quinta-feira, Outubro 30, 2014

Rodilha


Não sendo propriamente um componente do traje, a rodilha é sem dúvida um elemento indissociável de muitas das nossas figuras populares.

Na realidade trata-se de uma proteção utilizada pelas mulheres para facilitar o transporte à cabeça dos mais variados e pesados objetos, que tanto podia ser um pedaço de pano, torcido e enrolado redondo ou uma rodela almofadada de tecido ornamentado, mais a gosto das mulheres e com maior comunidade de uso.

O Museu Nacional de Etnologia possui alguns exemplares representativos de várias regiões portuguesas (também possui exemplares de outras culturas) que de seguida descrevemos.

 Parece-nos, no entanto, que alguns dos exemplares descritos não foram utilizados na labuta diária, antes porém, como peças de recordação, exposição ou reservados para dias especiais.

Imagem 1
Imagem 1
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Tecido
Dimensões (cm): altura: 4; diâmetro: 14;
Descrição: Rodilha em forma de toro. A superfície é recoberta por finas fitas de tecido de algodão de cor cinzenta, por entre as quais passam, perpendicularmente, outras de cor vermelha e outras de cor verde, de forma a fazer um axadrezado.
Proveniência: Castelo Branco / Sertã
Origem / Historial: Esta rodilha foi feita pela avó da coletora Carla Antunes, Rosa Antunes, de 74 anos [2011]. Habita em Cernache do Bom Jardim, Sertã. Fê-la propositadamente para integrar as coleções do Museu de Etnologia. Carla Antunes refere que a rodilha é parte integral da cozinha daquela zona. Servia para colocar em cima da cabeça, entre o lenço que se usava e a carga, como sejam cântaros de água ou cestas de vime onde colocavam a lenha e pinhas, para não se ferir.
 
Imagem 2
Imagem 2
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Tecido
Dimensões (cm): altura: 3; diâmetro: 12;
Descrição: Rodilha em forma de toro. A superfície é recoberta por fitas em tecido de lã de cor preta. O perímetro da rodilha é percorrido por cinco listas, espaçadas entre si, delineadas a fio de lã de cor vermelha. Entre a primeira e a segunda, e a quarta e a quinta surge um "ziguezague" feito a fio de lã de cor amarela. Entre a segunda e a quarta surgem pequenos segmentos longitudinais, feitos a fio de lã, ora de cor amarela, ora de cor rosa.
Proveniência: Portugal (não possui informação sobre a região onde foi recolhida)
 
Imagem 3
Imagem 3
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Flanela (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 5; diâmetro: 15;
Descrição: Rodilha de formato cónico e centro vazado, forrada, exteriormente, a flanela de lã de cor preta. Na face lateral, brotam "levantados" do tecido, formando motivos florais: ora uma flor com as pétalas de cores: branco, amarelo e laranja, e interior de cores: verde e rosa; ora uma flor com as pétalas de cores: amarelo, rosa e branco, e interior de cores: laranja e verde. Estas flores são ladeadas por pequenos motivos foliares (?) de cores verde e rosa. Num dos topos da rodilha surgem duas listas em "ziguezague" bordadas a fio de lã de cores amarela e verde; no topo oposto as listas são de cores laranja e amarelo.
Proveniência: Braga / Caminha / Dem

Imagem 4
Imagem 4
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 4,5; diâmetro: 18;
Descrição: Rodilha, de secção circular, em tecido de lã de cor preta. É adornada, nas faces superior e inferior, por um "zigue-zague" bordado com fio de lã de cor verde, laranja, amarelo, vermelho e rosa. A face lateral é completamente preenchida com pequenas borlas de lã, de cores: verde, branco, rosa, vermelho, azul, laranja, amarelo e roxo.
Proveniência: Viana do Castelo / Outeiro
 
Imagem 5
Imagem 5
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Flanela (lã); Tecido (lã, algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 4,5; diâmetro: 14;
Descrição: Rodilha de formato cónico e centro vazado. A face interior do vazado é forrada a flanela de lã de cor preta. A esta está cosido um outro tecido de lã e algodão, que forra o exterior da rodilha. Este tecido apresenta listas de cores azul e verde. Na face lateral brotam, do mesmo tecido, "levantados" de cores roxa, verde e amarela, formando uma sequência transversal de losangos. Na face superior da rodilha surge, bordada a fio de lã de cor verde, a seguinte inscrição: "RECORDAÇÃO DE DEM". Na face oposta surge uma lista formada por pequenos retângulos justapostos bordados a fio de lã de cores azul e verde.
Proveniência: Braga / Caminha / Dem

