quinta-feira, Outubro 16, 2014

MULHERES DE LENÇO

O Museu de Arte Popular possui um conjunto de imagens, constituídas por papel fotográfico em armação em madeira, datadas do Séc. XIX (?), representando mulheres do povo com os seus lenços.

Ficam aqui algumas dessas imagens.





 

segunda-feira, Outubro 13, 2014

AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR III – ESTREMADURA, BAIXO VOUGA, ALENTEJO E ALGARVE

Este artigo é a continuação da abordagem a este tema iniciado em AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I – MINHO e AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II – DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES, passando a apresentar exemplares provenientes das coleções do Museu Dr. Joaquim Manso e do Museu Nacional de Etnologia.

MUSEU DR. JOAQUIM MANSO

Autor: Celeste Lúcio dos Santos
Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de algodão e várias outras fibras
Dimensões (cm): altura: 32; largura: 20;12;
Descrição: Bolsa de retalhos de diferentes cores e qualidades. De corte arredondado, com duas entradas na parte da frente. Na parte superior e de cada lado, leva um fitilho de algodão para cingir a cintura. A metade inferior é subcircular e tem a aparência de um vaso cintado de boca larga. É debruada a toda a volta por uma tira de tecido florido
Proveniência: Nazaré.
Origem: Este objeto, que fazia parte da indumentária da Nazarena e ainda em uso sobretudo nas mulheres de mais idade, tem vindo a ser substituído pelos vulgares porta-moedas. A algibeira não constituía um elemento decorativo, ao contrário do que acontecia no norte do país, mas antes utilitário. Para uma maior segurança era resguardada sob a "saia de cima", junto à abertura da mesma, sempre do lado direito e fixada à "saia de baixo" por um alfinete de dama. Este objeto, de grande importância para a mulher Nazarena transportar o dinheiro que necessitava no seu quotidiano ou até as suas economias ou "papéis de valor", continha, muitas vezes, um amuleto (conhecido por "Breve") como forma de proteção e ou superstição religiosa.



 
 Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de algodão e fibras sintéticas (terylene)
Dimensões (cm): altura: 36; largura: 21,5;
Descrição: Bolsa para guardar dinheiro feita de tecido de cor preta por se tratar de viúva. De corte arredondado, tem duas entradas na frente e uma atrás, sendo esta de cor castanha. Na parte superior e de cada lado leva um fitilho de algodão para cingir à cintura. É debruada a toda a volta por uma tira de tecido também de cor preta.
Incorporação: Doação - D. Deolinda Xalabardo Meca
Proveniência: Nazaré.

  
Datação: 2008 d.C.
Matéria: Tecido de lã (escocês) e algodão
Dimensões (cm): altura: 34,5; largura: 20,5;
Descrição: Bolsa para guardar o dinheiro feita de retalhos de diferentes cores, sendo as predominantes vermelho e castanho. De corte arredondado, tem duas entradas à frente e uma atrás. Na parte superior e de cada lado, leva uma fita de lã fina para cingir a cintura. É debruada a toda a volta por um fitilho de algodão azul-escuro.
Incorporação: Compra - Adquirido a Casa Crispim - Nazaré

 
 
 
MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Tecido; Escocês (algodão?)
Dimensões (cm): altura: 28,5; largura: 17,5;
Descrição: Algibeira periforme, de tafetá de lã de cor rosa à frente e tecido de padrões geométricos atrás. É debruada, a toda a volta, por uma fita de escocês de algodão (?). A decoração frontal consiste numa cercadura em ziguezague, a qual segue, aproximadamente, os limites da algibeira. O ziguezague é executado a linha de cor vermelha. É ornado nos seus vértices exteriores por pequenos pontos de lã de cor amarela e, nos seus vértices interiores, por pequenos pontos de lã de cor azul escura. No centro da cercadura, em baixo, a meio, apresenta espécie de cálice de cor azul escura, de duas asas e de base triangular de cor amarela. A ladeá-lo, dois "X" executados a lã de cor vermelha. Do cálice brota uma flor, orientada no sentido longitudinal, cujo caule é executado a lã de cor vermelha e as pétalas, a lã de cor verde. Deste caule central brotam, diagonalmente, quatro outras flores (duas de cada lado): as inferiores, de caule executado a lã de cor verde a pétalas a lã de cor amarela; as duas superiores de caule executado a lã de cor amarela e pétalas a lã de cor azul escura. As pétalas da flor central são ladeadas por iniciais, uma de cada lado: do lado esquerdo, um "C"; do lado direito, espécie de "B". A ladear a abertura da algibeira, em sentido longitudinal, dentro da cercadura, acima das iniciais, uma linha em ziguezague, executada a lã de cor verde. O tecido que forra o interior da abertura da algibeira apresenta uma espécie de reticulado de cor rosa sobre o qual se dispõem barras delgadas transversais de cor rosa, acompanhadas a todo o comprimento por pequenos quadrados de cor vermelha, alternadas com barras delgadas formadas por três linhas intermitentes: verdes as exteriores e vermelha a interior. O tecido de trás da algibeira é do mesmo tipo do forro da abertura.
Proveniência: Alcobaça / Turquel

