quarta-feira, Agosto 13, 2014

TRAJE FEMININO DOMINGUEIRO OU DE FESTA DO BAIXO MINHO

Os dias de festa e de ver a Deus eram especiais e extremamente importantes para a sociedade, pois era aproveitado para um melhor atavio das mulheres, quer através dos trajes quer dos adornos utilizados.
As peças que se descrevem de seguida eram sobretudo utilizadas nessas alturas e pertencem ao Grupo Folclórico da Corredoura, fundado em 1956 na freguesia de S. Torcato, concelho de Guimarães, cujas descrições foram recolhidas no Museu de Alberto Sampaio.

JAQUETAS FEMININAS

Fig.1
Denominação: Jaqueta Feminina (Fig.1)
Datação: 1876 d.C. - 1900 d.C.
Matéria: Lã; seda; algodão; metal.
Técnica: Cetim Lavrado
Dimensões (cm): altura: 39; largura: 31; comprimento: 55,5 (manga);

Descrição: Jaqueta em lã de tom avermelhada lavrada com listras verticais alternando com motivos fitomórficos, de mangas compridas e gola redonda. Aplicação de galão em seda de tom rosa ao longo da parte inferior das mangas e do corpo da jaqueta. As mangas rematam com renda de fabrico industrial. O peitoral é ornado com seda de tonalidade rosa. A mesma seda é usada no forro da gola. Aperta à frente com quatro botões, dois pares de molas metálicas e seis pares de colchetes metálicos. A jaqueta é forrada.
 
Fig.2


Fig.3
Denominação: Jaqueta Feminina (Fig.2 e 3) Datação: 1876 d.C. - 1900 d.C.
Dimensões (cm): altura: 43; largura: 36; comprimento: 43 (manga);

Descrição: Jaqueta de lã preta lavrada, possui mangas compridas e decote redondo. Aplicação de um galão de pêlo natural preto no remate dos punhos, no contorno do peitilho e na orla inferior da jaqueta. Ornada com passamanarias com vidrilhos pretos na gola, peitilho, mangas e orla inferior da jaqueta. Possui onze botões de metal e com motivos fitomórficos a ornamentar as mangas e o peitilho. Forro em algodão creme lavrado com listras verticais e horizontais em tons de cinza e vermelho. Aperta à frente com seis pares de colchetes.

 

Fig.4


Fig.5
Fig.6











Denominação: Jaqueta Feminina (Fig.4, 5 e 6)
Datação: 1876 d.C. - 1900 d.C.
Dimensões (cm): altura: 42; largura: 44; comprimento: 51 (manga);

Descrição: Jaqueta em lã preta lavrada com formas geométricas, de mangas compridas e decote redondo. Aplicação de um galão em pêlo natural no remate das mangas, na orla inferior da jaqueta e a contornar o peitilho. Possui passamanarias de fio de algodão castanho e lantejoulas em forma de rosetas nas mangas e no corpo da jaqueta. O peitilho está ornamentado com um galão em fio de algodão castanho e lantejoulas e quatro botões ornamentais de metal com motivos fitomórficos. A gola está forrada em algodão preto. Forro em tecido de algodão lavrado com listras verticais em tons de vermelho, rosa e creme. Aperta à frente com quatro pares de colchetes metálicos.

SAIA


Fig.7
Fig.8
Denominação: Saia (Fig.7 e 8)
Datação: 1901 d.C. - 1925 d.C.
Matéria: Lã; algodão; metal
Técnica: Sarja Tafetá
Dimensões (cm): altura: 94; largura: 40 (cinta);

Descrição: Saia de lã preta com cintura pregueada também de lã preta e unida ao resto da saia por uma costura horizontal. Aperta de lado com dois pares de colchetes metálicos na cintura a partir de uma pequena abertura. Possui uma prega horizontal a meio da saia. Esta ainda é bordada na parte inferior com lantejoulas e vidrilhos coloridos em motivos de silva. Possui um galão em fita de lã preta franzida, seguindo-se uma barra em veludo de algodão preto. Debruada na roda com uma fita de algodão preto. O forro da barra é em tafetá também de algodão preto.