Imagem 6
Imagem 6
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Lã (?); Tecido (seda)
Dimensões (cm): altura: 4,4; diâmetro: 13;
Descrição: Rodilha em forma de toro. Superfície envolta em tiras finas de tecido de lã (?) de cor preta por onde, em certos pontos alternados, se entrecruzam, perpendiculares e espaçadas entre si, fitas de seda na seguinte ordem de cores: creme, verde escuro, azul escuro, rosa, amarelo, verde claro, verde claro, amarelo, rosa, azul escuro, verde escuro e creme. O conjunto de entrosamentos forma uma espécie de xadrez colorido.
Proveniência: Aveiro / Murtosa

Imagem 7
Imagem 7
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 4,3; diâmetro: 12;
Descrição: Rodilha em forma de toro. Superfície envolta em tiras finas de tecido de lã (?) de cor preta. De frente, apresenta, a todo o perímetro, três barras finas transversais, espaçadas entre si, executadas com linha de lã. A superior é idêntica à inferior: a linha é de cor verde clara. Esta percorre o perímetro em duas voltas justapostas, passando entrecruzada com as tiras de tecido de cor preta. Na barra intermédia, a linha é de cor branca e laranja. A linha de cor branca percorre o perímetro em três voltas justapostas, passando entrecruzada com as tiras de tecido de cor preta. Nos espaços de entrecruzamento surgem, sobre o tecido, cruzes em "X", executadas a linha de cor laranja. As cruzes são contíguas às linhas de cor branca.
Proveniência: Aveiro / Murtosa

 
Imagem 8
Imagem 8
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido; lã
Dimensões (cm): altura: 2,3; diâmetro: 7;
Descrição: Rodilha em forma de toro. Superfície envolta em tiras finas de tecido de cor castanha escura. De frente, apresenta, a todo o perímetro, duas tiras finas, transversais e justapostas, de tecido de cor branca. Ambas se entrecruzam com as tiras de cor castanha escura, formando um axadrezado. As zonas de entrecruzamento alternam entre a tira superior e a tira inferior. A zona entre as tiras de cor branca apresenta três borlas de lã de cor vermelha situadas de modo a dividir o perímetro da rodilha em três partes de iguais dimensões.
Proveniência: Coimbra

Imagem 9
Imagem 9
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido
Dimensões (cm): altura: 5; diâmetro: 16;
Descrição: Rodilha em forma de toro. Superfície envolta em tiras finas de cor azul escura, através das quais, em certos pontos, se entrecruzam, perpendicularmente, tiras finas de cor branca. Formam-se assim, em todo o perímetro, seis largos losangos contíguos, axadrezados.
Proveniência: Castelo Branco / Oleiros / Orvalho / Foz do Giraldo

segunda-feira, Outubro 27, 2014

A CONTRATADEIRA (extrato do Jornal do Folclore)

