sexta-feira, dezembro 24, 2010

Feliz Natal


Neste dia especial, votos de paz, amor, felicidade, saúde e sorte, para todos os leitores deste blog, em especial os que o seguem de perto.

Um abraço terno e amigo

Carlos Cardoso

Memória de um Povo - Isabel Silvestre



A cantora Isabel Silvestre, apresentou no passado dia 10 de Dezembro, o livro “Memória de um Povo” em que regista parte da recolha da tradição oral que fez região de Manhouce - Beira Alta.
Memória de um povo, que é acompanhado de um CD com o Cantar dos Reis de 1982, reúne Lengalengas, Histórias, Orações, Modos de Falar, Expressões, Pragas, Provérbios, Adivinhas, Quadras, Romances, Cantares ao Desafio, Recordações, Pautas Musicais... Neste seu livro, Isabel Silvestre procura fazer sentir e transmitir aspectos da cultura de um Povo a que se orgulha de pertencer. Numa manifestação do afecto intenso e sem limites que tem pela sua terra, pelas suas gentes, pelo seu País, Isabel Silvestre reuniu falas, realidades, contos de um povo que «reage sempre à desventura e que em cada crepúsculo vê sempre uma nova madrugada». Inclui quatro singelos e lindíssimos contos da própria Isabel Silvestre....

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Michel Giacometti - Filmografia Completa

O Jornal Público, entre 22 de Novembro e 7 de Fevereiro, distribui semanalmente a filmografia completa de Michel Giacometti, numa edição da RTP coordenada por Paulo Lima.
São 12 livros com CD's onde pode ser admirado o trabalho de recolha etnografica deste Corsego, português de coração.
A 1ª edição tem o custo de 5,90€ e as restantes 8,90€.
Uma colecção a não perder.

domingo, dezembro 12, 2010

Socas barrosãs já não ressoam na calçada - Montalegre

As socas da Terra do Barroso já não confortam os pés das gentes da terra fria transmontana.
O sapato tradicional de madeira e couro é hoje procurado como peça de decoração, utilizado em ocasiões pontuais. Os soqueiros desapareceram quase ao ritmo traçado pela conquista do calçado moderno.
No início de cada Primavera, o soqueiro da aldeia ia de porta em porta medir pés e fazer socas. Durante o tempo frio, a madeira de vidoeiro secava atrás da lareira. Com o início do calor a madeira estava pronta para confortar os pés do povo barrosão. O pé colocava-se em cima de um pedaço de madeira. Com um lápis, o soqueiro desenhava a forma e em seguida talhava a madeira que se queria leve e resistente. A parte de cima era feita de couro.
Em tempos pretéritos, as 35 freguesias do concelho de Montalegre tinham um soqueiro, hoje não existe nenhum e as socas são um adorno, utilizadas em ocasiões festivas ou para uma ida ao quintal da casa. «Eu sou o único sapateiro, de concerto de calçado, que há em todo o concelho», diz João Madeira.
Na sua oficina expõe alguns exemplares de socas antigas, mas também algumas que nunca foram calçadas. «Não fui eu que as fiz», apressa-se a explicar. «Mas sei fazer. O que acontece é que já tenho tanto trabalho que não consigo fazer as socas, ainda para mais quando não têm muita procura».
João Madeira comenta que há quem tenha umas socas em casa apenas «pela tradição e como peça de decoração». No entanto, acrescenta: «ainda se vêem pessoas com as socas. Como a madeira protege da água há quem as use para ir ao jardim, à horta ou para lavar o carro».
O ‘toc toc’ da madeira a bater no chão já não se faz ouvir nas ruas das aldeias do Alto Rabagão, a não que seja dia de festa e esteja actuar um grupo folclórico. Ver as socas a luzir nos pés fica agora reservado a estes dias festivos.
A soca de enfiar, ou em formato de bota, era o toque final de uma indumentária que também se começa a perder no tempo. A capa de burel e a croça de junco, capuchos feitos de junco normalmente usados pelos pastores eram algumas das peças com que estas gentes do Norte Português enfrentavam os rigores do frio.

