
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 78; diâmetro: 143;


Imag.2
Descrição: Saia de duas alturas, em tecido lã e algodão, manufaturado em tear caseiro. Na primeira altura, o tecido é listado a cores: preto e branco, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. O franzido faz com que a cor visível seja, na sua maioria, o preto. A sua orla superior é guarnecida por uma fita de lã de cor preta, que se lhe sobrepõe. Na segunda altura, o tecido é de fundo de cor azul-escura cortado por listas finas longitudinais de cor branca ou por outras, mais largas, de cor branca e castanha. A certo ponto, o padrão do tecido altera-se, apresentando um fundo de cor azul, mais clara, cortado por listas de cor branca ou por largas listas de cor branca e castanha. A cerca de 3/5 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio de um colchete metálico preso em cada uma das extremidades do cós e por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta. A 2/5 da altura, a saia apresenta uma basta resultante do reviramento do tecido sobre si mesmo. Na extremidade inferior, a saia apresenta um forro em flanela de lã de cor preta. Na mesma zona, mas no interior, surge um pequeno forro em tecido de algodão, com fundo de cor preta cortado por um reticulado de cor branca e castanha. Na zona em que o tecido da saia é diferente, o forro interior também varia, sendo constituído por três retalhos de tecido de algodão (?).

Imagem 3
Local de Execução: Viana do Castelo / Perre
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 77; diâmetro: 171;

Imag.3
Descrição: Saia de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. Na primeira altura, o tecido é longitudinalmente listado a cores: branco e preto e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. O franzido faz com que a cor visível do cós seja, na sua maior extensão, o preto. A sua orla superior é guarnecida por uma fita de lã de cor preta, que se lhe sobrepõe. A segunda altura de tecido é de urdidura de algodão (?) e trama de lã de cores: azul-escuro e castanho, formando listas longitudinais. A 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta e de um colchete metálico cosido nas suas extremidades superiores. A cerca de 1/4 da altura, a saia apresenta uma basta, resultante do reviramento do tecido sobre si mesmo. Imediatamente abaixo da basta surge o forro da saia, em flanela de lã de cor preta. Interiormente, na mesma zona, apresenta um forro de igual altura, em tecido de algodão (?) de fundo de cor branca cortado por um reticulado de cor preta.

Imagem 4
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 75; diâmetro: 130;


Imag.4
Descrição: Saia de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. Na primeira altura, o tecido é longitudinalmente listado a cores: branco, preto e vermelho, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. O franzido faz com que a cor visível seja, na sua maioria, o preto e o vermelho. A sua orla superior é guarnecida por uma fita em tecido de estopa de cor branca, que se lhe sobrepõe. A segunda altura de tecido é de urdidura de algodão e trama de lã de cores: preto, vermelho e castanho, formando listas longitudinais. A 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta e de um colchete metálico cosido nas suas extremidades. A 1/3 da altura, a saia apresenta uma basta, resultante do reviramento do tecido sobre si mesmo. A extremidade inferior da saia apresenta um forro em flanela de lã de cor preta. Interiormente, na mesma zona, apresenta um forro de igual altura, em tecido de algodão (?), com fundo de cor branca cortado por um reticulado de cores: vermelho e cinzento.

Imagem 5
Local de Execução: Viana do Castelo / Perre
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: lã, algodão
Dimensões (cm): altura: 81; diâmetro: 143;

Imag.5
Descrição: Saia de duas alturas, em tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em tecido de lã de cores: azul-escuro e azul-claro, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Sobreposta à sua orla superior surge uma fina fita de tecido de algodão (?) com fundo de cor branca e reticulado de cor preta. A segunda altura é em tecido com urdidura de algodão de cor branca e trama de lã de cor azul-escura e preta, formando uma alternância entre listas longitudinais de cor branca com outras de cor azul-escura. De espaço a espaço surgem também largas listas longitudinais de "levantados" de cor preta, formando motivos geométricos. A 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta e de um colchete metálico colocado na extremidade superior da abertura. Na extremidade inferior, a saia apresenta um forro em tecido de lã de cor preta. A sua orla superior é recortada em "dentes de serra". No interior, a saia apresenta também um pequeno forro em tecido de algodão (?) semelhante ao do cós.