Por
Carlos Rego, V. N. Famalicão



Confesso que somente tomei conhecimento do vocábulo “contratadeira”, associado ao Folclore, há menos de três anos. A personagem foi-me apresentada por entusiastas desta criatura folclórica.
No universo folclorizado “contratadeira” ou “contratador” (desconheço se existe esta personagem de facto ou se será somente o esposo) será a mulher que, vestida a preceito para tal função, numa feira estabelece um contrato de compra e/ou venda de gado, resumidamente. O trajo da “contratadeira” é o trajo da “lavradeira” ou da “ribeira”, dependendo da região etnogeográfica baixo-minhota, acrescido de um chapéu, quase sempre em castanho, de aba larga e copa baixa. Para alguns folcloristas formatados, aqueles que insistem na divisão concelhia do Folclore, o trajo de “contratadeira” é o trajo característico de V. N. Famalicão. Rotunda mentira. Além de Famalicão pode encontrar-se nos grupos/ranchos dos concelhos de Barcelos, Esposende, Póvoa de Varzim e Vila do Conde, isto é, nos grupos residentes no baixo Ave, no vale formado pelo rio Ave e pelo seu afluente rio Este (a título de curiosidade, este vale é uma das maiores regiões da Europa de concentração de gado vacum produtora de leite). Parece-me pouco credível que alguém, à época, se trajasse de modo excecional para levar ou trazer um par de bois da feira a troco de alguns reis ou de artigos agrícolas. A riqueza do material usado na confeção deste chapéu indica-nos tratar-se de um adereço fora do alcance das mulheres do campo, porque eram pobres, talvez mais em uso em algumas senhoras rurais. Quiçá, acessório copiado, porque pitoresco, para cortejos e paradas agrícolas, em parceria com os chapéus de palha exageradamente decorados que para esses eventos se preparavam. De seguida, a replicação de pelo menos uma “contratadeira” ou parelha de “contratadores” nos grupos/ranchos folclóricos da área etnogeográfica referida. E, nos dias de hoje, mal do grupo/rancho baixo-minhoto dos concelhos citados que não inclua tal personagem na sua montra, a certeza da crítica certa por tal atrevimento ou o rótulo de grupo pobre e indigno. Necessário e importante relembrar o estatuto da mulher para a época. Intramuros, a mulher era o elemento mais forte da família, pertencia-lhe o governo da casa assim como a educação das crianças. Fora de portas o universo era todo ele masculino. Logo, do ponto de vista sociológico, muito pouco provável e existência de uma tal personagem no feminino com a importância que lhe pretendem atribuir. Sozinhas ou acompanhadas por outras mulheres ou crianças iam ao mercado vender ou comprar coisas da casa ou para a casa, produtos da horta, pequenas alfaias, outras necessidades. A venda ou troca de gado era uma atividade no masculino, a mulher seria um elemento estranho e não aceite neste negócio de barba rija e manha certa. A viúva ou a senhora solteira socorriam-se de um feitor, caseiro, familiar ou conhecido de confiança para elaborar contratos de troca ou venda de gado. Até o moço, e muito excecionalmente a moça, puxador de bois, numa ida à feira, o fazia já num processo de aprendizagem, de preparação para quando chegasse a sua vez de puxar a soga da vida. “Contratadeira”, a personagem e o seu traje, vale o que vale. No universo do Folclore pouco ou nada valerá. No mundo folclórico, garrido e pitoresco que prolifera no movimento, a sua função plástica está por demais sobrevalorizada, bem acompanhada e ao nível de outras personagens, com seus trajos mais ou menos imaginosos, como, por exemplo, o da leiteira, da sardinheira, da sachadeira, da olhadeira de gado, da lavadeira, da vindimadeira, da parideira, da parteira, da namoradeira, da coscuvilheira, de pranteadeira, da viúva alegre, e por aí fora. E já agora, a “noiva” e o seu trajo.

(…)

quinta-feira, Outubro 16, 2014

MULHERES DE LENÇO

O Museu de Arte Popular possui um conjunto de imagens, constituídas por papel fotográfico em armação em madeira, datadas do Séc. XIX (?), representando mulheres do povo com os seus lenços.

Ficam aqui algumas dessas imagens.





 

segunda-feira, Outubro 13, 2014

AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR III – ESTREMADURA, BAIXO VOUGA, ALENTEJO E ALGARVE

Este artigo é a continuação da abordagem a este tema iniciado em AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I – MINHO e AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II – DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES, passando a apresentar exemplares provenientes das coleções do Museu Dr. Joaquim Manso e do Museu Nacional de Etnologia.