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Riscado (algodão?); Tecido
Dimensões (cm): altura: 29; largura: 17,5;
Descrição: Algibeira periforme, de riscado de algodão (?) de cor preta na frente e tecido de cor cinzenta atrás. É debruada a toda a volta por uma fita de algodão de cor preta, que, na aresta superior, se prolonga para ambos os lados. A meio da altura apresenta, espaçados entre si, dois bolsos, de forro de tecido de cor cinzenta, debruados, em cima e em baixo do corte da abertura, por fita de algodão de cor preta. Ao centro, apresenta motivo hastiforme de tecido de cor azul debruado a fita de algodão de cor preta. Tal motivo é constituído por duas partes: é cortado a meio pelo bolso inferior e corta a meio, por sua vez, o bolso superior, sobrepondo-se-lhe, de baixo para cima, como uma pataleta. A parte inferior do motivo, a correspondente à pala do bolso inferior, tem, como elemento decorativo, uma costura executada a linha de cor preta, a qual segue, interiormente, os contornos da forma onde está inscrita. Na parte de trás, a algibeira apresenta um bolso ligeiramente deslocado do centro para cima.
Proveniência: Aveiro / Murtosa


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Veludo (seda?); Flanela (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 31; largura: 18,5;
Descrição: Algibeira de formato periforme, com a parte da frente em tecido de lã de cor preta, e parte de trás em flanela industrial de três tipos: o de cima, de fundo vermelho, é estampado com motivos fitográficos estilizados de cor preta; o do meio apresenta um fundo de cor castanha estampado com motivos geométricos de cor laranja dispostos segundo um reticulado diagonal; no inferior, semelhante ao anterior, os motivos geométricos são de cor rosa. Entre a flanela superior e a do meio, abre-se um bolso transversal, da largura da algibeira. Todas as orlas da algibeira são debruadas por uma fita de cor preta. Na extremidade superior, tal fita estende-se para além dos limites laterais da algibeira, caindo livremente. No restante perímetro, a fita é adornada com uma linha de ponto espiga executado a fio de lã de cor amarela. A meio da altura, a algibeira apresenta uma abertura transversal. Acima e abaixo dela estão aplicados, simetricamente, dois retalhos triangulares, em veludo de seda (?) de cor castanha. As orlas dos retalhos são também adornadas com ponto espiga. No vértice superior e inferior, respetivamente, apresentam ainda uma espécie de flor / estrela bordada a fio de lã de cor amarela. Na parte inferior da algibeira, com o mesmo fio, estão bordadas as iniciais "B. R."
Proveniência: Évora / Estremoz

 
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Chita (algodão); Veludo (seda?); Renda (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 24; largura: 17;
Descrição: Algibeira cordiforme com a parte da frente em tecido de algodão (?) de cor branca, e parte de trás em chita do mesmo material, de cor vermelha, estampada com motivos fitográficos de cor branca. À frente, na metade superior, surge a boca de um bolso, em forma de raia. Tanto as orlas da boca, como as da algibeira são debruadas por uma fita em veludo de seda (?) de tom esverdeado. Nos vértices superiores, tal fita prolonga-se, caindo livremente. Sobre o tecido de algodão (?) que constitui a frente da algibeira, surge um forro em renda de croché de cor castanha, formando um reticulado ortogonal. Nele estão bordados motivos ilegíveis, executados a fio de lã de cor branca, rosa, amarela e verde. Um desses motivos, abaixo da boca do bolso, aparente ser um coração de cor rosa e branca, contornado por ramificações nas cores atrás referidas.
Proveniência: Évora / Estremoz


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Chita (algodão); Sarja (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 16;
Descrição: Algibeira com o formato de um retângulo de vértices inferiores arredondados. A parte da frente é em tecido de lã de cor preta. A parte de trás é forrada no mesmo tecido e, na extremidade inferior, a sarja de algodão da mesma cor. Todas as orlas da algibeira são debruadas por uma fita de lã de cor azul. Nos vértices superiores está aplicada uma fita semelhante, que se estende caindo livremente. Ao centro, surge a boca arqueada de um bolso interior. A sua orla é também debruada com uma fita de lã de cor azul. Interiormente, o bolso é forrado a chita de algodão de tom amarelado, estampada com motivos florais de cor roxa, branca e rosa. À frente, a algibeira apresenta bordados executados a fio de lã de cor verde, vermelha, azul, amarela, branca, rosa, laranja e roxo. Acima da boca do bolso, os bordados formam a inicial "D"; abaixo, formam um grande motivo foral.
Proveniência: Évora / Borba

 
 Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Flanela (lã); Tecido (lã); Tecido (lã, algodão?)
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 20;
Descrição: Algibeira de formato trapezoidal, forrada, atrás e à frente, a flanela de lã de cor preta. As suas orlas são debruadas por uma fita de lã de cor azul. À frente, apresenta uma abertura triangular de arestas arqueadas. Na aresta inferior, está aplicado um retalho em tecido de lã de cor verde, listado, de espaço a espaço com três linhas longitudinais de "levantados" de cor preta. Este retalho apresenta uma forma simétrica à da abertura. Interiormente, a algibeira é forrada a tecido de lã e algodão (?) de cor branca e castanha, lavrado com listas transversais tracejadas nas mesmas cores, e bandas compostas por listas de cor branca, castanha e vermelha.
Proveniência: Loulé / Alte

