quarta-feira, Outubro 01, 2014

Talego Alentejano

O Museu Nacional de Etnologia possui no seu acervo cerca de uma centena de objetos da categoria "Vestuário e Adereços" da região do Alentejo, muitos deles adquiridos a Rafael Rúdio, sendo o principal concelho de recolha Estremoz.
De entre estes objetos, destacam-se dos tradicionais talegos alentejanos. Estas bolsas eram feitas pelas habilidosas mãos das mulheres, aproveitando restos de tecidos, para uso próprio e da família, pois era nos talegos que transportavam o pão e o queijo/chouriço para a merenda no trabalho do campo.
Os exemplares que se descrevem de seguida, pela sua intrincada confeção, não se destinariam ao uso regular sendo reservados para ocasiões especiais.

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Bolsa (algodão); Tecido (seda); Algodão; Lã
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 20;
Descrição: Bolsa de formato retangular em tecido de algodão de cor branca. A extremidade superior é aberta, formando a boca. A orla desta é debruada por uma fita de seda de cor vermelha, cosida de modo a formar folhos. Em baixo desta zona, surge uma fina bainha, aberta lateralmente, por onde passa um cordão de cor roxa, que termina, em ambas as extremidades, com três borlas de lã de cor verde, rosa, vermelha, azul, amarela e roxa. O corpo da bolsa é forrado, por cima do tecido de algodão, com rosáceas feitas com fio de algodão, ora de cor vermelha, ora de cor azul. Interiormente, junto à boca da bolsa, surge a inicial "A", bordada com missangas de cor rosa, azul, verde, amarela e roxa.
 
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido (algodão); Algodão
Dimensões (cm): altura: 13,5; largura: 12;
Descrição: Bolsa de formato quadrangular em tecido de algodão de cor rosa, com forro interior em tecido idêntico. A aresta superior da bolsa constitui a boca da bolsa. Ambas as faces da bolsa são bordadas, a ponto de cruz muito fino, com fio de algodão de cor azul, verde, branca e laranja. Apresentam uma espécie de cercadura constituída pela repetição de um mesmo motivo: uma espécie de cálice do qual brota uma ramificação longitudinal e motivos fitográficos de menores dimensões. Ao centro, de um lado da bolsa, surge uma balança coroada, sob a qual se dispõem duas chaves, dois corações e, abaixo destes, um cálice. Surge depois a inscrição "AIRAM / ANNA" – Maria Anna. Do outro lado da bolsa, surgem três cálices, dos quais brotam árvores de frutos, dois corações, duas custódias e, em baixo, a inscrição: "S(?)USTO / EZOG (?)". Um dos vértices inferiores da bolsa apresenta uma pequena borla de algodão, de cor azul e amarela.

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Flanela (lã); Tecido (lã); Tecido (algodão); Lã
Dimensões (cm): altura: 35; largura: 26;
Descrição: Bolsa de formato retangular em flanela de lã de cor vermelha. A extremidade superior é aberta formando a boca da bolsa. As orlas laterais e inferior são percorridas por uma fita ondulada de cor azul. Os vértices inferiores apresentam uma pequena borla de lã de cor roxa, amarela, azul, verde, vermelha e branca. O corpo da bolsa apresenta motivos bordados a ponto de cruz, com fio de lã de cor azul, branca, amarela, verde e roxa. Num dos lados, surge um grande cálice central, do qual brotam árvores. É ladeado, em cima, por duas figuras femininas e, em baixo, por dois corações e quatro cálices. Em baixo deste cálice central, surge um outro, ladeado por uma pomba e por um cão. Na outra face da bolsa, em cima, surge a inscrição "A(?)NTONIAC [invertida]. M.". Ao centro, surge um cálice, ladeado por duas figuras masculinas semelhantes a cavaleiros, do qual brotam largas ramificações com motivos fitográficos estilizados. Interiormente, a zona do cós da bolsa é forrado a tecido de algodão de cor vermelha, listado, longitudinalmente, a preto e branco. Este forro forma uma bainha, aberta lateralmente, por onde passa uma fita de cor rosa. A restante área interior é forrada a tecido de algodão estampado com um padrão em hexágono de cor avermelhada e pequenas bolotas de cor preta e vermelha.