AVENTAL


Fig.9
Denominação: Avental (Fig.9,10,11 e 12)
Datação: 1876 d.C. - 1900 d.C.
Matéria: Algodão; vidrilhos
Técnica: Veludo
Dimensões (cm): largura: 63; comprimento: 72;

Descrição: Avental em veludo de algodão preto, franzido na cintura, apertando atrás com duas fitas no mesmo material. Bordado com vidrilhos pretos formando motivos florais. Possui um galão em material sintético preto e está rematado na parte inferior com uma aplicação de um galão em pelo natural de tonalidade acastanhada.


Fig.10
Fig.12



Fig.11
 

Fontes:
Museu de Alberto Sampaio - Guimarães
http://www.matriznet.dgpc.pt/
Grupo Folclórico da Corredoura

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segunda-feira, Agosto 11, 2014

SOCOS DOS AÇORES


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido; Flanela (lã); Madeira (loureiro); Couro; Metal; Plástico (?)
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8; comprimento: 26;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira de loureiro. Este é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado; o enfranque esguio e em descontinuidade com a pata. O enfranque de um dos socos refere, escrito a esferográfica de cor azul: "Ilha Terceira / Angra do Heroísmo"; o outro soco, na mesma zona, refere: "madeira de loiro". A pata do primeiro soco refere ainda: "galochas para luto (?)". Apresenta umas gáspeas, que reduzem progressivamente a sua altura até à zona da calcanheira, em flanela de lã de cor preta. Estas são pregadas ao rasto por intermédio de uma fina fita de couro de cor branca. A orla superior das gáspeas é debruada por uma fita de lã de cor preta. Abaixo desta fita, à frente, surge a aplicação transversal de uma outra fita em plástico da mesma cor, cravada, ao centro, com três ilhós metálicas. A biqueira apresenta uma aplicação triangular da mesma fita.

Proveniência: Portugal / Angra do Heroísmo

 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira (cedro); Couro; Metal
Dimensões (cm): altura: 8; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira de loureiro. Este é constituído por salto, enfranque e pata. O salto é alto e levemente afunilado; o enfranque esguio e em descontinuidade com a pata. O enfranque de um dos socos refere, escrito a esferográfica de cor azul: "Galochas de homem / madeira de cedro". Apresenta umas gáspeas, que reduzem progressivamente a sua altura até à zona da calcanheira, em couro de tom amarelado. Estas são pregadas ao rasto por intermédio de uma fina fita de couro de cor branca. A orla superior das gáspeas é debruada por uma fita semelhante. Abaixo desta fita, à frente, surge a aplicação transversal de uma outra fita do mesmo material e cor das gáspeas, cravada, ao centro, com três ilhós metálicas. A biqueira apresenta uma aplicação triangular da mesma fita, ponteado à máquina.

Proveniência: Portugal / Angra do Heroísmo


Fontes:
www.matriznet.imc-ip.pt
Museu Nacional de Etnologia
Trajar do Povo em Portugal

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terça-feira, Agosto 05, 2014

Traje masculino domingueiro ou de festa do Baixo Minho


Em dias especiais, de Festa e Romaria, os homens aprumavam-se vestindo calça, colete de pelúcia e casaca ou jaqueta (com alamares dourados ou prateados), predominantemente em preto, acompanhados pelo uso de sapatos de pele atanada pespontados a branco com rebordo a vermelho, ou bota igualmente de pele atanada, cardada ou não, contrastando com a camisa de linho bordada a vermelho e/ou branco, a faixa preta ou vermelha e o uso de chapéu predominantemente preto.

