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sexta-feira, agosto 18, 2006

Côca, Biuco e Capelo

A Côca, o Biuco e o Capelo são três trajes de diferentes regiões, Alto Alentejo, Algarve e Ilha Terceira (Açores), no entanto, apesar da distância geográfica existem muitas semelhanças entre eles e uma história comum.

Sabemos hoje que os etruscos e os gregos vestiam o himation, ou seja, o manto, com o qual cobriam a cabeça. Possivelmente imitavam um costuma mais antigo. O Cristianismo adoptou para a imagem da Virgem o uso do manto à moda etrusca, isto é, sobre a cabeça. São Paulo introduz o costume das mulheres cobrirem a cabeça para que se distingam das mulheres descobertas ou meretrizes. Entrar na igreja com a cabeça coberta era sinal de respeito, submissão e humildade perante Deus.
Por toda a Europa surgiram diversas peças de vestuário que cobriam por inteiro o seu utilizador(a), nomeadamente, em França, Alemanha, Dinamarca, Itália, Espanha e Portugal.
Não se sabe quando este tipo de indumentária foi introduzido em Portugal, no entanto, podem-se encontrar registos da sua utilização desde 1609, no reinado de Filipe II, e existem autores que defendem a sua origem árabe.
Sabe-se no entanto, que a sua utilização abrangia a quase totalidade do território nacional, mas apenas no Alto Alentejo, no Algarve e nos Açores, esses trajes eram ainda utilizados até meados do século XX.
A sua utilização destinava-se a impedir o contacto da mulher com os transeuntes que com ela se cursassem na rua, ocultando a sua identidade. Para além de isolar a mulher do mundo exterior, permitia-lha também alguma liberdade, já que não sendo identificável podia movimentar-se livremente oculta dos olhos castradores da moralidade alheia.

O que são a Côca, o Biuco e o Capelo?

Estes três trajes femininos possuem pequenas variações, ou particulares alterações regionais, no entanto, a sua forma elementar baseava-se numa mantilha, com ou sem véu, amplamente distribuída, de norte ao sul do país, e que teve a generalizada denominação de biôco (ou biuco no Sul e rebuço no Norte).

Genericamente compõe-se de uma capa, mais amplas e compridas nos Açores e Algarve que no Alentejo, em cuja cabeça era coberta de forma a impedir que se visse a cara da sua utilizadora. É a forma como a cabeça é coberta que distingue os três trajes.


Côca –Alto Alentejo

As côcas terão sido um traje de noiva na nossa região, na segunda metade do século XIX. A tradição oral também afirma que a dimensão e colocação do véu tinha três posições distintas, consoante a classe a que pertencia a nubente.
Mas, como traje de noiva acabou por cair rapidamente em desuso enquanto tal, passando a ser fundamentalmente moda nas mulheres aristocratas ou da alta burguesia de todas as idades, quando estas saíam à rua para assistir a actos religiosos ou nas visitas, tão habituais nestas classes sociais entre finais do século XIX e princípios do XX.
Usavam uns biôcos, pegados a uma espécie de capa curta e que eram cobertos, no alto, por uma renda larga, que caía pelas costas. Na frente o biôco era armado em papelão, ou tarlatana, para se manter aberto. Em alguns, a renda era colocada, como já disse, caindo do alto da cabeça sobre as costas, outros porém, era posta em sentido contrário, isto é, sobre a cara. Completava o trajo uma saia de merino.
José Leite de Vasconcellos, observa que este seria o «trajo clássico de se ir à festa do Sacramento, que durava de quinta-feira do Corpo de Deus até à segunda-feira seguinte». O célebre investigador apresenta uma testemunha ocular que, entre os anos de 1862 e 1866, terá visto as mulheres assim embiocadas, e explica que este processo só era possível mediante a utilização de «um papelão curvo que encobria a cabeça, como as mantilhas de Mondim, coberto de preto e com pano nas costas».

O biôco (ou biuco) – Algarve

Raul Brandão escreve a propósito do biuco no seu livro "Os Pescadores", em 1922:
" Ainda há pouco tempo todas (as mulheres de Olhão) usavam cloques e bioco. O capote, muito amplo e atirado com elegância sobre a cabeça, tornava-as impenetráveis.
É um trajo misterioso e atraente. Quando saem, de negro envoltas nos biocos, parecem fantasmas. Passam, olham-nos e não as vemos. Mas o lume do olhar, mais vivo no rebuço, tem outro realce... Desaparecem e deixam-nos cismáticos. Ao longe, no lajedo da rua ouve-se ainda o cloque-cloque do calçado - e já o fantasma se esvaiu, deixando-nos uma impressão de mistério e sonho. é uma mulher esplêndida que vai para uma aventura de amor? De quem são aqueles olhos que ferem lume?... Fitou-nos, sumiu-se, e ainda - perdida para sempre a figura -, ainda o som chama por nós baixinho, muito ao longe-cloque..."
Trata-se de uma capa que cobre inteiramente quem a usava. A cabeça era oculta pelo próprio cabeção ou por um rebuço feito por qualquer xaile, lenço ou mantilha. As mulheres embiocadas pareciam “ursos com cabeça de elefante”
Oficialmente a sua extinção ocorreu em 1882 e por ordem de Júlio Lourenço Pinto, então Governador Civil do Algarve, foi proibido nas ruas e templos, embora continuasse a ser usado em Olhão até aos anos 30 do século XX em que foram vistos os últimos biocos.