Fonte:
http://www.matriznet.dgpc.pt/
Museu Nacional de Etnologia

quinta-feira, Setembro 25, 2014

Calçado de Pau


Conforme descreve o Eng. Manuel Farias no seu artigo “Pé Descalço”, até à primeira metade do sec.XX era usual ver circular pelas cidades e nos meios rurais pessoas descalças. Faziam-no sobretudo por ausência meio económicos, mas também por hábito, já que muitos não conheciam outras solas que não a dos seus pés calejados.

Por força legal, de costume ou proteção, o calçado de pau assume-se como alternativa a este povo descalço por ser o mais barato. Feito de pau de amieiro e um pouco de couro, este calçado humilde era usado quer por homens como por mulheres, alterando-se o feitio e a denominação, os tamancos passam a tamancas, os socos a socas, e os taroucos, taroucas.

O Museu Nacional de Etnologia e o Museu de Arte Popular possuem uma variadíssima coleção deste tipo de calçado, dos quais de seguida vos deixo a descrição de 27 exemplares de socos e socas, distribuídos por várias regiões.

REGIÃO DO MINHO

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Couro; Madeira; Metal; Veludo (Seda); Algodão (?); Policromia
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 9; comprimento: 29;

Descrição: Soco com rasto em madeira pintada de preto e gáspeas em couro de crute envernizada a preto. Apresentam uma ponta aguçada e levantada. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto é baixo e afunilado; o enfranque é em espinha; o enfranque da chanca à esquerda apresenta, colada, uma etiqueta que refere: "4932". A pata do soco à direita apresenta uma etiqueta semelhante, e a do soco à esquerda apresenta uma outra etiqueta que refere: "Villa Nova / de Famalicão / Tamancos 1.85". A unir o rasto à gáspea surge uma fita em couro, fixa com pregos metálicos justapostos. As gáspeas cobrem a parte anterior do pé, diminuindo progressivamente a sua altura, até à zona da calcanheira. A orla superior das gáspeas é debruada por uma fita de couro. A parte da frente do soco é ponteada à máquina, com linhas de algodão (?) de cores: branco, vermelho, verde, azul e laranja, de modo a formar um motivo fitomórfico longitudinalmente simétrico. A parte interior dos socos, assim como a parte superior do rasto, é forrada a veludo de seda de cor vermelha.
Proveniência: Braga / Vila Nova de Famalicão


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Couro; Metal
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 11; comprimento: 30;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira e gáspeas em couro de crute envernizada a cor castanha. Apresentam uma ponta ligeiramente aguçada e levantada. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto, semicircular, é coberto por uma placa metálica do mesmo formato, na qual estão cravadas três cardas em ferro. O enfranque é lavado, não apresentando descontinuidade com a pata. Esta apresenta, de cada lado, duas tiras metálicas, cravadas com quatro e cinco cardas, respetivamente. A união do rasto com as gáspeas é efetuada por uma fita de couro semelhante ao das gáspeas, pregada de espaço a espaço com pregos metálicos. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, vão diminuindo progressivamente a sua altura, terminando na calcanheira. À frente, sobre as gáspeas, surge, como reforço, um retalho triangular de couro. Sobre a parte inferior deste, forrando também a parte frontal do rasto, surge, pregada, uma placa metálica.
Proveniência: Braga / Terras de Bouro

 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Borracha (?); Couro; Oleado; Papel
Dimensões (cm): altura: 4; largura: 10; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) com rasto em borracha (?) de cor preta e gáspeas de couro, de crute envernizada a preto. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto é afunilado; o enfranque é lavado, não apresentando descontinuidade com a pata. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, diminuem progressivamente de altura, terminando a 3/4 do comprimento da chinela. A parte da frente das gáspeas apresenta uma sequência de arcos vazados, delineados por um picotado exterior. A parte de cima do rasto é forrada a oleado de cor preta. Na zona da calcanheira, estão coladas duas etiquetas de cor branca que referem: "EVO 1917".
Proveniência: Guimarães / Costa / Viela São Roque