 
Fonte:
Outros artigos relacionados:
AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I– MINHO
AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II– DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES

segunda-feira, Outubro 06, 2014

PEÇAS DO VESTUÁRIO TRADICIONAL ALGARVIO

O Museu de Arte Popular possui na sua coleção diversas peças de vestuário provenientes da Casa de Portugal em Paris, por transferência do ICEP (Instituto do Comércio Externo de Portugal) criado em 1982 e extinto em 2007.
Dessa coleção divulgo hoje alguns exemplares do vestuário tradicional feminino do Algarve, alguns com a indicação expressa de terem sido confecionados em Luz de Tavira.
De entre essas peças de destacar um conjunto de 4 blusas, que no Algarve têm a designação de “Batas”. Ou seja, uma peça que cobria a camisa e o corpete, vestidos junto à pele e que se usaram pelo menos desde o séc. XIX e ainda hoje são vestidas pelas mulheres mais velhas.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão (chita), plástico (botões), metal (molas)
Técnica: Estampagem em tons de azul, verde e vermelho
Dimensões (cm): altura: 46,5; largura: 34,5; comprimento: 51;
Descrição: Bata ou blusa com gola de bico pequeno, sem pé; frentes ajustadas com molas; decoradas com botões redondos vermelhos sugerindo um barco à vela, inserida num círculo. Cintura marcada com elástico e pequena aba. Costas direitas, com a mesma marcação na cintura e aba; mangas compridas com punho pequeno fechado com mola.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão, viscose (?), plástico (botões)
Técnica: Tafetá, renda bilros manual e mecânica (?)
Dimensões (cm): altura: 63,5; largura: costas 38; comprimento: 57;
Descrição: Blusa ou bata com decote com cós rematado com renda, frente inteira, com costura a meio ladeada por uma pinça de cada lado; aplicação de renda sugerindo peitilho, contornado com banda rematada com renda idêntica à do peitilho e à do cós. Atrás, abertura fechada com 8 botões. Manga comprida decorada com entremeio aplicado e renda na extremidade terminando sem punho. A orla da frente e das costas é guarnecida com renda idêntica à das mangas.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão, plástico (botões), metal (molas)
Técnica: Tafetá estampado
Dimensões (cm): altura: 53; largura: 44; comprimento: 56;
Descrição: Bata ou blusa com gola de bico, frentes ajustadas com molas escondidas sob a carcela decoradas com botões circulares (boias ) tendo no dentro um barco à vela; linha de cintura marcada com elástico formando uma pequena aba; costas sem costuras e aba a partir da cintura; manga comprida com punho ajustado com duas molas. No interior junto à gola etiqueta com o nº 13.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão e fibra (?)
Técnica: Tafetá e bordado
Dimensões (cm): altura: 62; largura: 42; comprimento: 63;
Descrição: Bata ou blusa com gola de bico, decote justo; frentes formando aba, com carcela e casa abertas, sem botões; costas com costuras laterais e aba; manga comprida com folho, (evasé) junto ao punho. gola, frentes, carcela,. aba e folho das mangas decorados com bordado tipo inglês. O facto de no lugar dos botões, estar só marcado com linha, penso que não tenha sido usado.

 


Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá estampado com motivos florais e geométricos azuis
Dimensões (cm): altura: 63,5; largura: 58;
Descrição: Avental com cós na cintura e tiras para atar atrás; franzido ligeiramente em cima, termina com bainha estreita, sem qualquer outro enfeite.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado com silvas floridas e tracejado azul; bordado branco
Dimensões (cm): altura: 57; largura: 47;
Descrição: Avental com cós na cintura e fitas para atar atrás; na frente, a parte do centro do tecido, posto na diagonal, está cortado em viés e decorado com 3 aplicações de entremeio bordado; ladeando a parte central, duas tiras nesgadas com bolsos de chapa aplicados franzidos em cima e contornados por bordado. Na orla da peça, folho de bordado (tipo inglês).
 

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado e bordado
Dimensões (cm): altura: 56; largura: 67;
Descrição: Avental com cós na cintura e fitas para dar a laçada atrás; bolsas de chapa contornadas com bordado a branco (bordado inglês) e orla guarnecida com folho pregueado.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Lã, seda, algodão
Técnica: Sarja, tafetá
Dimensões (cm): altura: 77; largura: 33;
Descrição: Saia com cintura com cós estreito e abertura lateral à esquerda; na frente, o pano liso com costura nesgada, panos laterais e os de trás franzidos na cintura e ornamentados com 3 fitas vermelhas na orla e 6 botões forrados do mesmo tecido da saia. No interior, forro cor-de-rosa para proteção da saia e para dar-lhe melhor cair.

 


Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Lã azul, algodão (galão) vermelho e amarelo
Técnica: Tafetá, galão
Dimensões (cm): altura: 77; largura: 34;
Descrição: Saia com cós na cintura, lisa na frente e franzida aos lados e atrás; galão aplicado em baixo, exceto no pano da frente; abertura na cintura fechada com colchete. No interior, forro na orla. O corte da saia é de influência burguesa.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e bordado mecânico
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 250;
Descrição: Saiote ou anágua franzida com elástico na cintura, dois refegos a meia altura; folho alto decorado na orla com outros dois refegos, guarnecido com bordado.

   
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e bordado mecânico
Dimensões (cm): altura: 69,5; largura: total 228;
Descrição: Saiote ou anágua franzido com elástico na cintura, folho a meia altura da saia terminando com 3 refegos e bordado mecânico na orla.

Sobre o uso de culotes pelas mulheres do povo é um assunto polémico, sobre o qual já muito se escreveu e debateu. Opiniões à parte, aqui ficam algumas exemplares que fazem parte desta coleção.
 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e bordado mecânico
Dimensões (cm): altura: 58; largura: cintura 46;
Descrição: Culotes franzidos na cintura, pernas até meio da caixa; apertadas com elástico e rematados com bordado.
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e renda mecânica (?) de bilros
Dimensões (cm): altura: 52; largura: 22;
Descrição: Culotes, franzidas na cintura com elástico, pernas até ao joelho terminando com renda.

   


Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, fio de algodão (atacador) e metal (pregos)
Técnica: Curtimenta, tingida de preto
Dimensões (cm): altura: 4; comprimento: 24,5;
Descrição: Bota do pé esquerdo. De cano curto, fechado sobre o peito do pé com atacador; gáspeas lisas, sola com tacão. Vestígios de uso na sola.



Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Pele preta
Técnica: Curtimenta
Dimensões (cm):altura: 3,8; comprimento: 25,5;
Descrição: Bota de mulher, para o pé direito. Bota com salto, apertada sobre o peito do pé com atacadores.

 

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado
Dimensões (cm): largura: 76,5; comprimento: 79,5;
Descrição: Lenço quase quadrado, decorado com motivo de repetição composto por enrolamentos e grinaldas floridas em tons de verde e cor-de-rosa, sobre fundo cinzento. Orla embainhada. Este lenço parece ter sido confecionado com um tecido, não destinado a lenço.

   

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado
Dimensões (cm): altura: 72; largura: 72;
Descrição: Lenço de cabeça, quadrado decorado com motivos de sabor oriental; no campo, motivos de inspiração floral em tons de castanho, amarelo e verde, destacando-se sobre fundo azul-turquesa; barra com cornucópias entrelaçados e motivos florais nos tons já referidos, terminando com tarja azul na extremidade.


Fonte:
http://www.matriznet.dgpc.pt/
Museu de Arte Popular

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quarta-feira, Outubro 01, 2014

Talego Alentejano

O Museu Nacional de Etnologia possui no seu acervo cerca de uma centena de objetos da categoria "Vestuário e Adereços" da região do Alentejo, muitos deles adquiridos a Rafael Rúdio, sendo o principal concelho de recolha Estremoz.
De entre estes objetos, destacam-se dos tradicionais talegos alentejanos. Estas bolsas eram feitas pelas habilidosas mãos das mulheres, aproveitando restos de tecidos, para uso próprio e da família, pois era nos talegos que transportavam o pão e o queijo/chouriço para a merenda no trabalho do campo.
Os exemplares que se descrevem de seguida, pela sua intrincada confeção, não se destinariam ao uso regular sendo reservados para ocasiões especiais.

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Bolsa (algodão); Tecido (seda); Algodão; Lã
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 20;
Descrição: Bolsa de formato retangular em tecido de algodão de cor branca. A extremidade superior é aberta, formando a boca. A orla desta é debruada por uma fita de seda de cor vermelha, cosida de modo a formar folhos. Em baixo desta zona, surge uma fina bainha, aberta lateralmente, por onde passa um cordão de cor roxa, que termina, em ambas as extremidades, com três borlas de lã de cor verde, rosa, vermelha, azul, amarela e roxa. O corpo da bolsa é forrado, por cima do tecido de algodão, com rosáceas feitas com fio de algodão, ora de cor vermelha, ora de cor azul. Interiormente, junto à boca da bolsa, surge a inicial "A", bordada com missangas de cor rosa, azul, verde, amarela e roxa.
 
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Algodão
Dimensões (cm): altura: 13,5; largura: 12;
Descrição: Bolsa de formato quadrangular em tecido de algodão de cor rosa, com forro interior em tecido idêntico. A aresta superior da bolsa constitui a boca da bolsa. Ambas as faces da bolsa são bordadas, a ponto de cruz muito fino, com fio de algodão de cor azul, verde, branca e laranja. Apresentam uma espécie de cercadura constituída pela repetição de um mesmo motivo: uma espécie de cálice do qual brota uma ramificação longitudinal e motivos fitográficos de menores dimensões. Ao centro, de um lado da bolsa, surge uma balança coroada, sob a qual se dispõem duas chaves, dois corações e, abaixo destes, um cálice. Surge depois a inscrição "AIRAM / ANNA" – Maria Anna. Do outro lado da bolsa, surgem três cálices, dos quais brotam árvores de frutos, dois corações, duas custódias e, em baixo, a inscrição: "S(?)USTO / EZOG (?)". Um dos vértices inferiores da bolsa apresenta uma pequena borla de algodão, de cor azul e amarela.

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Flanela (lã); Tecido (lã); Tecido (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 35; largura: 26;
Descrição: Bolsa de formato retangular em flanela de lã de cor vermelha. A extremidade superior é aberta formando a boca da bolsa. As orlas laterais e inferior são percorridas por uma fita ondulada de cor azul. Os vértices inferiores apresentam uma pequena borla de lã de cor roxa, amarela, azul, verde, vermelha e branca. O corpo da bolsa apresenta motivos bordados a ponto de cruz, com fio de lã de cor azul, branca, amarela, verde e roxa. Num dos lados, surge um grande cálice central, do qual brotam árvores. É ladeado, em cima, por duas figuras femininas e, em baixo, por dois corações e quatro cálices. Em baixo deste cálice central, surge um outro, ladeado por uma pomba e por um cão. Na outra face da bolsa, em cima, surge a inscrição "A(?)NTONIAC [invertida]. M.". Ao centro, surge um cálice, ladeado por duas figuras masculinas semelhantes a cavaleiros, do qual brotam largas ramificações com motivos fitográficos estilizados. Interiormente, a zona do cós da bolsa é forrado a tecido de algodão de cor vermelha, listado, longitudinalmente, a preto e branco. Este forro forma uma bainha, aberta lateralmente, por onde passa uma fita de cor rosa. A restante área interior é forrada a tecido de algodão estampado com um padrão em hexágono de cor avermelhada e pequenas bolotas de cor preta e vermelha.

Fonte:
http://www.matriznet.dgpc.pt/
Museu Nacional de Etnologia

quinta-feira, Setembro 25, 2014

Calçado de Pau


Conforme descreve o Eng. Manuel Farias no seu artigo “Pé Descalço”, até à primeira metade do sec.XX era usual ver circular pelas cidades e nos meios rurais pessoas descalças. Faziam-no sobretudo por ausência meio económicos, mas também por hábito, já que muitos não conheciam outras solas que não a dos seus pés calejados.

