Quinta-feira, Julho 16, 2009

Grupo Folclorico Português Alma Lusa comemora 50 anos

O Grupo Folclorico Português Alma Lusa comemora 50 anos de existência, com uma grandiosa festa no Paraná - Brasil.
Não sendo habito fazer este tipo de anúncios, também não podia deixar de o fazer já que se trata de um grupo que tem dedicado à divulgação das nossas tradições junto da comunidade portuguesa no Brasil, mantendo uma ligação cultural entre os luso-descendentes e o seu pais de origem.
50 Anos é uma bonita idade, digna de ser assinalada e festejada.
Parabéns!

Traje de Vale d'Este – Baixo Minho



O Traje de Vale d'Este é assim designado por ter tido maior predominância no vale onde corre o rio Este, afluente do rio Ave, e entrou em desuso nos princípios do século XX.
A moça que pertencia esta região envaidecia-se com o seu chapéuzinho de copa rasa, que enfeitava com fitas de veludo e lantejoulas e, descobrindo o busto, mostrava o colete bordado a seu gosto.
O trajo era assim composto por um pequeno chapelinho de feltro, guarnecido de veludo, plumas, borlas e fios de cores garridas, com fita de veludo em pontas pendentes para a nuca; lenço de tule branco bordado em pontas soltas; camisa de linho, ricamente bordada e adornada com rendas; colete de rabos ajustado na frente com cordão, frente e costas bordadas a preto ao gosto da moça; a saia é ampla de baetilha preta, fartamente rodada e "aparelhada" a veludo, cetim e vidrilhos; usa um pequeno avental, às riscas verticais das mais variadas cores, guarnecido de barra de veludo preto, tecido nos teares da aldeia; algibeira bordada a lãs; lenço bordado; meias brancas, rendadas, de linho ou algodão; chinelos de verniz, pespontas a branco; brincos e farto oiro no peito.

Fonte: Rancho Folclórico de Santa Maria de Aveleda

Domingo, Julho 05, 2009

Descarregador de peixe – Setúbal - Estremadura

De passagem por Setúbal não podia perder o 33º Festival Nacional de Folclore organizado pelo Rancho de Praias do Sado, que decorreu ontem, dia 4. Um espectáculo maravilhoso, num auditório extraordinário e com um público entusiasta.

Confesso que gostei tanto do que vi e ouvi, que me apeteceu homenagear esse grupo e essa cidade falando de um dos seus trajes mais simbólicos – o Descarregador de Peixe.

Tentei encontrar uma descrição deste traje mas não consegui, pelo que a exposição seguinte resulta apenas da minha observação, se algum dos leitores pretender acrescentar algo agradeço.

O traje do descarregador de peixe é composto por umas calças curtas e um casaco de cotim, veste ainda uma camisa de riscado. Na cabeça usa o seu principal instrumento de trabalho e o objecto que marca a sua actividade, um chapéu metálico de forma circular, com aba larga e profunda, sobre o qual transporta as canastras de pescado. Para proteger a cabeça da rigidez do metal, utiliza um lenço que amarra na nuca.

Anda descalço, pois a actividade assim o obrigam.

Noutras regiões e em actividades idênticas, havia o costume do peixe que caísse nestes chapéus reverteria a favor do descarregador, daí o andar bamboleante que adoptavam, não sei se é esse o caso, mas gostava de conhecer mais.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Conservação de Trajes

Ao longo destes anos tenho descrito centenas de trajos e muitas vezes falado na importância da sua conservação.
No entanto, não nos podemos esquecer que a maior parte dos trajes antigos estão na posse de grupos etnográficos e ranchos folclóricos que possuem pouca experiencia e meios para conservar os seus acervos, pelo que, estes acabaram por se perder.
No presente artigo, vou tentar dar algumas dicas sobre técnicas de conservação de têxteis, mas que não substituem a necessidade de consulta a um técnico avalizado, já que, para além da conservação existe o restauro e este só deve ser efectuado por pessoas devidamente habilitadas para o efeito.
Diz a sabedoria popular que “mais vale prevenir que remediar”, pelo que, se pretendemos perpetuar a existência de determinada indumentária temos de nos preocupar com a sua conservação.
Uma peça de indumentária, ao longo do tempo, sofreu um desgaste próprio do seu uso, mas também a influencia do meio ambiente e da forma como foi acondicionada, pelo que muitas vezes chegam até nós fragilizadas e a sua exposição e manuseio só irá contribuir para a degradação.
Quando planeamos a constituição de uma zona de armazenamento de têxteis, temos de planear o que vamos guardar e como.
Desde logo, o espaço de armazenamento deve ter em consideração os seguintes factores que contribuem para a deterioração de têxteis:



Para a conservação e estudo de uma peça de indumentária é extremamente importante a sua catalogação, utilizando fichas descritivas, quer da peça como do seu estado de conservação, e fotografias, de forma a que a peça seja manuseada o menos possível.



