quinta-feira, março 09, 2017

CHAPÉU CORDOVÊS


Quando analisamos fotografias do inicio do sec.XX, sobretudo referentes às regiões do Ribatejo e Alentejo, surge de vez em quando um chapéu masculino diferente dos demais.

Distingue-se pela forma cónica, alta e plana da copa, já que, normalmente, esta é circular e côncava, não excedendo não excedendo os 10 cm.

Este é conhecido como Chapéus Cordovês.

Cordovês por ser originário da cidade de Córdoba, em Espanha, onde ainda hoje é fabricado.

Diz-se, que começou a ser usado pelas pessoas que realizaram o trabalho de jornaleiro. Já que no campo estavam expostos tanto ao sol como à chuva e precisavam de um chapéu mais resistente que o de palha. Sem dúvida a ideia era clara, precisavam de um chapéu mais rígido, e não se deformasse com o tempo.

As características deste chapéu popular são: fabricado em feltro, aba larga e plana, e uma copa alta ligeiramente cónica e geralmente pretos.

Este chapéu tornou-se popular em Espanha por influência de vários Cordoveses, nomeadamente ligados à tauromaquia como o rejoneador Antonio Cañero (1885-1952) e o toureiro Manolete (1917-1947), ambos muito conhecidos e aplaudidos em Portugal.

É talvez por esta via que podemos explicar o seu surgimento em Portugal e disseminação por regiões com maiores tradições taurinas.

Por ser um produto de importação (não fabricado localmente) seria naturalmente mais caro que os comuns, dai a sua utilização sobretudo com trajes de festa/domingueiros, motivo também pelo qual não se verificou uma ampla propagação entre os homens destas regiões, sendo assim uma peça que apenas alguns poderiam comprar e usar.

São vários os exemplos a tive acesso, nomeadamente na Glória do Ribatejo (Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do Ribatejo) ou Serpa, onde o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento desde sempre se apresentou com eles.
Chapéus Cordovês



Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento - Casa do Alentejo-1950

Manolete (1917-1947)


Antonio Cañero (1885-1952)

Sarau na Casa do Alentejo - Lisboa - 1937



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