O Capelo – Açores

À semelhança de outras regiões também a mulher açoriana usava agasalho capotes com capelo, diferindo o seu feitio de ilha para ilha.
Leite de Vasconcelos visitou os Açores no Verão de 1924 e testemunhou o uso de mantos e capotes pelas mulheres da ilha Terceira e do Faial. Com efeito até meados do século XX era frequente encontrar nos meios citadinos mulheres envoltas no seu capote preto e capelo armado.
Convém distinguir o manto do capote, o primeiro é uma saia comprida e rodada de cor preta, o segundo, afigura-se como uma capa muito ampla, mais farta lateralmente que nas costas.
No caso da utilização do manto, o capelo era armado com cartão e atado pela cintura, a mulher segurava-o com as mãos de modo a encobrir o rosto. Com o capote, o capelo era utilizado sobre os ombros. Neste caso, estamos perante um amplo capuz suportado por um arco de osso de baleia, sendo a sua rigidez conferida pelo forro de cânhamo.

Estamos assim perante três trajes, que para além da sua função de abafo, remete o papel da mulher para a total exclusão da sociedade, uma vez que, completamente coberta jamais alguém descobriria a sua identidade.

Dos três trajes apenas o dos Açores é ainda hoje identificado pelo público em geral, já que se tornou num símbolo dessa região e é amplamente divulgado pelos ranchos folclóricos. Quanto aos restantes, correm o risco de caírem no esquecimento e no ostracismo, já que não sendo bonitos ou ricos, não são mostrados pelos grupos das suas regiões de origem.

Bibliografia:
PITA, António, Côca ou Mantilha - Século XIX - Uma Traje de Festa e de Solenidade do Alto Alentejo – Câmara Municipal de Castelo de Vide, Secção de Arqueologia, Maio1999

Braz Teixeira, Madalena, Trajes Míticos da Cultura Regional Portuguesa, 1994, Museu Nacional do Traje.

Ormonde, Helena, in O Traje do Litoral Português, Museu Etnográfico e Arqueológico Dr. Joaquim Manso, Câmara Municipal da Nazaré

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Trajo de Festa Masculino – Alto Alentejo

Este trajo é apresentado pelo Grupo Folclórico e Cultural da Boavista e foi recolhido em Ribeira de Nisa, sendo utilizado pelos homens em dias Festa no início do sec.XX.
O trajo composto por:
Jaqueta: de surrobeco, com alamares de cordão preto e botões de metal no centro dos alamares.
Colete: de veludo vermelho de bandas redondas abotoadas com botões de metal.
Camisa: de linho branco com peitilho, com colareta alta, e também havia com peitilho e punhos de outra cor.
Calção: ou meia calça de veludo, até ao joelho, com uma abotoadura com três botões de metal que se abotoam de lado de fora e na cintura.
Ceroulas: de pano branco.
Cinta: de cor variada segundo a ocasião, mas geralmente era preta ou vermelha, para cerimónias.
Meias: brancas ou da cor do calção, arrendadas feitas à mão, que apareciam entre as polainas e os calções.
Polainas: de burel, até ao meio da perna, abotoadas de lado com pequenos guizos (em vez de botões), que deixavam ver a meia.
Chapéu: de aba larga, preto, com uma borla redonda de lã, segura ao chapéu na copa ou aba, caindo sobre a aba esquerda.
Botas: em calfe pretas.
Lenço: branco no bolso da jaqueta
Manta: para se cobrir nas noites frias.

Fonte: Grupo Folclórico e Cultural da Boavista



Outros artigos relacionados: Alto Alentejo, Alentejo, Cante Alentejano, Trajos de Festa de Castelo de Vide, Coisas de Mulher, O Alforge, Trajo de Gala de Pastor – Marvão, Pelico e Safões

segunda-feira, maio 14, 2012

Encontros de Formação e Capacitação de Jovens Folcloristas



Realizou-se no passado dia 12 de Maio mais um Encontros de Formação e Capacitação de Jovens Folcloristas sobre o tema “Folclore e Etnografia para Jovens”, desta feita em Sousel, no coração do Alto Alentejo.
Trata-se de uma iniciativa da Federação do Folclore Português e do seu Gabinete da Juventude, que através das estruturas locais têm dinamizado estas iniciativas, dirigidas a jovens entre os 18 e os 30 anos, provenientes de grupos federados e não federados.
Nestas sessões desenvolvem-se as temáticas “Cultura Popular Portuguesa”, “Recolhas, Preservação e Representação” e “Imagem, Comunicação e Divulgação”.

Em Sousel estiveram presentes cerca de cinquenta jovens, extremamente participativos e interessados em adquirir conhecimentos, tendo os trabalhos sido dirigidos pela Dr.ª Rita Leitão, Engª Manuela Carriço, Sr. Florêncio Cacete e Sr. João Carriço, contando com uma participação sempre especial do Prof. Martinho Dimas da Associação de Folcloristas do Alto-Alentejo.

Estas iniciativas vão-se repetir um pouco por todo o país e devem ser aproveitadas pelos jovens e grupos de folclore, pois trata-se de momentos únicos para troca de experiências e saberes. Só desta forma, as nossas tradições populares podem ser passadas às novas gerações e o folclore poderá continuar vivo, mantendo a sua essência e rigor.
Bem-hajam a FFP por estas iniciativas, há muito desejadas e necessária e à AFA e Câmara Municipal de Sousel pelo apoio prestado.

“Trajes de Portugal” terá todo o gosto em divulgar e/ou em participar tal como fizemos agora em Sousel.

terça-feira, novembro 29, 2011

Xailes usados no início do sec.XX

Não sendo exaustivo, até pela enorme variedade existente, deixo de seguida alguns exemplos de xailes que foram usados no início do sec.XX.


Xaile de Flanela – Em lã cardada, em preto, azul e castanho, xaile popular de agasalho.
Xaile Mescla – Liso em sarja de lã fios de várias cores, xaile popular.
Xaile Africano – Fio cardado fazendo relevos, com predomínio do preto e cinzento, xaile de agasalho.
Xaile Barra de Cetim ou Barrinhas – Xaile de lã fina com barra em ponto de cetim, franja torcida ou franja em cadeia de cor preta, havendo de muitas cores. Xaile popular de todo o país.