MUSEU DR. JOAQUIM MANSO

Autor: Celeste Lúcio dos Santos
Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de algodão e várias outras fibras
Dimensões (cm): altura: 32; largura: 20;12;
Descrição: Bolsa de retalhos de diferentes cores e qualidades. De corte arredondado, com duas entradas na parte da frente. Na parte superior e de cada lado, leva um fitilho de algodão para cingir a cintura. A metade inferior é subcircular e tem a aparência de um vaso cintado de boca larga. É debruada a toda a volta por uma tira de tecido florido
Proveniência: Nazaré.
Origem: Este objeto, que fazia parte da indumentária da Nazarena e ainda em uso sobretudo nas mulheres de mais idade, tem vindo a ser substituído pelos vulgares porta-moedas. A algibeira não constituía um elemento decorativo, ao contrário do que acontecia no norte do país, mas antes utilitário. Para uma maior segurança era resguardada sob a "saia de cima", junto à abertura da mesma, sempre do lado direito e fixada à "saia de baixo" por um alfinete de dama. Este objeto, de grande importância para a mulher Nazarena transportar o dinheiro que necessitava no seu quotidiano ou até as suas economias ou "papéis de valor", continha, muitas vezes, um amuleto (conhecido por "Breve") como forma de proteção e ou superstição religiosa.



 
 Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de algodão e fibras sintéticas (terylene)
Dimensões (cm): altura: 36; largura: 21,5;
Descrição: Bolsa para guardar dinheiro feita de tecido de cor preta por se tratar de viúva. De corte arredondado, tem duas entradas na frente e uma atrás, sendo esta de cor castanha. Na parte superior e de cada lado leva um fitilho de algodão para cingir à cintura. É debruada a toda a volta por uma tira de tecido também de cor preta.
Incorporação: Doação - D. Deolinda Xalabardo Meca
Proveniência: Nazaré.

  
Datação: 2008 d.C.
Matéria: Tecido de lã (escocês) e algodão
Dimensões (cm): altura: 34,5; largura: 20,5;
Descrição: Bolsa para guardar o dinheiro feita de retalhos de diferentes cores, sendo as predominantes vermelho e castanho. De corte arredondado, tem duas entradas à frente e uma atrás. Na parte superior e de cada lado, leva uma fita de lã fina para cingir a cintura. É debruada a toda a volta por um fitilho de algodão azul-escuro.
Incorporação: Compra - Adquirido a Casa Crispim - Nazaré

 
 
 
MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Tecido; Escocês (algodão?)
Dimensões (cm): altura: 28,5; largura: 17,5;
Descrição: Algibeira periforme, de tafetá de lã de cor rosa à frente e tecido de padrões geométricos atrás. É debruada, a toda a volta, por uma fita de escocês de algodão (?). A decoração frontal consiste numa cercadura em ziguezague, a qual segue, aproximadamente, os limites da algibeira. O ziguezague é executado a linha de cor vermelha. É ornado nos seus vértices exteriores por pequenos pontos de lã de cor amarela e, nos seus vértices interiores, por pequenos pontos de lã de cor azul escura. No centro da cercadura, em baixo, a meio, apresenta espécie de cálice de cor azul escura, de duas asas e de base triangular de cor amarela. A ladeá-lo, dois "X" executados a lã de cor vermelha. Do cálice brota uma flor, orientada no sentido longitudinal, cujo caule é executado a lã de cor vermelha e as pétalas, a lã de cor verde. Deste caule central brotam, diagonalmente, quatro outras flores (duas de cada lado): as inferiores, de caule executado a lã de cor verde a pétalas a lã de cor amarela; as duas superiores de caule executado a lã de cor amarela e pétalas a lã de cor azul escura. As pétalas da flor central são ladeadas por iniciais, uma de cada lado: do lado esquerdo, um "C"; do lado direito, espécie de "B". A ladear a abertura da algibeira, em sentido longitudinal, dentro da cercadura, acima das iniciais, uma linha em ziguezague, executada a lã de cor verde. O tecido que forra o interior da abertura da algibeira apresenta uma espécie de reticulado de cor rosa sobre o qual se dispõem barras delgadas transversais de cor rosa, acompanhadas a todo o comprimento por pequenos quadrados de cor vermelha, alternadas com barras delgadas formadas por três linhas intermitentes: verdes as exteriores e vermelha a interior. O tecido de trás da algibeira é do mesmo tipo do forro da abertura.
Proveniência: Alcobaça / Turquel

