quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Algibeira - Minho

O termo Algibeira é proveniente do árabe e permaneceu no trajo popular feminino de quase todas as regiões do país como uma peça interior, escondida dos olhares estranhos, tal como sucede no Algarve, onde são conhecidas por patronas.
Atadas à cintura, escondidas entre a saia de fora e a anágua, sempre que necessário a mão passava através da abertura disfarçada entre as pregas da saia.
No trajo erudito também é conhecido o seu uso. Durante séculos, os tecidos pesados e opacos ocultavam completamente a abertura da saia, que permitia o acesso a esta bolsa. Com as alterações introduzidas na moda durante o período do império (sec.XVIII), as alterações do corte dos vestidos, com cintura alta, e o uso generalizado de tecidos transparentes e leves, torna-se difícil o uso desta peça. Surgem as bolsas suspensas dos cintos ou dos ombros, em tecidos coloridos, bordados e posteriormente com armação em metal, conduzindo ao aparecimento das bolsas de mão.
No Minho vemos que a algibeira se insere tanto no trajo popular como erudito, tendo-se verificado a passagem de uma peça interior para um acessório externo, exibido para ser admirado com o restante trajo.
Nesta região assume uma forma curiosa, um coração estilizado, adaptando-se perfeitamente aos diversos tipos de trajo da região.

Os exemplares apresentados correspondem a algibeiras do trajo de trabalho e domingueiro, já que nas versões mais ricas e garridas o ponto cruz é menos utilizado, sendo substituído por aplicações de fitas, galões e pelo brilho das lantejoulas, das missangas e dos vidrilhos.
Na sua confecção é utilizado um molde de papel que se aplica sobre os retalhos de tecido pretendidos.
Depois de cosidos, eram decorados com a aplicação de fitas, de bordados e botões, de acordo com a inspiração e os materiais disponíveis. Para o forro era utilizado outro retalho de linho ou riscado.
A função da algibeira, que era usada presa com fitas sobre o lado direito, escondida entre a saia e o avental, é ao mesmo tempo decorativo e funcional.
Nele se guarda o lenço, o terço no segredo (pequena abertura escondida sob a pala), ou os poucos vinténs resultantes da vendo do produto da terra.
No trajo erudito este acessório passou a estar exposto aos olhares de todos. Perdeu a sua simplicidade inicial, para se afirmar pelo exotismo da forma, a riqueza dos materiais e pela exuberância da decoração.

Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998

2 comentários:

Helena Teixeira disse...

Olá Carlos!
Conheço bem as algibeiras,sobretudo as do Minho - Viana do Castelo.São muito bonitas com várias cores e feitios.

Abraço
Lena
da
Aldeia

Doroteia disse...

eu acho que as alibeiras são bastante bonitas