quinta-feira, janeiro 08, 2015

O OURO POPULAR PORTUGUÊS III


CORDÕES E COLARES

Além dos brincos, o cordão, cuja riqueza se media pelo número de voltas ao pescoço, e algumas peças (medalhas, cruzes ou pingentes) eram os objectos mais desejados pelas mulheres de todas as regiões.

  
Cordão
Cordões - São fios com dois metros e vinte (podendo, neste caso, dar quatro voltas ao pescoço). Podem ser de elos redondos (como os manuais de antigamente) ou em forma de pêra. Quanto ao peso, podem ser finos (linha), grossos (soga) e ocos. A seguir aos brincos o cordão era a peça mais utilizada em todo o país. No Minho primeiro eram adquiridos os “botões”, segundo o colar de contas e só depois o cordão de ouro.
Cordão Torso
Cordão de Grilhão





Trancelim
















Trancelins - Só depois do terceiro ou quarto cordão é que era adquirido o trancelim. Têm o mesmo comprimento dos cordões, mas os seus elos são trabalhados normalmente em filigrana não muito “apurada”.
Gramalheira

Colares de Gramalheira - A gramalheira (ou “gremalheira” ou “cramalheira”), sobrepondo-se e destacando-se dos demais adornos, é uma peça que, por razões económicas, não é muito popularizada - mas é de excecional efeito. Sobretudo quando, como em muitos exemplares, o respetivo colar exibe ornatos – muitas vezes com propriedade chamados “escamas” – tendo por intermédio bem urdida malha. Liga-o na parte em que arma o seio, um “botão” em forma de meia – laranja (não ultrapassando o diâmetro de sua base o de um vulgar botão de gabardina ou sobretudo), com gomos esmaltados alternando as cores azul e branca, circundado de pedrarias de fraco custo e dele irradiando, sinteticamente, em posições opostas, duas tiras rematadas por borlas emparelhadas com lindíssimo “florão” - semelhante, no formato e tamanho, a um ovo de galinha cortado ao meio, de alto-a-baixo. O “florão” é obrado em ouros diferentes e enfeitado com pedras, pequenas e redondas, azuis, vermelhas e brancas, idênticas às do “botão”. Pelo seu reduzido valor são tais pedras ditas “fanfarronas” e, como facilmente se deduz, será o “florão” (medalha de gramalheira), a completar apoteoticamente tão estimada joia.


COLARES DE CONTAS
As peças de ouro popular com antepassados mais longínquos são as contas. Nas civilizações muito antigas e primitivas, em que se desconhecia a tecnologia do metal, usavam-se os colares com as mais variadas pedras e pérolas - estas, não tanto pela sua beleza, mas pela forma esférica. Posteriormente, irão aparecer contas maciças dos mais variados metais. A mais antiga conta em ouro maciço encontrada em território português data do 3º milénio a. C. e foi descoberta na zona de Sintra. As atuais contas de Viana - ocas, e que antigamente ainda eram bem mais leves - são descendentes diretas das gregas, fenícias, romanas e etruscas, sendo estas últimas as que mais se assemelham às de agora. A granulação ou polvilhado e a filigranação envolvente não passavam dum mero adorno, pois o que sempre prevaleceu foi a sua forma esférica e arredondada. Esta forma é encontrada, para além das contas, nos brincos parolos ou de chapola. O colar de contas era adquirido pela mulher de Viana antes do tão desejado cordão. Era muitas vezes comprado conta a conta à custa das poucas economias dessas jovens, em geral provenientes da venda de ovos ou do comércio de frangos.
Colar de Contas de Viana
As contas usavam-se em número variável, consoante a localidade, mas nunca, como agora, a rodear completamente o pescoço. As contas iam só até ao meio do pescoço ligadas por um fio de correr. Podia aumentar ou diminuir-se o colar consoante a necessidade, e este terminava na parte de trás com um “pompom”. O fio era feito manualmente, em algodão, e poderia ser vermelho, amarelo ou azul. Os “pompons” eram das mesmas cores ou com fios mesclados.
O colar de contas raramente era usado sem uma “pendureza”, normalmente uma borboleta, uma cruz de canovão raiada com resplendor de filigrana ou uma custódia.
Contas de Viana - com forma esférica, círculos de filigrana e um granito ao centro -eram estas as mais usuais.


Colar de Pipo - com forma oval e com estrias em forma de mola.


Contas de Pipo

Brasileiras- eram muito procuradas pela nossa emigração brasileira nos anos 20 do séc. passado, daí a designação
No próximo artigo desta série falaremos de PEÇAS, CUSTÓDIAS, MEMÓRIAS E CRUZES
Artigo Relacionado:
O Ouro Popular Português I
O Ouro Popular Português II

1 comentário:

isabel tiago disse...

Excelente este post sobre ouro português.

Isabel