Xaile Barra Azul – Liso ou em ponto de sarja, franja em nós, fundo escuro normalmente urdido em castanho e trama em preto, as barras eram em azul muito vivo, xaile popular, característico da zona Centro do país.
Xaile Double – De sarja em lã cardada, face principal em preto e outra de cor diversa, xaile popular de agasalho no nosso país.
Xaile de Cercadura – De lã cardada em ponto de sarja, a barra de fios de borbotos ou argolas, em preto e de cores, xaile popular para senhora de meia-idade.
Xaile Xadrez – Feito em estambre (fio de lã penteada) em seda natural, em xadrez, franja torcida, em preto ou de varias cores, xaile da classe média.




Xaile de Barra de Seda – Corpo em estambre e barra de seda, a barra era formada por vários desenhos representando motivos populares, em preto e de outras cores, xaile de cerimónia da classe média, este xaile também podia ser fabricado em fio de algodão.


Xaile de Seda – xaile em seda lavrada, em preto e de outras cores, xaile de cerimónia da classe média, este xaile também podia ser fabricado em fio de algodão.


Xaile de Argolinha – Em argolinha a urdir, em varias cores, xaile popular domingueiro, era um xaile caro e único vendido a peso, era usado por todo o país e muito na moda na Beira Alta.
Xaile de Argola Liso – Lã cardada a urdir, a tramar fio cardado e argola, em preto, argola pode ser preta ou de várias as cores, xaile popular, muito grosso e pesado, usado nas regiões nortenhas ou na beira-mar.
Xaile Feltrado – De lã cardada; pêlos aveludados lisos, em várias cores, xaile de agasalho, as senhoras usavam-no muito nos serviços caseiros e agrícolas. Trata-se de um xaile de lã, muito industrializado e utilizado por todo o país. Também conhecido por Xaile dos Pirinéus e em Coimbra como xaile “camotex”.


Xaile de Relevo - Lã cardada, muito áspero, duas faces, ambas em preto, ou uma preta e a outra em verde, azul e castanho, xailes populares mais para senhoras de classe média, xaile muito caro, xaile muito usado no norte do país e zonas mais frias. Em Coimbra existe é conhecido por “montanhac”.


Xaile Manta – Lã merina em ponto de tafetá, não tem franjas é de vários tipos de xadrez em preto e branco, xaile domingueiro e de romaria usado mais nas mulheres casadas.
Xaile de Linha – Era urdido com fio na trama em lã cardada ou penteada, em preto, xaile pesado e duro para as raparigas e mulheres de posição média.
Xaile de Sarja – Liso em ponto de sarja, franja torcida, inicialmente, só em preto, depois outras cores e em xadrez, xaile muito popular e vendido por todo o país
Xaile Primavera – Estambre a tramar e seda a urdir, ou de algodão e seda, de franja cadiada muito entrelaçado, em várias cores e desenhos, com predomínio do xadrez em preto e branco, xaile domingueiro das raparigas da zona de Coimbra e Aveiro, normalmente utilizado na primavera, dai o seu nome.
Xaile Tricana – Lã merina estrangeira, franjas de seda muito compridas e entrelaçadas, vários desenhos e várias cores, sobretudo cores garridas, xaile de romaria muito usado na zona centro do nosso país.
Xaile Chinês – Denominação atribuída genericamente aos xaile que reproduzem motivos orientais, sendo estampados ou tecidos.
O xaile estampado normalmente tem como base um xaile de merino. No xaile tecido, os motivos resultam da utilização de fios chinés tanto na teia como na trama. São fios que sofreram diferentes colorações por tinto ou por estampagem.

Xaile Chinês Tecido



Xaile Chinês Estampado



Xaile de Merino – Em estambre de lã estrangeira, preto de cerimónia, muito usado nos casamentos, missa e dias de festa e no luto, xaile caro, usado pelas senhorasde meia-idade.


Xaile Tapete – Em seda natural ou em fio de estambre, muito lavrado, cheio de desenhos e cores representando animais, folhas, flores, frutos, e combinações geométricas, usado pelas senhoras da cidade de classe aburguesada, ou para ornamentação de salas.


Xaile Fantasia – xailes bordados a seda ou cetim sobre tecido de lã, merino ou outra, sobretudo
com motivos florais. Muito utilizados na região riana da Beira Baixa e Alto Alentejo, nomeadamente, Idanha-a-Nova, Alpalhão e Nisa. No Alto Alentejo era utilizado em ocasiões diferentes, conforme o uso da localidade. Em algumas localidades era apenas utilizado no Carnaval, outras, era uma peça de adorno para dias especiais e mesmo complemento do trajo da noiva. Existem ainda xailes de fantasia estampados. Na região centro um dos mias conhecidos é o xaile penas de pavão, por ser esse o motivo da estampa.




Xaile Pêlo de Rato – Xaile em pêlo de seda que faz lembrar o pelo de um rato, muito lustroso, podendo ser liso ou lavrado. Existindo em castanho, preto e cinzento. Franjado comprido de seda torneada.

quarta-feira, novembro 20, 2013

Folclore de Olivença: entre o Alentejo e a Extremadura Espanhola


Por Carlos Gomes

O concelho de Olivença é originariamente uma terra alentejana, com os seus usos e costumes característicos do Alto Alentejo, o seu modo de falar a Língua portuguesa com a pronúncia característica das gentes daquela região e o seu património histórico e artístico a atestar a sua secular portugalidade firmada desde o Tratado de Alcanizes. Porém, a conjuntura política dos finais do século XVII levaram à sua ocupação militar por parte de Espanha por ocasião da chamada “guerra das laranjas”, ocorrida em 1801. Esta situação levou ainda ao desmembramento do concelho de Juromenha uma vez que, também a Aldeia da Ribeira – atual freguesia de Vila Real – passou a integrar o município oliventino como se do seu termo fizesse parte.