Autora: Sara Pelicano
Fonte: Café Portugal

terça-feira, novembro 30, 2010

Concurso Nacional de Etnografia 2010


Os Concursos Nacionais da Fundação INATEL são organizados desde 2005 com objectivo de estimular a criação artística por parte das colectividades amadoras associadas de todo o Continente e Regiões Autónomas, numa grande demonstração de criatividade, inovação e preservação de tradições e cultura popular nas três áreas históricas da Fundação: teatro, etnografia e música.
A preparação das Eliminatórias Finais Nacionais do Concurso Nacional de Etnografia terá lugar nos dias 4 e 5 de Dezembro, no Teatro Miguel Franco (Leiria).
A vertente Música Tradicional / Popular decorrerá no Sábado, dia 4, entre as 11h00 e as 13h00, e entre as 15h00 e as 18h00. O Júri será composto por José Alberto Sardinha, Mário Correia, Pedro Mestre
A vertente Quadros Etnográficos decorrerá no Sábado, dia 4, pelas 21h30, e no Domingo, dia 5, pelas 11h00, sendo os quadros finalistas apresentados a partir das 15h00
O Júri será composto por José Pedro Caiado, Madalena Farrajota e Paulo Raposo.

sexta-feira, novembro 12, 2010

terça-feira, novembro 09, 2010

Trajes de Corte - Taje de "Neto"

No século XVIII, sobretudo no reinado de D. João V, as “Touradas Reais” atingiram um fausto até então nunca visto. É esse fausto que se evoca hoje na corrida de Gala à Antiga Portuguesa. Vestidos à época, apresentar-se-ão o Neto, símbolo da autoridade na arena, os Pajens do Neto, em número de seis, os oito Charameleiros e o Timbaleiro, que constituem o Bando (espécie de arautos, anunciadores da “Tourada”), os doze Porta-Estandartes das casas nobres cujos representantes participavam na “Tourada”, os seis Pajens dos Cavaleiros e os dois coches com os seis cavaleiros. A entrada dos coches na arena é, porventura, o momento culminante do cortejo, pela grandiosidade que, nesse momento, o cenário atinge. A figuração por cada coche é constituída por um Cocheiro, um Moço de Tábua, dois Alabardeiros e dois Porta-Guias da parelha de tiro. Atrás dos coches seguem, os cavalos de combate, cobertos por telizes de veludo bordado, conduzidos à mão pelos respectivos Porta-Guias. Recolhido o cortejo, o Neto manda entrar na arena a “Azémola das Farpas”, que transporta a ferragem que será usada na “Tourada”. Conduzida à mão pelos forcados, a sua entrada em cena constitui um momento sempre hilariante. Depois da saída da “Azémola das Farpas”, o Neto recebe do Director de Corrida as chaves do touril e vai entregá-las ao chefe dos curros. Retira-se o Neto e dá-se início às cortesias ao uso contemporâneo.



O traje da imagem é um Traje de Neto do Séc. XIX , que serviu ao infante D. Manuel numa garraiada em Sintra (1899) e é pertença da colecção do Museu Nacional dos Coches.O conjunto é composto por gibão, calça de seda preta, chapéu de seda preta com pluma e luvas, de confecção portuguesa.

Fonte; Blog do Vasco

quarta-feira, outubro 06, 2010

O Barbeiro

Na sequência de duas imagens que encontrei no Arquivo Municipal de Lisboa, que retratam a profissão de barbeiro em dois contextos sociais diferentes resolvi aqui deixar o presente artigo em homenagem a essa profissão quase extinta.