As peças que se descrevem de seguida pertencem ao Grupo Folclórico da Corredoura fundado em 1956 na freguesia de S. Torcato, concelho de Guimarães, cujas descrições foram recolhidas no Museu de Alberto Sampaio.
 
CAMISAS DE HOMEM


Fig. 1

Fig. 2


Camisa de homem (Fig.1 e 2)
Local de Execução: Guimarães
Datação: 1901 d.C. - 1925 d.C.
Matéria: Linho; algodão; metal; plástico
Técnica: Tafetá Bordado
Dimensões (cm): altura: 89,5; largura: 57;

Descrição: Camisa em linho branco de mangas compridas, gola em bico e fralda, bordada no peitilho, gola e ombreiras com motivos florais, sendo a ratoeira bordada a vermelho com o nome «JOSE OLI» em letras maiúsculas. A parte superior das mangas está ornada com favos. Abotoa à frente com um botão de plástico e três pares de molas metálicas, e os punhos abotoam cada qual com o seu botão.


Fig. 3
Fig. 4
Camisa Homem (Fig. 3 e 4) Local de Execução: Guimarães
Datação: 1901 d.C. - 1925 d.C.
Matéria: Linho; plástico
Técnica: Tafetá Bordado com os pontos: pé-de-flor; cheio; canutilho; gradinha; ilhó de rolinho; favos; nozinho
Dimensões (cm): altura: 94; largura: 78,8; comprimento: 71 (manga);

Descrição: Camisa com peitilho bordado com barras verticais, formadas por motivos geométricos, dentro dos quais estão bordados motivos florais. Aperta com quatro botões. A ratoeira é bordada a vermelho com a legenda "MANOEL", as letras são intercaladas com pequenos motivos florais. As mangas são compridas, possuem favos na parte superior, punho e apertam com um botão.
Fig. 5
Fig. 6
Camisa Homem (Fig. 5 e 6)
Local de Execução: Guimarães
Datação: 1901 d.C. - 1925 d.C.
Matéria: Linho; plástico
Técnica: Tafetá Bordado com os pontos: pé-de-flor; cheio; recorte; cruz; gradinha; cadeia; ilhó de rolinho; ilhó de recorte
Dimensões (cm): altura: 100; largura: 58; comprimento: 79,5 (manga);

Descrição: Camisa com peitilho profusamente bordado com pássaros, flores, corações, trevos, jarras e cruzes, sendo a carcela bordada com uma barra de flores. A ratoeira é bordada a vermelho a ponto cruz e ponto cadeia, com a legenda "AMPA". Aperta com três botões e possui mangas compridas que rematam com punho e apertam com um botão.


Fig. 7
Fig. 8
Camisa de homem (Fig. 7 e 8)
Local de Execução: Guimarães
Datação: 1901 d.C. - 1925 d.C.
Matéria: Linho; algodão; plástico
Técnica: Tafetá Bordado com os pontos: pé-de-flor; cheio; recorte; gradinha; formiga; ilhó de rolinho; rolinho; lançado; favos; nozinho
Dimensões (cm): altura: 94,8; largura: 59;

Descrição: Camisa com ombreiras e peitilho bordados com barras verticais, formadas por motivos geométricos, dentro dos quais estão bordadas flores. Aperta com três botões de plástico, mas atualmente falta um botão. A ratoeira está bordada a vermelho com a legenda "ANTONIO*M" rodeada com um friso de silvas. As mangas são compridas, possuindo na parte superior favos de pequena dimensão ladeados por duas hastes com pétalas, rematam com punho e apertam com um botão.

 JAQUETA HOMEM


Fig. 9
Fig. 10
Fig. 11

Jaqueta Homem (Fig.9, 10 e 11)
Local de Execução: Guimarães
Datação:1876 d.C. - 1900 d.C.
Matéria: Lã; prata; algodão; plástico Forro: algodão vermelho
Técnica: Tafetá
Dimensões (cm): altura: 56; largura: 34;

Descrição: Jaqueta em carapinha de lã em tom castanho, de mangas compridas e decote em bico com gola e bandas. Possui dois bolsos de recorte redondo no exterior e um bolso no interior. É debruada com fita preta nas bandas, nos bolsos, nas mangas e no recorte inferior da jaqueta. As mangas também são ornadas com um total de dezasseis botões de plástico castanho, um dos quais está partido. Possui ainda quatro alamares de prata em forma de cavalos empinados, cada qual com uma corrente rematada com uma pequena esfera.