A partir de então, diversos sucessos ocorridos ao longo de mais de dois séculos de ocupação, entre os quais se destaca a guerra civil espanhola e a ditadura franquista, determinaram a alteração do equilíbrio demográfico, registando-se um progressivo abandono por parte dos oliventinos de origem portuguesa e a sua substituição por gentes oriundas da Extremadura e outras regiões de Espanha. A maioria dos que ficaram foram reduzidos à situação de pobreza, fixaram-se nas aldeias em redor e foram sujeitos a um processo de assimilação, vendo os seus próprios nomes de batismo convertidos para o castelhano.

A realidade, porém, é que tendo a realidade social sido alterada e colocando de parte julgamentos de natureza política, Olivença acusa presentemente uma forte influência da extremenha a par de uma surpreendente resistência da cultura portuguesa. É que, manter viva a chama da cultura portuguesa através de uma dezena de gerações que viveram sob as circunstâncias mais difíceis, sem qualquer estímulo por parte do Estado português para além da manutenção jurídica da questão territorial como uma posição de princípio, convenhamos que não é tarefa fácil. Pelo que, certos juízos de valor que por vezes se fazem acerca da vontade dos oliventinos, sem discriminação sequer quanto à sua origem, só podem ser entendidos como cínicos ou ridículos.

Essa influência extremenha revela-se nomeadamente através do próprio folclore, sendo usual os grupos folclóricos e de música tradicional interpretarem danças e cantares que claramente se distinguem quanto à sua origem e, na realidade, nem sequer se confundem. Danças como “O Pescador” e o “Verde-gaio” são representadas a par de jotas e coplas extremenhas. É uma realidade diferente que é resultado de processos históricos em relação aos quais não podemos culpar aqueles oliventinos cujas origens não se filiam na nação portuguesa. Mas, aquilo que devemos fazer e encontra-se ao nosso alcance é o estreitamento das relações culturais com Olivença, nomeadamente através do intercâmbio com os grupos folclóricos e de música tradicional ali existentes, aceitando e compreendendo as diferenças e relevando a sua identidade portuguesa e as suas características alentejanas.

Em tempos, o Rancho Folclórico “La Encina”, interpretava uma cantiga muito popular em Olivença nos começos do século XX, marcadamente portuguesa. Recolhida por Bonifácio Gil e publicada no seu “Cancioneiro Popular da Extremadura”, trata-se de uma melodia melancólica cujo tema sugere a aproximação geográfica ao rio Guadiana, relacionada com a faina da pesca e com toda a probabilidade originária da antiga Aldeia da Ribeira, atual freguesia de Vila Real.

O tema, que possui curiosas semelhanças com outras cantigas do cancioneiro popular português, trata das relações amorosas do pescador com uma mulher casada, qual “sereia que canta bela e que perdido é remo e vela”…e os conselhos da gente para que volte atrás nos seus propósitos. Na realidade, uma versão diferenciada da cantiga do “pescador da barca bela”!
Ó pescador da barquinha
Volta atrás que vais perdido
Essa mulher que tu amas
É casada e tem marido;
Casada e marido tem,
Ó pescador da barquinha
Volta atrás que não vás bem.
Fugiste-me ingrato
Deixaste-me só
No alto da serra
Sem pena nem dó

Imagens:  Museo Etnográfico González Santana (Olivença)
Fonte: Folclore de Portugal

quinta-feira, setembro 25, 2014

Calçado de Pau


Conforme descreve o Eng. Manuel Farias no seu artigo “Pé Descalço”, até à primeira metade do sec.XX era usual ver circular pelas cidades e nos meios rurais pessoas descalças. Faziam-no sobretudo por ausência meio económicos, mas também por hábito, já que muitos não conheciam outras solas que não a dos seus pés calejados.

Por força legal, de costume ou proteção, o calçado de pau assume-se como alternativa a este povo descalço por ser o mais barato. Feito de pau de amieiro e um pouco de couro, este calçado humilde era usado quer por homens como por mulheres, alterando-se o feitio e a denominação, os tamancos passam a tamancas, os socos a socas, e os taroucos, taroucas.

O Museu Nacional de Etnologia e o Museu de Arte Popular possuem uma variadíssima coleção deste tipo de calçado, dos quais de seguida vos deixo a descrição de 27 exemplares de socos e socas, distribuídos por várias regiões.

REGIÃO DO MINHO

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Couro; Madeira; Metal; Veludo (Seda); Algodão (?); Policromia
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 9; comprimento: 29;

Descrição: Soco com rasto em madeira pintada de preto e gáspeas em couro de crute envernizada a preto. Apresentam uma ponta aguçada e levantada. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto é baixo e afunilado; o enfranque é em espinha; o enfranque da chanca à esquerda apresenta, colada, uma etiqueta que refere: "4932". A pata do soco à direita apresenta uma etiqueta semelhante, e a do soco à esquerda apresenta uma outra etiqueta que refere: "Villa Nova / de Famalicão / Tamancos 1.85". A unir o rasto à gáspea surge uma fita em couro, fixa com pregos metálicos justapostos. As gáspeas cobrem a parte anterior do pé, diminuindo progressivamente a sua altura, até à zona da calcanheira. A orla superior das gáspeas é debruada por uma fita de couro. A parte da frente do soco é ponteada à máquina, com linhas de algodão (?) de cores: branco, vermelho, verde, azul e laranja, de modo a formar um motivo fitomórfico longitudinalmente simétrico. A parte interior dos socos, assim como a parte superior do rasto, é forrada a veludo de seda de cor vermelha.
Proveniência: Braga / Vila Nova de Famalicão