Imagem 6
Local de Execução: Viana do Castelo / Meadela
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: lã, estopa
Dimensões (cm): altura: 84; diâmetro: 144;

Imag.6
Descrição: Saia de duas alturas, em tecido de lã manufaturado em tear caseiro. A primeira altura constitui o cós. Aí, o tecido é listado, longitudinalmente, a branco e a azul-escuro. Porém, uma vez que é intensamente franzido, a cor visível no exterior é apenas a azul-escura. Sobreposta à sua extremidade superior, surge uma fita em tecido de estopa de cor branca. Na segunda altura, o tecido é longitudinalmente listado, formando bandas de cor azul cortadas por listas de cor branca, intercaladas com bandas de cor branca e castanha, cortadas por listas de cor azul. A cerca de 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta e de um colchete metálico cosido em ambas as extremidades superiores. Imediatamente antes do forro, a saia apresenta uma pequena basta, resultante do reviramento do tecido sobre si mesmo. O forro é em flanela de lã de cor preta. Na mesma zona, mas no interior da saia, surge um forro em tecido, com bandas longitudinais de cor verde intercaladas por outras de cor branca, listadas, longitudinalmente, a cor azul ou rosa.
 
Imagem 7
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro



Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: estopa, lã
Dimensões (cm): altura: 76; diâmetro: 165;
Imag.7
Descrição: Saia de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em estopa de cor branca e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Sobreposta à sua orla superior encontra-se uma fita do mesmo tecido. A segunda altura é em tecido de estopa de cor branca com lã de cor azul-escura. A lã é colocada de modo a formar finas listas longitudinais, espaçadas entre si. A cerca de 2/3 da sua altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ela sobreposta e de um colchete metálico colocado em ambas as extremidades da abertura. A cerca de 1/3 da altura a saia apresenta uma pequena basta resultante do reviramento do tecido sobre si mesmo. Na parte inferior, a saia apresenta um pequeno forro em tecido de lã de cor preta.

Imagem 8
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: lã, linho
Dimensões (cm): altura: 86; diâmetro: 185;
Imag.8
Descrição: Saia de duas alturas em tecido de linho e lã, manufaturada em tear caseiro. Na primeira altura, o tecido é listado a cores: preto, rosa, vermelho e branco, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. A sua orla superior é guarnecida por uma fita de lã de cor vermelha, que se lhe sobrepõe. A segunda altura do tecido é constituída por largas bandas longitudinais compostas por listas de cores: azul-escuro, branco e castanho, intervaladas por bandas de cores: vermelho e azul-escuro, ou vermelho, azul-escuro e branco. A cerca de metade da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio de duas fitas de lã de cor rosa cosidas no cós, em cada uma das extremidades superiores da abertura. Na extremidade inferior, apresenta um forro em flanela de lã de cor preta. Interiormente, a orla inferior da saia apresenta também um pequeno forro em tecido de fundo de cor branca, cortado, de espaço a espaço, por conjuntos de barras de cores: azul e vermelho.

Imagem 9
Local de Execução: Viana do Castelo / Santa Marta de Portuzelo
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 86; diâmetro: 177;


Imag.9
Descrição: Saia de duas alturas de tecido, manufaturado em tear caseiro com urdidura de algodão e trama de lã. A primeira altura é o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. O tecido é listado, longitudinalmente, com as cores: preto, branco e vermelho. Contudo, o franzido faz com que as cores visíveis para o exterior sejam, na sua maior extensão, apenas o vermelho e o preto. Sobreposta à orla superior do cós surge uma fita de lã de cor vermelha. A segunda altura da saia é listada, longitudinalmente, formando largas barras de cores: preto e vermelho ou barras mais finas de cores: preto e branco. A cerca de 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta. Imediatamente antes do forro, a saia apresenta uma pequena basta, resultante do reviramento do tecido sobre si mesmo. O forro é em flanela de lã de cor preta. Apresenta, junto à sua extremidade superior, uma fina silva, bordada transversalmente, a fio de algodão de cor branca, da qual brotam folhas e pequenos ramos espiralados. Na mesma zona, mas no interior da saia, surge um forro em tecido listado com bandas longitudinais de cor verde, intercaladas por outras de cor branca, listadas a azul ou rosa.