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Borracha (?); Couro; Oleado (?); Pergamoide; Papel (?); Tecido (algodão); Metal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 10; comprimento: 26;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira e gáspeas de couro de crute envernizada a preto. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto, afunilado, é forrado no topo a borracha (?) de cor preta; o enfranque é em espinha; a pata é afunilada e levantada. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, diminuem progressivamente de altura, terminando na zona da calcanheira. A orla superior da abertura das gáspeas é debruada com uma tira de oleado (?) de cor preta. Na parte da frente, junto a essa abertura, surge um laço em tecido de algodão de cor preta, preso, ao centro, com uma fivela metálica de tom dourado. A parte de cima do rasto é forrada a pergamoide de cor preta. Este é aberto em círculos, na zona da calcanheira, por entre os quais se vê um forro interior a papel de cor vermelha (?).
Proveniência: Barcelos / Gueral

 
REGIÃO DO DOURO LITORAL
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 9,5; comprimento: 26;

Descrição: Soco de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é tingida de preto. É constituída por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, escrito à mão, a caneta de cor preta: "Bico ponta" / "alta". Sobre esta inscrição, uma outra, executada a grafite, com o número: "36". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida apresentando orelhas, que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta. No interior do soco, a palmilha apresenta um forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela; Papel
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 8; comprimento: 25;

Descrição: Soco de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada de cor preta. A sola é pintada de preto e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto, estreito e afunilado. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Do centro da biqueira para o enfranque, escrito a caneta de cor preta: "delaidinha". No topo da biqueira, uma outra inscrição executada a grafite: "35". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. Na zona do calcanhar, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico e aberta em pequenos círculos, presa por um prego metálico, junto à sua aresta mais interior. O conjunto dos círculos forma, da direção do calcanhar para os dedos, uma espécie de ferradura, no seio da qual está uma pequena flor de seis círculos (pétalas). Abaixo deste conjunto, uma fileira diagonal de círculos ladeada por duas outras flores, uma de cada lado, semelhantes à descrita acima. A dar cor às ferraduras, debaixo do oleado, pedaços de papel de cores: azul, verde, vermelha e amarela. Da calcanheira, pela palmilha, forro de flanela de cor preta.
Proveniência: Porto

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 8,5; comprimento: 24,5;

Descrição: Soco de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, ligeiramente levantado. Apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor preta: "varina". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do tacão. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um forro de plástico preto, de formato parabólico.
Proveniência: Porto

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,8; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) fechados de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é pintada de cor preta. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. Apresenta no topo de cada soco, o número: "35". O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Ambos os socos apresentam na zona de curva, ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul (?): "Soco Raboto" / "Póvoa de" / "Varzim". A pala apresenta uma biqueira muito redonda, sem queda. Nesta zona, o soco do lado direito apresenta, escrito à mão, a grafite: "Irmão" / "do Tiago" (?) / "Rogerio" (?) / "certos" (?). A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça pequena e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do salto. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico. A área restante de madeira, a da palmilha, é forrada a flanela de cor preta.
Proveniência: Póvoa de Varzim


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela (?)
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, a caneta de cor preta, "Soco Poveiro". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé e, cujas pontas, na zona do calcanhar, terminam em redondo, sobrepondo-se um pouco uma sobre a outra, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras muito finas, executadas a linha de cor creme, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, um forro de flanela (?) de cor preta. Lateralmente, o interior de cabedal é também tingido de preto, à exceção da zona correspondente da boca à biqueira.
Proveniência: Póvoa de Varzim