O exercício do ofício de Barbeiro remonta à Antiguidade. Nesta época o Barbeiro era, simultaneamente, médico, cirurgião, dentista, cabeleireiro, quer de homens quer de mulheres, e amolador. Eram actividades que garantiam a independência económica e a consideração social de quem as exercia.
A Idade Média foi o período em que o ofício conheceu, por um lado, o apogeu e, por outro, o início de um conturbado período. A partir de finais do século XIII, Médicos e Barbeiros travaram uma luta no que respeita às actividades exercidas, ficando o Barbeiro impedido de receitar e de operar até ao século XVI, época em que lhe foi permitido, novamente, exercê-las.
O ofício de Barbeiro entra em franca decadência no século XVIII com a perda de serviços subsidiários, tais como os de médico, de dentista, de sangrador, de trabalho em cabeleiras, de amolador, de calista e de manicura. O Barbeiro ficou apenas com as barbas e os cortes de cabelo.
Para agravar a crise surgiu a gilete, cuja propaganda ajudou a implantar no mercado; a abertura de estabelecimentos, nomeadamente espanhóis, com outras condições e preços competitivos e a Grande Guerra, que generalizou o seu uso.
Perante a situação, o barbeiro tentou sobreviver vendendo no seu estabelecimento produtos diversos, tais como tabacos, perfumes, cutelarias, vinhos engarrafados, papelaria, loções, sabonetes, pentes, pastas e escovas de dentes.
Nos finais da década de sessenta do século XX a situação agravou-se com o aparecimento do Curso “Corte Francês”. Este curso foi criado com a “intenção de fazer uma reciclagem de barbeiros para cabeleireiros de homens”. Este curso implicava a utilização de novas técnicas, como a utilização da navalha no cabelo e do penteado com escova e secador. Muitos barbeiros passam a Cabeleireiros de Homens.
Foi neste contexto que o Ofício de Barbeiro viu diminuir o número de efectivos e actualmente, nos moldes tradicionais, tende a desaparecer.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Traje do Forcado

A mais antiga referência à realização de corridas de toiros é do reinado de D. Duarte I, e terão sido realizadas em Évora nos anos de 1431 e 1432. Contudo os monarcas portugueses eram grandes aficionados da Festa Brava, com destaque para D.João IV (1604-1656), D. Pedro II (1648-1706), D. João V (1689-1750) e D. Miguel I (1802-1866).
No reinado de Maria II, em 1836, por decreto régio, passou a ser proibida a morte dos toiros na praça, que era praticada pelos cavaleiros utilizando os rojões (como ainda hoje se pratica em Espanha). Assim, para remate da lide, os monteiros passaram a pegar os toiros.
Os monteiros ou alabardeiros, eram moços que tinham deixado as alabardas – para não ferirem o toiro – estas foram substituídas pelos forcados dos mosquetes e, assim defendiam na arena o acesso à escadaria real, sendo comandados por um cabo. Era, portanto, uma força militarizada.
Consta que em 1656 existiu um grupo constituído após uma selecção feita por alabardeiros da Guarda Real de D. Afonso VI e que pegavam os toiros de caras e de cernelha.Os monteiros e alabardeiros que pegavam toiros, passaram a ser chamados “moços de forcado” e 1837 terá sido o ano do aparecimento formal e regular dos grupos de forcados nas arenas portuguesas.
Foi no Ribatejo e no Alentejo que se constituíram os primeiros grupos de forcados, tendo ficado célebre o Grupo de Riachos que esteve presente nas inaugurações das praças de toiros de Évora e de Lisboa (Campo Pequeno).

El Forcado. Litografia publicada em La Lidia, em 7 de Novembro de 1887

No Alentejo existiram diversos grupos de forcados, sendo conhecido como dos mais antigos um de Évora, constituido em 1915. Também em 1915 foi fundado o Grupo de Forcados Amadores de Santarém, que ainda hoje existe e que teve sempre continuidade ao longo dos anos, sendo actualmente o mais antigo do país.Nos grupos de forcados não se perderam completamente algumas das características militarizadas dos anteriores monteiros ou alabardeiros. Assim, o chefe ou comandante do grupo continua a ter a denominação de “cabo”, ao traje continua a chamar-se “farda” e a “antiguidade dos forcados continua a ser respeitada.


Nas cortesias os forcados dão a direita ao cabo, formam por antiguidade e o último elemento à esquerda é o forcado mais novo.
Contudo, a nomeação de novo cabo, não terá a ver com a antiguidade, mas com o reconhecimento do Grupo pelas qualidades de um dos elementos e aceite pela maioria.O cabo deverá ser o garante dos valores e tradições do forcado amador e, dentro e fora da praça, o responsável por todas as atitudes e comportamento do seu Grupo.
À jaqueta e ao barrete, o forcado tem uma estima especial. São peças da farda de valor e grande estimação.


