segunda-feira, setembro 24, 2007

Mulher da Fábrica de Conservas – Algarve


No final do sec.XIX surgem no Algarve as primeiras fábricas de conservas de peixe. A primeira surgiu em Vila Real de Santo António em 1879 pelas mãos de um italiano de nome A.Parodi. Quase de imediato, começaram a surgir pequenas fábricas conserveiras, atingindo, em 1945, 246 unidades.
As mulheres constituíam a principal mão-de-obra desta indústria, trabalhando em condições deploráveis.
A sirene da fábrica era o sinal mais esperado. O seu toque anunciava a chegada de peixe fresco e, consequentemente, a possibilidade de trabalho durante algumas horas. Nessa altura, uma turba de mulheres corria para a fábrica, na esperança de serem as primeiras e as escolhidas para trabalhar.
Inicialmente, não existiam condições de higiene e esta reflectia-se na indumentária das operárias, no entanto, com a evolução dos tempos foram sendo introduzidas algumas normas, nomeadamente, a obrigatoriedade do uso de vestuário de cores claras, lenços na cabeça e aventais de cor branca.
A operária da fábrica de conservas usava um lenço de cabeça de algodão branco, estampado com motivos florais. Bata de trabalho, também em algodão de cor clara, de corte simples e sem gola. Aberta na frente e de manga comprida, com punhos. Saia de algodão de cor escura, com aplicações do mesmo tecido. Avental com peitilho de linho branco, comprido, cobrindo quase totalmente a saia, possui um bolso estampado no lado direito. Calça tamancos de madeira com a parte superior em cabedal.
Referencia Bibliográfica: Andrade Sancho, Emanuel in Traje do Algarve – Orla Marítima, Museu Nacional do Traje, 2001
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