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Riscado (algodão?); Tecido
Dimensões (cm): altura: 29; largura: 17,5;
Descrição: Algibeira periforme, de riscado de algodão (?) de cor preta na frente e tecido de cor cinzenta atrás. É debruada a toda a volta por uma fita de algodão de cor preta, que, na aresta superior, se prolonga para ambos os lados. A meio da altura apresenta, espaçados entre si, dois bolsos, de forro de tecido de cor cinzenta, debruados, em cima e em baixo do corte da abertura, por fita de algodão de cor preta. Ao centro, apresenta motivo hastiforme de tecido de cor azul debruado a fita de algodão de cor preta. Tal motivo é constituído por duas partes: é cortado a meio pelo bolso inferior e corta a meio, por sua vez, o bolso superior, sobrepondo-se-lhe, de baixo para cima, como uma pataleta. A parte inferior do motivo, a correspondente à pala do bolso inferior, tem, como elemento decorativo, uma costura executada a linha de cor preta, a qual segue, interiormente, os contornos da forma onde está inscrita. Na parte de trás, a algibeira apresenta um bolso ligeiramente deslocado do centro para cima.
Proveniência: Aveiro / Murtosa


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Veludo (seda?); Flanela (lã); Lã
Dimensões (cm): altura: 31; largura: 18,5;
Descrição: Algibeira de formato periforme, com a parte da frente em tecido de lã de cor preta, e parte de trás em flanela industrial de três tipos: o de cima, de fundo vermelho, é estampado com motivos fitográficos estilizados de cor preta; o do meio apresenta um fundo de cor castanha estampado com motivos geométricos de cor laranja dispostos segundo um reticulado diagonal; no inferior, semelhante ao anterior, os motivos geométricos são de cor rosa. Entre a flanela superior e a do meio, abre-se um bolso transversal, da largura da algibeira. Todas as orlas da algibeira são debruadas por uma fita de cor preta. Na extremidade superior, tal fita estende-se para além dos limites laterais da algibeira, caindo livremente. No restante perímetro, a fita é adornada com uma linha de ponto espiga executado a fio de lã de cor amarela. A meio da altura, a algibeira apresenta uma abertura transversal. Acima e abaixo dela estão aplicados, simetricamente, dois retalhos triangulares, em veludo de seda (?) de cor castanha. As orlas dos retalhos são também adornadas com ponto espiga. No vértice superior e inferior, respetivamente, apresentam ainda uma espécie de flor / estrela bordada a fio de lã de cor amarela. Na parte inferior da algibeira, com o mesmo fio, estão bordadas as iniciais "B. R."
Proveniência: Évora / Estremoz

 
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Chita (algodão); Veludo (seda?); Renda (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 24; largura: 17;
Descrição: Algibeira cordiforme com a parte da frente em tecido de algodão (?) de cor branca, e parte de trás em chita do mesmo material, de cor vermelha, estampada com motivos fitográficos de cor branca. À frente, na metade superior, surge a boca de um bolso, em forma de raia. Tanto as orlas da boca, como as da algibeira são debruadas por uma fita em veludo de seda (?) de tom esverdeado. Nos vértices superiores, tal fita prolonga-se, caindo livremente. Sobre o tecido de algodão (?) que constitui a frente da algibeira, surge um forro em renda de croché de cor castanha, formando um reticulado ortogonal. Nele estão bordados motivos ilegíveis, executados a fio de lã de cor branca, rosa, amarela e verde. Um desses motivos, abaixo da boca do bolso, aparente ser um coração de cor rosa e branca, contornado por ramificações nas cores atrás referidas.
Proveniência: Évora / Estremoz


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (lã); Chita (algodão); Sarja (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 16;
Descrição: Algibeira com o formato de um retângulo de vértices inferiores arredondados. A parte da frente é em tecido de lã de cor preta. A parte de trás é forrada no mesmo tecido e, na extremidade inferior, a sarja de algodão da mesma cor. Todas as orlas da algibeira são debruadas por uma fita de lã de cor azul. Nos vértices superiores está aplicada uma fita semelhante, que se estende caindo livremente. Ao centro, surge a boca arqueada de um bolso interior. A sua orla é também debruada com uma fita de lã de cor azul. Interiormente, o bolso é forrado a chita de algodão de tom amarelado, estampada com motivos florais de cor roxa, branca e rosa. À frente, a algibeira apresenta bordados executados a fio de lã de cor verde, vermelha, azul, amarela, branca, rosa, laranja e roxo. Acima da boca do bolso, os bordados formam a inicial "D"; abaixo, formam um grande motivo foral.
Proveniência: Évora / Borba