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Couro; Metal
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 11; comprimento: 30;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira e gáspeas em couro de crute envernizada a cor castanha. Apresentam uma ponta ligeiramente aguçada e levantada. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto, semicircular, é coberto por uma placa metálica do mesmo formato, na qual estão cravadas três cardas em ferro. O enfranque é lavado, não apresentando descontinuidade com a pata. Esta apresenta, de cada lado, duas tiras metálicas, cravadas com quatro e cinco cardas, respetivamente. A união do rasto com as gáspeas é efetuada por uma fita de couro semelhante ao das gáspeas, pregada de espaço a espaço com pregos metálicos. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, vão diminuindo progressivamente a sua altura, terminando na calcanheira. À frente, sobre as gáspeas, surge, como reforço, um retalho triangular de couro. Sobre a parte inferior deste, forrando também a parte frontal do rasto, surge, pregada, uma placa metálica.
Proveniência: Braga / Terras de Bouro

 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Borracha (?); Couro; Oleado; Papel
Dimensões (cm): altura: 4; largura: 10; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) com rasto em borracha (?) de cor preta e gáspeas de couro, de crute envernizada a preto. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto é afunilado; o enfranque é lavado, não apresentando descontinuidade com a pata. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, diminuem progressivamente de altura, terminando a 3/4 do comprimento da chinela. A parte da frente das gáspeas apresenta uma sequência de arcos vazados, delineados por um picotado exterior. A parte de cima do rasto é forrada a oleado de cor preta. Na zona da calcanheira, estão coladas duas etiquetas de cor branca que referem: "EVO 1917".
Proveniência: Guimarães / Costa / Viela São Roque

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Borracha (?); Couro; Oleado (?); Pergamoide; Papel (?); Tecido (algodão); Metal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 10; comprimento: 26;

Descrição: Socos (par) com rasto em madeira e gáspeas de couro de crute envernizada a preto. O rasto é composto por salto, enfranque e pata. O salto, afunilado, é forrado no topo a borracha (?) de cor preta; o enfranque é em espinha; a pata é afunilada e levantada. As gáspeas, que cobrem a parte anterior do pé, diminuem progressivamente de altura, terminando na zona da calcanheira. A orla superior da abertura das gáspeas é debruada com uma tira de oleado (?) de cor preta. Na parte da frente, junto a essa abertura, surge um laço em tecido de algodão de cor preta, preso, ao centro, com uma fivela metálica de tom dourado. A parte de cima do rasto é forrada a pergamoide de cor preta. Este é aberto em círculos, na zona da calcanheira, por entre os quais se vê um forro interior a papel de cor vermelha (?).
Proveniência: Barcelos / Gueral

 
REGIÃO DO DOURO LITORAL
 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 9,5; comprimento: 26;

Descrição: Soco de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é tingida de preto. É constituída por salto, enfranque e pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, escrito à mão, a caneta de cor preta: "Bico ponta" / "alta". Sobre esta inscrição, uma outra, executada a grafite, com o número: "36". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida apresentando orelhas, que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta. No interior do soco, a palmilha apresenta um forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela; Papel
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 8; comprimento: 25;

Descrição: Soco de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada de cor preta. A sola é pintada de preto e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto, estreito e afunilado. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Do centro da biqueira para o enfranque, escrito a caneta de cor preta: "delaidinha". No topo da biqueira, uma outra inscrição executada a grafite: "35". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. Na zona do calcanhar, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico e aberta em pequenos círculos, presa por um prego metálico, junto à sua aresta mais interior. O conjunto dos círculos forma, da direção do calcanhar para os dedos, uma espécie de ferradura, no seio da qual está uma pequena flor de seis círculos (pétalas). Abaixo deste conjunto, uma fileira diagonal de círculos ladeada por duas outras flores, uma de cada lado, semelhantes à descrita acima. A dar cor às ferraduras, debaixo do oleado, pedaços de papel de cores: azul, verde, vermelha e amarela. Da calcanheira, pela palmilha, forro de flanela de cor preta.
Proveniência: Porto

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 8,5; comprimento: 24,5;

Descrição: Soco de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, ligeiramente levantado. Apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor preta: "varina". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do tacão. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um forro de plástico preto, de formato parabólico.
Proveniência: Porto

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,8; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) fechados de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é pintada de cor preta. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. Apresenta no topo de cada soco, o número: "35". O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Ambos os socos apresentam na zona de curva, ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul (?): "Soco Raboto" / "Póvoa de" / "Varzim". A pala apresenta uma biqueira muito redonda, sem queda. Nesta zona, o soco do lado direito apresenta, escrito à mão, a grafite: "Irmão" / "do Tiago" (?) / "Rogerio" (?) / "certos" (?). A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça pequena e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do salto. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico. A área restante de madeira, a da palmilha, é forrada a flanela de cor preta.
Proveniência: Póvoa de Varzim


Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela (?)
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, a caneta de cor preta, "Soco Poveiro". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé e, cujas pontas, na zona do calcanhar, terminam em redondo, sobrepondo-se um pouco uma sobre a outra, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras muito finas, executadas a linha de cor creme, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, um forro de flanela (?) de cor preta. Lateralmente, o interior de cabedal é também tingido de preto, à exceção da zona correspondente da boca à biqueira.
Proveniência: Póvoa de Varzim


 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Técnica: Punção
Dimensões (cm): altura: 6; largura: 9,6; comprimento: 24;

Descrição: Socos (par) fechados de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é pintada lateralmente de cor violeta. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico redondo, um pouco levantado. A do soco do lado direito, apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Soca" / "Póvoa de" / "Varzim". Nesta zona, ambos os socos também apresentam, escrito à mão, a grafite: "34" / "/" / "15" - leia-se 34 em quinze. A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça pequena e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início da pata. A boca apresenta duas fileiras muito próximas de um fino pontilhado. Em cada lado, uma espécie de "L", orientado na diagonal, de limites externos de fino pontilhado e interior de pontilhado mais grosseiro e mais espaçado. Os vértices de tal "L" tendem para o centro da biqueira. Estes são unidos por espécie de losango conseguido pelo prolongamento dos limites exteriores dos "L". O interior é constituído por pontos mais grosseiros, semeados de espaço a espaço, de modo a seguir os contornos do losango. No interior do soco, a zona do calcanhar é pintada da mesma cor da sola, até ao início da palmilha. Na palmilha de ambos os socos, escrito à mão, a grafite, "34" / "/ " / "15".
Proveniência: Póvoa de Varzim


Datação: XIX d.C. - XX d.C.

Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela

Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,5; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é tingida de preto. É constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Este, ao centro, em ambos os socos, marca em relevo: "PORTO". A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, uma vez a caneta de cor preta e outra vez a grafite, "p alta" e "PORTO" / "BICO PONTA" / "ALTA", respetivamente. Sobre estas inscrições, neste soco, e em igual posição no outro par, uma outra inscrição a grafite: "36". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, um forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira


 

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela (?)
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira, gáspea e talão de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado esquerdo, escrito à mão, a grafite, "PORTO" / "GALHOCHAS". A ligação entre a sola, gáspea e talão é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam a meio do salto. Cerca de três centímetros antes, inicia-se, na parte de fora da orelha, a aplicação de um talão de formato semicircular, que termina no lado oposto, mas agora, na parte de dentro dessa orelha. Na extremidade superior da gáspea e do talão, estes apresentam uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras muito finas, executadas a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona sobre a madeira, forro de flanela (?) de cor preta.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira

  

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico (oleado); Metal; Cabedal; Flanela (?); Papel
Dimensões (cm): altura: 6,5; largura: 8,5; comprimento: 25;

Descrição: Soco (par), de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada e de cor preta. A sola é pintada de preto, e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico arredondado e um pouco levantado. Apresenta, ao centro, em ambos os socos, escrito à mão, a caneta de cor preta, "Papos-secos". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, sobre a madeira, forro de flanela (?) de cor azul. Por cima deste, na zona da calcanheira, um forro de oleado de cor preta, de formato parabólico, preso por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma, em cima e em baixo, espécie de ferraduras de abertura voltada para baixo, com flor no meio. A dar cor aos círculos, debaixo do oleado, pedaços de papel de cor amarela, verde, azul, vermelha e creme.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Técnica: Punção
Dimensões (cm): altura: 12; largura: 12; comprimento: 30;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor castanha escura. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. O enfranque é em espinha. Apresenta, num dos lados desta, em cada soco, uma espécie de selo de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "249" em cima, e a letra "T" um pouco abaixo, do lado esquerdo, e ao centro "TC" - todos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I. / CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e muito levantado, orientado ao centro, não conferindo aos socos um par direito ou esquerdo. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a grafite: "Tamancos rabelos" / "Casais" / "Lousada". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor creme, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é bastante subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V" entre elas. Apresenta motivos fitográficos gravados por punção: zona da boca, à frente, apresenta uma linha contínua, transversal, encimada por repetição sucessiva de espécie de folha de cinco nervuras. Em ambas as extremidades de tal linha, descem num ângulo de 45º, duas bandas de quatro fileiras de pontilhado. Partindo do centro da mesma linha, para os lados, outras duas bandas de iguais características, que se cruzam com as anteriores. Um pouco acima da zona de cruzamento, partem destas bandas, outras duas, estas de três fileiras pontilhadas, que se unem ao centro, formando assim uma espécie de losango. Do seu vértice mais externo, até ao início da biqueira, uma banda larga, transversal, de uma fileira de pontilhado nos limites e de retas diagonais, entrecruzadas, ao centro. Com a exceção da biqueira, todas as zonas criadas pelo cruzamento das bandas apresentam decorações: um ponto junto a cada vértice, e sinete ao centro. No losango central, um sinete junto a cada vértice e outra de maiores dimensões ao centro. Abaixo deste a seguinte inscrição gravada por punção: "ZINHA". No interior de cada soco, na zona da calcanheira, uma inscrição feita à mão e a lápis: "42".
Proveniência: Porto / Lousada / Casais

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal; Flanela; Papel
Dimensões (cm): altura: 7,5; largura: 9; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira, gáspea de cabedal de crute envernizada de cor preta. A sola é pintada de preto e é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto, estreito e afunilado. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado e um pouco levantado. Ao centro, no soco do lado direito, escrito à mão, a grafite: "PORTO" / "DELAIDI -" / "NHA". A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de plástico (?) de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, sobre a madeira, um forro de flanela de cor preta. Por cima deste, na zona da calcanheira, oleado de cor preta, de formato parabólico, preso por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma uma espécie de três ferraduras concêntricas de diferentes alturas. Entre a mais interior, uma fileira de quatro círculos disposto no sentido da altura. A dar cor às ferraduras, debaixo do oleado, pedaços que papel de cores: branca, verde, e vermelha. Assim, a maior ferradura, a exterior, é de cor branca, a seguinte de cor verde e a última, de cor branca. A fileira central é de cor vermelha.
Proveniência: Porto / Campanhã / São Roque da Lameira
Local de uso: terras do interior e serras

  
REGIÃO DE TRÁS-OS-MONTES

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, madeira, tachas
Dimensões (cm): comprimento: 25;

Descrição: Soco de bico, com as pontas do "corte" terminando as orelhas quase unidas atrás. Sola de pau com salto baixo. A parte do corte está pregada à sola com tachas colocadas sobre o "circo". No lado interno tem um remendo cosido, na sola, além das tachas, tem remendo feito com borracha de pneu (?) tal como no salto Este soco estava enfiado num fueiro do carro de bois, reexposto na sala de Trás-os-Montes.
Proveniência: Trás-os-Montes

 
REGIÃO DO ALTO DOURO

 

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Couro, madeira e metal
Dimensões (cm): comprimento: 24;