A jaqueta representa o Grupo de que faz parte e deverá ser entregue ao cabo quando o forcado deixa de pegar.
O barrete é a peça de vestuário mais querida do forcado e é guardado como relíquia e passa para um filho ou neto quando um destes pegar toiros.
Assim o forcado farda-se com jaqueta de ramagens, cujo padrão distingue o grupo, cinta vermelha, camisa branca imaculada e atilhos vermelhos nos punhos, gravata vermelha ou preta (em caso de luto), barrete verde cor da folhagem gola vermelha garrida, calção justinho da cor do trigo os botões prateados, meia branca de renda tal como o campino, sapato de prateleira e atacador amarelo, suspensórios castanhos (podem ser pretos ou vermelhos).

Fontes:
Grupo de Forcados Amadores da Chamusca
O TRAJE REGIONAL PORTUGUÊS E O FOLCLORE de Madalena Braz Teixeira

terça-feira, agosto 24, 2010

“OS XAILES BORDADOS E AS FESTAS POPULARES”

Em Nisa, no Museu do Bordado e do Barro, está patente até 21 de Setembro a exposição “OS XAILES BORDADOS E AS FESTAS POPULARES”.
Com esta mostra pretende-se dar a conhecer os de xailes bordados usados pelas nisenses nas festas dos Santos Populares - Santo António, S. João e São Pedro.
Em tempos recuados, destacavam-se as festas em honra de S. João, ainda hoje relembradas pelos mais velhos como uma noite de folia que durava até de madrugada. Nas festas populares, o xaile bordado a cores variadas e garridas era peça fundamental na indumentária das raparigas, o objectivo era que cada uma delas se destacasse pela sua beleza e encontrasse o seu “príncipe encantado”. Os xailes típicos de Nisa são brancos ou pretos, embora, pudéssemos encontrar xailes azuis, cor-de-rosa, ou vermelhos. São bordados a ponto de cadeia com desenhos que têm uma temática que nos reporta para a flora local, com cores garridas. Em Alpalhão o xaile é bordado à máquina, de cor branca com flores variadas e de cores fortes ou vermelho bordado a branco e amarelo. Em Montalvão surge o xaile de pêlo de cabra, com características muito distintas, tanto pela matéria de que é feito, como pela técnica utilizada na sua concepção. Também em Montalvão, encontramos o xaile de lã bordado a cores várias, mas onde predominam o rosa e o verde.
A exposição no Núcleo Central do Museu do Bordado e do Barro, localizado no Largo das Portas de Montalvão, pode ser visitada de terça-feira a domingo das 10h00 às 12h30 e das 14h30 às 18h00, sendo que a entrada é gratuita.
Já agora, vale a pena visitar o Museu do Bordado e do Barro, não só por esta exposição, mas também pela colecção patente ao público.

Artigo Relacionado: O Carnaval de Alpalhão - Nisa

quarta-feira, julho 07, 2010

Museu Ibérico da Máscara e do Traje


Inaugurado em 2007, é um espaço de divulgação das tradições relacionadas com as máscaras do Nordeste Transmontano e da Região de Zamora (parceria entre o Município de Bragança e a Diputación de Zamora – Projecto Máscaras). Local único onde se encontram expostas máscaras, trajes, adereços e objectos feitos por artesãos portugueses e espanhóis e usados nas “Festas de Inverno” em Trás-os-Montes e Alto Douro e em Zamora.
Rua D. Fernão “O Bravo”, nº 24/ 26, Bragança
Tel.: 273 381 008
Terça a Domingo 10h00 – 12h30 14h00 – 18h00
Encerra à Segunda

segunda-feira, junho 21, 2010

Gente Nossa - Ciclo do Linho

Gente Nossa - Ciclo do Linho pela Associação das Mulheres Agricultoras de Castelões

video

sexta-feira, maio 14, 2010

Entrevista no site Café Portugal

É sempre com grande orgulho e honra que falo do trajo tradicional português.
Desta feita foi o site Café Portugal que me deu esse prazer e me honrou convidando-me para uma entrevista, que pode ser lida em Rádio(grafia).

