Celestino Graça, na condição de feitor da Quinta do Casalinho (localizada na margem do Tejo na aldeia de Benfica do Ribatejo), teve um contacto estreito com os pescadores que viviam nas suas barracas à borda do Tejo nas Faias e nos Cucos, permitindo-lhe formar um rancho folclórico de pescadores do Tejo, também conhecidos por avieiros.
Com as suas raízes na Praia da Vieira, concelho de Marinha Grande, os Avieiros, tinham chegado ao Rio em busca da sobrevivência das suas famílias. Com a agressividade do mar e a ausência de outro modo de subsistência, os pescadores partiram para as águas calmas do Tejo e do Sado na esperança de encontrar na sua generosidade o pão que lhes faltava para alimentar os seus.
Foi em conjunto com esta comunidade de gente pobre mas trabalhadora e empreendedora que Celestino Graça criou o seu primeiro Grupo de Folclore. Conhecidas entre as comunidades vizinhas - quer dos próprios residentes de Benfica do Ribatejo, quer dos vizinhos da outra margem - como um grupo de famílias fechado e pouco receptivo, os pescadores foram deixando o feitor da quinta entrar na sua comunidade por razões de interesse em arranjar trabalho remunerado. Na altura, o regente integrava uma sociedade agrícola ribatejana que produzia cânhamo para produzir tecidos. No entanto, antes de seguir para a fábrica de fiação e tecidos de Torres Novas, o cânhamo tinha que ser demolhado no Tejo. Tal tarefa só era possível com a participação dos pescadores, únicos com os barcos e os conhecimentos necessários para o efeito. Com o passar do tempo e a rotina das tarefas, a proximidade acabou por resultar na formação de laços de amizade entre Celestino Graça e os pescadores. A comprovar a inserção e aceitação do regente agrícola no seio da sua comunidade está o facto de ter chegado a ser convidado para as suas festas e casamentos.

Inteiramente composto por pescadores e pescadoras do Tejo, o Rancho dos Pescadores era um retrato aproximado da comunidade e das suas vivências sobretudo nos Cucos, mas também nas Faias, ambos assentamentos piscatórios situados em Benfica do Ribatejo.
Os trajes dos pescadores são tão modestos quanto a capacidade financeira de cada família. Gente pobre e com muitas necessidades, o traje de trabalho está adaptado à agressividade das águas e à dureza do tempo.
A mulher tem na cabeça um chapéu de felpo e lenço liso. Usa um avental e saia de riscado com risca larga. Os saiotes são de várias cores. Usa canos de lã brancos para a protecção das pernas. No pé calça tamancos de pau O Homem usa barrete preto e uma cinta preta de lã à cintura, que une a camisa e as ceroulas, ambas de quadrados. Os tamancos de pau cobrem-lhes os pés. [Os homens e as mulheres só passaram a usar tamancos quando uma lei do Estado Novo proibiu os cidadãos de andar descalços nas localidades].

Fonte: Rancho Folclórico de Benfica do Ribatejo
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