Fig. 12
Fig. 13

Jaqueta Homem (Fig. 12 e 13)
Datação: 1876 d.C. - 1900 d.C.
Matéria: Lã; algodão; prata; metal
Técnica: Tafetá
Dimensões (cm): altura: 60; largura: 40;

Descrição: Jaqueta em tecido de lã preta lavrada com listras verticais em pelúcia, de mangas compridas e decote em bico com gola e bandas. Possui dois bolsos de recorte redondo no exterior e um bolso no interior. A jaqueta é debruada com fita preta de material sintético nas bandas, nos bolsos, nas mangas e no recorte inferior da jaqueta. A gola e a parte inferior das mangas estão forradas a algodão preto. As mangas estão decoradas com um total de quatro botões pretos de plástico. Possui dois alamares em moedas de prata: uma datada de 1896 com o perfil de D. Carlos I e a outra datada de 1886 com o perfil de D. Manuel I, ambos antigos Reis de Portugal. Cada moeda contém uma corrente de prata, embora uma esteja incompleta. Forro em tafetá de lã vermelha.

 
CALÇAS DE HOMEM

Fig. 14
Calças Homem (Fig. 14)
Datação: 1876 d.C. - 1900 d.C.
Matéria: Lã; algodão; plástico; metal
Técnica: Tafetá
Dimensões (cm): altura: 93,5; largura: 36;

Descrição: Calças em tecido de lã de tonalidade preta, lavrada com listras verticais alternando com ziguezagues verticais. Aperta à frente na braguilha com três botões em plástico e um colchete metálico de grandes dimensões e aperta atrás com presilha e fivela metálica. Possui dois bolsos à frente. O forro dos bolsos é em tafetá de algodão branco e o da cintura em algodão vermelho.

 COLETE DE HOMEM


Fig. 15


Fig. 16
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Colete Homem (Fig. 15 e 16)
Datação: 1876 d.C. - 1901 d.C.
Matéria: Lã; algodão; metal
Técnica: Tafetá
Dimensões (cm): altura: 54; largura: 48;

Descrição: Colete em pelúcia de material sintético de tonalidade acinzentada, decote redondo com bandas reviradas e cada uma presa com o seu botão de plástico de tom creme. A frente trespassa e está ajustada com um total de doze botões de plástico em tom creme. Possui três bolsos externos: um bolso na parte superior direita e dois bolsos na parte inferior. Costas em lã verde lavrada com listras verticais pretas, possuindo presilha e fivela metálica em baixo. Forro em tafetá de algodão lavrado com listras verticais de tonalidade acastanhada.


Fig. 17
Fig. 18














Colete Homem (Fig. 17 e 18)
Datação: 1876 d.C. - 1900 d.C.
Matéria: Lã; algodão; metal
Técnica: Tafetá
Dimensões (cm): altura: 51; largura: 52;

Descrição: Colete em pelúcia de material sintético de tom acastanhado, decote redondo com bandas reviradas e presa cada uma delas com o seu botão de plástico de tonalidade acastanhada. Possui uma casa de botão na parte inferior da banda direita onde seria preso um cordão. A frente trespassa e está ajustada com um total de sete botões de plástico de tom creme (falta um). Possui três bolsos externos: um bolso na parte superior direita e dois bolsos na parte inferior: e um bolso interno na parte direita. Está debruado na gola, nas bandas, nos bolsos e na parte inferior por uma fita de lã de tonalidade creme. Costas em lã vermelha lavrada com listras verticais pretas, possuindo presilha e fivela metálica em baixo. Forro em tafetá de algodão lavrado com listras verticais pretas e azuis.