Ao site Café Portugal os meus sinceros agradecimentos.
Bem hajam!

Carlos Cardoso

Capucha – Beira Interior

Já antes falei da capucha muito usada nas regiões serrana da Beira Interior.
A imagem seguinte retrata um conjunto de mulheres serranas com a sua capucha feita em burel, no entanto, para além da capucha também algumas peças, como saias e avental, surgem confeccionadas neste material.Lamentavelmente não consegui descobrir a região em concreto, embora me pareça ser da Serra da Estrela.

segunda-feira, abril 05, 2010

Mulheres de Capote e Lenço – Algarve


Esta gravura representa as mulheres do Algarve no final do sec. XVIII, quanto se cobriam em público conforme ditavam o cânones da época. Esta tradição ainda existia em algumas localidades na primeira metade do sec.XX, como pode ler em Côca, Biuco e Capelo.

domingo, março 21, 2010

Aventais do Minho

Os aventais sempre fizeram parte da indumentária feminina, não só do povo, mas também das mulheres da nobreza e burguesia.
Os aventais que vos apresento pertencem ao trajo da lavradeira do Minho (Ribeira Lima), que no seu corte característico apresentam duas partes distintas.
A primeira, junto à cintura, designada por funéu ou emenda (conforme a localidade), consiste numa tira pregueada de tecido menos espesso (linho) do que o tecido do avental (linho e lã). Sobre esta tira surge normalmente uma decoração bordada a ponto de cruz, composta por monogramas, ou motivos da simbologia amorosa, o escudo real, ou ainda as palavras “Viana” e “Amor”.
O tecido em que os aventais eram confeccionados é semelhante ao que era utilizado nas saias (a serguilha) sendo aqui sujeito a redobrado cuidado. Aparecem na parte inferior do avental um conjunto de elementos decorativos geométricos e estilizados (pássaros, flores, silvas) que enriquecem a peça, anulando por vezes o próprio tecido de base. Estes motivos são conseguidos quer pelo emprego de fios de lã de cores variadas, quer pelo modo como os fios de trama são trabalhados, em relevo formando pequenas argolinhas, “topes” ou “moscas” como vulgarmente são chamados.

Descrição dos aventais das imagens:

Avental de serguilha Avental de serguilha preta, verde, cor-de-rosa, amarela e branca, de teia em linho branco, formando riscas decoradas com moscas, sugerindo motivos florais e geométricos. Funéu de tecido preto pregueado, bordado a ponto de cruz com fios policromados de algodão e iniciais “JPB”, enquadradas por corações e flores. Galão de algodão branco e fita de lã verde.
De forma rectangular, a peça foi talhada no sentido da teia, sendo a sua altura acrescentada pelo funéu. Aperta na cintura com fitas.


Avental de serguilha vermelha e preta e de teia em linho branco, formando risca decoradas com moscas que formam quadrados, motivos florais e geométricos policromados, executados com agulha “fada do lar”. Funéu (cós) de estopa de linho bordado a ponto cruz, com fio de algodão vermelho formando o escudo real. Galão de fita de lã cor-de-rosa e verde.
De forma rectangular, a peça foi talhada no sentido da teia sendo a altura acrescentada pelo funéu. Aperta na cintura com fitas.

Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Trajo Feminino – Glória do Ribatejo

Como já foi referido em Trajes de Glória do Ribatejo, esta povoação é reconhecida pela singularidade dos seus trajos e no empenho das suas raparigas na decoração das suas peças de vestuário, talhado em tecido simples mas de grande riqueza decorativa.
As peças que agora descrevo pertencem à colecção do Museu de Arte Popular e são exemplificativas dessa originalidade desta população.