 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Técnica: Punção
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 9,6; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) fechados de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é pintada lateralmente de cor violeta. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico redondo, um pouco levantado. A do soco do lado direito, apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Soca" / "Póvoa de" / "Varzim". Nesta zona, ambos os socos também apresentam, escrito à mão, a grafite: "34" / "/" / "15" - leia-se 34 em quinze. A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça pequena e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início da pata. A boca apresenta duas fileiras muito próximas de um fino pontilhado. Em cada lado, uma espécie de "L", orientado na diagonal, de limites externos de fino pontilhado e interior de pontilhado mais grosseiro e mais espaçado. Os vértices de tal "L" tendem para o centro da biqueira. Estes são unidos por espécie de losango conseguido pelo prolongamento dos limites exteriores dos "L". O interior é constituído por pontos mais grosseiros, semeados de espaço a espaço, de modo a seguir os contornos do losango. No interior do soco, a zona do calcanhar é pintada da mesma cor da sola, até ao início da palmilha. Na palmilha de ambos os socos, escrito à mão, a grafite, "34" / "/ " / "15".
Proveniência: Póvoa de Varzim


Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela

Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,5; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é tingida de preto. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Este, ao centro, em ambos os socos, marca em relevo: "PORTO". A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, uma vez a caneta de cor preta e outra vez a grafite, "p alta" e "PORTO" / "BICO PONTA" / "ALTA", respetivamente. Sobre estas inscrições, neste soco, e em igual posição no outro par, uma outra inscrição a grafite: "36". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, um forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira


 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela (?)
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira, gáspea e talão de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, a grafite, "PORTO" / "GALHOCHAS". A ligação entre a sola, gáspea e talão é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam a meio do salto. Cerca de três centímetros antes, inicia-se, na parte de fora da orelha, a aplicação de um talão de formato semicircular, que termina no lado oposto, mas agora, na parte de dentro dessa orelha. Na extremidade superior da gáspea e do talão, estes apresentam uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras muito finas, executadas a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira

  

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela (?); Papel
Dimensões (cm): altura: 6,5; largura: 8,5; comprimento: 25;

Descrição: Soco (par), de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Apresenta, ao centro, em ambos os socos, escrito à mão, a caneta de cor preta, "Papos-secos". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, sobre a madeira, forro de flanela (?) de cor azul. Por cima deste, na zona da calcanheira, um forro de oleado de cor preta, de formato parabólico, preso por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma, em cima e em baixo, espécie de ferraduras de abertura voltada para baixo, com flor no meio. A dar cor aos círculos, debaixo do oleado, pedaços de papel de cor amarela, verde, azul, vermelha e creme.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Técnica: Punção
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 12; comprimento: 30;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor castanha escura. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. O enfranque é em espinha. Apresenta, num dos lados desta, em cada soco, uma espécie de selo de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "249" em cima, e a letra "T" um pouco abaixo, do lado esquerdo, e ao centro "TC" - todos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I. / CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e muito levantado, orientado ao centro, não conferindo aos socos um par direito ou esquerdo. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a grafite: "Tamancos rabelos" / "Casais" / "Lousada". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor creme, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é bastante subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V" entre elas. Apresenta motivos fitográficos gravados por punção: zona da boca, à frente, apresenta uma linha contínua, transversal, encimada por repetição sucessiva de espécie de folha de cinco nervuras. Em ambas as extremidades de tal linha, descem num ângulo de 45º, duas bandas de quatro fileiras de pontilhado. Partindo do centro da mesma linha, para os lados, outras duas bandas de iguais características, que se cruzam com as anteriores. Um pouco acima da zona de cruzamento, partem destas bandas, outras duas, estas de três fileiras pontilhadas, que se unem ao centro, formando assim uma espécie de losango. Do seu vértice mais externo, até ao início da biqueira, uma banda larga, transversal, de uma fileira de pontilhado nos limites e de retas diagonais, entrecruzadas, ao centro. Com a exceção da biqueira, todas as zonas criadas pelo cruzamento das bandas apresentam decorações: um ponto junto a cada vértice, e sinete ao centro. No losango central, um sinete junto a cada vértice e outra de maiores dimensões ao centro. Abaixo deste a seguinte inscrição gravada por punção: "ZINHA". No interior de cada soco, na zona da calcanheira, uma inscrição feita à mão e a lápis: "42".
Proveniência: Porto / Lousada / Casais