Por força legal, de costume ou proteção, o calçado de pau assume-se como alternativa a este povo descalço por ser o mais barato. Feito de pau de amieiro e um pouco de couro, este calçado humilde era usado quer por homens como por mulheres, alterando-se o feitio e a denominação, os tamancos passam a tamancas, os socos a socas, e os taroucos, taroucas.

O Museu Nacional de Etnologia e o Museu de Arte Popular possuem uma variadíssima coleção deste tipo de calçado, dos quais de seguida vos deixo a descrição de 27 exemplares de socos e socas, distribuídos por várias regiões.

REGIÃO DO MINHO

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Couro; Madeira; Metal; Veludo (Seda); Algodão (?); Policromia
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 9; comprimento: 29;

Descrição: Soco com rasto em madeira pintada de preto e gáspeas em couro de crute envernizada a preto. Apresentam uma ponta aguçada e levantada. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto é baixo e afunilado; o enfranque é em espinha; o enfranque da chanca à esquerda apresenta, colada, uma etiqueta que refere: "4932". A pata do soco à direita apresenta uma etiqueta semelhante, e a do soco à esquerda apresenta uma outra etiqueta que refere: "Villa Nova / de Famalicão / Tamancos 1.85". A unir o rasto à gáspea surge uma fita em couro, fixa com pregos metálicos justapostos. As gáspeas cobrem a parte anterior do pé, diminuindo progressivamente a sua altura, até à zona da calcanheira. A orla superior das gáspeas é debruada por uma fita de couro. A parte da frente do soco é ponteada à máquina, com linhas de algodão (?) de cores: branco, vermelho, verde, azul e laranja, de modo a formar um motivo fitomórfico longitudinalmente simétrico. A parte interior dos socos, assim como a parte superior do rasto, é forrada a veludo de seda de cor vermelha.
Proveniência: Braga / Vila Nova de Famalicão


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Couro; Metal
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 11; comprimento: 30;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira e gáspeas em couro de crute envernizada a cor castanha. Apresentam uma ponta ligeiramente aguçada e levantada. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto, semicircular, é coberto por uma placa metálica do mesmo formato, na qual estão cravadas três cardas em ferro. O enfranque é lavado, não apresentando descontinuidade com a pata. Esta apresenta, de cada lado, duas tiras metálicas, cravadas com quatro e cinco cardas, respetivamente. A união do rasto com as gáspeas é efetuada por uma fita de couro semelhante ao das gáspeas, pregada de espaço a espaço com pregos metálicos. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, vão diminuindo progressivamente a sua altura, terminando na calcanheira. À frente, sobre as gáspeas, surge, como reforço, um retalho triangular de couro. Sobre a parte inferior deste, forrando também a parte frontal do rasto, surge, pregada, uma placa metálica.
Proveniência: Braga / Terras de Bouro

 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Borracha (?); Couro; Oleado; Papel
Dimensões (cm): altura: 4; largura: 10; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) com rasto em borracha (?) de cor preta e gáspeas de couro, de crute envernizada a preto. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto é afunilado; o enfranque é lavado, não apresentando descontinuidade com a pata. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, diminuem progressivamente de altura, terminando a 3/4 do comprimento da chinela. A parte da frente das gáspeas apresenta uma sequência de arcos vazados, delineados por um picotado exterior. A parte de cima do rasto é forrada a oleado de cor preta. Na zona da calcanheira, estão coladas duas etiquetas de cor branca que referem: "EVO 1917".
Proveniência: Guimarães / Costa / Viela São Roque

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Borracha (?); Couro; Oleado (?); Pergamoide; Papel (?); Tecido (algodão); Metal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 10; comprimento: 26;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira e gáspeas de couro de crute envernizada a preto. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto, afunilado, é forrado no topo a borracha (?) de cor preta; o enfranque é em espinha; a pata é afunilada e levantada. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, diminuem progressivamente de altura, terminando na zona da calcanheira. A orla superior da abertura das gáspeas é debruada com uma tira de oleado (?) de cor preta. Na parte da frente, junto a essa abertura, surge um laço em tecido de algodão de cor preta, preso, ao centro, com uma fivela metálica de tom dourado. A parte de cima do rasto é forrada a pergamoide de cor preta. Este é aberto em círculos, na zona da calcanheira, por entre os quais se vê um forro interior a papel de cor vermelha (?).
Proveniência: Barcelos / Gueral

 
REGIÃO DO DOURO LITORAL
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 9,5; comprimento: 26;

Descrição: Soco de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é tingida de preto. É constituída por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, escrito à mão, a caneta de cor preta: "Bico ponta" / "alta". Sobre esta inscrição, uma outra, executada a grafite, com o número: "36". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida apresentando orelhas, que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta. No interior do soco, a palmilha apresenta um forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela; Papel
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 8; comprimento: 25;

Descrição: Soco de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada de cor preta. A sola é pintada de preto e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto, estreito e afunilado. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Do centro da biqueira para o enfranque, escrito a caneta de cor preta: "delaidinha". No topo da biqueira, uma outra inscrição executada a grafite: "35". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. Na zona do calcanhar, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico e aberta em pequenos círculos, presa por um prego metálico, junto à sua aresta mais interior. O conjunto dos círculos forma, da direção do calcanhar para os dedos, uma espécie de ferradura, no seio da qual está uma pequena flor de seis círculos (pétalas). Abaixo deste conjunto, uma fileira diagonal de círculos ladeada por duas outras flores, uma de cada lado, semelhantes à descrita acima. A dar cor às ferraduras, debaixo do oleado, pedaços de papel de cores: azul, verde, vermelha e amarela. Da calcanheira, pela palmilha, forro de flanela de cor preta.
Proveniência: Porto