Casaco – de tecido de algodão cor-de-rosa, bordado a ponto cruz com fio de algodão azul e verde; renda de cochet executada com fio de algodão azul; botões de massa azul.
Decote e gola redonda; as frentes decoradas com motivos florais, renda aplicada sugerindo cabeção e peitilho, ajustadas com 5 botões. As mangas são compridas e fecham com punho e botão. Sobre a cintura, cinto do mesmo tecido ajustado com mola e colchete.

Avental – tecido de algodão verde-claro, bordado a ponto de cruz com fios policromados. De forma rectangular, franzido na cintura com cós e tiras para apertar nas costas; na frente aplicação de bolsos laterais. Na orla da peça, sobre as algibeiras e extremidades das tiras, rosas bordadas.

Taleigo (saco) – de tecido de algodão azul-claro, bordado a ponto de cruz formando motivos florais; renda de crochet em fio de algodão vermelho. Tem forma rectangular, apertando na parte superior com fita de nastro enfeitada com borlas vermelhas iguais às que decoram as extremidades inferiores. Ambos os lados são decorados com bordados e a legenda “Não te Quero” sobre uma delas. Toda a peça apresenta a orla bordada e rematada com renda.

Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Algibeira - Minho

O termo Algibeira é proveniente do árabe e permaneceu no trajo popular feminino de quase todas as regiões do país como uma peça interior, escondida dos olhares estranhos, tal como sucede no Algarve, onde são conhecidas por patronas.
Atadas à cintura, escondidas entre a saia de fora e a anágua, sempre que necessário a mão passava através da abertura disfarçada entre as pregas da saia.
No trajo erudito também é conhecido o seu uso. Durante séculos, os tecidos pesados e opacos ocultavam completamente a abertura da saia, que permitia o acesso a esta bolsa. Com as alterações introduzidas na moda durante o período do império (sec.XVIII), as alterações do corte dos vestidos, com cintura alta, e o uso generalizado de tecidos transparentes e leves, torna-se difícil o uso desta peça. Surgem as bolsas suspensas dos cintos ou dos ombros, em tecidos coloridos, bordados e posteriormente com armação em metal, conduzindo ao aparecimento das bolsas de mão.
No Minho vemos que a algibeira se insere tanto no trajo popular como erudito, tendo-se verificado a passagem de uma peça interior para um acessório externo, exibido para ser admirado com o restante trajo.
Nesta região assume uma forma curiosa, um coração estilizado, adaptando-se perfeitamente aos diversos tipos de trajo da região.

Os exemplares apresentados correspondem a algibeiras do trajo de trabalho e domingueiro, já que nas versões mais ricas e garridas o ponto cruz é menos utilizado, sendo substituído por aplicações de fitas, galões e pelo brilho das lantejoulas, das missangas e dos vidrilhos.
Na sua confecção é utilizado um molde de papel que se aplica sobre os retalhos de tecido pretendidos.
Depois de cosidos, eram decorados com a aplicação de fitas, de bordados e botões, de acordo com a inspiração e os materiais disponíveis. Para o forro era utilizado outro retalho de linho ou riscado.
A função da algibeira, que era usada presa com fitas sobre o lado direito, escondida entre a saia e o avental, é ao mesmo tempo decorativo e funcional.
Nele se guarda o lenço, o terço no segredo (pequena abertura escondida sob a pala), ou os poucos vinténs resultantes da vendo do produto da terra.
No trajo erudito este acessório passou a estar exposto aos olhares de todos. Perdeu a sua simplicidade inicial, para se afirmar pelo exotismo da forma, a riqueza dos materiais e pela exuberância da decoração.

Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Camisa do noivo – Guimarães – Minho

A camisa do noivo pertence a um traje de excepção. Confeccionada propositadamente para uma ocasião especial – o casamento – muitas vezes pelas mãos das próprias noivas, nesta peça está bem presente o cuidado, o carinho e o empenho no modo como foi talhada e bordada.
Como trajo de cerimónia por excelência, esta camisa acompanhou o seu proprietário ao longo da vida, apenas vestida em ocasiões especiais e tê-lo-ia acompanhado na mortalha, o que não ocorreu se por qualquer razão do acaso.