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela; Papel
Dimensões (cm): altura: 7,5; largura: 9; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada de cor preta. A sola é pintada de preto e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto, estreito e afunilado. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado direito, escrito à mão, a grafite: "PORTO" / "DELAIDI -" / "NHA". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, sobre a madeira, um forro de flanela de cor preta. Por cima deste, na zona da calcanheira, oleado de cor preta, de formato parabólico, preso por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma uma espécie de três ferraduras concêntricas de diferentes alturas. Entre a mais interior, uma fileira de quatro círculos disposto no sentido da altura. A dar cor às ferraduras, debaixo do oleado, pedaços que papel de cores: branca, verde, e vermelha. Assim, a maior ferradura, a exterior, é de cor branca, a seguinte de cor verde e a última, de cor branca. A fileira central é de cor vermelha.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira
Local de uso: terras do interior e serras

  
REGIÃO DE TRÁS-OS-MONTES

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, madeira, tachas
Dimensões (cm): comprimento: 25;

Descrição: Soco de bico, com as pontas do "corte" terminando as orelhas quase unidas atrás. Sola de pau com salto baixo. A parte do corte está pregada à sola com tachas colocadas sobre o "circo". No lado interno tem um remendo cosido, na sola, além das tachas, tem remendo feito com borracha de pneu (?) tal como no salto Este soco estava enfiado num fueiro do carro de bois, reexposto na sala de Trás-os-Montes.
Proveniência: Trás-os-Montes

 
REGIÃO DO ALTO DOURO

 

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, madeira e metal
Dimensões (cm): comprimento: 24;

Descrição: Soco rabelo para mulher, biqueira levantada e pontiaguda, gáspea subida, decorada com motivos geométricos incisos, círculos, listas em grupo de 3 e serrilhas feitas com riscador; as orelhas chegam até ao calcanhar, agora abertas pelo uso prolongado. Sola de pau muito gasta, agora sem salto, apresenta na biqueira protetores metálicos. A ligação com a gáspea é feita por tachas pregadas sobre o circo. Não tem distinção entre o pé esquerdo e o direito.
Local de Uso: Terras de Basto - Vila Real - Amarante - Felgueiras - Lamego - Castro D'Aire

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 12,5; largura: 10; comprimento: 30;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. O enfranque é em espinha e apresenta, num dos lados desta, no soco do lado esquerdo, a inscrição "JAIME", cravada na madeira; no lado oposto, em cada soco, espécie de selo de papel de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO" repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre este fundo, espécie de brasão.
Por cima deste, o número "1720" e, ao centro, um "T", ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I. / CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e muito levantado, orientado ao centro, não conferindo aos socos um par direito ou esquerdo. Uma das patas apresenta, ao centro, escrito à mão e a grafite: "Tamancos rabelos" / "Casais" / "Lousada". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é bastante subida apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. No interior de cada soco, a zona entre a palma do pé e o calcanhar, apresenta uma inscrição feita a mão e a grafite: "42".
Proveniência: Lousada / Casais
Local de uso: região duriense, terras de Basto e Vila Real

 
REGIÃO DA BEIRA CENTRAL

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado e muito levantado. Apresenta, ao centro desta, em ambos os socos, escrito à mão, a caneta de cor verde, "VISEU". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de pelica de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras executadas a linha de cor creme, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco do lado esquerdo, na zona entre a palma do pé e o calcanhar, apresenta uma inscrição feita a mão e a grafite: "41".
Proveniência: Viseu