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 8,5; comprimento: 24,5;

Descrição: Soco de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, ligeiramente levantado. Apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor preta: "varina". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do tacão. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um forro de plástico preto, de formato parabólico.
Proveniência: Porto

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,8; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) fechados de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é pintada de cor preta. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. Apresenta no topo de cada soco, o número: "35". O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Ambos os socos apresentam na zona de curva, ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul (?): "Soco Raboto" / "Póvoa de" / "Varzim". A pala apresenta uma biqueira muito redonda, sem queda. Nesta zona, o soco do lado direito apresenta, escrito à mão, a grafite: "Irmão" / "do Tiago" (?) / "Rogerio" (?) / "certos" (?). A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça pequena e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do salto. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico. A área restante de madeira, a da palmilha, é forrada a flanela de cor preta.
Proveniência: Póvoa de Varzim


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela (?)
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, a caneta de cor preta, "Soco Poveiro". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé e, cujas pontas, na zona do calcanhar, terminam em redondo, sobrepondo-se um pouco uma sobre a outra, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras muito finas, executadas a linha de cor creme, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, um forro de flanela (?) de cor preta. Lateralmente, o interior de cabedal é também tingido de preto, à exceção da zona correspondente da boca à biqueira.
Proveniência: Póvoa de Varzim


 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Técnica: Punção
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 9,6; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) fechados de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é pintada lateralmente de cor violeta. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico redondo, um pouco levantado. A do soco do lado direito, apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Soca" / "Póvoa de" / "Varzim". Nesta zona, ambos os socos também apresentam, escrito à mão, a grafite: "34" / "/" / "15" - leia-se 34 em quinze. A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça pequena e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início da pata. A boca apresenta duas fileiras muito próximas de um fino pontilhado. Em cada lado, uma espécie de "L", orientado na diagonal, de limites externos de fino pontilhado e interior de pontilhado mais grosseiro e mais espaçado. Os vértices de tal "L" tendem para o centro da biqueira. Estes são unidos por espécie de losango conseguido pelo prolongamento dos limites exteriores dos "L". O interior é constituído por pontos mais grosseiros, semeados de espaço a espaço, de modo a seguir os contornos do losango. No interior do soco, a zona do calcanhar é pintada da mesma cor da sola, até ao início da palmilha. Na palmilha de ambos os socos, escrito à mão, a grafite, "34" / "/ " / "15".
Proveniência: Póvoa de Varzim


Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela

Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,5; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é tingida de preto. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Este, ao centro, em ambos os socos, marca em relevo: "PORTO". A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, uma vez a caneta de cor preta e outra vez a grafite, "p alta" e "PORTO" / "BICO PONTA" / "ALTA", respetivamente. Sobre estas inscrições, neste soco, e em igual posição no outro par, uma outra inscrição a grafite: "36". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, um forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira


 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela (?)
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira, gáspea e talão de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, a grafite, "PORTO" / "GALHOCHAS". A ligação entre a sola, gáspea e talão é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam a meio do salto. Cerca de três centímetros antes, inicia-se, na parte de fora da orelha, a aplicação de um talão de formato semicircular, que termina no lado oposto, mas agora, na parte de dentro dessa orelha. Na extremidade superior da gáspea e do talão, estes apresentam uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras muito finas, executadas a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira

  

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela (?); Papel
Dimensões (cm): altura: 6,5; largura: 8,5; comprimento: 25;

Descrição: Soco (par), de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Apresenta, ao centro, em ambos os socos, escrito à mão, a caneta de cor preta, "Papos-secos". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, sobre a madeira, forro de flanela (?) de cor azul. Por cima deste, na zona da calcanheira, um forro de oleado de cor preta, de formato parabólico, preso por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma, em cima e em baixo, espécie de ferraduras de abertura voltada para baixo, com flor no meio. A dar cor aos círculos, debaixo do oleado, pedaços de papel de cor amarela, verde, azul, vermelha e creme.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Técnica: Punção
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 12; comprimento: 30;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor castanha escura. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. O enfranque é em espinha. Apresenta, num dos lados desta, em cada soco, uma espécie de selo de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "249" em cima, e a letra "T" um pouco abaixo, do lado esquerdo, e ao centro "TC" - todos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I. / CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e muito levantado, orientado ao centro, não conferindo aos socos um par direito ou esquerdo. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a grafite: "Tamancos rabelos" / "Casais" / "Lousada". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor creme, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é bastante subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V" entre elas. Apresenta motivos fitográficos gravados por punção: zona da boca, à frente, apresenta uma linha contínua, transversal, encimada por repetição sucessiva de espécie de folha de cinco nervuras. Em ambas as extremidades de tal linha, descem num ângulo de 45º, duas bandas de quatro fileiras de pontilhado. Partindo do centro da mesma linha, para os lados, outras duas bandas de iguais características, que se cruzam com as anteriores. Um pouco acima da zona de cruzamento, partem destas bandas, outras duas, estas de três fileiras pontilhadas, que se unem ao centro, formando assim uma espécie de losango. Do seu vértice mais externo, até ao início da biqueira, uma banda larga, transversal, de uma fileira de pontilhado nos limites e de retas diagonais, entrecruzadas, ao centro. Com a exceção da biqueira, todas as zonas criadas pelo cruzamento das bandas apresentam decorações: um ponto junto a cada vértice, e sinete ao centro. No losango central, um sinete junto a cada vértice e outra de maiores dimensões ao centro. Abaixo deste a seguinte inscrição gravada por punção: "ZINHA". No interior de cada soco, na zona da calcanheira, uma inscrição feita à mão e a lápis: "42".
Proveniência: Porto / Lousada / Casais

