terça-feira, setembro 01, 2015

Romaria da Srª da Agonia, Viana do Castelo


Como não poderia deixar de ser, em período de férias era obrigatória a presença na maior romaria do Minho que tão bem celebra o seu traje regional.
Ficam algumas imagens dos muitos trajes que por lá desfilaram.



 






















 

sábado, agosto 08, 2015

TRAJES DE FESTA – POMBAL – BEIRA LITORAL


A imagem que vos apresento retrata três figuras femininas e uma masculina em trajes de festa da região hoje conhecida como Pinhal Litoral, outrora Beira Litoral.
Não querendo efetuar uma descrição exaustiva destes trajes, destaco aqui duas peças.
Em primeiro lugar a Saia de Costas, que era utilizada como agasalho pelas mulheres e que possui um corte muito semelhante às saias de fora.
A outra peça que destaco é a jaqueta de pelúcia utilizada pelo homem, provavelmente com alamares, que revela poder económico já que estas eram bastante caras.
Concluo com uma chamada de atenção para a encenação da imagem. O casal conversa enquanto outras mulheres, amigas ou familiares da rapariga, se mantêm por perto. Eram assim os namoros antigamente, vigiados e com uma distância de segurança entre homem e mulher “não fosse o diabo tesselas”.

quarta-feira, agosto 05, 2015

CAMISOLA DO PASTOR DA SERRA DA ESTRELA


Rancho Folclórico Os Pastores de São Romão
Antigamente as grandes famílias de pastores, costumavam mandar fabricar, com a lã das suas ovelhas, grandes peças de surrobeco, de saragoça preta, de saragoça castanha – escura e de xadrez (raxa), que depositavam nas alfaiatarias, onde mandavam fazer os fatos para toda a família.
 
Em geral, cada pastor tinha sempre um fato domingueiro, um de surrobeco, uma camisola de xadrez, com aplicações nos bolsos e nas mangas, hoje chamada “casaca de pastor” com rendilhados, que se vulgarizou, alguns coletes de vários feitios e uma capa de um pano mais escuro e mais fraco.
 
Por vezes a camisola, que hoje chamam “o casaco de pastor”, não possuía rendilhados a preto, nem botões de metal amarelo, apenas uns vivos pretos nos bolsos e nas mangas e botões de massa ou plástico para apertar á frente.
 
Esta peça acentuava a identidade do pastor, pois quando decorada, que era toda trabalhada com tecido preto, aplicando-se desenhos diferentes de família para família.
 
Esta camisola está hoje muito divulgada e é a imagem de marca dos pastores da Serra da Estrela.

Fig.1

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido de lã axadrezado padrão branco e castanha (raxa)
Dimensões (cm): altura: 61; largura: 160;

Camisola de tecido de lã axadrezado: fundo de cor creme cortado por listas ortogonais de cor castanha escura.
FIG 1

Aberta ao centro, do decote redondo até à extremidade inferior, fechando por meio de cinco botões de plástico de cor preta ou castanha escura.

Na aba esquerda, da extremidade superior da abertura, parte uma tira de tecido de cor preta que percorre o perímetro do pescoço, alargando-se em espessura. Termina na extremidade superior da aba direita, descendo daí pela abertura, em forma de peitilho.

O peitilho é feito de dois panos lado a lado espaçados entre si. O da esquerda contém quatro das casas; apresenta três espaços recortados em espécie de triângulos. O pano mais à direita é afunilado e apresenta ao centro três espaços cortados, muito finos, longitudinais, sendo que o superior forma espécie de "V". Apresenta do lado direito, à altura do terceiro e quarto botões, entre a extremidade inferior do peitilho e as costas da camisola, um bolso de formato retangular. O cós é de tecido de cor preta, de formato pentagonal, de ápice invertido. Apresenta ao centro uma casa orientada no sentido longitudinal, que fecha por meio de um botão de plástico de cor preta, cosido no interior do bolso, à camisola.