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Borracha; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 7,2; largura: 11,8; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par), de sola em madeira, gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. Apresenta no topo, com o mesmo formato, uma aplicação de borracha de pneu de cor preta, fixa com pregos metálicos. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado. Apresenta nos limites exteriores aplicação de uma banda de borracha de pneu de cor preta, formando espécie de ferradura, fixa com pregos metálicos. A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, profusamente pregada, com pregos metálicos, de cabeça larga e batida, justapostos uns aos outros. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de cabedal de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico, presa por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma uma espécie de flor de oito pétalas ao centro. Em cima e abaixo desta, os círculos dispõem-se em duas fileiras justapostas que infletem ao meio. Descendo da calcanheira pela zona da palmilha, vestígios de tecido escocês de listas ortogonais de cor vermelha justapostas a listas ortogonais de cor azul escura.
Proveniência: Seia / Sabugueiro

   
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 12,5; largura: 12; comprimento: 30;

Descrição: Soco de rasto de madeira e gáspea de cabedal de cor acastanhada. O rasto apresenta salto, enfranque e pata. O salto é alto e muito afunilado. Apresenta no topo, uma aplicação com dimensões ligeiramente superiores, de peça metálica. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, levantado, com vestígios semeados de charas de metal, de formato redondo. A união entre rasto e gáspea é guarnecida com tira de cabedal pregada, equidistante, a toda a volta, com pregos metálicos de cabeça larga e batida, à exceção da biqueira. Aí, é aplicada uma peça triangular de cabedal. Do lado direito do soco, aplicação de placa de metal, sobre a tira de cabedal. Tal placa, que cobre o lado do rasto e a tira, é pregada à madeira nas extremidades e ao centro, com pregos metálicos. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas, na zona do calcanhar, terminam em redondo, formando espécie de espaço em "V", entre elas.
Proveniência: Viseu / Vila Nova de Paiva / Fráguas

 
REGIÃO DA BEIRA LITORAL

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
 Matéria: Madeira; Couro; Metal (ferro)
Dimensões (cm): altura: 16; largura: 8; comprimento: 34;

Descrição: Soco com rasto de madeira e gáspeas de couro de cor castanha. O rasto é constituído pelo salto, enfranque e pata. O salto é tronco-cónico, apresentando três peças quadrangulares de ferro que lhe encaixam. O enfranque é lavado e esguio, apresentando uma descontinuidade com a pata. Esta última apresenta, junto às bordas, cardas de ferro, formando uma sucessão de triângulos. A união do rasto com as gáspeas é feita através de uma fita de couro pregada de espaço a espaço. As gáspeas são levantadas até à zona da calcanheira, terminando em "V". À frente, na extremidade superior, formam um pequeno triângulo. A parte da frente das gáspeas é reforçada com uma aplicação de couro, gravada por punção segundo uma linha central longitudinal, formando pequenos asteriscos. A biqueira do soco é reforçada com uma banda de ferro, que se prolonga lateralmente pelo soco até à zona da pata, pregada de espaço a espaço.
Proveniência: Segundo o artigo de Benjamim Pereira "Calçado de Pau em Portugal" este soco é proveniente de Aveiro.


 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,6; comprimento: 24,5;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Apresenta, no soco do lado direito, virado para o salto, junto á extremidade lateral, uma espécie de selo de papel de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO" repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "173" em cima, e a letra "T" ao centro, ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata, apresenta um bico muito redondo, sem queda. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco / Poveiro / Beira mar". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do salto. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um plástico de cor preta, de formato parabólico. É pregado, na sua aresta interior, ao centro, por um prego metálico de cabeça larga, batida. Contíguo a este forro, em cada soco, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO". Sobre este, escrito à mão, a grafite, o número: "33" (?).
Proveniência: Aveiro