Esta camisa foi confeccionada em estopa de linho branco, bordado a ponto de Guimarães a branco e a ponto cruz com fio de algodão vermelho, formando legenda enquadrada por moldura de motivos florais e enrolamentos.
De corte tradicional, apresenta sobre a gola, ombros e todo o peitilho bordados a branco, cujos pontos ficaram conhecidos pelo nome de “crivo”, “nó”, “mercões”, “favos” e “canutilhos”. Sob o peitilho a legenda AMIZADE em ponto cruz.
A.L. de Carvalho, in Os Mestres de Guimarães, sobre a camisa de linho do lavrador de Guimarães escreve:
“…Quem lhe teceu o pano e costurou, a bordou, foram as obreiras rurais, que vivem paredes-meias com o lavrador.
O peito, o colarinho, as ombreiras, são bordadas a branco. Só a carcela é bordada a vermelho. Pontos: “mercões” e “favos”.
Esta camisa é o luxinho do lavrador, quando aparelhada com a jaqueta de alamares de prata, guarnecida a sutache e fita preta.
Tão rica – que nem a camisa da lavradeira lhe chega!”

Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998

sábado, fevereiro 06, 2010

Saloias do Espírito Santo - Ilha da Madeira

A devoção ao Espírito Santo na piedade popular madeirense enraíza na mesma descoberta da ilha em 1420, e no início do povoamento, por meados de 1425.
As manifestações exteriores de devoção ao Espírito Santo de maior expressão, são as «Visitas Pascais» ou vulgarmente denominadas «Visitas do Espírito Santo», que chegaram até aos nossos dias. Elas realizam-se entre o II Domingo da Páscoa e a solenidade da Ascensão. Entre os seus objectivos, está uma recolha de fundos para a Festa do Espírito Santo, para o «Bodo» ou a «Copa», para ajuda aos mais carenciados, ou para a fábrica da igreja, uma visita e bênção às famílias, levando até elas a presença da Páscoa.
Para o povo madeirense em geral, esta visita constitui uma verdadeira «Festa», pois reúne-se toda a família, para receber «O Espírito Santo», que vem abençoar a casa, a família. Os familiares mais chegados vêm de longe, convidam amigos e vizinhos, e todos podem participar da «Festa»: refeição melhorada, bolos, doces, bebidas licorosas, etc. Respira-se, normalmente, um espírito de fé, pois a visita é recebida com muito respeito e muita dignidade, e as ofertas costumam ser substanciais.


A Visita Pascal é, normalmente, presidida pelo Pároco, acompanhado por pessoas, homens ou mulheres, vestidos com opas vermelhas. Uma leva a Bandeira e outra o pendão com as Insígnias do Espírito Santo, que são beijadas pelos visitados, e ainda outra leva a bandeja ou «coroa» onde são depositadas as ofertas. Por vezes também ainda vai o ceptro, reminiscências das primeiras iniciativas que aproveitavam a Festa do Pentecostes, para demonstrar que o Espírito Santo é, de facto, o «Pai dos Pobres». Normalmente também vão duas «saloias», trajando de vermelho ou o traje típico regional, todas enfeitadas de ouro, as quais vão cantando os versos tradicionais do Espírito Santo. Podem ir ainda um ou dois tocadores de instrumentos regionais, sobretudo «Braguinha» e «Machete”, os quais podem ou não ser remunerados.

Entre os "cantares das saloias" encontramos alguns versos como os seguintes:

O Divino Espírito Santo
Nesta casa vai entrar
Mandado do Pai Eterno
Pra família abençoar.

Vinde Pai dos pobrezinhos
Esta família abençoai
A grandes e pequeninos
Vossas graças derramai.

As saloias trajavam e trajam, ainda hoje, vestido branco de linho, com botões de ouro no colarinho, manga curta franzida e saia também franzida.
Habitualmente o vestido é ornamentado com colares de ouro e folhas de alegra-campo verde. Sobre o cabelo trançado coloca-se uma carapuça enfeitada com colares e prendas de ouro.
Para completar o conjunto, bota chã e rica capa vermelha ornada de flores (perpétua amarela) e muitas prendas de ouro.