As mangas são muito retalhadas, sendo que alguns destes retalhos apresentam um outro interior do mesmo tecido da camisola, que os forra. A extremidade inferior das mangas apresenta vestígios de guarnição com tecido de igual qualidade ao do peitilho e do cós do bolso.

Proveniência: Seia / Sabugueiro

 
Fig.2

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Tecido de lã axadrezado padrão branco e castanha (raxa); Metal
Dimensões (cm): altura: 73; largura: 104;
FIG 2

Camisola de tecido de lã axadrezado: fundo de cor creme cortado por listas ortogonais de cor castanha escura.
 
A zona do pescoço é de corte redondo. Daí, um pouco chegada à esquerda, segue a abertura da camisola, que se estende à extremidade inferior desta.
 
Apresenta aplicação de tecido de lã de cor preta, que parte da zona da ombreira direita, contorna o pescoço e desce justaposta à aba direita da abertura, afunilando até cerca de um palmo da extremidade inferior da camisola. Forma-se assim o peitilho.
 
O peitilho é ponteado a linha de cor preta. É de limites recortados em "ziguezague". O seu interior apresenta espaços recortados, formando padrões geométricos. Na aresta lateral direita, apresenta, dispostos no sentido da altura, cinco botões metálicos, de cor dourada em forma de disco, meramente ornamentais. A aresta lateral esquerda apresenta cinco casas que permitem o abotoamento da abertura da camisola por cinco botões presentes na aba oposta. Estes botões são semelhantes aos descritos anteriormente. Na zona do peito, do lado esquerdo, justaposto ao peitilho, um pequeno bolso de formato quadrangular de fundo de vértices arredondados. Os contornos do bolso são guarnecidos com um ponteado executado a linha de cor preta. Apresenta cós com uma aplicação do mesmo tecido preto, de limites recortados. Tal aplicação é também recortada no interior formando padrões geométricos. Junto à extremidade inferior do peitilho, de cada um dos lados da abertura, surge um bolso largo, que desce quase até à extremidade inferior da camisola. É de iguais características ao descrito anteriormente.
 
As mangas apresentam no canhão, igual aplicação a toda a volta de tecido preto, também interiormente recortado. O canhão contém uma pequena abertura, que pode ser fechada por meio de um botão semelhante aos do peitilho.

Proveniência: Gouveia / Folgosinho

RAXA - Tecido de xadrez branco e castanho, que era utilizado na confeção da camisola. O tecido de raxa, não era pisoado, uma vez que o casaco era para ser usado por baixo da capa.
Rancho Folclórico Os Pastores de São Romão

Fonte: Museu Nacional de Etnologia

Outros artigos relacionados: Traje da Serra da Estrela

quarta-feira, julho 29, 2015

SAIAS DA NAZARÉ

O traje das mulheres da Nazaré é conhecido pelo uso de muitas e bonitas saias. Hoje publico alguns exemplares pertencentes ao Museu Dr. Joaquim Manso, situado no Sitio da Nazaré, e que merece bem uma visita.

SAIAS DE CIMA

Fig.1
Datação: XX d.C. - Anos 1950
Matéria: Lã (escocês e castorina); algodão
Dimensões (cm): altura: 68;
Descrição: Saia de "de cima" de duas rodas. A primeira roda é de escocês e a de baixo de castorina. Afeiçoa à cintura por pregas estreitas que são apenas armadas no cós "desalvorada". O cós é constituído por um debrum de fita estreita que excede as dimensões da cintura em duas pontas que caiem soltas junto à abertura lateral. Bainha larga. A orla é guarnecida com fita preta de lã.
Proveniência: Nazaré.
Origem / Historial: Para usar no traje de trabalho.
 