 

Fontes:
Museu de Alberto Sampaio - Guimarães
http://www.matriznet.dgpc.pt/
Grupo Folclórico daCorredoura
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sexta-feira, Agosto 01, 2014

FESTAS DA ALDEIA DA ROUPA BRANCA


As FESTAS DA CHARNECA DE VENDA DO PINHEIRO (ALDEIA DA ROUPA BRANCA), irão decorrer de 4 a 8 de Setembro (de 5ª a 2ª feira) e do seu vasto programa, constam: FADO, FOLCLORE, GAITEIROS, ACORDEONISTAS, CONCERTINAS, CAVALHINHO MUSICAL, TEATRO DE RUA, ARTESANATO, ARRAIAL, PRÉMIOS BEATRIZ COSTA, CONCURSO DE FOTOGRAFIA, ESPETÁCULO NO PALCO, PASSEIO PEDESTRE, CONCERTO, CAVALHADAS, PETISCOS, MISSA E PROCISSÃO, ALMOÇOS E JANTARES, PORCO NO ESPETO, CINEMA AO AR LIVRE E MUITA E MUITA ANIMAÇÃO. A FESTA DA CHARNECA É A MAIS SALOIA DE TODAS AS FESTAS.
Já foram nomeados os "Prémios Beatriz Costa 2014", que serão entregues no decorrer das grandes FESTAS DA CHARNECA DE VENDA DO PINHEIRO (ALDEIA DA ROUPA BRANCA), no sábado, dia 6 de Setembro, no Palco Central, a partir das 22:00 horas.
Este ano e pela primeira vez, será, também, atribuído o "Prémio Carreira" que a título excepcional irá distinguir duas personalidades que perfazem 50 anos de Teatro. Serão eles: a actriz MARIEMA e o empresário e produtor teatral HÉLDER FREIRE COSTA.

quinta-feira, Julho 31, 2014

Chapéus de Homem – Alentejo e Algarve

Em 1947 Jorge Dias é convidado para coordenar o sector de Etnografia do Centro de Estudos de Etnologia Peninsular (CEEP), chamando de imediato um conjunto de investigadores da sua confiança para com ele trabalhar nesse Centro – Margot Dias, Fernando Galhano, Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira. Estes investigadores estariam também na origem e desenvolvimento, alguns anos mais tarde, do projeto do Museu de Etnologia (atualmente Museu Nacional de Etnologia).

Do acervo que o Museu Nacional de Etnologia possui na categoria "Vestuário e Adereços", destacam-se alguns chapéus de homem das regiões do Alentejo e Algarve, recolhidos nos concelhos de Estremoz, Borba, Cuba, Serpa e Loulé.
 
Fig.1
Denominação: Chapéu de Homem (Fig.1)
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Feltro (fibra animal); Gorgorão (algodão); Pergamoide; Tecido; Plástico; Papel
Dimensões (cm): altura: 9; largura: 31; diâmetro: 34;

Descrição: Chapéu em feltro de cor preta.
Apresenta uma copa de secção transversal oval, de formato cilíndrico.
A base da copa é adornada com uma fita de gorgorão de algodão de cor preta, cujas pontas se unem, lateralmente, através de três pequenos botões forrados a gorgorão de cor preta, dispostos na diagonal.
As abas são um pouco reviradas para cima.
A sua orla é debruada por uma fina fita de gorgorão.
Interiormente, a zona de passagem das abas para a copa apresenta uma aplicação de pergamoide de cor preta, com a seguinte inscrição a dourado: "ABREU / CUBA". Apresenta também uma etiqueta de cor branca, colada, escrita a esferográfica: "8 a n(?) x / e 7% / 9011".
A copa é forrada a tecido de cor branca.
No topo, o tecido é estampado com um logótipo de cor azul e vermelha que refere: "FÁBRICA DE CHAPÉUS / Globo / SS & DLda / S. JOÃO DA MADEIRA / ABREU / CUBA". Nesta zona, o tecido é plastificado.
Entre o tecido de cor branca e o pergamoide surge uma pequena etiqueta em papel de cor verde com o número "57".
Proveniência: Beja / Cuba