Imagem 10
Local de Execução: Viana do Castelo / Meadela
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 79; diâmetro: 161;

Imag.10

Descrição: Saia de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em tecido de lã listado, longitudinalmente, a preto, vermelho e branco, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. O franzido faz com que as cores visíveis no exterior sejam, na sua maioria, o vermelho seguido do preto. Sobreposta à orla superior do cós surge uma fita de lã de cor vermelha. Na segunda altura, o tecido é manufaturado com urdidura rala de algodão (?) e trama de lã, formando, assim, bandas longitudinais de cores: azul e branco, vermelho, preto e branco ou azul, branco e castanho. A cerca de 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não ser coser o tecido até ao cós. Fecha por meio de duas fitas em chita de algodão de cor branca, estampada com motivos florais de cores: azul, verde e vermelho, colocadas em cada uma das extremidades superiores da abertura. Na extremidade inferior, a saia apresenta um forro em flanela de lã de cor preta. A orla inferior da saia é debruada por uma fita de lã da mesma cor. Interiormente, a saia apresenta um pequeno forro em tecido de cor creme estampado com largas bandas longitudinais de cor branca, listadas a azul ou rosa.

Imagem 11
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: estopa, lã
Dimensões (cm): altura: 79; diâmetro: 152;

Imag.11

Descrição: Saia de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro. A primeira altura é em tecido de estopa de cor branca e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Sobreposta à sua orla superior surge uma fita de lã de cor vermelha. A segunda altura é em estopa de cor branca com lã de cores: vermelho e azul. A lã é colocada de modo a formar finas listas longitudinais, nas quais surgem, de espaço a espaço, "levantados". A cerca de 3/4 da sua altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta e de um colchete metálico colocado em ambas as extremidades da abertura. A 1/3 da altura, a saia apresenta uma pequena basta resultante do reviramento para o exterior do tecido. Na extremidade inferior surge um pequeno forro em flanela de lã de cor vermelha.

Imagem 12
Local de Execução: Viana do Castelo / Perre
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã
Dimensões (cm): altura: 68; diâmetro: 160;
Descrição: Saia de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro.



Imag.12
A primeira altura é em tecido de lã de cor vermelha, listado, longitudinalmente, a cores: branco, azul, verde e rosa, e constitui o cós. Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Sobreposta à sua orla superior surge uma fita de tecido, com fundo de cor branca cortado por um fino reticulado de cor vermelha. A segunda altura é em tecido de algodão de cor branca listado a lã de cores: azul-escuro, azul-escuro e vermelho, azul-escuro e verde ou vermelho. A saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta. Na extremidade inferior, a saia apresenta um forro em flanela de lã de cor preta. A sua orla superior é recortada em "dentes de serra". No interior, a saia apresenta um pequeno forro em tecido com fundo de cor cinzenta cortado por um axadrezado de cor preta.


Imagem 13
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: lã, linho, estopa
Dimensões (cm): altura: 81; diâmetro: 160;
Imag.13
Descrição: Saia de duas alturas, em tecido manufaturado em tear caseiro.
A primeira altura é em tecido de estopa de cor branca muito franzido, e constitui o cós. A sua orla superior é guarnecida por uma fita do mesmo tecido e cor, que se lhe sobrepõe. Na segunda altura, o tecido é construído com urdidura de linho de cor branca e trama de lã tinginda de vermelho, castanho e preto, formando listas longitudinais. A 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta. Na extremidade inferior, a saia apresenta um forro em flanela de lã de cor vermelha.

Imagem 14
Local de Execução: Viana do Castelo / Outeiro
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: linho, lã, algodão
Dimensões (cm): altura: 83; diâmetro: 170;

Imag.14
Descrição: Saia de duas alturas de tecido manufaturado em tear caseiro, com urdidura de linho e trama de lã e algodão. A primeira altura constitui o cós.
Este é formado por se franzir muito intensamente o tecido. Apresenta listas longitudinais de cores: branco, branco e castanho, vermelho ou preto. O franzido faz com que as cores visíveis no exterior sejam, na sua maioria, o vermelho, seguido do preto e do branco. Sobreposta à sua orla superior surge uma fita de lã de cor vermelha. A segunda altura apresenta listas longitudinais de cores: preto e branco ou preto, branco e vermelho. As listas que contêm fio de lã de cor vermelha apresentam "levantados" da mesma cor. A saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta e de um colchete metálico colocado em ambas as extremidades da abertura. A cerca de metade da altura da saia surge uma basta, resultando do reviramento do tecido para o exterior. Na parte inferior, a saia apresenta um forro em flanela de lã de cor vermelha.