Fig.2
Datação: 1953 d.C.
Matéria: Lã (escocês); seda
Dimensões (cm): altura: 70;
Descrição: Saia de escocês aos quadrados azuis e brancos com riscas amarelas e pretas. Afeiçoa à cintura por meio de pregas estreitas exceto à frente que é lisa. O cós é constituído por um debrum de fita estreita de seda castanha que excede as dimensões da cintura em duas pontas que caiem soltas junto da abertura lateral. Bainha larga. Na parte superior da bainha, um "refegue" (nervura).
Origem / Historial: Para usar no Traje de Festa.
 
Fig.3
Datação: 1950 d.C.
Matéria: Lã fina (caxemira)
Dimensões (cm): altura: 72;
Descrição: Saia de caxemira aos quadrados azul e rosa. Afeiçoa à cintura por meio de pregas estreitas exceto à frente que é lisa. O cós é constituído por um debrum de fita estreita de seda castanha que excede as dimensões da cintura em duas pontas que caiem soltas junto da abertura lateral. Na parte superior da bainha, duas fitas paralelas de seda estreita vermelha.
Origem / Historial: Para usar no Traje de Festa.
 
Fig.4
Datação: 1946 d.C. - Primeira metade do séc. XX
Matéria: Tecido de lã fina; veludo
Dimensões (cm): altura: 59;
Descrição: Saia que afeiçoa à cintura por pregas estreitas. O cós é constituído por um debrum de fita de seda. Bainha larga e cercadura decorada com fita estreita de veludo preto, formando motivos geométricos (losangos).
Proveniência: Sítio da Nazaré.
Origem / Historial: Saia para usar no trajo de festa. É designada, a nível local, por "saia de arquinhos".
Fig.5
Datação: 1880 d.C. - 1890 d.C.
Matéria: Algodão (chita)
Dimensões (cm): altura: 94;
Descrição: Saia de algodão preto com raminhos brancos. Afeiçoa à cintura por meio de pregas estreitas, exceto à frente onde são mais largas. O cós é constituído por um debrum do mesmo tecido. Bainha larga forrada de chita de outro padrão.
Proveniência: Sítio da Nazaré.
Origem / Historial: Pertenceu a Soledade Lucas Marques Luzindro, cuja data de nascimento e morte é desconhecida, apenas se registando que a saia tinha 116 anos no momento da incorporação (1976). Vivia no Sítio da Nazaré, onde tinha uma loja de tecidos, na atual Rua 25 de Abril.
 
Fig.6
Datação: 1949 d.C.
Matéria: Merino
Dimensões (cm): altura: 71,5;
Descrição: Saia de merino preto e com 4 panos. É afeiçoada à cintura por meio de pregas estreitas, exceto a frente onde são mais largas, armadas no cós e vincadas numa altura de 9 cm, onde é bordada uma cercadura com motivos florais a ponto de cruz. A orla é guarnecida com uma barra de veludo preto com 20 cm, encimada por um conjunto de sete nervuras.
Proveniência: Sítio da Nazaré.

 
SAIAS DE BAIXO

Fig.7
Datação: XX d.C.
Matéria: Lã
Dimensões (cm): altura: 58;
Descrição: Saia de fazenda de lã creme. É inteira, uma só roda, e afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido com fita de seda formando debrum. A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha verde e no centro destes, raminhos bordados à máquina.
Origem / Historial: Usa-se como saia interior, mas para usar no traje de festa.

Fig.8
Datação: 1976 d.C.
Matéria: Flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 69;
Descrição: Saia de flanela cinzenta, inteira, com bicos debruados a fita de algodão cor-de-rosa.
Origem / Historial: Para usar no traje de trabalho

 
Fig.9

Datação: 1936 d.C.
Matéria: Tecido de algodão cinzento e branco.
Dimensões (cm): altura: 67;
Descrição: Saia inteira (uma só roda). Afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido com uma tira de pano cosida do direito da saia e virada para o avesso formando um debrum. A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha perlé lilás, com "picot" em lã cor-de-rosa. No centro de cada "bico" raminhos bordados em várias cores, a ponto cheio e pé-de-flor.