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela; Papel
Dimensões (cm): altura: 7,5; largura: 9; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada de cor preta. A sola é pintada de preto e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto, estreito e afunilado. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado direito, escrito à mão, a grafite: "PORTO" / "DELAIDI -" / "NHA". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, sobre a madeira, um forro de flanela de cor preta. Por cima deste, na zona da calcanheira, oleado de cor preta, de formato parabólico, preso por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma uma espécie de três ferraduras concêntricas de diferentes alturas. Entre a mais interior, uma fileira de quatro círculos disposto no sentido da altura. A dar cor às ferraduras, debaixo do oleado, pedaços que papel de cores: branca, verde, e vermelha. Assim, a maior ferradura, a exterior, é de cor branca, a seguinte de cor verde e a última, de cor branca. A fileira central é de cor vermelha.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira
Local de uso: terras do interior e serras

  
REGIÃO DE TRÁS-OS-MONTES

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, madeira, tachas
Dimensões (cm): comprimento: 25;

Descrição: Soco de bico, com as pontas do "corte" terminando as orelhas quase unidas atrás. Sola de pau com salto baixo. A parte do corte está pregada à sola com tachas colocadas sobre o "circo". No lado interno tem um remendo cosido, na sola, além das tachas, tem remendo feito com borracha de pneu (?) tal como no salto Este soco estava enfiado num fueiro do carro de bois, reexposto na sala de Trás-os-Montes.
Proveniência: Trás-os-Montes

 
REGIÃO DO ALTO DOURO

 

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, madeira e metal
Dimensões (cm): comprimento: 24;

Descrição: Soco rabelo para mulher, biqueira levantada e pontiaguda, gáspea subida, decorada com motivos geométricos incisos, círculos, listas em grupo de 3 e serrilhas feitas com riscador; as orelhas chegam até ao calcanhar, agora abertas pelo uso prolongado. Sola de pau muito gasta, agora sem salto, apresenta na biqueira protetores metálicos. A ligação com a gáspea é feita por tachas pregadas sobre o circo. Não tem distinção entre o pé esquerdo e o direito.
Local de Uso: Terras de Basto - Vila Real - Amarante - Felgueiras - Lamego - Castro D'Aire

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 12,5; largura: 10; comprimento: 30;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. O enfranque é em espinha e apresenta, num dos lados desta, no soco do lado esquerdo, a inscrição "JAIME", cravada na madeira; no lado oposto, em cada soco, espécie de selo de papel de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO" repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre este fundo, espécie de brasão.
Por cima deste, o número "1720" e, ao centro, um "T", ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I. / CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e muito levantado, orientado ao centro, não conferindo aos socos um par direito ou esquerdo. Uma das patas apresenta, ao centro, escrito à mão e a grafite: "Tamancos rabelos" / "Casais" / "Lousada". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é bastante subida apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. No interior de cada soco, a zona entre a palma do pé e o calcanhar, apresenta uma inscrição feita a mão e a grafite: "42".
Proveniência: Lousada / Casais
Local de uso: região duriense, terras de Basto e Vila Real

 
REGIÃO DA BEIRA CENTRAL

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado e muito levantado. Apresenta, ao centro desta, em ambos os socos, escrito à mão, a caneta de cor verde, "VISEU". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de pelica de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras executadas a linha de cor creme, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco do lado esquerdo, na zona entre a palma do pé e o calcanhar, apresenta uma inscrição feita a mão e a grafite: "41".
Proveniência: Viseu

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Borracha; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 7,2; largura: 11,8; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par), de sola em madeira, gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. Apresenta no topo, com o mesmo formato, uma aplicação de borracha de pneu de cor preta, fixa com pregos metálicos. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado. Apresenta nos limites exteriores aplicação de uma banda de borracha de pneu de cor preta, formando espécie de ferradura, fixa com pregos metálicos. A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, profusamente pregada, com pregos metálicos, de cabeça larga e batida, justapostos uns aos outros. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de cabedal de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico, presa por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma uma espécie de flor de oito pétalas ao centro. Em cima e abaixo desta, os círculos dispõem-se em duas fileiras justapostas que infletem ao meio. Descendo da calcanheira pela zona da palmilha, vestígios de tecido escocês de listas ortogonais de cor vermelha justapostas a listas ortogonais de cor azul escura.
Proveniência: Seia / Sabugueiro

   
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 12,5; largura: 12; comprimento: 30;

Descrição: Soco de rasto de madeira e gáspea de cabedal de cor acastanhada. O rasto apresenta salto, enfranque e pata. O salto é alto e muito afunilado. Apresenta no topo, uma aplicação com dimensões ligeiramente superiores, de peça metálica. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, levantado, com vestígios semeados de charas de metal, de formato redondo. A união entre rasto e gáspea é guarnecida com tira de cabedal pregada, equidistante, a toda a volta, com pregos metálicos de cabeça larga e batida, à exceção da biqueira. Aí, é aplicada uma peça triangular de cabedal. Do lado direito do soco, aplicação de placa de metal, sobre a tira de cabedal. Tal placa, que cobre o lado do rasto e a tira, é pregada à madeira nas extremidades e ao centro, com pregos metálicos. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas, na zona do calcanhar, terminam em redondo, formando espécie de espaço em "V", entre elas.
Proveniência: Viseu / Vila Nova de Paiva / Fráguas