Artigos relacionados:
Trajes da Ilha da Madeira, Barrete de Orelhas, Carapuça, Técnica dos Bordados da Ilha da Madeira e História do Bordado da Ilha da Madeira

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Michel Giacometti, oitenta anos, oitenta imagens

Até 17 de Abril de 2010 decorre no Museu da Música Portuguesa, no Estoril, a exposição “Michel Giacometti, oitenta anos, oitenta imagens”, que pretende homenagear um dos maiores etnógrafos portugueses, nascido na Córsega, licenciado em Letras de Etnografia, lança a âncora em Portugal em 1959. Acaba por se fixar em Bragança. Fundou os Arquivos Sonoros Portugueses em 1960. Percorreu o país nas décadas seguintes, até 1982, tendo gravado cantores e músicas tradicionais que o povo cantava no seu quotidiano. A partir de 1970 apresentou na RTP, durante três anos, o programa "Povo que Canta".
Morreu em Faro no dia 24 de Novembro de 1990. Está sepultado na pequena aldeia de Peroguarda, no concelho de Ferreira do Alentejo.
Em 1991, o Museu do Trabalho de Setúbal, com uma vasta colecção de instrumentos agrícolas e objectos do quotidiano recolhidos por Giacometti, passou a denominar-se Museu do Trabalho Michel Giacometti. A reabertura foi em 18 de Maio de 1995. O seu espólio encontra-se também noutros museus, como o Museu Municipal de Ferreira do Alentejo, o Museu da Música Portuguesa (Casa Verdades de Faria em Monte Estoril) e ainda o Museu Nacional de Etnologia.
A propósito desta exposição e para ilustrar uma das imagens, Maria Micaela Soares (Etnolinguista, fundadora do Serviço de Cultura e o Serviço de Etno-Linguística da Junta Distrital de Lisboa e que foi amiga e colaboradora de Michel Giacometti) escreveu o seguinte texto:

Fabricando Chinelos
Desnudos sobre tojeiras, lamaçais, caminhos geosos, rochas laminosas, arrastavam os pezitos as crianças pobres de Portugal, há perto de meio século. Que deslumbramento para a criadinha de servir quando, aos dez anos, se olhava calçada pela primeira vez! Ao rapaz esperava-o o surpreendente e desconfortável aperto dos pés, até então livres, no dia do exame de instrução primária.
Desdobravam-se as mulheres em invenções para calçarem os seus infantes. Com materiais grosseiros, suas mãos moldavam maravilhas que pregavam a solas de pau, de corda, de esparto. Sapatos lhes chamavam aquelas fabricantes de sonhos.
Sonho igual ao da Saloiinha de Cascais que dormiu na cama com uns estremecidos sapatinhos de pano cor-de-rosa, comprados na Feira de São Pedro de Sintra. Ou ao da jovem tecedeira de sapatos de trança, enrodilhada sobre o engenho, anos a fio, do amanhecer ao longínquo findar do dia, na urdidura do calçado que outros usariam. Haveria de tecer um par para si com as sobras da trança que fosse reunindo. Com palinha, lados, biqueira, contraforte, atacadores, num multicolorido a envergonhar o arco-íris, como o cobiçariam as outras raparigas! Levá-lo-ia ao balharico, onde a esperava o seu príncipe. Mas o lojista pesava, na entrega, a trança da meada e, na recepção, o produto acabado. Nada poderia sobrar, nada sobrou para ela, nem sapatos, nem príncipe. O tempo gerou muito tempo e ele, cansado da espera, partiu.
Saibas tu, ignota obreira de chinelos de pano (noutros lugares ditos de trapo ou de roupa) recusar histórias tristes. Quando Giacometti te imortalizou nessa imagem, sentada à porta de tua casa, lavrando os sapatos que seriam pão para a boca de teus filhos, pressentiu não seres destruidora de quimeras.
Artesã mágica, o tecido rústico que modelas será cristal quando a Gata Borralheira da tua aldeia pisar o estribo da abóbora vertida coche pela varinha de condão da fada nobre e bela.

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Autor: Michel Giacometti
Data: Setembro de 1973
Local: Paços da Serra, Gouveia