Fig.10
Datação: XX d.C.
Matéria: Tecido de lã (escocês); flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 68;
Descrição: Saia "de baixo" do trajo de trabalho, com duas rodas. A de cima é de flanela cinzenta e a de baixo é de escocês. Bainha forrada de flanela cinzenta. Os "bicos" são debruados a fita de algodão colorida (verde).

Fig.11
Datação: XX d.C.
Matéria: Flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 73;
Descrição: Saia de flanela cor-de-rosa e amarela. É "inteira"(uma só roda). Afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido com uma fita de seda (ciré). A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha perlé azul.
Origem / Historial: É usada no trajo de festa.

Fig.12
Datação: XX d.C.
Matéria: Flanela de algodão
Dimensões (cm): altura: 76;
Descrição: Saia de flanela bege com motivos decorativos grenás e verde. É "inteira" (uma só roda). Afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós que é guarnecido por uma fita de seda (ciré). A orla termina em recortes ou "bicos" caseados a linha perlé vermelha.
Origem / Historial: Para usar no trajo de festa.

sexta-feira, julho 24, 2015

VÉU DE NOIVA - MINHO


Véu de noiva de forma quadrada, está decorado com bordado manual sobre os lados, que se distribui de modo desigual. O véu que se colocava na cabeça dobrado a meio, formava uma ponta que caia sobre as costas. Era este ângulo do véu que merecia mais atenção da bordadeira, escolhendo os motivos maiores para a barra e para a bissetiz deste ângulo. Nos restantes lados e sobre as outras bissetizes, os motivos são mais pequenos e executados com menos cuidado. Todo o centro apresenta pequenos motivos florais semeados. Pontos do bordado: passagem, ponto adiante e recorte. Motivos: flores, folhas, vaso com flores e motivos geométricos, zig-zag e semicírculos.

Local de Execução: Minho
Datação: Séc XX (?)
Matéria: Algodão
Técnica: Tule mecânico
Dimensões (cm): altura: 80; largura: 80;
Fonte: Museu de Arte Popular

terça-feira, julho 21, 2015

COLETE – ÁGUEDA – BAIXO VOUGA


Colete de seda de cor preta lavrado a motivos fitográficos de cor azul e amarela: espécie de flor com espinhos, de caule de cor azul e pétalas de cor amarela, alternada com uma forma tipo óvulo, executada a linha das mesmas cores. Tem um decote redondo em "U". À frente, do meio do deco
te, segue a abertura do colete até à extremidade inferior do mesmo. Cada aba apresenta quatro casas, podendo o colete ser fechado por meio de oito alamares de metal. Tais casas apresentam na sua ponta mais externa, uma espécie de "V" deitado, espinhado, executado a linha de cor azul clara. Os alamares, lavrados com motivos fitográficos representando uma flor aberta, são de formato redondo, e estão agrupados dois a dois por espécie de pinça metálica. Cada pinça permite abotoar duas casas. A zona da cava tem uma aplicação de veludo de cor preta, de formato retangular, que se estende até à extremidade inferior da casaca. Nas costas, apresenta aplicação de uma barra de tecido de veludo lavrado com flores de cor preta: cada pé tem duas folhas de limbo recortado, e termina numa flor aberta. Tal aplicação desce desde o corte do pescoço até à extremidade inferior da casaca, alargando aí. Forma no conjunto, espécie de "Y" invertido, cujos vértices mais inferiores, resultados de um corte no meio da aresta inferior da barra, formam dois pequenos rabos triangulares. Interiormente, todo o colete é forrado a tecido grosseiro de cor branca, à exceção do forro correspondente à banda das costas. Aí, o forro é de um tecido mais fino.

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Cetim (seda); Metal; Veludo; Tecido
Dimensões (cm): altura: 35; largura: 47;

Fonte: Museu Nacional de Etnologia