Imagem 15
Local de Execução: Viana do Castelo / Perre
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: lã
Dimensões (cm): altura: 77; diâmetro: 127;

Imag.15
Descrição: Saia de duas alturas, em tecido de lã com fundo de cor preta, manufaturado em tear caseiro. A primeira altura da saia é o cós.
Este é muito franzido, formando pregas que se prolongam pela segunda altura. Sobre o fundo de cor preta surgem pequenas bandas longitudinais de cores: preto e verde ou azul e branco. A sua orla superior é guarnecida por uma fita em tecido de lã de cor preta que se lhe sobrepõe. Na segunda altura, o fundo é cortado, de espaço a espaço, por bandas de cor verde e preta ou por largas bandas de cores: azul, branco, preto e verde. A cerca de 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta. A cerca de 3/7 da altura, a saia apresenta um forro em flanela de lã de cor preta, cuja orla superior é recortada em "dentes de serra". Um pouco abaixo, surge uma silva, disposta transversalmente, que percorre o perímetro da saia. A silva é bordada a fio de algodão. Forma uma espécie de ramo ondulado, de cor verde, do qual brotam pequenas folhas da mesma cor; motivos florais em sinete de cores: azul-caro, amarelo e violeta; e motivos florais de cinco pétalas, de cores: laranja, violeta e branco. A orla inferior da saia é debruada por uma fita de lã cor preta. Interiormente, a saia apresenta um forro em tecido de cor beje, cortado por bandas de cor branca. Estas são listadas, longitudinalmente, ora a azul, ora a vermelho ou rosa.
Imagem 16
Local de Execução: Viana do Castelo / Carreço / Montedor
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: algodão, lã, linho
Dimensões (cm): altura: 64; diâmetro: 102;
Imag.16
Descrição: Saia, manufaturada em tear caseiro com urdidura de algodão de cor branca e trama de lã de cor preta, com fio de estopa de cor branca. 
Forma assim um listado vertical muito fino que alterna entre branco e preto. A parte superior da saia é o cós. Este é muito franzido, formando pregas que se prolongam por toda a altura. A orla superior do cós é guarnecida por uma fita em tecido de cores: azul, amarelo e branco. A 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio do livre prolongamento da fita a ele sobreposta. A cerca de 1/4 da altura, a saia apresenta um forro em riscado de algodão (?) de cor preta, cortado por listas muito finas, espaçadas entre si, de cor branca. A orla inferior da saia é guarnecida por uma fita em tecido de lã de cor preta.

Imagem 17
Denominação: Saia
Local de Execução: Viana do Castelo / Areosa
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: lã
Dimensões (cm): altura: 73; diâmetro: 132;
Descrição: Saia de duas alturas, em tecido de lã com fundo de cor vermelha, manufaturado em tear caseiro.


O fundo é cortado por um padrão complexo de bandas dispostas longitudinalmente: bandas de cor vermelha, cortadas por uma lista de cor branca, uma de cor preta e por três listas de "levantados" de cor vermelha; bandas de cor branca ou vermelha com "levantados" de cor vermelha, formando motivos geométricos; bandas constituídas por finas listas de cores: rosa, branco, preto, amarelo e verde. A primeira altura da saia é o cós. Este é muito franzido, formando pregas que se prolongam pela segunda altura. A orla superior é guarnecida por uma fita em tecido de lã de cor vermelha, que se lhe sobrepõe. A cerca de 2/3 da altura, a saia apresenta uma abertura longitudinal por não se coser o tecido até ao cós. Fecha por meio de um colchete metálico e do livre prolongamento da fita sobreposta ao cós. A cerca de 1/3 da altura, a saia apresenta um forro em flanela de lã de cor vermelha, cuja orla superior é recortada em "dentes de serra". Este é adornado, junto às orlas superior e inferior, por uma silva transversal. Ambas as silvas são onduladas; são delineadas por uma faixa de pontos em cruz, dados a fio de lã de cor amarela, e por um pequeno encordoado de cor branca e preta. De espaço a espaço, brotam motivos fitográficos, bordados a cheio, com lã de cores: rosa, azul, verde, branco e amarelo. O espaço em redor das silvas é semeado com pequenas missangas transparentes inseridas num pequeno disco metálico. O interior da saia apresenta um pequeno forro em tecido de cor branca cortado por um reticulado de cor alaranjada.


            

1 comentário:

beldabelda disse...

Buen día.
He paseado por el blog y me parece muy intresante todo lo que aporta sobre tejidos antiguos (incluidos los trajes y tradiciones) Muchas gracias por compartir. Ya lo voy a seguir y aprovechar sus indicaciones para visitar algunos centros en mis viajes próximos a Portugal.
Muito obrigado
Rosario Belda