 
 Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Flanela (lã); Tecido (lã); Tecido (lã, algodão?)
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 20;
Descrição: Algibeira de formato trapezoidal, forrada, atrás e à frente, a flanela de lã de cor preta. As suas orlas são debruadas por uma fita de lã de cor azul. À frente, apresenta uma abertura triangular de arestas arqueadas. Na aresta inferior, está aplicado um retalho em tecido de lã de cor verde, listado, de espaço a espaço com três linhas longitudinais de "levantados" de cor preta. Este retalho apresenta uma forma simétrica à da abertura. Interiormente, a algibeira é forrada a tecido de lã e algodão (?) de cor branca e castanha, lavrado com listas transversais tracejadas nas mesmas cores, e bandas compostas por listas de cor branca, castanha e vermelha.
Proveniência: Loulé / Alte

 
Fonte:
Outros artigos relacionados:
AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I– MINHO
AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II– DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES

segunda-feira, Outubro 06, 2014

PEÇAS DO VESTUÁRIO TRADICIONAL ALGARVIO

O Museu de Arte Popular possui na sua coleção diversas peças de vestuário provenientes da Casa de Portugal em Paris, por transferência do ICEP (Instituto do Comércio Externo de Portugal) criado em 1982 e extinto em 2007.
Dessa coleção divulgo hoje alguns exemplares do vestuário tradicional feminino do Algarve, alguns com a indicação expressa de terem sido confecionados em Luz de Tavira.
De entre essas peças de destacar um conjunto de 4 blusas, que no Algarve têm a designação de “Batas”. Ou seja, uma peça que cobria a camisa e o corpete, vestidos junto à pele e que se usaram pelo menos desde o séc. XIX e ainda hoje são vestidas pelas mulheres mais velhas.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão (chita), plástico (botões), metal (molas)
Técnica: Estampagem em tons de azul, verde e vermelho
Dimensões (cm): altura: 46,5; largura: 34,5; comprimento: 51;
Descrição: Bata ou blusa com gola de bico pequeno, sem pé; frentes ajustadas com molas; decoradas com botões redondos vermelhos sugerindo um barco à vela, inserida num círculo. Cintura marcada com elástico e pequena aba. Costas direitas, com a mesma marcação na cintura e aba; mangas compridas com punho pequeno fechado com mola.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão, viscose (?), plástico (botões)
Técnica: Tafetá, renda bilros manual e mecânica (?)
Dimensões (cm): altura: 63,5; largura: costas 38; comprimento: 57;
Descrição: Blusa ou bata com decote com cós rematado com renda, frente inteira, com costura a meio ladeada por uma pinça de cada lado; aplicação de renda sugerindo peitilho, contornado com banda rematada com renda idêntica à do peitilho e à do cós. Atrás, abertura fechada com 8 botões. Manga comprida decorada com entremeio aplicado e renda na extremidade terminando sem punho. A orla da frente e das costas é guarnecida com renda idêntica à das mangas.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão, plástico (botões), metal (molas)
Técnica: Tafetá estampado
Dimensões (cm): altura: 53; largura: 44; comprimento: 56;
Descrição: Bata ou blusa com gola de bico, frentes ajustadas com molas escondidas sob a carcela decoradas com botões circulares (boias ) tendo no dentro um barco à vela; linha de cintura marcada com elástico formando uma pequena aba; costas sem costuras e aba a partir da cintura; manga comprida com punho ajustado com duas molas. No interior junto à gola etiqueta com o nº 13.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão e fibra (?)
Técnica: Tafetá e bordado
Dimensões (cm): altura: 62; largura: 42; comprimento: 63;
Descrição: Bata ou blusa com gola de bico, decote justo; frentes formando aba, com carcela e casa abertas, sem botões; costas com costuras laterais e aba; manga comprida com folho, (evasé) junto ao punho. gola, frentes, carcela,. aba e folho das mangas decorados com bordado tipo inglês. O facto de no lugar dos botões, estar só marcado com linha, penso que não tenha sido usado.