Depois, a peça passa por 5 fases com vista à sua conservação:
1 - Higienização: que consiste na eliminação de sujidades generalizadas, extrínsecas ao objecto, como poeira, excrementos de insectos, partículas sólidas, suor e outros elementos estranhos a sua estrutura e pode ser realizada através de limpeza a seco ou aquosa.
2 - Desinfestação: tratamento que tem por objectivo a eliminação de macro e/ou microrganismos existentes nos materiais têxteis e requer o uso de câmaras de baixa temperatura ou de insecticidas, aplicados em câmaras de fumigação ou no próprio ambiente (este tratamento só deve ser adoptado em casos extremos).
3 - Hidratação: Destina-se a minimizar os vincos e os enrugamentos causados pelas condições inadequadas de armazenamento e acondicionamento – os métodos mais usados são a vaporização a frio e a humidificação em tenda.
4 - Acondicionamento: consiste na utilização de embalagens adequadas para a guarda dos objectos têxteis dentro do museu e outras específicas para transporte e exposição.
5 - Armazenamento: Tratamento que consiste em guardar os objectos têxteis que não estão expostos.

Quando se acondiciona uma peça, deve ser evitado a utilização de material ácido, como, caixas de papelão, jornais, papéis coloridos, etc., pois a sua acidez pode passar para os tecidos, causando manchas e descolorações. Também não devem ser acrescentados materiais que possam influenciar negativamente a peça, como, agrafos, clipes, alfinetes, etiquetas de papel, colas, autocolantes, tintas de caneta, etc.

Quanto ao armazenamento, este pode ser horizontal (caixas, prateleiras, gavetas) ou verticais (pendurados, emoldurados ou em cilindros), a opção depende do tipo de objecto e do espaço disponível para armazenamento. O sistema de armazenamento deverá permitir uma fácil movimentação dos artefactos e a seguranças dos objectos e das pessoas que os manipulam.
1 - Condicionamento em caixas de papel: As caixas de papelão utilizadas necessitam de ser isoladas no seu interior com papel livre de ácidos, como papel de seda neutro ou papel de arroz. O acondicionamento feito em caixas tende a ocupar mais espaço, mas os artefactos ganham um grau maior de apoio e protecção.
2 - Acondicionamento em cilindros: Os tecidos planos, assim como xailes ou lenços, podem ser enrolados em cilindros, evitando dobras e vincos. Os tecidos devem ser enrolado com um outro tecido neutro, pano cru, manta acrílica ou malha hospitalar, e não devem estar apertados ao cilindro.
4 - Acondicionamento em gavetas: As gavetas de alumínio anodizado podem guardar pequenos artefactos, mas estes devem estar colocados firmemente nas gavetas para não serem danificados quando forem abertas ou fechadas.



5 - As indumentárias mais estruturadas e resistentes podem ser armazenadas em cabides
acolchoados, feitos de materiais inertes e ajustáveis, dentro de armários, tomando pouco espaço e facilitando a disponibilidade das peças. Os cabides podem ser acolchoados com enchimento de poliéster, cobertos com musselina fixa por amarração. São materiais de baixo custo e bastante acessível, podendo ser uma óptima sugestão para o acondicionamento de peças que possam ser penduradas, como casacos ou jaquetas.
Peças com corte no viés, deterioradas, feitas em tricô, jamais deverão ser penduradas.





No exterior da embalagem devem constar elementos identificativos do seu interior, permitindo uma fácil localização do objecto pretendido, sem ter necessidade de revolver em demasia as peças armazenadas.

Não nos podemos esquecer, que acima de tudo está a conservação e a preservação das peças e que a sua utilização, manuseamento e exposição também contribuem para a deterioração.

O Traje é um pouco da história que nos pode contar muitas estórias.

Fonte biblográfica: Keese, Alessandra Savassa Gonçalves, in “Conservação Têxtil” – A importância da preservação do património têxtil para a moda – UNISAL 2006

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Ovarina pintada por D.Carlos

El-Rei senhor D. Carlos foi considerado uma individualidade artística, homem de ciência e habilíssimo em todos os exercícios físicos, tais como a caça, a pesca, equitação, etc.
O seu espírito, desde cedo muito culto, foi moldado pelo gosto pelas belas artes, possuindo a paixão de um verdadeiro artista.
Distinguindo-se especialmente na aguarela e no desenho a pastel, são sobejamente conhecidas as suas magnificas obras.
Como artista interessou-se por variadíssimos temas, tendo, por diversas vezes retratado o seu povo, como é exemplo este magnifico retrato de uma mulher de Ovar.