Fig.2

Denominação: Chapéu de Homem (Fig.2)
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Feltro (fibra animal); Gorgorão (algodão); Pergamoide
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 25; comprimento: 29;

Descrição: Chapéu em feltro de cor preta.
Apresenta uma copa cónica, de topo côncavo.
A passagem da copa para as abas é adornada por uma fita de gorgorão de cor preta que, lateralmente, forma uma laçada.
A orla das abas é também debruada por uma fina fita do mesmo material. Interiormente, a zona de passagem da copa para as abas apresenta uma aplicação, para dentro da copa, de uma fita de pergamoide de cor preta gravada com a seguinte inscrição: "JOAQUIM DA SILVA / FAZENDAS E CHAPÉUS / ALTE".
Proveniência: Recolha atribuída a José Cavaco Vieira, na freguesia de Alte, concelho de Loulé.

Fig.3

Denominação: Chapéu de Homem (Fig.3)
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Feltro (fibra animal); Gorgorão (algodão); Pergamoide; Tecido; Plástico
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 26; comprimento: 29;

Descrição: Chapéu em feltro de cor preta.
Apresenta uma copa cónica, de topo arredondado.
A passagem da copa para as abas é adornada por uma fita de gorgorão de cor preta que, lateralmente, forma uma laçada.
A orla das abas é ligeiramente revirada para fora. É também debruada por uma fina fita do mesmo material.
Interiormente, a zona de passagem da copa para as abas apresenta uma aplicação, para dentro da copa, de uma fita de pergamoide de cor castanha gravada com a seguinte inscrição: "FRANCISCO MANUEL RAMOS, Jor / SERPA". No lado oposto desta inscrição surge o nome "RITA" escrito a esferográfica.
O interior da copa é forrado a tecido de cor branca. No topo surge a seguinte inscrição: "COMERCIAL / FRANCISCO MANUEL RAMOS, Jor / SERPA", com um logótipo de uma figura feminina caminhando sobre um globo. Nesta zona o tecido é plastificado.
Proveniência: Beja / Serpa
 
Fig.4
Denominação: Chapéu de Homem (Fig.4)
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Feltro (fibra animal); Gorgorão (algodão); Pergamoide
 Dimensões (cm): altura: 10; largura: 31; comprimento: 34;

Descrição: Chapéu em feltro de cor preta.
Apresenta uma copa cónica, de topo convexo. A passagem da copa para as abas é adornada por uma fita de gorgorão de cor preta que, lateralmente, forma uma laçada.
As abas são reviradas para cima. A sua orla é também debruada por uma fina fita do mesmo material.
Interiormente, a zona de passagem da copa para as abas apresenta vestígios de uma aplicação de uma fita de pergamoide de cor castanha.
Proveniência: Beja / Serpa


Fig.5
Denominação: Chapéu de Homem (Fig.5)
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Feltro (fibra animal); Gorgorão (algodão); Pergamoide
Dimensões (cm): altura: 8; largura: 40; comprimento: 44;

Descrição: Chapéu em feltro de cor preta.
Apresenta uma copa cónica, de topo côncavo. A passagem da copa para as abas é adornada por uma fita de gorgorão de cor preta que, lateralmente, forma uma espécie de laçada.
As abas são reviradas para cima. A sua orla é também debruada por uma fina fita do mesmo material. Interiormente, a zona de passagem da copa para as abas apresenta a aplicação de uma fita de pergamoide de cor castanha.
Proveniência: Évora / Borba