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 10,5; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Soco (par) fechado de rasto em madeira e gáspea de cabedal envernizado, de cor preta. O rasto é constituído por salto, enfranque e a pata (?). O salto é baixo; o do soco do lado direito apresenta escrito à mão, a caneta: "Salto". O enfranque é em espinha e apresenta, num dos lados desta, também no mesmo soco, escrito à mão e a caneta de cor azul: "enfranque / modelo em espinha". Do outro lado da espinha, espécie de selo de papel, de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, espécie de brasão encimado pelo número "173", e a letra "T" ao centro - ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e ligeiramente levantado. O bico do soco do lado direito apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Pata". No mesmo alinhamento desta, junto à extremidade direita, a palavra "encarna", de onde parte uma seta apontando para a fita que une a sola e a gáspea. A pata do soco do lado esquerdo, refere do mesmo modo: "Tamanco Fechado". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma encarna: uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. Na parte da frente, na biqueira, a ligação é de folheta de metal de cor prateada. Esta, no limite superior, é de arco ogival, e no limite inferior, lobulada, tendo em cada lóbulo, um prego. A folheta apresenta uma espécie de motivo orientalizante. A gáspea é bastante subida apresentando orelhas, de vértice superior arredondado, que se sobrepõem na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras executadas a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. O interior da gáspea é de cabedal de cor castanha escura. Na zona da calcanheira de cada soco, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Proveniência: Aveiro

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 6,5; largura: 8; comprimento: 25;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, ligeiramente levantado, não havendo diferenciação entre direito e esquerdo. A do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco" / "Chinela" / "(Interior)" / "Varina". A referência "interior" encontra-se riscada. A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do tacão. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um forro de plástico preto, de formato parabólico. É pregado, na sua aresta interior, ao centro, por um prego metálica de cabeça larga e batida. Contíguo a este forro, em cada soco, um carimbo de cor vermelha com a inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Proveniência: Aveiro

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 9; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor creme - "cabedal branco". A sola é constituída por salto, enfranque e a pala. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Apresenta, num dos lados, uma espécie de selo de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "173" em cima, e a letra "T" ao centro - ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e ligeiramente levantado. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco branco". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor castanha, pregada de espaço a espaço com pregos metálicos de cabeça larga e batida. Na parte da frente da biqueira, a ligação é de folheta de metal de cor prateada. Esta, no limite superior, é de arco ogival, e no limite inferior, lobulada, tendo em cada lóbulo, um prego metálico. A folheta apresenta espécie de motivo orientalizante. A gáspea é bastante subida. As orelhas, cujas pontas terminam em bico, tocam-se na zona do calcanhar. Apresenta algumas gravações por punção: zona da boca, à frente, apresenta duas linhas gravadas em profundidade no cabedal, seguindo os contornos da mesma; na zona da biqueira apresenta seis linhas, espaçadas duas a duas, sendo que entre as duas mais anteriores e as do meio, cinco linhas iguais às anteriores, oblíquas, cruzando-se entre elas, ao centro. No interior de cada soco, na zona da calcanheira, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Local de uso: Região da Bairrada

REGIÃO DO ALTO ALENTEJO

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Madeira, couro, tachas
Dimensões (cm): comprimento: 24,5;

Descrição: Soco composto por duas tiras de couro, que unem sobre o peito do pé, ajustadas com uma tira (atacador) estreito partido, passando por 6 orifícios; sola de madeira alta unida ao couro com tachas.
Proveniência: Louredo, Marvão

 
Fontes:
www.matriznet.imc-ip.pt
Museu Nacional de Etnologia
Museu de Arte Popular


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segunda-feira, Setembro 22, 2014

AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR II – DOURO LITORAL E TRÁS-OS-MONTES

Antes de ser um elemento de composição etnográfica, no sentido decorativo, a algibeira foi uma bolsa de uso popular. Simples, sem lantejoulas ou bordados, eram sobretudo peças utilitárias, quer no dia-a-dia, como em dias de especial veneração.

Este artigo é a continuação da abordagem a este tema iniciado em AS ALGIBEIRAS NO TRAJE POPULAR I – MINHO, passando a apresentar exemplares provenientes das coleções do Museu Nacional do Traje e da Moda (Lisboa) e Museu da Terra de Miranda.