 


Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá estampado com motivos florais e geométricos azuis
Dimensões (cm): altura: 63,5; largura: 58;
Descrição: Avental com cós na cintura e tiras para atar atrás; franzido ligeiramente em cima, termina com bainha estreita, sem qualquer outro enfeite.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado com silvas floridas e tracejado azul; bordado branco
Dimensões (cm): altura: 57; largura: 47;
Descrição: Avental com cós na cintura e fitas para atar atrás; na frente, a parte do centro do tecido, posto na diagonal, está cortado em viés e decorado com 3 aplicações de entremeio bordado; ladeando a parte central, duas tiras nesgadas com bolsos de chapa aplicados franzidos em cima e contornados por bordado. Na orla da peça, folho de bordado (tipo inglês).
 

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado e bordado
Dimensões (cm): altura: 56; largura: 67;
Descrição: Avental com cós na cintura e fitas para dar a laçada atrás; bolsas de chapa contornadas com bordado a branco (bordado inglês) e orla guarnecida com folho pregueado.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Lã, seda, algodão
Técnica: Sarja, tafetá
Dimensões (cm): altura: 77; largura: 33;
Descrição: Saia com cintura com cós estreito e abertura lateral à esquerda; na frente, o pano liso com costura nesgada, panos laterais e os de trás franzidos na cintura e ornamentados com 3 fitas vermelhas na orla e 6 botões forrados do mesmo tecido da saia. No interior, forro cor-de-rosa para proteção da saia e para dar-lhe melhor cair.

 


Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Lã azul, algodão (galão) vermelho e amarelo
Técnica: Tafetá, galão
Dimensões (cm): altura: 77; largura: 34;
Descrição: Saia com cós na cintura, lisa na frente e franzida aos lados e atrás; galão aplicado em baixo, exceto no pano da frente; abertura na cintura fechada com colchete. No interior, forro na orla. O corte da saia é de influência burguesa.

 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e bordado mecânico
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 250;
Descrição: Saiote ou anágua franzida com elástico na cintura, dois refegos a meia altura; folho alto decorado na orla com outros dois refegos, guarnecido com bordado.

   
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e bordado mecânico
Dimensões (cm): altura: 69,5; largura: total 228;
Descrição: Saiote ou anágua franzido com elástico na cintura, folho a meia altura da saia terminando com 3 refegos e bordado mecânico na orla.

Sobre o uso de culotes pelas mulheres do povo é um assunto polémico, sobre o qual já muito se escreveu e debateu. Opiniões à parte, aqui ficam algumas exemplares que fazem parte desta coleção.
 
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e bordado mecânico
Dimensões (cm): altura: 58; largura: cintura 46;
Descrição: Culotes franzidos na cintura, pernas até meio da caixa; apertadas com elástico e rematados com bordado.
Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão branco
Técnica: Tafetá e renda mecânica (?) de bilros
Dimensões (cm): altura: 52; largura: 22;
Descrição: Culotes, franzidas na cintura com elástico, pernas até ao joelho terminando com renda.

   


Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, fio de algodão (atacador) e metal (pregos)
Técnica: Curtimenta, tingida de preto
Dimensões (cm): altura: 4; comprimento: 24,5;
Descrição: Bota do pé esquerdo. De cano curto, fechado sobre o peito do pé com atacador; gáspeas lisas, sola com tacão. Vestígios de uso na sola.



Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Pele preta
Técnica: Curtimenta
Dimensões (cm):altura: 3,8; comprimento: 25,5;
Descrição: Bota de mulher, para o pé direito. Bota com salto, apertada sobre o peito do pé com atacadores.

 

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado
Dimensões (cm): largura: 76,5; comprimento: 79,5;
Descrição: Lenço quase quadrado, decorado com motivo de repetição composto por enrolamentos e grinaldas floridas em tons de verde e cor-de-rosa, sobre fundo cinzento. Orla embainhada. Este lenço parece ter sido confecionado com um tecido, não destinado a lenço.

   

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tafetá estampado
Dimensões (cm): altura: 72; largura: 72;
Descrição: Lenço de cabeça, quadrado decorado com motivos de sabor oriental; no campo, motivos de inspiração floral em tons de castanho, amarelo e verde, destacando-se sobre fundo azul-turquesa; barra com cornucópias entrelaçados e motivos florais nos tons já referidos, terminando com tarja azul na extremidade.