Fig.6
Denominação: Chapéu de Homem (Fig.6)
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Feltro (fibra animal); Gorgorão (algodão); Tecido (lã)
Dimensões (cm): altura: 20; diâmetro: 35;

Descrição: Chapéu em forma de calote, em feltro de cor preta.
A meio da altura apresenta a aplicação transversal de uma fita em gorgorão de algodão de cor preta que forma uma laçada lateralmente. Esta fita é também percorrida por uma fita mais fina, elástica, de cor preta. 
A orla do chapéu é também percorrida por uma fina aplicação de gorgorão. Interiormente, o chapéu tem aplicado duas fitas em tecido de lã de tom esverdeado, que caem livremente, e que atam o chapéu à volta do pescoço.
Proveniência: Estremoz / Orada
 
Fontes:
Museu Nacional de Etnologia
www.matriznet.imc-ip.pt
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sexta-feira, Julho 25, 2014

Socos Femininos do Algarve


Estes socos fazem parte de um conjunto de objetos que o Museu Nacional de Etnologia possui no seu acervo da região do Algarve, recolhidos, de uma forma geral, a José Cavaco Vieira, na freguesia de Alte, concelho de Loulé.


Par de Socos com rasto em madeira, constituído por salto, enfranque e pata.
O salto é largo, assim como o enfranque, que apresenta uma descontinuidade com a pata.
A parte de cima dos socos é feita separadamente.
A base é de couro de cor castanha. Na zona da palmilha, o couro estende-se um pouco para os lados. É depois virado para fora e pregado, de espaço a espaço, ao rasto.
As gáspeas são em tecido de lã de cor cinzenta, fechado no calcanhar. Apresentam um quadriculado de cor branca, verde e azul. À frente, apresenta a aplicação de um retângulo de pele de animal, com pelo de cor castanha.
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Material: Tecido (lã); Fibras animais; Madeira; Couro; Metal (ferro)
Dimensões (cm): altura: 11; largura: 9; comprimento: 25;

Fontes:
Museu Nacional de Etnologia

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ROUPA DE BAIXO III – Meias


Por: José Joaquim Ferreira Marques

As meias já eram usadas pelos coptas como provam achados em túmulos.
Na Idade Média usavam-se meias feitas de pedaços de tecido.
Como as conhecemos hoje, aparecem em 1554 pela mão do inglês “William Rider” que teve a ideia de confecionar umas calças em malha de lã. Em 1589, um outro inglês “William Lee” inventa a máquina de tricotar e com ela surgem as meias tricotadas, que de inicio eram lisas e feitas em lã. Às meias de lã sucederam em 1685 as meias de fio de algodão, a que deram o nome de “meias de bárbaro”, de cor branca ou matizadas. Brancas, (fig.57) pretas, (fig.58) castanhas, (fig.59) recolhidas em Asseiceira – Tomar, cinzentas e até algumas às riscas  branco e vermelho, (fig.60) estas recolhidas em Chancelaria pelo Rancho Folclórico de Torres Novas, eram tricotadas em lã, algodão (executadas com cinco agulhas). Algumas arrendadas, conforme o seu uso, no trabalho ou nos domingos e dias de festa.


Fig 57
Fig 58



Fig 59


Fig 60





















No trabalho, usaram-se muito as meias de cordão de cor castanha, feitas em fio de algodão.
As mulheres também usavam no campo os canos (fig.61) recolhidos em Riachos pelo Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Riachos. Estes como não tinham pé, serviam para proteger as pernas durante o trabalho.
Em 1940, aparecem as meias de nylon. Nos anos cinquenta, aparecem as meias sem costura em várias cores e espessuras. Em 1960, surgem as famosas colants.


Fig 61
As pessoas mais abastadas usavam meias em seda (fig.62).
O comprimento das meias foi sempre até acima do joelho (e não abaixo como por vezes se vê).


Fig 62

 
Fonte: Marques, José Joaquim Ferreira in "Roupa de Baixo/Conservação" Out.2009

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