MUSEU NACIONAL DO TRAJE E DA MODA (Lisboa)

Local de Execução: Porto
Datação: Sem data na ficha
Matéria: Lã azul escura; lã castanha; algodão vermelho; algodão amarelo.
Dimensões (cm): altura: 26; largura: 16;
Descrição: Algibeira de traje de Varina, de tecido de lã azul escura guarnecida com fita de lã castanha. Na parte da frente, aplicação de fita sarjada vermelha formando quadrado e fita de algodão amarelo (grega) formando decoração geométrica. Na parte superior da algibeira, aplicação de tira do mesmo tecido, guarnecida com fita de lã castanha e com aplicações de fita de algodão amarelo, formando bico na frente e apertando na parte superior da abertura com mola de metal pobre pintado de preto.
Proveniência: Porto – Doação de Madalena Pagani Furtado

MUSEU DA TERRA DE MIRANDA (Miranda do Douro)

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão e adamascado
Dimensões (cm): altura: 21; largura: 15;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã azul. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em adamascado bege. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão amarela, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido preto com motivos florais. A algibeira é ainda bordada na frente em lã vermelha e amarela, formando motivos florais.
Proveniência: Miranda do Douro

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão e adamascado
Dimensões (cm): altura: 20; largura: 14;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã azul. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em adamascado vermelho. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão amarela, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido preto e branco.
A algibeira é ainda bordada na frente em lã branca e rosa formando motivos florais.
Proveniência: Miranda do Douro


Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã e algodão.
Técnica: Técnica do picado. Utilizado nas Capas de Honras.
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 18;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã verde. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango também verde. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão verde, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão amarelo e roxo. A algibeira é ainda bordada na frente, na técnica do picado em tom preto, e, bordada com fio de lã vermelho e amarelo, formando motivos florais.
Proveniência: Miranda do Douro

Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã e algodão.
Técnica: Técnica do picado. Utilizado nas Capas de Honras.
Dimensões (cm): altura: 24; largura: 15,5;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã verde. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango também verde. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão preto, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão castanho e branco. A algibeira é ainda bordada na frente, na técnica do picado, em tom castanho.
Proveniência: Miranda do Douro
 

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão e veludo.
Dimensões (cm): altura: 25; largura: 18;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã amarela. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em veludo preto e em adamascado azul. O losango é contornado por uma fita vermelha, a algibeira por uma fita azul e outra vermelha na parte superior pendendo a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão castanho e cinza. A algibeira é ainda bordada na frente, com fio de lã preto e verde.
Proveniência: Miranda do Douro


Datação: XX d.C.
Matéria: Lã e algodão.
Técnica: Técnica do picado. Utilizado nas Capas de Honras.
Dimensões (cm): altura: 24,5; largura: 16,5;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã vermelha. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango também vermelho. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão vermelho, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de algodão vermelho. A algibeira é ainda bordada na frente, na técnica do picado em tom preto, e, bordada a fio de lã verde e branco na parte inferior do losango.
Proveniência: Miranda do Douro

 
Autor: Adília Rosa Moreno
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã, algodão, tafetá, veludo e adamascado.
Dimensões (cm): altura: 29; largura: 20,5;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em lã vermelha. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em veludo preto e adamascado beje. O losango e o contorno da algibeira são debruados com fita de algodão verde, deixando pender na parte superior a quantidade de fita necessária para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido tafetá verde. A algibeira é ainda bordada na frente com fio de lã amarelo, azul e rosa.
Proveniência: Miranda do Douro

 
 
Datação: XX d.C.
Matéria: Algodão e pano linho.
Dimensões (cm): altura: 27; largura: 18;
Descrição: Algibeira, tipo de bolsa, de formato trapezoidal arredondada na parte inferior, em algodão azul. A meio do topo superior tem uma abertura formando um losango em pano linho. O losango é contornado por uma fita de algodão preto e rosa, a algibeira é contornada por uma fita vermelha, cujas pontas pretas são utilizadas para prender a peça à volta da cintura de quem a veste. A parte traseira da peça é composta por tecido de pano linho. A algibeira tem ainda aplicada uma renda contornando o losango.
Proveniência: Doação da artesã Adília Rosa Moreno

 
 
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