Descrição: Soco rabelo para mulher, biqueira levantada e pontiaguda, gáspea subida, decorada com motivos geométricos incisos, círculos, listas em grupo de 3 e serrilhas feitas com riscador; as orelhas chegam até ao calcanhar, agora abertas pelo uso prolongado. Sola de pau muito gasta, agora sem salto, apresenta na biqueira protetores metálicos. A ligação com a gáspea é feita por tachas pregadas sobre o circo. Não tem distinção entre o pé esquerdo e o direito.
Local de Uso: Terras de Basto - Vila Real - Amarante - Felgueiras - Lamego - Castro D'Aire

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 12,5; largura: 10; comprimento: 30;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. O enfranque é em espinha e apresenta, num dos lados desta, no soco do lado esquerdo, a inscrição "JAIME", cravada na madeira; no lado oposto, em cada soco, espécie de selo de papel de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO" repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre este fundo, espécie de brasão.
Por cima deste, o número "1720" e, ao centro, um "T", ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I. / CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e muito levantado, orientado ao centro, não conferindo aos socos um par direito ou esquerdo. Uma das patas apresenta, ao centro, escrito à mão e a grafite: "Tamancos rabelos" / "Casais" / "Lousada". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é bastante subida apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. No interior de cada soco, a zona entre a palma do pé e o calcanhar, apresenta uma inscrição feita a mão e a grafite: "42".
Proveniência: Lousada / Casais
Local de uso: região duriense, terras de Basto e Vila Real

 
REGIÃO DA BEIRA CENTRAL

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 10; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado e muito levantado. Apresenta, ao centro desta, em ambos os socos, escrito à mão, a caneta de cor verde, "VISEU". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas terminam em bico, formando uma espécie de espaço em "V", entre elas. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de pelica de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras executadas a linha de cor creme, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco do lado esquerdo, na zona entre a palma do pé e o calcanhar, apresenta uma inscrição feita a mão e a grafite: "41".
Proveniência: Viseu

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Borracha; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 7,2; largura: 11,8; comprimento: 26;

Descrição: Soco (par), de sola em madeira, gáspea de cabedal de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto. Apresenta no topo, com o mesmo formato, uma aplicação de borracha de pneu de cor preta, fixa com pregos metálicos. O enfranque é em espinha. A pata apresenta um bico aguçado. Apresenta nos limites exteriores aplicação de uma banda de borracha de pneu de cor preta, formando espécie de ferradura, fixa com pregos metálicos. A ligação entre a sola e gáspea é feita através de uma fita fina de oleado de cor preta, profusamente pregada, com pregos metálicos, de cabeça larga e batida, justapostos uns aos outros. A gáspea apresenta orelhas que afunilam progressivamente até serem quase inexistentes na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, esta apresenta uma fita fina de cabedal de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira muito fina, executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, calcanheira de oleado de cor preta, de formato parabólico, presa por um prego metálico junto à sua aresta mais interior, e aberto em pequenos círculos. O conjunto de círculos forma uma espécie de flor de oito pétalas ao centro. Em cima e abaixo desta, os círculos dispõem-se em duas fileiras justapostas que infletem ao meio. Descendo da calcanheira pela zona da palmilha, vestígios de tecido escocês de listas ortogonais de cor vermelha justapostas a listas ortogonais de cor azul escura.
Proveniência: Seia / Sabugueiro

   
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 12,5; largura: 12; comprimento: 30;

Descrição: Soco de rasto de madeira e gáspea de cabedal de cor acastanhada. O rasto apresenta salto, enfranque e pata. O salto é alto e muito afunilado. Apresenta no topo, uma aplicação com dimensões ligeiramente superiores, de peça metálica. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, levantado, com vestígios semeados de charas de metal, de formato redondo. A união entre rasto e gáspea é guarnecida com tira de cabedal pregada, equidistante, a toda a volta, com pregos metálicos de cabeça larga e batida, à exceção da biqueira. Aí, é aplicada uma peça triangular de cabedal. Do lado direito do soco, aplicação de placa de metal, sobre a tira de cabedal. Tal placa, que cobre o lado do rasto e a tira, é pregada à madeira nas extremidades e ao centro, com pregos metálicos. A gáspea é subida, apresentando orelhas que cobrem todo o pé, e cujas pontas, na zona do calcanhar, terminam em redondo, formando espécie de espaço em "V", entre elas.
Proveniência: Viseu / Vila Nova de Paiva / Fráguas

 
REGIÃO DA BEIRA LITORAL

Datação: XIX d.C. - XX d.C.
 Matéria: Madeira; Couro; Metal (ferro)
Dimensões (cm): altura: 16; largura: 8; comprimento: 34;

Descrição: Soco com rasto de madeira e gáspeas de couro de cor castanha. O rasto é constituído pelo salto, enfranque e pata. O salto é tronco-cónico, apresentando três peças quadrangulares de ferro que lhe encaixam. O enfranque é lavado e esguio, apresentando uma descontinuidade com a pata. Esta última apresenta, junto às bordas, cardas de ferro, formando uma sucessão de triângulos. A união do rasto com as gáspeas é feita através de uma fita de couro pregada de espaço a espaço. As gáspeas são levantadas até à zona da calcanheira, terminando em "V". À frente, na extremidade superior, formam um pequeno triângulo. A parte da frente das gáspeas é reforçada com uma aplicação de couro, gravada por punção segundo uma linha central longitudinal, formando pequenos asteriscos. A biqueira do soco é reforçada com uma banda de ferro, que se prolonga lateralmente pelo soco até à zona da pata, pregada de espaço a espaço.
Proveniência: Segundo o artigo de Benjamim Pereira "Calçado de Pau em Portugal" este soco é proveniente de Aveiro.