Fonte:
http://www.matriznet.dgpc.pt/
Museu de Arte Popular

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quarta-feira, Outubro 01, 2014

Talego Alentejano

O Museu Nacional de Etnologia possui no seu acervo cerca de uma centena de objetos da categoria "Vestuário e Adereços" da região do Alentejo, muitos deles adquiridos a Rafael Rúdio, sendo o principal concelho de recolha Estremoz.
De entre estes objetos, destacam-se dos tradicionais talegos alentejanos. Estas bolsas eram feitas pelas habilidosas mãos das mulheres, aproveitando restos de tecidos, para uso próprio e da família, pois era nos talegos que transportavam o pão e o queijo/chouriço para a merenda no trabalho do campo.
Os exemplares que se descrevem de seguida, pela sua intrincada confeção, não se destinariam ao uso regular sendo reservados para ocasiões especiais.

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Bolsa (algodão); Tecido (seda); Algodão; Lã
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 20;
Descrição: Bolsa de formato retangular em tecido de algodão de cor branca. A extremidade superior é aberta, formando a boca. A orla desta é debruada por uma fita de seda de cor vermelha, cosida de modo a formar folhos. Em baixo desta zona, surge uma fina bainha, aberta lateralmente, por onde passa um cordão de cor roxa, que termina, em ambas as extremidades, com três borlas de lã de cor verde, rosa, vermelha, azul, amarela e roxa. O corpo da bolsa é forrado, por cima do tecido de algodão, com rosáceas feitas com fio de algodão, ora de cor vermelha, ora de cor azul. Interiormente, junto à boca da bolsa, surge a inicial "A", bordada com missangas de cor rosa, azul, verde, amarela e roxa.
 
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Algodão
Dimensões (cm): altura: 13,5; largura: 12;
Descrição: Bolsa de formato quadrangular em tecido de algodão de cor rosa, com forro interior em tecido idêntico. A aresta superior da bolsa constitui a boca da bolsa. Ambas as faces da bolsa são bordadas, a ponto de cruz muito fino, com fio de algodão de cor azul, verde, branca e laranja. Apresentam uma espécie de cercadura constituída pela repetição de um mesmo motivo: uma espécie de cálice do qual brota uma ramificação longitudinal e motivos fitográficos de menores dimensões. Ao centro, de um lado da bolsa, surge uma balança coroada, sob a qual se dispõem duas chaves, dois corações e, abaixo destes, um cálice. Surge depois a inscrição "AIRAM / ANNA" – Maria Anna. Do outro lado da bolsa, surgem três cálices, dos quais brotam árvores de frutos, dois corações, duas custódias e, em baixo, a inscrição: "S(?)USTO / EZOG (?)". Um dos vértices inferiores da bolsa apresenta uma pequena borla de algodão, de cor azul e amarela.

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Flanela (lã); Tecido (lã); Tecido (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 35; largura: 26;
Descrição: Bolsa de formato retangular em flanela de lã de cor vermelha. A extremidade superior é aberta formando a boca da bolsa. As orlas laterais e inferior são percorridas por uma fita ondulada de cor azul. Os vértices inferiores apresentam uma pequena borla de lã de cor roxa, amarela, azul, verde, vermelha e branca. O corpo da bolsa apresenta motivos bordados a ponto de cruz, com fio de lã de cor azul, branca, amarela, verde e roxa. Num dos lados, surge um grande cálice central, do qual brotam árvores. É ladeado, em cima, por duas figuras femininas e, em baixo, por dois corações e quatro cálices. Em baixo deste cálice central, surge um outro, ladeado por uma pomba e por um cão. Na outra face da bolsa, em cima, surge a inscrição "A(?)NTONIAC [invertida]. M.". Ao centro, surge um cálice, ladeado por duas figuras masculinas semelhantes a cavaleiros, do qual brotam largas ramificações com motivos fitográficos estilizados. Interiormente, a zona do cós da bolsa é forrado a tecido de algodão de cor vermelha, listado, longitudinalmente, a preto e branco. Este forro forma uma bainha, aberta lateralmente, por onde passa uma fita de cor rosa. A restante área interior é forrada a tecido de algodão estampado com um padrão em hexágono de cor avermelhada e pequenas bolotas de cor preta e vermelha.

Fonte:
http://www.matriznet.dgpc.pt/
Museu Nacional de Etnologia