 
REGIÃO DA BEIRA LITORAL

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
 Matéria: Madeira; Couro; Metal (ferro)
Dimensões (cm): altura: 16; largura: 8; comprimento: 34;

Descrição: Soco com rasto de madeira e gáspeas de couro de cor castanha. O rasto é constituído pelo salto, enfranque e pata. O salto é tronco-cónico, apresentando três peças quadrangulares de ferro que lhe encaixam. O enfranque é lavado e esguio, apresentando uma descontinuidade com a pata. Esta última apresenta, junto às bordas, cardas de ferro, formando uma sucessão de triângulos. A união do rasto com as gáspeas é feita através de uma fita de couro pregada de espaço a espaço. As gáspeas são levantadas até à zona da calcanheira, terminando em "V". À frente, na extremidade superior, formam um pequeno triângulo. A parte da frente das gáspeas é reforçada com uma aplicação de couro, gravada por punção segundo uma linha central longitudinal, formando pequenos asteriscos. A biqueira do soco é reforçada com uma banda de ferro, que se prolonga lateralmente pelo soco até à zona da pata, pregada de espaço a espaço.
Proveniência: Segundo o artigo de Benjamim Pereira "Calçado de Pau em Portugal" este soco é proveniente de Aveiro.


 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,6; comprimento: 24,5;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Apresenta, no soco do lado direito, virado para o salto, junto á extremidade lateral, uma espécie de selo de papel de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO" repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "173" em cima, e a letra "T" ao centro, ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata, apresenta um bico muito redondo, sem queda. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco / Poveiro / Beira mar". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do salto. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um plástico de cor preta, de formato parabólico. É pregado, na sua aresta interior, ao centro, por um prego metálico de cabeça larga, batida. Contíguo a este forro, em cada soco, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO". Sobre este, escrito à mão, a grafite, o número: "33" (?).
Proveniência: Aveiro

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 10,5; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Soco (par) fechado de rasto em madeira e gáspea de cabedal envernizado, de cor preta. O rasto é constituído por salto, enfranque e a pata (?). O salto é baixo; o do soco do lado direito apresenta escrito à mão, a caneta: "Salto". O enfranque é em espinha e apresenta, num dos lados desta, também no mesmo soco, escrito à mão e a caneta de cor azul: "enfranque / modelo em espinha". Do outro lado da espinha, espécie de selo de papel, de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, espécie de brasão encimado pelo número "173", e a letra "T" ao centro - ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e ligeiramente levantado. O bico do soco do lado direito apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Pata". No mesmo alinhamento desta, junto à extremidade direita, a palavra "encarna", de onde parte uma seta apontando para a fita que une a sola e a gáspea. A pata do soco do lado esquerdo, refere do mesmo modo: "Tamanco Fechado". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma encarna: uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. Na parte da frente, na biqueira, a ligação é de folheta de metal de cor prateada. Esta, no limite superior, é de arco ogival, e no limite inferior, lobulada, tendo em cada lóbulo, um prego. A folheta apresenta uma espécie de motivo orientalizante. A gáspea é bastante subida apresentando orelhas, de vértice superior arredondado, que se sobrepõem na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras executadas a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. O interior da gáspea é de cabedal de cor castanha escura. Na zona da calcanheira de cada soco, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Proveniência: Aveiro

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 6,5; largura: 8; comprimento: 25;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, ligeiramente levantado, não havendo diferenciação entre direito e esquerdo. A do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco" / "Chinela" / "(Interior)" / "Varina". A referência "interior" encontra-se riscada. A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do tacão. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um forro de plástico preto, de formato parabólico. É pregado, na sua aresta interior, ao centro, por um prego metálica de cabeça larga e batida. Contíguo a este forro, em cada soco, um carimbo de cor vermelha com a inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Proveniência: Aveiro

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 9; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor creme - "cabedal branco". A sola é constituída por salto, enfranque e a pala. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Apresenta, num dos lados, uma espécie de selo de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "173" em cima, e a letra "T" ao centro - ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e ligeiramente levantado. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco branco". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor castanha, pregada de espaço a espaço com pregos metálicos de cabeça larga e batida. Na parte da frente da biqueira, a ligação é de folheta de metal de cor prateada. Esta, no limite superior, é de arco ogival, e no limite inferior, lobulada, tendo em cada lóbulo, um prego metálico. A folheta apresenta espécie de motivo orientalizante. A gáspea é bastante subida. As orelhas, cujas pontas terminam em bico, tocam-se na zona do calcanhar. Apresenta algumas gravações por punção: zona da boca, à frente, apresenta duas linhas gravadas em profundidade no cabedal, seguindo os contornos da mesma; na zona da biqueira apresenta seis linhas, espaçadas duas a duas, sendo que entre as duas mais anteriores e as do meio, cinco linhas iguais às anteriores, oblíquas, cruzando-se entre elas, ao centro. No interior de cada soco, na zona da calcanheira, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Local de uso: Região da Bairrada

REGIÃO DO ALTO ALENTEJO

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Madeira, couro, tachas
Dimensões (cm): comprimento: 24,5;

Descrição: Soco composto por duas tiras de couro, que unem sobre o peito do pé, ajustadas com uma tira (atacador) estreito partido, passando por 6 orifícios; sola de madeira alta unida ao couro com tachas.
Proveniência: Louredo, Marvão

 
Fontes:
www.matriznet.imc-ip.pt
Museu Nacional de Etnologia
Museu de Arte Popular


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