Domingo, Abril 26, 2009

Ala Arriba – Os poveiros retratados no cinema

Leitão de Barros no seu filme de 1942, ALA ARRIBA, retrata os usos e costumes dos pescadores da Póvoa do Varzim. Este é um extraordinário documentário cinematográfico sobre a vida destes homens e mulheres que do mar retiravam o seu sustento.
O filme que podem ver se seguida, é um pequeno excerto, em que o narrador nos situa na malha social da estoria e traça um retrato dessas gentes, no inicio do sec.XX.
Ora vejam!

video

Sobre este assunto pode ainda ver neste blog:
Trajo de Ida ao Mar
Traje de Luto
Traje de Festa e Romaria

Terça-feira, Abril 21, 2009

Cobertor de Papa – Maçainhas - Guarda

Quem não se lembra dos quentes cobertores de papa, que nas casas dos nossos avós aqueciam as camas nas longas noites de Inverno?

Pois estes provêem de uma pequena freguesia do Concelho da Guarda – Maçaínhas - e hoje, como ontem, continuam a ser fabricados de forma artesanal.

A produção do cobertor de papa, remonta ao reinado de D. Sancho II. No reinado de D. José (1758), com o Marquês de Pombal, esta indústria desenvolveu-se na zona da Covilhã e da Guarda: criaram-se novas fábricas e contrataram-se artífices no estrangeiro. Este progresso veio mais tarde beneficiar esta região nomeadamente Maçaínhas. Consta que um tecelão da Covilhã terá fixado residência por estas paragens e terá transmitido os seus conhecimentos aos habitantes.

Há cerca de 100 anos. Havia 9 teares para o fabrico de cobertores de papa em Maçaínhas que eram depois vendidos em feiras.

Os teares e a produção de cobertores foi aumentando de ano para ano, alargando-se depois a outras famílias.

Em 1930-1932 houve uma grande crise e foram poucos os fabricantes que resistiram.
Em 1938, começou a recuperação e, em 1942-1943, quase todas as famílias tinham um tear para fabricar cobertores chegando a existirem 35 teares.
Actualmente existem apenas dois teares em funcionamento, pertencentes aos senhores José Pires Freire e José de Almeida Tavares.
O cobertor de papa também é conhecido por cobertor de pêlo, manta lobeira, amarela e espanhola, podendo ser produzido numa só cor (branco, verde, vermelho, etc.), com a cor “barrenta” (branco e castanho), bordado a azul, verde e vermelho (destinado ao Minho e ao Norte do País) ou fabricado com tiras coloridas de castanho, amarelo, verde e vermelho (típico da zona do Ribatejo).

A diferença entre este cobertor e os restantes é que o de papa é fabricado, exclusivamente, com lã churra de ovelha, uma lã macia das ovelhas de Idanha-a-Nova, Monsanto e Medelim, que também estão em extinção.
Com o aparecimento de outros artigos no mercado, o cobertor de papa deixou de ter a procura de outros tempos.

O cobertor de papa pesa, em média, três quilogramas e mede 1,70cm de largura e 2,40cm de comprimento e distingue-se dos outros cobertores pelo seu “design” e pelo facto de ter o pêlo mais comprido, porque a lã de que é feito é mais comprida.

A produção do cobertor é mais praticável nos meses quentes, porque no Inverno a água está muito fria e os cobertores têm que ser levados ao pisão e no Verão é melhor, nomeadamente, para os secar porque ficam mais direitinhos.

O fabrico do cobertor tem diversas fases. A lã é comprada e enviada para a fiação entrando na fábrica transformada em fio. Segue-se a fase da tecelagem, por um único tecelão, num tear manual em madeira. Na etapa seguinte, quando o corte estiver feito é transportado para o pisão para lavar e feltrar. Quando o corte tiver o “corpo” necessário vai à carda para puxar o pêlo. De seguida, os cobertores são cortados e vão à râmbula (peça em ferro onde se prendem esticados para secarem e ficarem com uma determinada medida).


Os cobertores de papa parecem condenados a desaparecer e com eles um pouco das nossas memórias.


Fonte Bibliográfica:

Colecção: O Fio da Memória, número 12
Titulo: Notas sobre o Cobertor de Papa de Maçainhas
Autor: Maria do Céu Baía Oliveira Reis
Edição: Câmara Municipal da Guarda - Setembro de 2003

Terça-feira, Abril 14, 2009

Faleceu José Franco

José Franco, reconhecido oleiro e ceramista, faleceu hoje aos 89 anos, o funeral decorrerá amanhã, no Sobreiro, terra que o viu nascer a 19 de Março de 1920.
José Franco dedicou-se principalmente à arte-sacra. No entanto, a sua obra mais conhecida e popular será a Aldeia Típica de José Franco, no Sobreiro (Mafra), construção em miniatura de uma aldeia saloia do início do século XX, onde podem ser apreciadas cenas da vida da época, realizadas por bonecos mecanizados, principalmente movidos a água, bem como, lojas em miniatura que ilustram as mais diversas profissões, muitas delas, hoje em dia, completamente abandonadas.
Utilizando as palavras de Jorge Amado, de quem era amigo, diria que morreu o “…artista do barro e da vida …um português que nasceu com o dom misterioso da beleza e a distribui como um bem de todos …”.
A nossa homenagem!