 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 7; largura: 8,6; comprimento: 24,5;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo, em continuação com a pata. Apresenta, no soco do lado direito, virado para o salto, junto á extremidade lateral, uma espécie de selo de papel de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO" repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "173" em cima, e a letra "T" ao centro, ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata, apresenta um bico muito redondo, sem queda. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco / Poveiro / Beira mar". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do salto. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um plástico de cor preta, de formato parabólico. É pregado, na sua aresta interior, ao centro, por um prego metálico de cabeça larga, batida. Contíguo a este forro, em cada soco, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO". Sobre este, escrito à mão, a grafite, o número: "33" (?).
Proveniência: Aveiro

 
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 10,5; largura: 10; comprimento: 29;

Descrição: Soco (par) fechado de rasto em madeira e gáspea de cabedal envernizado, de cor preta. O rasto é constituído por salto, enfranque e a pata (?). O salto é baixo; o do soco do lado direito apresenta escrito à mão, a caneta: "Salto". O enfranque é em espinha e apresenta, num dos lados desta, também no mesmo soco, escrito à mão e a caneta de cor azul: "enfranque / modelo em espinha". Do outro lado da espinha, espécie de selo de papel, de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, espécie de brasão encimado pelo número "173", e a letra "T" ao centro - ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e ligeiramente levantado. O bico do soco do lado direito apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Pata". No mesmo alinhamento desta, junto à extremidade direita, a palavra "encarna", de onde parte uma seta apontando para a fita que une a sola e a gáspea. A pata do soco do lado esquerdo, refere do mesmo modo: "Tamanco Fechado". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma encarna: uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. Na parte da frente, na biqueira, a ligação é de folheta de metal de cor prateada. Esta, no limite superior, é de arco ogival, e no limite inferior, lobulada, tendo em cada lóbulo, um prego. A folheta apresenta uma espécie de motivo orientalizante. A gáspea é bastante subida apresentando orelhas, de vértice superior arredondado, que se sobrepõem na zona do calcanhar. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. As costuras de tal fita, no interior do soco, são visíveis no exterior, em duas fileiras executadas a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. O interior da gáspea é de cabedal de cor castanha escura. Na zona da calcanheira de cada soco, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Proveniência: Aveiro

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Plástico; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 6,5; largura: 8; comprimento: 25;

Descrição: Soco (par) de sola em madeira e gáspea de cabedal de crute envernizada, de cor preta. A sola é constituída por salto, enfranque e a pata. O salto é alto e afunilado. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Esta apresenta um bico muito aguçado, ligeiramente levantado, não havendo diferenciação entre direito e esquerdo. A do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco" / "Chinela" / "(Interior)" / "Varina". A referência "interior" encontra-se riscada. A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de plástico de cor preta, pregada de espaço a espaço, com pregos metálicos de cabeça larga e batida. A gáspea apresenta orelhas que terminam no início do tacão. Na extremidade superior da gáspea, na boca, esta apresenta uma fita fina de plástico de cor preta debruada na orla. A costura de tal fita, no interior do soco, é visível no exterior, numa fileira executada a linha de cor preta, um pouco abaixo da extremidade inferior da mesma. No interior do soco, na zona da calcanheira, um forro de plástico preto, de formato parabólico. É pregado, na sua aresta interior, ao centro, por um prego metálica de cabeça larga e batida. Contíguo a este forro, em cada soco, um carimbo de cor vermelha com a inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Proveniência: Aveiro

  
Datação: XIX d.C. - XX d.C.
Matéria: Madeira; Metal; Cabedal
Dimensões (cm): altura: 9; largura: 10; comprimento: 28;

Descrição: Soco (par) fechado, de sola em madeira e gáspea de cabedal de cor creme - "cabedal branco". A sola é constituída por salto, enfranque e a pala. O salto é baixo. O enfranque é curvilíneo em continuação com a pata. Apresenta, num dos lados, uma espécie de selo de fundo de cor creme, com a inscrição "GREMIO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE CALÇADO", repetida sucessivamente para o lado e para baixo. Sobre o fundo, uma espécie de brasão. Sobre este, o número "173" em cima, e a letra "T" ao centro - ambos escritos a vermelho. Abaixo do brasão, "G.N.I." / "CALÇADO". A pata apresenta um bico muito aguçado e ligeiramente levantado. O do soco do lado esquerdo apresenta ao centro, escrito à mão e a caneta de cor azul: "Tamanco branco". A ligação entre a sola e a gáspea é feita através de uma fita fina de cabedal de cor castanha, pregada de espaço a espaço com pregos metálicos de cabeça larga e batida. Na parte da frente da biqueira, a ligação é de folheta de metal de cor prateada. Esta, no limite superior, é de arco ogival, e no limite inferior, lobulada, tendo em cada lóbulo, um prego metálico. A folheta apresenta espécie de motivo orientalizante. A gáspea é bastante subida. As orelhas, cujas pontas terminam em bico, tocam-se na zona do calcanhar. Apresenta algumas gravações por punção: zona da boca, à frente, apresenta duas linhas gravadas em profundidade no cabedal, seguindo os contornos da mesma; na zona da biqueira apresenta seis linhas, espaçadas duas a duas, sendo que entre as duas mais anteriores e as do meio, cinco linhas iguais às anteriores, oblíquas, cruzando-se entre elas, ao centro. No interior de cada soco, na zona da calcanheira, um carimbo de cor vermelha com a seguinte inscrição: "TAMANCARIA OSÓRIO" / "AVEIRO".
Local de uso: Região da Bairrada

REGIÃO DO ALTO ALENTEJO

Datação: Séc. XIX - XX (?)
Matéria: Madeira, couro, tachas
Dimensões (cm): comprimento: 24,5;

Descrição: Soco composto por duas tiras de couro, que unem sobre o peito do pé, ajustadas com uma tira (atacador) estreito partido, passando por 6 orifícios; sola de madeira alta unida ao couro com tachas.
Proveniência: Louredo, Marvão

 
Fontes:
www.matriznet.imc-ip.pt
Museu Nacional de Etnologia
Museu de Arte Popular


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